Cheguei a Belo Horizonte em 6 de agosto de 1973 como já contei aqui no blog. Alguns dias depois, num feriado de 15 de agosto como hoje, fui visitar e conhecer pela primeira vez a Praça da Liberdade, um dos grandes símbolos da cidade de Belo Horizonte.

Agora já se passaram 44 anos e a praça prossegue sempre marcante por tudo o que nos pode proporcionar. Aliás, naquele dia eu nem imaginava que uma década depois eu estaria trabalhando na Praça, na esquina com a Rua Gonçalves Dias, onde funcionava a sede da Copasa, no prédio da Secretaria Estadual de Obras.

A preservação e manutenção da Praça e seu entorno deveriam ser parte fundamental do compromisso e da ação de todos em prol da sustentabilidade desse patrimônio da cidade que a todos beneficia de uma maneira ou de outra. Se em 1991 foi um grande alívio a mudança da Feira de Artesanato da Praça da Liberdade para a Avenida Afonso Pena, no centro de Belo Horizonte, sempre é preciso lembrar que a vigilância deve ser permanente e em todos os sentidos. Não podemos descuidar em meio a tantos contrastes que podem passar despercebidos em alguns momentos de pouca atenção aos detalhes.

Um bom exemplo pode ser visto nas fotografias deste post, que foram feitas dias atrás na plenitude do nosso inverno. A beleza dos ipês roxos é um convite à nossa contemplação e admiração, mas não podemos deixar de registrar o lixo que se acumula entre as hortênsias, que estão bastante maltratadas, ou a falta de grama nos canteiros neste tempo seco. Se a Praça da Liberdade já tem 120 anos é preciso sempre lembrar que nós e ela podemos muito mais. O que depende só de nós.

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Venda casada

por Luis Borges 10 de agosto de 2017   Pensata

Uma senhora que já passou dos 80 e está viúva há cinco anos foi convocada pelo INSS para fazer sua “prova de vida”. Por isso, foi até a agência de um banco privado onde ela recebe sua pensão mensal no valor de um salário mínimo. A convocação deveria ser algo obrigatório e natural em todo processo envolvendo a gestão dos recursos públicos num país em que a corrupção e o “toma lá, dá cá” no escondidinho são características marcantes numa cultura secular.

A senhora estava acompanhada pelo seu filho mais novo, que tinha a missão de orientá-la e conduzi-la devido a algumas limitações em suas condições funcionais. Dá para imaginar as dificuldades para atravessar aquela porta de segurança giratória e se livrar da obsessão pela detecção de metais, por exemplo. A entrada na agência bancária é apenas uma pequena demonstração do grande rigor aplicado aos aspectos que envolvem a segurança do patrimônio ali existente.

Depois do primeiro obstáculo físico, apareceram outros. Ao iniciar o atendimento, a funcionária do banco informou que seria necessário abrir uma conta corrente. O filho estranhou e contestou imediatamente, lembrando à atendente que eles foram lá apenas buscar o novo cartão da pensionista do INSS e comprovar que ela estava viva como ocorre anualmente. A funcionária não se deu por vencida e continuou aplicando o procedimento operacional em vigor no banco, reforçando as vantagens da abertura de uma conta, inclusive sinalizando com a comodidade de atendimento em qualquer agência.

O filho reiterou com mais veemência o que foi fazer na agência, lembrando que sua mãe também queria receber o seu benefício do mês com o novo cartão, já que o anterior estava com o prazo de validade vencido há poucos dias. A atendente disse, então, que não havia cartão na agência e que ele demoraria 30 dias para chegar. Ao que o filho retrucou solicitando a emissão de um cartão provisório naquele momento para vigorar até o dia da chegada do definitivo. Numa tentativa final de ainda influenciar na mudança de posição em relação ao serviço não aceito, a atendente lembrou que tudo teria sido mais fácil e rápido se a conta corrente tivesse sido aberta.

Independente da maior prioridade dada no atendimento ao idoso com idade superior a 80 anos, o fato é que mãe e filho permaneceram durante 30 minutos na agência até que tudo fosse resolvido como eles queriam, dentro das regras do jogo e mantendo o direito de não abrir conta. Bem que o filho poderia ter gastado mais um pouco de seu tempo para lembrar ao gerente da agência que o Banco Central do Brasil proíbe esse tipo de operação casada e que uma denúncia do fato traria bons transtornos àquela agência.

