O efeito borboleta

por Convidado 6 de junho de 2017   Convidado

* por Sérgio Marchetti

Dia desses, assisti ao filme The Butterfly Effect (O Efeito Borboleta), de 2004, e, inspirado nele, estive a questionar – como diriam o lusitanos – que, se pudéssemos voltar no tempo, o que faríamos de diferente? É bom explicar que, na trama do filme, um jovem, com base em suas memórias, desenvolve a capacidade sobrenatural de fazer pequenas alterações no seu passado que determinam novos rumos no decurso de sua vida.

Pensando racionalmente, se tivéssemos o dom de voltar ao passado o mundo provavelmente já teria acabado. Seria uma eterna tentativa de refazer os “malfeitos” e, pelo que creio, não sairíamos do lugar. Na “Pátria amada” voltaríamos 500 anos para recomeçar a nossa história. “Começaríamos tudo outra vez se preciso fosse…” (cantou Gonzaguinha), mas não evitaríamos o “Efeito Borboleta”.

Mas o que significa O “Efeito Borboleta”? Trata-se do princípio que afirma que uma pequena alteração ou mudança no início de um evento, no decorrer desse processo, transforma-se em consequências desproporcionais e imprevisíveis. O que é também uma explicação simplificada do estudioso americano, Edward Lorenz, sobre o que seria a Teoria do Caos. O estudo revela, em princípio, que fatores irrelevantes podem ser responsáveis por grandes alterações num processo qualquer. Lorenz dizia que o bater de asas de uma borboleta no Brasil poderia desencadear uma sequência de eventos meteorológicos imprevisíveis que provocariam, por exemplo, um tornado nos Estados Unidos.

Deixando o experimento de lado, vamos tentar entender o caos. No último ano ouvimos e lemos, dia após dia, evidentemente sem conhecer nenhuma teoria, que a política brasileira está vivendo o caos. Então vamos entender o que é o caos para nos situarmos. Segundo o dicionário online de português, significa:

confusão geral dos elementos da matéria, antes da suposta criação do universo, do aparecimento dos seres, da realidade ou da natureza. No sentido figurado: estado de completa desordem, confusão de ideias, amontoado de coisas que se misturam, desorganização mental ou espacial.

Diante das definições acima e de outras existentes concluo que estamos além do caos. Nossa desordem extrapolou as fronteiras do absurdo. De fato, está comprovado o poder criativo do brasileiro. Infringimos os artigos mais severos do caos e criamos uma história surreal escrita com a tinta da vergonha. Nosso desgoverno compôs um episódio mais surrealista do que escritores renomados como André Breton, Murilo Mendes, Mennotti Del Pichia. Nossos governantes editaram um drama para vivermos no presente e plantaram um futuro cuja colheita pode ser uma tragédia shakespeariana. E, ainda na seara literária, assistimos a cenas quixotescas de personagens que, não tendo mais o filtro do pudor, mentem descaradamente e narram, em sua epopeia, as vitórias contra moinhos de vento e outros inimigos; todos frutos de mentes insanas.

O caos leva a uma fuga de brasileiros para outras terras. Já vivemos isso antes. Os motivos eram outros, mas a vontade de partir era a mesma. Nossos campos já não são tão lindos, nem nossos bosques têm mais flores, nosso seio tem menos amores e os filhos já fogem à luta. Que pena!

Mas enquanto o sol da liberdade, em raios fúlgidos, brilhar no céu da pátria, deve haver a esperança de que uma borboleta bata as asas em algum lugar deste planeta e que cause um tornado que destrua todas as falcatruas existentes neste Brasil.

* Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

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Só rezando

por Convidado 8 de maio de 2017   Convidado

* por Sérgio Marchetti

Peço desculpas aos leitores que me homenageiam lendo meus escritos. Sei que a nostalgia é um sentimento meio chato. Mas acordei saudosista de um tempo em que a esperança de sermos uma grande nação era algo consistente. Hoje, aquele sentimento ultrapassou as fronteiras da utopia. E, convenhamos, quando vivemos momentos tão obscuros, é natural sentir saudade de uma vida melhor que já tivemos. Estou descrente e confesso que cansado de ouvir e ler sobre a podridão de parte do nosso povo. Nossos noticiários, por obrigação de informar, aumentaram o tempo de suas programações para mencionar todos os nomes dos corruptos, mas ainda assim foi insuficiente. E o que me assusta e estarrece é que tem muita gente defendendo esses bandidos que deixaram, e ainda deixam, pessoas morrerem à mingua sem atendimento nos hospitais públicos. Escória, ladrões que desviam o dinheiro de remédios, de merenda escolar, de salários de funcionários públicos, da aposentadoria e de tantos outros recursos. Agora, entendo porque o nazismo, mesmo cometendo as maiores atrocidades contra a humanidade, ainda tem adeptos. Os malfeitores são habilidosos no condicionamento das cabeças fracas.

