Vale a leitura

por Luis Borges 6 de fevereiro de 2020   Vale a leitura

Poucas amizades serão para sempre

De vez em quando corremos o risco de nos encontrarmos com amigos(as) que fizeram parte de nossas vidas em determinados períodos ao longo do tempo, como no colégio, na universidade, algum local de trabalho ou numa determinada associação de qualquer natureza. Geralmente é grande a euforia gerada e muitas são as rápidas lembranças sobre os tempos vividos e as perguntas referentes à situação atual de cada um. Depois das promessas de tentar novos encontros pode surgir também uma tentativa individual de refletir sobre as causas que impediram a amizade de ter se tornado permanente. O tema é abordado por Ivan Martins no artigo “Amizade é para sempre? Nem sempre, publicado pelo portal UOL.

Quando a enxurrada da mudança nos leva em direção contrária à vida do outro, não adianta amarrar uma corda. Uma hora o vínculo se rompe e as pessoas se afastam. Fica o carinho e uma enorme nostalgia. Viveremos com essa ausência.

Conversar, mas sem dar aulas

Ainda é possível conversar com muita gente boa que encontramos em nossas andanças apesar do alto índice de digitalização na vida das pessoas. Entretanto a oportunidade de conversar pode ser facilmente perdida se alguém começa a falar como se estivesse dando uma aula sobre um determinado tema e nem sempre percebe que está “cansando a beleza” das pessoas que também gostariam de falar e não só ouvir. Reinaldo Polito fala sobre isso em seu artigo Você quer sempre ter razão e fala como se desse aula? Então é um chato”, publicado no portal UOL.

Por que será que alguns conseguem ser interessantes e sedutores nas conversas, mantendo a atenção das pessoas por tempo prolongado, enquanto outros, por mais que se esforcem, são verdadeiros espalha rodas, dispersando os grupos assim que se aproximam da turma? Esse magnetismo pessoal independe de beleza física, de status social, ou de condições financeiras. Pessoas envolventes sabem conversar e ser agradáveis.

Análise do risco nas aplicações financeiras

A Selic, taxa básica de juros estabelecida pelo Banco Central, está em 4,5% ao ano enquanto a inflação em 2019 medida pelo IPCA do IBGE ficou em 4,31%. A cada vez mais reduzida parcela da população que consegue poupar algum dinheiro fica tentada a fazer aplicações que rendam um pouco mais que a caderneta de poupança e os fundos de renda fixa conservadores. Mas para fazer isso é preciso conhecer os riscos trazidos pelas aplicações mais ousadas, a começar pelas ações da bolsa de valores. O desafio é encontrar a melhor dosagem para balancear os riscos a correr entre o conservadorismo e a ousadia. O assunto é abordado por Maria Inês Dolci no artigo Antes de investir, defina quanto risco aceita correr” publicado pela Folha.

Todo investimento tem risco. Há alguns, contudo, com baixa exposição, atrelados, por exemplo, à inflação mensal. Ganhos maiores implicam aposta bem mais elevada. Quem fica tentado, devido à queda da taxa Selic, a investir em criptomoedas (bitcoins), ouro, startups ou imóveis deve reservar parte de sua renda para aplicações convencionais, nas quais o risco –e o ganho– seja menor.

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“A vida é arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida”, diz o poeta e compositor Vinicius de Moraes em sua música “Samba da bênção”. Digo isso a propósito do encontro casual que tive no último dia de janeiro com um antigo colega de trabalho – com quem tive um bom convívio à época – que não via há muito tempo. Tudo aconteceu na sala de espera do consultório médico de um ortopedista. O médico estava atrasado para iniciar seus trabalhos naquela manhã devido a uma cirurgia de emergência no hospital em que atua, conforme informou sua secretária após questionamentos de alguns esperançosos pacientes.

O ex colega se aproximou logo após a minha chegada, lembrando que já fazia 20 anos que não nos encontrávamos pessoalmente. Disse também que o atraso do médico seria compensado por nos possibilitar uma conversa sobre os rumos de nossas vidas após o período em que trabalhamos juntos. Depois de nos cumprimentarmos irradiando uma boa energia fiz a clássica pergunta que surge naturalmente nesse tipo de encontro: “o que você está fazendo da vida?”. Foi a senha para que o colega narrasse epicamente os momentos vividos até a decisão de se aposentar aos 63 anos de idade, após 40 anos de contribuição previdenciária, e, em seguida, focar nos 3 anos vividos na sequência.

