É muito comum encontrarmos pessoas reclamando da falta de tempo ou justificando que deixaram de fazer algo também devido à mesma falta de tempo. Imagine quantas horas são gastas ou perdidas pelas pessoas em reuniões durante um dia, uma semana ou um mês.

Sempre que usamos a expressão “falta de” para tentar explicar ou justificar algo deveríamos saber com clareza que a “falta de” não é um problema, mas sim uma de suas causas. Conceitualmente, problema é o resultado indesejável de um processo e identificá-lo pode ser até metade da sua solução. Aí basta atuar nas suas causas, a começar pelas prioritárias, tomando as medidas necessárias para solucioná-lo.

Um bom exemplo de problema é o alto índice de reuniões improdutivas que acontecem no local de trabalho, com a participação de muitos convocados e outros convidados. Quanto maior o porte da organização humana – notadamente as empresas e órgãos governamentais – maior é o “pudim de reuniões”. Em reuniões improdutivas é muito comum que elas cheguem ao final tendo como resultado mais visível apenas a marcação da data do próximo encontro.

Para resolver o problema das decisões improdutivas podemos começar por nos perguntar sobre a real necessidade de fazer o encontro. De repente podem existir outros meios e formas até mais rápidas para discutir os assuntos e tomar decisões.

Caso se conclua que a reunião é realmente necessária, então será preciso definir a pauta, os temas que serão abordados com respectivo tempo de duração, os participantes fixos, os convidados temáticos que só participam do momento da sua especialidade e a definição do coordenador da reunião, que terá a obrigação de ser bastante objetivo e focado na obtenção dos resultados esperados. Nesse sentido é fundamental que todos os participantes recebam uma convocação prévia para a reunião e que estejam preparados, com um conhecimento que lhes permita discutir e decidir sobre a pauta conforme suas atribuições.

É claro que o coordenador da reunião deve ter experiência suficiente para identificar rapidamente os estilos dos participantes – os apáticos, os que pensam que sabem tudo, os que abrem discussões paralelas, os que ficam de olho no celular, os navegantes de redes sociais e os que tentam conduzir a reunião no lugar do seu coordenador.

Outra premissa importante para que a reunião seja produtiva é o combate ao “achismo”. Os participantes devem falar e se posicionar em cima de fatos e dados, pois estamos na era do conhecimento. Tudo isso deve acontecer rigorosamente entre a hora marcada para o início e o término da reunião, cabendo ao coordenador não fazer concessões aos participantes que não são pontuais pois, no mínimo, isso pune aqueles que cumprem os horários combinados, inclusive os convidados temáticos. É importante também registrar em ata, com clareza e objetividade, as decisões tomadas e os próximos passos, se houver.

Não sei se o que abordei aqui reflete situações que você, caro leitor, tem vivido em seu local de trabalho, mas mesmo assim vale a pena refletir sobre esse problema crescente em nosso meio.

Numa outra oportunidade tentarei apresentar minhas observações sobre reuniões em condomínios residenciais e comerciais, bem como em sindicatos, partidos políticos e escolas.

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De vez em quando é bom dar uma olhada para trás e verificar se um determinado problema urbano foi solucionado ou se simplesmente tornou-se crônico. Ilustra bem esta situação, infelizmente pela cronificação do problema, o caso do lixo a céu aberto que se consolidou na paisagem da Rua Nefelina, no bairro de Santa Tereza.

Em dezembro de 2016 mostramos a situação aqui no Observação & Análise. Um ano depois, no fim de dezembro de 2017, voltamos à rua e registramos nas fotografias a seguir que a situação permanece.

Foto: Sérgio Verteiro

Quem andar um pouco mais pela vizinhança perceberá, também, outros pontos de descarte de lixo bem exuberantes na esquina da Rua Clorita com Rua Gabro, nas proximidades do campo de futebol da Rua Conselheiro Rocha e ao lado da passarela que dá acesso à estação Santa Efigênia do metrô pela mesma rua.

O lixo acumulado ao longo de 7 dias é recolhido toda quarta feira pela Superintendência de Limpeza Urbana de Belo Horizonte, mas com frequência na manhã do dia seguinte é possível verificar que um novo processo de acumulação teve início, como mostrado na fotografia abaixo.

Foto: Sérgio Verteiro

O desafio de solucionar o problema continua. Mas tenho a sensação de que todos já se acostumaram com a paisagem consolidada e muitos são os que contribuem para a sua manutenção.

