por Sérgio Marchetti*

Desde criança eu gostava de ouvir histórias. O momento melhor das minhas aulas no grupo escolar era no final, quando a professora (que não era tia) arrematava com uma história.

Confesso que viajava pelos castelos dos príncipes, pela torre de Rapunzel, entre as árvores da floresta dos sete anões, no encontro com um gato de botas, além de ouvir um minúsculo ser do tamanho de um polegar.

Daquela época até hoje, os livros ocuparam papel importante na minha vida e na minha estante. Mas, lamentavelmente, assim como milhares de outras coisas que marcaram a vida de milhões de pessoas, tiveram sua pena de morte decretada. E nesse movimento, incontáveis ambientes, culturas, etc  foram vítimas das mudanças e dos aprimoramentos do mundo contemporâneo.

O que me conforta, é saber que minha geração ainda poderá contar com a leitura de livros que, mesmo sendo técnicos, foram escritos por um ser pensante que traz em seu âmago alguma forma de emoção.

Saibam, caríssimos leitores deste Blog, que a Inteligência Artificial escreve textos sensacionais em tempo recorde. E que a previsão de muitos estudiosos da tecnologia se cumpriu, apesar de tantos críticos terem dito que jamais ocorreria. E, nessa esteira rolante, não sei dizer, sinceramente, se seremos substituídos por ferramentas tecnológicas com bilhões de palavras e formações de frases. Tenho plena convicção de que a concorrência é desleal. Agora, os chatbots são os protagonistas da peça. São softwares que se comunicam e interagem com usuários por meio de mensagens automatizadas. Isso, a todo momento e sem necessidade de qualquer ajuda humana.

Utilizando a linguagem policial, a tecnologia está adentrando em nossas casas e fazendo evadir tudo que, até hoje, era uma rotina e um estilo de vida. Neste contexto, o que prevalece é a mudança e Heráclito (500 a.C. – 450 a.C.) confirma sua tese:  “Tudo muda o tempo todo, e o fluxo perpétuo (movimento constante) é a principal característica da natureza”.  Só não imaginava que as transformações seriam muito mais avassaladoras do que poderia prever.

Enfim, estamos diante de um novo mundo, totalmente diferente do que já se viu em toda a história deste planeta. “E nada do que foi será/ de novo do jeito que já foi um dia…”

 

*Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br

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Mother of Mine

por Convidado 11 de setembro de 2023   Convidado

por Sérgio Marchetti*

Nesses últimos dias, a vida me surpreendeu negativamente. Eu acreditei, leitores de boa-fé que, com o passar dos anos, os desafios que a existência nos reserva fossem diminuindo. E, pela lógica, já tendo certo acúmulo de experiência, realizações, “uma certa idade”, as cargas mais pesadas seriam atribuídas aos mais jovens.

Mas estava enganado. Primeiro, porque a vida não tem lógica alguma. E, depois, pelo fato de que, quanto mais vivemos, mais caras ficam as cobranças. E a que chegou para mim é impagável. Tive que encarar o antagonismo de “conviver com a morte”. A história começa, lamentavelmente, com o fato de minha querida mãe ter ido se encontrar com meu pai. Sim, após alguns dias de agonia, ela partiu. E, embora bastante idosa, a dor da separação é muito forte. A ruptura causada pela partida daquela pessoa que nos guardou no ventre, nos remete a um novo corte do cordão umbilical. A vida nos bate na face, nos enche o peito de angústia e reafirma nossa fragilidade. Outra vez, me vem à mente a pergunta de Hamlet na peça intitulada a Tragédia de Hamlet: “ser ou não ser, eis a questão”. E, o não ser, que levou meu pai há um ano, não satisfeito, veio buscar minha mãe. Tanta doçura tinha em sua maneira de ser que, quando eu era criança, estudando inglês (que não aprendi direito), ouvi uma música linda que se chamava Mother of Mine, de Jimmy Osmond, e dediquei a ela porque a melodia traduzia a delicadeza, meiguice e suavidade de minha querida Dona Iris, cujo nome representa, não por acaso, “mensageira dos deuses”.

