Pessoas em situação de rua

por Convidado 2 de julho de 2021   Convidado

*por Sérgio Marchetti

Em oportunidades anteriores, afirmei que este momento do mundo será registrado na história e lembrado pelas gerações futuras como um marco doloroso da vida da Terra. Já seríamos lembrados por termos presenciado a mudança de século e de milênio. Mas, infelizmente, as tristezas marcam mais do que as alegrias. E, fato é, que a desigualdade cresceu demasiadamente por consequência da pandemia que se iniciou em Wuhan, na China.

Diante de um quadro avassalador, o desemprego cresceu em todo o mundo e muitas famílias, sem trabalho, não tiveram outra opção a não ser morar nas ruas. Para mim, meus solidários leitores, é inconcebível que pessoas, que gente, idosos, adultos e crianças durmam com os ratos e passem fome e frio num mundo de tanta ganância e de renda tão injustamente distribuída.

Confesso que não estou conseguindo parar num sinal de trânsito e ver tanta gente tentando se reinventar, seja fazendo malabarismos ou vendendo alguma coisa. Dói não poder ajudá-los em sua luta pela sobrevivência. Meu sentimento é o de ver alguém se afogando e não fazer nada para salvá-lo.

É triste saber que a tragédia pintada nesse quadro não toca, não gera compaixão em grande parte das pessoas. Os miseráveis não precisavam sofrer tanto, eles precisam de ajuda para moradia e alimentação. Não me entendam errado, esclarecidos leitores. Eles não pedem auxílio-moradia, auxílio-terno, auxílio-alimentação, auxilio-engraxate, quota de combustível, etc. Alguns só pedem que o seu próximo abra o vidro do automóvel e lhe dê uma moeda. Depois, óbvio, o doador pode pegar o álcool gel e reforçar a proteção contra o coronavírus.

E é nesse momento que aparecem os anjos, sem voarem porque não têm asas, mas com corações de gigantes para ajudarem os mais necessitados. Nem tudo está perdido. Pessoas boas, muitas vezes com o orçamentado estrangulado, se comprometem a ajudar a matar a fome e o frio de pessoas em situação de rua. Isso me conforta, me dá um alento e uma esperança.

Recentemente, pude, por iniciativa de minha mulher, Rose, engajar e dar uma pequena ajuda a uma campanha feita com o coração, solidariedade e esforço de um grupo de caridosos que distribuem comida, roupa, agasalho, cobertores e calçados. A ajuda continua, o inverno chegou agora e, certamente, poderemos salvar irmãos de menor sorte de padecerem ou até de morrerem de frio.

Aquele que quiser fazer parte poderá doar agasalhos, calçados, cobertores e roupas. Um caso curioso aconteceu há alguns dias, quando um doador, jogador de voleibol, doou, além de roupas, alguns pares de tênis, número 46, e pensamos que em ninguém serviriam. Mas, para nosso espanto, foi muito festejado por um rapaz de estatura elevada que disse estar descalço porque ninguém havia doado sapatos que coubessem em seus pés.

Então… tudo pode, tudo serve, tudo vale quando é doado com o coração.

Quem desejar conhecer melhor o trabalho realizado, pode visitar o perfil do Instagram @hojevamosjantarfora.

“Não há frio tão intenso e congelante quanto o da indiferença” (Júlio César)

*Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

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Não me interprete mal

por Convidado 6 de junho de 2021   Convidado

*por Sérgio Marchetti

Napoleon Hill conta uma história de um avô que, estando perante seu neto:

“retirou milho do galinheiro, espalhou pelo chão de terra e cobriu com palha. Quando indagado por que se dera a todo esse trabalho, ele respondeu: — por dois motivos muito bons: primeiro, porque cobrir o milho com palha, de modo que as galinhas tenham que ciscar para encontrá-lo, proporciona o exercício de que elas precisam para ficar saudáveis; e, em segundo lugar, dá a elas a oportunidade de terem o prazer de mostrar o quanto são espertas ao encontrar o milho que pensam que tentei esconder delas”.

O que tem a história das galinhas a ver conosco, pode estar pensando meu leitor mais questionador. Mas acredito que a interpretação dela nos possa ser útil. E quero crer que seja um exercício salutar, pois, segundo o Instituto Paulo Montenegro e a ONG Ação Educativa, em pesquisa de 2016, somente 8% da população brasileira conseguia ler e interpretar textos. Pesquisas atuais confirmam que não houve melhoria, apesar de, em 2019, segundo o IBGE, a internet ser utilizada em 82,7% dos domicílios brasileiros. Podemos deduzir que o fato de utilizarmos a tecnologia não ajudou na melhoria do entendimento das mensagens. Ao que nos parece, as evidências indicam que piorou. O que não nos surpreende, pois quantidade de informações não é igual à qualidade de informações.

