E o mundo não se acabou

por Luis Borges 15 de Fevereiro de 2017   Música na conjuntura

Em meio à crise social cada vez mais aguda aumenta a preocupação das pessoas com a segurança individual, familiar e nos espaços coletivos. Coisas ruins vão acontecendo e repercutindo pelos diversos meios de comunicação. Aumenta também – e exponencialmente – a sensação de insegurança, quase tão danosa quanto a violência explícita. Ficamos sempre com as piores expectativas.

Começamos o ano com a enorme repercussão sobre a rebelião nos presídios do Amazonas, Roraima e Rio Grande do Norte. O temor de que as rebeliões chegariam a Minas Gerais também se incorporou ao nosso dia-a-dia. Agora já chegamos a 12 dias da greve da Polícia Militar do Espírito Santo e ainda não parece visível uma solução adequada para o conflito. A bomba também está armada no quebrado estado do Rio de Janeiro, onde os salários da Polícia Militar e demais servidores estaduais estão atrasados. No Rio Grande do Norte também cresce a mobilização diante de grande descontentamento com os governantes.

E se a coisa chegar a Minas Gerais? O que faremos e o que será de nós? O Governo do estado garante que tudo está na mais santa paz. Mas, e se vier o pior? Diante de tudo que está acontecendo muitos se sentirão no direito de ter um pré pânico só de imaginar uma situação sem policiamento nas ruas, que já não é nenhum primor. Tenho ouvido muita gente dizendo que estamos caminhando para o fim do mundo e outros dizendo que o mundo já acabou, pelo menos para eles.

Que estratégias adotar diante de uma situação como essa? Seria melhor aplicar a “Lei de Murici” ao dizer que cada um deve cuidar de si ou reclamar e denunciar os inertes governantes e poderes constituídos que, aliás, em sua imensa maioria, sabem cuidar muito bem de si próprios?

Fico imaginando também como chegaremos à Quarta-feira de Cinzas após o encerramento do Carnaval oficial de Belo Horizonte, que começou no sábado 11 de fevereiro projetando a presença de 3 milhões de pessoas nas ruas. Será que a civilização prevalecerá? Apesar do pessimismo e da preocupação com a segurança, será que perceberemos o mesmo que o compositor baiano Assis Valente narrou em 1938 em sua música E o mundo não se acabou? Sugiro a escuta da canção na voz de Carmem Miranda.

E o mundo não se acabou
Fonte: Letras.mus.br

Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar
Por causa disso a minha gente lá de casa começou a rezar
E até disseram que o sol ia nascer antes da madrugada
Por causa disso nessa noite lá no morro não se fez batucada

Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar
Por causa disso a minha gente lá de casa começou a rezar
E até disseram que o sol ia nascer antes da madrugada
Por causa disso nessa noite lá no morro não se fez batucada

Acreditei nessa conversa mole
Pensei que o mundo ia se acabar
E fui tratando de me despedir
E sem demora fui tratando de aproveitar

Beijei na boca de quem não devia
Peguei na mão de quem não conhecia
Dancei um samba em traje de maiô
E o tal do mundo não se acabou

Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar
Por causa disso a minha gente lá de casa começou a rezar
E até disseram que o sol ia nascer antes da madrugada
Por causa disso nessa noite lá no morro não se fez batucada

Chamei um gajo com quem não me dava
E perdoei a sua ingratidão
E festejando o acontecimento
Gastei com ele mais de quinhentão
Agora eu soube que o gajo anda
Dizendo coisa que não se passou
Ih, vai ter barulho e vai ter confusão
Porque o mundo não se acabou

Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar
Por causa disso a minha gente lá de casa começou a rezar
E até disseram que o sol ia nascer antes da madrugada
Por causa disso nessa noite lá no morro nem se fez batucada
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