O colega disse que adiou ao máximo a aposentadoria por não ter um projeto minimamente elaborado para quando ela viesse e que só resolveu encará-la quando percebeu que a Reforma da Previdência acabaria acontecendo. Por isso, decidiu garantir logo o seu direito adquirido no INSS e também no plano de previdência suplementar do qual participava na empresa em que trabalhava. Prosseguiu falando sobre sua adaptação inicial à condição de “aposentado que não queria ir para os aposentos” e buscava encontrar um padrão para a nova rotina do dia-a-dia. Em sua cabeça vinha a lembrança do trabalho de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h30 às 17h30, o almoço sempre nas proximidades da empresa e os vários chefes que teve, a maioria absoluta longe de fazer uma gestão pela liderança. A prevalência sempre foi de comandantes fracos tentando tomar conta das pessoas e “se achando”.

Lembrou também que depois de seis meses conseguiu se integrar mais à vida diária de sua casa – com horários combinados para café da manhã, almoço, cafezinho no meio da tarde e lanche da noite. Nesse caso afirmou enfatizando sinceridade que teve algumas trombadas com a esposa, também aposentada, que dedica as tardes de segunda, quarta e sexta a um trabalho voluntário no bairro em que moram.

Ainda embalado na fala o colega disse que tem pensado numa volta ao mercado de trabalho para atuar em projetos que lhe exijam baixa carga horária mensal. Argumentou que precisa se atualizar um pouco mais e que seu nome corporativo já não existe no mercado após passar esse tempo parado. Afirmou que sente um certo vazio mesmo tendo diversas atividades ao longo do dia tais como exercícios físicos, acesso amplo à internet, participação ativa em alguns grupos de WhatsApp bastante movimentados, leitura de algum livro que está na moda, presença frequente nos eventos de sua religião, pequenas interações sociais com a família e pouquíssimos amigos. Disse também que um dinheiro extra poderia amenizar um pouco a inflação do idoso, que é sempre bem maior que o reajuste de seus proventos, e que está ciente das dificuldades que terá devido à fraca recuperação da economia brasileira.

Inesperadamente o antigo colega foi chamado pelo ortopedista para o início de sua consulta enquanto fui informado pela secretária de que eu seria atendido logo em seguida. Apesar da pressa do médico foi possível anotar o número dos telefones e registrar a intenção de envidar esforços para que aconteça um novo encontro num futuro próximo. Quando a consulta começou fiquei pensando sobre o que e como fazer para que a inércia não impeça que a intenção se transforme em gesto. Será? Dependerá muito de nós e de nosso querer, mas quem terá a iniciativa de propor uma data para esse encontro?

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Sabe-se da geografia que o período das chuvas na região Sudeste vai de outubro a março, mas com intensidade maior a partir do início do verão. Os índices pluviométricos desse janeiro, e notadamente da segunda quinzena do mês, estão mostrando um aumento significativo no volume das águas, tanto na forma de pancadões de menor duração quanto por períodos mais longos com menores quantidades formando um somatório também expressivo. Até agora os resultados de tudo isso estão expostos na tragédia vivida diretamente pelas pessoas que moram em Belo Horizonte e sua região metropolitana, bem como na Zona da Mata mineira, no sul do Espírito Santo e no Norte do Rio de Janeiro.

Não há duvidas de que água é vida e de que as chuvas são extremamente necessárias para equilibrar o ciclo. Mas diante de tudo que está acontecendo nesse período com todos os tipos de perdas, a começar pelas vidas humanas, é fácil constatar que a maioria das pessoas se volta quase que naturalmente para combater os efeitos trazidos pelo modo que as chuvas vieram e provavelmente voltarão em outros anos. Até as autoridades e os políticos partidários sobrevoam as regiões atingidas para constatar esses mesmos efeitos, notadamente em anos eleitorais.

