O carteiro

por Convidado 13 de Fevereiro de 2018   Convidado

* por Sérgio Marchetti

Li, outro dia, que em 25 de janeiro foi comemorado o Dia do Carteiro. Fiquei pensando naqueles profissionais e em sua luta diária. Lembrei-me de meu saudoso avô, Higino Marchetti, homem sério e íntegro, que na sua juventude andou pelas ladeiras de Barbacena levando cartas de um lado para outro. Também me veio à mente “O Carteiro e o Poeta”, filme lindo que retrata, na Itália, um período da vida do fabuloso Pablo Neruda.

Há mais tempo escrevi algo que não me atrevo a chamar de poema, mas nasceu de uma reflexão sobre essa profissão que é tão importante, apesar dos novos hábitos do mundo. Aí vão as palavras, caríssimos leitores, para que possam ser lidas e apreciadas, caso mereçam.

O carteiro

Que notícias me trazes?

É de prazer ou de dor?

O carteiro chegou trazendo cartas de amor!

Que contraste, que incoerência imensa

Com o mundo moderno das redes.

Pelas telas da internet o amor é virtual,

E o mensageiro, pedestre, percorre o itinerário

Ganhando um parco salário.

Sem trégua, na chuva ou no sol,

É mensageiro sem transporte, de um caminhar sem igual.

Entrega uma carta - uma notícia fatal;

Documentos importantes, um cartão de natal.

Traz alegrias... e tristezas também.

Operário circulante de um cansativo vai e vem.

- Maldito, quando dá notícia de morte,

- Bendito, quando traz a certeza do bem.

Às vezes mensageiro da sorte,

Mas qual a sorte que ele tem?

É alvo de cães de melhor destino.

- Homem-pombo-correio!

Que conhece as ruas na palma da mão.

Trabalhador sem anseio, recordista de caminhadas;

Que luta no dia-a-dia, num país mercenário,

Pelo pão que, a cada momento,

Se torna mais ordinário.

Atravessa as ruas da globalização,

E sem saber que está obsoleto, carrega a nova informação.

Circulante que leva palavras

De muitas pessoas sem palavras;

Não navega na rede,

Nem trafega num trânsito cruel.

Parece não ter sede

Nem perceber sua vida de fel.

- O carteiro chegou!

E as contas aumentaram!

Através da grade assinam a correspondência,

É o medo... os ladrões também aumentaram.

Mas andam livres e armados.

-“Tudo vai mudar”!

Dizem os otimistas, medrosos da realidade.

-“Tudo vai melhorar”!

Dizem os que possuem fé.

Mas os carteiros não mudaram;

Continuam andando a pé.

Pobres mensageiros de um mundo virtual,

Vocês são a última lembrança

De meu tempo de criança

Em minha terra natal.

* Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

  Comentários
 

O ônibus da minha infância

por Convidado 8 de Janeiro de 2018   Convidado

* por Sérgio Marchetti

Este Brasil é lindo e grande demais. Nestes últimos dias, tive a oportunidade de viajar a trabalho de norte a sul, de Porto de Trombetas a Porto Alegre, além de outras cidades.

Saí de Belo Horizonte para Brasília, depois Belém. De Belém para Porto de Trombetas, passando por Altamira e Santarém, chegando ao seio da floresta amazônica.

A viagem me causou nostalgia e despertou lembranças de minha infância. Em minhas férias de criança, o ônibus que me levava à fazenda de meu avô, além dos defeitos que dava, ia parando em lugarejos e, em cada um deles, desciam pessoas para as quais era o fim de uma viagem, mas também o começo de outras, que faziam a cavalo ou a pé, até suas casas, lá num rancho fundo, bem pra lá do fim do mundo…

Pode parecer que minha infância não tenha nada em comum com minhas últimas viagens, mas tem. Embora estivesse a bordo de um avião, a viagem foi bem parecida. Antes mesmo de entrar na última aeronave, ainda em Belém, enquanto esperava ser chamado para o embarque, acompanhei a história de uma família que foi à capital para tratar da saúde de uma menina. Ao descerem em Santarém, se despediram das várias pessoas a bordo e disseram que ainda teriam mais nove horas de barco. Novamente recordei minha infância.

