Curtas e curtinhas

por Luis Borges 22 de outubro de 2025   Curtas e curtinhas

O vai e vem do horário de verão

Alguma decisão é melhor que nenhuma decisão. A fala do Ministro de Minas e Energia na semana passada, dia 14/10, finalmente indicou a decisão governamental de que o horário de verão não será necessário nesse ano, mesmo diante das recomendações do Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS.

Antes tarde do que muito tarde, principalmente para quem trabalha com planejamento e, portanto, precisa pensar antes que as coisas aconteçam.

Câmara dos deputados preocupada com a imagem

Após o fracasso da Proposta de Emenda Constitucional – PEC 3/2021 denominada PEC das Prerrogativas e apelidada de PEC da Blindagem que visava proteger os parlamentares em seus mandatos a Câmara dos Deputados busca agora melhorar a sua imagem perante a população e os eleitores.

Uma medida tomada pela direção da Câmara foi a contratação da Fundação Getúlio Vargas – FGV para ajudar a resolver o problema. O valor do contrato é de R$4,97 milhões numa contratação direta, sem licitação. O objetivo é modernizar a comunicação institucional da Casa nas redes sociais.

O contrato prevê a realização de oficinas, mentorias, elaboração de manuais e entrega de relatórios mensais, além da criação de dois laboratórios, sendo um de inteligência artificial aplicada à comunicação, para apoiar o planejamento e o monitoramento de conteúdos, e outro audiovisual, destinado à produção de vídeos e podcasts. Também inclui estratégias de resposta a crises e monitoramento de menções nas redes sociais, com o objetivo de mapear a percepção pública da Câmara e identificar os temas mais sensíveis em tempo real. Como sabemos, sapo pula é por necessidade, não por boniteza, principalmente quando faz menos de um ano para as eleições de outubro 2026.

O mercado de precatórios no Estado de São Paulo

Precatórios são dívidas de órgãos públicos junto a contribuintes que ingressaram com ação na justiça e ganharam após sentença definitiva o direito de receber os valores pleiteados. Entretanto, o pagamento desses direitos reconhecidos não é imediato, pois precisam constar do orçamento do órgão devedor e isso pode demorar vários anos e até décadas. Para quem quiser antecipar o recebimento, criou-se um mercado profissional de investidores em que as pessoas podem vender seu direito com um deságio.

O vendedor do crédito recebe imediatamente, obviamente num montante menor que o valor de face, e o comprador precisará esperar a programação de pagamento do órgão público devedor, mas ganhará com a diferença do valor após o desconto dado e a correção monetária ao longo tempo.

Uma norma editada pelo Tribunal de Justiça do Estado São Paulo – TJSP no final do ano passado passou a exigir que as operações com precatórios sejam registradas em cartórios de notas. Segundo o Colégio Notarial do Brasil – Seção São Paulo, de janeiro e agosto deste ano, foram formalizadas 3.128 operações de cessão de precatórios contra 889 durante todo o ano de 2024, crescimento de 252%. O salto nas operações em cartórios de São Paulo reflete a crescente busca de credores por confiança nas transações e previsibilidade.

O tabelião Andrey Guimarães Duarte, vice-presidente do colégio notarial, diz que a medida amplia a atratividade desse mercado, que movimenta cifras bilionárias, e marca sua consolidação. “Estamos diante de um mercado em maturação. A formalização notarial transformou os precatórios em um ativo mais transparente e acessível, beneficiando tanto quem precisa antecipar valores quanto quem busca investimentos seguros e rentáveis”.

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A propósito da Pensata postada nesse blog em 9 de setembro sobre O aumento dos preços de planos de saúde, recebi diversos comentários de leitores em tons de observações e reclamações de clientes cujos contratos são regidos pelo Código de Defesa do Consumidor. Vou abordar apenas algumas delas a seguir, as mais citadas, em função do espaço disponível.

Uma reclamação generalizada é sobre o aumento de preços bem acima da inflação oficial medida pelo IPCA do IBGE que gera perda de poder aquisitivo e força uma readequação no orçamento individual ou familiar – recomposição salarial pelo índice oficial da inflação é considerada uma grande vitória na atual conjuntura. Vale lembrar que o Boletim Focus do Banco Central está projetando em 4,8% o índice da inflação desse ano. Outro comentário muito frequente foi sobre a dificuldade para a marcação de consultas pelo plano em datas mais próximas do surgimento da necessidade do cliente. Muitos profissionais estabelecem uma cota mensal para atender aos planos e é por isso que a espera chega fácil a 90 dias. Se for particular pode até surgir uma vaga no final do mesmo dia ou então no dia seguinte. O encaixe na agenda é visto com boa vontade.