Num contexto como este, de total decomposição de caráter, anda longe a poesia de Olavo Bilac dizendo às crianças brasileiras para amar com fé e orgulho a terra em que nasceram. Mas sinto saudade de tantas outras coisas. De poder andar pelas ruas, sentar na praça e não ser assaltado. Das músicas de categoria elevada, que diziam algo mais do que “beijar a boca e transar no motel”. De ser livre e conviver com pessoas educadas. Onde estão? Aonde andam? Talvez nem andem. Estão reclusas em suas casas.

Parecem coisas pequenas, mas quem já viveu mais de quarenta anos sabe que poder deixar a casa aberta era uma forma de felicidade que não tinha preço. É com pesar que, igual a Nietzsche, sinto um cheiro de putrefação no ar. O homem, no auge de sua insensatez, tentou se apoderar do mundo e, nesse ataque insano, para obter dinheiro – a qualquer custo – está tentando matar a Divindade para ter os poderes de Deus.

Hoje estou triste por saber que é neste mundo que meus filhos, netos, bisnetos, tataranetos irão viver. E nele a competição por um emprego decente continuará sendo injusta, desleal e abjeta para quem não tiver o famoso “QI”. A desonestidade avança como uma enchente que destrói tudo por onde passa. Arruína lares, profissões, carreiras, sonhos e carrega em suas águas turvas as esperanças que, na maioria das vezes, é justamente de quem trabalha, mas não tem padrinho nem força para lutar contra a correnteza do poder. A improbidade progride como um câncer que, quanto mais desenvolvido, mais destruição causa em suas vítimas.

Creio que tudo que é negativo, quanto mais lembrado mais se fortalece. Perdoem-me, então, por estar sendo incoerente. Não me contive. Foi desabafo. Também, ninguém é de ferro. O balão, se encher muito, tende a explodir. Talvez seja nosso quadro atual: todos com balões cheios, mas prestes a acabar com a festa. Basta estourar o primeiro…

Mas vamos mudar o rumo da prosa. Aprendi que quando estamos desiludidos, a oração é o melhor remédio e, tanto pelo caminho da fé, quanto pelos estudos da psique, sabemos que as palavras têm força e podem nos trazer a paz e a resignação.

Falando em oração, veio à mente uma passagem de Santo Agostinho:

O estado nada mais é do que um “grande bando de ladrões”, uma máfia — só que; muito maior, mais opressiva, e mais perigosa.

Oremos!

* Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

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Amor à primeira vista

por Luis Borges 14 de abril de 2017   Convidado

* por Sérgio Marchetti

Aconteceu comigo. Foi amor à primeira vista em pleno mês de fevereiro. Foi antes do Carnaval. Eu olhei para aquela pessoa frágil, inocente, mas ela nem sequer me notou. Eu não existia para ela. Não passava de um estranho, mais um chato querendo se aproximar dela. Mas não fui atrevido. Detesto ser inconveniente e forçar minha presença com quem quer que seja. Fui sempre assim. Quando puder ser útil, sem invasão de privacidade, estarei ao lado dela. Tudo é novo e, por mais que estejamos preparados para a novidade, sempre há surpresas no inabitual.

O certo é que, apesar das dificuldades naturais que permeiam os fatos novos, meu coração continua batendo mais forte por ela. É algo indescritível, e nem sabia que em meu coração cansado e meio descrente dos rumos da humanidade, ainda caberia um novo amor.

Aí veio o tempo, que é inimigo e aliado e, aos poucos, para minha felicidade, percebi que já estava sendo notado. Muito pouco, porém o amor é paciente, é bondoso e não se irrita – como disse Paulo aos Coríntios.

Confesso que não consegui muito progresso. Ela não fala comigo mas, ao vê-la, meu coração se enternece. Emociona-me estar perto dela e estou certo de que é uma questão de tempo para que nos tornemos grandes amigos. Para dizer a verdade, se não for ilusão, acho que outro dia ela sorriu para mim. Foi um sorriso discreto, de cantinho de boca, mas valioso por ter sido o primeiro de uma série de sorrisos que se transformarão em gargalhadas.

