Perdendo sempre com a inflação

por Luis Borges 9 de setembro de 2014   Pensata

Tenho abordado com razoável frequência neste blog alguns aspectos que permeiam a inflação brasileira nos últimos cinco anos. Pode até parecer que estou sendo recorrente ou obsessivo, mas sei o quanto é difícil conviver com os altos níveis inflacionários e com mirabolantes planos de estabilização para combatê-los. Nesse sentido, realço a minha preocupação com criativos arranjos que alargam a amplitude de conceitos e acabam por negar a essência neles contida. Esse é o caso clássico da meta de inflação definida em 4,5% ao ano, estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional para ser atingida pelo Banco Central do Brasil.

Se conceitualmente meta é um objetivo, um alvo a ser atingido, com valores e prazos determinados, é que claro no caso da inflação só cabe ao governo atingir os 4,5% estabelecidos como meta. A criatividade começou quando a meta passou a ser chamada de centro da meta, que acrescido de 44,5% para mais, ganhou o nome de teto da meta e assim elasticamente seu valor chegou a 6,5%.

Quando o IBGE divulgou o Índice de Preços ao Consumidor Amplo-IPCA do mês de agosto, com o valor de 0,25%, a inflação dos últimos 12 meses acumulou alta de 6,51%, índice bem superior à meta de 4,5%.

O que vivemos na prática com o impacto desses números exige que prestemos mais atenção a eles e ao desenrolar da conjuntura e dos cenários que se desenham. A perda do poder aquisitivo se manifesta diariamente em nossos bolsos, como sentimos na padaria, no supermercado, no sacolão, no restaurante… E olha que a inflação é diferente para o idoso aposentado ou para quem está na ativa criando filhos. Também é imperioso saber que a negociação para a reposição de perdas salarias é anual e sua taxa de sucesso depende da mobilização política dos interessados. O que mesmo assim não garante o sucesso, apenas evidencia que as pessoas estão lutando por algo que perderam.

É notório também que o Governo Federal reduziu as tarifas de energia elétrica no ano passado mas ficou sem sustentabilidade diante da seca e agora cobra por ter lançado mão das caras usinas térmicas. Incrível como o planejamento e a gestão se fizeram ausentes.

Nesse momento também não dá para nos esquecermos que diversos preços administrados pelos governos federal, estaduais e municipais continuam sendo represados, para mitigar os índices inflacionários. Mas mas gasolina, óleo diesel, transportes coletivos, todos estão ávidos por um reequilíbrio de preços. Que isso vai sobrar para nós, não há dúvidas. Só resta saber quando, se nesse ou no próximo governo, com a atual ou a futura presidenta. Se a futura for a atual, será que trocar o ministro da Fazenda será uma mudança suficiente?

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Brincando no tromba-tromba

por Luis Borges 5 de setembro de 2014   Pensata

No final da manhã do sábado passado fiz um passeio por diversas ruas das regiões Leste, Centro e Sul de Belo Horizonte. Estava sentado no banco do carona, com o cinto de segurança devidamente afivelado, conforme determina o padrão de segurança. O que mais me chamou a atenção foi a enorme quantidade de pessoas, de idades variadas, simplesmente ignorando as regras do Código de Trânsito Brasileiro.

Uma situação bem típica foi a de veículos estacionados na via pública que, sem sinalização dos condutores, simplesmente partiam em disparada na pista, sem seta, sem verificação de espaço, nada.  Só restava, a quem vinha atrás, frear bruscamente e rezar para que os demais motoristas percebessem a manobra a tempo. Outros chegavam a encostar o para-choque no carro da frente, apesar do “mantenha distância”, enquanto outros buzinavam automaticamente tentando apressar o motorista que eles julgavam ser o causador de tudo.

