Vale a leitura

por Luis Borges 30 de novembro de 2014   Vale a leitura

Desejos dominantes – “O que você quer ser quando crescer” é uma indagação frequente que os adultos brasileiros fazem às crianças e adolescentes. Mesmo diante de muitos sonhos, desejos, informações e abordagens midiáticas a resposta não é fácil. Construir um caminho mostrando o que fazer e como fazer também é desafiante e depende de várias variáveis. Ainda assim, nada esta garantido e muitas vezes o caminho precisa ser refeito ou mudado para outras direções. Nunca está tudo dominado e em um determinado momento do tempo será necessário caminhar por conta própria. É preciso encontrar o foco e ter muita resiliência até que a certeza se confirme duradoura e resista a tantos questionamentos que poderão surgir. Neste artigo, Contardo Calligaris, psicanalista italiano radicado no Brasil, aborda alguns aspectos dessa instigante busca que exige que cada um procure a sua solução mas sem garantia automática de sucesso, ainda que tão desejado.

O tal de mercado – Desde que a Presidente da República anunciou em sua campanha à reeleição que trocaria o Ministro da Fazenda, portanto sinalizando possíveis correções de rumos, o que mais se especulou foi qual seria a reação do mercado. Mas, afinal de contas, o que é o tal de mercado e como ele age através das pessoas que nele atuam para viabilizar seus negócios? É o que aborda Hélio Schwartsman, bacharel em Filosofia e articulista da Folha de São Paulo.

Eucalipto avança em Minas – Os crescentes e prolongados períodos de seca dos últimos quatro anos impactaram bastante a geração de energia hidrelétrica e a disponibilidade de água para o abastecimento das cidades. A discussão desse fenômeno nos obriga a analisar mais detidamente as causas que estão gerando esse efeito. Uma que sempre aparece é o desmatamento, cada vez mais intenso. Entretanto, diante das restrições para transformar matas nativas em insumos para segmentos industriais como siderurgia, papel e celulose, por exemplo, cresceu rapidamente o reflorestamento utilizando o eucalipto. Ele avançou notadamente nas terras antes ocupadas por matas virgens e pastagens. É o que mostra a dissertação de mestrado “Modelagem da cobertura da terra e análise da influência do reflorestamento na transformação da paisagem: Bacia do Rio Piracicaba e Região Metropolitana do Vale do Aço” defendida pelo professor Carlos Henrique Pires Luiz, do Instituto de Geociências da UFMG.

Uma aula atrativa – Imagine que você precisa assistir aulas numa sexta-feira, das 19h30 às 22h30, num curso de pós graduação lato sensu, nível de especialização. A imaginação vale, também, para um curso de graduação de ensino médio ou do Pronatec. O que faria você permanecer o tempo todo no ambiente da aula? Qual deveria ser o modo de atuação do professor na interação com os alunos para deixar de ser uma mera estação repetidora de conteúdos pouco conectados com a realidade? Leia neste artigo de Adriano Silva, publicado no site do Projeto Draft, o diferenciado caso de Romeo Busarello, professor do Insper e vice-presidente de Marketing da Tecnisa.

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Curtas e curtinhas

por Luis Borges 27 de novembro de 2014   Curtas e curtinhas

Fechamento das contas – Mais uma vez a base aliada vacilou e o Congresso Nacional não teve quórum para aprovar, na quarta-feira, o abandono da meta de Superávit Primário de R$ 116 bilhões. Assim, ficou-se de tentar colocar o assunto na pauta da próxima semana, já que dois novos vetos da Presidente da República têm prioridade de votação. E olha que outros 38 vetos da mesma Presidente já haviam sido mantidos pelo dócil Congresso na terça-feira, em curtíssimo espaço de tempo.

Teto salarial – A Comissão de Trabalho de Administração e Serviço Público da Câmara do Deputados aprovou a elevação do teto salarial dos ministros do Supremo Tribunal Federa para R$ 35.919,05. Apesar da desindexação da economia prevista no Plano Real, o critério para estabelecer o reajuste foi indexá-lo ao valor do IPCA do IBGE, que mediu a inflação dos últimos 4 anos. Assim fica mais fácil a propagação da inflação, que o Banco Central admite que só atingirá os 4,5% ao ano em 2016. Por outro lado os membros do Poder Judiciário em todo o país já estão felizes, pois serão atingidos pelo efeito cascata decorrente da vinculação de seus salários a percentuais do que ganham os ministros do STF.

