Vale a leitura

por Luis Borges 23 de novembro de 2015   Vale a leitura

Mentira tem perna curta

O antigo ditado popular diz que “mentira tem perna curta”. Ainda que muitos tentem encompridá-la, “uma hora a casa cai”, para usar outro dito. Enquanto isso não acontece prevalece a criatividade, que muitas vezes é abusiva e despreza nossa inteligência. As desculpas e justificativas chegam a ser hilariantes, muita acabam virando “causo” e folclore.

Este artigo publicado no Uol relembra histórias curiosas para dinheiro de origem suspeita. Uma delas é a de Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, que atribuiu valores em uma conta na Suíça à venda de carne enlatada. Veja um pouco da variedade de argumentos – dinheiro escondido na cueca que veio da venda de verduras, 50 mil reais recebidos para compra de panetones, “prefeita ostentação” que tinha namorado rico…

Sustentar uma história convincente ao longo do tempo é algo desafiante, mas não dá para enganar a todo mundo o tempo todo, ainda que a verdade demore a aparecer.

Lama de Mariana

Nas últimas semanas você certamente recebeu uma série de informações sobre a tragédia decorrente do rompimento de barragem de rejeitos da Samarco Mineração em Bento Rodrigues, distrito de Mariana, MG. Estou certo, também, de que diversos ângulos estão sendo observados por você – social, ambiental, financeiro, legal. Creio que você está fazendo uma análise crítica, para fundamentar seu posicionamento em relação aos atos e omissões que permeiam o caso.

Para complementar essas reflexões, sugiro a leitura deste artigo de Leonardo Sakamoto, que analisa as dificuldades de uma cobertura desse tipo do ponto de vista jornalístico.

Por fora bela viola, por dentro…

Foram seis anos de crise e intervenções da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Recentemente a Unimed Paulistana foi obrigada a entregar a carteira de clientes, deixando mais de 740 mil pessoas na mão. Diversos fatores para a derrocada estão aparecendo. Alguns são, no mínimo, questionáveis, como nessa notícia divulgada pela CBN – “Já em crise, Unimed Paulistana levou cerca de 150 pessoas para safári na África“.

Como se vê, podemos encontrar um pouco de tudo no mundo privado e no mundo público, o que varia é só a dosagem.

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Curtas e curtinhas

por Luis Borges 13 de novembro de 2015   Curtas e curtinhas

Condomínio atrasado

As ações judiciais por falta de pagamento de condomínio em SP cresceram 27,9% de janeiro a setembro deste ano, em comparação com o mesmo período de 2014. O levantamento é do Secovi (Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais) de São Paulo. Uma das razões é a queda do poder aquisitivo das famílias. O Secovi lembra que o aumento da inadimplência acontece junto com a elevação das tarifas de energia elétrica, abastecimento de água e coleta de esgotos sanitários, que representam em torno de 30% dos gastos de um condomínio.

Haja fundo de reserva para cobrir tanto rombo…

Wi-fi no restaurante

A pesquisa “Jantares e Dólares”, feita nos Estados Unidos pela consultoria BCG, mostrou que a principal preocupação dos frequentadores de restaurantes é com a limpeza dos estabelecimentos. A segunda maior preocupação é com o frescor dos alimentos. Outra preocupação importante é a conexão com o mundo digital – 18% dos entrevistados desejam ter wi-fi gratuito quando se alimentam.

Pelo visto, a necessidade de estar conectado é bem mais prioritária do que conversar com uma pessoa que esteja ao lado. Lá como cá…

Falta d’água preocupa

A prefeitura da cidade turística de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, anunciou diversas medidas para reduzir o consumo de água nos quatro meses subsequentes, quando a presença de veranistas triplica a população local. Um decreto estabelece que quem for flagrado lavando carro ou calçada será multado em R$440. Já quem retirar água da rede irregularmente deverá ser multado em R$3.080.

No verão passado a emergência hídrica foi decretada em janeiro mas, como se vê, as preocupações e ações para o próximo verão já começaram com a primavera.

Senado sempre comprando

O Senado da República abriga 81 Senadores e demonstra uma grande capacidade de comprar diversos tipos de utensílios para que nada atrapalhe o desempenho dos parlamentares em seu trabalho. Agora foram empenhados R$47,2 mil para a aquisição de utensílios diversos. Serão dispendidos R$21,1 mil para a compra de 1.700 xícaras de porcelana para café, com pires, e capacidade de 50ml. Outros R$7,2 mil serão gastos para comprar 1.100 colheres de café, 450 colheres para chá, 400 colheres de sopa, 300 colheres para suco e 350 garfos de mesa. Já R$6,9 mil serão gastos com 150 jarras em material inoxidável com capacidade para 2 litros, R$5,7 mil com 400 xícaras de chá, também com pires, e R$3,3 mil com pratos para refeições. Fechando a lista, R$3 mil serão usados na compra de 100 açucareiros.