Constatadas as dificuldades, vale praticar um pouco de interpretação. De volta ao galinheiro, poderíamos dizer que o autor desejou nos mostrar que fazer exercício é saudável e essencial, e que não menos importante é estarmos felizes por atingirmos nossos objetivos. Será que exagerei na interpretação, meu contido leitor? E digo mais. Acredito ser impossível alcançar a felicidade sem conquistas, sem descobertas e tendo nossa liberdade tolhida. Porém, atualmente, um dos erros mais cometidos em nossa sociedade educada é a superproteção dos filhos. E, sem perceber (ou percebendo), muitos pais não permitem que seus filhos evoluam, andem sozinhos e façam suas necessárias descobertas. Com suas mãos de tesoura, como Edward, podam suas asas para não voarem alto nem longe do ninho. O resultado é simples; criam-se filhos mimados, egocêntricos e que continuam, como se fossem crianças, dependendo do esforço dos mais velhos para lhes prover de tudo que necessitam, enquanto trabalham (isso quando trabalham). E, tudo isso, sem falar dos “nomofóbicos” e “autistas tecnológicos”, que se dedicam mais de doze horas por dia à doentia utilização de seus smartphones e computadores — razão mais do que justificada para não poderem auxiliar nas tarefas domésticas, compras no supermercado e trazerem um copo d’água para aquele pai idoso e cansado.

E as causas principais? Reputamos, entre outras, o ensino ruim, a apatia de muitos pais e a péssima influência de algumas mídias, que funcionam como alavancas propulsoras da inversão de valores, incentivando os jovens a tomarem a batuta e regerem, como se soubessem, a orquestra de seus lares.

Mas jovens envelhecem e, com o passar do tempo, irão perceber (já estamos percebendo) suas dificuldades — patrocinadas pela tecnologia — de concentrar, ouvir, interpretar e compreender as entrelinhas das mensagens.

E você, meu atento leitor, como interpretaria as causas dessa grande dificuldade?

Eu, na minha humilde opinião, acredito que esteja sobrando tecnologia e faltando galinheiro.

*Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

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Como será o amanhã?

por Convidado 6 de maio de 2021   Convidado

*por Sérgio Marchetti

Observem, persistentes leitores, as frases que tenho ouvido:

Depois da pandemia da COVID-19, nada voltará a ser como antes.”

“No novo normal, as pessoas serão meros robôs.”

“Os trabalhos serão realizados à distância e nunca mais voltarão a ser como antes.”

“Era necessário um castigo para que a humanidade se tornasse melhor.”

Como vimos, o que não faltam são palpites, suposições, opiniões, interpretações e achismos que preenchem nossos dias, prenunciando um novo tempo que está por vir. Surgem, então, os cientistas, futurólogos, profetas do acontecido e oportunistas que exploram a doença e a desgraça alheias para alcançarem seus objetivos escusos.

É num momento como este que percebemos o quanto somos frágeis. A morte chega sem aviso e carrega as pessoas que amamos. O que já é ruim fica pior, quando algumas mídias desestabilizadoras do equilíbrio emocional — de tanto repetirem, massificarem, induzirem — nos transformam em pessoas tristes, depressivas e isoladas. E, embora desejemos entender como tudo acontece, a pandemia não dá dicas, nem nos deixa estabelecer padrões de acometimento de pacientes. O pânico cresce e traz com ele doenças psicológicas.

Em face do caos que testemunhamos, as pessoas se perguntam: como será o futuro próximo? O que é real? Pergunta difícil, meus leitores realistas. Aprendemos que o real é tudo o que existe, independentemente de nossa inteligência interpretativa. O que significa dizer que realidade, diferentemente do real, é uma espécie de alucinação coletiva, um sentimento solidário, com o qual muitas pessoas concordam. A partir desse entendimento, fica evidente a necessidade de reequilíbrio, de manter a calma e estabelecer um plano para sobreviver no mundo real.

