Crise é uma “fase difícil, grave, na evolução das coisas, dos sentimentos, dos fatos; do colapso” como diz um dos verbetes do Dicionário Informal da Língua Portuguesa. O que significa para cada um de nós os dias que passamos nessa primeira quinzena de março – que fase! Somos impactados pelo novo coronavírus avançando pelos continentes sinalizando menor crescimento econômico mundial, preço do barril de petróleo em queda com o excesso de produção, bolsa de valores derretendo, dólar oficial na casa dos R$5,00 (imagine o dólar turismo), desemprego aberto e o crescimento econômico prometido marchando para repetir o pibinho do ano passado. Enquanto o mundo globalizado e seus dirigentes tentam formular saídas para o momento de alta turbulência vamos ouvindo tudo quanto é tipo de afirmações, a começar pelas que se baseiam no mero “achismo”.

É interessante verificar como as falas vão se modificando rapidamente para quem tenta minimizar os problemas ou mesmo ignorá-los. Basta lembrar que inicialmente o Ministro da Economia dizia que o dólar só chegaria aos R$5,00 se ele fizesse uma besteira muito grande. De repente o dólar bateu lá e o Ministro disse que isso seria algo passageiro. Será que é isso mesmo? O que significa para nós algo passageiro nesses tempos de crise política, econômica e social vividos pelo país a partir de 2014? Quanto tempo mais vai durar essa inequação?

A propósito de tantas coisas que passam e podem passar pelas nossas cabeças em momentos de crise tão agudos, que tal ouvir a música Nuvem passageira cantada por seu autor, Hermes Aquino, que a lançou em abril de 1976? Vale lembrar também que ela foi a música tema da novela “Casarão” exibida pela Rede Globo de televisão naquela época.

Será que a crise é mesmo uma nuvem passageira ou vai demorar um pouco mais do que podemos estar imaginando?

Nuvem Passageira
Fonte: Letras.mus.br

Eu sou nuvem passageira
Que com o vento se vai
Eu sou como um cristal bonito
Que se quebra quando cai

Não adianta escrever meu nome numa pedra
Pois esta pedra em pó vai se transformar
Você não vê que a vida corre contra o tempo
Sou um castelo de areia na beira do mar

Eu sou nuvem passageira
Que com o vento se vai
Eu sou como um cristal bonito
Que se quebra quando cai

A lua cheia convida para um longo beijo
Mas o relógio te cobra o dia de amanhã
Estou sozinho, perdido e louco no meu leito
E a namorada analisada por sobre o divã

Eu sou nuvem passageira
Que com o vento se vai
Eu sou como um cristal bonito
Que se quebra quando cai

Por isso agora o que eu quero é dançar na chuva
Não quero nem saber de me fazer ou me matar
Eu vou deixar em dia a vida e a minha energia
Sou um castelo de areia na beira do mar

Eu sou nuvem passageira
Que com o vento se vai
Eu sou como um cristal bonito
Que se quebra quando cai

Eu sou nuvem passageira
Que com o vento se vai
Eu sou como um cristal bonito
Que se quebra quando cai

Eu sou nuvem passageira
Que com o vento se vai
Eu sou como um cristal bonito
Que se quebra quando cai

Eu sou nuvem passageira
Que com o vento se vai
Eu sou como um cristal bonito
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A manutenção de nossas moradias, sejam elas casas ou apartamentos condominiais, exige uma gestão que garanta a disponibilidade para o uso permanente das instalações, equipamentos e utensílios pertencentes ao ambiente. Ainda que tudo tenha sido projetado e construído por profissionais habilitados conforme a lei, a operação dos ativos é feita pelos moradores usuários das casas e nos casos de condomínios existem aspectos que transcendem cada unidade e seu gerenciamento interfuncional deve ser feito pelo síndico, mas com a cooperação e participação de todos os condôminos em busca do bem comum.

Na nossa cultura ainda predomina a negligência em relação à gestão da manutenção e pouco se faz em ações preventivas. Por isso mesmo, em nossas moradias, a cena mais comum é a manutenção corretiva, quando um bem estraga ou se quebra, uma instalação está com uma infiltração merejando água ou um equipamento eletroeletrônico se queima devido à queda de um raio onde não existe um sistema protetor.