É preciso dar grandes passos à frente para solucionar esse problema de maneira mais duradoura a partir do conhecimento das causas que estão no processo que o geraram. Também é importante lembrar que a remoção das poucas causas vitais pode ajudar a resolver uma significativa parte do problema. Diante da enorme quantidade de fatos e dados disponíveis e de muitos resultados indesejáveis que se repetem ano após ano com as diferentes políticas de governo no sistema capitalista – no estado de bem estar social ou no liberalismo econômico – é preciso repensar o modelo de desenvolvimento urbano vigente.

Se conceitualmente sistema é um conjunto de partes interligadas, a gestão das águas deve ser feita por bacias hidrográficas em toda a sua plenitude. A presença maciça das estruturas de concreto armado, o adensamento populacional, o encarceramento dos rios em canais fechados, as cirurgias plásticas feitas nas encostas de montanhas e serras, a impermeabilização do solo através de cimento e asfalto, a deseducada destinação do lixo domiciliar e outros resíduos bem como a brutal concentração de renda que empurra uma expressiva camada da população para moradias na beira de cursos d’água já dão sinais visíveis de que precisam ser repensados.

E o que dizer do aquecimento global e da mudança de clima que alguns ainda tentam negar apesar de todas as evidências científicas? Para quem gosta de alegar que os recursos não são suficientes é só lembrar que é por isso que um modelo de gestão estruturada trabalha com a priorização de necessidades que precisam ser atendidas num determinado horizonte de tempo.

Caminhemos mesmo sabedores de que gestão é o que todos precisam, mas nem todos sabem que precisam, nessa toada realista e esperançosa em meio à dor das perdas.

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Sabe daquela situação que geralmente imaginamos que só acontece com os outros, em que um membro da família sofre um acidente vascular cerebral do tipo hemorrágico? Foi o que aconteceu no dia 2 de janeiro com o senhor Paulito, de 83 anos, aposentado, casado com a senhora Iarinha, de 78 anos, com quem teve 8 filhos. Muitos também são os genros, noras, netos e bisnetos. O fato é que Paulito sentiu-se mal na tarde daquele dia, quando jogava buraco, como fazia todos os dias, com um grupo de amigos e colegas numa espécie de cassino informal de seu bairro numa cidade da região metropolitana de Belo Horizonte. Paulito foi levado para uma unidade de pronto atendimento e posteriormente transferido para um hospital público de grande porte. A hemorragia inundou uma vasta área de seu cérebro e, após 12 dias de internação, seu nome foi estampado num atestado de óbito, clássico documento que registra o fim do curso de vida.

Alguns fatos e dados marcaram os dias da angustiante espera da família por um desfecho favorável, mesmo diante de prognósticos sombrios. Um fato marcante foi a reação das pessoas do convívio de Paulito ao tomarem conhecimento sobre o que aconteceu com ele, sendo que algumas delas também tentavam encontrar uma explicação para o acontecido. “Como assim foi acontecer isso se ele estava tão bem?”, perguntaram alguns. Na tentativa de encontrar explicações alguns filhos lembraram-se de que o pai tinha dificuldades para tomar diariamente o medicamento para controlar a pressão arterial e muitas vezes ficava até uma semana sem usá-lo. Além disso, também usava medicamentos para combater a disfunção erétil, a ansiedade, os níveis elevados da glicose e do colesterol. Para completar o quadro foi lembrado que ele tomava diariamente uma ou duas doses bem generosas de sua cachaça preferida que era também recomendada aos filhos, ainda que fosse apenas uma “bicadinha” para sentir o gosto.

Outro fato marcante foi a decisão da filha mais nova de Paulito e Iarinha de criar um grupo de WhatsApp para agilizar as comunicações sobre o quadro clínico do pai. O grupo, administrado por ela, foi composto por filhos, genros, noras, netos, amigos, colegas e vizinhos. A primeira mensagem informava que o estado do paciente era grave, mas estável, como determina o protocolo padrão nessas ocasiões. Também foram informados os horários de visitas rápidas ao paciente na UTI do hospital, sendo no máximo duas pessoas à tarde e outras duas à noite, conforme a escala feita pela filha administradora. Só ela e a mãe Iarinha poderiam fazer visitas dia sim, dia não, enquanto os outros muitos interessados colocavam seus nomes numa lista para as outras vagas. A parte familiar do grupo de WhatsApp quase explodiu quando, no sexto dia de internação, a filha administradora interpretou mal uma fala de um médico intensivista da UTI e informou ao grupo a morte cerebral de Paulito. O desespero tomou conta de muitos enquanto outros questionavam a equipe médica sobre a real situação do pai e as perspectivas para as horas seguintes. A morte cerebral foi negada, mas o quadro grave reafirmado. Depois de tudo a filha administradora do grupo de WhatsApp pediu perdão a todos pelo seu erro de interpretação e também um voto de confiança para continuar à frente do processo.