Temos uma problemática. Pensemos juntos. Estamos enfrentando um inimigo invisível que nos impõe restrições, falências, desempregos, enfermidades e nos leva à morte. Soluções: mudanças de trabalho ou de metodologia de trabalho, planejamento, distanciamento racional (considerando saúde e economia), uso de álcool gel, máscaras, e, embora ainda faltem respostas às reações que a doença nos causa, gradativamente, as vacinas começam a resguardar vidas. Outros inimigos, igualmente preocupantes, podem causar danos tão irreversíveis quanto o da pandemia. O pior deles é o radicalismo —  que, sendo dono da verdade, presta desserviços, massifica ideias, assombra incautos e simplórios. Infelizmente, ainda não há vacinas para a doença que torna as pessoas radicais. Os infectados sofrem alucinações, não aceitam argumentos (comprovações) que contrariem suas suposições e veem como inimigos todos que discordam deles. Os sintomas mais comuns são: apontar culpados pela doença e mortes, em vez de pensar nas causas e soluções; emitir opiniões sobre assuntos que não dominam; fazer afirmações sem base comprobatória e misturar ideologia com pandemia.

Diante disso, precisamos de ações que tragam desfechos positivo para nossas vidas. Pois, como disse Santa Tereza de Calcutá: “o dia mais importante de nossas vidas é hoje”.  E completo: colheremos amanhã o que plantarmos hoje.

Então, vamos lá, esperançosos leitores. Parem! Respirem fundo. Inspirem, expirem… Luzes, ação!

 “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer…”

*Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

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As mentiras de cada um

por Convidado 1 de abril de 2021   Convidado

*por Sérgio Marchetti

Você costuma mentir? Não?  Será que não está mentindo agora?

Particularmente, odeio mentira. Porém, saibam, leitores mais verdadeiros, que a mentira faz parte da vida de todos nós. Que atire a primeira pedra aquele que nunca mentiu. Sim. Desde crianças, a mentira nos acompanha como uma sombra. E com quem a prendemos a mentir? Com os adultos. E desculpas não faltam para explicar.  – Eu não minto. Apenas omito.  – Somente desta vez foi que menti. Este é mais mentiroso ainda. Somente nessa frase já mentiu duas vezes. E concurso de Miss? – Qual o livro que mais gostou? Quando não respondem que é o Pequeno Príncipe, pode vir uma mentira descarada: Crime e Castigo, de Dostoiévski.

Este tema (mentira) me veio à cabeça porque no palco da maldita Covid-19 foram criadas mentiras brandas, pecados veniais, como por exemplo — eu uso máscara em qualquer lugar. – Almocei lá porque o restaurante estava vazio. – Eu não saio de casa para nada. – Lá não tem ninguém com Covid. Mentirosos!

Para ficar claro, elenquei algumas categorias de mentiras:

*Comercial – esta blusa é a sua cara. – Aproveite a promoção. Amanhã será mais caro.

*Carinhosa — seu filho é lindo (muitas vezes é feio).

*Alcoólica — agora só bebo socialmente.

*Trabalho — eu faltei porque minha mãe morreu. Sobre esta última, um funcionário certa vez me justificou a falta ao trabalho em decorrência da perda da mãe. Fiquei muito penalizado, pois em poucos meses ele havia perdido as duas avós. Mas o que me chocou, especificamente naquele dia, foi ele ter perdido a mãe pela segunda vez.

As causas dessa fuga da realidade estão na busca de afeto, no sentimento de pena, no medo das consequências por terem feito algo errado. Alguns mentem com o intuito de parecerem melhores do que são. Outros, para serem aceitos em determinados grupos e empregos. E, em casos mais graves, o embusteiro convicto que forja situações para enganar alguém numa venda de um veículo, transação financeira ou algo que venha lhe gerar vantagem.

Falando em falta de veracidade, obviamente que não dá para esquecer das fake news que tanto distorcem fatos quanto destróem a imagem e a reputação de pessoas. Lamentavelmente, teremos que conviver com essa nova modalidade de notícias.

Mas, saibam, meus sinceros leitores, que quando esse comportamento passa a ser compulsivo, ele pode ser considerado como doença. A mitomania ou mentira compulsiva é uma tendência patológica que acomete muitas pessoas. Também os alerto que, em qualquer contexto, mais cedo ou mais tarde, a verdade prevalecerá.  “A mentira tem pernas curtas”.

“Você pode enganar muitas pessoas por pouco tempo, pode enganar algumas pessoas por muito tempo, mas não pode enganar todo mundo o tempo todo. ” (Abraham Lincoln)

*Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

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A magia das palavras

por Convidado 4 de março de 2021   Convidado

*por Sérgio Marchetti

 “Quem não vê bem uma palavra não pode ver bem uma alma.” ( Fernando Pessoa)

As pessoas que me procuram para participar de cursos e aulas individuais de oratória apresentam sempre um ponto comum, que é informado por eles: o nervosismo.

