Ainda que haja sombras

por Convidado 3 de janeiro de 2022   Convidado

*por Sérgio Marchetti

Enfim, o ano de 2022 chegou e, ainda que tantos fatos e factoides nos levem a desacreditar em uma retomada mais abrangente, estou confiante de que a escuridão não haverá de perdurar. Vejo um raio de sol insistente em nos emprestar luz para um novo dia. E, estratégica e psicologicamente, janeiro é o mês mais apropriado para recomeçar, planejar e renovar.

Em mensagens nos cartões de Natal e Ano Novo observei nos desejos externados que ficou explícita a vontade de ver as pessoas se abraçarem sem medo e se libertarem da corrente invisível que nos prende há tanto tempo. Estivemos condenados à solidão e muitos cidadãos, cujas identidades não carregam os perfis de resiliência, se perderam em sua misantropia, promovida por grande parte da mídia. E não há como negar a ruptura que vivemos e que, impedidos de trabalhar, nos mergulhou nas trevas. E, apesar da sociedade ter evoluído para um cenário de idosos solitários, o estágio que nos impuseram não surtiu efeitos positivos. Apenas confirmaram que o homem é um animal gregário.

Mergulhamos em uma obra cinematográfica ou numa série (já que estão em moda) baseada em fatos, que encenava uma tragédia com progressivo número de vítimas de um vírus que, como um tufão, carregou pessoas queridas para longe de nós.

Peço licença aos meus leitores para estabelecer um paralelo da doença com o filme, baseado na obra de José Saramago, “Ensaio sobre a cegueira”. E, para quem não conhece, o autor descreve uma cegueira coletiva, e, bem rapidamente, todos vão sendo acometidos por ela. Somente uma mulher podia ver, mas manteve isso em segredo.

Na minha maneira de analisar e entender, Saramago, propositalmente, nos faz examinar as consequências de uma doença pandêmica e passa, sem nenhuma cerimônia, uma imagem crítica sobre as reações da sociedade, dos órgãos responsáveis e das atitudes cruéis, egoístas e hipócritas.

Continuando a narrativa, a cegueira coletiva era iminente e, depois de estabelecida, viria o caos completo. As autoridades enviaram os cegos para um manicômio para que ficassem isolados dos demais cidadãos. Desavenças, disputas, formação de grupos foram observadas e destacadas fortemente. Jogo de interesses, favoritismos e tudo de mais sórdido seriam, como sempre, utilizados pelos oportunistas para atingirem seus objetivos escusos.

Há muita coisa em comum com a nossa atual doença? Estou convicto que sim. E vale pela reflexão.

Em 2022, ainda teremos cegueiras, escuridão, apagões, doenças e a impossibilidade de testemunharmos uma recuperação milagrosa. Mas quero crer que, se mudarmos nossas atitudes e tivermos mais compaixão, amor e união, certamente iremos escrever um enredo com mais luzes do que sombras, e, com boa vontade, poderemos contar com a possibilidade de acendermos uma vela para iluminar nossos caminhos e apaziguar as aflições de nossas almas.

*Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

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*por Malco Camargos

Um partido político é uma associação de pessoas que busca na vida política institucional disputar o poder para legislar e implementar políticas públicas.

Participar de um partido político significa acatar determinadas idéias, se submeter a um estatuto e a um programa de intenções que deveriam ser implementadas.

Participar de um partido significa, também, ter acesso a recursos financeiros e de comunicação que são fundamentais nas disputas eleitorais.

Mais do que votar e ser votado(a). A participação política através deste canal se dá também com a frequência em reuniões, convencer pessoas a optar por determinado candidato, contribuir financeiramente para campanhas, arrecadar fundos e expressar sua opinião.

Partidos são úteis para se chegar ao poder e também para dar estabilidade ao jogo político depois das eleições, por isso se pressupõe certa fidelidade, reconhecida inclusive pelo Supremo Tribunal Federal.

Uma de nossas lideranças atuais tem uma carreira política bem diferente dos demais. Eleito por um partido insignificante à época, o PSL, Jair Bolsonaro tem algumas características bem atípicas. Além da ausência da compostura no exercício do cargo, Bolsonaro não tem vínculos partidários. O Presidente passou a maior parte do seu mandato sem estar filiado a um partido e, em sua trajetória política, já foi filiado a oito legendas diferentes.

