Podemos conceituar orçamento, a partir de uma visão financeira e contábil, como sendo um sistema que contém as receitas e gastos de um indivíduo, família ou organização humana, como empresas e governos. Seu período de abrangência é geralmente anual, com detalhamentos mensais. O ponto de partida para sua elaboração é a definição das premissas que regerão a conjuntura e os cenários durante a sua execução. Portanto, quanto mais consistentes forem os fatos e dados disponíveis, maior será a probabilidade de se alcançar as metas projetadas, desde que haja a devida e necessária gestão.

Neste momento os Ministérios da Fazenda e do Planejamento já enviaram ao Congresso Nacional a Proposta de Lei Orçamentária Anual de 2017 para discussão e aprovação. O mesmo ato também se repete nos estados e municípios do país envolvendo o Poder Executivo, Assembleias Legislativas e Câmaras de Vereadores.

Situação semelhante vivem as empresas e demais organizações humanas que possuem uma gestão estruturada, que geralmente revisam nessa época seus planejamentos estratégicos com os quais os orçamentos devem se alinhar necessariamente.

Seria desejável que também as famílias e indivíduos elaborassem seus respectivos orçamentos, mas isso seria sonhar demais, embora eu conheça vários casos de famílias e de indivíduos que fazem, gerenciam e reposicionam seus orçamentos ao longo do período estabelecido.

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Quero realçar e chamar a atenção para algumas premissas que devem fazer parte de qualquer orçamento que tenha expectativa de sustentabilidade real. A primeira delas é o realismo. Não se pode trabalhar só com o desejo ou a necessidade política e contando, para isso, com o ovo que a galinha não botará. É obrigatório o equilíbrio entre receitas e gastos para que o Plano Orçamentário seja sustentável. Só chorar e se desculpar com a frustração de receitas apenas evidenciam erros no planejamento. Não há espaço para peças de ficção, embora seja essa uma prática muito comum entre governantes que superestimam receitas ou em famílias com pouca educação financeira, por exemplo.

A segunda premissa fundamental é a projeção dos principais indicadores que darão as condições de contorno para os aspectos políticos, econômicos, sociais e legais, por exemplo. É preciso ter conhecimento sobre o crescimento ou encolhimento da economia medido pelo Produto Interno Bruto, nível de emprego, inflação caminhando rumo à meta ou se afastando dela, taxas de juros, cotações de moedas como euro e dólar, perspectivas de negociações salariais…

A terceira e última premissa para a qual quero chamar a atenção é que o orçamento pressupõe uma grande capacidade de negociação e priorização entre todas as partes envolvidas pois, no geral, as necessidades são muito maiores que os finitos recursos que ainda deverão ser viabilizados.

Nunca é demais lembrar que todo orçamento precisa ter um gestor para liderá-lo. O orçamento também deve ser desdobrado em partes menores, que serão devidamente gerenciadas em função do seu tamanho e complexidade.

Esse é o tamanho do desafio para os sabedores da máxima popular que diz que “em casa que falta pão, todo mundo briga e ninguém tem razão”.

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Curtas e curtinhas

por Luis Borges 14 de setembro de 2016   Curtas e curtinhas

Rombos nos fundos de pensão

A Operação Greenfield, da Polícia Federal, investiga rombos nos fundos de pensão Postalis (Correios), Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobras) e Funcef (Caixa) que podem chegar a 50 bilhões de reais. A gestão temerária e fraudulenta atingiu em cheio o complemento de aposentadorias e pensões dos trabalhadores dessas empresas.