Lei 8.666 – A lei que regulamenta as licitações para a aquisição de bens e serviços pelo poder público em todos os seus níveis vigora desde 21 de junho de 1993. Um dos seus objetivos gerais é o combate à corrupção. A longo desses 21 anos surgiram muitas propostas para a sua revisão, mas o Congresso Nacional ainda não conseguiu avançar num texto que consiga promover um generoso consenso entre todas as partes envolvidas e interessadas. Dá para imaginar que essa revisão ainda vai demorar muito, principalmente após as estarrecedoras revelações advindas da operação Lava Jato da Policia Federal envolvendo a Petrobras.

Operação Alcatéia – Esta é mais nova operação da Polícia Federal que está chegando à mídia. Ela trabalha com a suspeita de desvio de mais de R$ 1 bilhão em impostos federais em Niterói, onde alguns auditores da própria Receita estão na lista de suspeitos investigados. Se o homem é o lobo do homem, imagine os lobos que participam de uma alcatéia com foco bem definido! Até tu Receita Federal, que cuida tão bem das pessoas físicas pagadoras de impostos!

1 para 10 – Segundo a Advocacia Geral da União, desde de 2010 foram identificados desvios de dinheiro equivalentes a  R$ 12,4 bilhões dos quais apenas R$ 1,2 bilhão foram recuperados para os cofres públicos. Indo direto ao ponto, apenas R$ 1,00 em cada R$ 10,00 foram recuperados. E olha que tem  gerente da Petrobras, que é de terceiro escalão, devolvendo R$ 250 milhões em delação premiada! Pelo visto, compensa.

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Demissão da pior forma

por Luis Borges 26 de novembro de 2014   Pensata

O ano caminha para o fim enquanto o Natal se aproxima e a economia brasileira ainda não dá sinais de melhoria. É interessante notar como se manifestam no dia-a-dia da vida os reflexos da perda de poder aquisitivo decorrente do galope inflacionário. Também dá para perceber uma maior lentidão nos negócios em função do pessimismo dos empresários e a população em geral mais preocupada com o desemprego, o que deixa muitas pessoas mais cautelosas na hora de fazer dívidas de um modo geral. Nesse cenário, começam a surgir mais notícias de empresas demitindo funcionários, por razões diversas.

Enquanto pensava no estado emocional das pessoas que estão sendo demitidas e nas dificuldades para se recolocar rapidamente no mercado de trabalho nesse difícil momento da economia, fiquei sabendo de um caso desrespeitoso com a pessoa e indigno de seres humanos. Aconteceu com uma funcionária que trabalhava há 22 anos numa agência de um grande banco privado em Belo Horizonte. Logo nesse segmento, que acumula lucros de bilhões de reais a cada trimestre e que não aceita resultados com nenhum centavo abaixo da meta estipulada.

A funcionária, que exercia a função de assistente administrativa, chegou ao seu setor de trabalho às 8 horas da sexta-feira passada, como de costume. Antecipando-se aos seus colegas de trabalho, ela colocou a vasilha de água para ferver, na expectativa de que alguns minutos depois um gostoso café estaria à disposição de todos. Entretanto, a gerente de recursos humanos chegou ao local inesperadamente e a convocou para uma reunião na sala ao lado. A funcionária argumentou que a água logo estaria fervendo, mas recebeu a determinação de que deveria deixar isso pra lá.

Iniciada a conversa e diante dos rodeios e “me-me-més” da gerente, a funcionária perguntou a ela se tudo aquilo era para demiti-la e também o que tinha feito para merecer tal situação. Aliviada e sem graça diante das perguntas que atalharam seu caminho, a explicação da gerante foi seca e direta. Disse que a funcionária estava no banco há muito tempo e tornou-se cara para a instituição. A política da instituição, segundo explicou a gerente de RH, é evitar ao máximo que pessoas permaneçam trabalhando na empresa por mais de duas décadas. Para que isso aconteça, a tecnologia da informação será cada vez mais incrementada para aumentar a competitividade.

