A julgar pela quantidade de pessoas que percebo reclamando de tudo e de todos nos mais diversos ambientes, fico com a sensação de que só existem pessoas no papel de clientes. Tudo é causa para reclamação, ainda que nem sempre os critérios de mensuração da qualidade estejam claramente definidos e especificados.

Clientes tão exigentes assim insatisfeitos e intolerantes com os outros, notadamente em tempos de recessão econômica,  bem que poderiam se lembrar que também cumprem o papel de fornecedores.

Papéis

No dia-a-dia, somos clientes mas também fornecedores de bens e serviços. Essa relação entre fornecedores e clientes obriga as pessoas a terem atenção ao papel que cumprem nos diversos processos em que atuam cotidianamente. Tudo depende do referencial, que dinamicamente as coloca em mão dupla, ora fornecendo e processando os insumos, ora recebendo os resultados do processo.

Os papéis de cliente e fornecedor se alternam sem cessar.

Os papéis de cliente e fornecedor se alternam sem cessar.

Inegavelmente, quem avalia e diz se está satisfeito ou não, inclusive atribuindo uma nota, é quem recebe o resultado. Nesse sentido a primeira pergunta que as pessoas deveriam lutar para responder é se os seus clientes estão satisfeitos com o que lhes está sendo entregue.

Isso poderia ser feito avaliando-se três dimensões básicas: qualidade intrínseca, preço e atendimento. São itens que são – ou deveriam ser – sempre observados, analisados e medidos por quem está no papel de cliente. A partir de medidas e critérios definidos, esse espaço de avaliação é o espaço aberto para que se defina se a reclamação do cliente é procedente ou não.

Como se vê, essa é uma maneira bem simples de ouvir a voz do cliente e torná-la parte integrante do processo que deve satisfazer suas necessidades e expectativas. Essa avaliação pode ser conseguida com uma pesquisa de satisfação formal ou com um bate-papo informal durante os contatos diários com os clientes, por exemplo.

Fica aqui o grande chamamento para uma reflexão sincera para embalar a nossa melhoria contínua no papel de fornecedores. Estamos cumprindo todos os prazos combinados, seja para entregar um simples relatório seja para entrar com um processo no Poder Judiciário? Estamos atendendo a todas as especificações estabelecidas para os bens e serviços contratados? Os preços praticados estão adequados e competitivos ou tentam repassar ruindades internas para os clientes?

Sei que é mais fácil cobrar, reclamar e ser vítima dos outros, mas se tudo começa com a gente, por que não atuar no papel de fornecedor com mesmo afinco demonstrado no papel de cliente?

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Já são passados 20 dias da ruptura de uma barragem de rejeitos da Samarco Mineração, empresa controlada pela Vale e pela anglo-australiana BHP Billiton, em Mariana (MG). As tragédias social, ambiental, tecnológica e econômica, dentre outras dimensões, prosseguem estampadas em diversas mídias.

Se considerarmos um conceito bem simples sobre o que é um sistema, podemos defini-lo como um conjunto de partes interligadas. Mais uma vez, ainda poderemos aprender com as lições trazidas pela tragédia apesar do alto custo desse aprendizado.

Em função das informações já disponíveis, que observações podemos fazer em relação ao sistema de gestão do negócio usado por todas as partes envolvidas e interessadas em seu resultado? Fazendo uma análise crítica fica visível que muitos fundamentos da gestão estão presentes apenas na intenção, mas não são acompanhados da necessária intensidade dos gestos. Neste texto, a proposta é tirar lições desse caso para as demais organizações.

Imagem de satélite mostrando a área atingida pela lama em Mariana. / Foto:  Globalgeo Geotecnologias, retirada do portal G1

Imagem de satélite mostrando a área atingida pela lama em Mariana. / Foto: Globalgeo Geotecnologias, retirada do portal G1

Plano de ação

O caso de Mariana evidencia desleixo na preparação e na execução do plano de ação para desastres. Nesta matéria da Folha, por exemplo, mostra-se o “jogo de empurra” entre governo federal e estadual. Afinal, quem aprovou o documento, que não previa uma estratégia para avisar os moradores da região em caso de rompimento da barragem? Na terça, o jornal Estado de Minas afirmou que um plano de ação contratado pela Samarco há anos nunca foi posto em prática, por razões econômicas. A empresa contratada à época diz ter feito um planejamento extenso, prevendo proteção à comunidade e aos funcionários, mas disse que ele não saiu do papel.