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Curtas e curtinhas

por Luis Borges 11 de Janeiro de 2018   Curtas e curtinhas

R$1,96 milhão por dia 

O orçamento da União Federal para 2018 prevê gastos de R$714,1 milhões para o Supremo Tribunal Federal, o que dá uma média de R$1,96 milhão por dia. Os gastos com o pagamento dos salários e encargos sociais dos servidores consumirão 63,81% desse orçamento, o que significará desembolsos de R$455,7 milhões.

A justiça brasileira é criticada por ser cara, lenta, improdutiva e o STF também não foge a essa percepção. Vale ressaltar que os seus 11 ministros tem direito a 60 dias de férias por ano, a no mínimo 30 dias de recesso em função das férias forenses que se iniciam em 20 de dezembro e aos demais feriados ao longo do ano como Carnaval, Semana Santa, Tiradentes, Corpus Christi, Independência, Padroeira do Brasil, dia do servidor público, Finados e Proclamação da República. Atualmente quase 100 mil processos tramitam no STF, sendo que alguns já se aproximam dos 20 anos sem um resultado final. Só não falta dinheiro para gastar, independente de a arrecadação de tributos federais estar em queda ou em crescimento.

Estados endividados

Quem está acompanhando a agonia do estado do Rio de Janeiro, notadamente a partir de 2016, já deve estar imaginando que não é apenas uma dificuldade financeira causada pela má gestão e corrupção. Tecnicamente está é quebrado mesmo. O que concluir sobre os estados do Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Sergipe e Rio Grande do Norte, que começaram 2018 com muitos restos a pagar nem sempre explicitados em seus deficitários orçamentos? Quais serão os novos entrantes para o clube dos estados quebrados ao longo deste ano que apenas se inicia?

Os sinais e sintomas começam com o não repasse do ICMS, IPVA e dos percentuais obrigatórios da saúde para os municípios, atrasos e escalonamento para o pagamento parcelado dos salários – inclusive o 13º, baixíssimo nível de investimentos, comunicação social genérica tentando ganhar tempo, terceirização das causas dos problemas só para a União Federal, Poder Legislativo submisso, grandes atrasos no pagamento a fornecedores…

Nesse ritmo não será surpresa se pelo menos mais cinco estados entrarem na lista, enquanto o mais provável é que nenhum dos citados conseguirá sair dela neste ano.

Os partidos continuam os mesmos

Existe uma grande expectativa em relação à renovação dos parlamentares no Senado, Câmara dos Deputados e Assembleias Legislativas Estaduais nas eleições deste ano. Como serão as futuras bancadas se o índice de renovação for em torno de 60%, por exemplo?

Mas provavelmente nada será tão novo assim. A razão é muito simples. Os partidos políticos, cada vez mais numerosos e autoritários, dominados pelos caciques de sempre e fechados em suas pequenas cúpulas, sem democracia interna, pouca transparência na prestação de contas, inclusive de suas finanças, se verão obrigados a mostrar caras novas, mas que seguem disciplinadamente a mesma cartilha. Os novos eleitos e os velhos remanescentes tudo farão para exercer o poder em nome do povo que representarão segundo a lei que, aliás, só recebe reformas cosméticas.

O orçamento do Dieese para 2018

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) foi fundado em 1955 para subsidiar os sindicatos dos trabalhadores com levantamentos, estudos, pesquisas em temas da pauta sindical. Em 2014 o orçamento anual foi de R$45 milhões, mas em 2018 ficará entre R$22 e R$27 milhões. Segundo Clemente Gans Lúcio, diretor técnico, a reforma trabalhista e as restrições fiscais de diferentes esferas de governo vão fazer o orçamento do Dieese cair em até 40% no biênio 2018-2019. As principais fontes de renda da entidade são os contratos com a administração pública, que representam 30% do orçamento, e as anuidades pagas pelos sindicatos e federações respondem pelos outros 70%. Desde 2014 os contratos com a administração pública estão em queda e agora as anuidades também devem cair, em função do fim da contribuição sindical obrigatória que poderá, inclusive, levar muitos sindicatos ao fechamento se não conseguirem outras fontes de recursos para se sustentarem.

A Reforma Trabalhista entrou em vigor há exatos 62 dias e vai mostrando a que veio, inclusive para quem dormia em berço esplêndido na zona de conforto.

