Vale a leitura

por Luis Borges 19 de fevereiro de 2017   Vale a leitura

De onde vem a motivação?

A palavra “motivação” nos remete aos motivos que temos para a ação. E mais, que esses motivos vem de dentro de cada um de nós, apesar de todas as variáveis que fazem parte do nosso entorno. Ainda assim e diante de todo conhecimento já consolidado sobre o tema motivação, muitos são os casos em que, por exemplo, um dirigente de uma organização quer sacudir seu grupo ou equipe de trabalho injetando motivação através de uma palestra. Isso é o que abordado por Daniela do Lago em seu artigo Em busca de otários: O dia seguinte da palestra de motivação, publicado no portal UOL. A autora chama a atenção para uma situação que ocorre com frequência:

“Não confunda motivação com animação. A confusão acontece quando as empresas contratam uma palestra motivacional (e pagam pequenas fortunas para isso) com a promessa de resolver todos os seus problemas internos relacionados às pessoas, mas o que conseguem ao final do evento são colaboradores animados e energizados saindo do auditório da empresa após uma hora de show e entretenimento. Essa animação tem curtíssima validade, custa caro e tem pouca aplicabilidade no dia a dia”.

A experiência de um neurocirurgião

O que se passa no bloco cirúrgico de um hospital envolvendo decisões e ações durante um processo cirúrgico em qualquer tecido ou órgão do corpo humano? Acertar é humano, mas os humanos também erram. Porém admitir um erro não é nada fácil e conviver com ele também deve incomodar muito. Acontece que as informações geralmente são bastante econômicas e existe um sigilo amparado pelo Código de Ética. Uma oportunidade interessante para se conhecer um pouco mais sobre esse tipo de trabalho ao longo da carreira de um cirurgião está no livro “Sem causar mal – Histórias de Vida, Morte e Neurocirurgia”, escrito pelo médico neurocirurgião britânico Dr. Henry Marsh. A obra foi comentada por Inma Gil Rosendo em artigo publicado pela BBC Brasil. Chamou minha atenção uma referência feita ao processo decisório sobre envolvendo a recomendação de uma cirurgia.

“Quase sempre, explica o médico, erros ocorrem na tomada de decisões anteriores, quando tratam de questões sobre operar ou não o paciente, ou que tipo de operação será feita e como ela vai ser executada. “Pela minha experiência, quando algo vai mal, quase sempre é porque se tomou a decisão equivocada”, avalia o médico. É durante o processo de decisão que os cirurgiões enfrentam grandes dilemas. Às vezes, têm de optar por aquilo que no jargão médico é chamado de “sacrifícios”: causar algum dano para evitar danos ainda maiores.”.

Obsessão pela imagem perfeita

Fazer uma selfie inúmeras vezes até obter aquela em que tudo parece na mais perfeita ordem, mesmo que se use todos os recursos de edição, faz parte do cotidiano de muita gente. Mas o que pode estar por trás dessa obsessão para mostrar beleza e felicidades permanentes? Confira a abordagem de Melissa Diniz em seu artigo Busca pela foto perfeita é sinal de doença e até já tem nome: selficídio.

“Além da enorme perda de tempo em função das fotos, o selficida tem baixa autoestima, dificuldades de relacionamentos e constante busca por aceitação. O mecanismo de postar fotos de si mesmo é uma espécie de autopromoção. A pessoa procura conseguir as curtidas em uma tentativa de obter o respaldo dos outros. Mas, primeiro, usa aplicativos e programas de edição para deixar a foto perfeita”.

  Comentários
 

O enredo é o mesmo de sempre. A vida está muito difícil nessa crise que não quer passar enquanto os governantes só sabem pedir sacrifícios e paciência. Para a maior parte das pessoas a estratégia é de sobrevivência no emprego público ou privado e no próprio negócio. O ponto que quero abordar aqui tem a ver com a reclamação quase generalizada de que os clientes estão escasseando, ficando mais ariscos e demorando para dar as caras, isso para não dizer que muitos sumiram definitivamente.