Digo isso para contar a saga do morador de uma casa após perceber um vazamento em sua caixa d’água com capacidade para reservar 500 litros. O fenômeno foi percebido na manhã da quarta-feira antes do Carnaval, quando o morador fechou imediatamente o registro da instalação da entrada de água e conseguiu agendar uma visita técnica de um bombeiro hidráulico autônomo para as 17h do mesmo dia. Entretanto o profissional não apareceu na hora marcada e nem deu satisfação alguma para justificar o seu descompromisso. Mesmo assim, o morador fez um contato com o bombeiro para conversar sobre o acontecido e ele disse que as coisas ficaram “agarradas” e que não deu para comparecer na hora combinada. Novo acordo foi feito para a realização do serviço às 9h do dia seguinte, mas o horário acabou sendo desmarcado pelo bombeiro em cima da hora sob a alegação que precisava resolver uma emergência no serviço feito na tarde do dia anterior. Pacientemente o morador disse ao profissional que ficaria fora de casa durante o Carnaval e agendou uma nova tentativa para que o trabalho fosse feito a partir das 9h da quinta feira após as cinzas do Carnaval. E não é que que o bombeiro hidráulico não apareceu na hora combinada e, ao receber um telefonema do morador, disse que havia se esquecido do combinado e que logo a seguir se deslocaria rumo à casa do cliente? Lá chegou por volta das 11h e identificou que a causa do vazamento da caixa d’água era devido à boia quebrada. Por volta do meio-dia o serviço foi concluído e custou ao morador R$170,00 relativos à mão de obra e aquisição de uma nova boia.

Perguntado sobre a garantia para os serviços realizados, o bombeiro disse que a validade era só até ele passar pelo portão que dá acesso à rua. Em seguida, disse que estava brincando e que em caso de problema era só chamá-lo.

Lembre-se, caro leitor, de que um cliente ao contratar um serviço espera que ele tenha qualidade intrínseca, preço adequado e bom atendimento. Imagine se num curto período de tempo a pia de sua casa aparece entupida enquanto a geladeira pára de refrigerar, o fogão a gás não acende a chama e a máquina de lavar roupas quebra um componente fundamental e você vai procurar um profissional para resolver cada desses problemas. Haja paciência e dinheiro!

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A observação e análise dos fenômenos que acontecem cotidianamente e dos processos que os geram são cada vez mais imprescindíveis nesses tempos de permanentes e velozes mudanças. Mas para se posicionar e se reposicionar estrategicamente em meio a tudo isso – e para melhor prosseguir – é preciso estar muito atento para perceber os sinais que são emitidos pelos meios em que estamos. Eles podem ser observados de vários ângulos que estão presentes na vida familiar, no trabalho, na cidade, no país… É óbvio que cada nível desses precisa ser compreendido, ponderado e relativizado em seus impactos para nos ajudar nas elaborações necessárias ao enfrentamento de cada momento. Se tudo começa com a gente e muitas são as expectativas por uma sociedade mais justa e democrática, o desafio fica por conta das percepções que cada pessoa tem tanto do que já aconteceu quanto do que está para acontecer. Esse é o ponto que quero abordar. O que proponho é uma autoavaliação sobre a maior ou menor capacidade que cada um tem em relação à percepção de sinais e outras reações que precisam ser decodificadas e bem percebidas.

De repente seu chefe no trabalho começa a lhe falar uma série de coisas, sem ir direto ao ponto. Quem é mais atento pode ficar com uma “pulga” atrás da orelha tentando entender o que ele está pensando e onde quer chegar mesmo sem deixar transparecer. Para alguém mais desatento aquela falação do chefe pode até ser vista com sensação de alívio no momento em que ele para de falar. Lá um belo dia, e após não perceber o que o chefe queria dizer, vem a comunicação de sua demissão. A causa pode estar na falta ou incapacidade de alinhamento entre o subordinado e seu chefe. Isso fica ainda mais nítido num ambiente de trabalho em que “manda quem pode e obedece quem tem juízo”, numa conjuntura de vigência da reforma trabalhista e precarização das relações de trabalho. Em momento tão adverso fica evidente que o desatento não percebeu que o gato subiu no telhado e só despertou quando ele caiu.

Num nível macro é interessante verificar a situação de um Ministro ou Secretário de estado sendo “fritado” e enfraquecido pelo seu chefe que quer o seu posto. Ele fica dando estocadas, mas não quer ter o ônus de fazer a demissão e espera sinceramente que seu subordinado peça para sair. Diante da não percepção e do tempo passando chega-se facilmente a um momento em que uma substituição é especulada pela manhã, e negada, mas acaba acontecendo no final da tarde.

Cada leitor que forçar um pouco a memória poderá se lembrar de muitas situações pessoais, familiares ou profissionais em que o cenário mudou, “o gato subiu no telhado”, como diz a expressão popular, e as mudanças aconteceram mesmo sem ter sido percebidas por muitos, apesar dos sinais que foram emitidos.