Agora o prejuízo sobrou para os próprios trabalhadores, ativos e inativos, associados aos fundos e, é claro, para as empresas estatais às quais pertencem. Em última instância, sobrou para os contribuintes brasileiros. As tenebrosas transações que estão sendo reveladas mostram a disseminação e o avanço da tecnologia usada de maneira sistêmica no caso do propinoduto da Petrobras. A missão, a visão, as crenças e os valores foram ignorados e substituídos pelas piores e danosas práticas com a conivência, omissão ou subserviência de Conselhos de Administração, Diretorias, Comitês de Investimentos, Conselhos Fiscais, Órgãos Externos de Fiscalização…

Previdência Complementar em números

Os dados da Associação Brasileira das Entidades de Previdência Fechada (Abrapp), que participa do Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC), mostram que existem 307 fundos de pensão no país. Esses fundos administram um patrimônio de 720 bilhões de reais e pertencem a associações, empresas públicas e privadas.  São 7,2 milhões de pessoas beneficiadas pelo sistema.

Como se vê pelo tamanho do negócio que complementa o valor de aposentadorias, não dá para abrir mão de gestão, governança corporativa, programas de compliance, efetividade da regulação e muito menos da da vigilância permanente dos participantes.

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Tarifa branca para a energia elétrica

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou as regras para a aplicação da tarifa branca de energia elétrica. O objetivo é cobrar do consumidor um valor menor para a energia consumida fora dos horários de pico de demanda. Hoje, os picos são no final da tarde / início da noite dos dias úteis. As distribuidoras terão prazo até 1º de janeiro de 2018 para colocar a tarifa branca em operação e também terão que fazer campanhas educativas, já que a adesão a essa tarifação será facultativa.

É bom lembrar que, enquanto isso não acontece, continuaremos aguardando o próximo período chuvoso do Sudeste brasileiro e, em 31 dias, teremos em vigor o horário de verão em parte do país, desenhado justamente para diluir o impacto do pico de consumo de energia.

Saques na caderneta de poupança

No período de janeiro a agosto de 2016 os saques superaram os depósitos na caderneta de poupança em R$48,187 bilhões, de acordo com o Banco Central. Foi o segundo pior desempenho da série histórica. Mas o jeito é queimar as reservas mesmo, pois é muito difícil sobreviver à longa recessão econômica, ao altíssimo índice de desemprego e à perda real de poder aquisitivo dentre outras causas. Haja paciência histórica!

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O essencial é invisível aos olhos

por Convidado 12 de setembro de 2016   Convidado

* por Sérgio Marchetti

– O mundo mudou!

Esta é uma frase que temos ouvido com tanta frequência que já se tornou repetitiva. Segundo alguns pesquisadores, no século XV marinheiros se recusavam a navegar além de certo ponto, com medo de que seus navios deslizassem para fora da Terra.

Constata-se que antigos conceitos, como o de que “o Sol gira em torno da Terra”, atrasaram nossa evolução até a descoberta de que a Terra é que girava em torno do Sol.

Vencida aquela etapa, hoje temos outros paradigmas e não os percebemos como deveríamos. Outros há que se orgulham de não mudar, de não aceitar novas realidades.

Sabemos que negar o óbvio é uma atitude irracional. Então, além da necessidade de correção da visão externa, devemos atentar para a visão interna, pois o autoconhecimento será imprescindível ao homem atual para suportar a transformação de valores. Esse novo cidadão deverá pesquisar seu interior para encontrar respostas e soluções para os problemas existentes e para os que hão de vir.

Parece, então, que para sobrevivermos ao novo mundo teremos que desenvolver nossa visão e nossa sensibilidade para percebermos os cenários atuais e visualizarmos as tendências. Mas, ainda assim, não será fácil prever o futuro, pois as mudanças serão tão velozes e inovadoras que nem Peter Drucker, há alguns anos, ousou anunciá-las.

Em tempos acinzentados, onde a incógnita do que está por vir se acentua, será preciso ter outro tipo de visão. Não só a de antecipação mas, sobretudo, de um olhar de reaprendizagem, de interpretação e aceitação de um novo universo, que muitas vezes se confunde com enorme sanatório, no qual cidadãos inebriados compram por impulso, se locomovem e agem como robôs e, apesar de esclarecidos, aderem ao “Pokémon Go” numa caça nomofóbica e incompreensível às mentes que valorizam o essencial e não o supérfluo.