Independente do porte do negócio é bom que o seu gestor reflita sobre as causas dessas perdas e atue para remover aquelas que só dependem da sua atuação. Uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas mostra que 68% dos clientes abandonaram seus fornecedores por causa do mau atendimento e 14% devido à qualidade dos produtos e serviços. Esses dois itens respondem por 82% do total de “abandonos”.  Na aquisição de um bem ou serviço o cliente sempre espera que a qualidade especificada seja cumprida, que o preço seja justo e que o atendimento atenda às expectativas.

Se a principal causa da perda de clientes é o mau atendimento, o que deve ser feito para não perdê-los, ainda mais se sabemos que são muito bem informados e exigentes? Ainda valem os números, que mostram ser necessário gastar uma unidade monetária para manter um cliente, 5  para arrumar um novo cliente e 9 para reconquistar um cliente perdido. O jeito é conhecer as causas do mau atendimento que mais incomodam os clientes. Alguns motivos de desagrado são incapacidade de ouvir a necessidade do comprador, pouca atenção do vendedor, baixo conhecimento dos atendentes sobre os bens e serviços solicitados, demora na solução de problemas – inclusive no pós venda, acomodação numa zona de conforto que impede a busca de novos diferenciais para enfrentar a competição com outros fornecedores…

Fica também um alerta final: é preciso querer mudar. Não basta só constatar e continuar reclamando da sorte no regime capitalista. É preciso decisão e ação.

  Comentários
 

E o mundo não se acabou

por Luis Borges 15 de fevereiro de 2017   Música na conjuntura

Em meio à crise social cada vez mais aguda aumenta a preocupação das pessoas com a segurança individual, familiar e nos espaços coletivos. Coisas ruins vão acontecendo e repercutindo pelos diversos meios de comunicação. Aumenta também – e exponencialmente – a sensação de insegurança, quase tão danosa quanto a violência explícita. Ficamos sempre com as piores expectativas.

Começamos o ano com a enorme repercussão sobre a rebelião nos presídios do Amazonas, Roraima e Rio Grande do Norte. O temor de que as rebeliões chegariam a Minas Gerais também se incorporou ao nosso dia-a-dia. Agora já chegamos a 12 dias da greve da Polícia Militar do Espírito Santo e ainda não parece visível uma solução adequada para o conflito. A bomba também está armada no quebrado estado do Rio de Janeiro, onde os salários da Polícia Militar e demais servidores estaduais estão atrasados. No Rio Grande do Norte também cresce a mobilização diante de grande descontentamento com os governantes.

E se a coisa chegar a Minas Gerais? O que faremos e o que será de nós? O Governo do estado garante que tudo está na mais santa paz. Mas, e se vier o pior? Diante de tudo que está acontecendo muitos se sentirão no direito de ter um pré pânico só de imaginar uma situação sem policiamento nas ruas, que já não é nenhum primor. Tenho ouvido muita gente dizendo que estamos caminhando para o fim do mundo e outros dizendo que o mundo já acabou, pelo menos para eles.

Que estratégias adotar diante de uma situação como essa? Seria melhor aplicar a “Lei de Murici” ao dizer que cada um deve cuidar de si ou reclamar e denunciar os inertes governantes e poderes constituídos que, aliás, em sua imensa maioria, sabem cuidar muito bem de si próprios?

Fico imaginando também como chegaremos à Quarta-feira de Cinzas após o encerramento do Carnaval oficial de Belo Horizonte, que começou no sábado 11 de fevereiro projetando a presença de 3 milhões de pessoas nas ruas. Será que a civilização prevalecerá? Apesar do pessimismo e da preocupação com a segurança, será que perceberemos o mesmo que o compositor baiano Assis Valente narrou em 1938 em sua música E o mundo não se acabou? Sugiro a escuta da canção na voz de Carmem Miranda.