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Escrevo esta pensata na manhã da quarta-feira de cinzas, como se tudo estivesse terminado nessa grande festa popular, mas sei que o pós-carnaval ainda vai dar o ar da graça em muitos lugares até o final da semana. Fico pensando para onde vamos, eu, você, nós e toda a polarizada sociedade brasileira já tendo se passado 2 meses do ano que segue firmemente seu curso natural. O que ficou para trás, ficou.

Mas por que pensar, nesse momento, na quantidade de dias que já se passaram nos quais a pauta de notícias verdadeiras e também falsas se renovou quase que a cada instante?

A razão é muito simples. Contrariando recessões econômicas anteriores, dessa vez tudo está bem mais demorado para acontecer numa efetiva retomada do crescimento econômico. De 2014 para cá chegamos ao sétimo ano de pleno desemprego. Enquanto o social grita e suas barragens dão sinais de rachaduras – vide policiais militares amotinados no Ceará – a política partidária está de olho nas eleições municipais para prefeitos e vereadores em 5.570 municípios, que aliás, é onde as pessoas moram.

Em dezembro passado uma expressão bastante ouvida dizia que “agora vai”, mas vai para onde se nós vivemos de resultados? Será que dá para continuar convivendo com um barril de pólvora de 11,6 milhões de desempregados, 5 milhões de desalentados, 3 milhões na fila do bolsa família e quase 2 milhões na fila do INSS? Se o ano começou com a projeção de crescimento do PIB entre 2,30% e 2,50% bastou a divulgação dos índices econômicos de dezembro mostrando uma certa freada na economia para que se mudassem as expectativas. Agora o Boletim Focus do Banco Central já estima crescimento de 2,20% no final do ano. Vale lembrar que no ano passado não foi diferente. A projeção em janeiro era para crescimento do PIB em 2,53% que foi caindo, caindo e deve ficar em torno de 1% quando o IBGE divulgar o número oficial no início de março.

Agora o Presidente da República já fala que espera um crescimento da economia de pelo menos 2% e o prestigiado Superministro da Economia responde que acha que vai dá para alcançar. Fazendo uma analogia com o futebol podemos lembrar que nessa modalidade esportiva quando se diz que o técnico do time está prestigiado é sinal de que aumentaram as chances dele ser demitido por falta de resultados expressivos. Como se vê, não basta só torcer pelos bons resultados e dar demonstrações de fé num momento em que tudo vai mudar num milagroso passe de mágica. Também não basta bradar crenças no liberalismo econômico enquanto se tabela preços para fretes de caminhoneiros ou juros bancários devidamente compensados por aumentos de tarifas de prestação de serviços, por exemplo. Como a economia vive de expectativas e mede permanentemente a confiança e a desconfiança no rumo que as coisas vão tomando, será que surgirão muitos investidores para fazer os investimentos que o país está esperando? Some-se a isso o corona vírus – Covid19 puxando a economia mundial para baixo, a espera permanente pelas reformas tributária e administrativa, ataques presidenciais frequentes à democracia, às instituições do país e à liberdade de imprensa como se fossem um empecilho para que as coisas deem certo. É o que temos para enfrentar  no momento.

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Blefar, segundo o Dicionário Informal da Língua Portuguesa significa:

 “arriscar sem algo, sem se ter muita chance de dar certo. Falar algo que não é verdade ou dizer que vai fazer alguma coisa que na verdade não vai.”

Blefar também é uma das características marcantes para os jogadores de truco, que mesmo estando com cartas mais fracas do baralho tentam “trucar” os adversários e, conforme as reações, acabam batendo em retirada e desistindo do intento que se tornou insustentável. Vale lembrar que do outro lado também existem jogadores.

Uma analogia com o jogo de truco pode ser feita com o recente episódio em que o Presidente da República disse que zeraria os impostos federais – PIS, COFINS e CIDE – que incidem sobre combustíveis caso os governadores dos estados também zerassem o ICMS cobrado nas bombas dos postos. E se fosse o contrário, com os governadores propondo que a iniciativa fosse do governo federal?

O fato é que a maioria dos estados está quebrada, não conseguem ser austeros para combater desperdício de dinheiro que sai pelos ralos e muito menos abrir mão de algo em torno de 20% das receitas advindas da cobrança de ICMS sobre combustíveis. Da mesma forma o Governo Federal também não consegue abrir mão de R$27 bilhões arrecadados no ano passado com a cobrança de seus impostos, ainda mais tendo registrado um déficit orçamentário de R$95 bilhões no mesmo período.