A funcionária, ainda se refazendo do susto, perguntou sobre o cumprimento de aviso prévio e sobre seus direitos trabalhistas, mas foi logo interrompida pela gerente. Não seria necessário cumprir aviso, todos os direitos já estavam calculados e bastava apenas homologar a demissão no Sindicato dos Bancários. A gerente arrematou a conversa informando à funcionária que, saindo da sala, ela já deveria voltar para casa. Não permitiu o cafezinho do juízo final junto aos colegas do setor.

Forma e conteúdo caminham lado a lado, e o ser humano merece mais respeito. É lamentável que ainda aconteçam fatos como esse em pleno ano de 2014 na República Federativa do Brasil.

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Após intensa luta política entre nacionalistas e entreguistas e no embalo da campanha popular  “O petróleo é nosso”, foi criada por lei em 3 de outubro de 1953 a Petrobras – Empresa Brasileira de Petróleo, que também definiu o monopólio estatal desse combustível fóssil. O país inteiro se mobilizou, num movimento que começara em 1936 com o escritor Monteiro Lobato denunciando a má vontade do governo Vargas com a perfuração de poços de petróleo e sua permanência como propriedade Brasileira. São dessa época seus livros “O Escândalo do petróleo”, censurado pelo ditador Getúlio Vargas em 1937, e “O poço do visconde”.

Em 1997, foi criada a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e quebrado o monopólio estatal. O capital internacional passou a participar do negócio.

Hoje a União Federal possui 50,26% das ações da Petrobras e o BNDES 9,95%. A presidência do seu Conselho de Administração é exercida por um Ministro de Estado e a presidência da empresa é ocupada por alguém indicado pelo Governo Federal, bem como seus diretores.

Será que hoje ainda podemos bradar que “a Petrobras é nossa”? Se ela está ameaçada e desvalorizada no mercado diante das tenebrosas transações cotidianamente reveladas nas investigações policiais, haverá mobilização social em sua defesa?

Em Belo Horizonte existe na Praça Afonso Arinos, próximo à Faculdade de Direito da UFMG, um monumento alusivo à participação dos mineiros naquela época. Ele é mostrado na fotografia postada a seguir. Será que outro monumento poderá ser erguido por ali, em função do que a Petrobras esta passando hoje?

Monumento alusivo ao petróleo e à Petrobras / Foto: Sérgio Verteiro

Monumento alusivo ao petróleo e à Petrobras / Foto: Sérgio Verteiro

 

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Autêntica Minas

por Convidado 24 de novembro de 2014   Pensata

por Benício Rocha

A minha cidade, autêntica Minas, de ruas amorosas aos pés de seus montes eternos, cuja eternidade só finda com a extração de minérios, primeiros mineiros, vive na paz e aconchego do clima de montanhas.

Pastos verdes, cachoeiras, ilhas de Mata Atlântica, gado, cafezais e nós, um aqui, outro ali, o Sol, um cachorro a latir amigavelmente, na estrada um carro apressado passa. Saudades da terra, poeira, charretes, carros de bois, tropas e tropeiros, paisagem mineira abraçando minha terrinha, mais que povoado, menos que cidade grande. Cidadão ali vive muito bem.

Igual a quase mil cidades, conjunto de poesias, com rimas perfeitas, e junto às mais lindas pessoas do mundo, Caratinga faz-se diferente somente porque os olhos que a vêem são os do meu coração, amante amolecido, saciado, que conhece de memória de menino cada centímetro daquele rincão, e sente seus cheiros pelo mundo afora.

Na cidade grande eu moro, mas naquele cantinho vivo, lembrando daquele menino que engenhava formas de tirar os morros que dividem a cidade em três para, na planura surgida, ver a cidade crescer, progredir…

Ainda bem que o empreendimento não aconteceu, o pouco progresso e o ainda menos ar de ontem me fazem lembrar de onde sou, como fui formado e como se desenvolveu em mim essa capacidade de, nem sempre, romper mas, contornar os obstáculos e, às vezes dividido, compreender, aceitar e ser feliz.

Nas lembranças me encontro quando me perco, e recomeço minha marcha caminhando para suas entranhas um dia.

Minha cidade e meu coração ainda pulsam… lentos, comedidos. E minha felicidade, eterna saudade, sem pressa os acompanha.

Catedral de São João Batista, em Caratinga. / Fonte: Site da Prefeitura Municipal

Catedral de São João Batista, em Caratinga. / Fonte: Site da Prefeitura Municipal

Benício Rocha é caratinguense ausente e saudoso, mineiro da gema, amante da boa prosa, sócio da MGerais Seguros, aprendiz de servo do Senhor.