E o mundo não se acabou
Fonte: Letras.mus.br

Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar
Por causa disso a minha gente lá de casa começou a rezar
E até disseram que o sol ia nascer antes da madrugada
Por causa disso nessa noite lá no morro não se fez batucada

Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar
Por causa disso a minha gente lá de casa começou a rezar
E até disseram que o sol ia nascer antes da madrugada
Por causa disso nessa noite lá no morro não se fez batucada

Acreditei nessa conversa mole
Pensei que o mundo ia se acabar
E fui tratando de me despedir
E sem demora fui tratando de aproveitar

Beijei na boca de quem não devia
Peguei na mão de quem não conhecia
Dancei um samba em traje de maiô
E o tal do mundo não se acabou

Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar
Por causa disso a minha gente lá de casa começou a rezar
E até disseram que o sol ia nascer antes da madrugada
Por causa disso nessa noite lá no morro não se fez batucada

Chamei um gajo com quem não me dava
E perdoei a sua ingratidão
E festejando o acontecimento
Gastei com ele mais de quinhentão
Agora eu soube que o gajo anda
Dizendo coisa que não se passou
Ih, vai ter barulho e vai ter confusão
Porque o mundo não se acabou

Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar
Por causa disso a minha gente lá de casa começou a rezar
E até disseram que o sol ia nascer antes da madrugada
Por causa disso nessa noite lá no morro nem se fez batucada
  Comentários
 

A presença de Michel Temer na Presidência da República completa 9 meses hoje. A crise política persiste, ilustrada na encarniçada luta pela ocupação permanente do poder e olhar atento nos rumos da operação Lava Jato. A solução que ainda não veio para a profunda recessão econômica tem sido condicionada à realização de algumas reformas estruturais do país. Entre elas a mais falada e comentada é a da Previdência Social.

A sensação mais nítida é que a referida reforma parece ser a panaceia para boa parte dos males enfrentados pelo Estado brasileiro. A tentativa de convencer a população de que a reforma é necessária e urgente tem sido feita com foco na inviabilidade financeira do sistema atual, ao qual se atribuem sucessivos déficits anuais não muito transparentes. Alia-se ao déficit a argumentação em torno do aumento da longevidade da população e do decréscimo das taxas de natalidade.

Fazer essa discussão pressupõe que as informações e o conhecimento que se tem sobre o assunto sejam disponibilizados de maneira integral para a consulta e os estudos de qualquer pessoa ou organização humana interessadas. A partir da discussão racional – sem chantagens emocionais, com honestidade intelectual e metódica capacidade de saber ouvir e falar – teremos boas probabilidades de formular algo consistente em função das várias variáveis que contornam a previdência social pública e privada.

Mas o que se percebe até o momento não é bem isso. Quando o secretário de Previdência do Ministério da Fazenda anunciou os resultados do INSS em 2016 grande ênfase foi dada essencialmente ao déficit de R$149,7 bilhões e a seu crescimento de 74,5% em relação a 2015, quando ficou em R$85,81 bilhões. O primeiro impacto parece grande e assustador, mas atende bem aos objetivos governamentais para impor a obrigatoriedade da reforma. Mas a informação é parcial e omite diversos outros dados envolvidos no resultado. Por exemplo, se as despesas aumentaram e a arrecadação não acompanhou, de cara é preciso lembrar da quantidade de desempregados que a recessão econômica ajudou a gerar e que não contribuem para a Previdência.

Também é preciso lembrar outras receitas destinadas à Previdência e que não incidem sobre a folha de salários e contribuição patronal. É o caso do dinheiro arrecadado com a Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), que é destinado à Previdência, saúde e assistência social. Somem-se aí também os recursos previstos no Programa de Integração Social (PIS), na Contribuição Sobre o Lucro Líquido (CSLL) e nas destinações das loterias da Caixa Econômica Federal. Pesa bastante nesse déficit o não repasse de recursos do Tesouro Nacional para que o INSS possa cobrir as aposentadorias dos trabalhadores rurais (Funrural). Tal repasse, previsto pela Constituição cidadã de 1988, corresponde a R$103,4 bilhões no déficit de 2016. Finalmente vale lembrar as renúncias de receitas previdenciárias feitas em função do Simples Nacional, entidades filantrópicas, produtores rurais e microempreendedores individuais, que são estimados em R$43,40 bilhões.

