Educação, saúde, segurança e trabalho são alguns dos grandes temas que povoam as cabeças de muitas pessoas com preocupações que chegam a tirar o sono, um dos pilares para a saúde mental. Observando e analisando o ponto da saúde, é importante lembrar inicialmente que a Constituição Brasileira estabelece em seu Artigo 196 que a saúde é um direito de todos e dever do Estado. Mas como se dá isso na prática a partir do Sistema Único de Saúde – SUS que é um referencial para quem tem foco em saúde pública?

Fica claro que o SUS atende a todos conforme a sua capacidade de processo. E isso abriu no mercado um espaço para atuação no setor privado da saúde, regulamentado e fiscalizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS. Mas quem tem poder aquisitivo suficiente para pagar um plano de saúde nas diversas modalidades e limites técnicos para consultas médicas, exames laboratoriais e de imagens para apoio ao diagnóstico, cirurgias, internações hospitalares em apartamentos individuais, no coletivo de uma enfermaria ou numa unidade de terapia intensiva – UTI se houver vaga?

Fernando Frazão / Agência Brasil

Segundo a ANS, existem atualmente no Brasil 53,3 milhões de pessoas com algum tipo de plano de saúde, que vão dos mais limitados até aos mais completos. Aliás, os preços dos planos aumentam todo ano em índices bem superiores à inflação anual medida pelo IPCA do IBGE.

Chamou minha atenção a campanha publicitária de um plano de saúde de grande porte oferecendo algumas vantagens de momento para que ex-clientes voltem a participar de algum de seus planos. Será que é fácil reconquistar um cliente perdido? Mas o fato é que está crescendo no mercado o número de planos de saúde populares que cobram mensalidades na faixa de R$50, com a primeira consulta a R$40 e R$80 a partir da segunda consulta. O negócio é ganhar no volume e não na margem.

Recentemente já no primeiro mês do novo ano, um participante de um plano dessa modalidade popular fez sua primeira consulta com uma psiquiatra após um encaixe em sua agenda. Tudo durou cinco minutos, tempo suficiente para ouvir a queixa do cliente, emitir a receita de um medicamento e marcar o retorno após três meses de uso do remédio. Vale lembrar que a Organização Mundial da Saúde – OMS recomenda que a duração mínima de uma consulta médica deve ser de 15 minutos. Como os fatos não deixam de existir só porque são ignorados, negados ou justificados, até quando os clientes das diversas modalidades de planos de saúde conseguirão pagar suas mensalidades?

Viva o SUS! Destino natural de quem precisa e quer saúde.

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Estamos vivendo os efeitos de eventos climáticos extremos, marcados pela intensidade e rapidez das chuvas e ventos com suas indesejáveis consequências. Se muitas são as causas desse fenômeno e poucas são as ações para recuperar os danos já causados ao clima da Terra em aquecimento crescente, é inevitável perguntar se haverá racionamento de água em Belo Horizonte e região metropolitana.

O período chuvoso começa a caminhar para o fim e brevemente as águas de março fecharão o verão. O nível de alguns reservatórios do sistema de abastecimento está abaixo dos 50%, conforme mostra o site da empresa concessionária dos serviços. Na mídia são cada vez mais frequentes as informações sobre falta de água prolongada em diversos bairros e suas causas são justificadas de maneira genérica, fugindo do que é fundamental na geração do problema.

Questionados sobre os investimentos na manutenção das redes diante de frequentes rupturas e a redução na pressão, o que mostram os cenários do planejamento estratégico? Considerando que os cenários são projeções sobre aquilo que o futuro poderia vir a ser para um negócio, qual é o cenário otimista, o pessimista e o mais provável?

Portanto, o racionamento do uso da água não pode ser descartado em função dos fatos e dados existentes, inclusive na não concretização do sistema de captação do Rio Paraopeba, que foi projetado para aumentar a segurança hídrica no abastecimento da capital e Região Metropolitana.

Imagem alusiva a água criada com auxílio de inteligência artificial

Imagem alusiva a água criada com auxílio de inteligência artificial

Vale lembrar que no último 25 de janeiro chegamos aos sete anos do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho. Além das centenas de mortes e dos impactos ambientais, a enxurrada de rejeitos também levou embora o sistema de captação e tratamento de água construído em seis meses. De lá para cá nada de mais significativo foi feito e não dá para negar que a vazão de até 5 mil litros por segundo projetada poderá fazer falta, pois as mudanças climáticas são inegáveis, as condições pioraram e o que nos resta é uma adaptação a elas.