Para mim, que estou há 25 anos ministrando cursos de oratória, não é nenhuma novidade. O que desconhecem, entretanto, é que há outros problemas que, se solucionados, irão contribuir com a diminuição do nervosismo. São vários, mas, hoje, quero destacar o vocabulário.

Em ocasiões anteriores, cheguei a falar sobre a variação do vocabulário, dependendo de cada ambiente. Na leitura de um texto num tribunal, há, data vênia, a aplicação de palavras técnicas, antigas, eruditas e incompreensíveis para alguns. Num discurso médico, os termos técnicos também podem não ser entendidos por leigos. E assim acontece com cada segmento. A comunicação tem inúmeras línguas que, por sua vez, apresentam linguagens diferentes.

Imagine que a língua portuguesa tenha em torno de 600 mil palavras (Ieda Alves), presuma quantas palavras você utiliza em seu vocabulário. Há uma disparidade enorme entre o que temos à disposição e o que realmente aplicamos. Com isso, chegamos à conclusão de que não precisávamos de tantas palavras, porém, não satisfeitos linguisticamente, ainda criamos vocábulos novos e importamos muitos outros de várias línguas, sobretudo do inglês. O estrangeirismo ou barbarismo acomete todas as línguas.

O que sugiro aos meus alunos é que procurem ampliar seus vocabulários, anotando algumas palavras que ouvem numa palestra ou reunião, mas que não têm o hábito de usar. Outro exercício interessante é ler uma frase já escrita e alterar todas (ou quase todas) as palavras, sem que haja a mínima perda do sentido do texto.

Conhecer as palavras e saber quando usá-las é como aprender etiqueta e saber que cada talher tem sua função. Os vocábulos têm vida própria, são específicos para transmitir uma mensagem com exatidão. Ou seja, obter êxito na semântica.

Quero chamar a atenção, também, para expressões e alguns contextos curiosos. No futebol, por exemplo, um antigo – e já falecido – técnico da nossa seleção descobriu o ponto futuro e, como não ganhou nada, deve ser deixado num ponto do passado. Mas, em outra decepcionante Copa do Mundo, aqui no Brasil (gol da Alemanha, gol da Alemanha, outro gol da Alemanha… Chega!), disseram que faltou atitude. Já falei disso, mas tem mais: agora, jogadores flutuam em campo. Talvez imaginem o ponto futuro e voem. Aí, os comentaristas, praticando o neologismo, inventaram jogadas cirúrgicas e a falta de gols é atribuída a erro na tomada de decisão. Mas não satisfeitos, ainda fazem análises psicológicas e atribuem as derrotas ao estado anímico dos jogadores. A palavra, vinda do latim “anima” ou do grego “psykhé” significa “alma”, e deve exigir um religioso para cuidar daqueles pobres atletas que padecem em sua pesada labuta. Sendo latim ou grego, nossos times estão longe de atingir um patamar que nos faça ter orgulho deles.

Para ser bem sincero, acreditava mais quando os jogadores não flutuavam, apenas corriam nos gramados com os pés firmes no chão, o coração na ponta da chuteira preta e com muita vontade de vencer.

*Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

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A argumentação

por Convidado 5 de fevereiro de 2021   Convidado

*por Sérgio Marchetti

“Os limites de minha linguagem significam os limites de meu mundo.” (Wittgenstein)

Posso dizer que houve, nesses últimos vinte anos, a maior expansão da literatura de todos os tempos sobre os diversos e mais variados assuntos. Mas, de forma avassaladora, também cresceu o número de pessoas que discutem temas, sobretudo polêmicos, somente com os ímpetos da paixão, que os impedem de aceitar quaisquer argumentos, ainda que documentados oficialmente.

Em minhas aulas e nas orientações individuais sobre o tema argumentação, meus alunos me indagam sobre como proceder quando argumentos inquestionáveis são desprezados pelos oponentes. Eu respondo que, conforme já diziam os antigos: “contra fatos não há argumentos”. Mas sei que não é o que tem ocorrido na prática, em discussões formais e informais.

Vejam, receptivos leitores, como é difícil a arte de comunicar: três pessoas olham para um indivíduo barbudo e de cabelos longos. Um diz que é Jesus, outro que é um hippie qualquer. E um terceiro, que não tem coragem de arriscar, diz que ambos são ignorantes. Ou seja, critica, mas não soluciona. E isso não é novidade. É sabido que, desde os primórdios, onde houvesse três seres pensantes, fatalmente haveria algum tipo de discordância e, possivelmente, alguém “em cima do muro”.