Outro aspecto que precisa ser demonstrado com muita transparência é se existe ou não a incidência da Desvinculação de Receitas da União (DRU) sobre o recursos do INSS.

Como se vê é preciso abrir a caixa preta da previdência dos trabalhadores do setor privado, que não é muito diferente do setor público, inclusive servidores militares. Aqui nessa Pensata tentei desdobrar apenas uma dimensão da questão ligada ao déficit e que não resiste muito diante das evidências citadas. A discussão da Proposta de Emenda à Constituição que pretende fazer a reforma previdenciária ainda vai dar “pano pra manga” e depende também de nós, aposentados e não aposentados.

  Comentários
 

Curtas e curtinhas

por Luis Borges 10 de fevereiro de 2017   Curtas e curtinhas

Vale quanto pesa?

O orçamento do Congresso Nacional para 2017 prevê gastos da ordem de R$10 bilhões. A Câmara dos Deputados com seus 513 parlamentares gastará algo em torno de R$6 bilhões enquanto o Senado com seus 81 parlamentares vai despender em torno de R$4 bilhões. Os gastos com salários, benefícios e encargos sociais consumirão 80% do orçamento da Câmara e 85% do Senado.

Depois de um recesso de 42 dias as duas casas elegeram seus presidentes e mesas diretoras. Agora só falta eleger os membros das Comissões e tentar começar a produzir algum resultado nesse curto mês de fevereiro, pois dia 23 terá início o recesso de Carnaval. Vale lembrar que a volta do recesso se dará lá pelo dia 7 de março, em plena Quaresma, e que em 6 de abril terá início o recesso da Semana Santa. Logo após a volta em 18 de abril, haverá o feriado nacional de Tiradentes no dia 21, sexta-feira.

Se até o calendário conspira a favor do ócio e com o custo garantido pelo orçamento independente da recessão econômica, o que esperar da vontade e da produtividade dos parlamentares?

O tempo é infinito no STF

Em 1996 o então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) ratificou, por meio do Decreto 1.855/96, a adesão do Brasil à Convenção nº158 da Organização Internacional do Trabalho. Basicamente ela prevê que um trabalhador só pode ser demitido na existência de uma causa justificada relacionada à sua capacidade ou ao seu comportamento. Mas oito meses depois o então presidente cancelou essa adesão por meio de outro decreto, o 2.100/96. A Central Única dos Trabalhadores e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura entraram com uma ação no Supremo Tribunal Federal alegando a inconstitucionalidade da medida. Após 20 anos de tramitação o STF ainda não fez o julgamento da ação que, em setembro de 2016, recebeu um pedido de vistas do Ministro Dias Toffoli.

No tempo que parece infinito para o STF acumulam-se 70 mil processos esperando um julgamento final.

Agora já são 28 Ministérios

O discurso da austeridade e do equilíbrio das contas públicas sucumbiu mais uma vez diante das necessidades políticas do Presidente da República. O resultado é a criação de mais dois ministérios com todo o aparato de pessoas, equipamentos, passagens aéreas, jatinhos, infraestrutura e custeios em geral, além do preenchimento de vários cargos através do recrutamento amplo segundo critérios político-partidários da base aliada. Se a promessa inicial era ter uma estrutura com 22 ministérios, eles agora já chegam a 28. Com um pouquinho de esforço e necessidade política não me surpreenderei se brevemente passarem a existir 32 ministérios, mesmo numero do final do mandato da presidente Dilma Rousseff. Ainda existe uma enorme distância entre a intenção e o gesto, por mais que se queira mostrar que alguma coisa diferente está sendo feita.