Haja constância de propósitos e muita paciência para se garantir a observância e a prevalência do Código de Defesa do Consumidor!

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Vale a leitura

por Luis Borges 8 de agosto de 2017   Vale a leitura

Sonhar até quando?

Os sonhos fazem parte de nossas vidas e nos acalantam pelos caminhos que trilhamos. Mas muitos são os desafios e obstáculos que precisam ser vencidos até que tudo se torne realidade e possa gerar bem estar. Entretanto muitos são os casos em que não podemos ou não conseguimos prosseguir, insistindo em realizar algo para o qual não temos mais capacidade de processo. Encarar a situação com realismo pode nos ajudar a perceber os sinais da chegada aos limites. É o que aborda o artigo Quando desistir de seus sonhos? publicado pelo site Finanças Femininas.

“Existem sinais de que as coisas não estão funcionando. Um deles é quando, em vez de estimular e instigar, o caminho se transforma em um fardo. Sabe aquele momento em que é difícil levantar da cama ou enxergar um propósito para tanto esforço? Este pode ser o sinal de que está na hora de revisitar sua missão. Porém, tome cuidado para não confundir este sentimento com o cansaço que correr atrás de seu sonho pode causar – e, sim, isso acontecerá”.

Tecnologia demais também cansa

O contínuo avanço tecnológico traz muitas possibilidades para tornar a vida das pessoas cada vez melhor. Mas a que ponto e a que custo? Tudo vai ficando tão automático e tão volátil que às vezes deixamos de lembrar que as artes manuais também podem nos trazer muita satisfação e ajudar a atenuar muitos dos males contemporâneos que nos incomodam. É o que aborda Suzana Herculano-Houzel no artigo Trabalhos manuais podem criar prazer e felicidades tangíveis, publicado pela Folha de São Paulo.

“uma das maiores fontes de prazer para nós humanos é construir algo com as mãos. E poucas pessoas ainda fazem isso em seu dia a dia… Em meu trabalho, construo conhecimento que ocasionalmente ganha vida em papel, materializando-se em artigos e livros. Meu jardim, ao contrário, é tangível toda vez que olho pela janela ou coloco meu chapéu e luvas”.

Sorte também ajuda no sucesso?

Estamos atravessando tempos bastante difíceis em que a crise política não dá sinais que vai chegar ao fim e a economia reage lentamente após forte recessão. Continuar se preparando permanentemente para aproveitar as raras oportunidades que vão surgindo é praticamente uma obrigação para quem continua acreditando que as coisas ainda podem melhorar. Muitos até esperam ter um pouco mais de sorte enquanto outros não contam com o azar. Isso faz parte da abordagem de Reinaldo Polito em seu artigo Será que para ser bem sucedido na carreira é preciso ter sorte? publicado pelo portal UOL.

“Baseado na minha experiência e analisando a carreira de alguns que se saíram mal e de outros que triunfaram, tenho constatado que a realização depende de vocação, preparo, oportunidade, sorte e muita dedicação. Portanto não acredito que um desses ingredientes, isoladamente, possa levar uma pessoa a ser vitoriosa”.

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Um jovem casal de namorados na faixa dos 30-35 anos está se preparando para o casamento desde meados do ano passado. A meta é realizar a cerimônia religiosa, a festa e a viagem de núpcias na primeira semana da primavera de 2017. Para isso fizeram um detalhado plano de ação, que está sendo implementado com muita disciplina e realismo financeiro. Eles também são sabedores de que o melhor da festa é espera por ela e que aos poucos o dia vai chegando.

Nesse momento específico um item passou a preocupar e a incomodar o casal. Trata-se do apartamento de 80 m², sendo dois por andar num edifício de 10 andares de um bairro de Belo Horizonte. Adquirido na planta logo no início do ano passado em condições compatíveis com o poder aquisitivo dos dois, eles assinaram com a construtora um contrato do tipo promessa de compra e venda. Basicamente as condições foram o pagamento de uma entrada de 10% do valor de avaliação do imóvel, outros 10% pagos em parcelas trimestrais ao longo da construção e os 80% restantes financiados por um banco estatal durante 30 anos a partir da conclusão do imóvel.