É importante lembrar que, segundo o dicionário, racionamento é:

  • o ato ou efeito de racionar; distribuição controlada de recursos escassos.
  • Em contextos de crise hídrica ou energética, limitação do fornecimento de água ou energia elétrica.

Assim sendo, lembremos da Lei de Murici dizendo que “cada um cuida de si” e do dito popular anunciando que “farinha pouca, meu pirão primeiro”.

E você, caro leitor, se sente preparado para viver e sobreviver num tempo de racionamento de água, logo a água que é vida?

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Um registro escrito no dia 30 de dezembro de 2025

O ano está acabando e já nos impulsiona para melhor começar o ano novo que já se avista. Faz parte do método pelo qual conduzimos a gestão da nossa vida a observação e análise dos fenômenos e processos que colocaram todas as coisas em movimento no ano que se passou.

É preciso olhar para trás, sem paralisia, e fazer uma retrospectiva dos fatos mais impactantes que aconteceram e de expectativas que não viraram realidade. É momento de verificar os rumos que as coisas tomaram em função das várias variáveis que afetam as condições de contorno de cada uma das dimensões presentes nos processos do dia a dia. É mais uma oportunidade para se verificar o que foi planejado, o que foi executado, os resultados alcançados, o que ficou pendente e os próximos passos.

Por outro lado, é preciso olhar para a frente diante de novas expectativas de preferência num equilibrado realismo esperançoso. Sempre vale lembrar que, se a expectativa for maior do que a realidade, o sofrimento prevalecerá. É necessário definir propósitos, objetivos e metas desafiadoras, mas não malucas, para o ano que já vai se iniciar com os respectivos planos de ação contendo as medidas estratégicas e suficientes para se alcançá-las. De novo, será preciso colocar o gerenciamento em movimento com os devidos reposicionamentos estratégicos sempre que necessários dentro do dinamismo da conjuntura.

Ilustração gerada por Inteligência Artificial

Ilustração gerada por Inteligência Artificial / Substack Images

Como dizem Milton Nascimento, Fernando Brant e Márcio Borges na música “O que foi feito Devera”:

“Se muito vale o já feito, mais vale o que será.

E o que foi feito é preciso conhecer para melhor prosseguir.

Falo assim sem tristeza, falo por acreditar

que é cobrando o que fomos que nós iremos crescer”.

Que não haja distância entre a intenção e o gesto!

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A cada ano que vai passando, principalmente neste século, percebo que tudo aconteceu e passou rapidamente. Chegado dezembro, noto que muita coisa ficou para depois ou simplesmente não foi possível de ser feita. No mundo cristão o tempo do advento já passou pelo terceiro domingo e logo chegaremos ao Natal, que a cada instante se aproxima mais.

Se o advento é tempo de preparação, o que está sendo possível fazer até o Natal? Ou é apenas uma intenção desacompanhada de qualquer tipo de gesto? Tudo continuará sendo como antes? Efetivamente, será que admitiremos dar algum espaço para as necessárias mudanças, principalmente sabendo que tudo começa com a gente? Que tal começar com as coisas que só dependem de nós mesmos?

Imagem gerada com auxílio de inteligência artificial em alusão ao Natal.

Sugiro pensarmos um pouco sobre o nosso posicionamento nesse mundo extremamente conectado digitalmente, sentindo falta de humanidade, percebendo a ampliação da solidão e do sofrimento mental.

Faço um pequeno desafio à sua memória: e se nos lembrarmos rapidamente sobre a quantidade de pessoas que visitamos em suas residências, pelo menos uma vez, ao longo do ano que está acabando? E quantas te visitaram no mesmo período?

De imediato, posso dizer que visitei 40 pessoas amigas e recebi a visita de 25, sendo que os encontros tiveram uma duração média de 3 horas. Ah! Quanta energia boa fluiu nesses encontros presenciais!

Neste final de caminho rumo ao Natal, pense nisso e tenha iniciativas para que encontros aconteçam nessa grande arte que é a vida. Quem sabe poderá haver reciprocidade do outro? Ainda é possível renascer!