Confesso, leitores mais sensíveis, que jamais consegui sentir em meu íntimo que havia feito tudo que minha mãe merecia. Sempre me vem aquela vozinha no ouvido dizendo que ainda poderia ter feito mais. O mesmo sinto por meu pai. Mas minha gratidão por tê-los tido como pais não cabe em mim.

E o grande desafio, que citei inicialmente, veio me testar justo no dia em que estava agendada uma palestra para 150 pessoas (empresários do comércio). Imaginaram? Foi isso mesmo. De um lado uma palestra com interações bem-humoradas e de outro um velório de uma pessoa tão especial, e em cidades diferentes.

Sabia que não teria condições psicológicas para realizar um trabalho que atendesse às expectativas mínimas. Faltaria alegria, energia, entusiasmo e equilíbrio emocional. Era quase início de noite, e a palestra seria às 9h da manhã seguinte. Como cancelar? Mas, caso conseguisse ter forças para realizá-la, não daria tempo de comparecer ao sepultamento. O que fazer? E os organizadores? O público? Como ficariam todos?

Não me perguntem como foi que decidi. Apenas saibam que algo maior do que eu é que me deu forças. Fiz cortes nos assuntos e diminuí para uma hora o tempo da apresentação (seriam duas horas). Tomei chás, suco de maracujá, quase não dormi, porém compareci ao evento. Cumpri meu papel e tive a certeza de que minha mãe, que sempre soube de minha dificuldade — por ter muita compaixão pelos outros (puxei dela) — se orgulharia de mim.

Foi difícil, mas consegui. A superação foi muito além do que supunha. Óbvio que não tive a energia e os insights que obteria normalmente. Confesso que não me lembro de tudo que fiz naquele evento. Mas saí daquele lugar com a alma lavada e, alguns minutos depois, com os olhos também, porque iria encarar uma das cenas mais tristes no teatro da minha vida. Um drama que acontece todos os dias, mas, quando nos acomete, a naturalidade deixa de existir. E assim, como cantava o grande Gonzaguinha, “um homem também chora…” e “Guerreiros são pessoas/ São fortes, São frágeis/ Guerreiros são meninos/ No fundo do peito”.

Desta forma, mantendo uma força que não tenho, mesmo com o coração dilacerado, me despedi da mulher que me deu a vida, pedindo a Deus que a recebesse de braços abertos, a amparasse e, a protegesse, assim como fez com todos que, nesta vida, se aproximaram dela.

Até um dia, mother sweet mother of mine.

Mother Of Mine

Jimmy Osmond

 

Mother Of Mine

Mother of mine you gave to me,

All of my life to do as i please,

I own everything i have to you,

Mother sweet mother of mine.

 

Mother of mine when i was young

You showed me the right way

Things should be done,

Without your love where would i be,

Mother sweet mother of mine.

 

Mother you gave me happiness,

Much more than words can say,

I pray the lord that he may bless you,

Every night and every day.

 

Mother of mine now i am grown

And i can walk straight all on my own,

I’d like to give you what you gave to me,

Mother sweet mother of mine.

 

Mother Of Mine (Tradução)

Minha mãe você me tem dado,

Tudo que eu faço na vida é para teu prazer

Eu possuo todas as coisas porque tenho você

Mãe, minha doce mãezinha.

 

Minha mãe quando eu era jovem

Você me mostrou o caminho certo

Coisas que deveriam ser feitas,

Sem seu amor onde estaria eu,

Mãe, minha doce mãezinha.

 

*Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br

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por Sérgio Marchetti*

Conforme descrevi outro dia (falando do Clube Atlético Mineiro — que não melhorou nada), há muitos anos os especialistas em administração de empresas e gurus de destaque mundial vêm fazendo uma analogia entre equipes de futebol, vôlei, basquete com as equipes de uma empresa. A palavra time encontrou guarida nas organizações e na filosofia de trabalho de muitas delas que, estando voltadas para resultados coletivos, consolidaram missão, visão, valores, metas e objetivos. De fato, um time de futebol, por exemplo, conta com a participação de todos os membros da equipe. Por outro lado, se as empresas adotaram a estratégia dos times ou do esporte, os times viraram empresa e se estruturaram como tal. Mas a lucratividade se sobrepõe às vitórias e conquistas.

