Enquanto a crise política persiste sem que o sistema político partidário consiga chegar a uma saída que tire o país da paralisia, vai ficando claro a falta que faz um protagonista que ainda não entrou no jogo. Basta lembrar como as difusas manifestações populares de junho de 2013, portanto há quatro anos, balançaram o país e deixaram marcas da grande insatisfação reinante. Ainda assim, os detentores do poder político se mantiveram focados em suas próprias necessidades de manutenção do poder enquanto se acentuavam as crises econômica e social.

Agora enquanto o impopular Presidente da República tenta se agarrar ao cargo e às malas de dinheiro oriundas da aliança corrupta entre políticos, empresários e alguns segmentos de servidores públicos, é chegada a hora do povo voltar às ruas. A seguir uma pequena amostra sobre os acontecimentos do dia 20 de junho de 2013, conforme foi publicado pela Folha de S. Paulo. A matéria completa pode ser lida aqui.

As manifestações realizadas nesta quinta-feira levaram cerca de 1 milhão de pessoas às ruas em 25 capitais do país. Em ao menos 13 delas foram registrados confrontos. O Rio de Janeiro foi a capital com maior número de pessoas, 300.000.

Em nove das capitais com confronto, houve também ataques ou tentativas de destruição de prédios públicos, como sedes de prefeituras e de governo e prédios da Assembleia Legislativa e do Tribunal de Justiça.

Os protestos contra o aumento das tarifas do transporte público começaram no início do mês e foram ganhando força em todo o país, sendo registrados vários casos de confrontos e vandalismo. Com isso, 14 capitais e diversas outras cidades anunciaram entre ontem e hoje a redução das passagens.

  Comentários
 

Inflando o faturamento

por Luis Borges 23 de junho de 2017   Pensata

Como você continuará andando após perder seu automóvel? Ele pode ser considerado como se fosse a sua terceira perna, em função da mobilidade que te traz, mas também tem o custo de manutenção semelhante ao de um membro adulto da sua família. Ao longo de um ano é preciso pagar o IPVA, o seguro obrigatório, a taxa de licenciamento estadual, as prováveis multas oriundas de causas diversas, o permanente consumo de combustível, o seguro do veículo para se prevenir contra terceiros e também para os ocupantes do veículo, bem como fazer as revisões programadas e as manutenções corretivas não cobertas pela franquia do seguro. Tudo isso mexe e sacode o bolso dos felizes proprietários, principalmente numa conjuntura em que a economia tenta sair da recessão econômica, o desemprego está altíssimo – sem dar sinais de queda – e o poder aquisitivo em baixa diante de condições bem desfavoráveis para os trabalhadores assalariados.

Aqui sugiro que a atenção deve ser redobrada, pois muitas concessionárias de veículos fazem de tudo para maximizar os seus ganhos tentando empurrar serviços que não foram previstos na revisão programada. Na semana passada fiquei sabendo de um caso desse tipo em que o orçamento inicial do que era necessário ser feito ficou em R$1.500,00 e o veículo sendo devolvido ao proprietário com os serviços efetuados dois dias após a autorização. No entanto, no dia seguinte a concessionária telefonou ao proprietário do veículo insistindo na necessidade de novos serviços percebidos após o início dos trabalhos. A fala da atendente foi rápida, com poucas informações – todas muito técnicas – e enfatizando que o preço passaria para R$4.000,00. Diante da veemente discordância do proprietário do veículo, a ligação foi passada ao gerente da loja, que tentou justificar os novos serviços argumentando que os componentes atuais não aguentariam o rojão até a futura revisão daqui a um ano. O jeito foi exigir que o gerente respeitasse o seu direito de consumidor, cumprindo estritamente o que foi estabelecido na negociação e contratação dos serviços. Concluiu perguntando por que estavam adiantando tanto o tempo da revisão do meio do próximo ano e por que não recebeu nenhuma contrapartida caso aceitasse antecipar os serviços propostos, ainda mais que é cliente da concessionária há 6 anos. Muito sem graça do outro lado da linha, o gerente balbuciou que sua intenção seria dar um desconto de 15% nas peças componentes e outros 15% na mão de obra ficando tudo em R$2.800,00 que poderiam ser pagos em cinco parcelas pelo cartão de crédito.

