por Sérgio Marchetti

Capítulo 1

De acordo com várias pesquisas nacionais e internacionais de fontes confiáveis, constata-se que um dos maiores medos da população mundial é o de falar em público. Os resultados apontam que ele supera até o medo de morrer. Relatos de pânico, lapsos de memória, taquicardia, sudorese, coceiras, pigarro e outras reações estranhas são frequentes e atingem pelo menos a 70% da população. Nos dias atuais, embora haja tanta tecnologia, o número de apresentações presenciais é crescente, ou seja, vamos ter que enfrentar nossos fantasmas e vencer o medo que temos deles.

Por ser professor de Comunicação Oral, muitas pessoas já me procuraram na esperança de eliminarem seus sofrimentos para falar em público. Pude ajudar a muitas delas. E, ao contrário do que todos pensam, meu público individual foi, sem exceção, de pessoas que possuem curso superior e ocupam altos cargos. Um deles me relatou que numa viagem aérea para realizar sua primeira grande palestra, durante uma turbulência chegou a torcer para que a aeronave caísse (ainda bem que ele não era o copiloto), assim morreria como palestrante. Concluí que ele seria tão palestrante quanto Tancredo Neves foi presidente.

Observo, mesmo sem querer, a postura e a voz de profissionais quando estão no palco. Grande quantidade não consegue disfarçar seu desconforto, pois a postura e o tom de voz os denunciam. Sabemos que o momento mais difícil é o do inicio, mais especificamente os primeiros três a cinco minutos. Portanto, administrar o começo é uma estratégia poderosa. Cumprimentar, agradecer e fazer a introdução de forma cadenciada são recursos que podem ajudar a qualquer orador. É providencial falar de assuntos que dominam, acreditam e gostam.

falar em público medo

O palco e o público influenciam nesse medo. / Foto: Marina Borges

Há anos publiquei um livro (com edição já esgotada), cujo título é Falar em Público e Comunicar… é só Começar. Quis, com meus escritos, ajudar a todos que sofrem desse mal. Eu já padeci dele e sei exatamente o que sente uma pessoa inibida quando anunciam seu nome e a chamam para o palco. Naquele momento o palco é o cadafalso. Alguns caminham sem cor e com o semblante de um condenado à morte. Provavelmente dormiram mal de tanta ansiedade e faltou melatonina – hormônio regulador do sono. Outros me confidenciam que seria menos penoso caminhar para a execução do que para falar em público. E não é exagero. Infelizmente o sofrimento é demasiadamente grande para um número expressivo de pessoas.

E de onde vem tanto pavor? Quais são os motivos? Afinal, o orador vai falar de alguma coisa que conhece. Há muita especulação sobre as causas que levam as pessoas a sofrerem tanto, quando estão diante de uma plateia. Os traumas de infância, pais severos e protetores, babás torturadoras, bullying e outros acontecimentos que tenham compelido o indivíduo, fatalmente contribuíram negativamente para gerar temor e, em muitos casos, pânico.

Algumas orientações para falar em público

Para minimizar os efeitos ansiogênicos devemos planejar com muito esmero tudo aquilo que vamos falar sobre um determinado tema, além de dominá-lo. O objetivo de sua apresentação deve estar muito claro. O que pretende? Vender um produto? Convencer o público a tomar alguma atitude?

Toda apresentação deve ter uma abertura, que é o momento de dizer a que veio. Fazer um trailer sobre o assunto vai ajudá-lo significativamente. Na segunda parte faça o desenvolvimento, que é o foco principal da palestra. O orador deve demonstrar sua tese, utilizando-se de referências, estatísticas, fatos, históricos etc. E, ao final, mobilize seu público. Proponha e sugira ações e reflexões. E, por favor, tenha dó. Nada de terminar com o maldito “é isso aí”…

Caríssimo leitor, como viu, há muitos outros detalhes que podem ajudá-lo a transformar o cadafalso em palco. Voltaremos ao tema em outras oportunidades, mas, por ora, cabe dizer-lhe que, de todas as técnicas, a mais importante é a de falar com o coração. Lembre-se disso e vença a inibição com a emoção. Boas falas.

Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui Licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br .