Na terceira ocorrência semelhante, e diante dos quase acidentes, me lembrei dos carrinhos tromba-tromba ou bate-bate dos parques de diversões frequentados por nós e por nossos filhos. Se a lembrança ainda é lúdica e lá no ambiente fechado o choque era quase elástico em seu amortecimento, aqui no mundo real é bem diferente. Qualquer descuido pode levar ao engavetamento de veículos, enquanto as motocicletas percolam as vias como a água procurando brechas e os ônibus do transporte coletivo precisam cumprir a minguada escala de horários do sábado.

Outros fatos recorrentes foram as imprudências nas ultrapassagens, as irritantes fechadas e os “roda-duras” explícitos, típicos domingueiros de sábados. Enfim, foi muita gente circulando, dando a sensação que uma coisa é o tráfego de segunda a sexta e outra bem livre e diferente ocorre no fim de semana.

Encerrando o périplo pensei também na baixa presença de agentes de fiscalização do trânsito e nos transtornos causados às pessoas vítimas de acidentes, que vão desde o registro de um boletim de ocorrência na polícia, passando pelos oportunistas dessas ocasiões e pela expectativa de que a seguradora do veículo vai cumprir o que está combinado no contrato de letras miúdas, regiamente pago.

Pra quê tudo isso? Seria muita ansiedade sem gestão para chegar primeiro? Educação continua sendo a base de tudo, inclusive no trânsito de sábado, que depende também de nós e nossas atitudes.

Você se lembra da última vez em que dirigiu um carrinho desses? / Foto de Rodrigo Ghedin.

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Negócio perdido

por Luis Borges 26 de agosto de 2014   Pensata

A Constituição Brasileira diz que a saúde é um direito de todos e um dever do Estado. Enquanto isso não acontece na plenitude, cerca de 40 milhões de brasileiros se socorrem como podem nas diversas modalidades de planos de saúde suplementar, regulamentados e fiscalizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Acontece que nesse mercado surgem diversas e criativas modalidades na tentativa de ampliação dos ganhos com o negócio saúde. Veja o que aconteceu com um senhor de 78 anos de idade, beneficiário de um plano de saúde com ampla cobertura.

Após se consultar e fazer exames de apoio ao diagnóstico com um médico oftalmologista, profissional na casa de 40 anos de idade especializado em glaucoma e catarata, ele ouviu o resultado do diagnóstico e o prognóstico. O caso era de catarata madura, nos dois olhos, e a solução indicada foi a cirurgia com a implantação de lentes intraoculares. O senhor concordou com a solução proposta e começou a tomar as providências para a realização das cirurgias, já que deveria ser respeitado o intervalo de uma semana entre um olho e outro. Recebeu o pedido de risco cirúrgico e a guia para autorização dos procedimentos pelo seu plano de saúde.

O médico, mesmo sabedor de que o plano de saúde só cobre o custo de lentes nacionais, insistiu para que o senhor utilizasse lentes importadas. O profissional informou, ainda, que cada lente importada teria o custo de R$ 1.500,00 – ou seja 3 mil reais para os dois olhos – e que tudo poderia ser tratado diretamente com sua secretária. O senhor quis saber do médico se haveria alguma diferença expressiva de resultados caso fosse usada a lente nacional. Então o médico lhe disse que a diferença era pouca, apenas uma nuance em caso de raios ultravioletas incidindo num ângulo muito específico. O senhor disse que, em função de sua idade e pelo fato de estar no ócio com dignidade, optaria pelas lentes nacionais, cobertas pelo seu plano. Mesmo sem argumentos convincentes, o médico continuou insistindo na necessidade do material importado. Diante do impasse, o senhor cliente, que foi tratado como paciente, simplesmente desistiu do negócio, para espanto do médico. E foi tratar sua catarata com outro profissional.

Casos como esse estão se tornando mais comuns e raramente são denunciados aos planos de saúde ou à ANS. Sem o registro formal, se tornam um problema que “não existe”, pois não é notificado. Se ninguém quer “lutar pra valer”, veremos os direitos serem desrespeitados e saberemos de mais fatos semelhantes.