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Vale a leitura

por Luis Borges 6 de Janeiro de 2018   Vale a leitura

Desemprego na família

As coisas que acontecem com os outros podem também acontecer com as nossas famílias e nas mais variadas situações. Muitos são os casos que surgem de maneira surpreendente e nem sempre encontram as pessoas preparadas para enfrentá-los. Uma situação que acaba mexendo muito com as pessoas de uma família ou mesmo com aquelas que vivem sozinhas está ligada ao desemprego, que afeta 12,7 milhões de brasileiros segundo os dados do IBGE para o mês de outubro. Qual é a melhor maneira de participar e contribuir com a pessoa que está desempregada sem ser invasivo? O desafio é grande e nada fácil de ser vencido. É o que aborda Juliana Carpanez no artigo “Um desempregado na sala: como lidar com a demissão de alguém próximo?”, publicado pelo portal UOL.

“Para Maria Eduarda Silveira, gerente de negócios da empresa de recrutamento Robert Half, é importante falar em casa sobre o desemprego – mas não só sobre isso e com cuidado na abordagem. O ideal é não pressionar nem cobrar muito, para não aumentar a pressão, a ansiedade e o nervosismo que essa situação já causa. Tenha empatia para ouvir, entender e se colocar no lugar da pessoa desempregada”.

Aplicações financeiras

A inflação caiu e, com ela, a taxa Selic, que é a balizadora dos juros pagos por muitas aplicações financeiras disponíveis no mercado. Conhecer bem as regras do jogo é fundamental para o aplicador, seja ele conservador, moderado ou apostador. Pagamento de Imposto de Renda sobre os rendimentos, taxa de administração da corretora de valores, período de duração da aplicação com o respectivo tempo mínimo de carência para o resgate e quantidade de dinheiro a ser aplicado são fatores básicos para se tomar a decisão sobre em que papel aplicar. Marcia Dessen mostra isso com muita clareza no seu artigo “Liquidez é o critério mais importante para avaliar investimento“.

 “Quando comecei a estudar os princípios de investimentos, aprendi que existe um tripé que sustenta a decisão do investidor quando examina as alternativas disponíveis em busca da aplicação mais adequada: segurança, rentabilidade e liquidez. Aprendi também que esses atributos não andam juntos; quando o investidor privilegia um, abre mão de outro”.

Juntos e distantes

Você já passou por uma situação em que uma conversa amena com um amigo, amiga ou colega de trabalho vira, de repente, uma enorme reclamação ou queixa de um relacionamento amoroso, por exemplo? Em caso afirmativo, qual foi a sua postura? Pelo que percebo a frequência de situações como esta tende a aumentar diante da conjuntura de tantas mudanças rápidas, de novas necessidades que se colocam e diante de muitas expectativas que são maiores que a realidade. Mirian Goldenberg aborda o tema em seu artigo “Você também sofre com a solidão a dois?”.

Uma professora de 43 anos disse que sofre com a “solidão a dois”:

“Ele chega e vai direto para o computador, nem me dá um beijo ou um abraço. Simplesmente me ignora, eu me sinto invisível. Ele destruiu minha autoestima. Não me conta como foi o dia dele, não pergunta como foi o meu. Faço tudo sozinha, ele não gosta de sair de casa, ir ao cinema, jantar fora, viajar. Dizem que é impossível ser feliz sozinha, mas eu acho que a pior solidão é a solidão a dois.”

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Sou um realista esperançoso e é por isso mesmo que esta pensata tem como título “Só falta um ano para 2019 começar”. Essa esperança me ajuda a não cair na apatia, no descrédito e no pessimismo, todos altamente contagiosos. Continuo pensando e difundindo nos espaços e meios onde atuo que as coisas fáceis já foram feitas e que para nós só ficaram as difíceis e desafiantes.

Atravessaremos o ano de 2018 enfrentando o aguçamento da luta de classes e todos os efeitos dela decorrentes em função da enorme concentração de renda, desemprego, subemprego e precarização das condições de trabalho bem como 25% da população se situando abaixo da linha da pobreza segundo o IBGE. De cara, o Governo Federal voltará com as catilinárias da Reforma da Previdência Social, sem detalhar de forma transparente os dados sobre o déficit do Regime Próprio da União, estados e municípios e jogando todas as mazelas em cima do INSS. Continuarão os acenos para o mercado, mas o ajuste das contas públicas ainda está longe de alcançar os supersalários dos três poderes com todos os penduricalhos que ultrapassam o teto constitucional.