Que toquem as trombetas! Que rufem os tambores! Enfim, cheguei a Porto de Trombetas. Eu estava na maior floresta do mundo e cercado de rios enormes. Muito longe de casa, mas num lugar tranquilo. Cotia, sapos, pássaros de toda espécie. Casa de hóspedes, comida simples, mas saborosa. Sucos e vitaminas de frutas que não conhecia, mas que adorei. Noite calma, sem ruídos, local onde o silêncio persevera e nos permite um sono reparador. Na outra manhã, uma turma de profissionais, no papel de alunos, me aguardaria para concluirmos um curso de pós-graduação. Fim de ano, última disciplina do curso. Lá estavam eles de frente para mim. Será que teriam interesse? – pensei comigo. Mas a maioria teve sim. Foram participativos e, conforme diria a Santa Tereza de Calcutá, “me fizeram sair de lá melhor do que quando cheguei”. Foram gentis. Dois dos alunos me mostraram toda a vila. Simpatizei-me com o lugar e com as pessoas.

Passei quatro noites na floresta. Experimentei silêncio e paz. No retorno, o avião teve um problema em Santarém e tivemos que descer à sala de embarque. Não consegui evitar. Outra vez me assaltaram as lembranças do ônibus da minha infância no caminho da fazenda de meu avô.

Todos à espera de uma providência e apresentando os roteiros que ainda teriam pela frente. O meu era Santarém-Altamira-Belém; Belém-Brasilia; Brasilia-Belo Horizonte. O representante da companhia aérea ficou apavorado quando verificou todos aqueles roteiros. Prometeu encontrar uma solução e saiu em direção à aeronave. Trinta minutos depois estava de volta e anunciou que iríamos partir. Ouviu-se a pergunta entre os viajantes: isso é bom ou é ruim?

Todos acomodados e alguns incomodados em seus lugares. O ATR-42 ronca os motores e dá partida… Momento de emoção. O avião acelerou ao máximo, levantou voo e, para o alívio dos passageiros, se firmou no ar. Havia pessoas rezando, outros trincando os dentes, apertando os lábios e sabe-se mais o quê. Mas, após cinco pousos, eu estava de volta a Belo Horizonte.

Ao chegar, o cansaço era forte, teria pouco tempo para o descanso. Depois, haveria Porto Alegre, mas aprendi que devemos pensar em uma coisa de cada vez. Ainda pude trocar algumas palavras em família, antes de encontrar com a melhor amiga do homem: a cama, e sonhar que estava voando.

* Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

  Comentários
 

O exame

por Convidado 12 de dezembro de 2017   Convidado

por Sérgio Marchetti *

Um tio meu estava adoentado em sua fazenda lá na Zona das Vertentes. Fui visitá-lo. A família me incumbiu de convencê-lo a fazer exames. Porém, a tarefa não era fácil. O velho era tinhoso, como diziam os seus.

Chegando lá…

– Boa tarde, tio Totonho.

– Deus te abençoe, meu filho – falou e esticou a mão para mim.

– Já sei que “tu não veio só me visitar” – falou o velho tio, meio que olhando de esguelha para mim. – Velho só é visitado quando está para morrer. Eu estou?

– Que eu saiba, não. Vim lhe visitar porque queria vê-lo.

– Fica velhaco rapaz, eu sei das coisas. Enquanto vocês plantavam a semente eu já tinha chupado o fruto. Deixe de desengano que não nasci ontem. Caso tenha vindo para se despedir, seja bem-vindo. Mas se for para me convencer a ir aguentar lorota de doutor, perdeu seu tempo. E lhe complemento: põe sentido numa coisa: caso eu esteja doente, o médico não irá me salvar. E, não estando doente, não preciso dele.

– Ninguém está falando de morte. Mas é importante ser prudente. Sentir dor não é bom, nem normal. O senhor está sentindo o quê?

– Nada não.

– Pode dizer para mim – insisti.

– É só um “comichão” por baixo da “carcunda”. Mas prefiro ficar com a dor a ter de andar naquela cidade grande, desmapeado, sem saber se estou vindo ou se estou indo. E com aquele povo que me “alembra” um formigueiro fugindo de tatu. A última vez que fui para aquelas bandas eu era menino. Num pus fé em voltar.

– Não precisa ir para uma cidade muito grande. A medicina está em lugares pequenos também.

– Mas “os doutor” daqui receitam é chá. Para tomar chá eu não preciso de receita.

– Eles receitam antibióticos também. Tudo isso será rápido, tio.

