Curtas e curtinhas

por Luis Borges 20 de novembro de 2014   Curtas e curtinhas

E as metas? – Abandono de metas. Foi isso que a Presidência da República fez ao enviar Projeto de Lei à Câmara dos Deputados se desobrigando de atingir o Superávit Primário de R$116 bilhões, previsto na Lei de Diretrizes Orçamentárias em vigor. Depois de passar o rolo compressor na Comissão de Orçamento, a base aliada deverá aprovar a criativa solução para as contas publicas em plenário na próxima semana. Haja alquimia e neologismos conceituais para tentar justificar o abandono de uma meta! Na prática, isso significa descumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal, que vigora no pais desde 1999 e é uma das âncoras do Plano Real.

Ônibus quebrado – Um grupo de devotos participou de uma romaria de Belo Horizonte até Aparecida do Norte, que começou na sexta-feira da semana passada. O comboio era formado por 5 ônibus. No entanto, um dos veículos, que tinha 50 lugares e não possuía cinto de segurança para passageiros, quebrou duas vezes durante o trajeto, o que gerou um atraso de 4 horas na viagem de ida. Como sempre, a falta de manutenção preventiva foi a causa fundamental. Apesar das reclamações e do cansaço dos passageiros, a empresa contratada tentou justificar o injustificável e conseguiu arrumar plenamente o ônibus para o retorno do grupo no domingo à tardinha. Mas como é duro ficar de madrugada numa rodovia à mercê de vários tipos de riscos e de necessidades específicas!

PIB da indústria – Dados da Confederação Nacional da Indústria mostram que o setor responde atualmente por 25% do PIB do Brasil. Na década de 90, a fatia era de 35%. Hoje, um dólar está em torno R$2,60. Em 14 de junho de 1996 valia R$1,00. Os industriais sempre reivindicaram juros baixos, taxa de câmbio favorável, linhas especiais de crédito, redução de IPI, melhoria da qualificação da mão de obra. O que não melhora é a gestão do negócio. Nem a sua produtividade. Ainda assim eles querem manter as margens de lucro de outras décadas.

Orçamento de 2015 – A proposta de orçamento da Prefeitura de Belo Horizonte para 2015 indica que a parte que caberá à Câmara Municipal é de R$229 milhões. A casa possui 41 vereadores e em torno de 600 servidores, entre ativos e inativos. Se olharmos o orçamento dos municípios mineiros veremos que o da Câmara é superior ao de mais de 800 municípios. Se por aqui não falta dinheiro, com certeza faltam muitos resultados positivos a serem alcançados, apesar de todos estarem regiamente pagos pelo dinheiro dos contribuintes. Aliás, que todos se preparem para os reajustes do IPTU, da taxa de lixo, do ITBI com valor atualizado dos imóveis, do ISSQN…

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Na definição mais simples que encontrei, sistema é um conjunto de partes interligadas. Assim, tudo o que esta vindo à tona na operação Lava Jato da Polícia Federal pode ser considerado como a ponta de um iceberg, de um sistema chamado Petrobras.

A República acaba de fazer 125 anos, embora ainda distante das melhores práticas inerentes às atitudes republicanas. Transparência continua muito difícil, mesmo com a Lei de Acesso à Informação. Se tenebrosas transações vão sendo reveladas nesse caso específico da Petrobras, onde o clube das empreiteiras é hegemônico no cartel dos fornecedores, imagine no restante do país.

O Brasil tem em sua estrutura organizada em prol dos serviços públicos, a União, vinte e seis estados e um Distrito Federal, 5.562 municípios, com igual número de assembleias legislativas estaduais e Câmaras Municipais. Também é bom lembrar que existem três poderes independentes, centenas de empresas estatais e milhares de servidores contratados via concurso público ou pelo recrutamento amplo.

Um bom exercício é estabelecermos uma ordem de grandeza, para termos uma dimensão da quantidade de pessoas jurídicas que fazem negócios com toda essa estrutura, como fornecedores ou clientes. Dá para pensar no volume de recursos financeiros envolvidos e na quantidade de pessoas intermediando os processos desses negócios? Claro que tudo regado por uma grande carga tributária.

Por isso esse é um bom momento pra nos lembrarmos da música “Brasil”,  de Agenor de Miranda Araujo Neto, o Cazuza, que viveu 32 anos nesta terra. Ele queria saber qual era o negócio do Brasil. O desafio continua e o momento é propício. Que venha a democracia participativa e que todos mostrem as suas caras.

