A quaresma trará mudanças suficientes?

por Luis Borges 7 de Março de 2017   Pensata

Já faz tempo que o ano novo começou para nós, ele que veio acompanhado de todos os tributos característicos dessa época tais como o IPTU e IPVA. Logo em seguida tivemos a volta às aulas, o “esquenta” para o Carnaval e os 4 dias oficiais da folia. Até a Quarta-feira de Cinzas já passou, trazendo consigo a declaração do imposto de renda da pessoa física e o convite para a reflexão nesses 40 dias chamados de Quaresma no mundo dos cristãos católicos. É hora de muita observação e análise, de se penitenciar diante de erros reconhecidos e também de ação no sentido da melhoria a ser implementada em novas posturas e atitudes numa sociedade que se quer civilizada.

Mas que esperanças realistas temos de que efetivas mudanças ocorrerão rumo ao bem estar social mais abrangente contrapondo-se à exclusão sistêmica? Ainda é cedo para nos iludirmos com os primeiros sinais e indicadores mostrando o início da “despioria”. Por mais que os condutores do país queiram soltar foguetes para anunciar o fim da brutal recessão econômica, usando um ponto de vista meramente técnico, eu digo que “ainda é cedo, amor”. O tempo quaresmal nem faz cócegas diante de tantos problemas crônicos. Não nos esqueçamos que a crise política e partidária ainda continua longe de uma solução adequada, notadamente entre os coligados em torno do governo federal com os devidos tentáculos nos outros poderes constituídos. Vale lembrar que, na média, o país encolheu algo em torno de 10% e que 13 milhões de desempregados não se recolocarão no mercado de trabalho de um dia para o outro, com uma simples proclamação de que a recessão econômica acabou. Segundo economistas a renda per capita dos brasileiros em 2013, que foi de 30.800 reais, só será superada em 2023, quando atingirá 31 mil reais segundo projeções realistas. Por outro lado, a incerteza política aumenta diante de cada revelação da operação Lava Jato, que mostra como a imensa maioria dos políticos e seus partidos são farinha do mesmo saco e têm o mesmo foco no poder. Para isso, os meios justificam os fins.

Muita água ainda vai passar debaixo dessa ponte, inclusive os gritos que poderão voltar das ruas. É o que prenuncia a tentativa de aprovar “na marra” a Reforma da Previdência e a Trabalhista. Isso enquanto a economia mal saiu da unidade de terapia intensiva, com a redução da taxa básica de juros, e o impopular Presidente da República faz malabarismos para se garantir no cargo que alcançou através do impeachment.

Ainda teremos a quaresma de 2018. Como será?

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