  Comentários
 

Regras só para os outros

por Luis Borges 7 de fevereiro de 2017   Pensata

A sociedade brasileira está atravessando um momento de intensos questionamentos nas mais diversas dimensões de sua estrutura. A intensidade aumentou a partir das difusas manifestações de rua de 2013, prosseguiu com as polarizadas eleições presidenciais de 2014 e desaguou no impeachment político-jurídico da Presidente da República em 2016. Tudo isso gerou muitos pontos para a pauta dos insatisfeitos, intolerantes e portadores de ódio. Nos tribunais das redes sociais os juízes opinam sobre qualquer assunto e emitem seus julgamentos quase que instantaneamente. Valem a emoção e a fúria da hora, pouco importando se o que está sendo mostrado tem fundamento ou se a proposta apresentada é consistente.

Pessoas, grupos e diversas modalidades de organizações humanas têm todo o direito à liberdade de manifestação e expressão, mas também devem ter uma prática coerente com o que preconizam para os outros.

No nível macro, vejo pessoas questionando a corrupção e seus agentes, a falta de oportunidades para todos, o descaso com o meio ambiente ou a falta de cumprimento das leis existentes ainda que algumas sejam imorais, só para ficar em alguns poucos exemplos. No entanto, fico observando e analisando as posturas de algumas dessas mesmas pessoas no plano micro, quando elas estão inseridas no bairro em que vivem ou nos locais em que instalam seus negócios. Não raro fico sabendo de casos em que os protagonistas tão críticos de todas as mazelas do cotidiano da nossa república também não cumprem com seus deveres.

É o negócio aberto sem qualquer concessão do alvará de funcionamento emitido pela Prefeitura Municipal… é estacionar um veículo na entrada da garagem de um edifício, atrapalhando o ir e vir dos moradores… é colocar sacos de lixo na calçada no dia anterior à coleta… é realizar eventos em praças públicas sem se preocupar com licença de eventos ou com a conservação do espaço… é estacionar o carro em fila dupla na porta da escola sem se preocupar com o trânsito… os exemplos são reais e facilmente enumeráveis!

E assim a vida prossegue, os conflitos se acentuam, cada um vai cuidando de si e dando um jeitinho de se safar das regras que são para os outros. E sempre haverá um meio de falar bastante dos outros que se apropriam de coisas públicas só que em escalas maiores. Mas o fundamento não é diferente e unifica a todos que querem levar vantagem em tudo. Do micro ao macro a essência é a mesma, só varia o tamanho do que é feito.

  Comentários
 

Vale a leitura

por Luis Borges 5 de fevereiro de 2017   Vale a leitura

Fazer o que se gosta ou gostar do que se faz?

Encontrar um trabalho que atenda nossas necessidades e expectativas não é tarefa das mais fáceis, ainda mais em tempos de recessão econômica. Se sonhamos com a ideia de trabalhar naquilo que se gosta, muitas vezes acabamos tendo que gostar daquilo em que trabalhamos devido à imperiosa necessidade da sobrevivência. Esse pode ser um ponto de partida para a insatisfação e a infelicidade, sempre realimentadas pelas mais diversas causas que se fazem presentes num processo de trabalho, geralmente a começar pelo chefe. É interessante a abordagem sobre o tema feita por Lucy Kellaway no artigo Empregos melhoraram, mas por que nos sentimos tão infelizes?, publicado pela Folha de São Paulo.

“Pessoas dotadas de diplomas universitários tendem a desgostar de seus empregos mais frequentemente que as pessoas não diplomadas. E assim, já que hoje mais pessoas têm diplomas universitários, a infelicidade é maior. À medida que ascendemos pela hierarquia das necessidades de Abraham Maslow, se torna mais difícil apreciar o panorama visto de cima”.

Real x virtual

Como os adolescentes de hoje, e não só eles, estão se comportando diante do predomínio do virtual, que torna dispensável um encontro presencial entre as pessoas? Como fazer para atrair e prender a atenção de alunos adolescentes virtualizados numa sala de aula da segunda metade do ensino fundamental ou do ensino médio? Camila Apell aborda essa questão a partir da pedagogia cemiterial no artigo Vamos começar pelo fim? publicado no blog Morte Sem Tabu.

