A morte e seus custos

por Luis Borges 3 de novembro de 2015   A vida em fotografias

Cemitério do Bonfim./ Foto: Sérgio Verteiro

Ontem, 2 de novembro, foi Dia de Finados. É um feriado nacional, no qual muitas pessoas se lembram daqueles que já finaram, fechando a última etapa do processo de vida. Em função da crença religiosa de cada um pode-se discutir a ressurreição da carne, a reencarnação do espírito ou o simples fim da matéria, entre outras possibilidades que possam ser levantadas.

Para além do luto e da saudade, a morte traz consigo situações muito reais a serem encaradas, que distam das emoções – e se relacionam aos custos.

Cemitério da Paz. / Foto: Sérgio Verteiro

Cemitério da Paz. / Foto: Sérgio Verteiro

Morte em cifrões

O jornal Hoje em Dia publicou recentemente esta notícia na qual explicava os planos da Prefeitura de Belo Horizonte para transferir a administração dos cemitérios municipais à iniciativa privada. A ideia seria uma PPP, que também permitiria aumentar os preços hoje cobrados – um sepultamento, hoje, custa pouco mais de 180 reais.

Parece mesquinho associar morte e custos. Mas, como tudo no mundo, o dinheiro está incluído também nesse momento. Numa olhada rápida no site Mercado Mineiro, que divulgou preços e variações dos serviços funerários, pode-se chegar à conclusão de que é preciso planejamento financeiro em vida para lidar com a morte. Planejamento que deve ser feito à luz do direito do consumidor, como lembra Maria Inês Dolci neste texto de alerta.

Cemitério do Bonfim./ Foto: Sérgio Verteiro

Cemitério do Bonfim./ Foto: Sérgio Verteiro

Sempre nos lembramos de nossos entes queridos, que partiram nos deixando dor e luto, que já viraram saudades. Fica a reflexão sobre mais esse lado da morte, que também evitamos, inclusive em relação à nossa própria passagem.

Cemitério da Paz./ Foto: Sérgio Verteiro.

Cemitério da Paz./ Foto: Sérgio Verteiro.

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Vale a leitura

por Luis Borges 2 de novembro de 2015   Vale a leitura

Transição

A sucessão nas empresas familiares deveria ser motivo de ação para quem sonha com a perenidade desse tipo de organização humana. Também é muito desafiante o caso dos negócios que se desenvolvem a partir de um grande nome, onde tudo acontece em função da participação dele. Como fazer ou preparar seus sucessores se tudo gira em torno do criador / líder do negócio? Em muitos desses casos o negócio morre com seu criador. E aí os beneficiários passam a sofrer.

Um caso que ilustra bem essa situação é o dos herdeiros do arquiteto Oscar Niemeyer, morto há quase 3 anos. O artigo Netos e bisnetos de Niemeyer, ‘os sem mesada’, disputam herança minguadapublicado na Folha, mostra que até quando se tem uma preparação antes da passagem é difícil fazer a transição.

O tripé desenhado por Niemeyer em vida está cambaleante após a sua morte. A divisão de áreas e atribuições vem se mostrando no mínimo problemática pelo grau de dependência que os herdeiros tinham em relação ao patriarca, a quem todos chamavam de “Dindo”.

O dito “pai rico, filho pobre, neto pobre” continua valendo, sempre ilustrado por um caso que vem à tona. Você conhece outros casos semelhantes?

Publicidade

Esta pesquisa mostra um pouco sobre o mercado da publicidade, que fascina muita gente. Como acontece na maior parte dos segmentos profissionais, a pesquisa evidencia que trabalhar em publicidade não é fácil. Sobra ansiedade para quem quer subir rápido na carreira e há muitas lacunas a serem preenchidas.

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Curtas e curtinhas

por Luis Borges 29 de outubro de 2015   Curtas e curtinhas

13º salário para pagar dívidas

Uma pesquisa da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) feita com 1.037 consumidores de todas as classes sociais mostrou que 74% dos entrevistados vão usar o 13º salário deste ano para pagar dívidas. Esse comportamento é um hábito de fim de ano mas, em 2015, vai atingir ainda mais gente – o número é 8,8% maior que o de 2014. A maior parte vai pagar dívidas com cartões de crédito e cheque especial. Também pudera, a inflação alta corrói a renda, as taxas de juros são altíssimas e o desemprego prossegue aumentando.