Destacamos semelhanças e diferenças que ambas as organizações podem utilizar para atingir seus objetivos. Detalhes como possuir publicidade, trabalhar adesão de clientes e associados, contratar profissionais de ponta, realizar treinamentos etc. são pontos comuns em todas as organizações. As diferenças também são muitas: salários, prêmios, fama, não punição pelos erros cometidos durante o trabalho (jogo). Essas são prerrogativas exclusivas aos profissionais do esporte. Também não inventaram nada que faça uma jogada brilhante ser repetida e padronizada. São como ondas, acontecem sempre de forma diferente (“a vida vem em ondas…”). Prova disso é a oscilação de um time de futebol que num dia realiza um jogo brilhante e no outro fracassa de forma humilhante (só para rimar). Mas o líder pode ajudar a fazer com que o índice de erros seja menor. Pode haver regularidade, sim. Na empresa mais desenvolvida, quando um profissional erra duas vezes, seu líder procura saber a causa e busca solução. A causa pode estar ligada à problemas pessoais ou técnicos. No primeiro caso, oferecem ajuda psicológica ou sugerem que a procure fora da empresa. No caso de ser problema técnico, treina-se, substitui-se.

No futebol, parece que errar foi institucionalizado como normal. Perder com placar dilatado também. Um goleiro que não sabe chutar, e que a metade de seus lançamentos feitos com os pés vão para fora do campo, não deveria ter tantas bolas atrasadas, pois esse é um ponto fraco e fatalmente poderá acarretar em erro. Talvez o treinador não veja que isso acontece. Deve ser míope. Mas o treinador ignora falhas grosseiras e repetidas a cada partida.  Na empresa, ou se corrige ou substitui o profissional ou o líder. Algumas demissões sempre acontecem. Os erros não ficam impunes. No futebol, quase sempre buscam um culpado – o técnico “paga o pato”.  Às vezes merecidamente, pois tem aqueles que não aceitam críticas, ironizam, não alteram sua estratégia, não treinam seu goleiro (mesmo que esteja falhando bastante) não treinam os demais jogadores que erram 30 passes durante o jogo. Também não reconhecem seus erros, não se incomodam de ser “saco de pancada”, e por vezes são premiados pela diretoria com a renovação de seu contrato. Isso tudo com direito a aumento do salário. Viram, leitores, como a empresa do esporte é diferente das demais. Na empresa você pergunta: – o que ganhamos este ano? – Nada? Então algo terá que ser mudado. No futebol fazemos a mesma pergunta: – o que ganharam este ano? – A Copa Brasil? – Não. – O campeonato Nacional? – Não. Mas, ironicamente, ainda assim, alguns treinadores, quando questionados parecem ter visto outros jogos e com a “cara mais lavada” consideram o resultado como ótimo. E, para amenizar as perdas, ainda conjugam o verbo competir e o colocam como a ação mais importante.

Competir é preciso, ganhar não é preciso.

 

*Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br

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Não descartem seus talentos

por Convidado 5 de julho de 2023   Convidado

por Sérgio Marchetti*

Como muitas pessoas já sabem, a visão sistêmica nos possibilita enxergar o todo. Ou seja, é a capacidade de identificar os processos, a ligação e sintonia entre eles, seus responsáveis e o funcionamento da engrenagem na realização dos trabalhos. Isso é o que faz uma organização atingir seus objetivos. Hoje, a significativa melhoria de padrões de qualidade se deve ao domínio dessa visão e de seus processos. Fatores como controle das atividades, pouquíssima aceitação de erros, análise de falhas, apontamento da incidência e reincidência do erro, indicadores, retenção de talentos, treinamento, desenvolvimento e trabalho de equipe é que fazem a diferença entre obter êxito ou fracassar.

Já falei a respeito desse tema, inclusive estabelecendo um paralelo entre empresas e times de futebol que, atualmente, são associações ou clubes-empresa. E, falando nisso, cadê o Galo que iria ser um dos grandes clubes do mundo? Não há de ser grande apresentando um futebol medíocre como tem feito nos últimos meses. Em várias partidas, inclusive recentemente contra o América, além de ter sido inferior em todos os números do scout e do excessivo erro de passes, a defesa não ganhou uma disputa no alto. Não é maneira de falar, leitores torcedores, são indicadores de que em alguns jogos, aponta-se que 100% das bolas foram ganhas pelos adversários. É possível isso?