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E se vier a morte súbita?

por Luis Borges 17 de agosto de 2014   Pensata

De repente, não mais que de repente, algo que existia deixou de existir nesse plano da vida. O modo da ocorrência pode ser a queda de um avião, uma batida frontal entre veículos, balas perdidas em ambientes diversos ou mesmo o temido infarto agudo do miocárdio, dentre outras diversas possibilidades. O fato é que, diante das tragédias, muitas pessoas tentam observar e analisar o fenômeno ocorrido e o processo que o gerou. Muitas se perguntam “e se fosse comigo?” ou “e se fosse minha mãe?” ou outra pessoa próxima?

Na manhã seguinte ao acidente aéreo que matou o candidato à Presidência da República Eduardo Campos, além de sua equipe e dos tripulantes da aeronave, conversei com um amigo. Ele falou de seu sofrimento. Vieram instantaneamente à sua mente os acontecimentos que levaram à perda de seu irmão, há seis anos, na queda de uma aeronave de pequeno porte no estado do Mato Grosso. Ele também reiterou seu profundo pesar pelas perdas humanas, e realçou que o acontecido trouxe um ponto de inflexão no andamento do atual processo eleitoral brasileiro. Como o amigo completou recentemente os seus 60 anos de idade, aos quais chegarei brevemente, comecei a falar sobre outras questões que passaram pela minha cabeça. Se a vida é um risco, como fazer efetivamente a gestão dele, para prolongá-la mantendo um nível de qualidade aceitável?

O amigo pontuou que, diante da fragilidade humana e estando longe de sermos a fortaleza que imaginamos ser, o melhor seria buscar a serenidade, o equilíbrio, a harmonia, sempre conservando a energia. Aí eu perguntei como fazer isso, sem perder a ternura e a dignidade. Como sempre, e na correria contra o tempo, não concluímos a conversa. Mas ainda deu tempo de dizer ao amigo que eu gostaria de ter o merecimento de deixar esse plano como se fosse um passarinho voando e que, de repente, parasse de voar. Como se o espírito deixasse o corpo e continuasse seu caminho, para se eternizar ou renascer.

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O relâmpago alvinegro

por Luis Borges 4 de agosto de 2014   Futebol

Por Igor Costoli

Texto publicado primeiro no site Impedimento

Não me recordo a primeira vez que eu ouvi falar em “lazy genious”, mas nunca me esqueci do primeiro a usá-lo para descrever Ronaldinho Gaúcho. A expressão é muito usada nos EUA para falar de um talento capaz de ir muito além – mas que não vai.

A expressão me atingiu com força na semana passada, que foi de nostalgia e despedida. E não é exatamente fácil de explicar. Duas vezes eleito melhor do mundo, campeão da Libertadores, Copa do Mundo, Champions League etc. Afinal, ele precisava de mais o quê?

E não é questão de precisar. Mas Ronaldinho não é apenas um cara que conquistou tudo. É um jogador que conquistou tudo e deixou a sensação de que foi POUCO. O que nos leva a outro R, aquele da camisa 11, que chegou a confessar que teria sido mais eficiente e longevo se fosse mais atleta, mas não teria sido mais feliz.

Ronaldinho Gaúcho na mesa da coletiva ao lado do galo de prata

Ronaldinho Gaúcho em sua despedida do Galo. Foto: Site do Atlético MG / Bruno Cantini

A felicidade de Ronaldinho não parece estar no campo, na bebida, em festas ou nas mulheres. Ela está em todas essas coisas, mas não ao mesmo tempo e nunca por tempo demais em uma delas. Quando nos acostumávamos a achar que seu foco estava no gramado, já havia migrado para as mulheres. Quando pensávamos que “agora ele se aposenta e vai viver só de gandaia”, novo engano, e o encanto com a bola reaparece.

Creio que estive presente em 90% dos jogos que R10 fez em casa pelo Atlético. Fiz questão de rever os lances de todos, online ou pela TV. Era impossível se cansar de vê-lo em campo, porque não se tratava apenas do que ele é capaz de fazer, mas também do que é capaz de fazer parecer – que é fácil.