Existem muitos casos narrados de profissionais que cobram a primeira consulta e de outros em números cada vez mais crescentes, que só atendem no particular e usam o plano para solicitar exames de apoio ao diagnóstico e internação hospitalar. Aliás, os exames também sofrem os limites técnicos definidos pelos contratos além das próprias metas internas dos planos para a redução de custos. Eles querem reduzir de qualquer maneira o índice de sinistralidade, ou seja, o risco de seu cliente ficar doente, perder a saúde e aumentar a demanda pela prestação de serviços.

Outro aspecto importante, também muito abordado foi a cobrança de um complemento ao preço da tabela do plano. A justificativa é que a tabela está defasada com relação ao mercado privado.

Geralmente esse pagamento deve ser feito em espécie, dinheiro vivo – em reais, dólares ou euros, nada de pix ou cartão de crédito. Não é necessário deixar rastros. Os procedimentos mais citados foram os de obstetrícia – pré natal e acompanhamento do parto, cirurgia de próstata a laser, lentes importadas para cirurgias de catarata, acompanhamento neurológico, principalmente em idades mais avançadas e cardiologia. Por último, é preciso registrar a frieza, indiferença ou falta de educação de alguns profissionais ao se relacionar com os clientes. Nenhuma empatia e muito autoritarismo.

Como se vê, a Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS tem muito o que fazer para cumprir a sua missão de regular e fiscalizar esse segmento da economia.

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Sorria, você está sendo amparado

por Convidado 6 de outubro de 2025   Convidado

* Por Sérgio Marchetti

Não sei se vocês sabem, caros leitores (acho que não), que sou membro/consultor do Instituto Movimento pela Felicidade e Bem-Estar. A essência do nosso trabalho é cuidar do bem-estar e da felicidade dos seres humanos (programas como: cidades felizes, organizações felizes, pessoas felizes), estejam eles nas empresas ou em suas casas. E creiam, tudo com base em estudos e comprovações científicas.

Mas não é novidade dizer que doenças psicossomáticas são o mal do século.

Em 2024, no Brasil, houve um número recorde de quase meio milhão de afastamentos, com um aumento de 68% em relação ao ano anterior. Os afastamentos por transtornos de ansiedade e episódios depressivos foram os que mais cresceram em uma década, com um aumento de mais de 400% para o fator ansiedade.

Globalmente mais de 300 milhões de pessoas sofrem com depressão, mais de 260 milhões vivem transtornos de ansiedade e muitos outros milhões sofrem com os dois. O Brasil tem a maior incidência de depressão da América Latina. Entre 2022 e 2024, os afastamentos do trabalho por saúde mental aumentaram em 134%.

O mesmo relatório aponta que pessoas com condições severas de saúde mental morrem em média de 10 a 20 anos mais cedo do que a população em geral, principalmente devido a doenças físicas evitáveis.

Diante desse quadro preocupante, em maio de 2026, entrarão em vigor novas exigências legais da norma regulamentadora Nº1 (NR-1) pelo Ministério do Trabalho e Emprego que tornou a saúde mental uma responsabilidade legal das empresas. O não cumprimento acarretará pesadas multas a quaisquer organizações que não proporcionarem um ambiente saudável a seus servidores. E o que tem a ver a felicidade com doenças psicossomáticas? Talvez a falta da felicidade, sim, tenha ligação direta com tantas doenças mentais.

Não temos uma fórmula mágica para gerar felicidade, mas indicamos caminhos seguros para a obtenção de um estado de espírito mais leve, independentemente dos obstáculos e dos eventuais percalços da vida.

Enfim, estamos trabalhando (palestras, mentorias, consultorias) para proteger organizações de variados prejuízos e ajudando pessoas a se libertarem dos fantasmas que assombram suas vidas.

Sabemos que não estamos livres das adversidades, mas “o problema ocorrido na manhã de um dia não deve prevalecer até a noite, pois nos impedirá de ver o brilho das estrelas”. Então, “levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”.

Venha ser feliz conosco!