Diante de tal constatação, devemos buscar as causas do problema. Mas, assim como na doença, somente se obterá resultado satisfatório se o paciente reconhecer que tem a enfermidade. Após conscientização e aceitação vem a análise. E, no Atlético, especificamente, desde que o Allan se contundiu, o time teve queda considerável de rendimento. Mas, “talvez por ignorância ou maldade das pior furaram os olhos do…”  Galo para ele assim jogar pior. E cederam o referido jogador ao Flamengo para reforçar o adversário. E, com uma generosidade típica de um filantropo, o “Galão da massa” abriu mão de conquistar títulos, reforçando equipes como Vasco, Fluminense, Bragantino e outros.  “O amor é lindo”.

Sei que há justificativas para os descartes de profissionais. A situação financeira é a mais forte delas. Então faltou planejamento, porque há dois anos ouvimos que seria um time do mundo.  De qual mundo? Do quarto mundo?

O que concluímos é que houve mudança de objetivo e, por estar tão clara a dificuldade do Clube, sugerimos, aqui nestas poucas linhas, que façam uma reflexão sobre o “que” desejam conquistar e “quando”. Entretanto, não devem se esquecer de colocar o “como fazer” para chegar lá. E, considerando que os clubes se transformaram em empresas, a razão deve prevalecer sobre a emoção, mas é essencial que saibam os pontos fortes para conservá-los e potencializá-los, analisar as necessidades de melhorias urgentes e não urgentes e, imediatamente, buscarem correção para minimizar os fracassos. E, assim como na empresa, carecem de treinar o básico (dar passe, jogar para frente, saltar melhor do que o adversário, etc).

Seguindo as orientações do famoso gestor Dave Ulrich, uma organização deve trabalhar na melhoria de seus talentos.  E, talento, segundo o estudioso, pode ser entendido em três palavras: competência (conhecimento, habilidade e atitude), comprometimento e contribuição.

Vamos “pra cima”, Galo!

 

*Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br

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A linguagem, o ovo e o caos

por Convidado 6 de junho de 2023   Convidado

por Sérgio Marchetti*

Outro dia, escrevi sobre a deficiência da nossa querida Língua Portuguesa. E sei que algumas pessoas disseram que falar certo é antiquado e nos torna pedantes.

Dias depois, numa aula, mencionei que estamos diante do caos, pois fomos surpreendidos por um furacão e, após sua passagem, tudo ficou invertido. Agora, o errado é que é o certo, inclusive na linguagem. Mas fui logo questionado por um aluno. Não perdi tempo. Prontamente, lancei mão da pesquisa no smartphone (significados.com.br) e li para ele: “caos significa desordem, confusão e tudo aquilo que está em desequilíbrio”. “Caos, na mitologia grega, seria o deus primordial do universo, de acordo com a narrativa do poeta grego Hesíodo. Interpretado como ‘vazio’ ou o ar que preenchia o espaço entre a terra e o Éter (céu superior)…”

O aluno, já angustiado com a demora de um minuto para explicar o caos, me interrompeu e disse que a Amazônia seria, então, um exemplo de caos, pois a cada dia identifica-se um vazio maior causado pelo desmatamento. E acrescentou que os governantes ficaram em silêncio diante dos índices de devastação da floresta que, em março deste ano, registraram o triplo da área do mesmo mês em 2022. Foram quase mil campos de futebol de vegetação nativa destruídos por dia.  Nesse fato estão presentes a desordem, o desequilíbrio, a hipocrisia e representa o caos.

Deixando a floresta de lado, e voltando à linguagem, outro aluno me disse que eu tinha razão, pois que o caos também se instaurou na comunicação. As palavras se desgastaram porque os atos são desproporcionais aos seus significados. E, desta vez, fui eu quem solicitou que exemplificasse.

— Claro, disse ele: — em todos os conceitos, a palavra democracia significa “garantia de liberdade individual; liberdade de opinião e expressão; liberdade de eleger seus representantes, independentemente do regime político (presidencialista, parlamentarista, etc.)”.  Essa é a nossa realidade?