– Não será. O “desinfeliz” do doutor vai mandar para outro doutor. Aí o excomungado vai me pedir um desmesurado de exames, e não vai ter paz enquanto não encontrar uma bendita doença e dar cabo de mim. Eles formam para achar a doença. Por essas e outras que eu descreio da modernidade. E, enquanto isso, estou desperdiçando tempo de vida que já está encurtada demais da conta. O sô, na minha idade o desviver não dá aviso. A bruta chega e bate na porta da gente. Aí não tem fuga nem esperança que afugente a coisa ruim.

– Mas, vamos deixar de “entretantos” – disse tio Totonho. E continuou: – vamos prosear sobre outra coisa. Tu vai pernoitar aqui e, mais tarde, comer uma jantinha da hora. Antes disso, nós vamos tomar um café com bastante bolacha, broa quente e outras iguarias que sei que “tu gosta”.

– Obrigado, tio Totonho, mas, só para encerrar, sei que o senhor está assim por causa de um exame meio chato. Olha, posso lhe garantir que é rápido. É só um toque na entrada….

– Epa! Ficou doido, rapaz. Que desrespeito é esse!? – gritou.

– “Num vem cum” modernidade aqui não. Fique sabendo que aqui num tem entrada, não senhor. E não se fala mais nisso.

* Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

  Comentários
 

Lé com lé

por Convidado 5 de novembro de 2017   Convidado

por Sérgio Marchetti *

Diante do momento que estamos passando, cujas circunstâncias estão representadas pela sigla VUCA (originada do vocabulário militar americano no final dos anos 90), que representa mudanças, volatilidade (volatility), incerteza (uncertainty), complexidade (complexity) e dúvidas, ambiguidade (ambiguity), creio que seja oportuno fazer a roda parar, pois em movimento não há como refletir com profundidade sobre nosso futuro.

Com todos esses dilemas contemplados na sigla e, talvez como consequência deles, grande parte da população parece ter perdido a razão propriamente dita. As pessoas estão mergulhadas num mar bravo, lutando contras as ondas de violência, crueldade, corrupção e excesso de liberdade que, ao que parece, vão nos afogar.

O desequilíbrio abala nosso emocional e, em descontrole, nos tornamos vítimas de neuroses, vícios, manias e da Síndrome de Burnout. Perdemos o senso de adequação e, por essa razão, assistimos, por exemplo, aos debates entre pessoas que defendem a nudez como arte, e aqueles que combatem aquela tese. Mas, como tudo é relativo, as cabeças pensantes poderiam, além da noção de local, tempo, espaço e público, ter também o bom senso para avaliar que, num país cujo número de estupros e assédios sexuais é dos mais elevados do mundo, talvez fosse prudente evitar estímulos dessa natureza. Não me agridam, é só um comentário sugestivo sem aprofundar no tema e nas causas.

De qualquer maneira, se queremos surfar na onda da liberdade, deveríamos saber o que significa esta palavra. Há entendimentos e atitudes completamente distintos e, no ímpeto de ser livre, comete-se o equívoco da devassidão. Gente! Repito. Estamos no Brasil, isso mesmo, num país de milhões de pessoas que não sabem sequer escrever o próprio nome. Falta-lhes discernimento. Vejam o número de grávidas nas classes menos favorecidas que foram vítimas do padrasto, do pai, do irmão, dos tios…

Até o Nelson Rodrigues era a favor de resguardar a nudez para não tirar a fantasia que a curiosidade traz. Ele detestava o biquíni.

Do que estou falando? Deixe-me dar um exemplo, paciente leitor. Acho que devo me explicar. Estou falando de equilíbrio. Sei que nunca tivemos tanta liberdade e informação como temos hoje. Que ótimo. Mas também, nunca testemunhamos um momento com tantos problemas de comunicação. Uma mulher que vai para o escritório vestida de biquíni pode ser chamada de louca (ou de artista)? Um homem de terno entrando no mar de Ipanema também pode receber os mesmos rótulos. Mas a mulher de biquíni entrando no mar e o homem de terno indo para o escritório são coisas perfeitamente adequadas. É isso que está faltando.

Qual o problema de usar um traje “passeio completo” numa festa clássica? Tem pessoas que querem ir de bermuda. Tenham dó. Isso não é ser evoluído. É brega mesmo. É desrespeito aos anfitriões. Cada coisa no seu canto, pois no mundo do “tudo pode” o que impera é a desordem.