Por se tratar de pessoa atenta e planejadora, a recusa dos serviços não solicitados foi reforçada. Aí veio um novo transtorno, pois o serviço inicialmente solicitado ficou parado até ser dado um “não” à parte que tentaram empurrar. Foi por isso mesmo que foram gastos mais dois dias para a efetiva realização dos trabalhos, ou seja, mais dois dias de veículo indisponível, gastando a mais com táxi e ônibus no transporte.

Um fato relevante é que no dia da devolução do veículo o gerente estava muito sem graça e a atendente disse que quando for tomada a decisão de fazer o serviço adicional é só procurá-la.  Simples assim!

  Comentários
 

A Constituição assegura a todos o direito de ir e vir. Mas para que todos possam usufruir desse direito é preciso que o bom senso e o respeito às regras seja universal. No bairro de Santa Tereza, principalmente nos dias de vida cultural mais intensa, tem sido cada vez mais difícil ir e vir. São cada vez mais frequentes os relatos de moradores que, ou tentar entrar ou sair das garagens, tem se deparado com veículos estacionados que bloqueiam a passagem.

É óbvio que os transtornos causados são muitos e imediatos. Mas nem sempre o infrator é rapidamente e/ou facilmente encontrável na vizinhança – seja na casa de alguém, em um estabelecimento comercial ou espaço de eventos. Tem infrator que, ao ser interpelado, se finge de desentendido e só age quando os agentes da BHTrans chegam para guinchar o veículo. Ou então, com medo de ser guinchado, foge do local dando visíveis sinais de que não passaria pelo teste do etilômetro.

Os moradores se estressam quando têm hora marcada pra chegar ou sair de casa ou, pior, rezam para que não aconteça uma urgência, como precisar correr ao hospital.

A letra “G” tenta indicar a presença de uma garagem. | Foto: Sérgio Verteiro

No intuito de alertar os mais indisciplinados e desatentos cidadãos que estacionam seus veículos de qualquer maneira pelas ruas do bairro, alguns moradores estão pintando faixas em suas calçadas e também no asfalto. A ideia é delimitar, com forte visibilidade e sem margem para dúvidas, os trechos por onde entram e saem veículos como mostram as fotografias deste post.

Faixa amarela delimita garagem em Santa Tereza. | Foto: Sérgio Verteiro

A saída mais fácil seria reivindicar o aumento da quantidade de fiscais dos órgãos públicos responsáveis pelo sistema de trânsito. Mas é importante – e sempre válido – lembrar que se todos cumprissem o padrão a maioria dos problemas simplesmente não existiria. Cobrar dos outros, a começar pelos poderes públicos em Brasília, é mais fácil do que começar fazendo a nossa parte e provando do nosso próprio veneno, pois tudo começa com a gente.

  Comentários
 

Vale a leitura

por Luis Borges 18 de junho de 2017   Vale a leitura

É obrigatório ter filhos?

Os números tem mostrado como está aumentando a quantidade de casais brasileiros que optam por não ter filhos. Muitas são as mulheres que estão tendo filhos na faixa etária de 30 a 37 anos. Além disso, a taxa média de fecundidade das brasileiras está em 1,7 filhos por mulher e o IBGE projeta que ela chegará em 1,51 em 2030.

Mas isso não impede que os eternos patrulheiros continuem cobrando as escolhas feitas por quem decidiu não ter filhos. Mirian Goldenberg aborda o tema em seu artigo Ter ou não ter filhos: eis a questão, publicado pela Folha de S. Paulo.

“A opção por não ter filhos está se tornando cada vez mais ampla e legítima em nosso país, como já acontece em outras sociedades. Cada casal, cada mulher e cada homem têm o direito de escolher livremente a sua forma de viver, de amar e de ser feliz, sem sofrer preconceitos e violências”.

Até que ponto dá pra conversar?

Frequentemente tomamos conhecimento que alguém do nosso convívio social “bateu boca” ou foi além do limite numa discussão com outro alguém por causa da crise política brasileira. Intolerância e ódio têm imperado em muitos casos de extrema polarização que mostram pouca civilidade e falta de inteligência estratégica. É o que aborda Reinaldo Polito em seu artigo Discutir política é o prato do dia, mas fuja de confrontos desnecessário, publicado pelo portal UOL.

“estabelecer conflitos desnecessários, discutindo questões políticas, guiados pela emoção, é insensato. Correr o risco de romper relacionamentos duradouros apenas por querer ganhar discussões dessa natureza é decisão que precisa ser refletida e ponderada com tranquilidade e inteligência. E já que vamos pensar nas consequências de discutir desnecessariamente as questões políticas, coloquemos no pacote também a religião e o futebol. Não é para deixar de conversar sobre esses temas, mas, sim para avaliar se vale a pena discutir essas questões na tentativa de tornar nossa maneira de pensar vitoriosa”.