Um plano de ação é o caminho usado para se atingir uma meta. Ele mostra o que vai ser feito, como vai ser feito, a qual custo, quem será o responsável pela ação e em que prazo tudo deverá ser feito. Portanto, se não houver esforço e transpiração, o plano será estéril, não permitirá que se chegue ao resultado esperado.

Responsabilidades

A Organização das Nações Unidas (ONU) cobrou publicamente governo e empresa pelas falhas na condução do caso. Criticou as medidas insuficientes e a demora na ação, evidenciando a inaptidão das partes para tomarem para si as responsabilidades.

Por que as pessoas que possuem atribuições em função das partes que representam, tais como poder público, investidores, clientes, fornecedores… não cumprem na íntegra os seus papéis? Por que faltam o querer, a vontade de fazer acontecer, a cooperação nos processos de trabalho e o assumir explícito da responsabilidade de cada pessoa e sua respectiva organização?

Creio que falta a presença firme dos líderes e também a cobrança dos resultados das ações ao longo da hierarquia presente na estrutura organizacional. Cada instância deve cumprir de maneira integrada o seu papel e, para isso, é preciso querer, ter vontade política e encarar todos os riscos decorrentes do seu exercício. Os atos e as omissões têm que ter consequências mas, se isso não acontece e predomina a complacência entre as partes, fica claro que ainda estamos longe da excelência que um sistema de gestão integrado pode ajudar a alcançar.

Dilma Rousseff e Fernando Pimentel durante sobrevoo das áreas atingidas pelo rompimento da barragem em Mariana. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Dilma Rousseff e Fernando Pimentel durante sobrevoo das áreas atingidas pelo rompimento da barragem em Mariana. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Cumprimento da legislação

Nesse caso específico, fica evidente que a lei que trata da segurança de barragens não foi cumprida em sua plenitude. Também é visível que quem tem a missão de verificar seu cumprimento também teve seus momentos de inércia e negligência. Basta verificar o que fizeram – ou deixaram de fazer – antes da tragédia a própria empresa, os órgãos fiscalizadores de município, estado e União, o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), o Ministério Público entre outros.

As normas e leis fazem parte do ambiente de negócios e devem ser levadas em conta. Ninguém está isento de suas responsabilidades ou das consequências em caso de descumprimento das regras. Todo empreendimento tem uma responsabilidade social e não cabe omissão.  

Como prosseguir?

A lição que fica é que ainda faltam disciplina, constância de propósitos e  líderes para praticar efetivamente o que sistemas, métodos, normas e leis determinam, apesar dos inúmeros interesses das partes envolvidas que sempre estão em jogo. Os fatos e os dados estão aí sendo escancarados e a nos mostrar que o escondidinho, a omissão e a resistência à transparência vão ficando cada vez mais insustentáveis.

Querer trabalhar com método e saber que as organizações são feitas por pessoas que cumprem papéis ligados aos diversos interessados são necessidades que jamais poderiam ou podem ser ignoradas. Estamos na era do conhecimento e, se o plano proposto para uma ação orientada não for colocado em prática, com certeza ele será estéril, não dará resultados e deixará evidente que foi apenas uma carta de intenções. A prática é um dos critérios da verdade.

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Meta flexível não é meta

por Luis Borges 27 de outubro de 2015   Gestão em pauta

A meta de superávit primário, a economia que é feita para pagamento dos juros da dívida pública, novamente não foi atingida.

meta, superávit

Um breve histórico

A meta inicial era encerrar o ano de 2015 com uma sobra de R$66,3 bilhões, o equivalente a 1,19% do Produto Interno Bruto (PIB). Em julho, era visível que a meta não seria atingida. Por isso, ela foi revisada para baixo, passou a R$8,747 bilhões – 0,15% do PIB.