Não podemos confundir assédio, agressão, imposição com liberdade e arte. Só falta dizer que o bandido tem o direito de me assaltar e que não podemos tolher sua liberdade. Chega de absurdos. Devemos conter essa pandemia de insensatez que pseudo representantes da arte e do povo querem fazer parecer natural. O desequilíbrio está estampado nas atitudes e na sociedade em geral. Ninguém está satisfeito com nada, nem consigo mesmo.

Precisamos nos vacinar contra a insensatez, essa doença que maltrata a arte, descontrola a mente das pessoas, confunde desonestidade com esperteza e provoca delírios.

Vacine-se aqui.

* Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

  Comentários
 

Sabor doce da infância

por Convidado 6 de outubro de 2017   Convidado

* por Sérgio Marchetti

“É comum a gente sonhar, eu sei/Quando vem o entardecer/Pois eu também dei de sonhar/Um sonho lindo de morrer…” V.M.

No entardecer da minha vida, eu também dei de sonhar e recordar. E, para dizer a verdade, ando com um desejo inexplicável de comer doce de leite em barra, mas que tenha o mesmo sabor dos doces que minha avó fazia na fazenda. Que saudade daquele fogão a lenha bem no meio da cozinha, soltando fumaça e preparando surpresas que agradariam plenamente à gula das crianças (e dos adultos também).

Adoro doces e quitandas da roça. Um café numa mesa com toalha xadrez, canecas esmaltadas, broa quente, bolo, biscoitos guardados em latas são o que aguçam minha gula. Comidas nem tanto. Confesso que a compulsão é fruto das lembranças do tempo em que eu era apenas uma criança repleta de sonhos.

Tenho sido agraciado com algumas mesas de café que me trazem satisfação. Mas, aquele doce, ainda não o encontrei – continuo à procura. Já comprei de vários fornecedores com a promessa de que havia sido feito no fogão a lenha e com leite direto do curral. Mas, embora os ache gostosos, ainda não são o que busco.

Minha avó fazia o doce de leite num tacho de cobre e depois o despejava numa enorme bandeja de madeira – que ela não chamava de bandeja, mas é o nome que me ocorre agora. Ali, após retirar do tacho, ainda quente, ia derramando aquela pasta até preencher toda a vasilha. Aos poucos, o doce ganhava uma consistência e, já mais frio, minha avó o partia de maneira que ele ficasse em formato de losango. Depois, separava um prato grande para a sobremesa e, o restante, mandava levar para a venda de meu avô. Eles tinham como destino uma prateleira fechada por telas para serem vendidos aos fregueses de seu estabelecimento. Não duravam mais do que um dia. Eram muito bons mesmo. Mas a gente também furtava, quando ele se distraía ou se ausentava momentaneamente.

Numa visita à minha tia, na mesma região, falei sobre meu desejo e da saudade de tudo que vivemos naquele lugar. Dois dias após, fui presenteado com doces de leite cortados em losango e me emocionei. Eram muito parecidos. Comi, saboreei, adorei. Porém não era exatamente o sabor dos doces de minha avó.

Comentei com meu irmão sobre o desejo e a procura incessante de encontrar o doce leite do passado. Contei a ele que já havia comprado em várias regiões de Minas Gerais, mas, apesar de serem deliciosos, nenhum era igual ao de nossa avó.

Meu irmão me disse que não existem mais doces de leite como aqueles, que sentia muito em me informar e que, mesmo que encontrasse, jamais o reconheceria. Foi então que percebi que o gosto não está realmente no doce. Ele era um componente das fantasias e da inocência de uma criança cheia de ilusões. Tudo depende de um contexto e nada, absolutamente nada, pode ser avaliado de forma fragmentada. Na verdade, para comer aquele doce com o sabor que trago na memória, eu teria que voltar a ter dez anos de idade e passar férias numa fazenda, com uma avó tão doce quanto o doce de leite que habita minhas lembranças. Descobri, depois de tanto tempo, que aquele menino também não existe mais. E que o passado, quando bem vivido, terá sempre um sabor doce, talvez dos doces de leite de minha avó.

Estão servidos?

* Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

  Comentário
 

Que venha a empatia

por Convidado 6 de setembro de 2017   Convidado

* por Sérgio Marchetti

Socorro! O relacionamento está morrendo.

Volto alguns anos para contextualizar os fatos. Há pouco tempo os pais ensinavam aos filhos que o maior valor de um homem ou mulher era indubitavelmente a honestidade. Quando falavam da honestidade davam à palavra um sentido amplo que declinava lealdade, amizade, coleguismo, justiça, ética, verdade e até valores como fidelidade, moral e comportamento decente.