De novo busco auxílio no tempo. Esse personagem principal na novela de nossas vidas. O tempo, personagem que consegue ser mocinho e vilão numa mesma trama. Figura forte, que em sua onipotência e onipresença nos enfraquece, nos rouba os traços de beleza, o brilho do olhar e a força muscular, entre tantos furtos de que é capaz aquele bandido. Entretanto, é ele que nos permite resignação em nossas perdas, nos ensina a ter calma, a não antecipar aquilo que exige um período maior para acontecer.

Sinto saudade. Vontade de ver, de abraçar. Isso é prova de que a vida é renovável e de que o amor, além de incomensurável, é um sentimento que nos estimula a viver.

Posso cantar a música de Júlio Iglesias e dizer que “ela me enfeitou a vida desde aquela tarde em que chegou…”. E, ao chegar, tornou-se prematuramente a protagonista do teatro de minha vida e de muitas outras pessoas. É a estrela principal que iluminou meus dias e gerou uma responsabilidade de ter que viver mais tempo para poder usufruir de sua companhia. Uma diferença de idade nos separa, mas em nossa relação só irá intensificar nosso amor.

Os dias passam e a esperança de conquistá-la aumenta a cada hora. Acho que ela é meio brava e geniosa, pois demonstra ser portadora de personalidade forte. Melhor assim. Sabe o que quer. Vamos discutir algumas vezes. Isso eu já estou prevendo.

Já que estou falando de amor, me vem à mente uma lembrança de alguém que escreveu que quando nasce uma criança, nasce também um pai, uma mãe, os avós, os tios. E, de fato, é exatamente assim que acontece. São os marinheiros de primeira viagem. Neste momento posso dar vida à frase acima. Em minha família nasceu uma criança, primeira filha de um casal. Nasceu então a mãe, o pai, as tias, a avó e o avô. Começou um novo mundo e, nele, começamos a escrever uma nova história.

Nasceu Manuela, um bebê que me fez nascer avô e, antagonicamente, me tornar um menino de cabelos grisalhos com olhos umedecidos e brilhantes, morrendo de vontade de brincar com ela.

Eu disse. Foi amor à primeira vista. Estou aprendendo uma nova maneira de amar.

Como escreveu Guimarães Rosa:

“Minha senhora dona, um menino nasceu. O mundo tornou a começar”.

* Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

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* por Sérgio Marchetti

Muitas pessoas com as quais convivo profissional e pessoalmente têm me confidenciado sobre a dificuldade de se relacionar, principalmente com seus filhos, num mundo de muita tecnologia e pouco afeto. Dizem, e concordo, que com o advento da tecnologia – recurso no qual os jovens levam imensa vantagem sobre os mais velhos – a geração Y e as posteriores se tornaram as classes de jovens mais poderosas de toda história. O domínio da tecnologia gera essa sensação de superioridade e contribui para que os filhos pensem que sabem mais do que os pais, por exemplo.

A história, entretanto, nos revela que a juventude sempre trouxe esses arroubos, seguidos de muita coragem e vontade de mudar as regras. Não é novidade que as novas gerações também estejam passando pelo mesmo arrebatamento. A compulsão de sugar a seiva da vida com toda a força, e dela usufruir em sua plenitude, também não é atual.

O que é novo, revelado em estudos, é que a humanidade está se tornando cada vez mais fria e solitária. O mundo evoluiu e os sentimentos de empatia estão agonizando. Mas a essência das coisas é a mesma de 500 ou mais anos.

Quisera que fossem apenas os jovens os praticantes do egocentrismo. Mas não são. Os mais maduros também esfriaram seus sentimentos e se isolaram em seus casulos cibernéticos. O grande estudioso Daniel Goleman informa que em hospitais e consultórios dos Estados Unidos os médicos que dão mais atenção e que realmente focam no problema do paciente conseguem resultados melhores no tratamento de doenças. Relata que profissionais que são processados não cometem mais erros do que os seus colegas. Mas têm menos afinidade e pouco relacionamento com seus pacientes. O estudo também constatou que os processados agem tecnicamente, não perguntam sobre as preocupações dos enfermos e nem respondem a todas as suas dúvidas. Alguns professores se comportam de forma semelhante e, mesmo tendo muito conhecimento do assunto, ensinam de forma mecânica, centrados apenas em suas teses. O resultado é o insucesso da aprendizagem. Talvez seja bom lembrar que por trás dessas atitudes se esconde uma doença chamada Alexitimia (indivíduos que não sabem o que sentem e não imaginam como o outro pode estar se sentindo) e que essas atitudes precisam ser tratadas antes que a prática do relacionamento se torne irreversível.