Brasil
Letra retirada deste link

Não me convidaram
Pra essa festa pobre
Que os homens armaram pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada antes de eu nascer

Não me ofereceram
Nem um cigarro
Fiquei na porta estacionando os carros
Não me elegeram
Chefe de nada
O meu cartão de crédito é uma navalha

Brasil
Mostra tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim

Não me convidaram
Pra essa festa pobre
Que os homens armaram pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada antes de eu nascer

Não me sortearam
A garota do Fantástico
Não me subornaram
Será que é o meu fim?
Ver TV a cores
Na taba de um índio
Programada pra só dizer "sim, sim"

Brasil
Mostra a tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim

Grande pátria desimportante
Em nenhum instante
Eu vou te trair
(Não vou te trair).
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Na semana passada, depois de muito tempo adormecida na casa, a regulamentação da PEC das Domésticas voltou a ser discutida no Senado da República. No último dia 11, a comissão do Senado rejeitou diversas emendas. O texto, agora, volta para apreciação na Câmara dos Deputados. Enquanto isso, 7,2 milhões de empregados domésticos continuam aguardando as regras para a operacionalização de vários direitos, entre os quais o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

Pelo visto dificilmente essa matéria ficará resolvida ainda nesse ano. No entanto, o Brasil continuará sendo o maior mercado mundial na contratação desse tipo de trabalho, com ou sem carteira profissional assinada, mesmo já sendo uma exigência legal.

Diante desse quadro, passam pela minha cabeça narrativas das mais diversas situações envolvendo as relações de trabalho entre contratantes e contratadas. Nas últimas 4 décadas ouvi muitas reclamações e poucos elogios, principalmente da parte contratante. Já pelo lado das  contratadas é claro que vi também muitas pessoas profissionais e comprometidas, convivendo com outras cheias de soluções “criativas” e muito descompromisso com o que foi combinado.

No início dessa semana, fiquei sabendo de um caso muito interessante, para não dizer inusitado, envolvendo o trabalho doméstico. Na segunda feira por volta de 10:00 horas, fiz uma visita telefônica a um casal de amigos. Ambos já são aposentados pelo INSS, possuem previdência complementar, têm os filhos criados, convivem com idosos na família  e estão na faixa de 60 a 65 anos de idade. Quando o amigo atendeu à chamada, ouvi um alarido com sintomas de felicidade plenamente audível em sua residência. Ele me disse que estavam fazendo uma festa singela pelo retorno da empregada doméstica, após 30 dias de férias. Eu não quis atrapalhar a festa e educadamente me despedi do amigo propondo concluir a visita numa outra ocasião mais oportuna. Mas minha amiga retornou minha ligação ainda antes do almoço e me fez um depoimento explicando o contexto da festa. Ela foi clara e falou na lata.

“Não vou mais reclamar de minha empregada doméstica que trabalha comigo há 5 anos, mesmo que ela chegue tarde e saia cedo. Nesse período de suas férias não dei conta de fazer todo o serviço necessário e só consegui contratar uma diarista uma vez. Além disso, minha residência é grande, cuido de minha mãe e tenho outros diversos afazeres familiares, que exigem muito de mim. Ficou claro que estou gerando trabalho conforme a lei  e que preciso de alguém que atua nesse segmento em que a confiança é um requisito essencial”.

Diante disso reafirmei a minha crença de que “ruim com ela, pior sem ela”. E você, caro leitor como tem sido as suas experiências e conclusões nas relações de trabalho doméstico? Será que esse mercado tende a se estreitar?

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Vale a leitura

por Luis Borges 16 de novembro de 2014   Vale a leitura

Frete grátis – O impulso caminha na contramão da estratégia. Por não ter consciência desse fundamento, o consumidor compulsivo (ou impulsivo) gasta cada vez mais e sem necessidade. Ele vai à loucura quando vê alguma oferta de qualquer natureza que lhe passa a enganosa sensação de estar levando vantagens, e é claro, sem calculá-las. É o alerta deste interessante artigo de Samy Dana e Carolina Ruhman Sandler, publicado no blog “Caro dinheiro”.