Bolsonaro agora se filia à nona legenda e vai disputar as eleições de 2022 pelo Partido Liberal – PL. O partido é coordenado pelo ex-deputado Waldemar da Costa Neto, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 7 anos e 10 meses de prisão em 2012 pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Bolsonaro faz mais um acordo de curta duração, com interesses pouco republicanos e com uma enorme imprevisibilidade em relação ao seu comportamento futuro. Características estas que deveriam ser afastadas da política.

Porém, enquanto os partidos forem dirigidos como empresas, que buscam realizar operações superavitárias para seus participantes, o resultado será sempre este: baixa previsibilidade, baixa governabilidade, ausência de compromissos e lucro para alguns. Precisamos mudar essa história para que a boa política possa fazer valer a sua força.

*Malco Camargos é Doutor em Ciência Política, diretor do Instituto Ver Pesquisa e Estratégia e professor da PUC Minas. 

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Na hora “H” me dá branco

por Convidado 10 de dezembro de 2021   Convidado

*por Sérgio Marchetti

Dia desses, mais um dos meus clientes me pediu para ajudá-lo a desenvolver o dom da resposta — que é, por assim dizer, a argumentação — fato corriqueiro na vida de um professor de oratória, mentor ou coach. Entretanto, percebi que meu orientado estava desorientado (desculpem-me pelo trocadilho, mas não resisti), e quando ponderou que as pessoas, de forma geral, levavam vantagem sobre ele em quaisquer discussões, compreendi que talvez pudesse abrandar seu sofrimento. Também me confidenciou que, depois das reuniões ou do momento do debate, algumas respostas ótimas surgiam em sua mente mas, na hora que precisava, era acometido por uma paralisia e não conseguia combater as objeções.

“Eu não tenho salvação”, disse-me desolado e com o semblante de quem só estava de corpo presente, porque o pensamento viajava por outras paragens. Fiquei observando sua ausência e esperando sua alma retornar. E quando acontecesse daríamos prosseguimento à conversa. Confesso que fiquei penalizado, embora não goste deste sentimento e já esteja vacinado contra ele. E, quando a alma de meu cliente pousou, pudemos resgatar nossa prosa e, assim, procurar uma solução para aquele caso. Obviamente que enveredamos por uma trilha psicológica para ir ao cerne do problema, antes de teorizarmos as técnicas.

Caros leitores que me leem de corpo e alma, alguns de vocês também já passaram por isso?  Saibam que o caso dele ocorre com muitas pessoas. O que difere é o indivíduo e como ele irá lidar com o problema.  A outra face da moeda é o tema. Caso seja político, eu diria que contra a ideologia não há argumentos, e fatos são chamados de teoria da conspiração. Então, discutir temas polêmicos, como religião, política e futebol é mera perda de tempo, pois, se fatos não dizem nada, não há argumento; o que impossibilita um diálogo saudável.

Calma, leitores ansiosos! Descontraiam os corpos, descruzem as pernas e os braços e deixem suas almas respirarem. Não as sufoquem tanto. Foi exatamente assim que falei para meu “desorientado”.  E completei: quando houver uma reunião, você deverá se informar sobre o assunto e se preparar com leis, normas, regulamentos e outros documentos. Uma pessoa informada vale por muitas. Identifique quem são os participantes, se os conhece e como costumam se comportar. Deixe que falem antes de você — se não for obrigado a ser o primeiro. Nesse caso, tendo que iniciar, procure ser objetivo e atenha-se ao assunto ou tema da reunião. Quando um dos participantes estiver mais agressivo, mantenha-se mais calmo, respire fundo e ouça até o final. Dê corda para que se enrole nela e perca a razão. Isso poupará seu trabalho. E não se esqueça de que a emoção tem funções maravilhosas e que seu fruto mais belo é a paixão mas, nessas horas, só atrapalha. O que lhe oferece argumento é a razão. E continuei minha orientação: faça objeções, questione aquilo que não for bem fundamentado, seja pragmático, contextualize, argumente com fatos e lógica. Experimente fazer associação de ideias, questionar as fontes e se utilize de estatísticas e informações disseminadas por veículos confiáveis.

