Ainda que se tenha uma grande falação sobre a inadmissibilidade de qualquer aumento na carga tributária vigente, de tempos em tempos surge uma nova maneira para se abordar o assunto, sempre visando arrecadar mais tributos.

É recente o discurso do Deputado Federal relator da proposta de reforma tributária acenando para a volta da Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira (CPMF), tributo extinto em 2007 durante o governo Lula. Mais recentemente ainda o Ministro da Fazenda falou em aumentar impostos para cumprir a meta de déficit fiscal de 139 bilhões de reais em 2017, principalmente se a Proposta de Reforma da Presidência não for aprovada da forma como que foi enviada ao Congresso Nacional.

Se as tentativas sempre surgem existe também uma forma de aumentar a carga tributária simplesmente aplicando a lei da inércia para não corrigir automaticamente a Tabela do Imposto de Renda pelo índice da inflação oficial do ano anterior. Já se passaram 76 dias do ano em curso e nenhuma fala veio do falante Ministro da Fazenda sobre o caso.

Assim, partindo da premissa que “cantar nunca foi só de alegria” que tal reunir forças para lutar contra a brutal carga tributária cantando a música Imposto de Mircio Bezerra de Menezes?

Imposto
Autor: Mircio Bezerra de Menezes

É tanto imposto que às vezes me desespero cada vez eu to mais pobre e tem gente com castelo(2x)
Tudo que é posto muitas vezes é imposto e pode causar desgosto se não for gastado a gosto. 
O brasileiro já está virando o rosto vivendo com esse encosto que é chamado de imposto. 

É IPI, IPVA, ISS tem COFINS, PIS e PASEP deputado a se lascar 
Tem IOF, IR, ICMS acho que ninguém merece tanto imposto pra pagar. 

No meu feijão eu pago 18%, na cachaça é 100% que é coisa brasileira 
A carne tem o mesmo imposto do feijão, é 35% que eu pago no macarrão. 
É 19 e uns quebrado no leite 53, na gasolina, 42 no sabonete e o óleo já passou de 37,
56 na minha cerveja, no meu carro é 27. 
Papel higiênico quem é que pode aguentar tá em 40% nunca mais vou me limpar, 
A energia que a tudo ilumina tá mais de 45 eu vou voltar pra lamparina.
 
É tanto imposto, é tanta arrecadação eu não vejo o retorno na saúde e educação, 
Tudo isso sem falar na moradia o pobre do aposentado ta vivendo na agonia.

É tanto imposto que às vezes me desespero o povo fica mais e tem gente com castelo (2x)

O presidente tá pedindo pra gastar, "vamo" gastar minha gente que é pra crise não pegar. 
É que o Brasil não pode adoecer se o doente se for é no nosso que vai arder. 

Ore a Deus todo dia e agradeça pra que você não adoeça quando o ano começar, 
Pois não se esqueça que pagou o IPTU se precisar de injeção vai ter que tomar susto.
"Vamo" pagar imposto que é pro Brasil progredir.
É a marola, é a marola!
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E o mundo não se acabou

por Luis Borges 15 de Fevereiro de 2017   Música na conjuntura

Em meio à crise social cada vez mais aguda aumenta a preocupação das pessoas com a segurança individual, familiar e nos espaços coletivos. Coisas ruins vão acontecendo e repercutindo pelos diversos meios de comunicação. Aumenta também – e exponencialmente – a sensação de insegurança, quase tão danosa quanto a violência explícita. Ficamos sempre com as piores expectativas.

Começamos o ano com a enorme repercussão sobre a rebelião nos presídios do Amazonas, Roraima e Rio Grande do Norte. O temor de que as rebeliões chegariam a Minas Gerais também se incorporou ao nosso dia-a-dia. Agora já chegamos a 12 dias da greve da Polícia Militar do Espírito Santo e ainda não parece visível uma solução adequada para o conflito. A bomba também está armada no quebrado estado do Rio de Janeiro, onde os salários da Polícia Militar e demais servidores estaduais estão atrasados. No Rio Grande do Norte também cresce a mobilização diante de grande descontentamento com os governantes.

E se a coisa chegar a Minas Gerais? O que faremos e o que será de nós? O Governo do estado garante que tudo está na mais santa paz. Mas, e se vier o pior? Diante de tudo que está acontecendo muitos se sentirão no direito de ter um pré pânico só de imaginar uma situação sem policiamento nas ruas, que já não é nenhum primor. Tenho ouvido muita gente dizendo que estamos caminhando para o fim do mundo e outros dizendo que o mundo já acabou, pelo menos para eles.

