Enquanto a crise política persiste sem que o sistema político partidário consiga chegar a uma saída que tire o país da paralisia, vai ficando claro a falta que faz um protagonista que ainda não entrou no jogo. Basta lembrar como as difusas manifestações populares de junho de 2013, portanto há quatro anos, balançaram o país e deixaram marcas da grande insatisfação reinante. Ainda assim, os detentores do poder político se mantiveram focados em suas próprias necessidades de manutenção do poder enquanto se acentuavam as crises econômica e social.

Agora enquanto o impopular Presidente da República tenta se agarrar ao cargo e às malas de dinheiro oriundas da aliança corrupta entre políticos, empresários e alguns segmentos de servidores públicos, é chegada a hora do povo voltar às ruas. A seguir uma pequena amostra sobre os acontecimentos do dia 20 de junho de 2013, conforme foi publicado pela Folha de S. Paulo. A matéria completa pode ser lida aqui.

As manifestações realizadas nesta quinta-feira levaram cerca de 1 milhão de pessoas às ruas em 25 capitais do país. Em ao menos 13 delas foram registrados confrontos. O Rio de Janeiro foi a capital com maior número de pessoas, 300.000.

Em nove das capitais com confronto, houve também ataques ou tentativas de destruição de prédios públicos, como sedes de prefeituras e de governo e prédios da Assembleia Legislativa e do Tribunal de Justiça.

Os protestos contra o aumento das tarifas do transporte público começaram no início do mês e foram ganhando força em todo o país, sendo registrados vários casos de confrontos e vandalismo. Com isso, 14 capitais e diversas outras cidades anunciaram entre ontem e hoje a redução das passagens.

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As revelações das delações ultra-premiadas feitas por Joesley Batista e Ricardo Saud, do grupo empresarial J&F, à Procuradoria Geral da República colocaram em evidência dois Senadores envolvidos no recebimento de R$2 milhões entregues em malas aos operadores designados por eles. Logo vieram explicações do principal denunciado mostrando que o dinheiro faria parte da tentativa de venda de um imóvel na cidade do Rio de Janeiro, o que não se concretizou.

Para quem acredita que primeiro a história acontece como tragédia e que pode se repetir como farsa, é bom lembrar que em 1992 a “Operação Uruguai” tentou explicar a origem de determinados recursos financeiros usados na manutenção de Fernando Collor de Melo, então Presidente da República.

A seguir um breve resumo do que foi a tentativa de se criar explicações que acabaram não subsistindo diante da realidade lógica dos fatos. Leia, neste link, o texto completo, que foi escrito por Janes Rocha e publicado pelo jornal Valor Econômico em 2009.

Em julho de 1992, o motorista do então presidente, Eriberto França, deu uma entrevista à revista “Isto É” confirmando que o ex-tesoureiro do partido de Collor, o falecido Paulo César Farias (PC), pagava despesas pessoais do presidente com recursos de campanha. Pressionado, Collor foi à TV e afirmou que usava dinheiro da sobra de campanha administrado pelo secretário particular Cláudio Vieira. Convocado por uma CPI do Congresso, Vieira contou que converteu as sobras de campanha (cerca de US$ 3,5 milhões) em barras de ouro, por meio do doleiro Najun Turner. Com o ouro, tomou um empréstimo no mesmo valor junto à agência de factoring Alfa Trading, de Montevidéu. Os fiadores da operação haviam sido o empresário da construção civil Paulo Octavio e o ex-senador Luiz Estevão, ambos de Brasília.

Era tudo uma farsa. Na verdade a Operação Uruguai havia sido bolada nos escritórios do também falecido Alcides dos Santos Diniz, irmão do empresário acionista do grupo Pão de Açúcar, Abílio Diniz, para esconder o financiamento dos gastos presidenciais por empreiteiras. A verdade foi descoberta através de outro depoimento na CPI, o da secretária de Diniz, Sandra Fernandes de Oliveira, que declarou ter presenciado uma reunião nos escritórios do patrão, no bairro dos Jardins em São Paulo, onde tudo foi combinado. O depoimento da secretária, somado a perícia policial comprovando que o contrato apresentado por Vieira com a tal Alfa Trading tinha autenticações cartoriais falsificadas, desmoralizaram a história da Operação Uruguai.