Na antiga Grécia, nos tempos platônicos, existiram os sofistas que cobravam pelos ensinamentos da argumentação sobre qualquer tema, mesmo que os argumentos não fossem válidos e nem reproduzissem a verdade. Ora, a busca da verdade não é tarefa fácil. E muitos não a querem. Há casos em que, mesmo sob flagrante, o criminoso nega o que todos estão presenciando. Então, como vemos, não foram somente alguns gregos que desenvolveram teses falsas, defendidas pela retórica quase que perfeita. Na realidade, com o advento da democracia, todas as pessoas passaram a ter direito de defender suas ideias e, com isso, a prática da argumentação, falsa ou verdadeira, cresceu bastante desde os tempos de Aristóteles.

Em breves palavras e sem aprofundar no assunto, pois sabemos que o novo leitor se impacienta diante de muitas palavras, podemos dizer que a arte da dialética, tão desprezada nos novos tempos, é a melhor forma de aprender a argumentar. Tal arte tem como pré-requisito não apenas saber falar, mas também saber ouvir, pois se você, meu ansioso leitor, não conseguir ouvir para conhecer pontos de vista diferentes e contrários aos seus, jamais conseguirá ser um bom argumentador. E ainda tem mais um elemento para compor o perfil de quem defende honestamente suas ideias: procure trabalhar com a razão — pois somente ela é conselheira fiel de quem busca a verdade dos fatos.

*Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

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Simples reflexões

por Convidado 4 de janeiro de 2021   Convidado

*por Sérgio Marchetti

O Discípulo perguntou ao Mestre: – o que é a vida?

O Mestre lhe respondeu: – é um campo de luta de uma disputa eterna.

O discípulo ficou pensativo e decepcionado com aquela resposta. Ora, se a vida é uma disputa, nós seremos eternamente adversários de alguém – pensou. Então, voltou a indagar: – mas nós, em todos os dezembros, desejamos e externamos votos de paz e de um ano novo feliz. Estamos errados?

– Caro Discípulo, emendou o Mestre, cantarolando: – “…Cantar nunca foi só de alegria/com tempo ruim /todo mundo também dá bom dia…” (Gonzaguinha). E continuou: – São tradições, etiquetas, costumes que nos ensinaram e que tentamos crer que possam nos ajudar a construir um mundo melhor. Mas, via de regra, são ações automatizadas que, em raríssimos casos, contêm sentimentos que passam energias positivas e desejos reais.

– Que frustração me causou sua resposta.

– Você é jovem, meu querido seguidor. Quando for mais velho, verá que a vida não é exatamente como pensa hoje. O tempo se incumbe de minimizar as decepções. Tudo muda com o tempo, inclusive conceitos, ideologias, crenças e etc.

– Qual é a maior vantagem de ser velho? Será a sabedoria que se tem da vida? – indagou o jovem.

– Não. Nem todo velho é sábio. Os néscios também envelhecem. A vantagem é não ter morrido jovem (risos). Ademais, salvo melhor juízo de valor, é o tempo de convivência com as pessoas que amamos.

– O senhor é partidário do poema de Cassiano Ricardo que diz que “…desde o momento em que se nasce, já se começa a morrer…” ou que cada dia é mais, e não menos um dia?

– Poderíamos dizer que quem dá a vida, também dá a morte. Mas cada dia, para mim, é mais um dia. A vida, com toda a luta, é uma unidade que recebemos de presente e que devemos saber valorizar.

– E por que unidade?

– Porque é um verbo em movimento e não tem, como as outras coisas da vida, duas faces.

– Não entendi.

– Explico: o contrário de morrer, qual é?

– Viver, ora!

– Errou. É nascer. Viver não tem contrário. Viver é uma dádiva durante um determinado tempo. Naturalmente, quem embarcou primeiro tem um número de senha menor, e será convocado a descer antes. O que é justo; afinal quem chega primeiro tem o direto de ser chamado antes. O que ocorre fora da regra é que muitos jovens afoitos, acostumados a furar filas, acabam passando na frente.

– Crueldade, Mestre. E sobre o ano de 2021? O que acha dele, Mestre?

– Estamos nele, vamos “começar de novo/ E contar comigo/ Vai valer a pena/ Ter amanhecido…Ter sobrevivido…” (Ivan Lins / Vitor Martins).