“O adolescente virtualizado é descrito pela autora como aquele que prefere interagir emocionalmente e racionalmente pela internet e acaba se distanciando cada vez mais da realidade. Uma consequência brutal desse comportamento é não conseguir perceber a morte como concreta, o corpo como finito, e também seria um dos motivos para o crescimento das taxas de suicídio e de comportamentos autolesivos entre os jovens”.

Donald Trump está causando

A maior parte dos institutos de pesquisas americanos não conseguiu detectar nas sondagens de opinião a vitória de Donald Trump na eleição presidencial dos Estados Unidos. Se o discurso de campanha de Trump assustou muita gente ao propor a construção do muro na divisa com o México, o combate à globalização, o bloqueio aos imigrantes… agora que ele já tomou posse da cadeira presidencial dá para se ver nesses 15 dias como é grande a sua vontade de implementar as proposições feitas e que o levaram à vitória. Mas como entender o que significa a vitória de Donald Trump em função da correlação de forças existente atualmente no planeta Terra? Uma explicação bastante consistente foi dada pelo Frei Leonardo Boff em seu Trump: uma nova etapa da história? publicado no blog do autor.

“Estamos, pois, diante de uma profunda crise de civilização. Diluiram-se as estrelas-guias e surgiu seu oposto dialético: a busca de segurança, de ordem, de autoridade, de normas claras e de caminhos bem definidos. Na base do conservadorismo e da direita em política, em ética e em religião se encontra este tipo de percepção das coisas. Ela está a um passo do fascismo como se verificou na Alemanha de Hitler e na Itália de Mussolini”.

  Comentários
 

Foto: Sérgio Verteiro

Ainda faltam 28 dias para o início da quaresma, que se dará na Quarta-feira de Cinzas, mas a floração das quaresmeiras do bairro de Santa Tereza já começou. Se o calor é intenso e as chuvas de verão às vezes chegam fortes e passam rápido, ou até são desviadas pelos ventos que as precedem, sempre vale a pena dar uma paradinha para olhar e usufruir da beleza das flores dessa árvore típica da Mata Atlântica. Não vale dizer que o tempo escasso nessa correria louca da vida impede que outros olhares aconteçam. Que tal tentar entender as causas fundamentais dessa falta de tempo?

Nas fotografias deste post estão dois exemplares das belas quaresmeiras que enfeitam o bairro. Que tal dar uma volta para descobrir outras?

À esquerda, quaresmeira na Rua Tenente Durval. À direita, quaresmeira na Rua Mármore.| Fotos: Sérgio Verteiro

  Comentários
 

Faltam 26 dias para o inicio oficial do Carnaval e a cada dia os preparativos e ensaios para essa grande festa popular nos mostram o quanto vale dizer que “o melhor da festa é esperar por ela”.

Apesar da recessão econômica, da redução do orçamento de gastos públicos com a festa na maioria dos municípios e cancelamentos em alguns, além da grande queda no número de patrocinadores, as expectativas são bem altas. A julgar pelas projeções feitas para a cidade de Belo Horizonte verifica-se que 363 blocos desfilarão pelas ruas, crescimento de 30% em relação a 2016, e que 2,4 milhão de pessoas participarão da festa, crescimento de 20% em relação ao ano passado.

Tendo como premissas a liberdade de expressão, a movimentação e a organização, é de se esperar que prevaleça a civilização da sociedade que é composta de carnavalescos e não carnavalescos, todos com direitos e deveres que devem ser colocados em prática no convívio social. Nesse sentido e sempre respeitando quem se mantiver recolhido, vale lembrar e ouvir Sérgio Sampaio em sua música Eu quero é botar meu bloco na rua, de 1973.

Depois que a festa acabar espero que as ruas, praças e avenidas estejam, no mínimo, em condições semelhantes às que se encontravam quando tudo se iniciou.