Em outubro, sem atingir a segunda meta – que ainda não foi aprovada pelo Congresso Nacional, conforme exigem as Leis de Responsabilidade Fiscal e Diretrizes Orçamentárias – o Ministério do Planejamento está propondo a terceira meta para fechar o ano. Dessa vez será com um déficit, que pode chegar aos 90 bilhões de reais.

Além disso, está em discussão a meta de superávit primário para 2016 que, em função das várias variáveis que a cercam, pode ficar muito aquém dos 0,7% do PIB atualmente previstos.

Onde vão parar as metas?

O superávit primário é mais um exemplo de indicador com sucessivas metas não atingidas. Outro exemplo de meta fracassada é a da inflação anual, com seu “centro da meta” em 4,5%. Essa incapacidade de atingir os indicadores cria ambiente propício para a criação de heresias em relação ao sistema de gestão de negócios. A Presidente da República solicitou opções para a criação de uma meta flexível, casuísmo que finalmente tornará a meta atingível em função da mudança dos números conforme os choques conjunturais. É como se, num jogo de futebol, um pênalti fosse batido com o gol vazio, dependendo apenas do jogador chutar a bola com alguma direção para marcar.

Na prática, isso significa se isentar da gestão de riscos ao mesmo tempo em que são revogados conhecimentos científicos que fundamentam e conceituam uma meta como sendo um objetivo que possui valor e prazo para ser atingido. Meta, como este blog já abordou em postagens anteriores, não comporta um adjetivo como flexível, nem eufemismos como “centro da meta”, “limite inferior” e “limite superior”. O objetivo a ser atingido é o alvo que faz movimentar todo um plano de ação. Não existe sub alvo.

Para quem, como eu, acredita na essencialidade do conhecimento gerencial e que a gestão é o que todos precisam para resolver problemas de qualquer natureza, fica a certeza de que a catequese tem que continuar. Não existe substituto para o conhecimento, que deve ser continuamente buscado e aplicado com a disciplina e constância de propósitos que os sistemas e seus métodos exigem. Esse é o caminho para quem quer ter uma credibilidade sustentável.

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A cultura brasileira está fortemente impregnada pela afirmação de que errar é humano. Ela acaba sendo um lenitivo para as pessoas que admitem ter cometido um erro e que se auto-absolvem quando tocam no assunto. A expressão está se ampliando, e muitos já dizem que errar é humano e permanecer no erro é burrice.

No entanto, persistem muitos casos em que as pessoas não admitem que erram e reafirmam, com muita convicção e arrogância, que estão no caminho certo. Elas não dão o braço a torcer, consciente ou inconscientemente, mas primam pela teimosia aliada a uma boa dose de autismo. Só depois de muito apanhar com o próprio erro é que, às vezes, passam a ensaiar uma forma de admitir que, de repente, algo não saiu conforme o imaginado ou que algum detalhe importante não foi percebido como deveria ter sido. Seja lá como for, o fato é que os erros sempre têm consequências e, em muitos casos, é necessário conviver com os seus resultados ruins.

Você já imaginou outra lógica para abordar o assunto? Podemos partir da premissa de que acertar é humano e que, por isso, é possível e preciso fazer o certo desde a primeira vez. Poderíamos também pensar numa salvaguarda, reforçando que acertar é humano, mas às vezes os humanos erram e até reconhecem isso. Um pouco de humildade ajuda na percepção de limitações e imperfeições.

Tomando como referência o dicionário inFormal, a palavra certo indica exatidão. Entre seus sinônimos são citadas as palavras correto, exato, preciso, verdadeiro e apropriado.

Sendo assim quais seriam as condições necessárias para se fazer algo certo desde a primeira vez? Eu digo que é preciso ter método e conhecê-lo bem para poder aplicá-lo na solução de um problema em função do seu tamanho e natureza. Portanto é preciso conhecer e reconhecer que o problema existe e que pode ser demonstrado através de fatos e dados. Aqui não pode existir espaço para o achismo e nem para os desejos de que a realidade seja moldada em função de meras necessidades de um projeto de poder, seja ele individual ou de grupos. É preciso ter foco, disciplina e muita transpiração, com alguma inspiração. Assim, da observação dos fenômenos e da análise dos processos virão as informações que se transformarão em conhecimentos, necessários para se encontrar o que é certo desde a primeira vez. E assim a credibilidade e a confiança contribuirão para um ambiente melhor e mais sustentável.

