Sabe-se da geografia que o período das chuvas na região Sudeste vai de outubro a março, mas com intensidade maior a partir do início do verão. Os índices pluviométricos desse janeiro, e notadamente da segunda quinzena do mês, estão mostrando um aumento significativo no volume das águas, tanto na forma de pancadões de menor duração quanto por períodos mais longos com menores quantidades formando um somatório também expressivo. Até agora os resultados de tudo isso estão expostos na tragédia vivida diretamente pelas pessoas que moram em Belo Horizonte e sua região metropolitana, bem como na Zona da Mata mineira, no sul do Espírito Santo e no Norte do Rio de Janeiro.

Não há duvidas de que água é vida e de que as chuvas são extremamente necessárias para equilibrar o ciclo. Mas diante de tudo que está acontecendo nesse período com todos os tipos de perdas, a começar pelas vidas humanas, é fácil constatar que a maioria das pessoas se volta quase que naturalmente para combater os efeitos trazidos pelo modo que as chuvas vieram e provavelmente voltarão em outros anos. Até as autoridades e os políticos partidários sobrevoam as regiões atingidas para constatar esses mesmos efeitos, notadamente em anos eleitorais.

É preciso dar grandes passos à frente para solucionar esse problema de maneira mais duradoura a partir do conhecimento das causas que estão no processo que o geraram. Também é importante lembrar que a remoção das poucas causas vitais pode ajudar a resolver uma significativa parte do problema. Diante da enorme quantidade de fatos e dados disponíveis e de muitos resultados indesejáveis que se repetem ano após ano com as diferentes políticas de governo no sistema capitalista – no estado de bem estar social ou no liberalismo econômico – é preciso repensar o modelo de desenvolvimento urbano vigente.

Se conceitualmente sistema é um conjunto de partes interligadas, a gestão das águas deve ser feita por bacias hidrográficas em toda a sua plenitude. A presença maciça das estruturas de concreto armado, o adensamento populacional, o encarceramento dos rios em canais fechados, as cirurgias plásticas feitas nas encostas de montanhas e serras, a impermeabilização do solo através de cimento e asfalto, a deseducada destinação do lixo domiciliar e outros resíduos bem como a brutal concentração de renda que empurra uma expressiva camada da população para moradias na beira de cursos d’água já dão sinais visíveis de que precisam ser repensados.

E o que dizer do aquecimento global e da mudança de clima que alguns ainda tentam negar apesar de todas as evidências científicas? Para quem gosta de alegar que os recursos não são suficientes é só lembrar que é por isso que um modelo de gestão estruturada trabalha com a priorização de necessidades que precisam ser atendidas num determinado horizonte de tempo.

Caminhemos mesmo sabedores de que gestão é o que todos precisam, mas nem todos sabem que precisam, nessa toada realista e esperançosa em meio à dor das perdas.

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Um cliente que durou 8 anos

por Luis Borges 10 de dezembro de 2019   Gestão em pauta

Os fundamentos da gestão aplicados a qualquer negócio nos ensinam que é preciso ter foco nas necessidades do cliente e saber que ele busca a qualidade intrínseca especificada para os bens e serviços, preços adequados e excelente atendimento. Dito isso, vale a pena refletir e aprender com o caso do proprietário de uma loja especializada no comércio varejistas de bens para animais e plantas, situada na zona sul de Belo Horizonte. Ele acabou de perder um cliente cuja fidelidade durou os últimos 8 anos (2011-2019) na aquisição de ração, milho, fertilizantes, adubos, herbicidas e congêneres.

As relações entre o cliente e o fornecedor começaram a se azedar no início desse ano por causa da forma de pagamento que era sempre à vista através de dinheiro vivo ou cartão de débito. Estranhamente o fornecedor passou a dizer em toda compra que a máquina de passar o cartão estava estragada e que o pagamento só poderia ser em dinheiro. Até agora, no final do ano, nada da máquina ser consertada. Pelo visto o fornecedor deixou de trabalhar com essa modalidade de pagamento para economizar na taxa cobrada pela operadora do cartão e não teve coragem de informar isso a seus clientes.