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Vale a leitura

por Luis Borges 23 de novembro de 2014   Vale a leitura

Prioridade é uma ova! – Um dos fundamentos da Gestão Estruturada de Negócios nos ensina que devemos estabelecer prioridades ao alocar recursos financeiros em nossos orçamentos, já que eles são finitos. A priorização deve ser feita em função de critérios claramente definidos e o orçamento deve estar alinhado com o planejamento estratégico. Este artigo do jornalista Eduardo Costa mostra o quanto se perde quando a priorização é apenas uma retórica ilusionista dos governantes e o orçamento não é para valer na prática.

Qual é o tamanho da sua zona de conforto? – Existem pessoas que reclamam de tudo e de todos, a todo momento e por qualquer coisa, por mais insignificante que seja. Elas têm dificuldade de parar e olhar para trás, enxergar de onde vieram, onde estão hoje e onde poderiam ir. Desparametrizar, pensar em condições de contorno diferentes das atuais, para menos ou para mais, é sempre um bom desafio. Leia neste artigo a experiência de Fê Neute, do blog “Feliz com a Vida”, sempre instigante e questionadora diante do conformismo e da inércia.

De graça até injeção na testa? – Estamos na era do “consumo, logo existo”, da ostentação, da ânsia por levar vantagem em tudo. Vemos frequentemente a ausência da racionalidade no caminho do ter as coisas, sem fazer as contas para verificar quanto custa cada decisão impulsiva. Se o bem ou serviço é de graça, melhor ainda principalmente diante da incapacidade de perceber armadilhas. Conheça um bom exemplo dessa situação no artigo do professor Samy Dana, publicado no blog “Caro Dinheiro”. A experiência narrada se aplica a você?

A corrupção esta no setor privado – As tenebrosas transações envolvendo a Petrobras deixaram estarrecida até a Presidente da República. Os desdobramentos das investigações expõem o sistema  e suas várias variáveis em plena operação no país e ha muito tempo. Todos os públicos envolvidos tentam se defender, se justificar, se vitimizar e até a devolver dinheiro, como se isso bastasse para cessar ou suavizar penalidades. O ponto é que empresas privadas dominam e lideram um cartel que praticamente privatizou o estado. Políticos e funcionários públicos trabalham para corruptores por crenças e necessidades, mas o que é investido neles mostra que  os benefícios para os investidores são maiores que o custo, portanto, o retorno vale a pena. Entenda mais essa lógica nesse artigo de Vincent Bevins publicado na Folha de São Paulo.

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Curtas e curtinhas

por Luis Borges 21 de novembro de 2014   Curtas e curtinhas

Importados – O coeficiente geral de importação da indústria brasileira chegou a 21,9% no terceiro trimestre do ano, com o dólar sempre em ascensão no período que antecedeu as eleições de outubro. Segundo a Confederação Nacional da Indústria, o indicador está crescendo ininterruptamente desde junho de 2010, quando estava em 15,9%. Com o dólar nas alturas e o repasse aos preços, a inflação agradece, o poder aquisitivo decresce e a economia fenece.

AVC – O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é a primeira causa de morte entre pessoas com mais de 60 anos de idade, a segunda para quem tem mais de 50 e a terceira para quem tem acima de 40. O entupimento de veias é a causa de 80% dos casos e a ruptura responde por 20%. As informações são do médico neurologista Gustavo Daher, que as apresentou durante entrevista ao repórter Eduardo Costa no programa Chamada Geral, na Rádio Itatiaia. Ainda segundo o médico, as principais causas do AVC estão ligadas à elevação da pressão arterial, do colesterol e da glicose. Outras causas importantes são o estresse, o tabagismo, o sedentarismo e a obesidade. Quando nada, isso nos faz pensar na gestão da saúde, com ou sem plano suplementar, e nas possibilidades e limitações das pessoas após sofrer um AVC.

Boca do caixa – Estados e municípios continuam sofrendo com o contingenciamento de recursos que deveriam ser repassados pelo Governo Federal. A escassez atinge em efeito cascata a toda a cadeia de fornecedores envolvida em negócios com esses órgãos públicos. Geralmente a promessa é de que tudo poderá voltar à normalidade a partir de janeiro de 2015. A conferir.

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