Diante de relatos como esses, chego à conclusão de que está faltando empatia, porém, está sobrando antipatia. Tornou-se comum nos depararmos com pessoas que fazem questão de ser grosseiras e arrogantes. Pessoas que não passam de meros figurantes no teatro da vida, mas que roubam a cena e se julgam protagonistas e, em seus desvarios, pensam ser celebridades.

Mas a família do phatos (sentimento) não para por aí. Felizmente tem uma prima que se chama simpatia. Pois ainda encontramos cidadãos educados que, como diria meu avô, têm berço e classe. São homens e mulheres que, não tendo que mascarar sua trajetória, caminham com leveza e emprestam luz aos que vivem nas sombras. Bem-aventuradas sejam essas criaturas porque são uma raridade num mundo tão cruel e hipócrita.

A família tem ainda mais um parente, a apatia – uma tia ranzinza e sistemática – que é outro mal que nos acomete. E é muito grave. Vejamos a situação da sociedade diante dos crimes. Apatia total. Enquanto ficamos escondidos atrás das grades de nossas casas, ladrões e assassinos têm liberdade para fazer o que quiserem, impunemente.

O que posso dizer àqueles que desabafam comigo sobre as dificuldades de relacionamento é que os sinais nos indicam que aí vêm chuvas e trovoadas. E que teremos que aprender e reaprender a conviver com novos valores e a vencer obstáculos continuamente.

Willian Shakespeare já previa todas essas tendências com uma visão futurista tão incrível que nos deixou o legado da visão para enfrentarmos as dificuldades e mudarmos de atitude. Recorro aos seus versos para buscar um alento que me proporcione sabedoria para encarar os novos desafios e encontrar caminhos alternativos. Com Shakespeare a gente aprende que depois de algum tempo as mudanças nos provam que nada era impossível. Aprende que deve ter iniciativa e buscar a adaptação.

“Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido,

O mundo não para, para que você o conserte,

Aprende que tempo é algo que não pode voltar para trás.

Portanto, plante seu jardim e decore sua alma,

Em vez de esperar que alguém lhe traga flores.”

* Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

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* por Sérgio Marchetti

É Carnaval! São três dias de folia e brincadeiras… Que nada! Tudo mudou. A brincadeira se transformou em droga, sexo e axé. O que resta nas memórias de algumas retinas fatigadas como as minhas é a saudade das brincadeiras dos antigos carnavais. Era diversão, mas isso é pura nostalgia de quem amava os salões e as marchinhas.

Quando Luiz Carlos Paraná escreveu Maria, Carnaval e cinzas, eu, criança, achei uma falta de gosto fazer uma letra tão triste para o Carnaval. Vejam duas estrofes:

Nasceu Maria quando a folia
Perdia a noite ganhava o dia
Foi fantasia seu enxoval.
Nasceu Maria no carnaval.
E não lhe chamaram assim como tantas
Marias de santas, Marias de flor
Seria Maria, Maria somente
Maria semente de samba e de amor.

Morreu Maria quando a folia
Na quarta-feira também morria.
E foi de cinzas seu enxoval
Viveu apenas um carnaval.

Hoje, adoro a letra. Continuo achando triste, mas gosto dela. Tempos depois, também escrevi uma “letrinha” para sair com um bloco de amigos. Mas nunca saímos e a letra ficou guardada. Também não é nada alegre, mas é o que tem para hoje: saudade.

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Bloco de rua em BH no carnaval de 2014. / Foto: Marina Borges

Carnaval e cinzas  - poeta triste trazendo alegrias...

O meu bloco vai sair na rua
E você vai sambar tão nua,
Vai fazer o povo me aplaudir,
Vai fazer o povo me sorrir...

E no delírio que esta marcha traz
Todo mundo vai sentir em paz,
Vão vibrar com a nossa alegria,
Vão dançar com a nossa  folia

E em coro então vão cantar:
Esta é a marchinha de um poeta triste,
Esta é a pureza que ainda existe;
Este é um bloco bem genial.
É a alegria do meu carnaval.