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Os efeitos da crise econômica geralmente chegam por último aos níveis de emprego e, nesse sentido, as projeções indicam que o desemprego ainda crescerá mais até o final deste ano. No segundo trimestre de 2015, a PNAD Contínua do IBGE mostrou que a taxa de desocupação chegou a 8,3%. A população desocupada ficou em 8,4 milhões de pessoas, o que indica subida de 5,3% em relação ao primeiro trimestre de 2015 e de 23,5% em relação ao mesmo período do ano passado. A pesquisa completa está aqui.

desemprego competitividade trabalho

Fonte da imagem: EBC

Proponho uma reflexão sem dor para pessoas que estão empregadas e também para as que ficaram desempregadas recentemente. É sobre o nível de capacitação de cada uma para competir, tanto na manutenção do seu atual posto de trabalho quanto para buscar uma nova oportunidade no mercado de com escassez de oportunidades.

Em função de minhas atividades profissionais tenho encontrado diversos casos denotando que muitas pessoas não se preocupam com a atualização pela educação continuada. No entanto, elas sempre desejam valorização profissional, reconhecimento e segurança no emprego, mesmo vivendo na plenitude da zona de conforto. Estou usando a palavra emprego por ser a mais utilizada entre nós, mas o correto é se falar em trabalho.

Outra situação interessante foi o caso de uma pessoa que não percebeu os rumos declinantes da empresa onde trabalhava e sempre fugia das atividades que exigissem qualquer dispêndio tempo fora do horário de trabalho. Nesse caso a pessoa foi demitida num facão inicial que eliminou 15% dos empregados contratados.

Como muitas pessoas tendem a achar que as coisas só acontecem com os outros, de vez em quando é um bom e saudável exercício se colocar no lugar dos outros. Basta deixar de lado a arrogância e a autossuficiência para simular como ficaria o seu caso na pior hipótese, no caso, o desemprego. Todos sabem o quanto é difícil suportar emocionalmente, e também financeiramente, uma situação de desemprego por um tempo mínimo que seja. E se ele durar um ano, por exemplo? Portanto é saudável uma autoavaliação nesse momento, tanto para enxergar forças e fraquezas quanto para definir foco, metas e ações para os próximos tempos.

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Jogando contra a gestão

por Luis Borges 4 de agosto de 2015   Gestão em pauta

O programa Pronatec Aprendiz foi anunciado pelo governo federal há uma semana. A presidente Dilma Rousseff participou do lançamento das novas vagas, e se enrolou ao falar da meta global do programa, de 12 milhões de alunos até 2018. Aliás, o MEC diz que, de 2011 até agora, foram 8 milhões de matrículas no Pronatec, mas não fala em evasão ou número de concluintes. O que é assunto para outra pensata.

Ao tentar justificar a razão para que, neste momento, sejam apenas 15 mil novas vagas no segmento Aprendiz, que tem meta específica de 1 milhão de alunos, a Presidente disse:

“Nós não vamos colocar uma meta. Nós vamos deixar uma meta aberta. Quando a gente atingir a meta, nós dobramos a meta. Quando a gente atingir a meta, nós dobramos a meta.”

É uma fala deseducadora do ponto de vista da Gestão e coloca ainda mais dúvida sobre o que significa o mote “Brasil, pátria educadora”.

Para contornar um questionamento a Presidente jogou para escanteio um dos fundamentos mais elementares da gestão, sempre a nos ensinar que gerenciar é atingir metas. E mais, quem não tem meta não tem norte, não sabe para onde ir e, por isso, qualquer resultado que for alcançado será satisfatório.

Notadamente a partir do final dos anos 80 do século passado, o Brasil começou a passar por um grande esforço em educação e treinamento, para que os nossos negócios em todos os segmentos da economia, ainda que de maneira desigual e combinada, sejam gerenciados por um sistema de gestão estruturado, orientado para resultados e com foco na satisfação do cliente.Esse esforço precisa ser permanente e exige muita constância de propósitos, inclusive para não se perder muito do que já foi feito.