No início de julho havia algo muito estranho no ar em função de um “empurra – empurra” entre a construtora que vendeu o apartamento e intermediou o contrato de financiamento com o banco oficial, pois havia chegado a hora da assinatura do contrato. O fato é que esses recursos para financiamento habitacional ficaram bem mais escassos com a crise econômica e existem linhas de crédito suspensas até o final do ano. Diante das pressões para liberar rapidamente o financiamento e sem condições de continuar adiando indefinidamente a liberação do contrato, o banco abriu o jogo e disse que os recursos não sairão por agora.

Apesar da frustração o jovem casal fez uma correção de rota no plano de ação e procuraram, com a ajuda da construtora vendedora, um banco privado para tentar um novo financiamento. Todos os documentos necessários foram apresentados mas, enquanto eram analisados pelo banco privado, houve uma mudança no limite do financiamento concedido em função do aumento da inadimplência. O até então limite de 80% passou para no máximo 70% e ainda variando em função da renda apresentada, taxa de juros, financiamento em 30 anos e possibilidades de uso do FGTS. O resultado de tudo isso é que o banco privado não se dispõe a correr riscos e emitiu um parecer afirmando que pode financiar no máximo 65% do previsto. Enquanto a construtora vendedora pula igual pipoca e tenta se justificar, o banco privado lava as mãos e o jovem casal está vivendo um impasse, pois as mudanças atrapalharam todo o planejamento financeiro. Mais uma vez caberá ao consumidor pagar o pato, realizar o prejuízo ou até mesmo desfazer o negócio. Na atual conjuntura será preciso muita resiliência para continuar sonhando com a casa própria.

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Curtas e curtinhas

por Luis Borges 1 de agosto de 2017   Curtas e curtinhas

Reforma da previdência só em 2019?

Em junho de 2016 publiquei aqui no blog uma Pensata sobre a reforma ou o remendo da Previdência Social. Hoje já estamos no dia 1º de agosto de 2017 e só se fala na votação na Câmara dos Deputados para manter o Presidente da República intacto no poder e longe de qualquer julgamento pelo Supremo Tribunal Federal. Não se fala mais em Reforma da Previdência. Nessa altura em que os ocupantes de diversos cargos só pensam em se manter no poder, ninguém garante que o governo federal terá o mínimo de 308 votos para aprovar, em dois turnos na Câmara dos Deputados, o que ainda resta da proposta tão contestada, mesmo com toda a propaganda oficial.

Funcionalismo público federal

O Governo Federal começou a dar sinais de inquietação diante das dificuldades para cumprir a meta de déficit fiscal de R$139 bilhões em 2017. Os recursos arrecadados continuam ainda distantes das despesas sempre crescentes, apesar da Lei de teto de gastos. Vários sinais passaram a ser dados pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento, mostrando que descobriram que o funcionalismo público dos três poderes está custando bem mais que o Tesouro aguenta pagar. Um verdadeiro tiroteio de propostas testando balões de ensaio está em curso. Já surgiu o Programa de Demissão Voluntária com a meta de se livrar de 5 mil servidores. O PDV abre também a possibilidade de reduzir a jornada de trabalho para 4 ou 6 horas diárias além de conceder licenças sem vencimentos de 3 a 6 anos. Também ganha força a elevação da contribuição previdenciária de 11% para 14% dos rendimentos mensais dos servidores federais, o adiamento dos aumentos salariais negociados para vigorar a partir de janeiro/18, a manutenção do teto salarial do funcionalismo em R$33.700 e até mesmo a redução da quantidade de funcionários contratados sem concurso público. Depois ainda vão descobrir as mordomias com os jatinhos da FAB, os carros oficiais, o auxílio moradia de R$4.377 isento de comprovação e Imposto de Renda, as férias de 60 dias… Será?

Banco digital

O boletim “Conexão Real” do Banco Central do Brasil informou que, em 2016, as transações bancárias por meio de equipamentos móveis chegaram a 16,7 bilhões, 28% do total de operações. Em 2015 a participação desses equipamentos foi de 19%. O crescimento na utilização dos aplicativos móveis tem sido enaltecido pela sua facilidade, comodidade e praticidade. O que será que podemos dizer em relação à utilização com segurança desses equipamentos?

Desemprego em queda?