Que estratégias adotar diante de uma situação como essa? Seria melhor aplicar a “Lei de Murici” ao dizer que cada um deve cuidar de si ou reclamar e denunciar os inertes governantes e poderes constituídos que, aliás, em sua imensa maioria, sabem cuidar muito bem de si próprios?

Fico imaginando também como chegaremos à Quarta-feira de Cinzas após o encerramento do Carnaval oficial de Belo Horizonte, que começou no sábado 11 de fevereiro projetando a presença de 3 milhões de pessoas nas ruas. Será que a civilização prevalecerá? Apesar do pessimismo e da preocupação com a segurança, será que perceberemos o mesmo que o compositor baiano Assis Valente narrou em 1938 em sua música E o mundo não se acabou? Sugiro a escuta da canção na voz de Carmem Miranda.

E o mundo não se acabou
Fonte: Letras.mus.br

Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar
Por causa disso a minha gente lá de casa começou a rezar
E até disseram que o sol ia nascer antes da madrugada
Por causa disso nessa noite lá no morro não se fez batucada

Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar
Por causa disso a minha gente lá de casa começou a rezar
E até disseram que o sol ia nascer antes da madrugada
Por causa disso nessa noite lá no morro não se fez batucada

Acreditei nessa conversa mole
Pensei que o mundo ia se acabar
E fui tratando de me despedir
E sem demora fui tratando de aproveitar

Beijei na boca de quem não devia
Peguei na mão de quem não conhecia
Dancei um samba em traje de maiô
E o tal do mundo não se acabou

Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar
Por causa disso a minha gente lá de casa começou a rezar
E até disseram que o sol ia nascer antes da madrugada
Por causa disso nessa noite lá no morro não se fez batucada

Chamei um gajo com quem não me dava
E perdoei a sua ingratidão
E festejando o acontecimento
Gastei com ele mais de quinhentão
Agora eu soube que o gajo anda
Dizendo coisa que não se passou
Ih, vai ter barulho e vai ter confusão
Porque o mundo não se acabou

Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar
Por causa disso a minha gente lá de casa começou a rezar
E até disseram que o sol ia nascer antes da madrugada
Por causa disso nessa noite lá no morro nem se fez batucada
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Faltam 26 dias para o inicio oficial do Carnaval e a cada dia os preparativos e ensaios para essa grande festa popular nos mostram o quanto vale dizer que “o melhor da festa é esperar por ela”.

Apesar da recessão econômica, da redução do orçamento de gastos públicos com a festa na maioria dos municípios e cancelamentos em alguns, além da grande queda no número de patrocinadores, as expectativas são bem altas. A julgar pelas projeções feitas para a cidade de Belo Horizonte verifica-se que 363 blocos desfilarão pelas ruas, crescimento de 30% em relação a 2016, e que 2,4 milhão de pessoas participarão da festa, crescimento de 20% em relação ao ano passado.

Tendo como premissas a liberdade de expressão, a movimentação e a organização, é de se esperar que prevaleça a civilização da sociedade que é composta de carnavalescos e não carnavalescos, todos com direitos e deveres que devem ser colocados em prática no convívio social. Nesse sentido e sempre respeitando quem se mantiver recolhido, vale lembrar e ouvir Sérgio Sampaio em sua música Eu quero é botar meu bloco na rua, de 1973.

Depois que a festa acabar espero que as ruas, praças e avenidas estejam, no mínimo, em condições semelhantes às que se encontravam quando tudo se iniciou.

Eu quero é botar meu bloco na rua
Fonte: Letras.mus.br

Há quem diga que eu dormi de touca
Que eu perdi a boca, que eu fugi da briga
Que eu caí do galho e que não vi saída
Que eu morri de medo quando o pau quebrou

Há quem diga que eu não sei de nada
Que eu não sou de nada e não peço desculpas
Que eu não tenho culpa, mas que eu dei bobeira
E que Durango Kid quase me pegou

Eu quero é botar meu bloco na rua
Brincar, botar pra gemer
Eu quero é botar meu bloco na rua
Gingar, pra dar e vender

Eu, por mim, queria isso e aquilo
Um quilo mais daquilo, um grilo menos disso
É disso que eu preciso ou não é nada disso
Eu quero é todo mundo nesse carnaval