Graças ao que se fez e ao que se faz é que hoje estão presentes em nossa cultura gerencial palavras como meta, plano de ação, foco, método, estratégia, causa, efeito, processo, gestão de pessoas, conformidade, risco, qualidade, produtividade, competitividade e tantas outras.

Fiquei com a sensação de que depois da contabilidade criativa, das pedaladas fiscais e do ajeitamento das contas públicas agora é a vez de se embarcar na gestão criativa, na qual é possível revogar e inventar conceitos, sem fundamentação científica, tudo isso para encobrir o que merece ser transparente.

Espero que a Presidente perceba que não dá para revogar a Lei da Gravidade e nem os fundamentos da gestão.

Meta é para ser atingida e, para isso, será sempre necessário um plano de ação potente, inclusive para o Governo Federal.

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O Governo Federal errou feio na meta de superávit primário, pelo segundo ano consecutivo. Esse superávit, que é o saldo positivo da conta receita menos gastos, teve que ser revisto ontem.

A história se repetiu, não houve aprendizado. A meta de poupar R$66,3 bilhões, que equivalem a 1,13% do PIB, teve que ser reduzida para meros R$8,747 bilhões, que significam 0,15% do PIB. Tudo isso tem como objetivo pagar um pouquinho da dívida interna. Na prática, a nova meta é 86,7% menor do que estabelece a Lei de Diretrizes Orçamentárias em vigor.

Uma leve diferença é que, no ano passado, a revisão dessa meta foi proposta depois do segundo turno das eleições presidenciais. Neste ano, se concretizou em julho, após quase um mês de embates entre os Ministérios da Fazenda e do Planejamento. Aliás, aqui no Observação e Análise o estabelecimento, acompanhamento e atingimento de metas já foi tema em pelo menos outras quatro ocasiões.

abuso financeiro contra idosos

Contando os centavos…

Uma pergunta simples e direta – por que o governo erra tanto quando define uma meta?

Nesse caso do superávit primário, podemos inicialmente analisar o processo que levou ao estabelecimento da meta e avaliar criticamente as premissas que a fundamentaram. Os principais erros cometidos nos mostram, hoje, que o número fixado foi muito mais um desejo, premido por uma necessidade de resposta ao mercado e à população.

Por outro lado, o Governo Federal nunca teve a humildade de reconhecer os erros de sua nova política econômica no primeiro mandato, notadamente marcado pela contabilidade criativa, pedaladas fiscais, grande aumento nos gastos e estouro das contas públicas. Pesou, também, a postura otimista de que o ajuste fiscal proposto seria facilmente aprovado pela base aliada  no Congresso Nacional, sem negociações de cortes, como se o ovo da galinha já estivesse garantido. Outro erro que parece visível foi não ter trabalhado com um cenário pessimista, imaginando, por exemplo, que a arrecadação federal poderia chegar a uma queda real em função da recessão econômica, como veio a ocorrer.

Já em maio a linha da meta mostrava que o resultado estava bastante distante do desejável, o que apontava que a meta era simplesmente maluca, que jamais seria atingida. Juntaram-se a tudo isso a crise política, as dificuldades com o Congresso e com as centrais sindicais e a fraca avaliação do desempenho da Presidente e sua equipe.

Agora a nova meta anunciada necessitará de aprovação de modificação da LDO no Congresso Nacional, que ainda virá acompanhada de corte orçamentário em torno de R$8,9 bilhões. Apesar de todos os discursos ministeriais realçando as incertezas da economia e fazendo juras de transparência, a sensação que fica é a de ajeitamento para ajudar na conta de chegada.

Com tantos erros na formulação e com tanta ruindade no gerenciamento, não será nenhuma surpresa se a história se repetir outra vez e, no lugar do superávit de R$8,747 bilhões, na virada do ano vier um déficit primário, como aconteceu em 2014.

Como se vê a gestão pela liderança continua fazendo muita falta. Apenas a fama de “gerentona” ou “gerentão” não é suficiente.