Analfabetos científicos – A universalização do acesso ao ensino fundamental e médio está permanentemente na pauta da sociedade brasileira, lastreada na crença de que a educação é a base de tudo. A qualidade do ensino e as condições de trabalho para quem nele atua são sempre apontadas como problemáticas. Surge como resultante o analfabetismo funcional, na medida em que muitas pessoas, por exemplo, têm dificuldades para ler e entender o que leram. No mundo das ciências isso também não é diferente. O Índice de Letramento Científico (ILC) é o indicador que nos mostra isso, conforme consta neste artigo de Thais Paiva publicado em Carta Capital.

O que esperar da Previdência Social? – A longevidade dos brasileiros está aumentando e a Previdência Social dá sinais claros de que não dará conta de cumprir a sua missão. Como viver e sobreviver com uma aposentadoria que vai de R$ 724,00 mensais, recebida por 2/3 dos aposentados, até o teto de R$ 4.300,00, inatingível devido aos índices de atualização aplicados pelo INSS? Leia neste artigo de Sofia Fernandes os resultados de uma pesquisa mostrando que 46% das pessoas ouvidas não esperam contar com a Previdência Social.

Segregação nas redes sociais – Nesse momento as redes sociais estão em evidência no cotidiano das pessoas e recebendo questionamentos por diversos conteúdos que nelas transitam, bem como confrontos entre classes e segmentos. Uma oportunidade para melhor compreender e analisar esse fenômeno e seu processo está na tese de doutorado intitulada “Cultura informacional e distinção: a orkutização sob o olhar da Ciência da Informação”. Ela é de autoria de Ruleandson do Carmo Cruz e foi defendida no Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação da UFMG em 30 de setembro, dia em que a morte do orkut foi oficializada.

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Renovar as alianças é preciso

por Luis Borges 14 de novembro de 2014   Pensata

Na semana passada me encontrei com Azarias Pedro, um antigo colega do início da minha carreira, que eu não via há muito tempo. Fizemos o clássico cumprimento, carregado de satisfação pelo reencontro. Depois dele, Azarias disparou a falar. Em resumo, seu casamento de 30 anos com Ana Telma acabou. Foi ela quem pediu a separação, irrevogável, alegando que não aguentaria mais esperar pelo dia em que a morte os separaria. Meu colega estava queixoso. Contou que hoje mora num pequeno barracão, nos fundos da casa do filho mais velho, vive do salário de professor aposentado pelo INSS.

Foram muitas informações em poucos minutos. Tentei respirar, perguntei pelas causas. Ele disse que era complicado, que fora engolido pela mesmice, pela escassez de diálogo, acentuada com a passagem do tempo. Tentei continuar a conversa, compartilhar algo sobre a minha trajetória, mas meu colega estava sem tempo e partiu.

Azarias me deixou pensando na história dele, no conjunto de causas que fizeram parte do processo que levou o casal àquele resultado. Me indagava quais poderiam ser as causas fundamentais, mesmo não tendo fatos e dados para alimentar minhas ilações.

Interior da Catedral da Boa Viagem, em Belo Horizonte / Foto: Marina Borges

Interior da Catedral da Boa Viagem, em Belo Horizonte / Foto: Marina Borges

Foi aí que me lembrei do sermão feito pelo padre durante a cerimônia religiosa do casamento de Thais e Thiago, em setembro, na Catedral da Boa Viagem, em Belo Horizonte. Essencialmente, o padre se referiu ao tema do Evangelho, que tratava da transformação da água em vinho nas Bodas de Caná. O padre aproveitou para reiterar que, atualmente, vivemos numa sociedade epidérmica onde a profundidade está fora de moda. Arrematou lembrando a importância das alianças entre as pessoas e a essencialidade da sua permanente renovação.

Se é bom aprendermos com os erros e acertos, de preferência dos outros, me pergunto e te pergunto, caro leitor: como estão as nossas alianças? Será que estamos praticando verdadeiramente o que significa uma aliança para fazer a união harmoniosa de seres e coisas diferentes entre si e que são muito valiosas para todos os envolvidos no processo?

Surge aqui uma oportunidade para a reflexão, que deve ser seguida pela ação, tendo como foco as alianças no amor, na família, nos negócios, no associativismo… sempre lembrando que não existe processo sem cooperação e sem participação.