*Sérgio Marchetti é consultor organizacional, palestrante e Educador. International Certification ISOR em Holomentoring, Coaching & Advice (coaching pessoal, carreira, oratória e mentoria). Atuou como Professor de pós-graduação e MBA em instituições como Fundação Getúlio Vargas, Fundação Dom Cabral, Rehagro e Fatec Comércio, entre outras. É pós-graduado em Administração de Recursos Humanos e em Educação Tecnológica. Trinta anos de experiência em trabalhos realizados no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br

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De vez em quando aparece numa cidade uma pessoa demonstrando sinais exteriores de riqueza. Conforme o grau de ostentação, logo surgem outras pessoas questionando como foi gerado aquele milagre. O primeiro e mais direto comentário afirma que a renda da pessoa não é suficiente para o que está mostrando, e deixa no ar o benefício da dúvida. Sempre tem alguém para falar que “longe de mim dizer que isso vem de um mal feito, mas a pulga fica atrás da orelha” e o “converseiro” vai ganhando fôlego.

Esses milagres estão ficando tão impregnados na cultura brasileira que milagre passou a ser definido informalmente em alguns grupos bem-humorados como sendo “um efeito sem causas”. Por outro lado, em função da escassez, honestidade passou a ser vista como uma virtude, quando deveria ser uma obrigação.

Agora a nação brasileira prossegue, sempre sabendo de alguma novidade envolvendo personagens do mundo público e privado participando ativamente de grandes negociatas, movimentando propinas de milhões de dólares, contas bancárias no exterior e, de vez em quando, até uma delação premiada.

Tenebrosas transações sempre têm sido mostradas nas diversas mídias em ocorrências envolvendo órgãos públicos, privados e organizações criminosas ao longo do país. A Polícia Federal está sempre em evidência com suas operações fazendo buscas, apreensões e prisões preventivas e os devidos processos legais vão seguindo seus caminhos. Vale lembrar recentes escândalos, como os descontos não-autorizados dos benefícios de aposentados do INSS, fraudes no ICMS feitas por auditores da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, emissão fraudulenta de licenças ambientais por órgãos da Secretaria de Meio Ambiente do Estado de Minas Gerais, organizações criminosas crescendo sua participação em negócios legalizados…

Nesse contexto lembrei-me de um compositor e cantor do qual gosto muito e cuja obra admiro. Trata-se de Noel de Medeiros Rosa, nascido no Rio de Janeiro em 11/12/1910, onde morreu em 04 de maio de 1937 com apenas 26 anos, 4 meses e 23 dias de vida. Em sua curta e fecunda carreira artística, Noel Rosa compôs 259 músicas. Uma delas, de 1933, foi Onde está a honestidade?, feita em parceria com Francisco Alves. Hoje, 92 anos depois, ela continua super atual e vale a pena ser cantada para nos ajudar a ter força e esperança para virar a atual página da nossa história. Veja a letra da música e ouça na voz do próprio Noel.

Onde está a honestidade?
Fonte: Letras.mus.br

Você tem palacete reluzente
Tem jóias e criados à vontade
Sem ter nenhuma herança nem parente
Só anda de automóvel na cidade

E o povo já pergunta com maldade:
Onde está a honestidade?
Onde está a honestidade?

O seu dinheiro nasce de repente
E embora não se saiba se é verdade
Você acha nas ruas diariamente
Anéis, dinheiro e até felicidade

Vassoura dos salões da sociedade
Que varre o que encontrar em sua frente
Promove festivais de caridade
Em nome de qualquer defunto ausente

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Curtas e curtinhas

por Luis Borges 24 de setembro de 2025   Curtas e curtinhas

A dívida do Estado de Minas Gerais está chegando a R$200 bilhões

O Boletim Estadual da Dívida publicado mensalmente pela Secretaria de estado da Fazenda (SEF-MG) mostrou que em agosto o total da dívida chegou a R$196,16 bilhões, dos quais 87,69% – R$172 bilhões – se referem à dívida com a União. Os demais credores do Estado são o Banco do Brasil com 3,03%, Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento – Bird 3,03%, Depósitos judiciais 2,3%, Credit Suisse 1,05%, Instituto Nacional de Seguro Social – INSS 0,59%, Instituto de Previdência Social dos Militares 0,56%, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES 0,54%, Agência Francesa de Desenvolvimento – AFD 0,48%, Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID 0,30% e outros 0,28%. No período de agosto de 2019 a agosto de 2025 a dívida total de Minas Gerais cresceu 59% sendo que a dívida com a União aumentou 83%.