E minha ala  vai passando lenta,
E a multidão nos saudando atenta...
É a alegria desse povo triste, 
Que durante todo o ano insiste

Pra poder num carnaval cantar:
Esta é a marcha de um poeta triste,
Esta é a pureza que ainda existe;
Este é um bloco bem genial.
É a alegoria do meu carnaval.

São três dias de loucura e fantasia, 
São três dias de teatro e poesia.
E antes  da quarta-feira acordar
O nosso bloco vai com tudo pra abalar,

Pois ainda temos uma noite para cantar:
Esta é a marcha  de um poeta triste,
Esta é a pureza que ainda existe;
Este é um bloco bem genial.
É a nobreza do meu carnaval.

A quarta-feira vai se anunciar
E as cinzas vão nos separar...
Outra vez, a fantasia durou pouco.
Mas por você continuo sempre louco.

E aí vou vestir a outra fantasia
Personagem sério, sem nenhuma alegria,
E com ela o ano todo desfilar,
Esperando um ano inteiro pra te amar,

Para de novo no carnaval cantar:
Este é o bloco de um poeta triste,
Esta é a pureza que ainda existe;
Este é um bloco bem genial.
É a nostalgia do meu carnaval.

E o meu bloco então passou...
Alegrias, fantasias, alegorias desfilou.
Mas chegou a quarta- feira e acinzentou
E o bloco, que era sonho, acordou.

Então, caro leitor, ponha seu bloco na rua, mesmo que ele seja o bloco do poeta triste, mesmo que sua marchinha nunca seja cantada e que a fantasia nunca seja usada e que tudo isso seja apenas um sonho de três dias. Deixe o bloco passar e levar toda a energia ruim. Seja mais livre, mais tolerante, deixe que o coração lhe conduza e a emoção, fruto de uma outra fantasia, lhe faça mais feliz.

Afinal, Carnaval é feito para usar fantasias e deixar que a insustentável leveza do ser possa tirá-lo do chão. Peça licença à tristeza, separe-se dela; “você pra lá e eu pra cá”, até quarta-feira. Então, fique de bem com a vida. “Vem… pra ser feliz…”

* Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

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2016, o ano que não terminou

por Convidado 6 de janeiro de 2017   Convidado

* por Sérgio Marchetti

“ Temos todos nós que vivemos/ uma vida que é vivida/ e outra vida que é sonhada/ mas a única vida que temos/ é a que está dividida entre a certa e a errada.” (Fernando Pessoa)

O ato de viver tem duas faces: vida e morte. E nos oferece três tempos para viver e só um para morrer. Tudo acontece no presente, embora tenhamos o passado – que nunca voltará – e o futuro que, quando chegar, será apenas presente. Sabemos como foi o começo e que haverá um fim. E, entre os dois, vigora a incerteza de como será a trajetória. Não dá para adivinhar o futuro. Quando muito, planejá-lo. Talvez uma estrela iluminada possa nos guiar pelas veredas do sucesso. Mas não há luz para todos e os resultados não dependem exclusivamente de nós. Fatores internos, crises e políticas desajustadas podem arruinar qualquer um.

Como disse, nossa vida é indicada por tempo, mais propriamente por anos e que, por sinal, mais um chegou ao fim. Tivemos um janeiro de esperanças, dez meses de decepção e um dezembro de desesperanças. Nós, cidadãos maduros, que já passamos do meio dia de nossas vidas, tivemos a oportunidade de repetir esta façanha por diversas vezes. Nem parece que foram tantas.

Chegar ao final do ano e ter a oportunidade de um novo começo, por si só, já é uma dádiva muito digna de agradecimento. Muitas pessoas findaram sua história neste ano que se passou. Outros tantos abortaram seus sonhos em tragédias, tal qual a aeronave da LaMia, cujo piloto causou a morte de 71 pessoas. A causa do acidente foi gerada pela voracidade da obtenção do lucro. Revoltante, desastroso e criminoso o motivo que deixou tantas pessoas com o vazio da inexistência. Perderam maridos, pais, filhos, irmãos, amigos e colegas. A dor da ausência se amplia mais quando acontece um acidente e, principalmente, quando ele é causado por imprudência, irresponsabilidade e ganância.

Pelos mesmos motivos de Miguel Quiroga, no Brasil governantes causaram tragédias piores, legislando em causa própria e estropiando vidas. Faltaram escrúpulos, seriedade e senso de humanidade.