A gota d’água para a perda do então cliente fidelizado foi na última quinta feira do mês de novembro. O cliente saiu de casa apressado, sem notar que deixou para trás sua carteira contendo uma certa quantidade em dinheiro, que seria usado para a compra de 20kg de milho e 5 kg de ração no final da tarde, quando estivesse voltando pra casa. Quando entrou na loja especializada ele logo percebeu o problema. Ele explicou o ocorrido ao dono. Disse que estava que estava com o cartão de débito, e pediu um crédito de confiança – levar 5kg de milho pra pagar no dia seguinte.

Para sua surpresa, recebeu como resposta um “sinto muito, essa vou ficar te devendo”. O sangue do cliente talhou e ele respondeu de bate pronto que nunca mais retornaria à loja. Afinal, de que adiantaram os anos de fidelidade e pagamentos à vista se o fornecedor nem mesmo confiava nele? O fornecedor permaneceu impassível e o cliente saiu da loja logo em seguida. Como estava de posse do cartão de débito foi procurar outro estabelecimento onde fosse possível fazer suas compras com pagamento pelo cartão. Não demorou muito para encontrar o que procurava e pretende testar esse fornecedor até o final do ano. Se as necessidades e expectativas forem atendidas, é claro que será mantido como fornecedor em 2020.

E você, caro leitor, o que faria diante de uma situação como essa? É mais fácil manter um cliente, conquistar um novo cliente ou recuperar um cliente perdido?

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A recém promulgada reforma da Previdência Social fará com que as aposentadorias exijam mais tempo de contribuição e tenham valores menores que aqueles atualmente em vigor. Quem quiser cobrir esse buraco terá que aumentar sua poupança individual, tarefa ainda possível com certas restrições para o que sobrou da antiga classe média e praticamente impossível para as camadas de baixa renda que buscam permanentemente a sobrevivência.

Para quem estiver em condições apropriadas, diversas são as possibilidades de aplicações financeiras que poderão ajudar a formar um futuro colchão para suavizar gastos na fase idosa da vida, que tem probabilidade de ser cada vez mais duradoura. Nesse sentido chama a atenção de muita gente que já tem um imóvel para moradia própria a possibilidade de adquirir outro para ser alugado na modalidade residencial ou mesmo comercial.

O imóvel é considerado um bem de raiz, que valoriza aos saltos segundo os especialistas do setor. Entretanto é preciso olhá-lo no espectro de um determinado espaço de tempo para a maturação do investimento, com a devida paciência diante da ansiedade por resultados muito rápidos.

Imaginemos a quantas anda a situação de quem optou por essa modalidade na cidade de Belo Horizonte, tem seu imóvel alugado por meio de uma imobiliária e conta com o dinheiro do aluguel na primeira quinzena do mês. Segundo pesquisa informal feita com três imobiliárias de porte médio – até 500 imóveis – cerca de 80% dos inquilinos estão pagando pontualmente, 15% atrasando até 30 dias e os restantes 5% passam dos 30 dias de atraso e podem até chegar ao despejo.

Geralmente os proprietários recebem o valor dos aluguéis dois dias após as imobiliárias receberem de seus inquilinos. Segundo essas mesmas fontes atualmente demora pelo menos 60 dias, em média, para se alugar um imóvel residencial e em torno de seis meses para o caso de salas e lojas.

Outro fato importante é que a maioria dos inquilinos estão pedindo para não haver reajuste do valor dos aluguéis desses imóveis nessa conjuntura de alto desemprego e perda de poder aquisitivo, ainda que a taxa básica de juros esteja baixa e a inflação oficial também. Isto não significa que a economia esteja necessariamente bem, pois é visível e demorada a retomada do crescimento econômico. Também é importante lembrar que, sobre o valor do aluguel ,incide imposto de renda de 15%, taxa de administração da imobiliária de 10% e taxa variável de fundo de reserva para o caso de condomínios residenciais e comerciais. Além disso, as manutenções estruturais cabem aos proprietários, bem como os tributos e taxas condominiais quando estão desocupados.

Mas como dizem os especialistas, o imóvel é um bem de raiz e cada um é livre para fazer a sua própria escolha em relação ao destino que dará ao dinheiro poupado, de preferência munido de muitas informações para ancorar sua decisão. Afinal de contas os fatos não deixam de existir só porque são ignorados.