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A marchinha é um gênero musical que está sempre presente na festa popular que é o Carnaval, abordando com muito humor e irreverência diversos aspectos do cotidiano no país.

A história registra a primeira marchinha do Carnaval brasileiro em 1899, a sempre lembrada “Ô abre alas”, de Chiquinha Gonzaga.

Para o Carnaval deste ano tivemos marchinhas para todos os gostos, mas destaco aqui as 5 finalistas do concurso de marchinhas Mestre Jonas, em Belo Horizonte. A campeã foi “O Baile do cidadão do bem” seguida por “Solta o cano”, “Pinto por cima”, “Puxa Saco” e “Nesse carnaval”. Neste link é possível ouvir todas as finalistas.

Se hoje é grande a liberdade de manifestação e de expressão, vale lembrar que nem sempre foi assim ao longo da nossa história. Um bom exemplo foi o carnaval de 1944, quando o grande sucesso foi a marchinha “Eu brinco”, de autoria de Pedro Caetano e Claudionor Cruz cantada por Francisco Alves. A História registra em 1943 a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial e a forte censura que a Ditadura do Estado Novo do Presidente Getúlio Vargas fazia às diversas formas de manifestação política. A crise econômica se acentuou com a participação na guerra e o Carnaval de 1944 estava ameaçado de não acontecer, o que gerava tristeza em muita gente. Além disso, a sátira política estava na clandestinidade, pois a ditadura era plena. Então teve início uma campanha para se garantir a realização do Carnaval ainda que as marchinhas abordassem temas mais líricos, folclóricos e de exaltação. Esse foi o contexto que permeou o surgimento da marchinha “Eu brinco”.

Fica o convite para ouvir a música e acompanhar a letra.

Eu brinco
Fonte: Letras.mus.br 

Com pandeiro ou sem pandeiro
Eh eh eh eh, eu brinco
Com dinheiro ou sem dinheiro 
Eh eh eh eh eu brinco

No céu a lua caminha 
Tão triste sozinha
Pra não ser triste também
com pandeiro ou sem pandeiro
meu amor, eu brinco

Com pandeiro ou sem pandeiro
Eh eh eh eh eu brinco
Com dinheiro ou sem dinheiro
Eh eh eh eh eu brinco

Tudo se acaba na vida
Morena querida 
Se o meu dinheiro acabar
Com dinheiro ou sem dinheiro
Meu amor, eu brinco
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De vez em quando também é bom olhar para trás, ainda que seja apenas como uma referência histórica, mas que pode nos ajudar no presente a traçar os rumos para o futuro. Por isso considero importante levantar alguns aspectos relevantes, sem esgotar o assunto, que marcaram a conjuntura do período em que foi proclamada a república no Brasil, cujo marco a história registrou em 15 de novembro de 1889, portanto há 127 anos.

Um aspecto que incomodava bastante na época era a dívida externa brasileira, que cresceu muito devido aos empréstimos externos feitos pelo Império para financiar a Guerra do Paraguai, que durou de 1864 a 1870.

Os negros também engrossaram as fileiras do Exército durante a Guerra do Paraguai, mas ficaram decepcionados com a não abolição da escravatura após o término dos confrontos.

Já os fazendeiros da elite agrária ficaram descontentes com a perda dos escravos que trabalhavam nas fazendas de plantações de café, por exemplo. É que a escravatura foi abolida pouco antes, com a Lei Áurea de 1888, que não previu nenhuma indenização para os donos de escravos.

Os militares estavam insatisfeitos com a censura prévia às suas manifestações, que só poderiam acontecer caso autorizadas pelo Imperador e pelo Ministro da Guerra, que era um civil. Também os salários dos militares causava descontentamento, por serem bem abaixo dos altos salários dos servidores civis do Império.