Como se viu, a reação dos governadores foi imediata, uma grande reunião foi feita em Brasília mostrando a óbvia inviabilidade do desafio do Presidente da República e coube ao Ministro da Economia dizer que a discussão sobre essa possibilidade de zerar impostos deveria mesmo ser feita por ocasião da tramitação da reforma tributária no Congresso Nacional. Bom será se essa reforma não se transformar em panaceia para todos os males e pré-requisito fundamental para a retomada do crescimento econômico e combate de privilégios, como aconteceu com reforma da previdência social e também com a reforma trabalhista, que geraria milhões de empregos e deu no que deu.

Em sã consciência quem vai abrir mão de qualquer centavo do que arrecada se não consegue conter os seus crescentes gastos, tanto na União Federal quanto nos estados e municípios? Também é importante lembrar que as pessoas vivem nos municípios e é neles que as coisas acontecem cotidianamente. A sereia começa a cantar versos dizendo que, se vier apenas a simplificação do processo de arrecadação de tributos, já terá sido um grande passo nesse momento. É por isso que vem à lembrança que a reforma tributária aparece na análise dos cenários de quem faz planejamento estratégico de seus negócios há mais de 20 anos. Como diz o adágio popular “o jogo é jogado, e o lambari que é fisgado”.

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O imposto de renda aumenta todo ano

por Luis Borges 13 de fevereiro de 2020   Pensata

Sempre que surge alguma autoridade governamental tentando criar ou recriar impostos para justificar a busca do equilíbrio das contas públicas pelo caminho mais curto surgem nas mídias variadas reações. Entre as frases mais difundidas posso citar “ninguém aguenta mais o aumento da carga tributária” e “aumentar impostos, nem pensar”. Ainda assim, o Ministro da Economia, sempre que pode, insiste em defender uma metamorfose para recriar a extinta Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF). Outro exemplo veio da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), que tentou criar uma taxa sobre a energia solar gerada em casa. Afinal de contas a carga tributária chegou a 35,07% do PIB em 2018 mesmo com a pífia recuperação da economia.

Porém existe uma forma mais dissimulada e às vezes não percebida de imediato pelos menos atentos para  aumentar impostos que fazem parte da carga tributária. Tem ganhado força nos municípios a revisão do IPTU a partir de imagens aéreas que atualizam o tamanho das áreas construídas nos terrenos e mostram se existem acréscimos de áreas em relação ao que está registrado. Os proprietários podem recorrer à prefeitura para contestar a nova medição, mas geralmente tem prevalecido, na maioria dos casos, os lançamentos feitos em função das novas áreas medidas quando são maiores que as anteriormente registradas. Também podem surgir tentativas de elevações das alíquotas do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN) para o teto de 5%, pois em muitos municípios o ISSQN ainda varia de 3% a 5%. Já o Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), em geral com a alíquota de 3%, é calculado pelas prefeituras sobre sua própria tabela de preços, que acaba sendo sempre maior que o valor constante na promessa de compra e venda, que deveria ser a base para o cálculo. É a prefeitura tabelando para cima os preços do mercado que se diz livre.

Nos estados vira e mexe surge um acréscimo no ICMS em itens como combustíveis, telecomunicações, energia, bebidas, cosméticos… A proposta de extinção da Lei Kandir, em discussão no Congresso Nacional, pode trazer de volta a alíquota de 13% de ICMS para os bens primários e semielaborados exportados pelos estados. Já para o Governo Federal ficou a maneira mais simples de aumentar tributos que é a não correção anual da tabela do Imposto de Renda pelo índice do IPCA do IBGE. O Ministério da Economia deveria ter feito, no ano passado, a correção em 3,75% – inflação de 2018. Até agora ainda não fez a correção de 4,31% referente à inflação de 2019, ou seja, acumulam-se 2 anos de reajuste zero e cresce o valor do imposto pago pelas pessoas que conseguiram reajustes salariais ou mesmo de receitas de aluguéis de bens imóveis.

Estudo feito pela Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil mostra que essa perda existe há décadas, ainda que em alguns anos a correção da tabela tenha sido parcial e por faixas salariais. O que se verifica é que de 1996 a 2017 a defasagem da tabela é de 95% e chega a 104% se acrescentarmos os últimos dois anos. Vale lembrar também que o atual Presidente da República afirmou em sua campanha eleitoral que não aumentaria a carga tributária e que o limite para isenção do Imposto de Renda seria de 5 salários mínimos – hoje R$5.225,00. Como sempre, existe distância entre a intenção e o gesto. Mas também pudera, o período era eleitoral. Agora é esperar o programa de ajuste anual da Receita Federal deste ano e observar que acabou a dedução de gastos com a contratação de empregadas domésticas, incentivo fiscal findado em 2019 e que não foi renovado, ou seja, mais um aumento na carga tributária de quem faz esse tipo de contratação de prestação de serviços.