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Partindo da premissa de que a gestão pela liderança, e não pelo comando, é o que todos precisam, mas nem todos sabem que precisam, reitero a minha crença na necessidade da educação continuada nessa área do conhecimento. Esse tema precisa ser aprendido, praticado e melhorado continuamente. É importante lembrar e relembrar sempre que é dos fundamentos científicos da gestão que vem os conceitos que sustentam e suportam os sistemas presentes em nossas vidas.

Aqui no ponto que estou abordando sobre a solução de problemas crônicos ou não é importante relembrar alguns conceitos da forma mais simples possível. Nesse sentido sistema é um conjunto de partes interligadas oriundas de diversos processos que são definidos como um conjunto de causas que provocam um ou mais efeitos. Quando esses processos não levam a um resultado esperado nos deparamos com um problema, ou seja, com um resultado indesejável de um processo. Mas como resolver um problema? A primeira condição é admitir que o problema existe e isso já é metade da solução. Esse é o maior desafio para os seres humanos, inclusive para muitos deles que até conhecem ou conheceram um modelo de gestão, mas não o colocam em prática. Imagine o que resulta da ação de quem não conhece um modelo de gestão e age tal qual um déspota não esclarecido. Num caso ou no outro é comum perceber pessoas que ignoram o problema, depois o negam ou simplesmente dão desculpas e buscam culpados pela sua existência. Tudo isso também é permeado pelo achismo na base do eu acho isso, eu acho aquilo, na contramão do método científico. O caminho mais curto é questionar os fatos e dados e errar continuamente na tomada de decisões no impulso encorajado pelo achismo. Tudo se complica ainda mais quando se busca sustentar uma afirmação nascida do achismo com atitudes abrasivas, provocativas e desprovidas de inteligência estratégica. Isso vale para os setores público e privado e também em nossa vida pessoal ou familiar, cada qual com suas respectivas dimensões e especificidades.

Dois exemplos simples e recentes nos mostram e ilustram o que estou dizendo. As reivindicações dos caminhoneiros em maio de 2018 foram inicialmente ignoradas pelo Governo Federal da época, que só acordou quando o país estava paralisado. Agora o desmatamento e as queimadas subsequentes na floresta Amazônica, cujas ocorrências estão registradas em séries históricas de dados, foram alvo de negações e contestações de membros do Governo Federal na atual estação do inverno. Negar as evidências advindas dos fatos e dados e posteriormente buscar culpados pelos acontecimentos fizeram parte do processo até a admissão da existência do problema diante da repercussão internacional que o desmatamento e as chamas geraram. Como se vê não podemos abrir mão de métodos para a análise e solução de problemas e nem revogar a lei da gravidade num achismo monocrático. Não podemos nos esquecer de que não existe substituto para o conhecimento.

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O papel do assessor

por Luis Borges 15 de junho de 2019   Gestão em pauta

O ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, 8 anos de mandato advindos de duas eleições, fez conferência em São Paulo no dia 30 de maio. Entre os diversos temas abordados, quero destacar aqui como ele concebe o papel da função assessoria nas organizações humanas. Segundo ele:

“Minhas melhores decisões eram quando tinha gente discordando de mim. Para ser um bom líder, você não precisa saber todas as respostas. Basta fazer as perguntas certas. Ter pessoas melhores que você no time. Servir e empoderar os outros”.

Aqui no Brasil que imagens temos de boa parte das pessoas que ocupam essas funções trabalhando com temas amplos e abertos, temáticos ou específicos? Uma imagem bem difundida é a de que o assessor é bem remunerado, tem privilégios, fala muito, é cheio de ideias nem sempre factíveis, mas apresenta poucas coisas estruturadas, consistentes. Isso acabou reforçando muito a ideia de baixa produtividade, que levou muitos deles a serem designados nos ambientes das organizações pelas alcunhas de “aspone” e “asmene” que só querem comer, beber e dormir, se dar bem. Isso se agrava quando o assessor é alguém que já ocupou altos cargos da direção das organizações humanas, às vezes foi ministro ou secretário no poder executivo, parlamentar, diretor de empresa estatal… É claro que casos como esses também são muito encontrados no mundo privado, talvez só em escala menor ou porque a transparência não é obrigatória. Percebo atualmente como choram, reclamam e se vitimizam algumas pessoas que trabalham na função “assessoria”, clamando por mais espaço, aceitação de suas contribuições, reconhecimento e provavelmente sonhando em voltar a ocupar cargos em que serão tomadores de decisão.