Não tenho dúvidas de que 2016 ficará na memória. Nem Fidel resistiu a ele. Partiu para sempre o grande ditador. Agora, realmente está exercendo a igualdade que tanto pregou. Cuba está sem pai e sem dono. Dom Paulo Evaristo Arns, uma alma boa que lutou pela justiça, sucumbiu neste dezembro e nos deixou mais desamparados ainda. Também perdemos Ferreira Gullar e, junto com ele, os últimos suspiros da poesia.

Por tudo isso, o referido ano ficará marcado na história. No Brasil será registrado como um dos anos mais tristes, em todos os sentidos. E, como escreveu Zuenir Ventura a respeito do ano de 1968; 2016 foi um ano que também não terminou. A conta não fechou. O país não cresceu, a crise não acabou, os maiores responsáveis por ela não foram presos.

“o dia não veio, o bonde não veio, o riso não veio, não veio a utopia e tudo acabou. E agora, José?” (Drummond)

Mas temos que ser fortes e resilientes. Não nos resta outra opção. A dor que não mata, embora arranque pedaços, nos torna mais resistentes.

Apesar do nada que foi esse ano que passou, esperançar é tudo que nos resta conjugar. Então, caros leitores que ainda têm a paciência de ler meu amontoado de ideias traduzidas em pobres palavras, deixem que os primeiros dias de janeiro lhes tragam sóis de esperança, luzes para clarear nosso túnel e, ainda, quem sabe, mais união para que lutemos pelos nossos direitos de cidadãos.

Ainda estamos vivos… Os novos dias nos convidam a ter fé.  Então…

“vem, vamos embora que esperar não é saber, quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. (Geraldo Vandré)

* Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

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Resta-nos a utopia

por Convidado 5 de dezembro de 2016   Convidado

* por Sérgio Marchetti

Chega de notícias ruins. Chega de tanta corrupção. Chega de jornais sangrentos tingidos com o sangue de tantas pessoas.

Chega de desemprego, de choro e de mentiras. Chega de inadimplência, de desvios de dinheiro. Chega de falar de político desonesto, pois já virou pleonasmo. Chega de recordes de mortes violentas. Não quero ler mensagens tristes, nem assistir a filmes sobre o holocausto. Vamos dar um basta nos programas ruins nas emissoras de televisão e nos apelos sexuais nas novelas, filmes e teatros brasileiros.  Vamos acordar… Uma bunda de silicone não pode valer mais do que um cérebro. Chega de baixaria, de grosseria, de palavrão.

“Chega de tentar dissimular e disfarçar e esconder/ o que não dá mais pra ocultar e eu não quero mais calar…/ Chega de temer, chorar, sofrer, sorrir, se dar/ e se perder e se achar e tudo aquilo que é viver… / Não dá mais pra segurar, explode coração” (Gonzaguinha).

Convido a todos – e aqui me incluo – a rever nossas atitudes. Não sendo religiosos, lembremo-nos do efeito bumerangue – o que vai, volta. Sendo pessoas de fé, lembremo-nos de que Jesus disse que é o que sai da boca do homem que o macula. Só depende de nós.

“Depende de nós/ quem já foi ou ainda é criança/ que acredita ou tem esperança/ que faz tudo pra um mundo melhor./ Depende de nós/ se este mundo ainda tem jeito/ apesar do que o homem tem feito/ se a vida sobreviverá” (Ivan Lins).

Em 2017 quero ver circular a energia positiva. Contem-me uma história que me faça acreditar na humanidade. Quero compartilhar o sucesso das pessoas e, caso chore, que seja de alegria.  “Este ano quero paz no meu coração/ quem quiser ter um amigo/ que me dê a mão.” O que eu quero é ouvir notícias boas.

E outra vez é Natal e um novo ano se anuncia. O fim de um ciclo e o inicio de outro que renova as esperanças. Desejo que a fé vença o medo que a decepção nos traz. E que os sentimentos que o Natal nos inspira possam derrubar todos os obstáculos. Que nos seja permitido sonhar e realizar desejos contidos e aprisionados nas masmorras de nossos corações. E que ninguém possa ter o direito de nos fazer infelizes. Afinal, comemoramos o aniversário de um menino que, quando nasceu, o mundo tornou a começar. Que seja também nosso recomeço.

Paz, saúde, alegria, sucesso e muito, muito, muito amor.

Quando escrevia esta crônica fui surpreendido pela notícia da queda do avião que transportava a delegação da Chapecoense, além de várias outras pessoas.

