Quando observamos e analisamos os acontecimentos da vida brasileira no presente momento também somos impelidos a olhar para o passado recente de nossa história para melhor compreender o seu processo gerador.

Se olhamos para trás, também devemos olhar para a frente e fazer nossas projeções sobre o que o futuro poderia vir a ser, como por exemplo, nas eleições presidenciais de outubro de 2018.

Nesse sentido apresento a seguir um trecho do artigo da historiadora Michele Viviane Godinho Corrêa sobre o Ato Institucional número 5, de 13 de dezembro de 1968, publicado pelo portal Info Escola. O artigo completo pode ser lido neste link.

Em seu preâmbulo, o AI-5 manteve a convicção de que o golpe de 1964 representou uma revolução que refletiu os anseios do povo brasileiros. Investidos do poder que emana do povo e que lhes foi delegado por este, os militares novamente colocam na conta da esquerda socialista seus atos contrários aos direitos e garantias individuais, “no combate à subversão e às ideologias contrárias às tradições de nosso povo, na luta contra a corrupção” […]. Para isso, buscaram os meios que julgavam necessários à realização da reconstrução da pátria. Além disso, o texto reforçou que o processo revolucionário seria continuado (AI-2) e, para isso, seria necessário eliminar grupos oriundos dos setores políticos e culturais, assim como “processos subversivos e de guerra revolucionária”, em alusão aos grupos de resistência armada que vinham promovendo diversas ações para desestabilizar o regime militar, tais como expropriações em bancos e sequestros.

Além da já conhecida prerrogativa de decretar o recesso do Congresso Nacional, das Assembleias Legislativas e das Câmaras de Vereadores a qualquer tempo, medida já presentes em atos institucionais anteriores, o AI-5 deixa claro que o retorno às atividades desses órgãos também dependeria de convocação do Presidente da República. Também permitiu que o Presidente da República pudesse decretar intervenção nos estados e municípios sem limitações constitucionais.

O AI-5 também reforçou a prerrogativa do Presidente da República, orientado pelo Conselho Nacional de Segurança, de suspender por dez anos os direitos políticos e cassar mandatos eletivos em todas as esferas (municipal, estadual e federal) de qualquer cidadão. A suspensão de tais direitos cessaria privilégio de foro devido à função exercida – o que atingia o deputado Márcio Moreira Alves e permitiu sua cassação – e impediria o cidadão de votar e ser votado em eleições sindicais. Proibia também manifestação de assuntos de natureza política e poderia até chegar a proibição de frequentar determinados lugares.

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O exame

por Convidado 12 de dezembro de 2017   Convidado

por Sérgio Marchetti *

Um tio meu estava adoentado em sua fazenda lá na Zona das Vertentes. Fui visitá-lo. A família me incumbiu de convencê-lo a fazer exames. Porém, a tarefa não era fácil. O velho era tinhoso, como diziam os seus.

Chegando lá…

– Boa tarde, tio Totonho.

– Deus te abençoe, meu filho – falou e esticou a mão para mim.

– Já sei que “tu não veio só me visitar” – falou o velho tio, meio que olhando de esguelha para mim. – Velho só é visitado quando está para morrer. Eu estou?

– Que eu saiba, não. Vim lhe visitar porque queria vê-lo.

– Fica velhaco rapaz, eu sei das coisas. Enquanto vocês plantavam a semente eu já tinha chupado o fruto. Deixe de desengano que não nasci ontem. Caso tenha vindo para se despedir, seja bem-vindo. Mas se for para me convencer a ir aguentar lorota de doutor, perdeu seu tempo. E lhe complemento: põe sentido numa coisa: caso eu esteja doente, o médico não irá me salvar. E, não estando doente, não preciso dele.

– Ninguém está falando de morte. Mas é importante ser prudente. Sentir dor não é bom, nem normal. O senhor está sentindo o quê?

– Nada não.

– Pode dizer para mim – insisti.

– É só um “comichão” por baixo da “carcunda”. Mas prefiro ficar com a dor a ter de andar naquela cidade grande, desmapeado, sem saber se estou vindo ou se estou indo. E com aquele povo que me “alembra” um formigueiro fugindo de tatu. A última vez que fui para aquelas bandas eu era menino. Num pus fé em voltar.