Do mesmo modo, dizer que Ronaldinho era o símbolo desse Atlético não é apenas muleta para redigir matéria. É visível que ele trouxe ao grupo segurança e confiança, mas também um pouco de sua empáfia e, porque não dizer, PACHORRA. Na Libertadores, a frase “quando tá valendo, tá valendo” ficou famosa nos confrontos com o São Paulo, mas não era apenas provocação. Na campanha do vice no Brasileirão/2012, o Galo foi o maior vencedor de confrontos diretos contra os outros 12 grandes do país. O campeão Fluminense era apenas o terceiro nesse “campeonato de clássicos”. A larga diferença na pontuação final, óbvio, estava no desempenho contra os pequenos.

Por isso será conveniente para muitos associar a saída de Ronaldinho à chegada da Levir Culpi. A pressão fará bem a esse elenco, que precisa parar de jogar para o gasto, nesse eterno resolver em casa e se poupar fora, como se ainda estivesse à espera de outro torneio. O time precisa de uma chacoalhada, e o escudo de proteção se despediu semana passada, numa coletiva estranha. O tom era de respeito, amor, saudade, mas qual o motivo da separação? Ninguém perguntou direito, ninguém respondeu direito.

O problema de R10 é essa função seno que é sua carreira, a REGULARIDADE com que sua curva é feita de altos e, inevitavelmente, de baixos. Por isso, o momento deve ser de saudade, de evocar lembranças, mas não de tristeza. O melhor que poderia acontecer a Ronaldo e Atlético é esta separação, sem traumas, ainda que com gosto de precoce. Pois nem torcida nem jogador mereciam, depois de tudo, passar pelo calvário que foram as saídas de Grêmio, Flamengo e Milan.

Não. A exemplo do que aconteceu no Barcelona, Galo e R49/10 se despedem amigos, vitoriosos, ambos maiores do que quando iniciaram juntos a caminhada.

O documentário “R49 – O Meteoro Atleticano” tem um bom nome, mas não me parece a metáfora perfeita. Ronaldinho está mais para um relâmpago: imprevisível, fascinante, uma força que faz enorme barulho. Mas efêmero. Ainda estamos ouvindo o eco do ruído e com a memória de um flash rasgando os céus, e a verdade é que já não há mais qualquer sinal de sua existência, apenas o rastro deixado no local que atingiu.

Olhemos para as referências de hoje e veremos astros regulares. O extremamente focado Messi, o obcecado em bater recordes Cristiano Ronaldo. Fica mais fácil perceber a preguiça do Gaúcho diante dos desafios, mas também fica claro entender porque o admiramos tanto. Ele está no mesmo patamar dos dois, e de outros grandes da história, sem sequer ter se esforçado direito. E isso números não mostram. R10 não é Batman nem Superman, ele é nosso Tony Stark – é o que gostamos nele.

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O dia amanheceu chuvoso e frio na sexta, 25, em Belo Horizonte. Foi assim por todo o fim de semana. Também foi assim com o meu telefone fixo, que voltou a seguir rigorosamente o padrão dos dias de chuva.

Já na madrugada de sexta o telefone ficou mudo, marcando o início do longo calvário do fim de semana sem telefone fixo. Após reclamação registrada no número da Central de Atendimento ao Cliente, fui orientado a fazer o teste padrão. Me pediram para desligar todos os cabos do equipamento e, três segundos depois, religar. O telefone continuou mudo, sem ruído algum. Mesmo assim o atendente se recusou a transferir minha ligação, feita via celular, para o setor de assistência técnica.

Sei que a meta do atendente é terminar as ligações em até três minutos e que ele seguia um padrão. A causa dos problemas sempre está no cliente, nunca na rede da operadora. É bom lembrar que o telefone depende de energia elétrica mas, nesse caso, não tive problemas de interrupção desse serviço.

Começou, assim, um fim de semana de muitas ligações. Falei várias vezes na Central, até receber a oferta de visita técnica. Marquei um horário. Com isso, passei a receber ligações de um técnico, que tentava ressuscitar a linha e me pedia para avisa caso o serviço voltasse a funcionar. Senti uma clara tentativa de economizar a visita do técnico terceirizado, ao mesmo tempo em que dublavam se interessar em resolver a causa do problema, que não estava em minha residência.