Será necessária uma altíssima dose de resiliência e inteligência estratégica para enfrentar o período eleitoral, em que vários matizes ideológicos se enfrentarão e posteriormente se aglutinarão em dois pólos no segundo turno das eleições para Presidente da República e governadores de estados. Se o feio é perder a eleição todos farão de tudo para se manter no poder, para a ele retornar ou chegar lá pela primeira vez.

Mas fico também pensando em que nível de civilização, ética e transparência tudo acontecerá diante de uma disputa final entre dois pólos com fortes tendências à prevalência de muitos confrontos, inclusive físicos, impulsionados pela intolerância, raiva e ódio. Pelo poder e pela crença que cada lado tem, que sua ideologia é que deve hegemonizar a sociedade, dá para se imaginar como será a “guerra civil” na internet e nas suas redes sociais bem como no contato e confronto direto entre as pessoas físicas e jurídicas.

Diante de tudo que será difundido acredito que o cidadão que preza a verdade e trabalha com fatos e dados reais deve sempre questionar, primeiramente, se o que está chegando até ele não é uma notícia falsa e também a credibilidade da fonte emissora, se houver. Obviamente que muito se falará sobre uma retomada da economia brasileira mostrada através de números em situação de despioria, mas sem explicitar que esse alento se deve à comparação com os dados de uma base mais fraca resultante da recessão econômica de 2015 e 2016. A política partidária continuará contaminando o desempenho da economia e o aspecto social prosseguirá pagando o pato conforme mostram os orçamentos públicos aprovados para 2018. Mas também pudera, queda de arrecadação de tributos, aumento cada vez maior dos gastos e baixos níveis de investimentos públicos me levam a dizer que tomara que o ano passe logo com todos os enfrentamentos que virão pelo caminho na expectativa de que surjam das urnas soluções com popularidade acima de 6%.

E já que o voto é obrigatório, ou seja, um dever e não um direito, também poderemos esperar muitas abstenções, votos nulos e brancos. Na verdade é preciso levar em conta um terceiro pólo, o da anomia, o daqueles que não se sentem representados por nada que está aí.

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Um cliente de um plano de saúde suplementar programou uma cirurgia eletiva com um médico especialista super recomendado pelo profissional de clínica médica que o acompanha há quase três décadas com muita assertividade.

Se marcar a primeira consulta com o especialista pelo plano de saúde já foi muito difícil, imagine a cirurgia! Ficou agendada para 60 dias depois da última consulta, em função dos resultados de diversos exames laboratoriais e de imagens, os clássicos serviços de apoio ao diagnóstico. Ficou acertado que a cirurgia ocorreria na terça-feira, 5 de dezembro, a partir das 7h. Para isso o paciente deveria chegar impreterivelmente até as 6h para fazer a internação e iniciar o jejum às 23h do dia anterior. A última informação foi que um assistente da gerência de pré-internação do hospital, que é de alta complexidade, entraria em contato com o paciente para confirmar tudo o que foi planejado. Foi o que aconteceu.

No dia combinado as surpresas começaram às 5h45, quando o paciente chegou ao hospital e a portaria ainda estava trancada por medida de segurança. Após contato com a recepção obteve autorização para entrar 10 minutos depois. Concluída a internação, o paciente foi encaminhado junto com sua acompanhante para a sala de espera do bloco cirúrgico. Enquanto o tempo passava aumentava a expectativa e a ansiedade do paciente com o atraso para a entrada na sala de cirurgia. Eram quase 8h e nenhuma informação havia sido dada quando, finalmente, surgiu no corredor o médico especialista. Ele entrou imediatamente na sala de cirurgia sem olhar para os lados, provavelmente para não ter que justificar o atraso em sua chegada. Minutos depois surgiu a primeira comunicação do bloco informando que houve uma reprogramação dos serviços daquela manhã e que a cirurgia marcada para as 7h, a primeira do dia, foi reprogramada para ser a terceira.

A acompanhante do paciente em jejum conseguiu ser ouvida por uma funcionária do bloco e solicitou mais respeito com os horários combinados e mais comunicação imediata diante de fatos novos.