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Um cliente maltratado

por Luis Borges 24 de junho de 2015   Gestão em pauta

Os negócios estão indo mais devagar, os clientes estão mais sumidos e o dinheiro está cada vez mais difícil de aparecer. Essa é uma fala recorrente e cada vez mais comum em variados segmentos de negócios, independente do porte. Mas não é só a contração da economia, o ajuste fiscal das contas públicas, o desemprego, a inflação alta e a perda de poder aquisitivo que afastam os clientes da aquisição de bens e serviços. O mau atendimento que ele recebe em muitos ambientes também é causa para o seu sumiço, embora muitos donos de negócios sequer consigam perceber a frequência desse tipo de ocorrência.

O assunto não é novo. Aqui no Observação e Análise já narrei um caso de atendimento péssimo durante a compra de um sofá e falei do calvário que foi fazer uma mudança no meu plano de celular. Mas outros casos vão chegando aos meus ouvidos, como o que me contaram semana passada.

Veja só o descaso de um cartório de notas da grande Belo Horizonte com um cliente que recebia a prestação de serviços para faturamento mensal. A sua maior demanda era por autenticação de cópia de documentos e reconhecimento de firma das assinaturas. O cliente pagava o preço unitário tabelado, de R$ 5,27, mas utilizava um guichê de atendimento exclusivo para faturamento mensal em função da quantidade demandada. Há algumas semanas o cliente foi ao cartório, com uma guia autorizativa para a autenticação de dois documentos. Sua surpresa foi grande ao ter a prestação do serviço negada, sob a alegação de que devido ao baixo número de solicitações dos últimos meses o Sistema excluiu seu nome daquela modalidade. O cliente procurou o gerente para reclamar por não ter sido avisado previamente da aplicação da medida. A justificativa foi típica de quem não tem foco no cliente e ainda faz de tudo para jogá-lo nos braços da concorrência. Simplesmente foi dito que o tal Sistema só informa para uso interno o nome de quem está com uma movimentação baixa e não se enquadra na quantidade mínima que justifique um faturamento mensal.

Como podemos constatar essa é uma típica postura de quem não observa e não analisa os seus processos e indicadores de gestão. Muitos clientes estão momentaneamente com um volume menor de serviços, mas ele pode voltar a crescer proximamente.

O cliente saiu do cartório chateado, decidido a mudar de fornecedor. E entendeu a postura, típica de quem tem sua tabela de preços indexada à inflação anual, reajustada todo mês de janeiro conforme determina uma Lei aprovada pela Assembleia Legislativa do estado.

Como se vê, gestão é o que todos precisam, mas nem todos a praticam. O cliente só quer qualidade, preço justo e atendimento que lhe traga satisfação. Ainda temos muito a caminhar.

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Municípios mineiros que dependem das atividades mineradoras para sobreviver estão nas manchetes, devido aos problemas que enfrentam nesse período de baixa.

De Itabirito vem a notícia de que um restaurante, localizado no centro da cidade, cozinhava 45 kg de arroz por dia e agora não passa dos 15kg. A prefeitura também perdeu arrecadação com o declínio do minério de ferro e o pouco que está recebendo chega com atraso aos cofres.

Em Congonhas outro restaurante também perdeu muitos clientes e agora serve mil refeições por dia, mas já serviu 3 mil no passado.

Nos bons tempos, a prefeitura de Nova Lima praticamente dobrou seu número de funcionários, quando a tonelada do ferro estava em torno de 200 dólares e a China crescia muito e ampliava seus estoques estratégicos. Agora o atual prefeito faz ajustes, demitindo funcionários para cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Em Itabira mais de 2.500 empregados das empreiteiras que trabalham para a Vale já foram demitidos neste ano, segundo o sindicato da categoria. E, é claro, a Vale se diz em adequação ao novo cenário mundial, com a tonelada de minério em torno de 50 dólares, quando o custo de produção tem que ser reduzido para manter a competitividade e a lucratividade para os acionistas.

Muitos exemplos poderiam ser citados, já que outros municípios de Minas Gerais também estão sofrendo com a contração econômica, variando apenas a escala e o setor afetado. É claro que quanto pior, pior mesmo, e o nosso atual quadro social mostra isso com muita clareza e pouca paz.