Durante o fim de semana, o telefone dava sinal em curtos períodos de tempo, o que justificou seu carinhoso apelido de vaga-lume, acende e apaga. O último apagão aconteceu às 03h30 de segunda, 28, até que tudo se normalizou por volta das 11h, quando já tinha parado de chover.

Passei por essa mesma situação por pelo menos dez vezes, com a mesma empresa. Observando e analisando o retrospecto, consegui evitar a  presença do técnico em minha residência pois, como aprendi com as experiências, a causa não está lá. O problema é na rede da empresa.

Liguei mais uma vez na Central e pedi que a empresa deduza da minha próxima fatura o valor correspondente à ausência de sinal. Tive que insistir, pois o operador não está treinado para lidar com esse aspecto. Ele sabe apenas dizer que devemos fazer a solicitação quando a fatura chegar, mediante informação à Central dos números dos protocolos dos nossos contatos.

E lembrar que cheguei a essa empresa por meio de portabilidade, após muitos problemas como usuário de outra empresa, onde nunca fui tratado como cliente. Aqui é bom lembrarmos de um dos fundamentos da gestão, que ensina que todo cliente tem a expectativa de receber qualidade, preço justo e excelente atendimento por parte do seu fornecedor, seja ele público ou privado.

Por fim, me pergunto qual a função da Anatel, agência reguladora do setor, além do preenchimento político de seus cargos em função da coalizão que sustenta o Governo Federal. No papel, ela deveria regular e fiscalizar todo o setor mas, na prática, é o que a gente já sabe. Mesmo para registrar reclamação contra as empresas que ela fiscaliza, a Anatel exige que o cliente informe o número do protocolo que registrou o ato na companhia telefônica. Mesmo colocando essa barreira e disponibilizando seu número de atendimento, o 1331, apenas de 8h às 20h nos dias úteis, a Anatel recebeu 3,1 milhões de reclamações em 2013. Ou seja, uma reclamação a cada 23 segundos. Se a sociedade brasileira manifestou, ainda que de maneira difusa, a sua insatisfação e o desejo de mudanças a partir de junho do ano passado, o jeito é pensar na dosagem. Reforma ou revolução?

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Você ainda é competitivo?

por Luis Borges 25 de julho de 2014   Pensata

Viver no mundo capitalista, que sempre precisa se reinventar para continuar capitalista, é um desafio permanente para todos nós e para quem sonha ou sonhou com outros regimes. A economia de mercado exige posicionamento e reposicionamento estratégico permanentemente, ainda que muitas vezes o capitalismo pareça sem riscos diante de tantas bondades do estado geralmente socorrista para determinados segmentos, notadamente o empresarial.

Se a concorrência é grande e exige cada vez mais a capacitação das pessoas, é preciso observar, medir e analisar o grau de competitividade dos atores que estão na cena. Apesar de muito se falar que o sol nasce para todos, a realidade tem mostrado que ele é mais profícuo e luminoso para uns do que para outros. Diante das desigualdades e dificuldades, como permanecer competitivo nesse mercado desigual, cheio de cartas marcadas, de regras nem sempre claras, eivado de jeitinhos, corruptos e corruptores?

Se as coisas fáceis já foram feitas e para nós ficaram só as difíceis, e ainda somos obrigados a sobreviver dentro das regras do sistema, com sua ética própria e segundo a moral vigente, é hora de reflexão e ação. Com o que temos de preparo e diante da velocidade das mudanças será que ainda somos competitivos para continuar jogando nesse jogo? Será que os nossos fundamentos ao serem aplicados continuam a nos levar aos resultados que esperamos?

Tenho visto muita gente paradinha no tempo, com os mesmos conhecimentos adquiridos há 20 ou 25 anos, e ainda clamando por valorização profissional, quando não mudaram nem a forma de abordar um cliente e nem sentem a necessidade de buscar conhecimento novo para ajudar na solução dos problemas que as desafiam no dia-a-dia.