Já passava das 9h quando foi divulgada nova reprogramação de cirurgias e o paciente, exausto, ficou sabendo que sua cirurgia mudara para o segundo lugar e começaria dali a pouco. Lá pelas 11h tudo estava consumado e aí foi só esperar mais duas horas para que surgisse um apartamento para a sua hospedagem. Nesse período o especialista informou que a mudança da programação original foi devida a uma emergência envolvendo uma senhora bastante idosa, que o hospital estava passando por um dia de demanda atípica, além dos transtornos naturais advindos de uma obra que se inicia às 7h. Ele só não abordou a causa de seu atraso para chegar ao hospital.

Interessante notar que o hospital possui Acreditação Hospitalar segundo os requisitos do Organismo Nacional de Acreditação – ONA. Como se vê, ainda estamos longe da excelência na gestão e cabe ao paciente, que não é tratado como cliente, ter muita paciência, mesmo em jejum e obrigatoriamente adimplente com o plano de saúde.

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Um feliz Natal!

por Luis Borges 25 de dezembro de 2017   Música na conjuntura

A expressão “Feliz Natal” chega até nós de diversas maneiras. Muito repetida às vezes beira a exaustão, deixando uma sensação de cansaço e até mesmo de algum enfaro. Imagine as músicas natalinas tocando insistentemente num shopping center o dia todo!

Seria bom também dar um mínimo de vazão às expectativas que estão embutidas nos desejos de um “Feliz Natal” para renovar as forças que embalam os realistas esperançosos e lutadores pela transformação dessa realidade tão injusta.

Presépio da Igreja de Santa Teresa e Santa Teresinha, em Belo Horizonte. | Foto: Sérgio Verteiro.

Ainda que tudo possa parecer tão lento, mesmo assim se dermos uma paradinha e olharmos para o início deste século poderemos perceber que as mudanças não param, sejam boas ou ruins, pequeninas ou grandes. Veremos também que nada é definitivo, nem o direito adquirido quando se torna insustentável.

Portanto espero que dentro do “Feliz Natal” esteja presente a melhor maneira de prosseguir, de modo civilizado, em meio aos conflitos que são a essência da política. Que prevaleça um mínimo de espiritualidade, sensibilidade e sabedoria ao se olhar para um presépio tentando perceber a mensagem que ele pode nos trazer.

Quem sabe também outras inspirações virão ao se ouvir a musica Um feliz Natal, composta no ano 2000 por Ivan Lins e José Feliciano e cantada pelas crianças da novela Carrossel em 2012. Tomara que venham novos propósitos e reposicionamentos tão necessários nessa complexa arte de viver e de maneira simples!

Um feliz Natal
Fonte: Letras.mus.br

Um feliz natal, um feliz natal, e que Deus lhe
Guarde próspero ano e felicidade
Um feliz natal, um feliz natal, e que Deus lhe
Guarde próspero ano e felicidade

Por um natal luz de um tempo novo
Por um natal justo e amoroso
Por um natal lindo pro meu povo
É o que quer meu coração

Por um natal luz de um tempo novo
Por um natal justo e amoroso
Por um natal lindo pro meu povo
É o que quer meu coração

Um feliz natal, um feliz natal, e que Deus lhe
Guarde próspero ano e felicidade
Um feliz natal, um feliz natal, e que Deus lhe
Guarde próspero ano e felicidade

Por um natal luz de um tempo novo
Por um natal justo e amoroso
Por um natal lindo pro meu povo
É o que quer meu coração

Por um natal luz de um tempo novo
Por um natal justo e amoroso
Por um natal lindo pro meu povo
É o que quer meu coração

Um feliz natal, um feliz natal, e que Deus lhe
Guarde próspero ano e felicidade
Um feliz natal, um feliz natal, e que Deus lhe
Guarde próspero ano e felicidade.
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Ir ou não à festa da empresa?

por Luis Borges 23 de dezembro de 2017   Pensata

O final do ano é sempre marcado por uma correria louca nas organizações humanas – empresas, órgãos públicos, entidades do terceiro setor – porque é preciso fazer a confraternização anual que o Natal estimula, seja no âmbito da diretoria, gerências ou setores em função do porte da estrutura organizacional. Ao mesmo tempo continua sendo necessário produzir, faturar, receber verbas governamentais, obter doações para filantropia, fazer o planejamento estratégico para o próximo ano alinhado com o orçamento, fechar o balanço contábil… Simultaneamente ganha espaço o planejamento da festa com a definição da data, a estimativa do número de participantes, o que será servido em termos de alimentação e bebidas, se haverá troca de presentes, sorteio de brindes e, é claro, o levantamento do custo e a definição das fontes de recursos financeiros para bancar o evento.