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Por Léo Heller

O direito humano à água e ao esgotamento sanitário foi explicitamente reconhecido por Resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas, de julho de 2010, e do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em setembro de 2010, com forte apoio do governo brasileiro. A Assembleia Geral reconheceu que se trata de “um direito humano essencial para o pleno desfrute da vida”, o que pode ser compreendido em articulação com outras definições sobre os direitos humanos, como a de que todos os direitos são universais, indivisíveis e interdependentes e estão relacionados entre si. Esse reconhecimento, a par de tornar os cidadãos dos vários países portadores desse direito e aptos a reivindicarem-no judicialmente, traz obrigações aos governos e gestores públicos.

O cumprimento do Direito Humano à Água (DHA) supõe assegurar água com disponibilidade, acessibilidade física, qualidade e segurança, financeiramente acessível e que cumpra com os requisitos de aceitabilidade, dignidade e privacidade. Semelhantes atributos aplicam-se ao direito ao esgotamento sanitário. 

No atual momento, em que o país vive uma dramática crise no abastecimento de água, afetando fortemente sua região mais populosa, urbanizada e industrializada, cabe analisar a situação a partir da lente do DHA.

Inicialmente, avaliando o atual desabastecimento, verifica-se que, caso os princípios do DHA tivessem sido observados pelos responsáveis pela prestação dos serviços, as oscilações climáticas que vivemos não teriam se convertido em escassez de água para consumo humano.

Entre os princípios do DHA, espera-se dos Estados-membros das Nações Unidas que empreguem o “máximo recurso disponível” para assegurar o acesso. Violações a esse direito são consideradas situações de retrocesso. Obviamente, caso o planejamento do abastecimento de água nas localidades afetadas tivesse se dado de forma adequada, levando em conta as variações climáticas, mesmo as mais extremas, o problema não estaria ocorrendo com a atual magnitude.

As tendências científicas mais contemporâneas indicam que os sistemas de abastecimento de água têm de ser planejados de forma estratégica, criativa, adaptativa e capaz de aprender com as mudanças da realidade. Quando incorporarmos esses princípios efetivamente no Brasil, nossas cidades ganharão resiliência para enfrentar situações de estresse hídrico.

Outro aspecto que merece um olhar a partir do DHA são as medidas adotadas ou planejadas para enfrentar a crise. Aí reside a maior preocupação atual, pois sabe-se que, em situações de restrição de consumo, são justamente as populações mais vulneráveis as que mais sofrem seus efeitos. Justamente essa população mais indefesa, com menos capacidade econômica, tem de lançar mão de alternativas ao desabastecimento. Isso porque ela é a mais impactada, inclusive quanto à saúde. Refiro-me não apenas ao segmento da população visivelmente mais pobre, a exemplo da que vive nas vilas e favelas, mas também aos moradores de rua, aos idosos, às crianças e à população carcerária.

O atual momento requer colocar os princípios do DHA no centro da atenção dos decisores públicos. A gestão da crise, por meio de medidas para a restrição de consumo, sejam elas quais forem – redução de pressão nas redes, instrumentos econômicos punitivos, campanhas contra o desperdício, rodízio e racionamento – não deve assumir que todos os usuários sofrerão impactos equivalentes. Ao contrário de medidas de caráter universal, essas devem ser tomadas focalizando afirmativamente as parcelas mais vulneráveis da população, que devem ser protegidas, a bem do cumprimento do DHA.

Além disso, outros princípios do DHA também devem ser evocados neste momento: a transparência e a participação. Medidas para restrição do consumo não se restringem a um processo técnico de tomada de decisão. É um processo que tem implicações sociais diretas nas populações das cidades. Portanto, o processo decisório não deve ser uma exclusividade de gestores públicos e de especialistas. Deve ser um processo democrático, que conte com a participação dos representantes dos afetados, seja nos próprios fóruns constituídos para gerir a situação de crise, seja envolvendo os conselhos de participação social já instituídos.

Léo Heller é pesquisador da Fiocruz-Minas, relator especial das Nações Unidas para o Direito Humano à Água Segura e ao Esgotamento Sanitário e membro da Plataforma Política Social.

