Como será virada essa página de nossa história?

por Luis Borges 24 de Abril de 2017   Pensata

Lá se vão quase três anos que postei aqui no Observação & Análise minhas observações sobre a ponta do iceberg que começava a mostrar as tenebrosas transações envolvendo os negócios feitos pela Petrobras comprometendo empreiteiros, fornecedores e os políticos partidários. De lá para cá cada dia tem a sua novidade, aumenta a quantidade de pessoas físicas e jurídicas comprometidas em diversos níveis na hierarquia da corrupção e o iceberg já aumentou de tamanho. Como essas piores práticas fazem parte da cultura brasileira e a tecnologia se aprimorou rapidamente nos últimos 30 anos, basta querer cumprir a lei para descobrir o restante do iceberg espalhado pelos 5.562 municípios e nas diversas instâncias dos três poderes. O Estado mostra o seu intenso grau de privatização por parte dos grupos de poder que dele se apropriaram.

Mas a catarse que está sendo vivida nesse momento é brava e intensa, sinalizando que temos uma possibilidade de depuração, de limpeza no sistema político-partidário que tenta representar a nossa sociedade. É claro que quase todo mundo se sente atônito diante das revelações vindas do desespero das delações premiadas da empreiteira que se diz arrependida do seu foco de fraudar licitações públicas. Tão assustador quanto isso é a cara de paisagem dos membros de 16 partidos políticos, os mais vitais entre os 35 registrados, falando que fizeram tudo conforme a lei, que as contas estão aprovadas pela Justiça Eleitoral, porém nunca entrando no mérito do que é Caixa 1, Caixa 2, propina e sobra de campanha para enriquecimento pessoal.

Estamos diante de um ponto de inflexão onde não basta ser espectador e só fazer julgamentos pelas redes sociais, mas permanecendo inertes perante as ações mais concretas das manifestações das ruas e demais organizações da sociedade civil. Podemos até não ter clareza de tudo o que se quer e se deseja para essa virada da história quando a paciência histórica começa a se esgotar, mas o que não se quer e nem se aceita vai ficando bem mais claro para boa parte da sociedade que se diz civilizada. De novo, as coisas continuam dependendo de nós, de nossas atitudes perante a participação na política e das novas lideranças que vão emergir das lutas. A hora é do ponto de inflexão rumo a um bem estar social sem o jugo das castas que abusam de nossa inteligência como se todas as restrições sofridas hoje fossem facilmente suportáveis e inerentes ao capitalismo sem riscos. Consente quem cala diante da lentidão do Poder Judiciário e da complacente legislação penal para os crimes eleitorais. Já não dá mais para segurar diante de tantas evidências objetivas. Dá até para lembrar de Tiradentes e do Quinto do Ouro levado para Portugal, que estimulou o levante da Inconfidência Mineira na segunda metade do século XVIII.

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