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A propósito da Pensata postada nesse blog em 9 de setembro sobre O aumento dos preços de planos de saúde, recebi diversos comentários de leitores em tons de observações e reclamações de clientes cujos contratos são regidos pelo Código de Defesa do Consumidor. Vou abordar apenas algumas delas a seguir, as mais citadas, em função do espaço disponível.

Uma reclamação generalizada é sobre o aumento de preços bem acima da inflação oficial medida pelo IPCA do IBGE que gera perda de poder aquisitivo e força uma readequação no orçamento individual ou familiar – recomposição salarial pelo índice oficial da inflação é considerada uma grande vitória na atual conjuntura. Vale lembrar que o Boletim Focus do Banco Central está projetando em 4,8% o índice da inflação desse ano. Outro comentário muito frequente foi sobre a dificuldade para a marcação de consultas pelo plano em datas mais próximas do surgimento da necessidade do cliente. Muitos profissionais estabelecem uma cota mensal para atender aos planos e é por isso que a espera chega fácil a 90 dias. Se for particular pode até surgir uma vaga no final do mesmo dia ou então no dia seguinte. O encaixe na agenda é visto com boa vontade.

Existem muitos casos narrados de profissionais que cobram a primeira consulta e de outros em números cada vez mais crescentes, que só atendem no particular e usam o plano para solicitar exames de apoio ao diagnóstico e internação hospitalar. Aliás, os exames também sofrem os limites técnicos definidos pelos contratos além das próprias metas internas dos planos para a redução de custos. Eles querem reduzir de qualquer maneira o índice de sinistralidade, ou seja, o risco de seu cliente ficar doente, perder a saúde e aumentar a demanda pela prestação de serviços.

Outro aspecto importante, também muito abordado foi a cobrança de um complemento ao preço da tabela do plano. A justificativa é que a tabela está defasada com relação ao mercado privado.

Geralmente esse pagamento deve ser feito em espécie, dinheiro vivo – em reais, dólares ou euros, nada de pix ou cartão de crédito. Não é necessário deixar rastros. Os procedimentos mais citados foram os de obstetrícia – pré natal e acompanhamento do parto, cirurgia de próstata a laser, lentes importadas para cirurgias de catarata, acompanhamento neurológico, principalmente em idades mais avançadas e cardiologia. Por último, é preciso registrar a frieza, indiferença ou falta de educação de alguns profissionais ao se relacionar com os clientes. Nenhuma empatia e muito autoritarismo.

Como se vê, a Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS tem muito o que fazer para cumprir a sua missão de regular e fiscalizar esse segmento da economia.

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Comecei a frequentar o bairro de Santa Tereza, em Belo Horizonte no ano de 1978 e a morar nele a partir de 1980. Lá se vão quase 50 anos ou meio século. É claro que o bairro foi se modificando e se transformando em seus diversos aspectos ao longo desse período, mas nada tão intenso quanto nos últimos 5 anos, após a pandemia da Covid-19.

Posso usar a expressão “quem te viu e quem te vê” para comparar os tempos de hoje com os de outrora. Porém, vou abordar apenas as grandes transformações trazidas pela quantidade de bares e restaurantes em funcionamento ao longo da Rua Mármore, a principal do bairro. Vale registrar que a rua tem aproximadamente 900 metros de comprimento ao longo de sete quarteirões e possui 32 bares e restaurantes de diferentes portes em pleno funcionamento. Neles a vida está pulsando com pessoas vindas dos mais diversos lugares, e algumas até do próprio bairro.

Acontece que a Rua Mármore se tornou um grande bar a céu aberto, onde cada empreendimento usa o seu espaço próprio, como previsto, mas geralmente ocupa o passeio com mesas e cadeiras para seus clientes, o que acaba dificultando ou impedindo o ir e vir das pessoas que precisam passar pela rua. A mesma situação também se repete na pista de rolamento, na parte destinada ao estacionamento de veículos, que é demarcada por grades em seus limites. Assim, muitas vezes as pessoas acabam tendo que continuar seus caminhos passando próximo ao meio da rua, disputando o espaço com ônibus, caminhões, carros, motocicletas e bicicletas.