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Dizem que o Levy falou

por Convidado 13 de abril de 2015   Convidado

por Benício Rocha

No calor da tarde de mais um dia brasileiro de março de 2015, em que nos distanciamos mais e mais das coisas importantes do e para o país, e nos aproximamos mais e mais de futilidades, o ministro explicou, a presidenta (forma esdruxulamente esquisita) entendeu, que não era nada do que a imprensa estava falando e muita gente pensando….

Enquanto isso, quem se preocupa com os problemas conjunturais sérios?

Vítimas de uma guerra virtual entre governo e oposição, não podemos acessar as redes sociais, pois seremos bombardeados por “um fato novo” que a imprensa ou algum jornalista ou celebridade intelectual, acabou de divulgar e, se sobrevivermos à primeira arremetida da “onda informativa”, atenção, eu disse informativa, e não especulativa, podemos nos tranquilizar, pois algum amigo não nos deixará desinformados.

O golpe de misericórdia virá de um amigo. Tu quoque, Brute, fili mi!?

Parciais, imparciais, reacionários, revolucionários, petralhas ou coxinhas, eu os tenho. E não para só nisso, outros mais existem, graças a Deus!

31 de março é um dia para esquecer, lembrar, ignorar, comemorar, resgatar, rasgar da história!

De Fernando em Fernando o Brasil vai se acabando, declamavam apaixonados pela Pátria, muitos dos que agora sonham com a volta de, pelo menos, parte deles.

O despojamento e a cachacinha politicamente corretos de outrora viraram coisas de cachaceiro bolivariano…

Nossos sonhos, papos, amizades, agressões e carinhos vão por essas sinuosas estradas dos pensares mineiros, mineiramente solidários, trajando camiseta branca escrita em vermelho liberdade, igualdade e fraternidade.

Com fala baixa, olhares desconfiados e desgovernados, meus amigos e eu trocamos impressões, confidências. Modernos inconfidentes mineiros…

As opiniões da turma são infinitas, convergentes e divergentes entre si, mas carecem de diálogo, e até quanto a isso, são ricas em controvérsias.

A todos escuto, e aceito. Abundans cautela non nocet, cautela em excesso não faz mal a ninguém, alguém me disse num dia bem distante.

E assim vamos levando esse ano que, mal iniciado, já conseguiu distribuir medo e apreensão em doses cavalares a todos…

Dizem que o Levy falou …

Benício Rocha é caratinguense ausente e saudoso, mineiro da gema, amante da boa prosa, sócio da MGerais Seguros, aprendiz de servo do Senhor.

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Literatura em tempos cinzentos

por Convidado 6 de abril de 2015   Convidado

por Sérgio Marchetti

Quando eu era criança adorava ouvir histórias e cheirar livros novos. Naqueles primeiros anos de escola, quando ainda era verde e cheio de esperanças, pensava que somente os velhos morriam. Minha alma viajava pelo céu azul do infinito, enquanto ouvia a narrativa mágica que, na voz da professora, brotava das páginas do livro As Mais Belas Histórias. Foi assim que iniciei minha vida de leitor.

Minha escola ficava ao lado da Igreja da Matriz de Nossa Senhora da Piedade, em Barbacena, onde os sinos dobravam e tocavam nossos corações. Eu perguntava por quem os sinos batiam? – “Eles dobram para anunciar a morte dos velhinhos.” – dizia minha professora.

Daquele dia para cá, recebi A visita cruel do tempo (título do Livro de Jennifer Egan), e o tempo passou assustadoramente rápido. Descobri novas verdades, inclusive que sou um simples mortal com menos dias para viver.

Mas voltemos aos livros. Durante minha peregrinação em busca de luz, encontrei e gostei de incontáveis obras nacionais e internacionais. Cito apenas algumas: Grande sertão: Veredas – Guimarães Rosa; Cem Anos de Solidão – Gabriel Garcia Marques; A Insustentável Leveza do Ser – Milan Kundera;  Por Quem os Sinos Dobram? – Ernest Hemingway. Títulos e conteúdos maravilhosos. Percebi, depois de ler o livro de Hemingway, que ele havia feito a mesma pergunta que eu: “Por quem os sinos dobram?”. A resposta não importa muito. Aliás, constato que não obstante as pessoas buscarem tantas respostas, as perguntas são muito mais importantes. Muitas vezes a busca é mais importante do que o encontro. Penso assim, mas não sei se estou certo. O que sei é que viajo com os autores na garupa de suas interrogações em busca da essência da vida.