Infelizmente, se as nossas conclusões nos informarem que estamos omissos e que nossas alianças estão perdendo o sabor, fica o desafio da mudança de atitude enquanto há tempo. Espero que, doravante, os gestos sejam maiores que as intenções, pois o isolamento é tão triste no palacete quanto no barracão.

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Brincando de atingir meta

por Luis Borges 12 de novembro de 2014   Gestão em pauta

Faltando apenas 50 dias para o encerramento do ano fiscal, o Ministério do Planejamento e Gestão da Presidência da República enviou Projeto de Lei à Câmara dos Deputados para facilitar o atingimento da meta de superavit primário em 2014. Os fundamentos da gestão de negócios nos ensinam que a meta é composta por um objetivo a ser alcançado, que possui um determinado valor e um prazo de tempo para acontecer. A meta deve ser sempre desafiadora, difícil de ser alcançada, mas não impossível. Deve ser acompanhada de um plano de ação, contendo as medidas necessárias para se obter um resultado positivo. Existem também as metas que não desafiam as equipes e são facilmente atingíveis, bem como as metas malucas que de antemão todos já sabem que não serão alcançadas.

Nesse caso do superávit primário, o Poder Executivo Federal preferiu deixar de lado o conceito e buscar na criatividade uma forma de atingir a meta, mudando a regra do jogo durante o jogo. Melhor seria assumir o não atingimento da meta e analisar as suas causas, no lugar de simplesmente alterar as regras no “tapetão” do Congresso Nacional, amplamente dominado pela base aliada. Uma ferramenta simples permitiria analisar sob quais premissas foi feito o planejamento constante da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), o que foi executado, o nível de resultados positivos ou negativos alcançados e o que ficou pendente. A análise crítica do resultado traria consigo aprendizagem e crescimento, cujos reflexos poderiam ser vistos no orçamento dos próximos anos.

Entretanto o caminho mais curto foi a maquiagem, que também acontece com as pessoas físicas que não têm educação financeira e, portanto, não fazem uma gestão racional de seus orçamentos.

Assim, a meta de 116,1 bilhões de reais de superávit primário, ou seja a diferença entre o que o governo arrecada e o que ele gasta, ficou mais distante com o déficit primário de 20,7 bilhões de reais entre janeiro e setembro deste ano.

Como o conceito de superávit primário também já foi flexibilizado, a LDO desse ano permite que sejam deduzidos do indicador os gastos com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e desonerações fiscais em até 67 bilhões de reais. Portanto, a nova meta de 2014 passaria a ser de 49,1 bilhões de reais, que também dificilmente será atingida nos três últimos meses do ano. Por isso, o Projeto de Lei permitirá superar os limites de deduções até então vigentes e o poder executivo diz que se comprometerá com o objetivo de alcançar superávit, mas sem definir qual será o valor.

Enfim não existe mais uma meta e o qualquer resultado alcançado será bom. Ou seja, foi mais um ano brincando de atingir metas e exercitando a maquiagem de conceitos, com muita criatividade.

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Curtas e curtinhas

por Luis Borges 11 de novembro de 2014   Curtas e curtinhas

Novos sofás – A Câmara dos Deputados vai comprar cem novos sofás por R$ 64,5 mil. Serão 50 sofás de 2 lugares e 50 de 1 lugar. Eles serão usados nas salas de espera e na recepção dos Órgãos administrativos da Casa, Gabinetes das Lideranças e de Deputados. Fico imaginando qual será o critério usado para a distribuição desses sofás, já que conforto é o que todos querem.

A última novidade – A Apple iniciou a pré-venda do Iphone 6 na última sexta (7/11). Quem quiser comprar um, deve se preparar para pagar entre R$ 3.200,00 e R$ 4.300,00. As vendas começam na próxima sexta-feira, dia 14/11. Sua educação financeira te permitirá adquirir o aparelho agora ou você vai deixar para o orçamento do ano que vem?

Abstenção – A julgar pelos números, os brasileiros parecem demonstrar que estão gostando da abstenção. No segundo turno das eleições presidenciais 21,5% dos eleitores deixaram de comparecer às urnas. Já no Exame Nacional do Ensino Médio, o índice chegou a 28,6% dos inscritos, ou seja, algo em torno de 2,5 milhões de candidatos.

Plebiscito ou Referendo? – Pelo visto, nem um nem outro. Até quem propôs o plebiscito inicialmente, já desconversou. Mas, realmente, como esperar que os donos do poder mudem o poder por iniciativa própria, se tudo está tão bom para eles?