Nos dias seguintes Paulito continuava do mesmo jeito e sem nenhum sinal de qualquer reação minimamente esperançosa. Passou a ter febres mais constantes e a pressão arterial foi ficando mais baixa. Foi aí que Iarinha e seus filhos solicitaram uma reunião com a equipe médica e um dos filhos perguntou de cara quais eram as chances do pai sobreviver, independente de sequelas, numa escala de 1 a 10. A resposta foi imediata informando que a chance seria 1. A reunião praticamente terminou ali e todos entenderam qual seria o desfecho mais provável. Em seguida foi passada a informação para todos os membros do grupo de WhatsApp. E, na alvorada do dia 14 de janeiro, Paulito veio a óbito e todos ficaram sabendo à medida em que acordavam e davam aquela olhada básica em sua rede social. Logo a seguir a movimentação do grupo girou em torno de condolências, perguntas sobre a hora de início do velório e depois sobre o dia e hora do sepultamento que, aliás, acabou sendo no final da manhã do dia seguinte. E não é que, um pouco depois, algumas pessoas começaram a perguntar sobre a missa de sétimo dia?!

Você se lembra de ter vivido alguma situação semelhante a essa, envolvendo parentes e amigos, nas duas primeiras décadas deste século ou realmente isso só acontece com os outros?

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Algumas preocupações de janeiro

por Luis Borges 20 de janeiro de 2020   Pensata

O tempo prossegue caminhando firme para a frente, com muita determinação e sem parar para descansar ou reclamar. Seu medidor mostra que mais da metade do mês de janeiro já foi embora. Foi tudo tão rápido, incrivelmente rápido, que mal dá para lembrar os desejos de “Feliz Ano Novo” com saúde, paz e sonhos realizados. Se muitas eram e ainda são as expectativas, várias até bem maiores que a realidade, o fato é que a cada dia surgem novas preocupações diante do acentuado ritmo de mudanças que acontecem e se sucedem. Isso só faz aumentar a inquietude de nossas mentes visando um melhor posicionamento para responder bem aos desafios que vão surgindo.

Muitas preocupações ficaram para trás no tempo, mas não tem como ser esquecidas. Uma delas é a pífia recuperação da economia que resulta em 12 milhões de pessoas desempregadas e deixa em evidência o aumento da carestia na alimentação, na saúde, no lazer… Isso ficou evidente com a divulgação dos índices inflacionários do ano passado em que os salários em geral perderam poder de compra. A título de ilustração basta olhar para o novo salário mínimo, que inicialmente ficou abaixo do Índice Nacional de Preços ao Consumidor – INPC, e que acabou sendo corrigido às pressas para ficar minimamente compatível com a Lei que, aliás, não prevê ganhos reais para recompor o poder de compra perdido ao longo do tempo.

E se agora cada um de nós começar a listar as preocupações com os fatos que aconteceram nesses primeiros 20 dias e que podem impactar negativamente o orçamento financeiro do ano? De cara, para quem mora em Belo Horizonte, já existem os decantados gastos com o IPTU, IPVA, quitação de multas de trânsito, material escolar e anuidades escolares aumentadas acima da inflação.

Será que deve ser alta a preocupação com os rumos que tomarão as relações entre Estados Unidos, Irã e Iraque e seu impacto na produção, logística de distribuição e preços do petróleo que sustenta os países do Oriente Médio? Será que teremos que pagar mais caro ainda pela gasolina, óleo diesel e gás de cozinha? Dá para imaginar o automóvel parado em casa 3 dias por semana? Será que o liberalismo econômico vigente vai ter coragem de tabelar esses preços como fez com os juros bancários de 8% para os cheques especiais?

Na minha lista também preocupa a vontade de aumentar a já altíssima carga tributária que sempre passa pela cabeça de governantes e parlamentares. Isso vai desde a energia solar, cujo uso avança pelo país, e pela não correção da tabela do imposto de renda da pessoa física, que está defasada em 104% acumulados nos últimos 24 anos.