O Imperador Dom Pedro II já estava adoentado e, apesar do autoritarismo, ainda tinha a simpatia de boa parte da população. O que ninguém contava era com a continuidade do Império após a morte do imperador.

A classe média apoiava o movimento republicano e seus membros, como os funcionários públicos, comerciantes, artistas, jornalistas, estudantes e profissionais liberais, reivindicavam o fim do Império.

Segundo alguns historiadores, os republicanos se dividiram em dois grupos mais importantes. Um grupo era formado pelos evolucionistas, que acreditavam ser a Proclamação da República algo inevitável e até pacífico. O outro grupo, o dos revolucionistas, acreditava que só a luta armada garantiria efetivamente a proclamação e manutenção da República.

A Monarquia durou 67 anos, mas chegou ao fim em 15 de novembro de 1889 com a Proclamação da República, cujo movimento inspirador se baseou no modelo dos Estados Unidos. Assim foi elaborada a constituição de 1890 que entrou em vigor em fevereiro de 1891 sendo o país denominado de Estados Unidos do Brasil.

O Marechal Deodoro da Fonseca mostrou-se extremamente autoritário e, muito pressionado, renunciou ao cargo em novembro de 1891 quando foi substituído pelo vice-Marechal Floriano Peixoto, que também manteve-se extremamente autoritário na continuidade do mandato.

Como se vê o ciclo da história não tem necessariamente a velocidade que gostaríamos que as mudanças tivessem rumo à sonhada sociedade ideal. Enquanto isso nunca acaba de ser construído o jeito é ir navegando na sociedade real, sem jamais desanimar.

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Paulo Vanzolini

por Luis Borges 18 de abril de 2016   A história registrou

A história registra, na segunda quinzena de Abril, o nascimento e a morte do médico, zoólogo e compositor Paulo Emilio Vanzolini. O verbete em sua homenagem na Wikipédia aponta que Vanzolini nasceu em São Paulo no dia 25 de abril de 1924. Faleceu na mesma cidade, em 28 de abril de 2013, três dias após completar 89 anos de idade. Foi diretor do museu de zoologia da Universidade de São Paulo e um dos idealizadores da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo – Fapesp.

Entre suas composições mais famosas estão Ronda, Volta por cima e Boca da noite. Aliás, a música Volta por cima teve enorme sucesso em 1963 na voz do cantor Noite Ilustrada, e contém os inesquecíveis versos “Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”. A letra completa segue abaixo:

Volta Por Cima
Fonte: Letras.mus.br

Chorei, não procurei esconder
Todos viram, fingiram
Pena de mim, não precisava
Ali onde eu chorei
Qualquer um chorava
Dar a volta por cima que eu dei
Quero ver quem dava
Um homem de moral não fica no chão
Nem quer que mulher
Venha lhe dar a mão
Reconhece a queda e não desanima
Levanta, sacode a poeira
E dá a volta por cima
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A Marquesa de Santos

por Luis Borges 15 de março de 2016   A história registrou

Há quase um mês o jornal Folha de São Paulo publicou uma entrevista com Mirian Dutra, jornalista que manteve um relacionamento amoroso com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso entre os anos 1980 e 1990.

A repercussão foi imediata, principalmente no que tange aos recursos financeiros enviados por FHC ao exterior para manter a amante e um filho. Comentando o assunto, o ex-presidente chamou atenção para a natureza privada do relacionamento, que afirma ter bancado com os seus próprios recursos. Entretanto isso não impediu que fossem suscitados questionamentos sobre a utilização de recursos do Estado para se financiar situações desse tipo. Aliás, vários casos envolvendo amantes tem sido citados pela mídia em períodos diversos, como o que envolve o atual presidente do Senado, o da contadora do doleiro envolvido na operação Lava Jato, de um ex-ministro do governo Lula ou dele próprio para ficar em apenas alguns casos.

O site Significados.com.br define que

“amante é o nome dado à mulher ou ao homem que mantém um relacionamento sexual ou amoroso com uma pessoa que já esteja comprometida com um terceiro indivíduo. Este tipo de relacionamento é considerado ilícito e, por muitas vezes, mantido em segredo”.