Diante dos desequilíbrios do homo sapiens e da incredulidade do que vemos com os olhos, vale lembrar de Antoine de Saint-Exupéry que nos ensina que “Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos”.

* Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

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Vale a leitura

por Luis Borges 11 de setembro de 2016   Vale a leitura

Começar de novo o quê?

Na atual conjuntura do país estamos sendo confrontados cada vez mais pela situação de desemprego, seja ele de próximos ou até mesmo o nosso. Como se posicionar num momento tão difícil? O artigo Perdi o emprego. E agora? De mudar de carreira a abrir o próprio negócio, saiba o que fazer (e o que não fazer) apresenta um “guia de sobrevivência” a essa fase. A reportagem aponta quatro possíveis caminhos, e alerta:

“ao escolher qualquer caminho, é preciso deixar de lado o desespero e refletir sobre suas habilidades, defeitos e desejos, além das necessidades do mercado. Quais são suas qualidades? No que deve melhorar? E do que o mercado precisa hoje?

“A primeira coisa é se convencer de que é uma situação passageira. Aproveite esse momento para pensar na sua carreira. Se está desempregado, foi algo conjuntural ou pessoal? Como tem sido sua trajetória até aqui? Você precisa se entender”, diz Márcia Damia, administradora e vice-coordenadora do Escritório de Desenvolvimento de Carreiras da USP.”

É viável a redução da jornada de trabalho?

Entre as diversas propostas para a possível (e polêmica) Reforma Trabalhista, está a redução da jornada de trabalho. Bandeira dos movimentos sociais, a diminuição da jornada de 44 h semanais tem sido falada há tempos e diversas variáveis devem ser consideradas por quem deve estudar o assunto com profundidade e consistência. Uma boa contribuição para isso está no artigo Por que ainda trabalhamos 8 horas por dia? Especialistas respondem.

“Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 2015 teve a menor jornada média de trabalho já registrada no Brasil, com 39,9 horas semanais. Para Giuseppina De Grazia, doutora em sociologia pela USP (Universidade de São Paulo) e professora aposentada da UFF (Universidade Federal Fluminense), considerando o conjunto da população de empregados, desempregados e trabalhadores parciais, esse índice não reflete uma redução real. “Enquanto uns trabalham de 50 a 60 horas, fazendo extra para não perder o emprego ou aumentar o salário, outros são obrigados a sobreviver de bicos temporários e precarizados”, diz.”

Sem chance de poupar

Um colchão financeiro é sempre um facilitador para quem quer superar, com alguma tranquilidade, momentos difíceis e inesperados no curso da vida. Poupar o dinheiro para fazer o colchão é um grande desafio e, para muitos, é impossível em função de diversas causas. Mas será que é tão impossível assim? É o que aborda Sophia Camargo no artigo Poupar é missão impossível? 9 vilões que impedem você de guardar dinheiro. Os pequenos gastos estão entre os vilões apresentados:

“Tomar aquele café com pão de queijo na padaria são R$ 10 a menos no bolso. Se for todo dia, são R$ 300 a menos por mês. Se você guardasse esses R$ 300 por mês*, em um ano teria R$ 3.639. O que você faria com esse dinheiro extra?”

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Que trabalho é esse?

por Luis Borges 8 de setembro de 2016   Música na conjuntura

A Reforma Trabalhista está entrando com força na pauta, apresentada como mais uma das medidas salvadoras na busca do reequilíbrio das combalidas contas públicas. Ela contracenará com a tão falada Reforma da Previdência Social. Essas duas reformas estão sendo tratadas como as soluções para todos os erros e males que afetam o capitalismo brasileiro, agora em seu segundo ano de recessão econômica.

Diante de diagnósticos que nem sempre são feitos com a necessária amplitude e consistência metodológica, verifica-se a prevalência de muitos prognósticos alarmistas e a veiculação de diversas proposições de medidas para solucionar os problemas com a cara dos tecnocratas que as formulam.