– Não precisa ir para uma cidade muito grande. A medicina está em lugares pequenos também.

– Mas “os doutor” daqui receitam é chá. Para tomar chá eu não preciso de receita.

– Eles receitam antibióticos também. Tudo isso será rápido, tio.

– Não será. O “desinfeliz” do doutor vai mandar para outro doutor. Aí o excomungado vai me pedir um desmesurado de exames, e não vai ter paz enquanto não encontrar uma bendita doença e dar cabo de mim. Eles formam para achar a doença. Por essas e outras que eu descreio da modernidade. E, enquanto isso, estou desperdiçando tempo de vida que já está encurtada demais da conta. O sô, na minha idade o desviver não dá aviso. A bruta chega e bate na porta da gente. Aí não tem fuga nem esperança que afugente a coisa ruim.

– Mas, vamos deixar de “entretantos” – disse tio Totonho. E continuou: – vamos prosear sobre outra coisa. Tu vai pernoitar aqui e, mais tarde, comer uma jantinha da hora. Antes disso, nós vamos tomar um café com bastante bolacha, broa quente e outras iguarias que sei que “tu gosta”.

– Obrigado, tio Totonho, mas, só para encerrar, sei que o senhor está assim por causa de um exame meio chato. Olha, posso lhe garantir que é rápido. É só um toque na entrada….

– Epa! Ficou doido, rapaz. Que desrespeito é esse!? – gritou.

– “Num vem cum” modernidade aqui não. Fique sabendo que aqui num tem entrada, não senhor. E não se fala mais nisso.

* Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

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Quanta chuva em tão pouco tempo!

por Luis Borges 6 de dezembro de 2017   Pensata

Tenho a sensação de que as chuvas que caíram no final de novembro e prosseguiram firmes, quase contínuas, sem muita trégua nesse início de dezembro em Belo Horizonte e região metropolitana são a repetição de um fenômeno que parecia já ser de outrora.

Domingo chuvoso em Belo Horizonte. | Foto: Marina Borges

Parece que faz tempo que não chovia como antigamente, por vários dias seguidos, pois nos últimos anos a prevalência foi das secas e dos efeitos dela decorrentes. Essa chuva mais intensa, que é bem-vinda e necessária apesar dos transtornos, das perdas humanas e materiais, me trouxe algumas reminiscências do convívio mais direto que tive com as chuvas na minha cidade natal de Araxá, onde morei até completar 16 anos de idade em 1970.

Lá eu caminhava e brincava nas águas da enxurrada que descia rente ao meio-fio das vias públicas junto com os irmãos, primos e colegas, sempre na clandestinidade perante os olhos de pais, mães e tios. Só mesmo um pé cortado num caco de vidro para revelar, em casa, que algo estava sendo feito. Como Araxá possuía – e ainda possui – um dos maiores índices pluviométricos por municípios em Minas Gerais, todo aquele aguaceiro caminhava para o córrego que passa pelo vale que liga o oeste ao leste da cidade. Naquele tempo ele saía de seu leito algumas vezes durante a estação chuvosa e basicamente passava no fundo das hortas das casas daquela região de onde víamos a enchente passar. Hoje ele está canalizado debaixo da pista de uma longa avenida asfaltada, mas nem sempre o canal aguenta o volume das águas que são obrigadas a alagar as pistas.

Lembro-me também que as ruas da cidade eram calçadas com pedras do tipo pé-de-moleque ou simplesmente feitas de terra batida, mas o asfaltamento começou a ser incrementado a partir de 1971.

Quando a chuva estiava um pouco era possível fazer pequenos represamentos das águas da enxurrada e até colocar barquinhos de papel desfilando no pequeno e pouco duradouro remanso, pois uma nova pancada de chuva poderia chegar a qualquer momento e levar tudo embora.

Finalizando as reminiscências não dá para esquecer das partidas de futebol de salão jogadas debaixo de chuva na quadra do colégio Dom Bosco.