Foto: Marina Borges

Foto: Marina Borges

O livro é um amigo fiel que me revela segredos e descobertas. Mas nem todos gostam da companhia de nosso irmão de papel. Livro é igual gente. Alguns são chatos mesmo. Outros são pornográficos, detalhistas, intelectuais… tem de todo tipo. Mas a função primeira do livro é a de transmitir conhecimento. Escrever é, por princípio, um ato de doação, legado que se deixa para outras gerações. Porém, toda regra tem exceção. E a permissividade travestida de movimento evolutivo trouxe compêndios contendo escritos de toda sorte. Proliferam nesses ambientes escuros, textos estranhos e vulgares, perversões que, por virem trajadas de literatura e revestidas em tons de cinza, agradam a leitores (e leitoras) que, na sociedade contemporânea, confundem liberdade com vulgaridade. O que é chulo é sem graça e sem classe. Acredito em literatura que gere reflexões e contribua para o crescimento humano e social.  O Brasil é um país onde o hábito da leitura é pouco incentivado. Os comerciais do governo preferem falar de suas “obras e ações sociais”.  Mas nem tudo está perdido, além do horizonte existe um arco-íris com mais de cinquenta tons coloridos. Lá, só para ilustrar, O Pequeno Príncipe continua sendo um dos livros de melhor vendagem. Que ótima notícia, caríssimos leitores. Ainda tenho a esperança de ver salvas muitas  pessoas antes que se desumanizem. Muitas delas, por defesa e descrença sobre o amor, pregam um ceticismo que ridiculariza paixões e vivem a razão como se não existisse a emoção. “Ledo autoengano” que os faz duvidarem do abstrato, do invisível. Agir somente com o cérebro reptiliano não é evoluir. É regredir. É voltar a ser macaco.

Por fim, aconselho aos hedonistas de plantão – cópias grosseiras de Aristipo – perdidos na escuridão dos tons de cinza – que prestem muita atenção às suas convicções, pois, ao contrário do que pensam, são as coisas abstratas como o amor, a paixão e a generosidade que concretizam as nossas existências.  E saibam que

…O essencial é invisível aos olhos. Os homens têm esquecido dessa verdade…”

Antoine de Saint-Exupéry

Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui Licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br .

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Bolsonaro de Tróia

por Convidado 31 de março de 2015   Convidado

por Igor Costoli

Nunca me preocupei muito com Jair Bolsonaro porque, para mim, sempre esteve muito clara sua semelhança com a Mulher Melancia. Não se engane, o deputado e a subcelebridade têm muito em comum.

Para começar a fazer sentido, falemos de Andressa Soares, que se apresenta como dançarina, cantora e modelo. Despontou em 2008 na esteira do funk “Dança do Créu” (felizes os que não sabem do que estou falando), ano em que estampou pelo menos três capas da Playboy. O nome artístico Melancia tem relação com suas medidas avantajadas (à época, 121 cm de quadril).

Andressa Soares. / Foto: Extraída do Facebook oficial

Andressa Soares. / Foto: Extraída do Facebook oficial.

Agora, leitor, acompanhe este raciocínio. Você certamente já abriu o jornal ou acessou portais de notícia e encontrou notícias irrelevantes sobre gente que mal sabe quem é. Mais do que isso, você provavelmente já se perguntou: que fazem essas pessoas? Por que são famosas?

Esse é o ponto interessante – a subcelebridade é uma pessoa famosa que vive do fato de ser famosa. Isso mesmo. Sua notoriedade não é uma consequência, é um fim em si mesmo.

Andressa Soares é modelo, canta e dança uma música que não interessa a você, nem à maioria das pessoas. Aliás, muitas das notícias sobre ela são deboches. Coisas banais como ir à academia e fazer compras, e manchetes risíveis como “Depois de Mulher Maçã, Melancia é a nova fã de ‘Esteve Jobs’”. Contudo, o personagem Mulher Melancia faz rodar uma engrenagem que vive do clique dado no link da matéria.