Quando a história muda, tudo volta a zero e é o conhecimento aplicado que faz a diferença. Você se sente confortável para dizer que  é competitivo? Ou será preferível prosseguir no muro das lamentações e no compartilhamento desse lamento nas redes sociais, que acolhem e dão eco ao que você diz?

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Aprendendo com as Copas

por Convidado 21 de julho de 2014   Futebol

por Igor Costoli

Depois de 1978, só duas Copas foram para campeões inéditos. Nesses 36 anos, o troféu ficou com os tradicionais Brasil, Itália, Alemanha e Argentina em sete de nove vezes.

O ponto aqui é: camisa pesa mesmo.

Nos últimos 24 anos, o teto da ambição para zebras e novidades costuma ser a fase de quartas. Camarões/90, Romênia/94, Senegal/02, Costa Rica/14. Mas de 1994 a 2010, ao menos uma delas sempre chegava nas semifinais: Bulgária/94, Croácia/98, Turquia/02, Portugal/06. Em 2010, a Espanha fez sua primeira final contra a Holanda, que tinha duas, mas nenhum título.

Depois da Argentina/78, o único campeão jogando em casa foi a França/98. Uma Itália regular, uma Coreia do Sul levemente empurrada no apito, uma Alemanha em processo de renovação e esse Brasil usaram o fator casa para chegarem até as semifinais, mas caíram com justiça diante de equipes mais preparadas.

O ponto até aqui é: camisa pesa e superação tem limites.

Zagallo saiu de coordenador para o cargo de técnico após o tetra em 94. Tinha história, era campeão do Mundo, saberia como ninguém nos levar ao título. Deu no que deu em 98. Parreira assumiu a seleção pós-2002. Tinha história, era campeão do Mundo, saberia como ninguém nos levar ao título. Deu no que deu em 2006. Felipão assumiu após a queda de Mano. Tinha história, era campeão do Mundo, saberia como ninguém nos levar ao título. Deu no que deu.

O ponto agora poderia ser: “a história se repete, primeiro como tragédia, depois como farsa”.

Felipão chegou a dizer o seguinte: “As equipes que estavam aqui eram muito boas, melhores do que a gente podia imaginar”. Há alguns meses o técnico do Vasco deu uma entrevista assim: “O nível das equipes no campeonato carioca está muito alto, você vê pelas dificuldades dos grandes contra os pequenos. Não consigo entender porque o Rio não tem mais times na série B”. Até aqui, o Vasco é apenas o oitavo nessa mesma série B que deveria ter os fortes times do interior do Rio.

O ponto aqui é: meu Deus, Felipão virou o Adilson Batista.

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Choveu menos no Sudeste do país neste ano. O nível das águas na represa do sistema Cantareira, que abastece 8,8 milhões de pessoas na grande São Paulo, é o menor de sua história e levou à utilização do volume morto. Apesar das torneiras secas em muitas regiões, o governo do estado de São Paulo nega o racionamento de água e a Sabesp, empresa estadual de saneamento, dá desconto de 30% na conta de quem economizar 20% de água mensalmente. Campinas, Sorocaba e diversas cidades dos seus entornos também apresentam sérias dificuldades para o abastecimento de água. Em Minas Gerais, cidades como Pará de Minas e Pirapora são outros bons exemplos de dificuldades.

Se “é na volta do barco que a gente sente o quanto deixou de cumprir” fica fácil perceber a falta que planejamento e gestão fazem, pois não dá para terceirizar para os céus as causas de tantas dificuldades. No processo de tratamento e distribuição da água, as perdas variam de 30% a 40%. Dentro desse percentual, ainda que consideremos uns 20% como inerentes ao processo, outros 10% a 20% simplesmente são jogados fora sem nenhuma gestão mais estruturada para combater esse desperdício.