—Infelizmente, entre a Constituição Federal e as ações das autoridades há uma lacuna maior do que a devastação da Amazônia — finalizei.

Mas, caros leitores, para fugir da polêmica, e exemplificar minha tese, quero lembra-lhes do ovo de Colombo. Ele também deu um “Tomé” no povo. Creio que todos conheçam sua história. Rapidamente: o rei daquela época ofereceu uma quantia significativa para quem conseguisse pôr o ovo em pé. Nenhum candidato havia conseguido, até que chegou a vez de Colombo. Aquele, velhaco e experiente, bateu o ovo na mesa, quebrou a ponta e o deixou de pé. Muitos participantes reclamaram, mas Colombo levou o prêmio.

Ainda sobre o ovo (o da galinha), há pouco tempo não podia ser consumido mais de duas vezes por semana, pois faria aumentar o colesterol. Agora, tem atleta comendo dez ovos por dia porque faz bem para a saúde. Vocês devem estar se perguntando o que tem a ver o ovo com as calças, digo com o tema?

Estou apenas querendo fazer uma analogia entre o uso do ovo e da palavra democracia. É que as coisas mudam de acordo coma interpretação, conveniência e os interesses escusos de alguns. Inclusive e, lamentavelmente, da mídia. E isso sim pode ser o caos.

 

*Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br

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Oi, oia o trem

por Convidado 8 de maio de 2023   Convidado

por Sérgio Marchetti*

Vem surgindo de trás da fumaça azul. “Oi, oia o trem”, vem fazendo um barulho estrondoso. E atrapalha meu sono, pois a casa em que habito está logo acima da estação — da linda estação, tão judiada pelo tempo, pela chuva, pelo sol e pelo descaso das pessoas que não têm sensibilidade para compreender o valor da memória. E, estou certo de que não sabem que “ A plataforma dessa estação/ É a vida desse meu lugar/ É a vida desse meu lugar/ É a vida…”

Na minha Barbacena amada e desleixada, vejo com tristeza, “da janela lateral do quarto de dormir”, nossas montanhas indo embora. Conto até cem vagões. Depois, desisto de contar. A tristeza me impede de continuar assistindo ao dolorido desfecho de uma ganância sem fim. E, para tão desumana tarefa, incumbiram locomotivas cruéis, se assim posso chamá-las, pois não têm doçura, beleza, bucolismo, e nem mais o piuííí! piuííí! saudoso da Maria-Fumaça. Ao contrário, elas vêm fazendo barulho e demonstrando todo o seu poder. Ferozes, informam com seus apitos ensurdecedores que nada impedirá sua missão, e que irão atropelar quem se arriscar a passar na sua frente. E o trem — fantasia da minha infância —  em sua trajetória, mais parece uma jiboia gigantesca engolindo montanhas e destruindo a natureza. Os vagões, sem vida, cumprem os comandos das perversas máquinas que os escravizam e os puxam num som torturante e ritmado, como se houvesse um metrônomo seguido de uma marcha fúnebre. Assim, acorrentados e engatados, seguem o cortejo levando histórias transformadas em partículas de minério que um dia, em seu esplendor, serviram de palco para fazendas, bosques e histórias de famílias, de um tempo em que nossos trens tinham funções mais nobres de levar e trazer pessoas. “Todos os dias é um vai e vem/ A vida se repete na estação…” ou se repetia, como escreveram Milton e Brant.

 

*Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br

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A linguagem dos provérbios

por Convidado 13 de abril de 2023   Convidado

por Sérgio Marchetti*

Ultimamente, tenho visto a língua portuguesa sendo tão maltratada e não é a primeira vez que venho, caríssimos leitores, desabafar com vocês.

Ao que pude saber, estão matando a Flor do Lácio, tão bem cuidada por Olavo Bilac. Talvez alguns brasileiros mais jovens nunca tenham ouvido falar dele. E, constato, que a ignorância é a mãe de todas as doenças. Pois, foi aquele poeta brasileiro que usou tal expressão no primeiro verso de seu soneto “Língua Portuguesa”, se referindo ao idioma português, por ser a última língua derivada do Latim Vulgar, falado no Lácio, uma região italiana.