O IBGE divulgou na sexta, 28/07, os resultados da PNAD Contínua do segundo trimestre de 2017. O índice de desemprego no país foi de 13% e o número de desempregados chegou a 13,5 milhões de pessoas enquanto no primeiro trimestre o desemprego estava em 13,7% e os desempregados eram, 14,2 milhões. Como no segundo trimestre o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho e Emprego registrou a criação de quase 104 mil vagas com carteira assinada. Fica evidente o aumento do trabalho informal e das pessoas que estão desistindo de procurar emprego. É bom lembrar que o modelo de pesquisa adotado pelo IBGE só mede quem procurou trabalho nos últimos 30 dias. O caminho para a retomada do trabalho ainda vai ser muito longo.

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Olhar, olhar; mirar, mirar. Eis o fundamento que continua com validade permanente para nos ajudar a  perceber os detalhes da cidade de Belo Horizonte e dos bairros em que moramos, trabalhamos, frequentamos, buscamos amigos, lazer, cuidados com a saúde… Se vale elogiar o que está funcionando bem, como sonham em ouvir os gestores públicos, mais vale ainda mostrar o que está ruim, o que não está funcionando ou nem existe, mas que precisa de solução o quanto antes.

Foto: Sérgio Verteiro

A primeira condição para resolver um problema é identificá-lo e admitir que ele existe. Isso já é, no mínimo, a metade da solução. Quem transita mais pelas principais ruas e praças do bairro bem que poderia dar uma passada na longa Rua Conselheiro Rocha, que faz divisa com as linhas do metrô e do trem de ferro ao longo de boa parte da Avenida dos Andradas.

Foto: Sérgio Verteiro

Verdadeiros bota-fora de construção civil e similares, como mostram as fotografias deste post, estão presentes ao longo da rua. Muitas são as causas, que podem estar nas pessoas, nas empresas, na Prefeitura Municipal… Mas o problema deve ser resolvido em nome da qualidade de vida de uma sociedade que se diz civilizada.

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Pontualidade até que ponto?

por Luis Borges 27 de julho de 2017   Pensata

A cerimônia religiosa de um casamento católico foi marcada para as 20h de um sábado na Igreja Matriz de um município do oeste mineiro. O noivo chegou ao local 15 minutos antes da hora marcada. Pontualmente às 20h o sacerdote especialmente convidado para fazer a celebração chegou ao altar, enquanto os cerca de 250 convidados para tempos de crise continuavam se acomodando nos bancos do templo. À medida em que o tempo passava e crescia a expectativa pelo inicio da cerimônia também aumentava o alarido causado pela quantidade de pessoas conversando com quem estava ao lado. Eram muitos os que olhavam para o relógio conferindo o tempo, sendo que esses e muitos outros utilizavam freneticamente os seus telefones celulares de vários modos.

Lá pelas 20h25 o sacerdote retirou-se do altar e voltou para a sacristia enquanto o interior da igreja se assemelhava a uma feira livre.  Nessa altura dos acontecimentos a pergunta que mais se fazia e que não queria se calar era curta e já cheia de ansiedade: cadê a noiva? Houve quem levantasse a hipótese de desistência da noiva. Outros reclamavam que a demora estava “colocando o pé no seu vale empada”, cognome do convitinho garantidor do acesso à festa comemorativa das núpcias.

E assim se passaram mais longos 42 minutos até que às 21h07, portanto 67 minutos após a hora previamente marcada, foi aberta a porta onde se inicia o caminho que leva ao altar. Logo a seguir teve inicio o cortejo que durou 8 minutos. Enquanto a mãe levava o noivo ao altar em passos mais rápidos, quase logo a seguir entraram os 14 casais padrinhos dos noivos e o sacerdote retomou seu lugar no altar. Em seguida o pai conduziu a noiva que caminhou triunfal rumo ao altar antecedida pela dama de honra e seu pajem, ao som retumbante da marcha nupcial. Parecia também o triunfo do atraso e da paciência de todos que aguentaram esperar até aquele momento.

Mas as aparências enganam. O sacerdote amigo das famílias dos noivos iniciou rapidamente a parte que lhe cabia no ritual e fez tudo em 15 minutos. Exatamente às 21h30min o sacerdote falou que devido ao adiantado da hora, os noivos receberiam os cumprimentos no local da festa. Assim que a última pessoa do cortejo chegou ao adro da igreja as luzes começaram a ser apagadas e as portas laterais e principal foram fechadas.