E vocês? Como têm se comportado diante da necessidade de argumentar, explicar, ensinar?

Desejo que estejam se saindo bem. Mas, cuidado com o “eu não acredito nisso” (quando for fato), e com o “penso assim e ninguém me convence do contrário”, etc.

A filosofia do trabalho de comunicação e orientação é gerar opções e mostrar as fontes e não obrigar alguém a beber água. É bom saber que o que é melhor para mim, pode ser o pior para o outro. Enfim, a questão passa por uma substituição simples de verbo. Que tal trocar o impor pelo propor?

*Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

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De volta ao trabalho

por Convidado 14 de novembro de 2021   Convidado

*por Sérgio Marchetti

Não imaginei que, nos dias atuais, estaria falando sobre a mesma pandemia. Porém, “o sentimento não para, a doença não sara” (MF). Viver se tornou chato e muitas pessoas, não suportando psicologicamente a tensão, sucumbiram diante de outras doenças, mesmo tendo passado imunes à Covid-19. A resiliência nunca foi tão essencial. O momento é de perseverança.

Provavelmente, meus bucólicos leitores, todos já foram a uma zona rural e tiveram a oportunidade de ver aves soltas no quintal. Na fazenda do meu avô havia uma horta de verduras e, a cada descuido, as galinhas saltavam a pequena cerca de tela e a invadiam. Sei que vocês estão pensando que gosto de galinhas. É verdade. Já usei as galinhas, recentemente, para outro exemplo. Mas continuando… Uma das minhas tias, mais atenta ao problema, gritava e espantava as galinhas de lá. Passado algum tempo, uma por uma, olhando de soslaio, com aquele sonzinho de Cóo… Cóo… e desconfiadas como nós mineiros, com passos lentos, voltavam e cometiam a mesma transgressão.

Por que as galinhas? A nossa realidade me remeteu a elas; para mim é uma imagem do que ocorre hoje. — O comércio vai abrir! — Os bares vão funcionar! —  As aulas vão voltar! Os treinamentos presenciais vão acontecer! E, assim como a galinhas, vamos voltando desconfiados, com receio de que nos espantem outra vez para longe de nossas fontes de alimentos. De repente, alguém então grita: — o Kalil vai fechar tudo!!!

O grito de terror gera a incerteza. O medo e a ameaça ligam nosso alarme cerebral e fazem derramar em nossas correntes sanguíneas a adrenalina e o cortisol. A tensão não acaba e, tampouco a mente identifica saídas para o problema. O estresse se aproveita de nós. Vem a tristeza, a impotência, e a depressão toma conta. As perdas são contabilizadas e, com toda certeza, muitas serão irrecuperáveis. Não há conquista nem realização. Não haverá dopamina, o neurotransmissor que reage às ações realizadas.  E nem a serotonina será derramada, pois não existe bem-estar numa situação como essa. Dá vontade de fugir. Mas “José, para onde”? (CDA)

Bem, aqui termina o capítulo da problemática e começa o da solucionática, como diz o Dadá Maravilha. A fuga não é a solução. Calma! Deus não está morto, como nos sugeriu Friedrich Nietzsche, o filósofo maluco.  Se estamos vivos, como Deus poderia não estar? Sempre defendi, leitores de boa memória, que a vida é sistêmica e que o contexto explica os efeitos e pode nos mostrar a causa e a solução. Nem sempre a saída é pela porta da frente. As respostas podem estar fora do quadrado. Estamos vivendo uma guerra e, de alguma forma, todos foram atingidos ou tiveram suas vidas alteradas pela maldita doença. Muitos reagiram bem. Alguns perderam tudo, inclusive a vida. Outros tentam se recuperar alterando ou buscando um novo trabalho. Estes últimos fazem parte do maior número dos clientes que oriento. Seja pela permanência do negócio ou pela mudança radical; o que tem sido muito recorrente é a pressa. E o que confirma esse senso de urgência são frases como — “tenho que aprender a trocar o pneu com o carro andando”. Sabe quando isso vai acontecer, meu visionário leitor?