O negócio que você ama também precisa de gestão

São muitos aqueles que sonham em trabalhar no negócio que amam e buscam implementá-lo pensando que tudo só será alegria e que sempre haverá tempo para se fazer com prazer o que foi tão sonhado. Mas sair da zona de conforto e partir para o risco do tão desejado negócio próprio não dispensa o empreendedor de colocar em prática um método para a gestão do empreendimento. Um interessante relato sobre o que pode estar aguardando um futuro dono de seu próprio negócio foi feito por Alberto Ajzental em seu artigo Para ter um negócio, fazer o que ama é importante, mas só isso não basta, publicado pelo portal UOL.

“Há inúmeros casos nos quais começamos o negócio levando em consideração nossas paixões, mas, com o tempo, pode ocorrer de nos distanciarmos da atividade específica de que gostamos para virar gestores. É importante saber que isso pode ocorrer, para não gerar frustrações. Não devemos perder de vista que ser o responsável principal pelo negócio pode força-lo a se dedicar a atividades outras que não somente àquelas sonhadas”.

  Comentários
 

Curtas e curtinhas

por Luis Borges 15 de junho de 2017   Curtas e curtinhas

Crescimento econômico contínuo na Austrália

O Governo australiano divulgou no último dia 7 que o país está prestes a completar 26 anos consecutivos de crescimento consistente de sua economia. A trajetória teve início em 1991 e tornou-se o novo recorde mundial nesse quesito, anteriormente pertencente à Holanda. A Austrália possui aproximadamente 24,7 milhões de habitantes e renda per capita pela Paridade do Poder de Compra (PPC) anual em torno de U$48,8 mil.

Nesse mesmo período o Brasil deixou de crescer nos anos de 1992, 2009, 2015 e 2016. Nesses dois últimos anos a queda foi de 3,8% e 3,6% respectivamente, que bem caracterizam a brutal recessão econômica enfrentada pelo país. Segundo o IBGE a população brasileira está próxima de 208 milhões de habitantes e a renda per capita pela PPC em 2016 foi de U$15,1 mil. Continuemos nessa longa estrada da vida, onde ainda temos muito o que melhorar.

E se a JBS pedir recuperação judicial?

Segundo a Lei 11.101/2005 o objetivo da recuperação judicial é evitar que empresas que estejam passando por dificuldades econômico-financeiras quebrem, literalmente. A renegociação das dívidas é feita com intermediação da Justiça e busca estabelecer um determinado período de tempo para que a empresa consiga se oxigenar. Nesse sentido, quem gosta de observar e analisar os sinais que as empresas emitem antes de pedir a recuperação judicial só precisa acompanhar a situação do Grupo JBS, controlado pelos irmãos Joesley e Wesley Batista. Na semana passada o grupo comunicou a 13 bancos aos quais devem R$22 bilhões que precisam de prorrogar por pelo menos 1 ano os prazos de vencimentos das dívidas. Caso contrário simplesmente não terão condições de honrar os compromissos. Enquanto isso, continua a queda de braço com a Receita Federal, que quer receber R$2,4 bilhões da dívida com o INSS, para a qual a Lei não permite que se faça compensações tributárias como pleiteia o Grupo JBS. Também vale lembrar que em 31/05 o grupo fechou acordo de leniência com o Ministério Público Federal, pelo qual devolverá R$10,3 bilhões parceladamente aos cofres públicos nos próximos 25 anos.

Conforme for o andar da carruagem, não será surpresa se os irmãos Batista tentarem aumentar a participação do BNDES no grupo, que hoje já é de 21% do capital. Aliás, em última instância é dinheiro do Tesouro Nacional, que está enfiado lá em nome de se fazer mais uma super empresa nacional como aconteceu com a empresa de telefonia Oi, com a OGX de Eike Batista e com a Sadia, que se uniu com a Perdigão para formar a BRF.