Porém, a despeito de Bilac, temos a impressão de que muitos brasileiros não gostam da nossa língua. Adoram os estrangeirismos ou são os frequentadores da casa da mãe Joana, e falam errado por uma rebeldia às regras e padrões — que está na moda nos dias atuais. E nem me atrevo a falar de concordância, pois sei que nossa língua não é fácil, mas optar pela discordância verbal, propositadamente, é desobediência linguística totalmente dispensável. Não pensem que sou contra a evolução da língua. Mas quem avisa, amigo é. Saibam que as provas de redação não caíram nesse conto do vigário. Continuam exigentes e reprovando candidatos.

Pasmem, leitores que dominam o léxico. Em sua nova fase, o Museu da Língua Portuguesa adotou o pronome neutro “todes” em suas redes sociais, o que contraria às normas da própria língua. Mas papagaio que acompanha João-de-barro vira ajudante de pedreiro, e não podemos admitir que desmoralizem nossa expressão mais rica de comunicação. Há também muitas pessoas que não pontuam as frases. Dizem que não é necessário. Uma delas me disse que José Saramago também não pontuava e ganhou o Nobel de literatura. Não tive argumentos. É verdade, mas era um gênio.

Há um movimento no ar, cujo objetivo é a destruição de padrões, incluindo-se nele, a família, os costumes, as crenças, além da correção da linguagem — valores que, até então, conduziram a sociedade. E, sabemos que água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. É o que esperam os detratores da comunicação, pois, onde há fogo, há fumaça e devagar se chega ao longe, mas, cá entre nós, sentimos vergonha alheia quando, de repente, soltam uma pérola como “vareia”, “interviu”, “maqueia” e frases profundas como: “A fé é uma graça através da qual podemos ver o que não vemos” ou “O calor é a quantidade de calorias armazenadas numa unidade de tempo”. Sim, exigentes leitores, não é fácil sofrer tanta tortura, “Enem” aguentarmos ouvir tanta bobagem. Pior é que as agressões aos nossos ouvidos não ficam somente nos estudantes, mas também em profissionais em entrevistas de televisão que dizem: “a perca foi grande”, e “que se soubesse tinha trago o documento solicitado.”

Seguindo por esse caminho, há que se observar que a vida é um processo em construção e, que há milhares de anos, outros, antes de nós, arquitetaram o futuro e criaram regras e itinerários seguros para que tivéssemos mais conforto, longevidade, saúde e cultura. Desfazer caminhos é uma ação que exige discernimento e, para tal, se faz necessário ter conhecimento. E aquele que desqualifica o saber, está mais perdido do que um barco à deriva. Lembrem-se de que quem desdenha quer comprar. Antigamente, quando nos deparávamos com um indivíduo que desejava subverter a ordem, dizíamos que era do contra. E, dependendo da ordem: iconoclasta. Mas “no fundo” não passa de um chato que ainda terá que aprender que a essência da palavra liberdade não é simplesmente fazer o que “der na telha”, mas sim aprender a respeitar as regras e o direito do outro.

Pensem nisso, porque, depois, não adianta chorar pelo leite derramado.

 

*Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br

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Um mergulho na alma

por Convidado 22 de março de 2023   Convidado

por Sérgio Marchetti*

Dia desses estava de folga numa bela praia. Mergulhei no mar e senti a onda passando sobre meu corpo. Uma sensação de limpeza me envolveu, enquanto submergia naquelas águas frias e salgadas. E ao emergir, uma nova onda me fez repetir o procedimento. Vieram outras, e mais outras… até que, cansado, já não aguentava furá-las como fazia antigamente. Olhei para a praia e observei que estava longe. Havia perdido a noção de distância. Procurei manter-me calmo, apesar do esgotamento, e esperei que alguma onda me levasse de volta até a areia. Mas a correnteza não vinha para o lado que precisava. A cota de calma estava se esgotando e o cortisol me informou que estava em perigo… aí veio o medo de me afogar e, só não aconteceu porque surgiu um surfista com cara e cabelo de anjo, e me rebocou até um local seguro.