Esse evento me faz lembrar diversos outros em que perdemos muito tempo entre a hora marcada e o seu efetivo início. Ser pontual deveria ser uma obrigação e não uma virtude. Aliás, os virtuosos e disciplinados acabam sendo punidos e desrespeitados pelos outros que sempre chegam atrasados. Você consegue se lembrar rapidamente de eventos aos quais você compareceu e que se iniciaram com atraso de 30 minutos ou mais? A causa estava também em você? Além da consulta médica e da decolagem do avião, que outros você citaria? Se pontualidade é obrigação que exemplos você citaria de eventos que começam na hora marcada além de missas, reuniões espíritas e cultos evangélicos?

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Desesperar jamais

por Luis Borges 25 de julho de 2017   Música na conjuntura

De vez em sempre fico pensando sobre como estamos vivendo e sobrevivendo na crise em que o Brasil mergulhou notadamente após a eleição presidencial de 2014 quando o perdedor não aceitou o resultado das urnas eletrônicas. Não tenho dúvidas de que crises sempre existiram ao longo de diferentes momentos da história brasileira, mas é importante verificar como reagimos a elas individualmente ou em grupos sociais.

Perante tanta determinação dos profissionais da política partidária para se manter no poder – inclusive com atos e atitudes que chegam a dar nojo – que esforço suplementar tem sido necessário para mantermos o equilíbrio, a estabilidade emocional, o discernimento e a capacidade de prosseguir ancorados por nossas crenças? É preciso uma grande resiliência para não cair na descrença, na paralisia ou mesmo no desespero diante de situações adversas. Sei que não é fácil segurar essa onda permanentemente enquanto o bicho pega. Também sei que quanto pior, pior mesmo e a sobrevivência exige respostas em todo momento ao longo do dia. O Estado de bem estar social vai se tornando cada vez mais uma miragem enquanto 14 milhões de pessoas estão desempregadas e a transferência de recursos para o mercado financeiro é gigantesca.

É desafiador continuar fleumático enquanto tanta novidade vai sendo noticiada em curto espaço de tempo e longas novelas se instalam sem perspectivas de soluções mais rápidas no horizonte. O que mais se percebe na correlação de forças é o que muitos segmentos da sociedade já não aceitam mais. Mas também é visível a falta que faz uma sociedade mais organizada embora haja tantos discursos enaltecendo a democracia representativa e o funcionamento das chamadas instituições. Se as mudanças não chegam, às vezes até caímos no conformismo pragmático e nos reforçamos com o acalanto de que “é o que temos para hoje”.

Como segurar a ansiedade, a tristeza ou a depressão que podem se tornar a antessala para tantos outros desdobramentos tão indesejáveis? Que tal ouvir e cantar a música Desesperar jamais, de Ivan Lins e Vitor Martins, que faz parte do disco “A noite”, que Ivan Lins gravou em 1979? A música não deixa de ser um alento nesses tempos que tanto exigem de nós uma boa dose de paciência histórica, inteligência estratégica, equilíbrio e tenacidade no curso da viabilização de transformações tão necessárias nessa sociedade tão desigual.

Desesperar jamais
Fonte: Letras.mus.br

Desesperar jamais
Aprendemos muito nesses anos
Afinal de contas não tem cabimento
Entregar o jogo no primeiro tempo

Nada de correr da raia
Nada de morrer na praia
Nada! Nada! Nada de esquecer

No balanço de perdas e danos
Já tivemos muitos desenganos
Já tivemos muito que chorar
Mas agora, acho que chegou a hora
De fazer Valer o dito popular
Desesperar jamais
Cutucou por baixo, o de cima cai
Desesperar jamais
Cutucou com jeito, não levanta mais
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Polindo as amizades

por Luis Borges 23 de julho de 2017   Pensata

O mundo girou rapidamente e já nos trouxe de volta o 20 de julho, Dia do Amigo e da Amizade no Brasil e na Argentina. Se “amigo é coisa pra se guardar debaixo de sete chaves, dentro do coração” como dizem Milton Nascimento e Fernando Brant na música Canção da América, quando nada o dia traz a reflexão sobre como estamos cuidando de nossos amigos e amizades.

Constato que às vezes os amigos estão tão guardados que ficam até distantes. Justificativas para isso não faltam devido à correria louca, ao cansaço constante e à falta de tempo. Tudo bem, mas falta gestão. A perda de tempo só cresce para quem não sabe priorizar, não sabe fazer escolhas, tomar decisões. Vale lembrar que onde tudo é prioritário, nada é prioritário e que não existe vento favorável para quem não sabe aonde ir.