Uma das causas geradoras dessa situação é o esquecimento ou desconhecimento do que seja o papel da função assessoria e do assessor. O Dicionário Online de Português define que “assessoria” é:

grupo de indivíduos especializados, instituição, empresa ou departamento que assessora, que presta auxílio a pessoas físicas ou jurídicas. Órgão ou grupo de pessoas responsáveis por assessorar, por oferecer um serviço especializado a um chefe. Empresa, instituição ou entidade especializada que pesquisa e fornece dados ou informações sobre um assunto determinado.

Por outro lado “assessor” é:

Aquele que auxilia, exercendo atividades e/ou cargos com o intuito de ajudar alguém em suas tarefas ou funções, ou substituindo esta pessoa quando ela estiver impedida de exercer seu ofício. Aquele que, sendo especialista em determinado assunto, ajuda uma pessoa, baseando-se na área de seu conhecimento.

Portanto fica claro que o assessor contribui com o seu trabalho para a tomada de decisão de quem conta com os seus serviços. Obviamente que tudo deve ser feito com método, consistência, proposições claras, sem contudo querer só falar em propostas e coisas agradáveis aos ouvidos do tomador de decisões.

Infelizmente não há espaço para o “puxa-saquismo” e para o temor do confronto entre abordagens consistentes que ajudarão na formulação de soluções criativas para os problemas que surgem na gestão de qualquer negócio. Tenho a certeza de que hoje ainda estamos longe da excelência nesta questão, mas deve-se lutar sempre pela melhoria contínua da compreensão dos papéis exercidos pelos participantes desses processos.

Encerrando, quero te, perguntar, caro leitor sobre como tem sido a sua experiência ao trabalhar com a função assessoria, tanto no papel de cliente como no de fornecedor. Aguardo suas contribuições nos comentários do blog.

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Partindo da premissa de que os indivíduos, famílias, governantes e empresas têm metas para serem atingidas até o final deste ano já é hora de avaliar se a linha da meta caminha na direção do resultado esperado. Passados os tão emblemáticos primeiros cem dias do ano já é possível – e necessário – verificar as coisas que estão indo no rumo certo e as que precisam ter a rota corrigida. A proatividade deve ser permanente, pois o tempo não volta atrás.

Observando e analisando a conjuntura desse período e os cenários que se desenham extremamente mutantes em meio às tantas variáveis ganha relevância a avaliação do desempenho, que pode ensejar o reposicionamento estratégico durante o curso do processo. É importante, inclusive, avaliar se as metas são desafiadoras e difíceis de ser atingidas, mas não impossíveis ou mesmo malucas, inatingíveis e fora da realidade.

Não dá para deixar de lado o conhecimento gerencial a nos ensinar que “gerenciar é resolver problemas” e não negá-los ou ignorá-los. Gerenciar é atingir metas usando métodos e técnicas dentro de um sistema de gestão – e em todos os momentos, inclusive após cem dias de andamento de um processo qualquer. Aqui é importante lembrar sempre que sistema é um conjunto de partes interligadas, composto por centenas de processos, ou seja, um conjunto de causas que provoca um ou mais efeitos ou resultados. Um problema é um resultado indesejável de um processo, cuja causa deve ser removida. Mas, para isso, essa causa precisa ser percebida. Por isso, é fundamental fazer a avaliação periódica do plano de ação traçado para alcançar a meta. No caso de uma meta anual, inclusive para governantes e legisladores do país em início de mandato, fica claro que não dá para esperar o fim do ano e só então constatar que “deu ruim” o tão almejado sucesso.

Sugiro que a avaliação do andamento do plano de ação para atingir uma meta cumpra algumas etapas sequenciais bastante simples e objetivas, conforme o roteiro a seguir. Sempre com base em fatos e dados, sem “achismos”.

  • O que foi planejado;
  • O que foi executado;
  • Resultados qualitativos e quantitativos alcançados até o momento;
  • Pendências – análise das causas das pendências e suas consequências para o andamento do processo que levará ao resultado esperado;
  • Próximos passos, com a atualização dos planos de ação para atingir a meta estabelecida.

O desafio fica por conta da disciplina, constância de propósitos, foco, determinação e persistência para colocar em prática um modelo de gestão. Depende de cada um de nós e começa com a gente.