– Está certo. Valeu a pena ter sobrevivido. Tive muito medo de perder pessoas e até de não sobreviver, mesmo sendo jovem.

– Está vendo. Estávamos, ainda estamos e sempre estaremos lutando contra um inimigo perverso. A vida, como lhe disse, é uma eterna competição; seja contra um adversário como a Covid, seja contra o desemprego, a estagnação, um vício, um parente, um colega traíra. Mas, e sobretudo, estaremos combatendo aquilo que pode nos tirar a vida. A sabedoria consiste em viver cada coisa de cada vez.

– Sabe, Mestre, queria muito que a vida fosse melhor, bem mais justa e menos desigual. Que as pessoas fossem melhores e mais honestas. Tudo não passa de um enredo, cuja essência é o engano. Até os pais mentem para seus filhos…

– Entendo seu sentimento. Um compositor-poeta, sentindo a mesma dor, escreveu:  … “Mas, a vida anda louca/ As pessoas andam tristes/ Meus amigos são amigos de ninguém …“ (Vander Lee).

– Mas a vida é boa sim. O mundo é um palco no qual realizamos espetáculos diversos e, mesmo tendo inúmeros vilões, há sempre muitas pessoas bondosas, solidárias e amigas que protagonizam a peça. Como disse Carlos Drummond: “existe uma pedra no meio do caminho”. A diferença entre sofrer e não sofrer depende de cada pessoa. Uns vão tropeçar na pedra, cair, se debater. Muitos irão atirá-la em alguém. Alguns vão se sentar nela. Outros, porém, irão utilizá-la como pedestal.

A escolha é de cada um.

*Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

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Agora vai…

por Convidado 21 de dezembro de 2020   Convidado

*por Sérgio Marchetti

Enfim, chegamos ao final do sofrido e inusitado ano de 2020. Aos poucos, como um maratonista alquebrado e sem fôlego, mas que não se entrega ao cansaço, estamos próximos da linha de chegada. O mês do nascimento de Jesus, provavelmente, representa apenas o “box” – parada para descanso de uma jornada que nos surpreendeu com chuvas acima da média, queimadas recordistas e uma pandemia que encerrou os sonhos de tantas pessoas.

Em dezembro passado escrevi neste espaço que acreditava em dias melhores. Meu realismo “Nostradamicus” havia sido corrompido, possivelmente, por milhares de mensagens de otimismo que me levaram a fazer previsões ilusórias de que viria a bonança. Tive esperanças e acreditei mesmo. Não aconteceu. Vieram as tempestades, infelizmente.

E, falando nisso, peço licença aos meus bem-aventurados leitores para fazer um aparte. Vocês já devem ter percebido que as pessoas mais realistas acabam fingindo que acreditam num monte de baboseiras que, certamente, extrapolam os dogmas do pensamento positivo? Perceberam que, caso não concordem com certas extravagâncias, vocês serão taxados de pessimistas?

Entretanto, cabe a lembrança de que o pêndulo da vida, a temperança, está no centro das coisas, assim como o realismo é o ponto de equilíbrio entre o otimismo e o pessimismo – o que não significa que eu seja contra o otimismo. Creio que haja um momento para cada sentimento, e a esperança chega a ser milagrosa, sim, desde que exista a possibilidade de que algo se concretize. O autoengano, uma das faces do otimismo, nos leva à procrastinação de um ato que não irá acontecer e, certamente, não nos levará ao pódio.

Estão pensando que não acredito em dias melhores? Erraram. E, já que estamos falando em otimismo, creiam, meus fervorosos leitores, continuarei persistindo em minhas profecias de que 2021 nos será mais favorável. Transfiro todos os planos sonhados e os objetivos malogrados para o próximo ano e convido-os a refazerem seus propósitos com os pés no chão, mas com a alma nas estrelas. Afinal, merecemos momentos mais agradáveis.

Tudo isso me remete a um fato, ocorrido há muitos anos, numa empresa em que eu era recém-admitido e para a qual havia elaborado um projeto de mudanças e melhorias. Um dos gerentes, ao final de minha explanação, disse uma frase que me deixou feliz: “Agora vai…” e prosseguiu com um discurso de credibilidade, dizendo que havia esperado muito por aquela oportunidade, pois tentativas anteriores o haviam frustrado.