Haja dinheiro público para os partidos políticos

Os 35 partidos políticos brasileiros já receberam R$270 milhões de janeiro a maio deste ano provenientes do fundo partidário, instituído em Lei desde 1965. Até dezembro os gastos projetados pelo orçamento da União devem se aproximar de R$600 milhões. A distribuição dos recursos financeiros é feita proporcionalmente à votação obtida pelos partidos políticos nas eleições para a Câmara dos Deputados. Até o momento os três partidos que mais receberam dinheiro dos cofres públicos foram o PT, com R$35,6 milhões (13% do total), o PSDB, com R$29,3 milhões (11%) e o PMDB, com R$28,6 milhões (10,5%). Enquanto o financiamento empresarial das campanhas eleitorais segue proibido e o sistema político partidário se degenera, cabe aos pagadores de tributos “pagar o pato” para quem só pensa em gastar, pois consideram que esses recursos destinados aos partidos fazem parte de um direito adquirido. Todos se sentem isentos de lutar pela sua própria sustentabilidade partidária. É por isso que existem quase 30 partidos tentando ser aprovados no Tribunal Superior Eleitoral.

Redistribuição do ISS entre os municípios

A maioria dos municípios brasileiros poderá melhorar um pouco o montante arrecadado com o Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza –ISSQN. Isso porque o Congresso Nacional derrubou, na noite do dia 30/05, o veto do Presidente da República a um dos itens da lei que regulamentou o ISSQN.

Assim, o imposto que incide sobre operações financeiras envolvendo cartões de crédito, débito, leasing e mensalidades de planos de saúde, entre outros, será recolhido no município em que o serviço for prestado e não mais na cidades sede das empresas. A expectativa é de que haverá uma redistribuição de aproximadamente R$6 bilhões entre os municípios com a maioria deles aumentando um pouco a sua parte na nova forma de arrecadação definida.

  Comentários
 

Sempre gostei e continuo gostando de conversar com pessoas de todas as faixas etárias, tomando alguns cuidados para não gastar energia desnecessária nos embates políticos e ideológicos pouco civilizados. Entre tantos temas que entram e às vezes até saem da pauta das conversas, tenho notado que a partir da Proposta de Emenda Constitucional tentando fazer a Reforma da Previdência Social o assunto tornou-se bem mais frequente, demorado e com alguns até se sentindo vítimas dos sistemas.

De uma maneira geral, tenho observado casos de pessoas com idade a partir de 55 anos que trabalham em diversos tipos de organizações – servidores públicos, empregados da iniciativa privada ou de estatais, donos dos próprios negócios ou já aposentados. Dessas conversas, desenhei quatro grandes grupos.

O primeiro é das pessoas que estão prestes a se aposentar mas aguardam a incorporação de algum tipo de benefício ao salário e estão preocupadas com as regras de transição, que poderão aumentar o período de contribuição. Tem gente de todas as idades, inclusive acima de 60 anos e, é claro, sabendo-se que cada caso é um caso em função das escolhas feitas ao longo da vida profissional.

Um segundo grupo engloba pessoas que já se aposentaram, principalmente pelo INSS e certas categorias do Poder Executivo, mas que precisam continuar trabalhando para complementar a renda mensal. Muitos deles não possuem previdência privada complementar e também tem encontrado dificuldades para conseguir trabalhos formais ou informais. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do primeiro trimestre de 2017 as pessoas de 59 anos em diante que estavam desocupadas no período chegaram a 5,2% da população economicamente ativa.

Um terceiro grupo se mostra aparentemente tranquilo e dizendo claramente que seu negócio é usufruir da aposentadoria que conseguiu, da poupança que fez e é com elas que vai viver até fechar os olhos. O objetivo é viver no ócio com dignidade, sem muita obsessão por horários, curtindo a vida, a família, os amigos – inclusive nas redes sociais – e podendo até ajudar um pouco aos filhos e netos.

Na quarta e última situação entre as que mais observei estão pessoas que não aguentam ficar apenas dentro de casa. Elas nem almejam conseguir algum trabalho remunerado, mas querem sair de casa para prestar um serviço voluntário à comunidade, desenvolver-se pessoalmente no mundo das artes ou cuidar um pouco da própria espiritualidade.

Não sei se as condições de contorno descritas se aplicam a você, mas elas podem contribuir para quem quer aprender com os erros e acertos dos outros.

  Comentários
 

As revelações das delações ultra-premiadas feitas por Joesley Batista e Ricardo Saud, do grupo empresarial J&F, à Procuradoria Geral da República colocaram em evidência dois Senadores envolvidos no recebimento de R$2 milhões entregues em malas aos operadores designados por eles. Logo vieram explicações do principal denunciado mostrando que o dinheiro faria parte da tentativa de venda de um imóvel na cidade do Rio de Janeiro, o que não se concretizou.