Não importa se as pessoas acessaram porque são fãs ou para ridicularizar Andressa. O ponto é que o clique do leitor interessa tanto a ela quanto ao portal. Não importa que milhões sejam indiferentes ou detestem o trabalho da Mulher Melancia. O ponto é que essa rejeição expõe Andressa, atraindo convites comerciais e ajudando a encontrar as pessoas que pagam pelos seus shows.

A alma do negócio

“Falem mal, mas falem de mim” é um mantra que sustenta essa mídia de forma direta, e que amplia público e valoriza cachês da Mulher Melancia indiretamente. Se funciona? De agosto de 2011 para cá, apenas o Ego (um dos maiores sites nacionais de celebridades) registra 302 conteúdos diferentes citando Mulher Melancia. Parece que todos saem ganhando, exceto a qualidade de conteúdo.

O que nos leva de volta a Bolsonaro. Sem recorrer à pesquisa na internet, creio ser improvável alguém dizer um projeto de sua autoria ou mesmo reconhecê-lo pela relevância de sua atuação legislativa.

Contudo, ele é bom em confusões e no uso inadequado da imunidade parlamentar. O princípio, criado para proteger deputados de perseguição por suas convicções políticas, é frequentemente usado pelo ex-militar para ofender outros deputados e defender ideias que já foram legalmente abandonadas em quase todas as democracias evoluídas.

Apesar de se apresentar como um representante dos militares, o capitão da reserva não conta com a simpatia do alto escalão do Exército. Foi preso nos anos 80 por liderar reivindicações por melhores salários, e terminou aposentado às pressas enquanto era investigado por ter elaborado um plano para explodir quartéis em protesto. Como deputado, quase perdeu seu mandato por discursar na Câmara pedindo o fuzilamento do então presidente Fernando Henrique Cardoso.

Isso faz dele ainda mais eficiente que a Mulher Melancia na estratégia de atenção negativa. Matérias com suas polêmicas atraem cliques de pessoas horrorizadas com a postura do deputado, e são compartilhadas na casa das dezenas de milhares com declarações de repúdio.

O ponto é que suas ideias encontram eco com ajuda dessa divulgação. Se a Mulher Melancia precisa dos cliques para receber convites para shows, Bolsonaro precisa dos cliques para receber eleitores. Ambos são semelhantes porque são notórios apenas pela própria notoriedade.

A música que Andressa Soares faz não tem alcance nacional, nem tende a representar algo para a história do país. Do mesmo modo, as conexões de Bolsonaro com o primeiro escalão político são fracas. Sua popularidade não vale o risco da rejeição que atrai. O motivo pelo qual não é punido por suas declarações provavelmente é o mesmo porque muitas pessoas sequer sabem que ele já apresentou na Câmara um pedido de impeachment da presidente Dilma: porque ele não é levado a sério.

Jair Bolsonaro / Foto: Retirada do Facebook oficial

Jair Bolsonaro / Foto: Retirada do Facebook oficial

Cavalo de Tróia

E assim eu segui, por muito tempo, sem dar atenção ao que o deputado diz ou faz, também para não aumentar sua força acidentalmente. Minha opinião mudou com a divulgação da lista de Janot.

O “destaque” no rol de investigados na Operação Lava Jato é o Partido Progressista. Descendente direto da Arena, que dava sustentação política ao governo militar no país após 1964, o PP encabeça mais da metade da lista. Na delação premiada, o doleiro Alberto Youssef chegou a dizer que havia uma “tabela de preços” de propina e que os membros do partido brigavam por ela.

Mas a grande curiosidade foi levantada pelo portal Vice: dos 18 deputados federais do PP investigados na Lava Jato, apenas Eduardo da Fonte se elegeu sozinho, ou seja, com os próprios votos. Os outros 17 integrantes se beneficiaram de votos excedentes da legenda, que tem seu maior expoente em … Jair Bolsonaro.