Eu quero é botar meu bloco na rua
Brincar, botar pra gemer
Eu quero é botar meu bloco na rua
Gingar, pra dar e vender.
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A paz

por Luis Borges 2 de Janeiro de 2017   Música na conjuntura

O Dia Mundial da Paz acontece todo dia 1º de janeiro desde 1968, ano em que o mundo inteiro era marcado pela Guerra Fria e pela corrida armamentista. De lá para cá foram muitos os acontecimentos que perturbaram ou acabaram com a paz em diferentes modos e níveis. Por outro lado, podemos olhar a paz por diversos ângulos, desde a quietude individual até as grandes guerras civis que sacodem atualmente diversos países e também passar pelas gritantes desigualdades sociais que tiram a paz da vida de tantas pessoas e comunidades. Se a justiça deve preceder a paz, quem está disposto a mudar de postura para contribuir na grande solução que poderá levar ao reequilíbrio da humanidade?

Como tudo começa com a gente, ainda que de maneira incipiente, que tal refletir e pensar em algum tipo de ação que dependa só de nós ouvindo a música A paz na voz do cantor Gilberto Gil, que a compôs em parceria com João Donato?

A Paz
Fonte: Letras.mus.br

A paz invadiu o meu coração
De repente, me encheu de paz
Como se o vento de um tufão
Arrancasse meus pés do chão
Onde eu já não me enterro mais

A paz fez um mar da revolução
Invadir meu destino; A paz
Como aquela grande explosão
Uma bomba sobre o Japão
Fez nascer o Japão da paz

Eu pensei em mim
Eu pensei em ti
Eu chorei por nós
Que contradição
Só a guerra faz
Nosso amor em paz

Eu vim
Vim parar na beira do cais
Onde a estrada chegou ao fim
Onde o fim da tarde é lilás
Onde o mar arrebenta em mim
O lamento de tantos "ais"
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Natal das crianças

por Luis Borges 25 de dezembro de 2016   Música na conjuntura

Desde que o Observação & Análise existe tenho postado nessa época do ano uma música alusiva ao Natal, sempre acompanhada de uma pequena reflexão.

Neste ano em que tudo está mais difícil para nós, até tive alguns dias atrás a sensação de que nem haveria Natal. Eu não sentia o clima da festividade contagiando a sociedade como um todo e nem o microclima familiar. A ruindade e a chatice de certos aspectos da vida no país acabaram prevalecendo e tirando muito da nossa energia.

Porém, como sou um realista esperançoso, sinto que o clima do Natal finalmente chegou. Também, pudera: se demorasse mais um pouquinho a data passaria em branco.

Todavia como às vezes não é tarefa fácil planejar com os adultos um Natal para ser passado em família, ainda que a tradição diga que o Natal é com a família, sugiro que voltemos por alguns instantes aos nossos tempos de criança. Parece que as coisas eram mais fáceis e que havia menos proprietários da verdade. Nesse sentido é interessante ouvir e até mesmo cantar a música Natal das Crianças na voz do cantor Blecaute que a compôs em 1955.

Um Feliz Natal a todos os leitores.

Natal das crianças
Fonte: Letras.mus.br

Natal, natal das crianças, natal de noite de luz
Natal da estrela guia, natal do Menino Jesus
Natal, Natal das crianças, natal da noite de luz
Natal da estrela guia, natal do Menino Jesus
Blim, blom, blim, blom, blim blom
Bate o sino na matriz, papai, mamães rezando
Pra o mundo ser feliz
Blim blom, blim blom, blim blom
O Papai Noel chegou, tambem trazendo presente
Pra vovó e vovô
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Novo tempo

por Luis Borges 11 de dezembro de 2016   Música na conjuntura

O advento é o período preparatório para a chegada do Natal marcado pelas expectativas em torno de um novo tempo que virá. Fico pensando também nos rumos que o país tomará diante de tantos sinais a nos indicar que a entropia está aumentando, ou seja, cresce a desagregação entre as partes envolvidas.

Fica evidente a falência múltipla dos órgãos do sistema político, apesar do autismo dos representantes que teimam em desconhecer que seus representados já não suportam mais as suas práticas cada vez mais caras e danosas ao país. Apesar do discurso de que as instituições estão funcionando e garantindo plenitude à democracia, o que se vê é o confronto entre os conceitualmente independentes e harmoniosos três poderes.