Ao sair da água, estava tonto. Mas não quis comentar o aperto que passara. Óbvio que a primeira coisa que iria ouvir é: — você não tem idade para mergulhar e isso é uma atitude irresponsável. Então, me sentei, fechei os olhos e fiquei refletindo sobre o ocorrido. Eu poderia ter morrido por causa de uma distração ou ousadia. Confesso que fui sendo envolvido pelo prazer de ficar sob as ondas e não havia percebido o quanto me afastara da zona de segurança e das pessoas que lá estavam. Fiquei em silêncio. A quietude nos ajuda a desintoxicar a alma. E, como eu estava no mar, aproveitei para fazer uma analogia entre o quase afogamento e a nossa própria vida, sujeita a chuvas, ventos e correntes que nos levam a lugares indesejados.

Meu leitor mais reflexivo, você concorda que nossas vidas têm sido golpeadas por ações compulsivas que — assim como as ondas — não nos permitem parar para descansar? Os inúmeros recursos de comunicação nos massacram com informações desnecessárias e numa intensidade nunca vista. Assim, como neste episódio, as pessoas estão se distanciando umas das outras sem perceberem. Estamos sendo, por assim dizer, “afogados” por uma sucessão de serviços, novos aprendizados e venda massificada que mais se parecem com uma avalanche de ideias nos impedindo de respirar.

Determinados filósofos gregos, bem antes de Cristo, não acreditavam no acaso, e afirmavam que tudo tem uma razão de ser. Partindo daquele princípio, qual lição que devo retirar do incidente? O que devo concluir? Que talvez a vida seja uma sequência de ondas num processo contínuo de mudanças imprevisíveis?  Também posso beneficiar-me do susto como um aviso, um sinal de que depois de enfrentar muitas ondas, energia, força e equilíbrio estarão debilitados. É isso mesmo, meus perceptivos leitores, embora esperemos que a próxima onda nos traga paz e calma — que fizemos por merecer — não temos a menor garantia de que virá amena. Infelizmente não depende somente de nós. Porém, prudência e coerência jamais poderão ser relegadas a segundo plano, porque devemos estar conscientes de que “A vida vem em ondas/ como um mar/ num indo e vindo infinito…” ( L.S.)

Não se deixe afogar.

 

*Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br

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Vira o disco. Fala de outra coisa!

por Convidado 13 de fevereiro de 2023   Convidado

*por Sérgio Marchetti

Há um clima tenso que tem me incomodado. Uma energia pesada que insiste em nos circundar. Uma acentuada cor cinzenta que nos lembra o nevoeiro de Londres, fenômeno climático comum naquela cidade, mas que, em dezembro de 1952, durou cerca de cinco dias, trazendo problemas a toda população. Pois, aqui no Brasil, já está perdurando há anos. E, como se não bastasse, vivemos um sentimento de dúvida: em quê e em quem acreditar? As verdades já não são dignas de confiança, porque aquele que outrora o ofendia peremptoriamente, agora o defende e ocupa lugar, à sua direita, no barco de Caronte.

As pessoas estão estranhas, intolerantes, egoístas, desconfiadas, agressivas e más, como se fossem cúmplices de Simonini, protagonista de O Cemitério de Praga, que diz que o ódio aquecia seu coração. E vocês, leitores observadores, têm notado a quantidade de latrocínios, assassinatos em brigas de bares, trânsito, conflitos entre vizinhos, etc? E feminicídio?

Para resumir, no Brasil, 699 mulheres foram vítimas de feminicídio no primeiro semestre de 2022. Média de quatro casos por dia, de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O número, segundo os jornais, atualmente já é de sete casos. Então, vou me ater “apenas” ao feminicídio, pois falar dos demais crimes seria exorbitar o sentimento negativo e avançar além das linhas deste texto.

Vocês, leitores atentos, têm visto alguma noticia de suicídio? Não?! Sabem por quê? Porque violência gera violência. David Phillips, estudioso da Universidade da Califórnia, nos anos 1947 a 1968, baseado em longas pesquisas, descobriu que a cada suicídio que saía nos jornais, em média, 58 pessoas a mais do que o normal se suicidavam. Já pararam para pensar nesse efeito? Ele tem nome. Phillips o batizou de Efeito Werther, baseado no romance Os Sofrimentos do Jovem Werther (1774), de Goethe. O fenômeno ocorrido há duzentos anos constatou que muitos de seus leitores, ao lerem que seu protagonista cometeu suicídio, tomavam a mesma atitude.