A objetividade é positiva mas, o desespero, compreensível até certo ponto pela necessidade premente de recuperação, leva as pessoas a serem muito imediatistas. Querem tratar exclusivamente do pontual em detrimento do contexto. Confundem “o ter foco” com ignorar o todo e ainda usam a emoção para tomarem decisões.

Calma! “Gente! A vida não se resume a festivais”.

*Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

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A economia e a realidade

por Convidado 16 de outubro de 2021   Convidado

*por Malco Camargos 

Uma frase que marcou para sempre o mundo das estratégias das campanhas eleitorais começa a soar cada vez mais alta aqui no Brasil. Em 1992, quando Jorge Bush destacava seus feitos em guerras internacionais e valorizava a soberania conquistada, Bill Clinton aumentava seu favoritismo à medida que os americanos avaliavam a crise econômica, o medo da inflação e a dificuldade de comprar imóveis. Nesse contexto o mote da eleição foi dado por James Carville, responsável pelo marketing na campanha de Clinton – “É a economia, estúpido”.

James Carville foi o criador da frase mas não foi responsável por mostrar o peso da economia na escolha dos eleitores. Diversos autores, em diferentes universidades no mundo, vêm comprovando e refinando a teoria do impacto da percepção da situação econômica sobre a decisão de voto. O cálculo é simples e pode ser resumido em uma única frase – se a economia vai bem o eleitor vota no candidato governista e se a economia vai mal, busca um nome na oposição.

Para falar de economia uma distinção básica deve ser feita – o que podemos entender por macroeconomia e microeconomia.  O cenário macroeconômico aborda questões da economia doméstica e internacional com ênfase nas perspectivas de crescimento, política monetária e fiscal – a macroeconomia mensura o desempenho da economia em um país, sua capacidade de produzir crescimento e sua política econômica internacional. Uma área valorizada por economistas e agentes econômicos e, em geral, relevada pelos cidadãos. Já a microeconomia vai ter foco no comportamento e nas escolhas das pessoas na economia e também na relação entre o capital e o trabalho que podem gerar diferenças salariais entre grupos da sociedade (homens e mulheres, brancos e negros, etc…) e as motivações das decisões dos consumidores.

Entre estes dois cenários, o macro e o micro, deve-se considerar também a percepção das pessoas. Nenhum indicador macroeconômico tem peso maior do que a constatação do desempenho econômico a partir da experiência do consumidor/cidadão/eleitor. É na hora de ir ao supermercado, à farmácia ou mesmo ao bar que o cidadão faz sua avaliação da economia; isto somado com a possibilidade ou não de sair para trabalhar e ter uma remuneração digna formam o pensamento econômico que vai moldar o voto do eleitor quando ele estiver em frente à urna. Nesse sentido, em algumas situações, economistas e alguns especialistas valorizam a ação de determinado governo na condução da política econômica, mas os cidadãos não percebem melhoria na sua qualidade de vida e optam por outra alternativa que não a recondução do grupo que governa ao poder.

No Brasil, em 2022, o presidente Bolsonaro vai tentar valorizar seus feitos econômicos: enxugamento da máquina, privatizações, distribuição de dividendos, balança comercial e busca da solidez nas contas públicas. Mas nada disso é mais significativo do que a sensação de que o salário conquistado – quando isso é possível – não dura até o final do mês para a maior parte dos brasileiros e que vários itens básicos não são incluídos na cesta de compras por falta de dinheiro.

Não há retórica econômica que mude a percepção de que Bolsonaro não produziu melhoras na vida dos brasileiros. À revelia do que dizem alguns economistas, nenhum indicador significa mais que a própria experiência diante de uma realidade cada vez mais dura para milhões de brasileiros. Realidade esta que faz com que o eleitor tenha saudade de um tempo em que podia viver bem o presente e sonhar com o futuro – duas coisas que lhe foram tiradas nos últimos tempos.

*Malco Camargos é Doutor em Ciência Política, diretor do Instituto Ver Pesquisa e Estratégia e professor da PUC Minas. 