Para quem acredita que primeiro a história acontece como tragédia e que pode se repetir como farsa, é bom lembrar que em 1992 a “Operação Uruguai” tentou explicar a origem de determinados recursos financeiros usados na manutenção de Fernando Collor de Melo, então Presidente da República.

A seguir um breve resumo do que foi a tentativa de se criar explicações que acabaram não subsistindo diante da realidade lógica dos fatos. Leia, neste link, o texto completo, que foi escrito por Janes Rocha e publicado pelo jornal Valor Econômico em 2009.

Em julho de 1992, o motorista do então presidente, Eriberto França, deu uma entrevista à revista “Isto É” confirmando que o ex-tesoureiro do partido de Collor, o falecido Paulo César Farias (PC), pagava despesas pessoais do presidente com recursos de campanha. Pressionado, Collor foi à TV e afirmou que usava dinheiro da sobra de campanha administrado pelo secretário particular Cláudio Vieira. Convocado por uma CPI do Congresso, Vieira contou que converteu as sobras de campanha (cerca de US$ 3,5 milhões) em barras de ouro, por meio do doleiro Najun Turner. Com o ouro, tomou um empréstimo no mesmo valor junto à agência de factoring Alfa Trading, de Montevidéu. Os fiadores da operação haviam sido o empresário da construção civil Paulo Octavio e o ex-senador Luiz Estevão, ambos de Brasília.

Era tudo uma farsa. Na verdade a Operação Uruguai havia sido bolada nos escritórios do também falecido Alcides dos Santos Diniz, irmão do empresário acionista do grupo Pão de Açúcar, Abílio Diniz, para esconder o financiamento dos gastos presidenciais por empreiteiras. A verdade foi descoberta através de outro depoimento na CPI, o da secretária de Diniz, Sandra Fernandes de Oliveira, que declarou ter presenciado uma reunião nos escritórios do patrão, no bairro dos Jardins em São Paulo, onde tudo foi combinado. O depoimento da secretária, somado a perícia policial comprovando que o contrato apresentado por Vieira com a tal Alfa Trading tinha autenticações cartoriais falsificadas, desmoralizaram a história da Operação Uruguai.

  Comentários
 

Credo

por Luis Borges 4 de junho de 2017   Música na conjuntura

Neste 4 de junho a história registra os 40 anos da tentativa de realização do III ENE – Encontro Nacional de Estudantes – em 1977 no Diretório Acadêmico da Faculdade de Medicina da UFMG. Naquele ano os estudantes universitários de diversos estados do país eram protagonistas da luta política contra a Ditadura Militar e pacificamente, mas corajosos e organizados, tinham como objetivo a reconstrução da UNE (União Nacional dos Estudantes). O governo militar proibiu a realização do encontro, mas os estudantes não acataram a proibição e mantiveram a sua realização. A resposta do regime ditatorial foi dada através de uma brutal repressão aos estudantes nas estradas de acesso à Belo Horizonte e nas ruas da cidade. E culminou na invasão da Faculdade de Medicina no Campus Saúde da UFMG, na prisão de 440 estudantes e posterior indiciamento de 56 deles pela Lei de Segurança Nacional. Este post traz outros detalhes.

Durante o mês alguns eventos vão relembrar este acontecimento. Segundo os organizadores, a música Credo, a primeira do álbum “Clube da Esquina II”, de Milton Nascimento, e lançado em 1978, foi inspirada pelos acontecimentos que marcaram o movimento estudantil nessa época. A melodia é de autoria de Milton Nascimento, a letra é de Fernando Brant e a música pode ser ouvida aqui, na voz do próprio Milton Nascimento.

Credo
Fonte: Letras.mus.br

Caminhando pela noite de nossa cidade
Acendendo a esperança e apagando a escuridão
Vamos, caminhando pelas ruas de nossa cidade
Viver derramando a juventude pelos corações
Tenha fé no nosso povo que ele resiste
Tenha fé no nosso povo que ele insiste
E acordar novo, forte, alegre, cheio de paixão

Vamos, caminhando de mãos dadas com a alma nova
Viver semeando a liberdade em cada coração
Tenha fé no nosso povo que ele acorda
Tenha fé no nosso povo que ele assusta

Caminhando e vivendo com a alma aberta
Aquecidos pelo sol que vem depois do temporal
Vamos, companheiros pelas ruas de nossa cidade
Cantar semeando um sonho que vai ter de ser real
Caminhemos pela noite com a esperança
Caminhemos pela noite com a juventude.
  Comentários
 