O fato é que entra ano e sai ano e muitos são os questionamentos sobre a vontade ou a conveniência das pessoas participarem de uma festa dessa natureza. A razão para as dúvidas pode ser até bem simples. Uma pergunta bastante difundida no ambiente do trabalho de qualquer natureza questiona qual é o sentido da confraternização para um grupo, não uma equipe, de pessoas que trabalham juntas num clima bastante pesado e em que as coisas pegam a todo momento. Predominam aqueles que fazem minimamente o que pensam ser a sua parte gastando o maior tempo possível da jornada, sem se preocupar com a integração dos processos de trabalho de outros colegas e nem com a qualidade do resultado a ser alcançado. Também pudera, o chefe não é líder, sabe ter sua panelinha de favoritos, adora xingar algumas pessoas de fora da panela diante do menor deslize segundo sua ótica e fica possesso ao repassar ao grupo uma cobrança feita pelo seu superior hierárquico.

Como ainda estamos muito longe da excelência da gestão no Brasil, e aí se inclui a gestão de pessoas, não é difícil encontrar um ambiente de trabalho com as características citadas anteriormente. Muitas pessoas que estão ali até gostam do que fazem mas só permanecem lá porque a estratégia é de sobrevivência nesse momento dificílimo do mercado de trabalho.

Na prática um pequeno percentual de pessoas realmente não comparece à festa, um outro bem mais expressivo dá uma passada rápida por conveniência política visando não piorar  mais ainda o clima organizacional e até se lembrando do fundamento segundo o qual “um pouco de hipocrisia não faz mal a ninguém”. Já a turma que gravita em torno do poderoso chefinho se esmera para aparecer bem na fita cumprimentando a todos efusivamente e até fotografando, filmando ou narrando em conversas posteriores os momentos mais contundentes. Imaginemos o que pode ser dito por um colega insatisfeito com certos fatos ocorridos durante o ano e que começa a falar tudo o que estava entalado após tomar algumas doses a mais de determinadas bebidas alcoólicas que tem o poder de virar o soro da verdade.

Este tipo de questionamento passa pela sua cabeça? Ou você pensa que, após um ano de convivência, é melhor deixar essas coisas pra lá e conviver com os colegas durante algum tempo que passará rapidinho, mesmo sabendo que nada vai mudar até o dia em que você ou eles, os colegas, deixarão o trabalho para buscar outras oportunidades de sobrevivência e realização no mercado?

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Quando observamos e analisamos os acontecimentos da vida brasileira no presente momento também somos impelidos a olhar para o passado recente de nossa história para melhor compreender o seu processo gerador.

Se olhamos para trás, também devemos olhar para a frente e fazer nossas projeções sobre o que o futuro poderia vir a ser, como por exemplo, nas eleições presidenciais de outubro de 2018.

Nesse sentido apresento a seguir um trecho do artigo da historiadora Michele Viviane Godinho Corrêa sobre o Ato Institucional número 5, de 13 de dezembro de 1968, publicado pelo portal Info Escola. O artigo completo pode ser lido neste link.

Em seu preâmbulo, o AI-5 manteve a convicção de que o golpe de 1964 representou uma revolução que refletiu os anseios do povo brasileiros. Investidos do poder que emana do povo e que lhes foi delegado por este, os militares novamente colocam na conta da esquerda socialista seus atos contrários aos direitos e garantias individuais, “no combate à subversão e às ideologias contrárias às tradições de nosso povo, na luta contra a corrupção” […]. Para isso, buscaram os meios que julgavam necessários à realização da reconstrução da pátria. Além disso, o texto reforçou que o processo revolucionário seria continuado (AI-2) e, para isso, seria necessário eliminar grupos oriundos dos setores políticos e culturais, assim como “processos subversivos e de guerra revolucionária”, em alusão aos grupos de resistência armada que vinham promovendo diversas ações para desestabilizar o regime militar, tais como expropriações em bancos e sequestros.