Como parte dessa Reforma Trabalhista, que deve chegar ao Congresso em setembro, surgiu a proposição de dois novos tipos de contrato de trabalho. São o “contrato parcial” e o “contrato intermitente”, cujas jornadas de trabalho semanais serão menores que as 44 horas atualmente em vigor. Segundo a proposta, o “contrato parcial” terá a jornada de trabalho previamente definida em dias e horas. Um bom exemplo ilustrativo poderia ser o trabalho num bar nos finais de semana, propício para quem precisa complementar renda ou mesmo para quem procura uma primeira oportunidade de trabalho e, é claro, para quem está literalmente desempregado.

Já o “contrato intermitente” permitirá ao contratante acionar o empregado conforme suas necessidades específicas em variados dias do mês. Poderia ser adequado, por exemplo, a uma empresa de eventos, que contrata seus atendentes e garçons em função dos contratos fechados, que variam ao longo da semana e do mês. Mas, na verdade, não sei se os tecnocratas consideraram em seus estudos que boa parte desse tipo de contratação é feita atualmente na informalidade.

Enquanto a sereia canta, embalada por 11,8 milhões de pessoas desocupadas segundo dados do IBGE, e muitos economistas projetam uma retomada das contratações lá pelo meio do ano que vem, muitas ainda serão as discussões e proposições no sentido de mostrar a viabilidade desses tipos de contratos. Mas tudo pode ser acompanhado pela voz de Paulinho da Viola na música Que trabalho é esse?, de autoria de Zorba Devagar e Micau.

Que trabalho é esse?
Fonte: Letras.mus.br

Que Trabalho é Esse?

Que trabalho é esse
Que mandaram me chamar
Se for pra carregar pedra
Não adianta, eu não vou lá

Quando chego no trabalho
O patrão vem com aquela história
Que o serviço não está rendendo
Eu peço minhas contas e vou-m'embora
Quando falo no aumento
Ele sempre diz que não é hora

Veja só meu companheiro
A vida de um trabalhador
Trabalhar por tão pouco dinheiro
Não é mole, não senhor
Pra viver dessa maneira
Eu prefiro ficar como estou

Todo dia tudo aumenta
Ninguém pode viver de ilusão
Assim eu não posso ficar, meu compadre
Esperando meu patrão
E a família lá casa sem arroz e sem feijão
Como é que fica!

É mestre(?) Madeira(???)
Só ficou faltando você
E aquele Adolfo
E aquele sapateado
E aquele sorriso, né?
Mas não tem nada, não...
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Se convidado for

por Luis Borges 6 de setembro de 2016   Pensata

A expressão “santo de casa não faz milagre” é antiga, mas continua extremamente atual e dando sinais de vitalidade e perenidade. A vida em família é rica em exemplos que provam isso e vou destacar apenas um, que me foi dado por pessoas diferentes.

É comum que os membros da família tentem se ajudar uns aos outros, dando sugestões para resolver problemas, por exemplo. Às vezes as sugestões são aceitas de bom grado. Mas em outros casos, os conselhos e orientações que um filho recebe do pai, por exemplo, são recebidos com reticência ou displicência. Mas basta uma pessoa externa à família fazer a mesma sugestão para que os conselhos sejam aceitos e acatados com alegria.

É uma situação complexa, pois a pessoa que enfrenta o problema nem sempre quer ou aceita a opinião da família. E, por outro lado, quem dá sua opinião se sente desprestigiado, principalmente quando tem vivência e conhecimentos para auxiliar na resolução do problema. Em alguns casos, os embates só tiram as energias e pioram o clima familiar.

Foi por isso que meus interlocutores chegaram à conclusão de que “santo de casa não faz milagre”. Um deles disse que, daqui em diante, só se manifestará quando e se convidado for. E se não for, não vai sofrer.

E você, já passou por essa situação? Caso positivo, como agiu? Tentou “fazer milagre” ou deixou que a pessoa envolvida vivesse seu processo histórico? Compartilhe sua opinião com os leitores do blog nos comentários.