Mas o que dizer de Belo Horizonte, com os seus 80 pontos de alagamentos identificados, das placas sinalizando as rotas de fugas desses locais, dos ribeirões e córregos que não cabem em seus leitos canalizados e muitos cheios de lixos e entulhos que a população mesmo joga por ali? De repente aparecem nos jornais e nas emissoras de rádio e TV o governador do estado e ministros do Governo Federal fazendo o clássico sobrevoo nas regiões mais atingidas da região metropolitana de Belo Horizonte. Enquanto o governador falava em solidariedade e apoio operacional da Defesa Civil, afirmava também que as verbas para remediar os transtornos causados viriam do Governo Federal, que é quem tem o dinheiro, cujos ministros atônitos eram fotografados tentando mostrar que estavam fazendo alguma coisa pelo povo e que tão logo seja reconhecido o estado de calamidade começará chegar algum dinheiro.

Se ainda estamos caminhando para o fim da primavera chuvosa, nos resta imaginar o quanto de chuva está por vir até que cheguem as águas de março para fechar o verão.

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Curtas e curtinhas

por Luis Borges 4 de dezembro de 2017   Curtas e curtinhas

A queda dos cheques

Em março de 2005 a centralizadora da compensação de cheques processava 170 milhões desses documentos por mês. Em outubro de 2017 eram apenas 42 milhões. Foi o bastante para o Banco Central determinar que todos os cheques, independente do valor, devem ser compensados em um dia útil. Há um prazo para os bancos se adaptarem. Atualmente os cheques com valor abaixo de R$300,00 são compensados em dois dias úteis.

Também pudera. Andar com um talão de cheques com até 20 unidades é sempre inseguro e, em muitos tipos de negócios, não se aceita cheques por medo de calotes. Enquanto isso floresce o uso do cartão para debito ou crédito e, conforme o montante, da TED. Vamos aguardar para verificar quando os cheques deixarão de existir.

R$1,2 milhão por hora em 2018

É o que custará o Congresso Nacional de acordo com um levantamento feito pela ONG Contas Abertas em cima do Orçamento da União Federal para 2018. Serão R$10,5 bilhões para serem gastos pelo Congresso Nacional, o que significará gastar R$1,2 milhão por hora. A Câmara dos Deputados, com 513 parlamentares, receberá R$6,1 bilhões e o Senado Federal, com 81 Senadores, terá direito a R$4,4 bilhões. Vale lembrar que na Câmara 80,4% do orçamento se destinará ao pagamento dos salários e encargos sociais dos servidores e no Senado ficará em 84%. Outro número interessante é o de servidores da Câmara dos Deputados. Atualmente são 15.800, dos quais 3.344 (21,16%) são concursados e 12.456 (78,84%) são contratados por recrutamento amplo, sendo 10.883 do secretariado parlamentar e 1.573 ocupantes de cargos de natureza especial. Nessa toada quando será que o Congresso Nacional contribuirá para o ajuste das contas públicas?

Será uma nova ponte?

Em novembro de 2015 o PMDB lançou seu programa “Uma ponte para o futuro”. Agora, dois anos depois, o PSDB está lançando o documento “Gente em primeiro lugar: o Brasil que queremos”, contendo o programa que orientará o partido rumo às eleições presidenciais de 2018. Segundo o texto a primeira prioridade estratégica é a retomada do crescimento, seguida pelo combate à pobreza e a desigualdade. Na economia é proposto um choque de capitalismo, dobrar a renda per capita em 20 anos, enxugar a maquina estatal e reduzir burocracia. No aspecto social estão os clássicos educação e saúde universais, segurança como prioridades e a reavaliação do acesso de ricos aos serviços públicos gratuitos.  O último aspecto abordado é o político, onde se destacam a defesa do parlamentarismo, do voto distrital misto, a reforma das estruturas políticas e o voto facultativo.

Agora é fazer com que as intenções se transforme em gesto. Será?