Num segundo momento, após a reunião, comentei com colegas sobre minha satisfação ao ver a reação do referido gerente. Recebi de volta um sorriso coletivo e, desconfiado, indaguei o porquê daquela risada. Tive como resposta de que não deveria levar em consideração aquele nobre colega, pois todos os anos, na reunião estratégica, a reação era sempre a mesma: “Agora vai…”

Mas, voltando ao fatídico 2020, contabilizamos perdas irreparáveis tanto de pessoas quanto financeiras. Porém, não temos outra opção a não ser nos reinventarmos e prosseguirmos em nossa corrida pelo circuito da vida. Para outros, foi um ano rentável e isento de doenças e perdas. Felizes são esses últimos que foram escolhidos e abençoados.

Diante de tudo isso e, apesar do ano frustrante, eu agradeço a Deus por estar aqui, chegando ao “box” para repouso, exaurido, mas grato por existir, resistir e trabalhar para ajudar pessoas a ressignificarem seus traumas e suas carreiras. Enfim, desejo a todos vocês que estiveram comigo e mantiveram viva a minha vontade de escrever, um Feliz Natal, pleno de harmonia e, carinhosamente, reafirmo em meu realismo, meio otimista, de que o ano novo nos possibilitará encontrar a paz que buscamos, a justiça, a alegria, a saúde, os encontros presenciais com abraços calorosos, e renovará a esperança de que as expectativas represadas transbordem e transformem nossos dias em conquistas.

Que tudo se realize em 2021.

Agora vai…

*Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

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Leve e solto, mas sem exageros

por Convidado 3 de novembro de 2020   Convidado

*por Sérgio Marchetti

Em tempos tão desalumiados, gerados por uma doença pandêmica, a possibilidade de parar e refletir talvez possa ser entendida como uma oportunidade para quase todos nós. Não obstante os inúmeros contratempos em um processo dolorido de perdas, temores e prejuízos, ainda assim, prodigiosos leitores, em que pese todas as adversidades testemunhadas, posso lhes afiançar que tivemos algum tempo para fazer uma higiene espiritual e rever nossas atitudes perante o mundo e a sociedade.

Para resguardar meu senso de utilidade, tenho tirado proveito de algum ócio para meditar e buscar o tão propagado (e até desgastado) autoconhecimento, que para literaturas bem atuais, esconde um tesouro com imensas riquezas.

Mas, depois do prazer em me conhecer, investi literalmente na limpeza, no descarte e no desapego e confesso que, posteriormente, senti um bem-estar muito grande. Adoro livros, coleções de clássicos. E, entre o pesar e a insustentável leveza do ser, vi meus livros sendo encaixotados e, creiam, ouvi gritos de personagens de romances me pedindo para ficar. Alguns disseram que jamais seriam entendidos por outra pessoa como foram por mim. Mas me fiz de frio e disse que a mudança era necessária. Capitu me chamou de traidor. Madame Bovary chamou-me de ingrato pelo amor secreto dedicado a mim. Dante Alighieri prometeu que, por minha insensibilidade, me mandaria para o inferno. George Orwell rogou a praga para Stálin me assombrar, e Dostoiévski me garantiu que crime e castigo andam juntos.

Era como se eu os tivesse sepultando. E o que era difícil se tornou ainda mais penoso porque eu estava tomando uma atitude que contrariava meu apego e, por isso, me incomodou. Mas fui determinado porque, em minha meditação, descobri que nada aqui nesta parte do cosmos é nosso. Somos seres passageiros (e como é rápido) e não temos o direito de guardar algo que pode ser utilizado por outras pessoas. Ainda que sejam livros e num país que se lê pouco.

Após sufocar os gritos dos autores e personagens nas caixas, virei minha metralhadora para o guarda-roupa. Esta parte merece uma explicação: quando se trata de roupa tem uma frase que diz – “e se a moda voltar? ”. Confesso que a ouvi. Porém, a decisão já estava tomada e não teria essa história da moda voltar. No embalo, depois das roupas antigas, parti para as novas. Pesaroso, encarei meu blazer e me perguntei: doa ou não? Mas senti orgulho de mim; lancei mão de outras roupas atualíssimas e embrechei na sacola junto com as demais.

No embalo, foram fitas de videocassetes que talvez um dia eu fosse assistir. CDs que poderia ouvir numa ocasião especial, móveis que estavam guardados no quartinho de despejo e objetos que não sabia que possuía.

Enfim, estava mais leve. As práticas de Feng Shui comprovam isso. Coisas velhas e não usadas acumulam energia negativa.

Meus condescendentes leitores, diante do que relatei, recomendo e os convido a aproveitarem seu tempo da melhor maneira possível. Para ajudá-los, lanço aqui neste espaço precioso de Observação e Análise, 5S (Cinco Esses), que são os sensos traduzidos do programa de Kaoru Ishikawa. São eles:

Senso de utilização: mantenha somente os recursos necessários nos locais específicos.