Além da já conhecida prerrogativa de decretar o recesso do Congresso Nacional, das Assembleias Legislativas e das Câmaras de Vereadores a qualquer tempo, medida já presentes em atos institucionais anteriores, o AI-5 deixa claro que o retorno às atividades desses órgãos também dependeria de convocação do Presidente da República. Também permitiu que o Presidente da República pudesse decretar intervenção nos estados e municípios sem limitações constitucionais.

O AI-5 também reforçou a prerrogativa do Presidente da República, orientado pelo Conselho Nacional de Segurança, de suspender por dez anos os direitos políticos e cassar mandatos eletivos em todas as esferas (municipal, estadual e federal) de qualquer cidadão. A suspensão de tais direitos cessaria privilégio de foro devido à função exercida – o que atingia o deputado Márcio Moreira Alves e permitiu sua cassação – e impediria o cidadão de votar e ser votado em eleições sindicais. Proibia também manifestação de assuntos de natureza política e poderia até chegar a proibição de frequentar determinados lugares.

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Quanta chuva em tão pouco tempo!

por Luis Borges 6 de dezembro de 2017   Pensata

Tenho a sensação de que as chuvas que caíram no final de novembro e prosseguiram firmes, quase contínuas, sem muita trégua nesse início de dezembro em Belo Horizonte e região metropolitana são a repetição de um fenômeno que parecia já ser de outrora.

Domingo chuvoso em Belo Horizonte. | Foto: Marina Borges

Parece que faz tempo que não chovia como antigamente, por vários dias seguidos, pois nos últimos anos a prevalência foi das secas e dos efeitos dela decorrentes. Essa chuva mais intensa, que é bem-vinda e necessária apesar dos transtornos, das perdas humanas e materiais, me trouxe algumas reminiscências do convívio mais direto que tive com as chuvas na minha cidade natal de Araxá, onde morei até completar 16 anos de idade em 1970.

Lá eu caminhava e brincava nas águas da enxurrada que descia rente ao meio-fio das vias públicas junto com os irmãos, primos e colegas, sempre na clandestinidade perante os olhos de pais, mães e tios. Só mesmo um pé cortado num caco de vidro para revelar, em casa, que algo estava sendo feito. Como Araxá possuía – e ainda possui – um dos maiores índices pluviométricos por municípios em Minas Gerais, todo aquele aguaceiro caminhava para o córrego que passa pelo vale que liga o oeste ao leste da cidade. Naquele tempo ele saía de seu leito algumas vezes durante a estação chuvosa e basicamente passava no fundo das hortas das casas daquela região de onde víamos a enchente passar. Hoje ele está canalizado debaixo da pista de uma longa avenida asfaltada, mas nem sempre o canal aguenta o volume das águas que são obrigadas a alagar as pistas.

Lembro-me também que as ruas da cidade eram calçadas com pedras do tipo pé-de-moleque ou simplesmente feitas de terra batida, mas o asfaltamento começou a ser incrementado a partir de 1971.

Quando a chuva estiava um pouco era possível fazer pequenos represamentos das águas da enxurrada e até colocar barquinhos de papel desfilando no pequeno e pouco duradouro remanso, pois uma nova pancada de chuva poderia chegar a qualquer momento e levar tudo embora.

Finalizando as reminiscências não dá para esquecer das partidas de futebol de salão jogadas debaixo de chuva na quadra do colégio Dom Bosco.

Mas o que dizer de Belo Horizonte, com os seus 80 pontos de alagamentos identificados, das placas sinalizando as rotas de fugas desses locais, dos ribeirões e córregos que não cabem em seus leitos canalizados e muitos cheios de lixos e entulhos que a população mesmo joga por ali? De repente aparecem nos jornais e nas emissoras de rádio e TV o governador do estado e ministros do Governo Federal fazendo o clássico sobrevoo nas regiões mais atingidas da região metropolitana de Belo Horizonte. Enquanto o governador falava em solidariedade e apoio operacional da Defesa Civil, afirmava também que as verbas para remediar os transtornos causados viriam do Governo Federal, que é quem tem o dinheiro, cujos ministros atônitos eram fotografados tentando mostrar que estavam fazendo alguma coisa pelo povo e que tão logo seja reconhecido o estado de calamidade começará chegar algum dinheiro.

Se ainda estamos caminhando para o fim da primavera chuvosa, nos resta imaginar o quanto de chuva está por vir até que cheguem as águas de março para fechar o verão.

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