Minha casa, minha vida

“Cadeia de Valor e Importância Socioeconômica da Incorporação Imobiliária no Brasil” é o título do estudo feito pela Fipe em parceria com a Associação Brasileira das incorporadoras Imobiliárias. Ele mostra que, de 2008 a agosto de 2017, quase 10 anos, o programa “Minha Casa, Minha Vida” foi responsável por 77,8% dos lançamentos imobiliários, enquanto o segmento residencial de médio e alto padrão ficou com 20,7% e o comercial com 1,6%. O estudo mostra também que em 2017 foram lançados 307 mil unidades de janeiro a agosto e que no pico do setor, em 2013, o número de lançamentos chegou a 1 milhão de unidades. Já o auge das vagas de trabalho se deu em 2014, com 2,5 milhão de pessoas ocupadas, enquanto de 2010 a 2017 a média anual de empregados foi de 1,9 milhão. Nesse mesmo período chegou a R$19,7 bilhões a média anual de tributos pagos pelo segmento de incorporações aos cofres públicos. Como serão os números do setor nos últimos 4 meses deste ano e o que está sendo projetado para o ano de 2018?

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O Natal e a persistente intolerância

por Luis Borges 29 de novembro de 2017   Pensata

Tudo o que conseguimos fazer em nossa estratégia de sobrevivência neste ano tão difícil nos trouxe até o Natal. Pode até parecer utopia, mas de novo estamos diante de uma oportunidade para refletir e agir movidos pela esperança de algo que parece ainda estar tão longe. Mas desanimar jamais e desesperar muito menos.

Já dá para perceber que alguma coisa acontece, ainda que numa velocidade menor que a desejada. Percebe-se que o Natal pode trazer mais forças para nos ajudar a combater a indiferença, a apatia e também a intolerância que nos afasta uns dos outros. O clamor é pelo diálogo, pela possibilidade de um convívio civilizado entre ideias diferentes. Aliás, vale lembrar que elas convivem nas estantes de uma livraria ou de uma biblioteca.

Não vou negar que o regime capitalista em que vivemos traz em sua essência a busca pelo lucro e pela acumulação quase primitiva do capital nas mãos de pouquíssimos, a começar pelo capital financeiro que vai lambendo tudo.

A luta de classes está mais viva do que nunca e é pautada pela necessidade da sobrevivência em detrimento da imperiosa necessidade do crescimento e desenvolvimento rumo a um estado de bem estar social, ainda que no regime capitalista com todos os seus embates.

Espero que neste Natal fiquemos mais conscientes de que temos dois ouvidos e uma boca para nos ajudar a ouvir mais e a falar o essencial na construção do bem comum. São muitas as coisas que não queremos mais, mas com certeza uma delas a intolerância, hoje um atalho para a raiva e o ódio, precisa ser repensada.

O Natal pode ser mais que uma simples festa, ele pode também nos renovar rumo a uma vida mais interessante e com muita razão para ser vivida com dignidade para todos.

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Faz tempo que estamos falando sobre a Reforma da Previdência Social. É que o Governo Federal enviou sua primeira proposta à Câmara dos Deputados já faz um ano! Mas se reformar algo significa lhe dar uma nova forma é preciso também estar atento ao conteúdo a ser implementado e de maneira sustentável. Em 12 de fevereiro deste ano, postei neste blog a pensata “Omissão de dados na Reforma da Previdência“. Lá mostrei claramente a falta de transparência em relação a fatos e dados importantes para a observação, análise e compreensão da real situação do regime geral da previdência social que atende ao setor privado.

Apesar de ser considerada a tábua de salvação para o ajuste das contas públicas e um grande aceno para satisfazer os desejos do mercado ávido por melhores condições para seus negócios, o fato é que o Governo Federal não conseguiu vender a sua proposta de reforma e nem se preocupou com outras causas estruturais de seu déficit nas contas. Falar em déficit da previdência sem desdobrá-lo, dizer que a população está envelhecendo aceleradamente, acenar com a iminente incapacidade de pagar os proventos em dia e alegar combater privilégios propondo o mesmo teto para as futuras aposentadorias dos trabalhadores dos setores públicos e privados não foram argumentos suficientes para arrumar muitos adeptos. Enquanto a comissão especial da Câmara dos Deputados conseguia aprovar uma nova proposta com diversas concessões em relação à original – começando por deixar fora da reforma os militares, por exemplo – vieram à tona as delações dos empresários da JBS envolvendo o impopular Presidente da República em atos de corrupção.