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Pessoas e números

por Convidado 3 de outubro de 2021   Convidado

*por Sérgio Marchetti

Eu sempre achei, desde tenra idade, que o mundo é feito de muitas partes, todas elas interligadas. E que, em tudo que criou, Deus estabeleceu relação. Nada é por acaso, nem existe plena independência. Para exemplificar minha visão, vou escolher os números – justamente por serem parte de uma ciência exata – e demonstrar como estabelecer uma relação com as pessoas – apesar de serem puramente inexatas.

Observem, leitores atentos, que tem gente que entra em nossas vidas, ou nós entramos nas delas, por uma via transversal. Seja como colegas de trabalho ou mesmo na família. E aí ingressa a linguagem numérica. Vocês já sentiram, meus leitores racionais, que algumas dessas criaturas têm valor relativo pois, embora sejam poucos, acabam por representar muito e ter atitudes que fazem a diferença na vida de várias pessoas? Eu os chamo de agregadores. Seres assim são compreensivos, prestativos e se sentem bem ajudando ao próximo. Esses são os que somam. Outros, porém, ficam no valor absoluto. São denominados de “zero à esquerda” por não acrescentarem nada às relações ou grupos. São os números neutros. Há também aqueles que só fazem a operação de dividir. Organizam grupinhos, criam adversários, fazem reuniões às escondidas e adoram conspirar. São desagregadores, imprestáveis e bem piores do que os neutros. Para esses, sempre haverá a identificação de inimigos e a necessidade de exclusão. Normalmente são interesseiros, oportunistas, invejosos, egoístas e nada confiáveis. Escrúpulo é uma palavra que não pertence ao seu dicionário. Costumam trair quem mais os ajudou.

Viram como existe uma forte relação entre pessoas e operações matemáticas? Com o racional conseguimos estabelecer uma classificação para o emocional. Mas não acabou. Vamos aos que subtraem. Meu Deus! Infelizmente esse é o maior grupo. Eles mentem descaradamente, se passam por pessoas ingênuas, inocentes, injustiçadas e ousam jurar em nome de Deus. Podem ser encontrados em qualquer parte do mundo, como na política, quando subtraem o dinheiro público (não disse que são todos), em grande proporção na mídia, que subtrai o que não lhe convém informar, nos assaltantes que, em São Paulo, praticam um assalto a cada cinco minutos, nos que exploram o próximo, e em todas as formas de fazer com que a outra parte seja descriminada ou prejudicada. Contudo, a desgraça não anda só. Muitos dos que pertencem ao grupo da subtração adotam também as características da divisão e vice-versa.  Sobre a subtração, tive um tio que dizia que a pior de todas as pobrezas era a ignorância, o pior dos defeitos era ser ladrão e que a doença mais grave de um povo era fechar os olhos para a corrupção — o câncer da sociedade.

Mas nem tudo está perdido. Não se desespere, meu caro leitor. A verdade machuca, fere, mas nos traz para a realidade. Ainda temos uma outra operação, a última das quatro: a multiplicação, que é a geração de produtos por intermédio dos fatores. Há muitas pessoas que multiplicam o bem, praticam o “amai-vos uns aos outros”, têm empatia e compaixão. Eu, especialmente, quero ser um multiplicador, plantar uma semente que possa florescer e levar sentimentos bons a todos a quem conseguir alcançar. E seguir a sugestão de Santa Tereza de Calcutá:

“Espalhe o amor por onde você for: antes de tudo, em sua própria casa. Dê amor a seus filhos, sua esposa ou seu marido, a um vizinho próximo…  Não permita jamais que alguém se aproxime de você sem que viva melhor e se sinta mais feliz…”

Amém!

*Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

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2022 está logo ali

por Convidado 13 de setembro de 2021   Convidado

*por Malco Camargos 

Ainda falta um ano para as eleições e as campanhas estão a todo vapor. De um lado, a situação representada pelo Presidente Jair Bolsonaro que, mesmo negando em comunicado à nação, age como um jogador apostando no “tudo ou nada”. Bolsonaro sabe que já não tem mais a quantidade de votos que teve outrora. Sabe que seu governo não entregou o que era esperado. Sabe que não deu conta de resolver os problemas do país. E, como sabe que irá perder as eleições, busca inimigos, busca culpados, busca justificativas para explicar o que não fez e, também, para tentar permanecer no poder por mais tempo.