Também causa preocupação e desconforto o calor intenso e a medição da temperatura variando de 31ºC a 35ºC, à qual deve-se acrescer algo em torno de 5ºC para incluir a sensação térmica. Não menos preocupantes são as chuvas fortes, rápidas e de alta vazão, trazendo alagamentos, enchentes, deslizamentos de terra, destruição e mortes. Aliás, essa cena se repete todo início de ano e se tornou um problema crônico que nenhum prefeito consegue resolver, entra ano, sai ano. O calor e a chuva também trazem a preocupação e a facilitação para a proliferação de doenças como a dengue, zika vírus e a febre chikungunya.

Mais preocupação vem só de pensar no aumento dos preços dos planos de saúde – sempre bem acima da inflação, medicamentos, transporte coletivo – nas mãos da justiça e a última parte da tarifa do metrô.

Ah! Eu poderia dizer que chega de preocupações, mas é impossível não se preocupar apesar de todo o realismo esperançoso. Basta olhar o orçamento de gastos e verificar que ele exigirá cortes, ainda mais para quem não tem recebíveis do nióbio para negociar.

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Ano novo, vida nova

por Convidado 13 de janeiro de 2020   Convidado

*por Sérgio Marchetti

Cá estamos nós, meu querido leitor, começando uma nova jornada pela vida. Talvez esteja faltando alguém que, em 2019, lia meus escritos e compartilhava minhas ideias. Mas a roda viva não para. Somos nós que paramos, e, um por um, pouco a pouco, vão tendo seus nomes chamados para sair da roda.

Independentemente das perdas e dos ganhos, ouço, há tantos anos, a frase “ano novo, vida nova”, que acredito que tenha se tornado um mantra. A euforia da passagem de ano e a possibilidade de começar tudo outra vez, de fato, contribuem para a renovação da esperança de dias melhores. Mas, infelizmente, as flores para Iemanjá, o jantar de lentilhas e as sementes de romã não são suficientes para alterar o rumo de nossas vidas.

Ainda assim, não critico e nem rejeito as crenças de cada pessoa (“há muito mais entre o céu e a terra do que possa prever nossa vã filosofia”), pois a força da fé tem removido montanhas. Acontecem todos os dias fatos inéditos, surreais e não explicáveis pela ciência. Porém, não estamos livres de problemas e de tragédias. Pandora já abriu a sua caixa e, sem saber o que continha nela, liberou todos os males. Somente a esperança restou. Diante disso, deixemos viva a esperança, que é o que nos segura quando tudo parece perdido.

Faço uma ressalva de que não devemos deixar toda a responsabilidade com os santos e nem mesmo com Deus. Já tem muita gente para Ele olhar. Também não vale delegar ações pessoais a terceiros. Eles não sentem o que você sente. Deixe a preguiça de lado. Mande essa tristeza embora. Tenho certeza de que você tem mais para agradecer do que para reclamar. Então o que está esperando? Pratique a gratidão. Ressignifique seus acontecimentos negativos, perdoe alguém que invade seus pensamentos e se perdoe.

Aí entra a nossa parte. Permita-me, caríssimo leitor, fazer o seguinte questionamento: Quem poderá ajudá-lo? Sabe o que deseja? Você já fez o planejamento individual? Já sabe o que vai mudar? Identificou as consequências? Traçou metas? Definiu quando devem ser alcançadas? Escolheu o método que irá utilizar?

Sei que muitas pessoas não acreditam que a definição de metas poderá ajudá-las. Outras até creem, mas não tomam a iniciativa por mera indolência. E, apesar disso, eu os compreendo, mas também lhes asseguro de que, nos novos tempos, o fracasso de quem não se preparar será iminente. O ser humano tem dificuldade de se planejar para o futuro e precisa de alguém que lhe dê forças. E não é por acaso que a mentoria e o coaching se fortaleceram tanto e passaram a exercer um papel importante na vida das pessoas e das empresas.