O que significa para nós polir as amizades para mantê-las azeitadas, alinhadas e necessariamente presentes em nossas vidas? Alguns dias atrás ouvi uma pessoa dizendo que era dia do aniversário de nascimento de um grande amigo e que havia passado uma mensagem de WhatsApp para cumprimentá-lo. Diante da declaração tomei a liberdade de perguntar a pessoa se a mensagem foi de texto ou áudio. “É claro que foi de texto”, respondeu imediatamente a pessoa. Em seguida saí de cena e fiquei pensando na probabilidade de ouvir a qualquer momento um argumento falando da falta que se sente de um amigo e de uma amizade sincera e cuidadosa. Até entendo que nem sempre é possível estar fisicamente presente numa data importante para o amigo, mas até se chegar ao confortável envio de uma mensagem de WhatsApp como mero sinal de cumprimento de uma obrigação existem várias outras formas de demonstrar apreço.

Ainda que tudo comece com a gente é bom lembrar que as relações de amizade possuem mão dupla e que, para serem polidas com uma frequência saudável, dependem da iniciativa e da reciprocidade entre as partes envolvidas. Como esse processo de manutenção é difícil e exige muita constância de propósitos de ambas as partes! E você, tem conseguido polir as suas amizades ou apenas chora pelo afastamento da maioria delas sem analisar as causas que geraram esse desfecho?

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O mês de julho traz consigo a data limite para que as casas legislativas da União Federal, estados e municípios aprovem a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) contendo os parâmetros que regerão a elaboração dos orçamentos do próximo ano no âmbito de suas jurisdições. Só após essa aprovação é que pode se iniciar o recesso parlamentar, também previsto para o mês.

O desafio para os meses subsequentes é a elaboração de uma peça orçamentária a partir de premissas realistas que nortearão a previsão de arrecadação de tributos, receitas de capital e de gastos com a prestação de serviços públicos, realização de investimentos…

A gestão estratégica do Orçamento é essencial para o cumprimento das exigências da Lei de Responsabilidade Fiscal, que determina a análise dos resultados alcançados na implementação a cada dois meses bem como as correções de rumo que se fizerem necessárias. Ainda assim, o orçamento não é plenamente cumprido em várias instâncias do poder público e, em muitos casos, é considerado uma peça de ficção para atender apenas à exigência legal.

Um exemplo disso pode ser visto no orçamento da Prefeitura de Belo Horizonte para 2017, que previa arrecadar R$11,8 bilhões e que neste momento dá sinais de que dificilmente passará dos R$9,9 bilhões até o final do ano. A realidade começou a bater mais forte e fez com que a proposta de LDO para 2018 preveja uma arrecadação de R$10 bilhões. Na União Federal a frustração de receitas é visível e, como muitos gastos obrigatórios só crescem, o jeito tem sido contingenciar os orçamentos como os da saúde, da educação, da Polícia Federal tentando suspender a emissão de passaportes e da Polícia Rodoviária Federal reduzindo ainda mais a sua já reduzida prestação de serviços.

Mas efetivamente que premissas estão sendo consideradas para os orçamentos de 2018 diante das atuais condições da conjuntura do país? A crise política continua plena, o mês de junho teve deflação de 0,23% – que também preocupa perante a necessidade de retomada da economia enquanto a crise social prossegue extremamente aguda.

Com as informações realistas que temos nesse momento e fugindo da crença em milagres será que poderemos trabalhar com a premissa de crescimento econômico entre 2% e 2,5% no próximo ano? A taxa básica de juros do Banco Central poderá ficar em 8,5% ao ano enquanto o dólar poderia gravitar em torno de R$3,30?

Que níveis de aumentos salariais para os servidores públicos estarão nas premissas ou tudo ficará na base zero?

Na verdade esse é mais um momento para se discutir as prioridades para a alocação dos sempre insuficientes recursos públicos na cultura da gastança e do direito adquirido sem se preocupar com a sustentabilidade de todo o processo.

Agora, se no plano macro do Estado as coisas estão assim, o que pensar de premissas para os nossos orçamentos individuais ou familiares para o próximo ano? Será que manteremos os nossos atuais níveis de renda ou teremos que fazer mais adequações para continuar sobrevivendo num ano em que estão previstas eleições de Presidente a deputado estadual? Haja incertezas, mas elas precisam ser enfrentadas ainda que tragam tanta dor.

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