Ser ético era ser “direito”, respeitar os dogmas, as leis, a cultura, as regras sociais. Na vida pessoal ou no mundo do trabalho, além da ética, a empatia também tem feito mais falta do que se possa imaginar. O que me salta aos olhos e me causa estranheza é a incoerência das pessoas. Falam da corrupção, do desrespeito por parte dos governantes e de tantos outros bandidos de colarinho branco ou sem colarinho, mas se esquecem de olhar para si.

Especificamente no mercado de trabalho, apenas para dar um exemplo nas empresas, os departamentos que contratam mão de obra e que, em sua grande maioria, possuem profissionais formados na área humana, parecem não saber que aquelas pessoas que são submetidas a testes e entrevistas merecem e têm o direito de receber um retorno, mesmo que seja um “não”. Também na prestação de serviços – e isso eu falo por mim – temos pedidos de organizações para o envio de propostas de treinamento, consultoria, assessoria mas, costumeiramente -e em sua grande maioria – não há retorno das propostas. O que foi feito da empatia, do respeito? Algumas empresas solicitam urgência de nossa parte, porém a recíproca da atitude não é verdadeira. Citando ainda esse mercado corrompido é comum instrutores e até professores serem substituídos por outros colegas – normalmente com “QIs” (quem indica) mais elevados –  mas nem serem avisados. E, embora muitos tenham uma excelente avaliação de seus trabalhos, o que recebem como prêmio é o silêncio, a omissão. Simplesmente não são mais chamados para prestar serviço.

É lamentável que seres inteligentes, supostamente educados e evoluídos, se utilizem das tão ultrapassadas “igrejinhas” para poderem ascender socialmente ou internamente nas organizações.

Juro que desejava estar enganado, mas infelizmente falo de maneira inequívoca sobre a conduta de grande parte de instituições e de profissionais. Não sei a quem pedir socorro, mas num cenário de tanta corrupção e violência, estou pedindo que as pessoas se esforcem para exercitar ao menos a empatia, antes que seja tarde demais para voltarmos a ter respeito pelo próximo.

* Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

  Comentários
 

*por Sérgio Marchetti

Caro leitor. Ninguém melhor do que os grandes compositores para falarem por nós sobre aqueles dias em que o mundo parece estar desabando sobre nossas cabeças.  Porém, aqueles compositores também estão acabando.  Sinto falta de ouvir poesia cantada. Mas os poetas e… “(…)Românticos são poucos/Românticos são loucos desvairados/Que querem ser o outro/Que pensam que o outro é o paraíso/ Românticos são lindos /(…)” “(…) /Romântico/ É uma espécie em extinção(…)”

Sabem o que queria agora? Assistir a um show do Vander Lee. Queria ouvir seu canto, cuja essência nascia da profundidade da alma. Queria compartilhar de sua sensibilidade para ver que os rios cantam para as nuvens e que, aquelas, estando emocionadas, derramam lágrimas sobre seus leitos, os abastecem e lhes dão vida.

 “(…) Sabe o que eu queria agora, meu bem?/Sair, chegar lá fora e encontrar alguém/ Que não me dissesse nada/ Não me perguntasse nada também/ Que me oferecesse um colo ou um ombro/ Onde eu desaguasse todo desengano/ Mas a vida anda louca/As pessoas andam tristes/ Meus amigos são amigos de ninguém/Sabe o que eu mais quero agora, meu amor?/ Morar no interior do meu interior/Pra entender porque se agridem/ Se empurram pro abismo/ Se debatem, se combatem sem saber/ Meu amor/ Deixa eu chorar até cansar/ Me leve pra qualquer lugar/Aonde Deus possa me ouvir(…)”

Romântico é assim: chorão, idealista, justiceiro, bucólico, ufanista incorrigível que deseja mudar o país e o mundo.

“(…)Falar do Brasil sem ouvir o sertão/ É como estar cego em pleno clarão/ Olhar o Brasil e não ver o sertão/ É como negar o queijo com a faca na mão/ Esse gigante em movimento/ Movido a tijolo e cimento/ Precisa de arroz com feijão/ Que tenha comida na mesa/ Que agradeça sempre a grandeza/ De cada pedaço de pão/ Agradeça a Clemente/ Que leva a semente/ Em seu embornal/ Zezé e o penoso balé/ De pisar no cacau/ Maria que amanhece o dia/ Lá no milharal/ Joana que ama na cama do canavial/ João que carrega/ A esperança em seu caminhão/ Pra capital(…)”