Que lástima! Que Tristeza! Que fatalidade! Que peça que a morte pregou! Para todas as vítimas o sonho acabou. Como somos frágeis e desprotegidos. Lamento profundamente e externo minhas condolências a todos que perderam seus familiares e amigos.

* Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

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Ser ou não ser, eis a questão

por Convidado 8 de novembro de 2016   Convidado

* por Sérgio Marchetti

Não é nenhuma novidade dizer que está faltando gentileza no mundo. Talvez essas atitudes egocêntricas que testemunhamos em nosso prédio, no trânsito e estacionamento de qualquer Shopping Center, entre outros locais, sejam efeitos colaterais da desumanização que o homem está desenvolvendo. E, cabe lembrar, com muito orgulho.

Dia desses, estava no trânsito e, como de costume, parei o carro para que um ônibus pudesse fazer uma curva e entrar na rua onde me encontrava. Imediatamente atrás dele se formou uma fila de vários oportunistas – que esperei com toda paciência. Curiosamente, só o motorista do coletivo me agradeceu. Logo que todos passaram, avancei meio quarteirão até a esquina. Lá, uma senhorinha idosa vinha dirigindo seu veículo na direção contrária à minha para entrar na rua perpendicular, exatamente como eu faria. Meu veículo já estava no meio da rua, mas esperei a senhorinha que, de tanta lentidão, fez com que outro carro surgisse. O fato é que, devido à demora da senhora, a condutora do outro veículo aproximou-se de mim e não me poupou. Levei uma bronca com direito a sermão de uma senhora que, provavelmente por tratar-se de uma dessas pessoas que estão acima do bem e do mal, nunca passou num semáforo amarelo e nunca cometeu uma infração de trânsito. Mas a natureza humana é assim mesmo. Eu quis fazer o bem e veja no que deu.

A experiência relatada não é infrequente, pelo menos para mim. Em outra oportunidade, mesmo tendo a preferência, deixei que alguns motoristas mais apressados passassem. Quando, enfim, pude prosseguir, um veículo que saía do estacionamento tentou entrar na minha frente, mas eu já estava com velocidade maior e não tive como ser gentil. Resultado: xingou a pobrezinha da minha mãe.

Mas a falta de gentileza não é o maior problema. Parece que tem muita gente querendo levar vantagem. Faltam educação e respeito. É comum estar parado numa fila de conversão, com sinal, e ver os “espertos” que não entram na fila passarem na frente sem nenhuma cerimônia. Muitas pessoas confundem autoestima com ter auto (de automóvel) caro. São pobres de espírito, se sentem poderosas e se julgam no direito de tomarem a vaga de quem está esperando há 10 ou 15 minutos num supermercado.  Para ilustrar, recentemente um imbecil, revestido de sua grossura, estacionou na bomba de gasolina, fora do lugar e impediu que uma senhora – com o carro já abastecido – pudesse sair do posto. A mulher, com toda delicadeza, alegou que tinha pressa e pediu-lhe que desse uma ré. O “corajoso prepotente”, respondeu-lhe que esperasse, pois não tiraria o carro. E assim ocorreu.

Observando os fatos e recorrendo à antiga frase: “não faça do seu carro uma arma, pois a vítima pode ser você”, nos parece plausível entender o empoderamento que homens e mulheres sentem quando, muitas vezes, por necessidade de autoafirmação, se imaginam superiores e até blindados por estarem no interior de veículos luxuosos. No caso específico do beócio do posto de gasolina, não é difícil entender o porquê de ter violência no trânsito.

Analisando sob a fórmula da causa e do efeito, tudo isso é resultado da corrupção de um país cuja lei está a serviço dos mais poderosos. Um Brasil no qual os menos favorecidos morrem sem remédios e sem atendimento nos hospitais, enquanto governantes desonestos constróem castelos e desviam bilhões de reais. O descaso com a vida alheia e a impunidade nos fazem  reféns de bandidos, de corruptos e de velhacos de toda sorte.

Refletindo sobre nossa situação, assalta-me a mente (no Brasil até a mente é assaltada) a figura de Hamlet, personagem da tragédia de Shakespeare, que diz a famosa frase: “ser ou não ser, eis a questão”. Pois é, caros leitores que me honram com sua leitura, num mundo tão sombrio deparo-me com a mesma dúvida: ser ou não ser gentil, eis a questão.

* Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

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Quando a vida imita a arte

por Convidado 10 de outubro de 2016   Convidado

* por Sérgio Marchetti

A morte do ator Domingos Montagner, protagonista da novela Velho Chico, causou comoção em grande parte do povo brasileiro. O momento do ator, seu carisma, sua simpatia e a força do papel culminaram numa admiração extremamente elevada por parte de seus admiradores, colegas e fãs. O sentimento de tristeza externado por todas as emissoras demonstrou claramente o sucesso do personagem Santo, tão bem representado pelo ator. Mas veio o destino, ou seja lá o que for e, numa brincadeira sem graça, encerrou a novela da vida real de forma trágica. Com isso, os mistérios e as crenças que diferenciam nossa brava gente brasileira foram ingredientes fundamentais para mobilizar as pessoas. O personagem Santo dos Anjos, representado pelo ator Domingos Montagner, esteve morto nas águas do rio. O amor de Tereza (Camila Pitanga) o ressuscitou, quando os membros da tribo de índios que o resgataram já o consideravam morto. A arte que imita a vida não quis perder Santo e o manteve vivo. Porém, a vida que também por vezes imita a arte, talvez esperasse por um novo milagre. Mas ele não veio. Santo, que desta vez representava o papel de Domingos, não teve a mesma sorte.  Nem o amor pôde salvá-lo.

Capricho do destino? Fatalidade? Magia? O ator deixou de fazer outra novela porque disse que precisava fazer “Velho Chico”. Os índios atribuem sua morte ao fato de o Rio São Francisco ter precisado dele. Alegações voltadas a rituais também engrossam os comentários misteriosos que envolvem a morte de Domingos. Os depoimentos sobre o afogamento são permeados de mistérios, dúvidas e até versões que falam de magia negra.

Estranhas coincidências, armadilhas do acaso ou apenas um acidente. O fato é que até a música Mortal Loucura, tema do  personagem, em suas entrelinhas diz que: “Na oração, que desaterra a terra/ Quer Deus a quem está o cuidado dado/ Pregue que a vida é emprestado estado”. E ao final: “O voz zelosa, que dobrada brada/ já sei que a flor da formosura, usura/ Será no fim dessa jornada nada”.

Infelizmente, Domingos agora é dos anjos. O epílogo da novela de sua vida surpreendeu a todos. Estava em seu melhor momento, atingia seu ápice e ainda tinha muito por fazer, mas a traiçoeira morte, disfarçada de vida nas águas do Velho Chico, resolveu imitar a arte.

* Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

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O essencial é invisível aos olhos

por Convidado 12 de setembro de 2016   Convidado

* por Sérgio Marchetti

– O mundo mudou!

Esta é uma frase que temos ouvido com tanta frequência que já se tornou repetitiva. Segundo alguns pesquisadores, no século XV marinheiros se recusavam a navegar além de certo ponto, com medo de que seus navios deslizassem para fora da Terra.

Constata-se que antigos conceitos, como o de que “o Sol gira em torno da Terra”, atrasaram nossa evolução até a descoberta de que a Terra é que girava em torno do Sol.

Vencida aquela etapa, hoje temos outros paradigmas e não os percebemos como deveríamos. Outros há que se orgulham de não mudar, de não aceitar novas realidades.

Sabemos que negar o óbvio é uma atitude irracional. Então, além da necessidade de correção da visão externa, devemos atentar para a visão interna, pois o autoconhecimento será imprescindível ao homem atual para suportar a transformação de valores. Esse novo cidadão deverá pesquisar seu interior para encontrar respostas e soluções para os problemas existentes e para os que hão de vir.

Parece, então, que para sobrevivermos ao novo mundo teremos que desenvolver nossa visão e nossa sensibilidade para percebermos os cenários atuais e visualizarmos as tendências. Mas, ainda assim, não será fácil prever o futuro, pois as mudanças serão tão velozes e inovadoras que nem Peter Drucker, há alguns anos, ousou anunciá-las.

Em tempos acinzentados, onde a incógnita do que está por vir se acentua, será preciso ter outro tipo de visão. Não só a de antecipação mas, sobretudo, de um olhar de reaprendizagem, de interpretação e aceitação de um novo universo, que muitas vezes se confunde com enorme sanatório, no qual cidadãos inebriados compram por impulso, se locomovem e agem como robôs e, apesar de esclarecidos, aderem ao “Pokémon Go” numa caça nomofóbica e incompreensível às mentes que valorizam o essencial e não o supérfluo.

Diante dos desequilíbrios do homo sapiens e da incredulidade do que vemos com os olhos, vale lembrar de Antoine de Saint-Exupéry que nos ensina que “Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos”.

* Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

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