Deputado federal mais votado no Rio, Bolsonaro recebeu 464 mil votos, quatro vezes mais que o necessário para garantir uma vaga. O sistema político atual faz com que os votos sejam contados também de forma coletiva, o tal coeficiente eleitoral, distribuindo votos excedentes dentro das coligações. É por isso que todo partido abraça sem qualquer vergonha os chamados “candidatos bizarros”, pelo seu potencial imprevisível para atrair multidões.

Por isso, pela primeira vez percebi a postura de Bolsonaro não apenas como uma estratégia de sobrevivência pessoal. Bolsonaro é uma peça fundamental para que 17 investigados por corrupção na Petrobras tenham hoje uma cadeira na Câmara e foro privilegiado.

Estamos falando de políticos com cada vez menos eleitores a quem deveriam prestar contas diretamente, a quem deveriam respeitar. Será que a população está sendo bem representada quando os vitoriosos são candidatos sem maioria simples de votos?

Pois assim eles seguem, conquistando mandatos em Brasília e em todo o país na carona de homens como Tiririca e Bolsonaro. Dois candidatos que, enfim, passo a considerar problemáticos: porque possuem a capacidade de eleger não sabemos quem.

Igor Costoli é jornalista e radialista de formação e atleticano de coração. É produtor e apresentador do Programa Invasões Bárbaras, na Rádio UFMG Educativa.

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Os olhos falam pelo coração

por Convidado 23 de março de 2015   Convidado

por Benício Rocha

É certo que as pessoas não trazem placa de identificação na testa, mas seus olhos falam muito. Há intensidade de brilho para denunciar felicidade. Há um jeito opaco na tristeza.

Uma aliança de noivado dada num contexto de surpresa fez uma amiga explodir em brilho e cores e seus olhos falavam comigo claramente

O amor nunca esteve

Tão na moda!

Com tanta gente

Independente,

Ninguém é indiferente

A essa onda invisível

Que basta passar perto

Pra encher o corpo de arrepios…

E com jeito cúmplice, mas comedido, eu concordava, alertando para a necessidade de viver o amor com todos os seus riscos, sabendo que ele não pode acabar. Talvez mudar de forma, mas nunca, nunca acabar.

Lembrei a eles o ritmo da vida moderna e a necessidade de cultivar o amor no dia a dia, com a paciência de um monge, ou ele poderia não florescer em sua intensidade maior, e ouvi:

Apesar de não ter

Tempo pra nada

Paro o mundo

Mato ou morro,

Por meu namorado!

Tá certo, mas a vida terá que sofrer atalhos para que esse brilho seja constante e renovado pelos anos vindouros. Renúncias, perdões, construções, reconstruções, restaurações, carícias, atenção, beijos, abraços. Não dá pra esticar mágoa, remorso, dores de cabeça. Mas com inteligência, determinação e amor, constrói-se um amor que vai muito além desse brilho, e que desconhece a palavra retrocesso. Esse chega ao Criador. Vocês estão dispostos, olhos?

Para isso, giro o mundo

Faço meu caminho,

Encurto distâncias,

Dou e ganho carinhos,

Agarro esse amor!

Não tive dúvida. Aqueles olhos falavam pelo coração, que estava mudo de tanto amor…

Benício Rocha é caratinguense ausente e saudoso, mineiro da gema, amante da boa prosa, sócio da MGerais Seguros, aprendiz de servo do Senhor.

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A revolução dos bichos

por Convidado 9 de março de 2015   Convidado

por Sérgio Marchetti

Hoje, após ouvir o noticiário matinal, senti uma enorme revolta e uma tristeza imensa com os rumos de nosso maltratado Brasil. Falaram, os jornalistas, de assassinatos, corrupção, impunidade… Reflitam: nesse momento os governantes nos devem satisfação sobre suas falcatruas e omissões, sobre o quadro vergonhoso e lastimável pintado com as tintas da desonestidade, do descaramento, da advocacia somente em causa própria… Até perdi o fôlego, desculpem-me. Mas diante de tanto absurdo, esses devedores, com ficha imunda, nos impõem aumentos de taxas e de impostos, para pagar os seus próprios desvios. Tudo aqui no Brasil é inusitado – mandam nele um ex-presidente, uma presidente e trinta e nove ministros. Estão lá porque nós pagamos com suor e, literalmente, com muito sangue, o salário e todos os auxílios que se dispuseram a ter direito.