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Já estamos no oitavo dia do mandato do Presidente da República e dos governadores dos estados e do Distrito Federal eleitos em outubro do ano passado. Ficaram para trás as campanhas eleitorais no verdadeiro “vale tudo” pelo poder. Também já ficou para trás o período de transição entre mandatos. Mesmo que muitos ainda continuem no palanque eleitoral, esquecidos de que o jogo já começou enquanto muitos são os problemas crônicos que precisam ser resolvidos, é grande a expectativa pelo atingimento dos resultados esperados. Mas o tempo é finito e não existe espaço para desculpas, pois quem herda os cargos também herda os encargos.

Nesse sentido é fundamental que os eleitos trabalhem com um método de gestão pela liderança e não pelo comando, lastreado apenas em hierarquia e disciplina. Partindo da premissa de que gerenciar é resolver problemas, atingir metas e entregar resultados positivos torna-se essencial pensar sobre o método, o caminho, o passo-a-passo, a sequência que será usada para se solucionar os problemas – que são muitos. E se são muitos, quais devem ser os critérios para definir as prioridades para começar a busca de soluções levando-se em conta a gravidade, a urgência e os recursos finitos disponíveis?

Um método para a análise e solução de problemas deve partir da premissa de que o trabalho deve ser feito fundamentado em fatos e dados. É preciso lembrar que não existe substituto para o conhecimento e que a constância de propósitos é determinante. Nada de bravatas e desejos insustentáveis perante a realidade objetiva.

O primeiro passo do método de solução de problemas é a identificação do problema a partir dos fatos e dados que demonstram a sua efetiva existência. A identificação clara de um problema pode ser considerada como sendo até a metade de sua solução.

O método deve prosseguir com a fase de observação do que gera esse fenômeno (o problema). É o momento de levantar as mais diversas informações advindas dos fatos e dados, abordados sob diversos ângulos. Na sequência chega-se à fase de análise, que é determinante para a definição das causas que geram o problema, inclusive a causa fundamental.

Só após essas três fases – identificação do problema, observação e análise – é que se torna possível a elaboração de um plano de ação contendo as condições estratégicas, necessárias e suficientes para atingir a meta estabelecida para a solução do problema. A meta estabelecida deve ser sempre desafiadora e nunca maluca, inatingível.

Na sequência vem o momento da implementação das medidas propostas, da verificação da sua efetividade para atingir os resultados esperados e para padronização da solução proposta.

Quando os novos governantes completarem 100 dias em seus mandatos teremos uma boa oportunidade para avaliar os resultados alcançados. Espero que não seja “na bistunta”, pelo mero acaso, mas sim pelo uso do método que a boa gestão exige. Uma boa medida desse nível de resultados poderá vir de uma pesquisa de satisfação da população feita de maneira adequada por instituições de notória credibilidade.

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Sabe daquele momento em que as instalações hidráulico-sanitárias da sua residência ficam entupidas ou com vazamentos ocultos? E quando a máquina de lavar roupas ou louças, a televisão ou o computador se estragam um após o outro e em pouco tempo? Se cair um raio já imaginou o possível estrago coletivo na queimada geral? Com ou sem seguro só nos resta providenciar o conserto, mas também pensando no benefício e custo de tudo isso bem como se cabe no bolso e de qual forma.

Digamos que a opção foi por consertar o que se estragou. Mas quem fará o conserto? Uma empresa de assistência técnica instalada no mercado ou um profissional que trabalha por conta e risco próprio, com preços mais acessíveis? Aliás, também estão à disposição o trabalhador informal e os que fazem um “bico” para complementar a renda. Essas modalidades estão crescendo continuamente como mostra a PNAD Contínua do IBGE, divulgada em 28 de setembro, que registra 12,7 milhões de desempregados, 23,3 milhões de trabalhadores por conta própria e 11,2 milhões de trabalhadores informais.

Mesmo reconhecendo que essas pessoas, com diferentes níveis de capacidade técnica, estão buscando a sua própria sobrevivência em função do nicho de mercado que é a prestação de serviços residenciais diversificados é importante lembrar que quem as contrata tem expectativas. O que se espera é a solução do problema com um adequado nível técnico de qualidade, preço justo compatível com a capacidade de pagamento e atendimento conforme o que foi combinado em termos de duração dos serviços, dias e horários para sua realização.