A situação pode ser ilustrada pelos mais recentes episódios envolvendo Senado Federal, Supremo Tribunal Federal e a Força Tarefa da Operação Lava Jato. A crise política se aguça cada vez mais, embalada por variáveis que envolvem a manutenção do poder, a defesa de supersalários que desrespeitam a lei e as consequências trazidas pelo desnudamento da tecnologia da corrupção largamente praticada país afora. Enquanto isso lá se vão 7 meses após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e o que mais se ouve do vice que a sucedeu é um pedido para que a população tenha paciência para esperar acontecer o fim da recessão econômica. Aliás, a cada mês que passa, a sensação que fica é que isso ainda vai demorar e, quando vier, será com números bem tímidos.

Diante dessas percepções e com muitas expectativas em relação aos impactos e desdobramentos que tudo isso tem e terá para o posicionamento e atuação da sociedade brasileira – já bastante dividida entre insatisfeitos, intolerantes, proprietários da verdade, maniqueístas e crescentes posturas pouco civilizadas -o que esperar ao final de uma primavera brasileira?

Para facilitar um pouco a nossa reflexão e compreensão do momento, sugiro a música Novo Tempo, composta por Ivan Lins e seu parceiro Vítor Martins em 1980. Lá se vão 36 anos e ela continua a nos instigar.

Novo Tempo
Fonte: Letras.mus.br

No novo tempo, apesar dos castigos
Estamos crescidos, estamos atentos, estamos mais vivos
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer
No novo tempo, apesar dos perigos
Da força mais bruta, da noite que assusta, estamos na luta
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver
Pra que nossa esperança seja mais que a vingança
Seja sempre um caminho que se deixa de herança
No novo tempo, apesar dos castigos
De toda fadiga, de toda injustiça, estamos na briga
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer
No novo tempo, apesar dos perigos
De todos os pecados, de todos enganos, estamos marcados
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver
No novo tempo, apesar dos castigos
Estamos em cena, estamos nas ruas, quebrando as algemas
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer
No novo tempo, apesar dos perigos
A gente se encontra cantando na praça, fazendo pirraça
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Por debaixo dos panos

por Luis Borges 12 de outubro de 2016   Música na conjuntura

O 12 de outubro é um feriado nacional no qual se comemora o dia de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, a padroeira do Brasil, um país laico. Padroeira é aquela que protege e defende, mas é interessante pensar sobre o quanto a nação ainda precisa de proteção. Afinal de contas o conjunto de valores que regula de forma fundamentada as relações sociais ainda guarda distância entre o regulamentado e o praticado. As consequências das inobservâncias também nem sempre levam à punições, o que acaba sendo um prêmio. Diante de tudo que o país vem passando e enfrentando, o que pensar nesse momento sobre as velhas e piores práticas do faz de conta e da traição silenciosa para fazer prevalecer interesses inconfessáveis?

É claro que o processo histórico é lento e exige muita paciência em função do tempo que escoa. Mas será que já é possível se perceber alguma mudancinha, por menor que seja, por parte daqueles que vivem acostumados com a certeza da impunidade para todos os seus delitos?

Será que a música Por debaixo dos panos já começa a perder seu sentido ou está mais presente do que nunca em nossa cultura? Ainda que só como lembrança e reflexão sem dor, que tal ouvir na voz de Ney Matogrosso a letra feita por Antônio Barros e Cecéu?

Por debaixo dos panos
Fonte: Letras.mus.br

O que a gente faz
É por debaixo dos pano
Prá ninguém saber
É por debaixo dos pano
Se eu ganho mais
É por debaixo dos pano
Ou se vou perder
É por debaixo dos pano...(2x)

É debaixo dos pano
Que a gente não tem medo
Pode guardar segredo
De tudo que se vê
É debaixo dos pano
Que a gente fala do fulano
E diz o que convém...
É debaixo dos pano
Que eu me afogo
Que eu me dano
Sem perder o bem...(2x)

O que a gente faz
É por debaixo dos pano
Prá ninguém saber
É por debaixo dos pano
Se eu ganho mais
É por debaixo dos pano
Ou se vou perder
É por debaixo dos pano...(2x)

É debaixo dos pano
Que a gente esconde tudo
E não se fica mudo
E tudo quer fazer
É debaixo dos pano
Que a gente comete um engano
Sem ninguém saber...