De outro lado, nomes da oposição se colocam de maneira diferente no tabuleiro político. O líder da disputa no momento, o ex-presidente Lula, aposta em uma campanha retrospectiva, de comparação entre como era a vida enquanto ele era presidente e como é a vida agora. Usando e abusando de gatilhos de memória, Lula destacará os sonhos de um tempo versus as agruras do presente.

Além de Lula, a oposição conta também com outros nomes, mais ao centro, que buscam os chamados eleitores “nem-nem”- aqueles que não querem nem Lula, nem Bolsonaro. Pelo PSDB a disputa ainda está em níveis internos e, com a realização de prévias, o partido escolherá entre João Dória e Eduardo Leite. Ambos pré-candidatos têm como ponto forte do discurso a palavra “gestão”. O PSDB aposta que a falta de gestão do governo Bolsonaro pode fazer com que o eleitor aja de maneira mais racional em 2022 e valorize a capacidade de gestão tradicionalmente destacada pelos tucanos.

Mais próximo de Lula está Ciro Gomes, que busca polarizar com Bolsonaro mas fica muito perto do eleitor de esquerda que, no momento, prefere o ex-presidente Lula e deixa limitado o espaço de crescimento do pré-candidato do PSB.

Outro pré-candidato importante no momento é o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco. O senador mineiro tem se apresentado como um conciliador e aposta na estratégia da pacificação como sendo o principal argumento para alavancar sua candidatura nos próximos meses.

Os últimos movimentos, principalmente após o dia 07/09, demostram que a terceira via terá que rever suas estratégias pois, por mais que tenha perdido força, Bolsonaro ainda mantém um percentual significativo de votos que dificilmente o deixa fora do segundo turno. Aos que buscam os eleitores “nem-nem” resta trabalhar para a união com outros candidatos ou apostar, eventualmente, em uma decisão da justiça que possa tirar do jogo um dos dois candidatos que lideram a disputa atualmente.

Parece longe mas, como podemos ver, 2022 está logo ali.

*Malco Camargos é Doutor em Ciência Política, diretor do Instituto Ver Pesquisa e Estratégia e professor da PUC Minas. 

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Um ponto de vista sobre a liberdade

por Convidado 3 de setembro de 2021   Convidado

*por Sérgio Marchetti

Há um bom tempo tenho sido agraciado por escrever neste espaço. E, é com muita honra, que usufruo da liberdade de expor, aqui, fatos, histórias e, ainda, de expressar minha opinião, sem ter a pretensão de agradar a todos, mas sem extrapolar meu direito de opinião e ferir princípios de terceiros.

Tive um professor no antigo colegial (não sei se já falei dele) que dizia que poucas pessoas estariam aptas a receber um tratamento de liberdade plena. Um dia, ao iniciar sua aula, disse que poderíamos dar risadas à vontade e conversar com os colegas do lado por cinco minutos. Depois, faríamos silêncio total.

Óbvio que, imediatamente, se viu um falatório geral com todas as vozes ao mesmo tempo, pés batendo no chão e gritaria, sem falar dos tapas nas cabeças dos colegas da frente. De repente, um grito: — silêncio! Acabou o tempo de vocês.

Naquele dia, compreendi que somente uma minoria está preparada para ter liberdade. Naquele profético dia, compreendi também que não era a liberdade nossa primeira necessidade. Era a educação — um povo sem educação não consegue identificar os limites do respeito.

Transcorreram-se anos, entretanto aquela lição continua forte em minhas convicções. Apesar de, em minha vida profissional, sempre me opor à autocracia e, arduamente, defender a liderança pela competência, sou obrigado a aceitar que o pulso forte tem seu momento e lugar. E corroboro com a teoria da Liderança Situacional de Hersey e Blanchard. Em resumo: aos mais preparados, delegue. E, aos menos preparados, dê ordens.