Permitam-me caros leitores tomar um pouco mais de seu tempo para poder dizer que aquele poeta pede ao Pai que a fria luz da razão não lhe cale a poesia, em sua metáfora, ele é um domador que laça acordes e versos que vagam no ar, dispersos no tempo. Ele vê um trabalhador que dança balé enquanto pisa no cacau. E, estando nu, se veste da poesia para poder perceber que quando a noite chega, o sapo namora a lua. Ele quer ter o direito à vadiagem; pede para perder a hora, só para ter tempo de encontrar a rima e ver o mundo de dentro para fora. Pede ao Pai (como se soubesse que o Pai lhe preparava outro caminho) o direito de dizer coisas sem sentido e, quanto mais dizia, mais sentido colocava nas coisas – tamanha a profundidade de seus versos.

 “(…)Ó, Pai/ Não deixes que façam de mim/ O que da pedra Tu fizestes/ E que a fria luz da razão/ Não cale o azul da aura que me vestes / Dá-me leveza nas mãos/ Faze de mim um nobre domador/ Laçando acordes e versos/ Dispersos no tempo/ Pro templo do amor/ Que se eu tiver que ficar nu/ Hei de envolver-me em pura poesia/ E dela farei minha casa, minha asa/ Loucura de cada dia/ Dá-me o silêncio da noite/ Pra ouvir o sapo namorar a lua/ Dá-me direito ao açoite/ Ao ócio, ao cio/ À vadiagem pela rua/ Deixa-me perder a hora/ Pra ter tempo de encontrar a rima/ Ver o mundo de dentro pra fora/ E a beleza que aflora de baixo pra cima/ Ó meu Pai, dá-me o direito/ De dizer coisas sem sentido/ De não ter que ser perfeito/ Pretérito, sujeito, artigo definido/ De me apaixonar todo dia/ E ser mais jovem que meu filho/ De ir aprendendo com ele/ A magia de nunca perder o brilho/ Virar os dados do destino/ De me contradizer, de não ter meta/ Me reinventar, ser meu próprio deus/ Viver menino, morrer poeta.”

Mas o poeta, que pedia tempo para encontrar a rima, não teve tempo. Foi brilhar no céu.

“(…)Veio a manhã e eu parti/ Os astros podem contar/No dia em que me perdi/Foi que aprendi a brilhar/ Eu vi/ Virei estrela (…)”

A benção, poeta Vander Lee.

* Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

  Comentários
 

O feeling merece atenção

por Convidado 11 de julho de 2017   Convidado

* por Sérgio Marchetti

Outro dia decidi caminhar pela rua para espairecer. De repente fui atraído pelo cheiro de café. Não era igual ao da torrefação de minha antiga rua no interior, mas foi o suficiente para me fazer tomar o rumo de uma dessas cafeterias agradáveis que temos em nossa cidade.

Ao me sentar, fui logo reconhecido por um amigo de infância que não via há tempos.  Senti que o universo conspirava para que eu revivesse um pouco do passado.

– Que coincidência! Estava justamente pensando na nossa rua.

– Foi minha energia que o atraiu – disse-me.

O “papo” rendeu. Voltamos ao passado. Recordações de nossos vizinhos e dos antigos amigos afloraram em nossos corações. Ele me confessou a paixão de criança que permaneceu até sua adolescência. Era perdidamente apaixonado por uma de nossas vizinhas. Não sem razão, pois a menina era lindíssima. Meiga, com um sorriso mágico, cujos olhos sorriam também.

Meu amigo, hoje, achando tudo muito engraçado, disse que, em seu feeling, sempre desconfiou que a menina gostava do meu primo, o Pedro, e era correspondidaE que, naquela época, o fato de pensar assim o consumia. Também me confidenciou que, justamente por essa razão, nunca teve coragem para dizer a ela sobre seu interesse.

– Sabe quando você acha que uma pessoa está muito acima de você? – perguntou.

Respondi que sim e comentei: não pense que é privilégio seu. Até Julio Iglesias já sentiu isso. “Essa covardia do meu amor por ela/ Faz com que a veja igual a uma estrela/ Tão longe, tão longe que ela está/ Que eu espero nunca podê-la alcançar…”

Ele assentiu com a cabeça e com um sorriso sem graça. O que sabia, e me contou, é que nunca o namoro de Camila com Pedro aconteceu oficialmente. E que talvez fosse tudo imaginação dele. Pensou que fora um idiota, um menino que perdeu a oportunidade de namorar sua paixão por não ter tido a coragem de dizer a ela. Eu concordei e ainda confirmei que conhecia vários casos em que as mulheres não tinham nenhum interesse mas que, ao saberem que alguém gostava delas, acabavam cedendo e até se apaixonando.