Eu quero é botar meu bloco na rua
Fonte: Letras.mus.br

Há quem diga que eu dormi de touca
Que eu perdi a boca, que eu fugi da briga
Que eu caí do galho e que não vi saída
Que eu morri de medo quando o pau quebrou

Há quem diga que eu não sei de nada
Que eu não sou de nada e não peço desculpas
Que eu não tenho culpa, mas que eu dei bobeira
E que Durango Kid quase me pegou

Eu quero é botar meu bloco na rua
Brincar, botar pra gemer
Eu quero é botar meu bloco na rua
Gingar, pra dar e vender

Eu, por mim, queria isso e aquilo
Um quilo mais daquilo, um grilo menos disso
É disso que eu preciso ou não é nada disso
Eu quero é todo mundo nesse carnaval

Eu quero é botar meu bloco na rua
Brincar, botar pra gemer
Eu quero é botar meu bloco na rua
Gingar, pra dar e vender.
  Comentários
 

“Deu ruim” na consulta médica

por Luis Borges 26 de janeiro de 2017   Pensata

Na era da incerteza, da informação e do conhecimento cresce o número de pessoas que se preparam para tomar decisões mais fundamentadas sobre variados temas em diversas situações. Pode ser na vida pessoal, familiar ou profissional.

Os temas ligados à saúde estão disponíveis em abundância na internet – o popular Dr. Google – e também nas emissoras de rádio e TV, nos jornais, nas conversas com outras pessoas e por aí afora. Vale lembrar que todos devem ser analisados criticamente e com a devida cautela, pois nem tudo que reluz é ouro e cada caso é um caso.

Nesse sentido é interessante observar alguns casos de consultas médicas em que o paciente/cliente e o médico acabam se confrontando. Isso nos casos em que o paciente chega com muita informação e começa a perguntar e a questionar mais. Se o médico não tem a paciência de explicar com clareza o que está correto e o que não se sustenta pelo conhecimento científico, é possível chegar até a um impasse.

Fiquei sabendo de um caso recente em que uma jovem de 24 anos foi se consultar com um alergologista de aproximadamente 70 anos. Logo no início da consulta o médico perguntou à paciente qual era o problema. Ela respondeu de imediato que tem rinite alérgica e que isso lhe causa muito desconforto. Então o médico perguntou em que ela se baseava para fazer tal afirmação sem ter feito um teste alérgico. A jovem respondeu com muita firmeza que enfrenta o problema desde a adolescência e que já fez teste alérgico numa ocasião anterior. O médico decidiu submetê-la a um novo teste alérgico e o resultado foi positivo para a imensa maioria dos alérgenos.

Mas não foi esse o único embate. Em seguida, o médico receitou um medicamento que a paciente rejeitou prontamente, alegando os efeitos colaterais advindos do seu uso numa ocasião anterior. Ela justificou sua recusa alegando que leu a bula inteira do medicamento. O médico reagiu dizendo que se a bula for seguida ele não teria coragem de receitar o medicamento e nem o paciente de usá-lo. Diante da reafirmação da paciente de que não usaria o medicamento devido aos efeitos colaterais realçados, o médico rasgou a receita, que virou um montinho de papel picadinho. Em seguida, o profissional tentou prescrever outro medicamento para trazer alívio imediato e sugeriu um tratamento com vacinas para serem usadas durante cinco anos. No primeiro ano seria uma dose por semana, no segundo uma por quinzena, no terceiro uma por mês, no quarto uma a cada 2 meses e no quinto uma a cada 4 meses. Um detalhe importante é que a vacina só é encontrada na clínica em que o médico trabalha. Insatisfeita com o encaminhamento proposto, a jovem decidiu encerrar a sua participação na consulta. No dia seguinte voltou a tentar encontrar em sua rede de amigos alguma indicação de outro alergologista de seu plano de saúde. Enquanto isso a rinite alérgica prosseguia firme e sem dar trégua.

Você já viveu alguma situação semelhante à que foi aqui descrita só com os melhores momentos?

  Comentários