Você, meu educado leitor, há de concordar comigo, quando digo que o que está faltando é educação — pré-requisito de liberdade, porque esta é um prato fino que poucas pessoas sabem apreciar. Recorra a sua memória, lembradiço leitor. Lembrou-se de alguém? Por faltar a elegância, os ditos “sem cerimônia” confundem tudo e cometem grosserias, contam piadas de mau gosto, invadindo a privacidade e o campo magnético das pessoas. Tratá-los com plena igualdade é sacrificá-los e deixá-los embaraçados. Por essa razão sou a favor de adequações pois, insisto, tudo depende do contexto e dos padrões pré-estabelecidos.

Arthur Schopenhauer dizia que só havia liberdade no momento de solidão. Na presença de outras pessoas, nosso comportamento se altera. “Sozinhos somos mais independentes”, o que concordo plenamente. Pois, normalmente, não estamos sozinhos. Existe o outro. Então, pensando assim, derrubadas as teses da liberdade plena que, convenhamos, em muitos casos são pura hipocrisia, e lembrando, aqui, um exemplo que reforça minha tese, o escritor existencialista Jean-Paul Sartre, defensor da liberdade, que manteve um relacionamento aberto (extremamente avançado para a época), com Simone de Beauvoir, disse: “ser-se livre não é fazermos aquilo que queremos, mas querer-se aquilo que se pode”.

Ora, meus libertários leitores. Querer não é poder. A palavra dita é linda, principalmente se fizer parte de uma frase bem construída mas, caso não se respalde na prática e verdadeiramente na ação, pode se tornar apenas um recurso linguístico, um efeito de retórica sem compromisso com a verdade, conforme temos visto até em veículos da mídia.

Liberdade — que precede à independência, exige educação, que é sinônimo de respeito.

Constato, sem nenhuma alegria, que ainda temos uma longa caminhada até aprender a sutil diferença entre usufruir e abusar da liberdade.

*Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

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*por Malco Camargos

Desde as eleições americanas de 1936, quando George Horace GALLUP (1901-1984), fundador do Gallup previu a vitória de Franklin Roosevelt sobre Alf Landon nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, as pesquisas eleitorais se disseminaram por todo o mundo. No Brasil, já em 1942 o IBOPE era inaugurado e iniciava o trabalho de realização de pesquisas.

De lá para cá o mercado brasileiro se pulverizou e se especializou e supera os dois bilhões de faturamento anual. Contudo muito ainda se desconhece sobre essa atividade.

Pesquisas são instrumentos de escuta da sociedade, que podem ser realizados por meio de computadores, smartphones, telefones e face a face. Em todos esses meios de coleta se registram informações que retratam um determinado momento. E aí começa o mau uso da pesquisa.

As informações coletadas até permitem analisar tendências mas não são determinações de futuro. Entre a coleta dos dados e o fato a que ele se refere pode haver alterações, que mudam todo o resultado. Diga-se de passagem, é bom que haja alterações pois pesquisa é um instrumento estratégico que atores relevantes usam para interferir e mudar a tendência dos fatos.

Está aí o primeiro e o mais comum dos maus usos que se fazem das pesquisas – analisar o resultado como se ele fosse determinante da apuração das eleições e comparar o resultado apontado pela pesquisa com o resultado das urnas para aferir a qualidade de um levantamento.

Outro erro muito comum é achar que a pesquisa pode ludibriar os eleitores quando aponta um resultado diferente da realidade. É comum no mercado político, em meios às equipes estratégicas das campanhas, a tentativa de buscar um resultado mais favorável ao seu candidato, ampliando seus números ou diminuindo a força dos seus oponentes. Essa fraude nos números dificilmente impacta nos eleitores que, alheios à força de um candidato ou outro, votam muito mais a partir de critérios de confiança ou proximidade do que para maximizar a chance de um candidato ou outro ser eleito.

Os bons profissionais de campanha e os políticos éticos e responsáveis usam a pesquisa não como fim, mas como meio. Ao ler as entrelinhas dos resultados, ao fazer a segmentação das opiniões e comportamentos, eles orientam suas ações, propostas e discursos para públicos específicos e, com isso, conseguem aproximar sua imagem do que os eleitores esperam da atuação de um político ou candidato.