Mas não foi o que ocorreu com ele. O tempo passou e Camila casou-se com outro rapaz e teve dois filhos. O que para meu amigo de certa forma foi um alívio porque constatou que entre ela e Pedro nunca tinha havido nenhum sentimento.

Porém, conforme me revelou durante nossa conversa, anos depois os dois se encontraram numa sorveteria. Camila sorriu com o mesmo sorriso lindo que o fez se apaixonar por ela. Conversaram muito. Lembraram-se de todos os moradores da rua, deram notícias de alguns amigos comuns e confessaram a saudade que sentiam daqueles tempos quase dourados.

As recordações fizeram os olhos do meu amigo lacrimejarem e as lágrimas escorrerem pela sua face. Mas prosseguiu com a narrativa do encontro. E disse que na saída, ao se despedirem, ele perguntou um pouco sem graça sobre o casamento e os filhos de Camila. Ela respondeu que o marido era muito bom e que tinham dois meninos.

– Que ótimo! E como se chamam? – perguntou o amigo, com um sorriso cheio de dentes.

– O mais velho é o Pedro. O outro tem o mesmo nome do pai.- respondeu Camila, antes de dizer-lhe adeus.

* Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

  Comentários
 

O efeito borboleta

por Convidado 6 de junho de 2017   Convidado

* por Sérgio Marchetti

Dia desses, assisti ao filme The Butterfly Effect (O Efeito Borboleta), de 2004, e, inspirado nele, estive a questionar – como diriam o lusitanos – que, se pudéssemos voltar no tempo, o que faríamos de diferente? É bom explicar que, na trama do filme, um jovem, com base em suas memórias, desenvolve a capacidade sobrenatural de fazer pequenas alterações no seu passado que determinam novos rumos no decurso de sua vida.

Pensando racionalmente, se tivéssemos o dom de voltar ao passado o mundo provavelmente já teria acabado. Seria uma eterna tentativa de refazer os “malfeitos” e, pelo que creio, não sairíamos do lugar. Na “Pátria amada” voltaríamos 500 anos para recomeçar a nossa história. “Começaríamos tudo outra vez se preciso fosse…” (cantou Gonzaguinha), mas não evitaríamos o “Efeito Borboleta”.

Mas o que significa O “Efeito Borboleta”? Trata-se do princípio que afirma que uma pequena alteração ou mudança no início de um evento, no decorrer desse processo, transforma-se em consequências desproporcionais e imprevisíveis. O que é também uma explicação simplificada do estudioso americano, Edward Lorenz, sobre o que seria a Teoria do Caos. O estudo revela, em princípio, que fatores irrelevantes podem ser responsáveis por grandes alterações num processo qualquer. Lorenz dizia que o bater de asas de uma borboleta no Brasil poderia desencadear uma sequência de eventos meteorológicos imprevisíveis que provocariam, por exemplo, um tornado nos Estados Unidos.

Deixando o experimento de lado, vamos tentar entender o caos. No último ano ouvimos e lemos, dia após dia, evidentemente sem conhecer nenhuma teoria, que a política brasileira está vivendo o caos. Então vamos entender o que é o caos para nos situarmos. Segundo o dicionário online de português, significa:

confusão geral dos elementos da matéria, antes da suposta criação do universo, do aparecimento dos seres, da realidade ou da natureza. No sentido figurado: estado de completa desordem, confusão de ideias, amontoado de coisas que se misturam, desorganização mental ou espacial.

Diante das definições acima e de outras existentes concluo que estamos além do caos. Nossa desordem extrapolou as fronteiras do absurdo. De fato, está comprovado o poder criativo do brasileiro. Infringimos os artigos mais severos do caos e criamos uma história surreal escrita com a tinta da vergonha. Nosso desgoverno compôs um episódio mais surrealista do que escritores renomados como André Breton, Murilo Mendes, Mennotti Del Pichia. Nossos governantes editaram um drama para vivermos no presente e plantaram um futuro cuja colheita pode ser uma tragédia shakespeariana. E, ainda na seara literária, assistimos a cenas quixotescas de personagens que, não tendo mais o filtro do pudor, mentem descaradamente e narram, em sua epopeia, as vitórias contra moinhos de vento e outros inimigos; todos frutos de mentes insanas.