Músicas sobre o assunto não faltam. Para citar dois exemplos, o cantor Roberto Carlos aborda o tema em Amada amante e a dupla Chitãozinho e Xororó faz o mesmo na música Amante.

Por fim, a História registrou há quase 200 anos a relação extraconjugal entre Dom Pedro I e Domitila de Castro, a Marquesa de Santos, título dado à mais famosa amante do Imperador. Abaixo um trecho da história, extraído do site Brasil Escola.

“Casado com Leopoldina de Habsburgo, Dom Pedro I chocava a sociedade da época ao sustentar seu caso extraconjugal sem a mínima preocupação de encobrir a amante ou sustentar a imagem de uma autoridade respeitável. Ao tornar a amante primeira-dama da imperatriz e assumir a paternidade de Isabel Maria, primeira filha com Domitila, D, Pedro I inquietava a opinião pública.

Com a seguida morte da imperatriz, os ataques ao romance intensificavam-se ainda mais. Vários ministros renegavam o poder de influência e as aspirações de uma mulher que tanto chamava a atenção do imperador do Brasil. Em diferentes ocasiões, D. Pedro I demitiu esses ministros e outros funcionários que discordavam de sua aventura amorosa. À medida que a paixão se ampliava, o imperador concedeu os títulos de viscondessa e marquesa de Santos para sua amante.”

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Estamos no quinto dia de agosto, mês associado ao mau agouro. A superstição firmemente presente em nossa cultura reforça a necessidade de se ficar em alerta, sempre na expectativa de que algo ruim poderá acontecer. É mês do desgosto, do cachorro doido, de ventania e de más notícias.

Se é assim, e partindo-se da premissa de que a história se repete como farsa, tragédia ou comédia, que tal nos lembrarmos de alguns acontecimentos marcantes da política que se deram nesse mês? Afinal de contas, a crise política e econômica vivida pelo país só tende a aumentar a entropia ao longo do mês, que não dá mostras de luz no fim do túnel.

Confira a seguir alguns dos acontecimentos que podem ajudar em nossa reflexão e aprendizagem com outros momentos históricos.

5 de agosto

1954 – Carlos Lacerda, opositor ao governo de Getúlio Vargas, sofreu tentativa de assassinato na RuaTonelero, no Rio de Janeiro, durante a madrugada. O episódio é considerado o início da derrocada do governo Vargas.

6 de agosto

1945 – Foi lançada a bomba atômica, chamada “Little boy”, sobre a cidade de Hiroshima, no Japão, durante a Segunda Guerra Mundial.

1990 – A paquistanesa Benazir Bhutto foi destituída do cargo de primeira-ministra do Paquistão. Na época, ela estava em seu primeiro mandato e foi acusada de nepotismo, corrupção e abuso de poder. Ela ocupou o cargo por duas vezes e foi a primeira mulher a fazer isso num estado muçulmano moderno.

9 de agosto

1945 – A segunda bomba atômica foi lançada sobre o Japão, na Segunda Guerra Mundial. Dessa vez, a “fat man” foi enviada à cidade de Nagasaki.

1974 – Richard Nixon renunciou à Presidência dos Estados Unidos, motivado pelo escândalo de Watergate.

16 de agosto

1992 – O Brasil foi palco de manifestações pedindo a saída do então presidente Fernando Collor de Mello.

18 de agosto

1991 – Mikhail Gorbachev, presidente da União Soviética, foi colocado em prisão domiciliar. Foi um dos acontecimentos que reforçou o caminho para o fim da URSS.

21 de agosto

1968 – A Tchecoslováquia foi tomada pela União Soviética e membros do Pacto de Varsóvia, terminando, assim, o movimento conhecido como Primavera de Praga. O país foi tomado por 20 mil soldados e 5 mil tanques.