Faz um bom tempo que a palavra crise está presente em nosso cotidiano. A incapacidade de encontrar uma saída política resolver o problema central apenas contamina e realimenta a crise econômica e a social. Mas os mega escândalos que vem sendo apresentados à população brasileira e ao mundo globalizado mostram como a corrupção sistêmica de décadas unificou políticos partidários, governantes, servidores públicos coniventes ou omissos e empresários. Mas por que os mais diversos e variados órgãos de controle existentes não perceberam quase nada disso, se controlar faz parte da missão, da obrigação de cada um deles? Será que é porque o foco deles esta em marcar com muito rigor e pressão apenas as pessoas físicas assalariadas cujos impostos são retidos no ato do recebimento dos salários como faz fervorosamente a Receita Federal?

Nesse sentido tem sido deixado de lado um dos fundamentos da gestão quando diz que “quem não controla não gerencia”. É claro que gerenciar não é só controlar, mas sem o controle perde-se o domínio da função gerencial. O mesmo acontece com quem não mede as variáveis do seu processo de trabalho e os resultados a que levam. Por isso é inadmissível aceitar que um representante do povo instalado na estrutura do Estado em seus três poderes venha dizer que não sabia, que não conhecia o que acontecia ao mesmo tempo em que não consegue explicar coisa com coisa apesar de tantas evidências objetivas, inclusive suas alianças estratégicas com grandes grupos empresariais e associações que os representam.

Depois que aconteceu o acontecido não é exagerado afirmar que os órgãos de controle falharam e faliram junto com o sistema político partidário em vigor, como se nada de mais grave estivesse acontecendo. Já no mundo da pessoa física, do cidadão comum, o rigor da lei é absoluto e a sua aplicação é feita na plenitude. Basta observar o que sofre uma pessoa física ao deixar de declarar R$1.000,00 que fazem parte de sua renda quando entrega a declaração anual à Receita Federal. As penas imediatas são a malha fina, devassando a vida fiscal, acompanhada de juros e multa sobre o recolhimento do imposto relativo à parte omitida. Para a Receita Federal é como se fosse caixa 2, tão usado por muitas pessoas jurídicas. Contrastam com essa situação os bilhões de reais que transitam invisíveis entre tantas e poderosas partes interessadas, sem nenhum sistema de controle gritar alto ou baixo, no Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) do Ministério da Fazenda, Banco Central, Receita Federal, Tribunais de Contas, Justiça Eleitoral, Agências Reguladoras, CVM (Comissão de Valores Mobiliários)… Fica até parecendo que são superestruturas fazendo cara de paisagem para não mexer no que deveria ser mexido.

Agora que tudo foi arrombado vozes se levantam defendendo a urgência do aperfeiçoamento e da utilização plena de um efetivo sistema de controle, sem sombreamentos, e com a implementação de todas as consequências previstas para quem não cumprir as regras do jogo.

  Comentários
 

Há três anos mostramos aqui no Observação & Análise uma cerejeira em flores no quintal de uma casa na região da Savoie, no Sudeste da França. Agora surgiu a oportunidade de registrar a beleza das cerejas dessa mesma árvore nesse final de primavera francesa.

Foto: Morgana Tournier

Valoriza-se a marcante presença da “cereja do bolo”, mas é bom lembrar também que esta pequena fruta avermelhada e de forma arredondada tem sabor doce, polpa macia e suculenta. É típica de regiões mais frias e rica em proteínas, cálcio, ferro, vitaminas A, B e C, além de ter propriedades que ajudam a combater inflamações e dores. É usada na fabricação de conservas, compotas e bebidas licorosas.

Foto: Morgana Tournier

Com as fotografias deste post quero evidenciar que de vez em quando, ao longo do dia ou da semana, a observação e a contemplação de algo belo que ainda persiste na natureza pode nos fazer bem. Afinal de contas já basta a dureza de tanta coisa que temos que enfrentar para encarar essa conjuntura em que a estratégia é de sobrevivência e muitas pessoas que nos cercam só nos contaminam com a repetição de seus assuntos cheios de pessimismo. Isso apenas se soma à postura arrogante de quem pensa que é proprietário da verdade única enquanto a civilização é deixada de lado. Por isso é importante contemplar a beleza do que nos cerca.

Foto: Morgana Tournier

  Comentário