O caos leva a uma fuga de brasileiros para outras terras. Já vivemos isso antes. Os motivos eram outros, mas a vontade de partir era a mesma. Nossos campos já não são tão lindos, nem nossos bosques têm mais flores, nosso seio tem menos amores e os filhos já fogem à luta. Que pena!

Mas enquanto o sol da liberdade, em raios fúlgidos, brilhar no céu da pátria, deve haver a esperança de que uma borboleta bata as asas em algum lugar deste planeta e que cause um tornado que destrua todas as falcatruas existentes neste Brasil.

* Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

  Comentários
 

Só rezando

por Convidado 8 de Maio de 2017   Convidado

* por Sérgio Marchetti

Peço desculpas aos leitores que me homenageiam lendo meus escritos. Sei que a nostalgia é um sentimento meio chato. Mas acordei saudosista de um tempo em que a esperança de sermos uma grande nação era algo consistente. Hoje, aquele sentimento ultrapassou as fronteiras da utopia. E, convenhamos, quando vivemos momentos tão obscuros, é natural sentir saudade de uma vida melhor que já tivemos. Estou descrente e confesso que cansado de ouvir e ler sobre a podridão de parte do nosso povo. Nossos noticiários, por obrigação de informar, aumentaram o tempo de suas programações para mencionar todos os nomes dos corruptos, mas ainda assim foi insuficiente. E o que me assusta e estarrece é que tem muita gente defendendo esses bandidos que deixaram, e ainda deixam, pessoas morrerem à mingua sem atendimento nos hospitais públicos. Escória, ladrões que desviam o dinheiro de remédios, de merenda escolar, de salários de funcionários públicos, da aposentadoria e de tantos outros recursos. Agora, entendo porque o nazismo, mesmo cometendo as maiores atrocidades contra a humanidade, ainda tem adeptos. Os malfeitores são habilidosos no condicionamento das cabeças fracas.

Num contexto como este, de total decomposição de caráter, anda longe a poesia de Olavo Bilac dizendo às crianças brasileiras para amar com fé e orgulho a terra em que nasceram. Mas sinto saudade de tantas outras coisas. De poder andar pelas ruas, sentar na praça e não ser assaltado. Das músicas de categoria elevada, que diziam algo mais do que “beijar a boca e transar no motel”. De ser livre e conviver com pessoas educadas. Onde estão? Aonde andam? Talvez nem andem. Estão reclusas em suas casas.

Parecem coisas pequenas, mas quem já viveu mais de quarenta anos sabe que poder deixar a casa aberta era uma forma de felicidade que não tinha preço. É com pesar que, igual a Nietzsche, sinto um cheiro de putrefação no ar. O homem, no auge de sua insensatez, tentou se apoderar do mundo e, nesse ataque insano, para obter dinheiro – a qualquer custo – está tentando matar a Divindade para ter os poderes de Deus.

Hoje estou triste por saber que é neste mundo que meus filhos, netos, bisnetos, tataranetos irão viver. E nele a competição por um emprego decente continuará sendo injusta, desleal e abjeta para quem não tiver o famoso “QI”. A desonestidade avança como uma enchente que destrói tudo por onde passa. Arruína lares, profissões, carreiras, sonhos e carrega em suas águas turvas as esperanças que, na maioria das vezes, é justamente de quem trabalha, mas não tem padrinho nem força para lutar contra a correnteza do poder. A improbidade progride como um câncer que, quanto mais desenvolvido, mais destruição causa em suas vítimas.

Creio que tudo que é negativo, quanto mais lembrado mais se fortalece. Perdoem-me, então, por estar sendo incoerente. Não me contive. Foi desabafo. Também, ninguém é de ferro. O balão, se encher muito, tende a explodir. Talvez seja nosso quadro atual: todos com balões cheios, mas prestes a acabar com a festa. Basta estourar o primeiro…

Mas vamos mudar o rumo da prosa. Aprendi que quando estamos desiludidos, a oração é o melhor remédio e, tanto pelo caminho da fé, quanto pelos estudos da psique, sabemos que as palavras têm força e podem nos trazer a paz e a resignação.

Falando em oração, veio à mente uma passagem de Santo Agostinho:

O estado nada mais é do que um “grande bando de ladrões”, uma máfia — só que; muito maior, mais opressiva, e mais perigosa.

Oremos!

* Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

  Comentários