Salvar o mandato passou a ser o foco do chefe do executivo e, para isso, foi necessário escancarar o orçamento da União para as emendas parlamentares da base aliada, nomear seus afilhados para cargos de recrutamento amplo em órgãos governamentais e até fazer reforma ministerial. Que oportunidade de negócios!

O fato é que o tempo passou na janela da crise política, a Reforma Trabalhista entrou em vigor emendada por uma medida provisória e o Presidente da República jogou a toalha em relação à urgente reforma da Previdência. Mas o mercado esperneou, como que a perguntar “como assim”? A pergunta foi suficiente para que o Governo Federal voltasse a sonhar, por necessidade, com a aprovação de alguns poucos itens só para dizer ao mercado que fez alguma Reforma Previdenciária neste ano.

Só que no meio do caminho para conseguir 308 votos dos deputados federais ainda neste ano e outros 49 do Senado no ano que vem estão as eleições do próximo outubro. Comprar apoio parlamentar vai ficando mais difícil e também mais caro à medida em que o tempo passa enquanto as contas públicas continuam “desnegoçadas”.

Como a ocasião faz o ladrão, o que fica claro é que urgência deixou de ter o significado que está no dicionário da língua portuguesa e o que importa é manter o poder apesar dos outros 99% da população.

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Uma constatação muito comum para diversas pessoas ao longo de um certo período de tempo, um mês por exemplo, é que o dinheiro no caixa pessoal ou familiar não foi suficiente para bancar todos os gastos e investimentos. Quem consegue observar e analisar as causas desse fenômeno bem como o processo que o gera pode ter boas surpresas. Entre elas podem estar causas como a falta de planejamento, o consumo impulsivo (ou quase doentio), o passo maior que a perna, a manutenção de uma aparência enganosa, um gasto inesperado com a saúde ou com a manutenção da moradia, o desemprego e assim por diante.

O que nem todos conseguem observar e perceber é o quanto se perde e se joga fora pelo ralo em desperdício explícito. Segundo um dos fundamentos da gestão, “quem não mede não gerencia e quem não controla também não gerencia” embora gerenciar não seja apenas controlar.  Será que os gastos de uma família de 2, 3 ou 4 pessoas com alimentação, higiene, limpeza medicamentos e lazer são medidos? No mínimo isso vai ajudar a verificar se o que foi gasto ficou nos limites do orçamento ou acabou indo muito além do previsto. Nesse caso é preciso encontrar as causas da diferença. Será que cotidianamente sobra comida no jantar, frutas se perdem ou o pão amanhecido não vira torrada e vão todos para o lixo? E o que dizer da não percepção de uma torneira pingando uma gota d’água durante dias, do excesso de lâmpadas acesas como se a residência fosse um palácio encantado?

Outro ponto que frequentemente fica negligenciado é o de contratos de telefone fixo, celular, internet e tv a cabo. O que foi assinado 5 anos atrás e nunca mais foi renegociado pode esconder uma perda desnecessária de dinheiro. Vale perder alguns minutos – ou horas – na conversa com o operador de telemarketing para renegociar as condições e valores e economizar.

Se os detalhes é que decidem, como enxergar as perdas advindas de um singelo e fraterno encontro com um grupo de amigos ou de familiares também amigos nas mesas de um bar ou restaurante? Na hora de se fazer os pedidos de bebidas e alimentos cada um pede o que quer, independente do preço. Só não se conversa como será dividida a conta. A prática mais comum nessas ocasiões é simplesmente se fazer a divisão da conta pelo número de participantes do encontro, independente da quantidade consumida individualmente. Assim, os que consomem menos pagam pelos que consomem mais, o que pode até causar um rombo no orçamento individual ou familiar em função da magnitude da conta.

Diversos outros exemplos de desperdícios que podem gerar perdas e comprometer os orçamentos de gastos devem ser lembrados aqui. Basta um pouco de esforço para tentar verificar como e em que foi gasto o dinheiro do orçamento. Infelizmente ainda faltam muita disciplina, método, foco e priorização para aquelas pessoas que não conseguem entender ou explicar o que está acontecendo com elas no plano financeiro.

Será que o que foi narrado aqui só se aplica aos outros ou, de repente, alguns dos aspectos mostrados podem até te ajudar a melhorar?

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