Será que o 13º vai ser suficiente pra pagar todas as dívidas? Ou vai servir apenas para tampar o buraco de alguns dentes?

abuso financeiro contra idosos

Fraudes eletrônicas

O envio de SMS economizou 43 milhões de reais para o Banco do Brasil ao evitar fraudes. Os clientes do banco receberam 96 milhões de mensagens por celular, que foram enviadas quando havia transações fora do comum em cartão de crédito e outras modalidades. Quando o cliente respondia dizendo que desconhecia a transação, o sistema era interrompido.

Esses golpes eletrônicos continuam a nos desafiar, exigindo controle e atenção quando usamos os dispositivos tecnológicos que nos conectam no grande mercado da Terra.

Mobilidade urbana

O programa Mobilidade Urbana e Trânsito tem, no orçamento deste ano, mais de 4 bilhões de reais reservados. Até setembro, 17% do valor orçado foi gasto.

Uma auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União) mostrou que os indicadores e metas estabelecidos pelo Governo Federal não são capazes de avaliar o alcance dos objetivos da Política Nacional de Mobilidade Urbana.

E, por fim, uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria mostra que 36% dos brasileiros consideram o transporte público ruim ou péssimo, índice que aumentou desde 2011, quando era de 26%.

Três dados, de fontes diferentes, que dão pistas dos desafios presentes nos nossos sistemas de transporte público.

Corte de gastos

O Ministério do Planejamento e Gestão adiou o corte de 3 mil cargos comissionados, previsto na reforma administrativa. Pesou na decisão a insatisfação de membros da volátil base aliada, que sempre negocia o apoio ao Poder Executivo a cada projeto que se encontra em possibilidade de votação.

Haja impostos e contribuições para sustentar tantos gastos que não são necessariamente devolvidos à sociedade com a prestação de serviços em quantidade e qualidade esperados.

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O passar do tempo que passa

por Luis Borges 28 de outubro de 2015   Pensata

O que você vai ser quando crescer? Essa era uma pergunta que eu ouvia muito quando estava concluindo o curso primário e iniciando o ginasial, ao completar 11 anos de idade, morando na cidade eterna de Araxá. De lá para cá, a vida teve o seu curso delineado por diversas condições, com um satisfatório espectro de resultados pessoais, profissionais e sociais.

Araxá igreja matriz

Vista da Igreja Matriz de São Domingos, em Araxá (MG) / Foto: Marina Borges

O passar do tempo que passa me fez ouvir outra pergunta feita por muitas pessoas queridas, com as quais tenho diferentes graus de convívio por ocasião das comemorações de meus 61 anos de idade completados dia 24 de outubro.

Você se preocupa com o fato de estar ficando mais idoso?

A partir dessa pergunta fiz uma série de considerações mostrando meu posicionamento. Inclusive para os matemáticos e engenheiros, segundo os quais no dia de hoje, 28/10, estou no quarto dia dos meus 62 anos.

A idade em que me encontro traz preocupações naturais, mas elas fazem parte da consciência da finitude do curso da vida, que terá a morte como último momento. Prossigo sereno e tranquilo no convívio com a família, com os amigos que querem estar mais próximos, e sempre ciente de que a vida continua necessitando de planejamento e gestão, independente da fase.

Tenho também a certeza de que já é hora de começar a usufruir um pouco do que foi construído em família, visando à sustentabilidade para os novos tempos que chegam cada dia mais. Ainda não é hora de parar e muito menos de ir para os aposentos, mas já dá para melhor cadenciar o ritmo. É plenamente possível continuar como um apoio aos projetos da família, participando desde a formulação e até na execução naquilo que couber.

Percebo que se descortina um envelhecimento ativo e feliz, usufruindo do aprendizado trazido pela maturidade que sempre se acentua e pela gestão da ansiedade, que faz a bola baixar conscientemente.

Finalmente, falei bastante sobre a minha expectativa de continuar participando da vida com autonomia e independência, esta com as devidas restrições impostas por um limite físico, e sempre contando com o amor da família solidária e a amizade fortalecedora advinda do convívio com os amigos.

É claro que tudo sempre muito bem permeado pelo bom humor e pela presença espirituosa, com a marca de quem nasceu sob o signo do escorpião amarelo, que faz as coisas conforme a sua natureza e só quer o bem de todos e para todos.