Também é preciso fazer um alerta. Em Belo Horizonte, por exemplo, continua sendo rotina ver pessoas lavando passeios com mangueiras, que às vezes ficam esquecidas jorrando litros e litros água. Não há falta ou racionamento aqui, o que mantém muitas pessoas insensíveis à necessidade de economizar. É imperiosa a necessidade de se fazer uma campanha educativa permanente, propondo mudanças de hábitos no consumo. É preciso mostrar cada vez mais que a água é um bem escasso, buscado cada vez mais longe e sempre exigindo tratamento mais complexo para se tornar potável.

Apesar do Brasil possuir 13% da água doce do planeta terra e dos insistentes discursos dizendo que sabendo usar não vai faltar, fica claro que é preciso atitude para a mudança de hábitos e que cada um deve fazer a sua parte para a redução do consumo. Uma meta deve ser estabelecida e desdobrada em diversos níveis, com os respectivos planos de ação propondo as medidas estratégicas necessárias e suficientes para que alcancemos resultados positivos. Mas se tudo começa com a gente, o que já fazemos ou poderemos fazer para contribuir nesse resultado? A prática é um dos critérios da verdade, que ajuda a combater a inércia. O tempo segue seu curso, mas os recursos são finitos e a sustentabilidade continua clamando por mais efetividade.

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A longa espera

por Luis Borges 17 de julho de 2014   Pensata

A saúde na hora da verdade foi o post que publicamos no último dia 8. Quase dez dias depois, o engenheiro personagem do texto já teve alta e termina sua recuperação em casa. Voltamos à história, hoje, com uma contribuição de Vera Cruz Borges e Borges. Ela é artista plástica e acompanhou o marido durante toda a internação, permanecendo com ele no quarto do hospital.

A longa espera…
Esperança? Será?
Parafraseando a canção, “Igualdade, igualdade, abre as asas sobre nós.”
Quando? Onde? Será que teremos igualdade?
Os passos para a sonhada igualdade (ilusão), assim nos foram ensinados e assim decoramos.
1º – Estudar e estudar, para abrir os horizontes para o futuro.
2º Ter uma profissão / trabalho, ser honesto e cumpridor dos seus deveres, que não são poucos.
3º, 4º e adiante… Reconhecer o próximo como a ti mesmo.
Mas aqui tudo se complica. Você vê, mas quase sempre não é visto.
Explico. Ao precisar de atendimento médico-hospitalar, você verá seus ideais e tudo aquilo que te ensinaram – respeito, esperança, igualdade – rolar morros abaixo. 
Você pensa “pago um plano de saúde, acho um ótimo plano”. Você paga caro por ele. O plano atende ao mais rigoroso padrão Fifa, pois é o mesmo da aeronave que transportou o “cai cai” Neymar, a marca verde e branca foi exaustivamente mostrada pelas câmeras de TV.
Então o pobre mortal pensa “bacana, sou atendido pelo padrão Fifa“. Sonha, sonha, mas não sai do pesadelo. 
Você que é o acompanhante/responsável pelo paciente, questiona os funcionários que fazem 12×36 horas sobre quem é atendido na ala mais nova. Eles riem, explicam que só planos Bradesco, Cemig… Atônito, você descobre que não é mais padrão Fifa. Que contribui muito para ser, mas que não é. 
O hospital é respeitado, sua equipe médica é considerada referência em algumas áreas, é dirigido por uma Congregação Religiosa. As freiras te laçam para oferecer a comunhão diária (ou saber instrução, nível social, crença, já nem sei o que mais). Mas purificar quem? O paciente, que tem um diagnóstico e mais 14 dias de luta pela frente contra uma colônia de bactérias, ou a consciência administrativa delas?
No turbilhão você ainda batalha, sonha, reza, na vã esperança de trocarem de quarto. Você já nem sonha mais com o padrão Fifa, pode ser só um padrão dos sonhos, quarto com sol, com janelas para ventilar o ambiente. Padrão de sonhos, que é de igualdade, onde você pelo menos vê o sol e sente o calor do mesmo.
 

Por Vera Cruz Borges e Borges

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