24 de agosto

1954 – O presidente Getúlio Vargas cometeu suicídio, com um tiro no peito. Vargas enfrentava a oposição de partidos políticos, dos militares e da imprensa, o que o deixou politicamente isolado. O atentado contra Carlos Lacerda, na Rua Toneleros, é considerado decisivo para esse desfecho. Leia mais sobre a história de Vargas neste link da Presidência.

agosto getúlio vargas

Em 24 de agosto de 1954, Getúlio Vargas cometeu suicídio. / Fonte: site da Presidência

25 de agosto

1961 – Jânio Quadros, então Presidente da República, renunciou ao cargo. Ficou apenas sete meses no poder e justificou sua saída por “forças ocultas”. O gesto abriu grave crise política no país. O vice João Goulart assumiu o cargo.

31 de agosto

1969 – Os Ministros da Marinha, Exército e Aeronáutica comunicaram o afastamento do então presidente Costa e Silva. Ele teve uma trombose cerebral e foi substituído por uma junta militar.

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Ainda faltam 26 dias para o final do mês de agosto. Continuemos a prestar atenção no canto e no vôo das aves agourentas.

Fontes consultadas (links ao longo do texto): Wikipedia / Câmara dos Deputados / Site da Presidência da República.

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Tiradentes

por Luis Borges 21 de abril de 2015   A história registrou

A Inconfidência ou Conjuração Mineira foi um movimento que buscava a independência da Capitania de Minas Gerais, que se tornaria uma república livre da exploração dos colonizadores portugueses. A gota d’água para o avanço do movimento foi a fúria arrecadadora da Coroa Portuguesa, que não se conformava com a exaustão das minas de ouro e atribuía à sonegação e ao contrabando o declínio do recebimento de seus impostos. Na base do Decreto, passou a exigir 100 arrobas de ouro por ano, independente do nível de produção, e determinou que as pessoas se virassem para atingir o que era exigido. Essa foi a maneira encontrada para se fazer o ajuste fiscal da época.

Mas os inconfidentes não contavam com a traição do companheiro Joaquim Silvério dos Reis, que foi premiado com a anistia de impostos que devia em função da delação que fez dos companheiros do movimento. E assim, o alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, foi condenado à morte e executado em 21 de abril de 1789, no Rio de Janeiro, e seu corpo esquartejado foi levado para ser exposto na hoje cidade de Ouro Preto. Embora haja divergências entre historiadores sobre o tamanho da importância de Tiradentes nas lutas do povo brasileiro o fato é que ele é considerado um herói e o dia 21 de abril é um feriado nacional.

Praça Tiradentes, em Ouro Preto, durante solenidade de hoje.

Praça Tiradentes, em Ouro Preto, neste 21/4/2015, quando foi entregue a Medalha da Inconfidência. | Foto: Henrique Chendes / Imprensa MG

A maior comenda concedida pelo governo de Minas Gerais é a Medalha da Inconfidência, que é entregue todos os anos nessa data às pessoas agraciadas desde a sua criação em 1952 pelo então Governador Juscelino Kubitschek. Na cerimônia de hoje uma coroa de flores será depositada no monumento ao mártir da Inconfidência e haverá discursos do Presidente do Supremo Tribunal Federal, orador oficial do evento, do Prefeito de Ouro Preto e do Governador do Estado. A conjuntura marcada pela insatisfação de boa parte da população com os atuais rumos do país é marcada pela promessa de manifestações, como a do grupo “Vem pra janela”, que promete panelaço no local.

Que tal uma reflexão, ainda que sem dor, sobre o tamanho da aprendizagem do povo brasileiro nesses 226 anos que nos separam daquele 21 de abril de 1789? Para embalar essa reflexão pode ser lido o livro Romanceiro da Inconfidência, obra prima de Cecília Meireles, lançado em 1953. A seguir, uma pequena amostra desse livro nos versos do Romance da Denúncia de Joaquim Silvério, grande traidor da Conjuração.

ROMANCE DA DENÚNCIA DE JOAQUIM SILVÉRIO
Cecília Meireles

No Palácio da Cachoeira,
com pena bem aparada,
começa Joaquim Silvério
a redigir sua carta.
De boca já disse tudo
quanto soube e imaginava.