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Meta flexível não é meta

por Luis Borges 27 de outubro de 2015   Gestão em pauta

A meta de superávit primário, a economia que é feita para pagamento dos juros da dívida pública, novamente não foi atingida.

meta, superávit

Um breve histórico

A meta inicial era encerrar o ano de 2015 com uma sobra de R$66,3 bilhões, o equivalente a 1,19% do Produto Interno Bruto (PIB). Em julho, era visível que a meta não seria atingida. Por isso, ela foi revisada para baixo, passou a R$8,747 bilhões – 0,15% do PIB.

Em outubro, sem atingir a segunda meta – que ainda não foi aprovada pelo Congresso Nacional, conforme exigem as Leis de Responsabilidade Fiscal e Diretrizes Orçamentárias – o Ministério do Planejamento está propondo a terceira meta para fechar o ano. Dessa vez será com um déficit, que pode chegar aos 90 bilhões de reais.

Além disso, está em discussão a meta de superávit primário para 2016 que, em função das várias variáveis que a cercam, pode ficar muito aquém dos 0,7% do PIB atualmente previstos.

Onde vão parar as metas?

O superávit primário é mais um exemplo de indicador com sucessivas metas não atingidas. Outro exemplo de meta fracassada é a da inflação anual, com seu “centro da meta” em 4,5%. Essa incapacidade de atingir os indicadores cria ambiente propício para a criação de heresias em relação ao sistema de gestão de negócios. A Presidente da República solicitou opções para a criação de uma meta flexível, casuísmo que finalmente tornará a meta atingível em função da mudança dos números conforme os choques conjunturais. É como se, num jogo de futebol, um pênalti fosse batido com o gol vazio, dependendo apenas do jogador chutar a bola com alguma direção para marcar.

Na prática, isso significa se isentar da gestão de riscos ao mesmo tempo em que são revogados conhecimentos científicos que fundamentam e conceituam uma meta como sendo um objetivo que possui valor e prazo para ser atingido. Meta, como este blog já abordou em postagens anteriores, não comporta um adjetivo como flexível, nem eufemismos como “centro da meta”, “limite inferior” e “limite superior”. O objetivo a ser atingido é o alvo que faz movimentar todo um plano de ação. Não existe sub alvo.

Para quem, como eu, acredita na essencialidade do conhecimento gerencial e que a gestão é o que todos precisam para resolver problemas de qualquer natureza, fica a certeza de que a catequese tem que continuar. Não existe substituto para o conhecimento, que deve ser continuamente buscado e aplicado com a disciplina e constância de propósitos que os sistemas e seus métodos exigem. Esse é o caminho para quem quer ter uma credibilidade sustentável.

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A dona do mar

por Convidado 26 de outubro de 2015   Convidado

por Benício Rocha*

Praia no Rio de Janeiro / Foto: Marina Borges

Praia no Rio de Janeiro / Foto: Marina Borges

O céu azul estava refletido no mar e no olhar daquela que passava sem me ver, apressada para o mar. Como se ele fosse secar, ou a terra acabar.

Contraste de cores, sandálias, canga branca transparente, biquíni vermelho marcante, respirar meio ofegante, pressa!

Finalmente a areia de encontro aos pés e às roupas que excediam (excediam?) estiradas sobre a areia, o correr quase aos saltos, as ondas gulosas, o abraço de tudo com o mar.

O sonho que nem se pode sonhar, o Sol que quase não se pode suportar e ela lá, poesia, harmonia, música e o mais lindo cantar!

Eu que nem gosto do mar queria poder comprá-lo e pra casa levar, esse seria o meu jeito mineiro de ter bem junto de mim aquela partícula humana que ele absorvia, consumia e que a mim prenderia numa inexplicável e deliciosa escravidão loira, de olhos azuis.

Enciumado, cheio de manchas vermelhas decorando meu corpo branco amarelecido em alguns pontos, escurecido noutros, assistia aquele ato prolongado azul e canela, de amor e posse.

Ela se deliciava, saía, entrava…

Ele fazia o jogo, fingia ir embora, voltava aos poucos, em ondas, denso, envolvente, irresistível…

E ela se jogava, afundava, subia, pulava, gritava, deitava, espreguiçava.

E ele nem via as pessoas que o buscavam aqui, desencontravam ali. A todos tratava com rispidez, grosseria e indiferença. Como aqueles débeis seres não percebiam?

Seu momento era outro, único, toda sua atenção estava voltada para ela que, em êxtase, misturava sessenta por cento de seu ser a ele que, total e solidário, integrava-se a ela.