As pesquisas ajudam a informar a campanha que, com seu uso, trabalha a gestão da informação gerando uma imagem mais próxima da expectativa do cidadão. Neste artifício dois são os caminhos para quem faz o bom e o mau uso da informação. No lado negativo, a construção artificial de uma imagem pode ser rapidamente abandonada mostrando no exercício do poder uma figura diferente daquela apresentada durante uma campanha e, neste caso, encurtando a carreira de um político. Agora, já do lado positivo, políticos que aprendem a fazer uso da pesquisa diuturnamente aproximam cada vez mais sua imagem e seus atos em relação ao que os cidadãos esperam e conseguem uma carreira mais próspera na área.

*Malco Camargos é Doutor em Ciência Política, diretor do Instituto Ver Pesquisa e Estratégia e professor da PUC Minas. 

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De volta pra casa

por Convidado 30 de julho de 2021   Convidado

*por Sérgio Marchetti

Ultimamente tenho visto muitas pessoas e famílias indo para o interior e, mesmo, para o campo. Será que já podemos chamar de êxodo urbano? Creio que sim. E, confesso, meus confidentes leitores, que sinto uma pontinha de inveja (Leandro Karnal critica a inveja) daqueles que vão morar numa cidadezinha calma, aonde o tempo passa devagar e há muito mais natureza cercada de verde, terra e água. Adoro trabalhar no interior, andar pelas ruas e receber um bom-dia ou boa-tarde de quem não me conhece. Fosse para realizar um curso ou uma consultoria, o interior sempre foi minha preferência, e a FGV me proporcionou esta alegria. Viajei pelo Brasil (e fora) de norte a sul com muito conforto e conheci lugares lindos, mas o aconchego do interior é inigualável. Entre tantas, destaco uma lembrança, Ipanema, aqui em Minas, pelo panorama pitoresco. O escritório da empresa ficava no final de uma das poucas ruas daquele lugar e, com a janela aberta, além de desfrutar da mata verde, tive o privilégio de ver o gado pastando na porta do escritório. Que paz!

Dizem que a gente sai da roça, mas a roça não sai da gente. E a roça está presente nas mais lindas lembranças da minha existência… “Que saudade imensa do campo e do mato/do manso regato que corta as campinas…”  Lembranças que renovo sempre, porque sou agraciado pelos anjos que me possibilitam visitar minha Pasárgada. E, em seu caminho, um outro lugar da minha vida, minha Barbacena que está sentada no alto da serra, com seu vento frio e úmido para, quem sabe um dia, me receber de volta.  “…foi lá que nasci, lá quero morrer…”

Como costumamos ouvir e dizer: há um tempo de ir e há um tempo de voltar… e ando pensando na possibilidade de retornar. Porém, me bate no hipocampo, dos dois lados do cérebro, uma lembrança recorrente do conto de Aníbal Machado, Viagem aos seios de Duília, adaptado depois para o cinema, que nos faz pensar muito sobre a impossibilidade do resgate do passado. Também vale trazer à tona o pensamento de Heráclito de que “Ninguém se banha duas vezes no mesmo rio. Quando imergimos, águas novas substituem aquelas que nos banharam antes”.  Entendemos que a água e o homem estão em constante transformação e não serão os mesmos num segundo momento. Também penso sobre isso e me digo em pensamento que Barbacena não é mesma. Tampouco reencontrarei a maioria das pessoas que lá deixei. Em vez de braços abertos, haverá cruzes, pois a vida é breve e, por essa razão, não há tempo para pensar e procrastinar. Somos um corpo em movimento de mudança e transformação, e isso é tudo que somos. Uma constituição física com prazo de validade, que não pode voltar a ser o que era, mas que pode voltar às origens, se assim o desejar e o acaso permitir. Contudo, sem autoengano e ilusões.

Vejo a vida como um livro; o nascimento vem no capítulo primeiro, e o retorno está no epílogo, “tudo e todos se dirigem para o mesmo fim: tudo vem do pó e tudo retorna ao pó”. (Eclesiastes 3:20)

*Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

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