Agora as expectativas se voltam para a adesão ao Programa de Pleno Pagamento de Dividas dos Estados – Propag, cujas condições deverão ser melhores do que as do atual Regime de Recuperação Fiscal – RRF.

Gestão é o que todos precisam, mas nem todos sabem que precisam!

A volta do horário de verão

Após seis anos fora do ar, finalmente o Governo Federal anunciou a volta do horário de verão no período de 16 de novembro de 2025 a 15 de março de 2026. A duração de quatro meses valerá para os Estados das regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste. A decisão foi tomada em função de projeções feitas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS tendo em vista a segurança do sistema interligado e o alto custo das usinas termoelétricas.

Como sempre, a discussão recai sobre a matriz energética brasileira, que passa pelas fontes renováveis, como as eólicas e fotovoltaicas já com grande produção em determinados momentos do dia, o que acaba até por desequilibrar o sistema e aumentar o risco de apagão. Agora só resta aos que gostam e aos que não gostam do horário de verão definir as medidas que tomarão para viver ou sobreviver ao longo desses quatro meses.

Começa em 1º de outubro o 13º Festival Literário de Araxá – Fliaraxá

No período de 1º a 5 de outubro acontecerá o 13º – Fli Araxá com o tema Literatura, Encruzilhada e Memória, que contará com a presença de 50 escritores, entre os quais o araxaense Fernando Braga de Araújo, autor do clássico Araxá põe a mesa.

Participe e conheça a capital secreta do mundo, a cidade eterna de Araxá. Leia mais aqui.

A redução do tele trabalho na Microsoft

A empresa americana Microsoft anunciou na semana passada que retomará o trabalho presencial pelo menos três vezes por semana a partir do início do próximo ano, a começar por suas unidades nos Estados Unidos.

Segundo Amy Coleman, Diretora de Pessoas da empresa, “analisamos como nossas equipes trabalham melhor, e os dados são claros: quando as pessoas trabalham juntas presencialmente com mais frequência, elas prosperam — ficam mais energizadas, empoderadas e entregam resultados mais fortes.”

Enquanto empresas como Google e Meta já haviam abandonado o home office, a Microsoft ainda resistia e até defendia o modelo, que ganhou força com a pandemia de covid 19.

E você ainda defende o tele-trabalho com unhas e dentes ou já aceita uma volta ao presencial, mesmo que apenas três dias por semana?

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Comecei a frequentar o bairro de Santa Tereza, em Belo Horizonte no ano de 1978 e a morar nele a partir de 1980. Lá se vão quase 50 anos ou meio século. É claro que o bairro foi se modificando e se transformando em seus diversos aspectos ao longo desse período, mas nada tão intenso quanto nos últimos 5 anos, após a pandemia da Covid-19.

Posso usar a expressão “quem te viu e quem te vê” para comparar os tempos de hoje com os de outrora. Porém, vou abordar apenas as grandes transformações trazidas pela quantidade de bares e restaurantes em funcionamento ao longo da Rua Mármore, a principal do bairro. Vale registrar que a rua tem aproximadamente 900 metros de comprimento ao longo de sete quarteirões e possui 32 bares e restaurantes de diferentes portes em pleno funcionamento. Neles a vida está pulsando com pessoas vindas dos mais diversos lugares, e algumas até do próprio bairro.

Acontece que a Rua Mármore se tornou um grande bar a céu aberto, onde cada empreendimento usa o seu espaço próprio, como previsto, mas geralmente ocupa o passeio com mesas e cadeiras para seus clientes, o que acaba dificultando ou impedindo o ir e vir das pessoas que precisam passar pela rua. A mesma situação também se repete na pista de rolamento, na parte destinada ao estacionamento de veículos, que é demarcada por grades em seus limites. Assim, muitas vezes as pessoas acabam tendo que continuar seus caminhos passando próximo ao meio da rua, disputando o espaço com ônibus, caminhões, carros, motocicletas e bicicletas.

Reprodução: Itatiaia

O que se percebe é que vários dispositivos legais estão sendo descumpridos como o direito de ir e vir, código de posturas municipais, Lei do uso e ocupação do solo e limites definidos pela Lei do Silêncio. É importante lembrar que o Bairro de Santa Tereza tem suas especificidades por ser uma Área de Diretrizes Especiais – ADE. Também chama a atenção o fato de alguns bares estarem usando a calçada da Praça Duque de Caxias como mais um prolongamento extra de seus espaços originais.