Principalmente por essa, e também por outras razões, as divulgações deixaram de ser feitas e o número de suicídios diminuiu. Ficou evidente que as pessoas, por indução, imitam o funesto comportamento. O mesmo princípio se aplica aos demais crimes de morte, incluindo-se, sobretudo, o feminicídio.

A tese de Phillips foi comprovada e os estudos vigentes corroboram e atestam suas observações. Então, se todos sabem dessa verdade, por que os jornais continuam noticiando, enfaticamente, os crimes hediondos?

É como diria um senhorzinho lá do interior de Araxá: — “Oceis” fica dando ideia…

 

*Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br

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“A falta que ela me faz”

por Convidado 10 de janeiro de 2023   Convidado

*por Sérgio Marchetti

O ano novo é um momento para reflexões e mudanças daquilo que não deu certo no ano que se findou. Sim, meus persistentes leitores, o momento pede planejamento, resiliência e sabedoria. Mas embora seja novo, o mundo está mais velho e nós também. A experiência nos chama a rever ensinamentos que deram certo e que são atemporais. Então, nestes primeiros dias, estou me dedicando a reler alguns livros. E, mexendo em minha estante, para minha surpresa, alguns me chamaram mais a atenção. A falta que ela me faz, de Fernando Sabino, foi um deles. O livro é muito bom, mas confesso que não é dos meus preferidos. Dos livros do autor, gosto mais do Encontro marcado e O grande mentecapto. Ambos são primorosos. Mas deixemo-los para depois e vamos pensar na falta que Sabino diz sentir, e que pode ser de tanta coisa. No texto, inicialmente, ao dispensar a empregada doméstica, a primeira descoberta da falta foi justamente quando viu que tudo estava em desordem. Entretanto, “ela”, de acordo com o escritor, pode ser muitas coisas: a liberdade, a democracia, a sinceridade, a esposa etc.

Imagino que os leitores estejam tentando entender o que pretendo trazer de interessante, pois o ato de ler (referido por mim em outra oportunidade) tem sido sacrificante para tantos e passou a ser um diferencial e uma qualidade. E, ao constatar tal verdade, o pesar toma conta de mim, porque sem leitura o raciocínio é mais lento, a fluência fica prejudicada, a compreensão se torna difícil, a escrita pobre e o fracasso na interpretação de texto é iminente.

Diante disso, creio que poderemos avaliar a falta que a leitura nos faz. Mas, como disse, assim como Sabino, lograremos examinar tantas coisas que nos fizeram e fazem falta, com o intuito de começarmos a próxima jornada cometendo menos erros — o que por si só já representa um avanço. Portanto, comecemos pelo o que nos faz falta.  Garanto-lhes que não tenho o dom de adivinhar, porém, posso ajudá-los sugerindo que comecem por aquilo que podem mudar, sem precisar de terceiros. Talvez, como exemplo, ter mais amigos, mais viagens, participar de eventos, fazer cursos e ler mais.

Vocês sentem falta de namorar? De encontrar com amigos e visitar parentes? Ah! Sentem falta de ficar em casa? De ir ao cinema em vez de ficar de pijama em frente à televisão? Eu sinto falta de tantas coisas… e, fortemente, da presença de meu pai, que partiu em 2022. Mas também ando carente de uma sociedade humanizada, de mais pessoas honestas, de solidariedade, de menos corrupção e de mais justiça.

Enfim, sinto falta de um mundo que já vivi, que sei que era real, de mais afeto, amizades, sinceridade, mas que não há como recuperá-lo.  Aí, giro meu caleidoscópio e vejo, assim como os dias, que o movimento é o mesmo, mas que os resultados são diferentes e que há um número enorme de possibilidades de vermos imagens mais bonitas e coloridas. E, como disse o escritor Richard Bach, enquanto estivermos por aqui ainda teremos uma missão a cumprir.

O que vocês estão esperando meus inovadores leitores? Um caleidoscópio?

Que falta que ele faz.

 

*Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br

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