Ai, que o traiçoeiro invejoso
junta às ambições a astúcia.
Vede a pena como enrola
arabescos de volúpia,
entre as palavras sinistras
desta carta de denúncia!

Que letras extravagantes,
com falsos intuitos de arte!
tortos ganchos de malícia,
grandes borrões de vaidade.
Quando a aranha estende a teia
não se encontra asa que escape.

Vede como está contente,
pelos horrores escritos,
esse impostor caloteiro
que em tremendos labirintos
prende os homens indefesos
e beija os pés aos ministros!

As terras de que era dono,
valiam mais que um ducado.
Com presentes e lisonjas,
arrematava contratos.
E delatar um levante
pode dar lucro bem alto! 

Como pavões presunçosos,
Suas letra se perfilam.
Cada recurvo penacho
é um erro de ortografia.
Pena que assim se retorce
deixa a verdade torcida.

(No grande espelho do tempo,
cada vida se retrata:
os heróis, em seus degredos
ou mortos em plena praça;
- os delatores, cobrando
o preço das suas cartas...)
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O primeiro

por Luis Borges 18 de março de 2015   A história registrou

Há um ano a história registrou a primeira postagem do Observação & Análise. Era um sonho tornando-se realidade após igual tempo de planejamento e delineamento do experimento.

Os leitores que nos acompanharam ao longo dessa trajetória devem estar percebendo que a melhoria contínua existe e merece ser buscada. Esse espaço prossegue fiel à sua crença de não ser proprietário da verdade, mas sim de expor percepções, reflexões e formulações diante das questões que se colocam no dia-a-dia de pessoas e sociedades, em permanente transformação. E peço uma licença poética a Milton Nascimento e Fernando Brant para reafirmar que “se muito vale o já feito, mais vale o que será”.

Deixo aqui agradecimentos aos leitores que tanto nos honram e nos difundem, bem como aos patrocinadores, ambos muito contribuindo para a sustentabilidade desse blog.

Como não poderia deixar de ser, também registro um agradecimento especial a Sérgio Verteiro e Marina Borges, que fazem as coisas acontecer no dia-a-dia, aos colaboradores convidados e ao conselho consultivo formado por Cristina Borges, Gustavo Borges e Igor Costoli.

Para relembrar o primeiro dos nossos 220 posts, clique aqui. 

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No Natal de 2014, visitamos a querida e sempre bem-humorada tia Luci Barreto Borges, em Araxá (MG). Durante o seu clássico café da tarde, acompanhado de pães de queijo, biscoitos de polvilho, café novinho, queijo e boa prosa, conversamos sobre receitas que ela usa em sua arte culinária. De repente, ela tirou do seu arquivo uma edição do Correio de Araxá do dia 03 de setembro de 1961. O jornal registra a história da cidade desde 1957, ininterruptamente.

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Capa do jornal / Foto: Marina Borges

Interessante foi notar a divulgação de um comunicado do Departamento de Águas da Prefeitura Municipal falando da seca do período, da escassez da água, do combate a vazamentos, da necessidade de se fazer economia e do pedido para que se denunciasse quem não estivesse colaborando com as medidas propostas. Naquela época a cidade tinha em torno de 28 mil habitantes, Tia Luci estava com 25 anos e eu com apenas 6 anos e 10 meses.

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Foto: Marina Borges

Hoje, quase 54 anos depois, a história se repete com a intensa seca do Sudeste brasileiro, cujo ciclo se iniciou em 2012, que se acentua pela escassez de água nesse janeiro. Agora a população da cidade está estimada em pouco mais de 101 mil habitantes, que estão sendo chamados pela Copasa, sucessora do Departamento de Águas da época, para reduzir o consumo em 30%. Que lições podemos aprender com mais uma crise da água? Estamos diante de mais uma oportunidade, sabendo que o sapo não pula por boniteza, só por necessidade, mesmo sendo anfíbio.

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