Reprodução: Itatiaia

O que se percebe é que vários dispositivos legais estão sendo descumpridos como o direito de ir e vir, código de posturas municipais, Lei do uso e ocupação do solo e limites definidos pela Lei do Silêncio. É importante lembrar que o Bairro de Santa Tereza tem suas especificidades por ser uma Área de Diretrizes Especiais – ADE. Também chama a atenção o fato de alguns bares estarem usando a calçada da Praça Duque de Caxias como mais um prolongamento extra de seus espaços originais.

O estacionamento de veículos de frequentadores dos bares e restaurantes acaba acontecendo em ruas transversais à Mármore onde muitos também deixam suas marcas de variados tons.

O momento exige fiscalização e controle pelos órgãos públicos, a começar pela Prefeitura e Administração Regional Leste, zeladoria atuante e até o olhar atento do Ministério Público. Campanhas educativas em prol do uso coletivo do espaço público, num padrão bom para todos, estão fazendo falta enquanto aumentam os gritos por melhores condições de vida no bairro e também na cidade.

Vamos viver com alegria e jogar o jogo conforme as regras que são para todos os envolvidos em seus diferentes níveis e papéis. Que tudo seja bom para todos, com respeito e civilização. Cultivar ruas e praças do bairro farão bem para toda a cidade, a começar pelo próprio bairro. Problemas são para serem resolvidos, mas precisam de gestão com foco, determinação e constância de propósitos. Não podemos ficar indiferentes e inertes diante dos acontecimentos que se sucedem enquanto o tempo passa.

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O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE divulgou que estimava a população brasileira em 213,4 milhões de pessoas em 1º julho desse ano. Por sua vez a Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS informa que em abril desse ano existiam 52,3 milhões de pessoas (24,5% da população) vinculadas a algum tipo de plano de saúde das diversas modalidades existentes.

Acontece que todo ano os planos tem aumento no preço das mensalidades, sendo que apenas os individuais e familiares contam com a intermediação da ANS para a definição de novos preços. Os demais planos ficam por conta da livre negociação entre as partes envolvidas, mas sabemos claramente quem é o lado mais fraco nessa correlação de forças. No período de maio de 2025 a abril de 2026, a ANS estabeleceu aumento de até 6,06% para os planos individuais e familiares – no ano passado foi de até 6,91%. Já para os planos coletivos o aumento médio do atual período está em torno de 15% – no ano passado foi de 13,8%. Também é importante lembrar que a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA do IBGE foi de 5,23% nos últimos 12 meses – agosto de 2024 a julho de 2025.

Vale lembrar que a ANS divulgou que no primeiro semestre de 2025 as operadoras médico-hospitalares de todos os portes tiveram aumento no resultado líquido. As de grande porte registraram, em números agregados, R$9,7 bilhões de lucro líquido (114% a mais que no mesmo período do ano anterior).

A sinistralidade, principal indicador que explica o desempenho operacional das operadoras médico-hospitalares, registrou no 1º semestre de 2025 o índice de 81,1% (2,7 pontos percentuais abaixo do apurado no mesmo período do ano anterior). Isso significa que aproximadamente 81,1% das receitas provenientes das mensalidades foram destinadas às despesas assistenciais. Este é o menor índice registrado para um 1º semestre desde 2018 — à exceção de 2020, quando a sinistralidade foi ainda mais baixa em razão dos efeitos da pandemia.

Diante de fatos e dados como os aqui citados fica cada vez mais necessário e importante que clientes de planos de saúde analisem o benefício e o custo de possuir um. Basta um olhar no quotidiano para se perceber como o atendimento vai ficando cada vez mais demorado diante de problemas de saúde que não podem ficar esperando por uma solução. Na prática, o que se percebe são os aumentos de preços e descumprimentos de cláusulas contratuais.

São frequentes os casos em que um cliente tenta marcar uma consulta inicial com um profissional credenciado pelo plano e vem a informação de que há vaga para um atendimento só após 60 dias. Muitas vezes ainda há um singelo aviso de que a primeira consulta é cobrada à parte, fora do plano. Muitos serviços de apoio ao diagnóstico em laboratórios de análises clínicas e de imagens também apresentam dificuldades para atendimento imediato, mas, é claro, se forem pagos no modo particular terão atendimento imediato. Acredito que muitos leitores também devem ter algum acontecimento do qual foi protagonista e em que o nível de qualidade aceitável deixou a desejar.