Ingressos no futebol – Os ingressos para a disputa dos jogos finais da Copa do Brasil de Futebol entre Cruzeiro e Atlético custarão de 200 a 700 reais. Se compararmos esses valores ao salário mínimo de R$ 724,00 vigente no país, veremos que na hora da onça beber água, o torcedor desembolsará entre 27,6% e 96,6% do mínimo. Isso sem falar no transporte, no feijão tropeiro e na cerveja, essa degustada fora da arena.

Base zero – O Boletim Focus do Banco Central divulgou ontem a projeção de crescimento de 0,20% para o PIB desse ano, conforme pesquisa feita entre analistas do mercado. Faltando 50 dias para o final do ano, se o indicador chegar a zero, não será surpresa diante de tantos sinais.

Registro – O mês de novembro registrou, no dia 7, o nascimento da poeta Cecília Meireles. Foi no Rio de Janeiro, no ano de 1901. Já em 1964, registrou-se sua morte, na mesma cidade, no dia 9. Aos 18 anos, Cecília lançou o livro “Espectros”, o primeiro de sua vasta obra que inclui “Retratos”, “Romanceiro da Inconfidência”, “Pequeno Oratório de Santa Clara” e “Romance de Santa Cecília”.

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Vale a leitura

por Luis Borges 9 de novembro de 2014   Vale a leitura

Reúso de esgoto – A seca prolongada no Sudeste brasileiro, que tem se acentuado a cada ano, mostra claramente como as autoridades têm falhado no planejamento e na gestão dos recursos hídricos. O desespero causado pelo desabastecimento e racionamento da água para consumo humano faz com que  surjam diversificadas sugestões para a solução do problema. Agora está em evidência o reúso  da água advinda do tratamento de esgotos, que foi apresentado de maneira simplista pelo governador do estado de São Paulo. Neste artigo Edson Rodrigues mostra que a viabilização dessa proposta não é simples assim, envolve altos investimentos, gestão estratégica e espaço de tempo, enquanto a água está faltando agora. Boa leitura crítica.

Você já se sentiu vampirizado?  – O artigo de Mirian Goldenberg, na Folha, abordou o vampirismo. Segue um extrato:

“Uma jornalista de 37 anos chamou de vampiros aqueles que só se interessam por si mesmos.

“Tenho uma prima que é tão mesquinha que só de sentar perto dela já me sinto péssima. Eu me sinto vampirizada pelo seu olhar invejoso. Nunca ouvi uma só palavra positiva dela. Sempre reclamando, se queixando, falando mal dos outros. Ela é tão desagradável que contagia todo o ambiente com sua energia negativa.”

Você identifica pessoas desse tipo em sua vida pessoal e profissional? É preciso ficar atento, com ou sem figuinhas ou galhinhos de arruda.

Reduzir a maioridade penal não é a solução – O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) está em vigor desde 1990. Os índices de violência de qualquer natureza e a crescente sensação de insegurança  embalam os clamores por mais segurança, ao mesmo tempo em que sugerem a redução da maioridade penal como uma das medidas para a solução do problema. O sociólogo Frederico Marinho, doutor pela UFMG e pela Universidade de Lille (França), discorda dessa medida e sugere o cumprimento do estatuto legal, em vigor há 24 anos. Conheça, observe e analise seus argumentos nessa entrevista concedida ao UFMG Notícias.

Educação só funciona se aluno estiver emocionalmente envolvido – Esse é o título de um artigo de Sabine Righetti, especialista em políticas de educação e ciência, que explica essa visão sobre o assunto. O artigo está no blog Abecedário.

“Pergunta: você consegue citar, num piscar de olhos, um professor ou uma experiência que tenha marcado profundamente a sua experiência na escola? Se não consegue, não se preocupe: você faz parte de um enorme grupo de pessoas que passou por uma escola em que professor, aluno e conteúdo não conseguem se conectar.

O problema é que a educação nesse modelo simplesmente não funciona: vira um processo burocrático, árduo e complicado.”