Agora é só trabalhar, melhorar a produtividade e apresentar muitos resultados pois, até o momento, o débito ainda é alto.

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bananeira ponto ônibus

Bananeiras dividem espaço com um ponto de ônibus. / Foto: Sérgio Verteiro.

A rua Dores do Indaiá, no bairro de Santa Tereza, guarda uma surpresa para os mais observadores. Um dos pontos de ônibus da rua é marcado não só pela placa indicativa, mas também pelas três bonitas bananeiras que compartilham o espaço.

Foto: Sérgio Verteiro

Foto: Sérgio Verteiro

Elas ficam no meio do quarteirão da rua, logo antes da esquina com a Rua Paraisópolis. Na foto acima, é possível perceber que um cacho de bananas está em crescimento. Na primeira foto do post, uma placa escondidinha diz “Favor não jogar lixo no canteiro”.

Árvores em Belo Horizonte

Estima-se hoje que BH tenha 485 mil árvores, das quais 8 mil seriam ipês. Um inventário das árvores da cidade está sendo feito há alguns anos e, no final do mês passado, o Secretário do Meio Ambiente disse que a primeira etapa será concluída em fevereiro de 2016, abrangendo 300 mil árvores. O levantamento foi feito nas vias públicas e na parte da frente de terrenos que possuem árvores visíveis quando olhadas da calçada. Não fazem parte do inventário as árvores dos 75 parques municipais nem dos fundos dos terrenos. Outro contrato está sendo negociado para a segunda etapa para conclusão dos trabalhos.

Foto: Sérgio Verteiro

Foto: Sérgio Verteiro

Voltando às bananeiras de Santa Tereza, será que o inventário vai informar a quantidade de árvores frutíferas espalhadas pela cidade?

E fica a sugestão: que tal observar melhor as árvores da cidade e seus detalhes, a começar pela nossa rua e pelas demais vias públicas de nosso bairro?

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Eu quero é me arrumar

por Convidado 9 de novembro de 2015   Convidado

por Sérgio Marchetti*

Não desejo falar de crise econômica. Tampouco falar de corrupção e de violência. Estes assuntos preenchem vinte quatro horas as mídias… e só progridem. A impressão que temos é que nossos governantes moram em outro país. As mais de 50 mil mortes anuais por violência (extraoficialmente passam de 60 mil) não tocam seus corações. Mas queria falar mesmo era de amor, de felicidade, de solidariedade, de prosperidade, porém, sendo filho de Deus e habitando este mesmo latifúndio podre, também fui picado pelo mosquito da descrença (pensou que fosse da dengue?). Passar incólume pelo momento Brasil é como caminhar por um lixão que exala um fedor insuportável e dizer que não sente o cheiro. Um país sem lei e sem regra, onde prevalece acentuada desigualdade e se pratica uma das maiores injustiças sociais sobre cidadãos honestos do planeta.

Mas, apesar de todo o desânimo, falar do que está mal sem buscar uma solução é cultivar a semente negativa dentro de nós. Lembro aos caríssimos leitores de que o mal possui uma força muito maior do que o bem e um poder de disseminação que corre na velocidade da luz. Os efeitos negativos ou acontecimentos não desejáveis acontecem frequentemente na vida pessoal e na profissional. São inevitáveis. Então, o caminho para quem pretende continuar lutando começa na descoberta do efeito. Depois se identifica a causa e busca-se a solução. Ocorreu-me a fórmula dos seis “Ms”, de Ishikawa, para chegar à causa do problema: método, matéria-prima, mão de obra, máquinas, medição e meio ambiente. Mas no caso do Brasil é falta de caráter mesmo. A origem de todos os problemas está nas pessoas.