É debaixo dos pano
Que a gente
Entra pelo cano
Sem ninguém ver...(2x)

O que a gente faz
É por debaixo dos pano
Prá ninguém saber
É por debaixo dos pano
Se eu ganho mais
É por debaixo dos pano
Prá ninguém saber
É por debaixo dos pano
O que a gente faz
É por debaixo dos pano
Prá ninguém saber
É por debaixo dos pano
Se eu ganho mais
É por debaixo dos pano
Ou se vou perder
É por debaixo dos pano...

É debaixo dos pano
Que a gente esconde tudo
E não se fica mudo
E tudo quer fazer
É debaixo dos pano
Que a gente comete um engano
Sem ninguém saber...

É debaixo dos pano
Que a gente
Entra pelo cano
Sem ninguém ver...(2x)

 

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Primavera nos dentes

por Luis Borges 21 de setembro de 2016   Música na conjuntura

A Primavera começa oficialmente nesta quinta-feira, 22 de setembro, às 11 horas e 21 minutos, hora de Brasília. Ela chega precedida por um final de Inverno muito quente em Belo Horizonte, com temperaturas de até 33ºC, além de queimadas abundantes, baixa umidade relativa do ar, ventanias e mínimas gotículas de chuvas.

A Primavera é a estação do ano de que mais gosto, mesmo diante de tantas mudanças climáticas. Tenho a expectativa do rebrotar das plantas e da presença marcante das flores, contribuindo para a melhoria do astral. Por outro lado, é com muito realismo, pragmatismo, esperança e alguma poesia que entro na nova estação, sem ingenuidade perante a luta de classes que também floresce. Os problemas transbordam e a árvore da sabedoria não é a que hegemoniza a floresta.

As primeiras flores já aparecem. | Foto: Maria Cristina Borges

As primeiras flores já aparecem. | Foto: Maria Cristina Borges

Continuam preocupantes os níveis de insatisfação e intolerância de uma sociedade na qual os grupos que disputam o poder não conseguem resolver a crise em que jogaram o país. Longe do maniqueísmo, que só vê os que são “contra” ou “a favor” de determinadas proposições, existem os que não se sentem representados pelo que está aí. Uma boa demonstração disso poderá ser medida nas eleições municipais desta Primavera, diante da estimativa feita por diversos comentaristas políticos de que 35% dos eleitores devem votar nulo, branco ou se abster de comparecer às urnas.

Enquanto as chuvas não chegam e o conformismo segura um grito mais alto das ruas, só nos resta a paciência histórica de quem nunca se sente vencido na busca inteligente das transformações necessárias para que todos possam realmente viver melhor.

Muitas são as músicas brasileiras que abordam ou enaltecem a Primavera. Para este ano sugiro a escuta de Primavera nos dentes, de autoria de João Ricardo e João Apolinário, cantada pelo grupo Secos e Molhados, que contava com Ney Matogrosso nos vocais.

Primavera nos dentes
Fonte: Letras.mus.br

Quem tem consciência para ter coragem
Quem tem a força de saber que existe
E no centro da própria engrenagem
Inventa a contra-mola que resiste

Quem não vacila mesmo derrotado
Quem já perdido nunca desespera
E envolto em tempestade decepado
Entre os dentes segura a primavera
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Que trabalho é esse?

por Luis Borges 8 de setembro de 2016   Música na conjuntura

A Reforma Trabalhista está entrando com força na pauta, apresentada como mais uma das medidas salvadoras na busca do reequilíbrio das combalidas contas públicas. Ela contracenará com a tão falada Reforma da Previdência Social. Essas duas reformas estão sendo tratadas como as soluções para todos os erros e males que afetam o capitalismo brasileiro, agora em seu segundo ano de recessão econômica.

Diante de diagnósticos que nem sempre são feitos com a necessária amplitude e consistência metodológica, verifica-se a prevalência de muitos prognósticos alarmistas e a veiculação de diversas proposições de medidas para solucionar os problemas com a cara dos tecnocratas que as formulam.

Como parte dessa Reforma Trabalhista, que deve chegar ao Congresso em setembro, surgiu a proposição de dois novos tipos de contrato de trabalho. São o “contrato parcial” e o “contrato intermitente”, cujas jornadas de trabalho semanais serão menores que as 44 horas atualmente em vigor. Segundo a proposta, o “contrato parcial” terá a jornada de trabalho previamente definida em dias e horas. Um bom exemplo ilustrativo poderia ser o trabalho num bar nos finais de semana, propício para quem precisa complementar renda ou mesmo para quem procura uma primeira oportunidade de trabalho e, é claro, para quem está literalmente desempregado.