E, para completar, prosseguem as catilinárias da reforma tributária.

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Viver “apertado”

por Convidado 11 de fevereiro de 2020   Convidado

* por Sergio Marchetti

Uma das coisas mais surpreendentes nestes novos tempos é a moda. Melhor dizendo, a indústria da moda.

Num mundo em que o consumismo supera qualquer pensamento mais equilibrado, a moda – a exemplo de automóveis e aparelhos de televisão, smartphones, vestuário e tantas coisas mais – parece não dar trégua à população. Antes dos computadores, um modelo de roupa durava anos a fio. Quando assistimos a cenas de filmes das décadas 1920, 1930, 1940, 1950, observamos que os ternos, os cortes de cabelo, os calçados eram muito parecidos e perduraram.

Mas, com a tecnologia, a massificação encontrou um corredor aberto para lançar modas a cada trimestre. E o apelo traz, em sua forma democrática, a liberdade de usar bermuda para homens e mulheres, shorts, saias, vestidos, macacões e etc. Cabe, entretanto, uma observação: o evento define o traje. Será? Deveria ser. Isso não fere o tão proclamado e já antipatizado e “hipocritatizado” estado democrático de direito. Mas vamos nos ater à moda?

Tudo pode? É óbvio que não. Quando vamos a um casamento devemos ter em mente que os noivos investiram tempo, dinheiro e, de certa forma, estão realizando um sonho e querem uma cerimônia para ser eternizada como um momento de esplendor. Então não vá de chinelo (no vocabulário de alguns, de chinela) e bermuda. Sendo homem, vista o seu terno ou um blazer e deixe sua bermuda descansar. Permita que os olhos de terceiros sejam poupados de ver suas pernas desprovidas dos requisitos de beleza.

Falando em terno, há uma incoerência quanto à liberdade e também conforto. Em tempos de liberdade, incoerentemente, a indústria da moda masculina definiu de forma ditatorial que os paletós tem que ser de dois botões, apertadíssimos, curtos, mal permitindo que o pobre usuário estique os braços. E, para completar o conjunto, acompanham calças de cós baixo, desconfortavelmente justas, e que deixam as meias à mostra. Conforto zero, estética zero. Que péssima ideia, a de acabar com os paletós de três botões. E quem cometeu esse crime? Certamente alguma pessoa que não usa ternos, não sabe o que é elegância, desconhece o que é se vestir com conforto e não tem senso de ridículo.

Ora, meus caros e persistentes leitores, vocês já notaram que abotoa-se sempre um botão a menos? No terno de dois botões, quem tem uma barriguinha, por mínima que seja, não tem como não exibi-la. E a ponta da gravata aparece embaixo, completando a deselegância. Nem os desbarrigados, sarados e de corpos esbeltos conseguem ter elegância vestindo roupas tão apertadas e curtas.

Quando olho para vários desses senhores vestindo terno me parece que estão envoltos em embalagem para festa. Tenho a impressão de que seus troncos são muito largos para as pernas. Aparentam estar vestidos com um barril. Alguns me remetem à imagem de um barril com pés palitos.

É… você pode estar se perguntando se eu entendo de moda. Não entendendo nada. Mas tenho uma enorme noção de conforto. Também tenho discernimento suficiente para distinguir o feio do belo, e o mau gosto do que é elegante.

Diante das discrepâncias que tenho assistido e das gafes que são comuns nas festas, aconselho aos homens e mulheres que estiverem na dúvida sobre qual traje devam usar que pesquisem num site de moda ou consultem um ou uma especialista.

Um conhecido me contou que um incauto, amigo dele, se inspirou num programa de moda da televisão e apareceu na festa com blazer verde, calça vinho – que deixava a “canela” de fora – uma gravata que tinha mais flores do que os canteiros da Praça da Liberdade e, ainda, um sapato social sem meia. Era uma cerimônia ou um circo de horrores?

Como última recomendação aos homens, indico um terno cinza escuro e uma camisa branca que servem para todas as ocasiões. Lembre-se de que, em termos de moda, há uma máxima que diz que “o menos é mais”.

* Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

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