Na sociedade, em casa, nas empresas “gente” é sempre a causa dos episódios indesejáveis. Por quê? Porque pessoas são diferentes, possuem idiossincrasias próprias. Mas o item que causa mais problema é o bendito interesse pessoal. Lamentavelmente há muito mais pessoas interesseiras do que pessoas interessantes. Para alcançarem seus objetivos muitos desses seres lançam mão de atitudes desonestas. Denigre-se a imagem alheia com inverdades que podem destruir suas vidas pessoais e profissionais. Sem nenhum peso na consciência traem alguém que lhes estendeu a mão. Caluniam, acusam. Não há mais a lealdade e gratidão. Outras pessoas lançam mão de trabalhos em terreiros de macumba para destruir relações, fechar caminhos alheios e obter ganhos. Não sei dizer sobre seus efeitos, mas o que vale é a intenção. A impressão que temos é que para sobreviver neste País precisamos abrir mão dos escrúpulos e aprender a jogar o novo jogo da vida. Nele as regras incorporaram conceitos que menosprezam integridade, honestidade, honra, entre outros valores que antes eram pilares sociais. Confunde-se anarquia com democracia e liberdade com promiscuidade. Hoje, sob o manto da falsa liberdade – conveniente a um governo corrupto e a um povo indolente – desonestidade passou a ser sinônimo de esperteza.

Afirmei que desejava falar de amor, mas não consegui. Infelizmente, no enredo que descrevemos, não há como esperar que muitos cidadãos brasileiros escolham registrar as suas realizações nas páginas da história. Ao contrário e, a exemplo dos governantes, estão deslumbrados pelo “ter” em detrimento do “ser”, e optam por marcar seus nomes nas páginas policiais e deixar para a posteridade um rastro de podridão humana.

* Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

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Racionamento de água

Falta de planejamento e gestão são causas importantes da crise hídrica brasileira. Apesar de todas as dificuldades dos governos estaduais para assumir que o problema existia já em 2014, ou mesmo antes, fato é que no início deste ano não deu mais para esconder. Muitos meses depois, já próximos do novo período chuvoso, há transparência sobre a real situação do seu estado?

Em Minas, aguarda-se para 20 de dezembro a entrega da obra que ampliará a capacidade do sistema Rio Manso. Com ela, promete-se que estará assegurado o abastecimento de água para as próximas décadas. Neste texto do Balaio do Kotscho, leia mais sobre o racionamento que já afeta 1/3 dos paulistanos.

rio minas gerais

Paisagem vista da janela do trem entre Belo Horizonte e João Monlevade. / Foto: Marina Borges

Fazendo em casa

Preparar sua alimentação em casa, usando receitas próprias ou de outras fontes traz, imagino eu, um misto de lazer, satisfação e prazer para quem gosta de cozinhar. Indo na mesma linha, acho que deve ser muito legal montar um móvel a partir de pedaços de madeira, usando procedimentos bem orientativos. O mesmo para instalar eletroeletrônicos ou desenhar e costurar a própria roupa. Possibilidades desse tipo são mostradas pelo artigo O efeito Ikea está por trás do sucesso do Masterchef, publicado no blog Caro dinheiro.

seja um móvel que você precisa montar, um brinquedo novo para seus filhos ou uma receita nova, lembre-se: quanto maior o seu envolvimento no processo, maior o carinho por aquele item. Criar algo do qual você possa se orgulhar e inspirar admiração nos outros são valores na nossa sociedade —ainda que estejamos falando de um prato de macarrão.

Conheça seus custos

Ainda que a inflação e os juros estivessem bem baixos ou que o emprego fosse pleno e o poder aquisitivo alto, ninguém deveria deixar de conhecer e gerenciar seus custos, tanto individuais quanto familiares. Essa indisciplina aliada à falta de educação financeira mascara muitas realidades e dificulta a mudança de muitas pessoas para uma situação melhor e pautada pelo consumo consciente. O gasto mensal para manter um automóvel ainda passa despercebido para muitos que possuem esse bem. Um exemplo didático dessa situação é mostrado neste artigo do blog O mundo em movimento – carro dá despesa de 1.185 reais por mês. Será que esse caso serve de alerta só para os outros?

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Falso amor sincero

por Luis Borges 5 de novembro de 2015   Música na conjuntura

Teatro, segundo a Wikipédia, é uma palavra de origem grega e significa “forma de arte em que um ator ou conjunto de atores interpreta uma história ou atividades para o público em um determinado lugar”. É também, a meu ver, uma definição coerente para o documento “Ponte para o Futuro”, feito pela Fundação Ulysses Guimarães, ligada ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).

Dirigido aos correligionários que se preparam para a Convenção Nacional de 17 de novembro, o texto propõe uma série de medias visando à retomada do crescimento da economia brasileira e critica excessos cometidos pelo governo federal nos últimos anos, que ocasionaram em desajuste fiscal que chegou a um ponto crítico.