Senso de organização: os recursos e materiais devem estar à mão, devidamente identificados e arrumados.

Senso de limpeza: tudo limpo e funcionando.

Senso de padronização: processos claros e uniformes.

Senso de disciplina: manter, cumprir e comprometer-se a fazer certo.

Então, utilizem o bons sensos.

* Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

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Contextualização e processo

por Convidado 15 de outubro de 2020   Convidado

*por Sérgio Marchetti

Há muitos anos, participei de um curso de consultoria que mudou a minha vida. Nele, aprendi que não se analisa um fato sem considerar o contexto. Tudo depende do contexto que envolve ambiente, situação, tempo, local, pessoas e uma série de fatores. Um criminoso pode não ser condenado se analisarmos profundamente o processo que o levou a cometer um crime. Ou seja, a vida é processual. Não é por acaso que os japoneses criaram a qualidade total. E, total, quer dizer visão de todo o processo. Também no mesmo curso recebi uma lição que me fez administrar com justiça e margem de erro reduzida qualquer processo. A lição trazia a sigla GOIA. Foi lançada num filme cujo nome era “Efeito Goia”. Resumidamente dizia: Gerencie Onde Incidentes Acontecem.

Os ensinamentos do curso foram tão valiosos que obtive autorização da presidência da empresa na qual trabalhava para conhecer, ao vivo, a realidade de suas filiais. E, assim, desta maneira, passei a viajar e, lhes asseguro que, durante quase três anos, pude compreender e resolver problemas que, estando distante, jamais teria tido o “timing” para buscar soluções, tampouco faria descobertas e obteria insights se não presenciasse os fatos lá bem no local. Sim, meus estimulantes leitores, como podem perceber, o segredo do sucesso estava na palavra presencial. E sabem por qual razão? Porque não há como ter empatia sem sentir na pele o que está acontecendo. E tudo, utilizando-se da estratégia de ver, ouvir e sentir, mas dentro do habitat dos outros profissionais. Talvez muitos de vocês se lembrem que, num programa noturno de domingo, uma emissora corroborava com esta ideia e demonstrava a importância de se estar no local. Normalmente, era um dirigente que, secretamente, se fazia passar por um empregado novo e com isso poderia vivenciar a realidade de cada lugar e, sobretudo, conhecer, literalmente, quem eram seus empregados. As descobertas foram magníficas.

Em todos os meus trabalhos, sejam eles de comunicação, gestão, planejamento estratégico, carreira, oratória (timidez, fluência, postura, conteúdo, pitch, etc) e outros, inequivocamente, utilizo o contexto para entender o porquê de cada fato. Reputo a isso a razão de meus acertos. Por isso, com os devidos e necessários cuidados, atendo presencialmente e treino pessoas que carecem de se apresentar ao vivo ou através de lives e podcasts. Os resultados em encontros presenciais são bem mais produtivos, eficazes e, obviamente, mais rápidos.

Sei que estão pensando que no “novo normal” (detesto o termo) todos os aprendizados dos quais estou relatando serão inócuos. E que, no mundo virtual, o que vale é dominar a tecnologia. Mas e se pudéssemos trabalhar com um pouco de presencial somado ao virtual? O ser humano necessita de conversar, de argumentar, de convencer, de ser ouvido, de fazer parte, de ser parte, de ser importante e útil e, sucintamente falando, precisa de existir. Ver Paris na tela de um computador ou pela televisão não é igual a estar lá e sentir o cheiro do lugar, o frio ou o calor. Caso assim fosse, ninguém precisaria viajar tanto. E a cada dia viajamos mais.

Mestre Gonzaguinha disse:

“Um homem também chora/ Menina morena/ Também deseja colo/ Palavras amenas/ Precisa de carinho/ Precisa de ternura/ Precisa de um abraço/ Da própria candura…” 

Compactuo com a mensagem da música. Homens e mulheres precisam da presença de gente, pois somos vida, energia que só circula presencialmente.

Quem não gosta de um aconchego? De estar ao vivo com alguém que é importante para você?

“…Querendo um sorriso sincero, um abraço/ E toda essa minha vontade/ que bom poder estar contigo de novo/ roçando teu corpo e beijando você…” (Dominguinhos e Nando Cordel)

“Temos que ir à procura das pessoas, porque podem ter fome de pão ou de amizade.” (Santa Tereza de Calcutá).

* Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

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