O estacionamento de veículos de frequentadores dos bares e restaurantes acaba acontecendo em ruas transversais à Mármore onde muitos também deixam suas marcas de variados tons.

O momento exige fiscalização e controle pelos órgãos públicos, a começar pela Prefeitura e Administração Regional Leste, zeladoria atuante e até o olhar atento do Ministério Público. Campanhas educativas em prol do uso coletivo do espaço público, num padrão bom para todos, estão fazendo falta enquanto aumentam os gritos por melhores condições de vida no bairro e também na cidade.

Vamos viver com alegria e jogar o jogo conforme as regras que são para todos os envolvidos em seus diferentes níveis e papéis. Que tudo seja bom para todos, com respeito e civilização. Cultivar ruas e praças do bairro farão bem para toda a cidade, a começar pelo próprio bairro. Problemas são para serem resolvidos, mas precisam de gestão com foco, determinação e constância de propósitos. Não podemos ficar indiferentes e inertes diante dos acontecimentos que se sucedem enquanto o tempo passa.

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O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE divulgou que estimava a população brasileira em 213,4 milhões de pessoas em 1º julho desse ano. Por sua vez a Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS informa que em abril desse ano existiam 52,3 milhões de pessoas (24,5% da população) vinculadas a algum tipo de plano de saúde das diversas modalidades existentes.

Acontece que todo ano os planos tem aumento no preço das mensalidades, sendo que apenas os individuais e familiares contam com a intermediação da ANS para a definição de novos preços. Os demais planos ficam por conta da livre negociação entre as partes envolvidas, mas sabemos claramente quem é o lado mais fraco nessa correlação de forças. No período de maio de 2025 a abril de 2026, a ANS estabeleceu aumento de até 6,06% para os planos individuais e familiares – no ano passado foi de até 6,91%. Já para os planos coletivos o aumento médio do atual período está em torno de 15% – no ano passado foi de 13,8%. Também é importante lembrar que a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA do IBGE foi de 5,23% nos últimos 12 meses – agosto de 2024 a julho de 2025.

Vale lembrar que a ANS divulgou que no primeiro semestre de 2025 as operadoras médico-hospitalares de todos os portes tiveram aumento no resultado líquido. As de grande porte registraram, em números agregados, R$9,7 bilhões de lucro líquido (114% a mais que no mesmo período do ano anterior).

A sinistralidade, principal indicador que explica o desempenho operacional das operadoras médico-hospitalares, registrou no 1º semestre de 2025 o índice de 81,1% (2,7 pontos percentuais abaixo do apurado no mesmo período do ano anterior). Isso significa que aproximadamente 81,1% das receitas provenientes das mensalidades foram destinadas às despesas assistenciais. Este é o menor índice registrado para um 1º semestre desde 2018 — à exceção de 2020, quando a sinistralidade foi ainda mais baixa em razão dos efeitos da pandemia.

Diante de fatos e dados como os aqui citados fica cada vez mais necessário e importante que clientes de planos de saúde analisem o benefício e o custo de possuir um. Basta um olhar no quotidiano para se perceber como o atendimento vai ficando cada vez mais demorado diante de problemas de saúde que não podem ficar esperando por uma solução. Na prática, o que se percebe são os aumentos de preços e descumprimentos de cláusulas contratuais.

São frequentes os casos em que um cliente tenta marcar uma consulta inicial com um profissional credenciado pelo plano e vem a informação de que há vaga para um atendimento só após 60 dias. Muitas vezes ainda há um singelo aviso de que a primeira consulta é cobrada à parte, fora do plano. Muitos serviços de apoio ao diagnóstico em laboratórios de análises clínicas e de imagens também apresentam dificuldades para atendimento imediato, mas, é claro, se forem pagos no modo particular terão atendimento imediato. Acredito que muitos leitores também devem ter algum acontecimento do qual foi protagonista e em que o nível de qualidade aceitável deixou a desejar.

É importante também prestar atenção na maciça propaganda de muitos planos de saúde, cheias de bônus para atrair novos clientes, mas sempre co-participativos.

É sempre bom lembrar que segundo o artigo 196 da Constituição Brasileira “a saúde é um direito de todos e dever do Estado”.

E você, caro leitor, está satisfeito com seu plano de saúde? Ele continua cabendo em seu bolso ou já é hora de começar a olhar para o Sistema Único de Saúde – SUS? Você possui cartão SUS?

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