Não por acaso, lembrei-me, agora, de um filme – Gladiador. Nele o que move e dá força aos escravizados é o orgulho e a honra. Mas aqui, no gigante adormecido em berço esplêndido, pelos fatos, quem governa tem força, porém, lhes falta honra. Mas nós, os explorados, devemos continuar sendo honrados. Não podemos permitir que nos roubem também a dignidade.

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Capa de uma das edições do livro “A Revolução dos Bichos” / Fonte da imagem – Sagas Brasil 

Falei de filme e, agora, bateu-me à porta da mente a lembrança de um livro, A Revolução dos Bichos, de George Orwell. Faz tempo que o li, mas queria o autor, em sua essência, demonstrar a decepção com a Revolução Soviética e, até mesmo, com o socialismo que ele próprio defendia. Há, naqueles escritos, uma filosofia que gostaria de compartilhar com os leitores. Passados tantos anos que fiz a leitura, ficou-me o registro de que a história se passa na zona rural e, como em muitas fazendas, os proprietários possuíam vacas, cavalos, galinhas, ovelhas e outros animais domésticos. Um dia aqueles animais se reuniram e, comandados por um porco, chegaram à conclusão de que estavam sendo explorados pelos seus donos. As galinhas achavam um absurdo doarem seus ovos e ainda serem abatidas para alimentar os moradores da fazenda. O cavalo e o burro, da mesma forma, se sentiam escravizados num serviço pesado. As ovelhas doavam o leite e a lã. As vacas… talvez tossissem. O que tenho certeza é que o lucro era apenas dos donos da fazenda. “A colheita é comum, mas o capinar é sozinho” (Guimarães Rosa). Uns trabalhavam e outros ganhavam. Surgiu então a ideia da mudança. Os animais tomaram a fazenda.

Logo no início do novo regime, o porco líder, muito falante e, parecendo ser verdadeiro, prometeu o fim dos abusos e da exploração dos animais trabalhadores. Dizia que haveria justiça e vida nova para todos. Mas não houve nada disso. O porco ficou deslumbrado com o poder e não cumpriu as promessas, sendo incoerente com tudo que pregou. Foi corrompido. Rodeou-se de outros animais, concedendo-lhes vantagens nada honestas e, para decepção de tantos seguidores, seus gastos, abusos e desvios foram infinitamente superiores aos de seus antigos donos.

Compreendo perfeitamente a decepção de Orwell. E acredito que muitos leitores compreendam-no também.

Bem, depois destas reflexões, preciso recuperar as boas energias. E, para não ter que sofrer assistindo a outro noticiário, vou me distrair com um filme bem antigo e leve… Ali Babá e os Quarenta Ladrões.

Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui Licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br .

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De panetone, Carnaval e gado

por Convidado 18 de fevereiro de 2015   Convidado

por Benício Rocha

O gostinho de panetone ainda está na minha boca e já me sinto atordoado pelo bombardeio de informações do Carnaval, que chegou em canções, coreografias, corpos sarados, passos ritmados e acelerados.

Considerando a dura realidade do paga-paga que o início de ano sempre traz, chego a pensar que paira no ar o gosto pela fantasia que sufoca a realidade.

E nela cabem não somente os sonhos de um mundo ideal, próprios do Natal, mas também o ainda mais maravilhoso do “tudo permitido, sem consequências” do Carnaval, tão bem mostrado por Chico Buarque em “Noite dos Mascarados” e por Zé Keti em “Máscara Negra”.

Nesse momento de fraternidade alegórica não conseguimos fixar os olhos na realidade ao redor sem correr o risco de sermos vistos como pessimistas ou até apocalípticos. Mas o mar está pra peixe?

Então, quem alimenta em nós tanta fantasia e desejo consciente ou inconsciente de vivermos alheios ao duro mundo real de forma repetida a cada ano? Ou a cada dia?

O sistema? A mídia? Nós mesmos?

Não seria melhor metermos a mão na massa e transformarmos esta terra brasilis num delicioso panetone, repleto de educação, saúde, blá, blá?