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Os primeiros enfeites de Natal

por Luis Borges 7 de novembro de 2014   Pensata

Chegaram às casas comerciais os primeiros enfeites para o Natal deste ano, quando faltam menos de 50 dias para a data magna do cristianismo. A primeira sensação que tenho é de que o ano praticamente acabou. Ainda assim, fico me indagando sobre o que ainda é possível fazer diante do clima de festas que só crescerá a cada dia. Penso também naquilo que poderia ter sido feito mas não o foi. Aí a sensação é de perda, mesmo sabendo que algumas metas eram extremamente desafiadoras num ano de Copa, eleições presidenciais, baixo crescimento econômico e inflação dando sinais de vitalidade.

Tenho também a sensação que em breve surgirão os enfeites que embelezarão ambientes públicos das cidades, ainda que as prefeituras estejam chorando a falta de recursos do orçamento para tal fim. Sei também que árvores de natal cheias de bolinhas coloridas, guirlandas, Papai Noel e até presépios chegarão às nossas residências, principalmente no inicio de dezembro. É claro que em muitos lugares tudo chegará na última hora junto com as mensagens impressas ou pelas redes sociais, muitas delas cheias de si mesmas.

árvore de natal pendurada na cúpula das Galeries Lafayette em Paris

Um dos primeiros sinais do Natal, fotografado nas Galeries Lafayette, no fim de outubro deste ano. /Foto: Marina Borges

Mas qual será o significado que o Natal terá para nós neste ano de 2014, após os resultados das urnas no segundo turno das eleições presidenciais? Se tudo começa com a gente, o que efetivamente significará nascer, renascer ou se reinventar com sabedoria numa sociedade que se diz plural e republicana? Outra sensação forte que tenho é de que mais uma vez se travará um embate entre a educação financeira das pessoas e o “consumo, logo existo”. Crédito de todas as modalidades é o que não faltará, inclusive para quem limpou o nome na praça. E não é demais lembrar que o 13º salário injetará R$ 158 bilhões no mercado. Como já é de nossa cultura, presentes serão trocados, inclusive nas modalidades de amigo secreto ou de inimigos ocultos com valores mínimos ou não, previamente estabelecidos.

Muitas pessoas também estarão com a sensação de que não escaparão da confraternização corporativa, mesmo nos ambientes em que não existe clima organizacional para tantos abraços e beijinhos. Mas como são muitas as cobranças para que todos compareçam, talvez seja necessário uma “dublagem” amparada pela frase da sobrevivência a nos dizer que “um pouco de hipocrisia não faz mal a ninguém”.

É, realmente parece que o ano já acabou. Mas ainda dá tempo de se preparar para um Natal que tenha mais significados e consequências para homens e mulheres de boa vontade e de livre arbítrio.

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Por Sérgio Verteiro

No dia 14 de outubro, por volta das 12h40, eu esperava pelo ônibus da linha 9210, no primeiro ponto da Rua Tamoios, esquina com Rua da Bahia, no Centro de Belo Horizonte, que me levaria ao trabalho no bairro de Santa Teresa.  Após esperar por um bom tempo, finalmente o ônibus chegou. Depois que algumas pessoas sinalizaram o desejo de embarque, ele parou no ponto. Até aí tudo bem. O fato é que juntamente com outras pessoas que esperavam para o embarque, uma mãe com um filho cadeirante também aguardava para entrar. A cobradora começou, então, a fazer as manobras com o elevador, para que mãe e filho pudessem entrar no veículo. Porém, a cobradora não conseguia operar o equipamento, que depois de alguns minutos parecia estragado. Durante as manobras e tentativas da profissional de colocar o elevador em operação, que levaram cerca de 10 minutos, o motorista do coletivo nada fazia para ajudar a solucionar o problema. E para indignar ainda mais os usuários que estavam no ponto, aguardando o embarque como também o desembarque daqueles que possuem prioridade, o motorista simplesmente se esqueceu das pessoas.

Motorista ao celular

Motorista ao celular

E se sentindo no direito de falar ao telefone na direção do veículo por mais de 8 minutos, só foi perceber que tinha que abrir a porta após a cobradora avisar que o cadeirante já se encontrava no interior do ônibus. Ele então desligou o celular e abriu a porta. Diante dessa situação, resolvi fazer fotos em forma de protesto, para chamar a atenção das autoridades competentes a fim de combater o descumprimento de determinados procedimentos operacionais em prol de uma mobilidade mais eficiente e segura.

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Sérgio Verteiro, 33 anos, é Gestor de Recursos Humanos.

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