Já o “contrato intermitente” permitirá ao contratante acionar o empregado conforme suas necessidades específicas em variados dias do mês. Poderia ser adequado, por exemplo, a uma empresa de eventos, que contrata seus atendentes e garçons em função dos contratos fechados, que variam ao longo da semana e do mês. Mas, na verdade, não sei se os tecnocratas consideraram em seus estudos que boa parte desse tipo de contratação é feita atualmente na informalidade.

Enquanto a sereia canta, embalada por 11,8 milhões de pessoas desocupadas segundo dados do IBGE, e muitos economistas projetam uma retomada das contratações lá pelo meio do ano que vem, muitas ainda serão as discussões e proposições no sentido de mostrar a viabilidade desses tipos de contratos. Mas tudo pode ser acompanhado pela voz de Paulinho da Viola na música Que trabalho é esse?, de autoria de Zorba Devagar e Micau.

Que trabalho é esse?
Fonte: Letras.mus.br

Que Trabalho é Esse?

Que trabalho é esse
Que mandaram me chamar
Se for pra carregar pedra
Não adianta, eu não vou lá

Quando chego no trabalho
O patrão vem com aquela história
Que o serviço não está rendendo
Eu peço minhas contas e vou-m'embora
Quando falo no aumento
Ele sempre diz que não é hora

Veja só meu companheiro
A vida de um trabalhador
Trabalhar por tão pouco dinheiro
Não é mole, não senhor
Pra viver dessa maneira
Eu prefiro ficar como estou

Todo dia tudo aumenta
Ninguém pode viver de ilusão
Assim eu não posso ficar, meu compadre
Esperando meu patrão
E a família lá casa sem arroz e sem feijão
Como é que fica!

É mestre(?) Madeira(???)
Só ficou faltando você
E aquele Adolfo
E aquele sapateado
E aquele sorriso, né?
Mas não tem nada, não...
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Você me abandonou

por Luis Borges 22 de agosto de 2016   Música na conjuntura

A campanha eleitoral oficial, com duração de 45 dias, está em andamento para os candidatos a prefeito e vereador das cidades brasileiras. Algumas mudanças nas regras do jogo – como a proibição do financiamento privado das campanhas dos candidatos e a redução do tempo de exposição das propostas aos eleitores – podem até nos dar a sensação de inovação. Mas em quem acreditar nessa altura da combalida democracia representativa, quando já prevalece em boa parte da população a anomia, a perda de identidade com o que aí está?

Tomando como referência a cidade de Belo Horizonte podemos tentar nos lembrar das eleições municipais de 2012 e avaliar os resultados – positivos e negativos – alcançados pelos eleitos para prefeito, vice-prefeito e vereadores.

Se olharmos só para os atuais 11 candidatos a prefeito veremos que cinco deles são deputados federais, dois são deputados estaduais e um é vice-prefeito e ex-deputado estadual . Além disso, uma deputada federal e um deputado estadual são candidatos a vice-prefeito. Vale a pena repetir a pergunta feita pelo repórter Eduardo Costa, da Rádio Itatiaia: o que cada candidato fez pela cidade de Belo Horizonte durante o exercício de seu mandato? Eu também gostaria de conhecer o diagnóstico e o prognóstico que fazem para a cidade, além de saber se eles já estudaram a Lei Orgânica do Município e se já estudaram a Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2017, primeiro ano do mandato de quem for eleito.

Como geralmente a maioria dos candidatos só aparece em tempos de eleição, de dois em dois ou de quatro em quatro anos, só falta agora alguém aparecer falando em fidelidade, em compromissos que raramente serão cumpridos mas sempre lembrados nessas ocasiões.

Por isso continua sempre atual e facilmente aplicável a música Você me abandonou, de autoria de Alberto Lonato, que você ouve abaixo na interpretação da Velha Guarda da Portela. Mudar o que precisa ser mudado depende só de nós.

Você me abandonou
Fonte: Letras.mus.br

Você me abandonou 
Ô ô eu não vou chorar
Mas hei de me vingar
Não vou te ferir
Eu não vou te envenenar
O castigo que eu vou te dar é o desprezo 
Eu te mato devagar
O desprezo é uma arma perigosa
É pior do que uma seta venenosa 
O desprezo para quem sabe sentir
Muitas vezes faz chorar
Outras vezes faz sorrir
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