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O balão de ensaio da Previdência

por Luis Borges 2 de setembro de 2016   Pensata

O Governo Federal ainda não apresentou o texto de sua proposta para a reforma da Previdência Social que abrange os trabalhadores dos setores público e privado. A expectativa é que isso só acontecerá mais para o final do ano, bem próximo do período de “recesso branco” e férias do Congresso Nacional. Assim sendo, as discussões mais acaloradas em função dos interesses que estão em jogo, a votação da proposta final e a sanção da Lei só acontecerão no próximo ano. É claro que tudo isso será permeado pela crise política, econômica e social em curso, além de sermos sabedores de que a reforma da Previdência não é a panaceia para todos os males que acometem o país.

Enquanto isso são frequentes as entrevistas de Ministros mais ligados ao tema apresentando alguns fatos e dados sobre a situação atual, justificando as premissas que eles julgam necessárias para reger os novos tempos da Previdência Social. Essa “lenga lenga” fica parecendo um balão de ensaio, uma sucessão de testes pelos quais se tenta medir a repercussão de cada medida proposta. Se a aceitação for boa, a coisa segue em frente e, em caso contrário, é só recuar ou dizer que ocorreu “um mal entendido”. Fica a sensação de que se está “jogando verde para colher maduro”, conforme o dito popular.

No início de junho, esse tema foi abordado no Observação e Análise (aqui e aqui). Mas o fato relevante é que, após 3 meses de muita falação, o que mais se percebe é o temor da população de perder direitos adquiridos. Daí a pressa na solicitação das aposentadorias de quem cumpre os requisitos necessários atualmente e simulações de como ficaria o enquadramento de cada caso segundo os novos parâmetros lançados nos balões de ensaio.

Apesar de ainda estarmos longe do que será o resultado final de tudo isso, espero que seja racional, realista e sem privilégios, diante dos recursos finitos que a sociedade como um todo dispõe para tal fim. Só falar no envelhecimento da população ou dizer que se não ocorrerem mudanças de parâmetros os velhinhos correrão o risco de ficar sem receber suas aposentadorias soa mais como ameaça para convencer que a reforma é urgente e obrigatória. Nesse caso específico, o discurso é focado nos segurados do INSS e deixa de lado os servidores públicos de todos os níveis e poderes.

É fundamental que haja muita transparência e amplitude com as informações que serão usadas e disseminadas estrategicamente conforme o interesse de cada uma das partes envolvidas. Vou citar apenas um exemplo para justificar essa minha expectativa. Será que é fácil encontrar o valor do PIB que o país gasta hoje com o Regime Geral da Previdência Social, que atende aos trabalhadores do setor privado, e ao Regime Próprio da Previdência Social dos servidores públicos federais, estaduais e municipais? Após muito pesquisar e cruzar dados nas fontes do próprio Governo Federal cheguei aos números a seguir:

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Os aposentados do setor privado receberão, em 2016, valor equivalente a 8,1% do PIB – 6,3% serão para os trabalhadores urbanos e 1,8% para os trabalhadores rurais. Esse valor será distribuído entre 32,3 milhões de aposentados, dos quais 22,4 milhões recebem o salário mínimo de R$880,00 e 9,9 milhões recebem acima do mínimo até o inatingível teto de R$5.183,00.

Já os aposentados do setor público receberão valor equivalente a 4,5% do PIB, sendo 1,8% para os servidores federais e 2,7% para os servidores estaduais e municipais. Um dado importante é que, em 2014 (dado mais recente encontrado), esses gastos foram feitos com 978 mil servidores federais e com 2,5 milhões de servidores estaduais e municipais. O teto salarial do funcionalismo público é, atualmente, de R$33.700.

Só por essa pequena amostra já fica evidente que a profundidade das nossas observações e análises em relação à reforma da Previdência Social deve ser bem maior que a de um pires…

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