Avaliando realisticamente todo esse processo de contratação de serviços é possível verificar que existem muitas oportunidades para melhorias, principalmente para os fornecedores dos serviços e também para quem contrata. Tudo deveria começar com a especificação detalhada do serviço a ser prestado, o que raramente acontece, o resultado esperado e todas as condições definidas num contrato assinado pelas partes envolvidas, embora a prática atual mais usual seja a de combinar tudo verbalmente. Dá até para imaginar o que acontece quando surge uma dúvida ou mesmo um impasse relativo às condições para a execução do trabalho, fornecimento de insumos/materiais, acompanhamento dos serviços, mesmo de pequena duração e o tempo de garantia da qualidade do serviço prestado.

Tenho percebido, por experiência própria e de outras pessoas que contratam essa modalidade de serviços, que o índice de satisfação com os resultados tem deixado a desejar em muitos casos. Frequentemente os relatos qualitativos mostram que nem sempre os serviços começam e terminam nos dias combinados, que às vezes faltou comprar algum material por esquecimento, que o profissional contratado conversava muito ao telefone e também recebia muitas mensagens, que deixava o local sujo e que no primeiro teste o serviço feito não funcionou plenamente. É só retrabalho e mais tempo gasto.

Por outro lado é importante lembrar falhas do contratante que às vezes diminui unilateralmente a quantidade de serviços contratados e exige automaticamente uma redução no preço combinado, outras vezes acrescenta mais serviços sem falar em acréscimo de preços e não raro se desentende com o prestador de serviços por causa de pequenos detalhes não explicitados ou mesmo formas mais toscas de se expressar.

Como não tenho a pretensão de esgotar o assunto aqui, sugiro a você caro leitor uma pequena reflexão sobre as experiências que você já viveu ao contratar a prestação de serviços para a sua casa, principalmente enxergando o que pode ser melhorado na parte que cabe a cada um dos envolvidos neste processo.

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Estamos na época de divulgação do balanço contábil de empresas, União Federal, estados e municípios. É também época das pessoas físicas se acertarem com a Receita Federal por meio da declaração anual do imposto de renda.

No caso específico do poder público é importante lembrar que tudo o que se movimentou durante o ano de 2017 foi precedido pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e pela Lei Orçamentária Anual (LOA). Esta prevê as receitas e despesas do ano seguinte e deve ser aprovada pelo Poder Legislativo correspondente até o final de cada ano, conforme determina a Constituição Brasileira.

Entretanto o orçamento ainda não é tratado com a importância que tem na gestão e, em boa parte dos casos, acaba sendo apenas uma mera peça orçamentária para cumprir uma Lei, mesmo diante de todas as exigências contidas na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). O ideal, que segue longe do real, seria a elaboração de um orçamento com receitas, gastos e investimentos alinhado com o planejamento estratégico. Ele deve resultar de um processo participativo de discussão e formulação segundo um determinado modelo de gestão estruturado que funcione de maneira dinâmica e orientada para resultados. Essa prática contínua de planejar, priorizar, orçar, implementar, avaliar, corrigir, melhorar, inovar e se reposicionar exige muito querer, disciplina para aplicar o método de gestão, constância de propósitos com foco, determinação, liderança e cooperação entre os participantes do processo. O desafio é cada vez mais reduzir a distância entre o que é orçado no planejamento e o que é realizado na gestão operacional.

Um bom exemplo dessa distância pode ser encontrado no balanço do ano de 2017 da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, divulgado em fevereiro. A LOA previa receitas de R$11,6 bilhões, mas a PBH conseguiu realizar apenas R$9,7 bilhões, o que significa uma distância de 16,32% da meta estabelecida. Já as despesas pagas chegaram a R$9,1 bilhões enquanto as despesas liquidadas (assumidas) foram de R$10,4 bilhões. O déficit é inegável e sobrou para os restos a pagar em 2018. Quais seriam as causas principais desse resultado não alcançado? Uma delas pode estar ligada às premissas utilizadas na projeção da inflação, no crescimento – ou não – do PIB, na expectativa de receitas de capital, nos repasses do Governo Federal, por exemplo. Outra causa pode estar no conforto concedido pela Câmara Municipal ao poder executivo, autorizando um corte de até 30% nos gastos previstos caso as receitas esperadas não se confirmassem, sem necessitar de aprovação do Poder Legislativo. Esse mesmo percentual já foi de 10% e não faz muito tempo. O balanço mostra que R$600 milhões deixaram de ser gastos na saúde, R$250 milhões não foram para a educação e que apenas R$350 milhões foram investidos em empreendimentos (projetos e obras) diante de um orçamento de R$1,15 bilhão. Foi só cortar.