Enxertos recíprocos de necessidades mútuas, duplicidade na felicidade única.

Senti-me levado dali por um par de sandálias coloridas de tiras eternas e inodoras, para as quais, cabisbaixo, humilhado, eu olhava de forma fixa, como se fossem as coisas mais importantes do mundo…

Mas não via nem a mim.

*Benício Rocha é caratinguense ausente e saudoso, mineiro da gema, amante da boa prosa, sócio da MGerais Seguros, aprendiz de servo do Senhor.

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Vale a leitura

por Luis Borges 25 de outubro de 2015   Vale a leitura

O que não fazer

Quando tudo é urgente, nada é urgente. Quando tudo é prioritário, nada é prioritário. O desafio é planejar para fazer escolhas em função das prioridades num certo horizonte de tempo. O duro é que, no manejo para colocar tudo em movimento, nem sempre as coisas funcionam como planejado. As causas dessa diferença podem estar em variáveis que nós controlamos, e portanto a falha é nossa, como também em variáveis sobre as quais não temos autoridade, mas que poderíamos ter dimensionado melhor.

De repente fica claro que não dá mais tempo para fazer tudo e o jeito é salvar o que é mais vital. Esse é o contexto abordado no artigo Uma lista de coisas para não fazer publicado no blog Vida Organizada.

estamos no meio de outubro e tenho certeza que muitos de vocês podem ter coisas importantes a fazer, que se propuseram a fazer ainda este ano, e não fizeram ainda. Por quê? Porque (provavelmente) mantiveram atividades e ocupações que te tiraram do caminho, te distraíram. Aproveite essa época do ano para fazer uma análise disso tudo e focar no que ainda quer completar nos próximos dois meses e meio.

E não é “porque o ano está acabando” que devemos fazer isso. Não! Mas é que ter uma deadline nos ajuda a atribuir senso de urgência a determinadas coisas que queremos alcançar. É ou não é?

Faça essa análise assim que puder. Tire o que puder. Foque no que realmente é importante. Tenha uma lista de coisas para não fazer.

Você está precisando de uma lista do que não fazer ou será possível cumprir tudo o que foi planejado para ser executado até o final do ano?

Dinheiro compra felicidade?

No site Significados a palavra felicidade é definida como “estado de quem é feliz, uma sensação de bem estar e contentamento, que pode ocorrer por diversos motivos”.

Também já encontrei uma equação mostrando que “felicidade = realidade – expectativas”. Traduzindo, se as expectativas estão além da realidade em que se inserem, a sensação será de infelicidade. Mas, na realidade, essa equação é linear e não consegue explicar diversas outras possibilidades em torno do tema.

Então o que significa a felicidade para cada um de nós e como obtê-la? Será que podemos comprá-la? Segundo o britânico Angus Deaton, ganhador do premio Nobel de economia em 2015, dinheiro pode, sim, comprar felicidade. Leia neste artigo publicado no site da BBC Brasil.

Ele poderia perguntar, por exemplo: “Aqui temos uma escada com o degrau zero sendo a pior vida possível que possa imaginar, e o degrau dez, a melhor. Onde você se colocaria?”

Os estudos de Angus Deaton identificaram uma forte relação entre renda e satisfação com a vida.

[…] “É uma escala logarítmica, então você precisa de cada vez mais dinheiro para subir outro degrau, mas a escada nunca para de subir”, diz Deaton. “E isso é verdade não só para indivíduos, mas entre países.”

Então dinheiro pode comprar felicidade, ao menos no sentido de satisfação na vida.

Será que é isso mesmo?

O Enem ainda é anual

Fonte: Inep

Fonte: Inep

Nada é tão bom que não possa ser melhorado. Essa afirmação pode ser aplicada ao Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem. Os resultados dos alunos das provas servem para diversas finalidades, como selecionar para vagas em instituições públicas de Ensino Superior, para bolsas do Prouni e financiamento do Fies, além de vagas em instituições privadas. As avaliações do Enem têm propiciado, a cada ano, um incremento na melhoria contínua dos seus processos.

Como exame que envolve muita gente – só em 2015 são mais de 8 milhões de inscritos – há quem questione sua frequência anual de realização e a exigência do mesmo conteúdo programático para todas as áreas, sejam elas das ciências exatas, biológicas ou humanas. Esses questionamentos são abordados neste artigo do blog Abecedário. O que você pensa sobre o assunto? Compartilhe nos comentários.

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