A reflexão que proponho aqui é sobre as causas que levaram esses municípios citados a demonstrar baixa sustentabilidade diante da crise instalada e que persiste. Há indícios claros de que eles falharam em seus planejamentos estratégicos e também em seus reposicionamentos estratégicos diante das mudanças nos cenários.

Pelo visto não se preocuparam com a avaliação de cenários, verificando como se inseriam as mineradoras localizadas nos municípios na economia de mercado global, cujas variáveis elas não controlam, no máximo acompanham.

Também não dá para uma prefeitura avançar na Lua como se fosse queijo. Frente ao momento de boa arrecadação, muitas aumentaram seus gastos, esquecendo-se da expectativa de vida cada vez mais longa de quem está na ativa e dos inativos. E, o que é pior, as prefeituras contavam que o boom do minério de ferro era para sempre.

É importante lembrar que o minério de ferro e outros 40 minerais explorados no estado também estão sujeitos à exaustão, com suas respectivas especificidades, inclusive de mercado extremamente dinâmico. Um fundo deveria ser formado para garantir a sustentação no momento em que só houver buracos deixados pela mineração. Os recursos para esse fundo poderiam vir de parte da atual CFEM (Contribuição Financeira sobre a Exploração Minerária) que equivale a 2% da receita líquida das empresas mineradoras. Aliás, existe proposta para que a CFEM passe a ser de 4% da renda bruta das mineradoras mas, para isso, o marco regulatório do setor, que já tramita há alguns anos, precisa ser aprovado pelo Congresso Nacional.

Concluindo eu diria que esse é mais um exemplo de como a gestão estruturada faz falta em todos os setores da atividade humana, sejam eles públicos, privados ou do terceiro setor. Quem não tem estratégia está condenado à morte. E não adianta ficar de gabinete em gabinete, de qualquer instância de poder, pedindo ou negociando favores. A economia possui seus ciclos, que devem ser percebidos e compreendidos para serem enfrentados de maneira sistêmica, com muito conhecimento e foco. Senão, a cada mudança de vento seremos surpreendidos sem sustentabilidade para enfrentar os desafios.

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Exatamente um ano atrás eu te perguntava – como está o cumprimento das suas metas?

Apesar de sempre nos sentirmos obrigados a olhar para frente e às vezes nos surpreendermos olhando para os lados, de vez em quando é importante também olharmos para trás. Dessa olhada, poderemos perceber se existem diferenças entre o que fazíamos naquele momento e o que atingimos no dia de hoje.

Será que avançamos positivamente ao implementar o plano de ação para o atingimento de nossas metas? Ou, por outro lado, não as atingimos por falta de foco, persistência, condições e muita ação para chegar lá? Uma análise crítica do nosso desempenho se faz necessária para que possamos verificar se estamos caminhando no sentido da melhoria, do atingimento das metas, ou se ficamos apenas fazendo discurso, sem mudar de atitude.

metas cumprimento data

Abaixo estão republicados trechos do texto do ano passado. Se preferir, clique aqui para ler tudo. Depois de reler, quais são suas conclusões? Você caminhou em direção às suas metas? Você está melhor ou pior que no mesmo dia do ano passado? Ainda existe muita distância entre a intenção e o gesto? Quais são as causas que estão em você?

A promessa de ano novo é um objetivo, um alvo a ser atingido. Quando ganha um valor e um prazo, torna-se uma meta. Atingir essa meta é um desafio bem grande, mas possível de ser vencido. É por isso que toda meta precisa ser acompanhada de um plano de ação, detalhando as alternativas estratégicas necessárias para colocar o gerenciamento em movimento, rumo ao resultado esperando.

A linha da meta nos mostra, graficamente, o quanto se avançou em um determinado espaço de tempo na direção do resultado, em função das etapas do processo que deveriam estar cumpridas.

É pensando nisso e analisando diante do dinamismo da gestão estruturada, que sempre nos exige posicionamentos e reposicionamentos, que sugiro uma reflexão sobre os resultados que você já alcançou até hoje, dia 4 de maio, passados mais de 120 dias do ano.

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