É importante também prestar atenção na maciça propaganda de muitos planos de saúde, cheias de bônus para atrair novos clientes, mas sempre co-participativos.

É sempre bom lembrar que segundo o artigo 196 da Constituição Brasileira “a saúde é um direito de todos e dever do Estado”.

E você, caro leitor, está satisfeito com seu plano de saúde? Ele continua cabendo em seu bolso ou já é hora de começar a olhar para o Sistema Único de Saúde – SUS? Você possui cartão SUS?

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A CFEM foi estabelecida pela Constituição Federal de 1988. A sua regulamentação e cobrança efetiva foram definidas em 1991 e 1992. Enquanto isto, a Lei Complementar Nº87/1996 (Lei Kandir) isentou do pagamento de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços – ICMS os minerais destinados à exportação e propôs a criação de mecanismos para a compensação das perdas dos Estados com essa isenção, o que não aconteceu. Na prática aumentou a base para a União calcular com o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Quase 30 anos depois, prossegue a discussão envolvendo ganhos e perdas, problemas e soluções para a União, Estados e Municípios na mineração.

Sobre o assunto, leia o comentário de Luiz Tito publicado na Coluna Bem Minas, em 12 de agosto de 2025:

Denúncias de que as grandes exportadoras de minério de ferro e outros minerais vendem seus produtos para empresas localizadas em paraísos fiscais para que esses mesmos minerais sejam depois vendidos para a China, com simples troca de papéis dentro do mesmo navio que saiu do Brasil já não têm nada de novo e nem a União, nem Estados nem municípios encaram esse assunto para resolvê-lo. A CFEM já provou que não pode seguir sendo um meio de tributar a atividade, mas o poderio econômico das mineradoras assusta o poder público, em todas as suas esferas.

As perdas chegam a bilhões de reais, valores extremamente significativos para municípios com déficits orçamentários, muitas vezes gerados pelo agravamento das demandas de saúde pública que a atividade traz para a população. Sem falarmos no caos que viram nossas estradas e nas graves lesões ambientais do ar, dos rios, do solo, das florestas.

Em Minas, municípios que sediam a atividade minerária e o próprio Estado vivem em permanente lua de mel com a atividade de altíssima capacidade contributiva, mas que permanentemente dá as costas para suas responsabilidades sociais e ambientais, sobretudo.

De que precisamos?

De prefeitos e governadores mais comprometidos com seus municípios e com seus Estados? E o Governo Federal, onde está nessa briga?

Nessa semana, a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável sediou um novo debate sobre a mesmíssima questão: o desfalque na arrecadação da CFEM.

Mas o que podemos esperar?

Quem fiscaliza a arrecadação da CEFEM? Que capacidade têm esses órgãos para exercerem uma fiscalização com o rigor que tais responsabilidades requerem?

Onde está a voz do Tribunal de Contas da União e dos Estados, de Minas Gerais, especialmente, que é um Estado altamente minerador?

Ou vamos nos contentar com debates, seminários, simpósios sobre a CFEM que nos é furtada sistemática e sabidamente na sua arrecadação?

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Incertezas que prevalecem

por Luis Borges 11 de agosto de 2025   Pensata

“Nada existe em caráter permanente a não ser a mudança” dizia o filósofo Heráclito de Éfeso em 508 AC. Só o tempo passa indelével e inexorável; já a água do rio, corre pelo leito sem volta.

Enquanto isso, se olharmos apenas para o ano de 2025, vemos que partindo de janeiro e chegando agora a meados de agosto percebemos como tanta coisa mudou. Quantas vezes ainda teremos que ver como alguém imprevisível, que avança e recua tentando impor sua hegemonia, faz balançar o sistema capitalista marcado pelos parâmetros e acordos firmados após a 2ª Grande Guerra Mundial passados 80 anos? Muitas foram as crises enfrentadas, como a Guerra Fria, os atentados às torres gêmeas, a crise financeira de 2008, a invasão russa à Ucrânia, Israel na Faixa de Gaza e o tarifaço de Donald Trump tentando restabelecer na marra a hegemonia mundial americana. Basicamente, o que só aumenta as incertezas numa conjuntura marcada por dificuldades de quem se imagina em primeiro lugar na terra.