Então comece agora, nada de procrastinar. Janeiro é o mês ideal para traçar seus planos de mudança. Pense no que não deu certo, nas conquistas, nas empreitadas em que obteve sucesso. Anote o nome das pessoas que podem lhe ajudar a realizar seus objetivos. Formule planos de ação com prazo determinado. Negocie, renegocie, mas não deixe o desânimo lhe derrubar; ele é apenas um indicador de que você andou muito tempo na direção errada. Retome seus caminhos e se fortaleça com as experiências, pois mesmo tendo colecionado erros, sempre será um aprendizado. Basta não repeti-los. Ocorrerá também a dúvida – ausência de ação e medo de errar. Nesse caso, busque orientação e conselhos com embasamento técnico.

O quadro atual é mais otimista. O Brasil ainda está no CTI, mas já respira sem aparelhos e começa a dar sinais importantes de recuperação. Estamos saindo da escuridão, e acena para nós a possibilidade de dias melhores. Indicadores nos demonstram que haverá mais trabalho e mais oportunidades de vermos brasileiros voltando a ser cidadãos dignos, que possam obter seus recursos com o próprio trabalho e não pela esmola.

Passe a borracha no passado e vamos começar de novo. E, se precisar de um ombro amigo ou de algumas orientações sobre algo que eu saiba um pouquinho, pode contar comigo.

“Começar de novo e contar comigo, vai valer a pena ter amanhecido…”(Ivan Lins)

* Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

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Só no digital não dá

por Luis Borges 8 de janeiro de 2020   Pensata

O Portal G1 publicou, no dia 03 de janeiro, alguns dados que podem nos fazer pensar sobre intenções e gestos envolvendo a movimentação de pessoas em diferentes níveis de relacionamentos pessoais e em organizações humanas de diferentes tipos de atuação.

Segundo a publicação:

 O WhatsApp informou que, durante as 24 horas que antecederam a meia-noite da véspera de ano novo, foi registrado um número recorde de mensagens enviado por meio do aplicativo em todo o mundo: mais de 100 bilhões durante as 24 horas do dia 31 de dezembro. 

[…]

Apenas no Brasil, os usuários do WhatsApp enviaram mais de 13 bilhões de mensagens no dia 31 de dezembro de 2019.

[…]

Apesar da criptografia de ponta a ponta do WhatsApp, que só permite a leitura da mensagem entre quem envia e quem lê, o aplicativo supõe que um número grande de mensagens enviadas em 31 de dezembro foi de “Feliz Ano Novo” ”.

Meu ponto aqui é fazer um balanço que nos permita refletir sobre o que foi possível fazer concretamente em nossas relações pessoais ou negociais que foram além do digital na fria tentativa de buscar uma aproximação que, já se sabe, continuará distante pela própria natureza do meio utilizado. Por mais que seja afetiva a mensagem, nada substituirá o calor radiante do encontro físico, presencial entre seres humanos.

No meu caso específico considero que consegui ir um pouco além do digital, ainda que limitado por condições funcionais, mas com muito suporte das pessoas mais próximas.

Nesse sentido deixo registrado que passei quatro dias do período de virada do ano na minha terra natal – Araxá, capital secreta do mundo e cidade eterna como Roma. Por incrível que possa parecer, consegui estar pessoalmente em 10 residências de familiares diretos que são também amigos, tias e primas, sem polarizações e intolerâncias, mas com muito respeito, humor, capacidade de ouvir e também de falar. Um momento muito marcante foi o encontro com quatro tias que estão acima dos 80 anos de idade. Como sabemos, idosos querem presença, carinho e atenção. Duas delas moram em suas próprias residências, sendo que uma estava fazendo mingau de milho verde e a outra se preparava para ver a passagem do ramo de uma folia de Reis. As outras duas moram em instituições de longa permanência para idosos, onde o horário de visitas é na parte da tarde e o tempo de permanência é de 4 horas em uma e de 2 horas na outra. Nesse caso, me coloquei no lugar delas e fiquei a imaginar como seria a minha adaptação numa instituição desse tipo quando essa opção também poderá ser uma solução para meu curso de vida a caminho da finitude.

É claro que não dá para negar a vida conectada digitalmente mas não precisamos ficar só nela. Ainda é possível viver e manter a nossa dimensão humana, que também depende do nosso querer e das nossas iniciativas como num simples, caloroso e renovador encontro na virada do ano. Outros encontros virão, no Carnaval ou na Páscoa, por exemplo. Depende de nós.

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