Destaco o seguinte trecho da reportagem da Agência Brasil que apresenta o documento produzido pelo PMDB:

As soluções para os problemas fiscais do país passam por medidas emergenciais e “reformas estruturais”. Mas o desafio, afirmam, não cabe a “especialistas financeiros” e, sim, a políticos capazes de dar preferência a “questões de longo prazo” e que devem “deixar de lado divergências e interesse próprio”.

Fica parecendo que o PMDB nem faz parte do Governo Federal, onde ocupa a Vice-Presidência já no segundo mandato em coligação com o PT, diversos Ministérios e um sem-número de cargos de segundo e terceiro escalão do Poder Executivo e em diversas empresas estatais. Aliás, se olharmos todos os governos brasileiros a partir do fim da Ditadura Militar em 1985, perceberemos a sempre marcante presença do partido no Poder Central.

Como a música sempre nos inspira, lembrei-me de Nelson Sargento em seu samba Falso amor sincero para nos ajudar a refletir um pouco mais sobre o vale tudo para se manter no poder, foco prioritário permanente dessas pessoas. Ouça na voz do próprio autor em companhia da letra a seguir.

Falso amor sincero
Fonte: Letras.mus.br

O nosso amor é tão bonito
Ela finge que me ama
E eu finjo que acredito

O nosso falso amor é tão sincero
Isso me faz bem feliz
Ela faz tudo que eu quero
Eu faço tudo o que ela diz

Aqueles que se amam de verdade
Invejam a nossa felicidade
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Curtas e curtinhas

por Luis Borges 4 de novembro de 2015   Curtas e curtinhas

Juros mais altos para aposentados

Está em vigor desde 22/10 a Lei Federal que ampliou o limite de crédito consignável para ser descontado dos pagamentos mensais de aposentados e pensionistas da Previdência Social. O percentual passou de 30% para 35%, mas os 5% adicionados só podem ser usados para pagar dívidas ou fazer saques com o cartão de créditos. Agora o Conselho Nacional da Previdência Social aprovou novas taxas máximas de juros mensais para crédito consignável. Nos empréstimos pessoais a taxa passou de 2,14% para 2,34% e no cartão de crédito pulou de 3,06% para 3,36%. Os bancos, sempre gulosos queriam taxas de 2,48% e 3,49% para cada modalidade, respectivamente.

A gula continua sendo um pecado capital, menos para o sistema financeiro.

Custo do Congresso

O Governo Federal continua tentando aprovar o restante das medidas previstas para o ajuste fiscal das contas públicas ao mesmo tempo em que a Comissão Mista do Congresso Nacional discute e negocia o Orçamento da União para 2016. A proposta prevê que a Câmara dos Deputados e o Senado, que formam o Congresso Nacional, custarão R$9,4 bilhões no próximo ano, o que equivale a R$1,1 milhão por hora.

Para eles tudo é mais fácil, pois só precisam gastar. Nós é que temos que nos virar para pagar os impostos independentemente da recessão econômica, do desemprego, dos juros altos e da queda do poder aquisitivo. Está passando da hora do Congresso Nacional rever seus gastos, sua produtividade e seus níveis de resultados. Até a quantidade de Deputados, Senadores e servidores deveria ser redimensionada e, é claro, para baixo.

Lanchinho

pão de queijo

Vai um pão de queijo? / Foto: Marina Borges

Um edital publicado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais no fim de outubro prevê a aquisição de 24 toneladas de pão de queijo para acompanhar o cafezinho servido aos magistrados. A lista completa de produtos está aqui. Como se vê, a crise econômica não tem nata a ver com eles. Austeridade é só para nós, que sustentamos tantos penduricalhos, inclusive alimentos.

Brasileiros conectados

Uma pesquisa feita pela consultoria Deloitte trouxe números interessantes sobre o uso de smartphones no Brasil. Foram 2 mil entrevistados, entre 18 e 55 anos, em todo o país. Em média, os brasileiros consultam o aparelho 78 vezes ao dia. As consultas variam de acordo com a idade. Entre pessoas de 18 a 24 anos são, em média, 101 acessos por dia, enquanto as pessoas de 45 a 55 anos acessam o aparelho 50 vezes no mesmo período. A pesquisa mostrou ainda que 57% dos entrevistados acessam o aparelho nos primeiros 5 minutos após acordar.

O seu perfil de usuário se enquadra nos padrões de resultados mostrados pela pesquisa?

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