É importante lembrar que o bloco dos BRICS, inicialmente formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, e agora com mais seis membros, detém 41% do comércio mundial e pretende criar sua moeda própria, o que incomoda muito os Estados Unidos. Não nos esqueçamos que vivemos no sistema capitalista, com algumas nuances aqui ou ali, mas cada país com a sua soberania.

Diante de tantos e variados acontecimentos numa verdadeira engenharia simultânea, é preciso lembrar que é na dificuldade que a gente se prova, que não existe capitalismo sem risco, mas isso é o que muitos querem, inclusive com renúncia tributária. A lei da oferta e da procura existe e persiste, tal qual a lei da gravidade. Dialogar é preciso, inclusive com estratégias de sobrevivência. Segundo dizem moradores do município de Nova Santa Adélia, no interior de São Paulo, “quem tem garrafa para vender, vende”.

O mês de agosto segue e prepara o caminho para a chegada de setembro. O tempo caminha indelével e inexorável. Viver continua perigoso, como diria Guimarães Rosa.

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Um dos assuntos sempre presentes na pauta cotidiana de conversas com pessoas mais próximas acaba tendo ligações com a saúde em suas várias variáveis. Afinal de contas, saúde é sempre uma preocupação e deveria ter prioridade numa vida que só dá uma safra.
Recentemente ouvi alguns casos da oftalmologia ligados ao diagnóstico de catarata e prognóstico de cirurgia para resolver o problema.

Segundo o Glossário de Saúde do Eistein: “a catarata é marcada pela perda progressiva da transparência do cristalino, uma espécie de lente natural dos olhos. O principal sintoma é o embaçamento da visão, que dificulta e até impossibilita as tarefas do dia a dia. Em fases avançadas, o indivíduo chega ao ponto de enxergar apenas vultos e luzes. O envelhecimento é a principal causa. Infecções nos olhos, diabetes, tabagismo e exposição excessiva à luz solar sem proteção estão entre os fatores de risco. Para diagnosticar a catarata, o médico pode usar um instrumento chamado oftalmoscópio, que analisa se há opacidade no cristalino. O tratamento envolve cirurgias, que hoje muitas vezes usam laser para ajudar a remover a região afetada do cristalino e trocá-la por uma lente artificial. Óculos e lentes de contato podem ser prescritos em certos casos.”

O que mais chamou minha atenção recentemente foi o caso de uma pessoa amiga que está sentindo um sutil desconforto em relação à sua acuidade visual, mesmo usando óculos de grau há mais de três décadas. Ela disse que conseguiu marcar uma consulta com um oftalmologista credenciado por seu plano de saúde, mas que cobrou pagamento de R$500 pela primeira consulta com agendamento imediato.

Feitos os procedimentos previstos no protocolo – padrão – o profissional diagnosticou a presença de catarata e a necessidade de cirurgia em ambos os olhos, um a cada 15 dias, com a implantação de lentes importadas não cobertas pelo plano de saúde. Disse que ele mesmo providenciaria as lentes que custariam R$8.000,00 a unidade para pagamento à vista.

Imediatamente, entrou no sistema do plano de saúde para a emissão das guias dos exames laboratoriais previstos no risco cirúrgico e também reservou duas datas na sala de cirurgia da clínica em que é associado. Foi tudo muito rápido e intenso até que a cliente, geralmente chamada de paciente, conseguisse falar e ser ouvida. Ela disse ao profissional que não tomaria a decisão naquele momento, em tempo real, no calor da consulta e solicitou um prazo indeterminado para melhor analisar o que foi proposto e tomar uma decisão. Era visível a decepção do oftalmologista de aparentes 45 anos de idade. A imagem do corpo que fala era a de que uma oportunidade de negócio foi perdida e que a meta de faturamento do mês ficou comprometida.

O jeito foi procurar uma segunda opinião e, nesse sentido, a amiga já marcou uma consulta com outro profissional de seu plano de saúde, que não cobra nenhum adicional particular, já agendada para o dia 29 de agosto, portanto, terá que esperar mais 39 dias.

E você, caro leitor, já passou por alguma situação semelhante a essa?

Aguardemos os próximos capítulos!

Luis Borges

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