A análise do balanço também mostra que a PBH gastou R$4,5 bilhões para pagar os servidores municipais, R$500 milhões para o pagamento de juros e amortização da dívida e que aproximadamente R$450 milhões tiveram que ser destinados à cobertura do déficit da previdência municipal com servidores aposentados e pensionistas.

Como se vê ainda estamos muito longe da excelência. É preciso, inclusive, aprender a ler um balanço contábil, a analisar com mais responsabilidade a conjuntura e projetar cenários com alguns graus de realismo. A mesma PBH, cujo balanço foi aqui usado como exemplo didático, projeta em seu orçamento de 2018 uma receita de R$12,5 bilhões perante os R$9,7 bilhões registrados em 2017, ou seja, um crescimento de 22,4% num ano em que se projeta um crescimento do PIB na faixa de 3% a 3,5%. Será que teremos a repetição de uma nova peça orçamentária de ficção só para cumprir a Lei, que exige que se faça um orçamento?

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É muito comum encontrarmos pessoas reclamando da falta de tempo ou justificando que deixaram de fazer algo também devido à mesma falta de tempo. Imagine quantas horas são gastas ou perdidas pelas pessoas em reuniões durante um dia, uma semana ou um mês.

Sempre que usamos a expressão “falta de” para tentar explicar ou justificar algo deveríamos saber com clareza que a “falta de” não é um problema, mas sim uma de suas causas. Conceitualmente, problema é o resultado indesejável de um processo e identificá-lo pode ser até metade da sua solução. Aí basta atuar nas suas causas, a começar pelas prioritárias, tomando as medidas necessárias para solucioná-lo.

Um bom exemplo de problema é o alto índice de reuniões improdutivas que acontecem no local de trabalho, com a participação de muitos convocados e outros convidados. Quanto maior o porte da organização humana – notadamente as empresas e órgãos governamentais – maior é o “pudim de reuniões”. Em reuniões improdutivas é muito comum que elas cheguem ao final tendo como resultado mais visível apenas a marcação da data do próximo encontro.

Para resolver o problema das reuniões improdutivas podemos começar por nos perguntar sobre a real necessidade de fazer o encontro. De repente podem existir outros meios e formas até mais rápidas para discutir os assuntos e tomar decisões.

Caso se conclua que a reunião é realmente necessária, então será preciso definir a pauta, os temas que serão abordados com respectivo tempo de duração, os participantes fixos, os convidados temáticos que só participam do momento da sua especialidade e a definição do coordenador da reunião, que terá a obrigação de ser bastante objetivo e focado na obtenção dos resultados esperados. Nesse sentido é fundamental que todos os participantes recebam uma convocação prévia para a reunião e que estejam preparados, com um conhecimento que lhes permita discutir e decidir sobre a pauta conforme suas atribuições.

É claro que o coordenador da reunião deve ter experiência suficiente para identificar rapidamente os estilos dos participantes – os apáticos, os que pensam que sabem tudo, os que abrem discussões paralelas, os que ficam de olho no celular, os navegantes de redes sociais e os que tentam conduzir a reunião no lugar do seu coordenador.

Outra premissa importante para que a reunião seja produtiva é o combate ao “achismo”. Os participantes devem falar e se posicionar em cima de fatos e dados, pois estamos na era do conhecimento. Tudo isso deve acontecer rigorosamente entre a hora marcada para o início e o término da reunião, cabendo ao coordenador não fazer concessões aos participantes que não são pontuais pois, no mínimo, isso pune aqueles que cumprem os horários combinados, inclusive os convidados temáticos. É importante também registrar em ata, com clareza e objetividade, as decisões tomadas e os próximos passos, se houver.

Não sei se o que abordei aqui reflete situações que você, caro leitor, tem vivido em seu local de trabalho, mas mesmo assim vale a pena refletir sobre esse problema crescente em nosso meio.

Numa outra oportunidade tentarei apresentar minhas observações sobre reuniões em condomínios residenciais e comerciais, bem como em sindicatos, partidos políticos e escolas.

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