Precisamos ficar atentos aos que administram a coisa pública para que não governem nossos sonhos. Mesmo porque, como já disse Paulinho da Viola:

Flutua no ar o desprezo
Desconsiderando a razão
Que o homem não sabe se vai encontrar
Um jeito de dar um jeito na situação

Então, o tempo está passando rápido ou estão jogando a vida para algum momento futuro próximo, que vem e vai, mas que tira nosso foco das coisas verdadeiramente essenciais?

Êta vida de gado!

Vale a pena ficarmos de olho…

*Benício Rocha é caratinguense ausente e saudoso, mineiro da gema, amante da boa prosa, sócio da MGerais Seguros, aprendiz de servo do Senhor.

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por Sérgio Marchetti

E o Carnaval chegou. Carnaval é comédia, espontaneidade. E o ridículo, no Carnaval, é quem não está ridículo. Vale o deboche, as caricaturas que mostram verdades. Figura e fundo, sombras e luzes – tudo se mistura e tem valor na decoração carnavalesca. Adoro o Carnaval. Adorava, melhor dizendo. Já participei intensamente, apaixonadamente de bailes, de blocos e até de escola de samba. Gostava dos sambas e das marchinhas. Cantava todos de cor e salteado. Com esta frase dá para saber que faz tempo. Queria ter vivido na época dos corsos, pois representam a origem da festa carnavalesca.

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Foto: Marina Borges

Eu amava os salões cheios de gente bonita e cheirosa. Sempre achei que o Carnaval era a festa mais democrática que existia. Todos podiam ser felizes e sair pelas ruas, sozinhos ou em bando. Hoje, Carnaval é outra festa. O luxo das fantasias deu lugar à nudez. Era mais inocente. A brincadeira se transformou, e os “ficantes” vão para as ruas para exercer o hedonismo sexual. É uma licença frenética. Não tem nada de poética. “…Mas é carnaval! Não me diga mais quem é você! Amanhã tudo volta ao normal…” e é assim mesmo. “Quero me perder de mão em mão, quero ser ninguém na multidão.” O que era refrão virou atitude. Mas cada um sabe de si. Então vamos cantar, pois quem canta seus males espanta, mesmo que os presságios para 2015 não sejam os melhores; sem contar com a falta d’água. Ainda bem que cachaça não é água… “Pode me faltar tudo na vida… só não quero é que me falte a danada da cachaça.” E “…pra frente é que se anda…

Vamos viver uma coisa de cada vez. O povo brasileiro está mais triste. Mas apesar de tantos pesares, ou “apesar de você, amanhã há de ser outro dia…” Dia de alegria, afinal “o importante é ser fevereiro e ter Carnaval pra gente sambar”. Esquecer as mágoas, vestir fantasias e tirar a máscara gasta e surrada que usamos o ano inteiro. É isso mesmo. Muita gente tira a máscara somente no Carnaval. Então vamos entrar no primeiro bloco que surgir. “Ô abre alas que eu quero passar. Eu sou da Lira não posso negar…” “… e este ano não vai ser igual àquele que passou. Eu não brinquei. Você também não brincou…”. O Carnaval era brincadeira, liberdade para se apaixonar. Era início de uma paixão e fim de namoro. Mas depois tudo voltava ao normal. Havia o perdão. Mas, pudera, nos salões havia mulheres lindas que encenavam peças com “o Pierrot apaixonado que vivia só cantando e que por causa de uma colombina, acabou chorando…”. As bandinhas tocando marchinhas provocativas. Era o paraíso na terra: “tanto riso, ó quanta alegria, mais de mil palhaços no salão. E o arlequim está chorando pelo amor da colombina no meio da multidão”. E vinham o estribilho e a felicidade dos foliões: “vou beijar-te agora, não me leve a mal, hoje é Carnaval.” Arrepiante! E alguém que flertava em busca de um namoro, tirava a sorte cantando: “eu perguntei a um mal-me-quer, se meu bem ainda me quer. Ela então me respondeu que não. Chorei, mas depois eu me lembrei que a flor também é uma mulher. Que nunca teve coração…”.

Assim era a festa do povo, três dias de total libertação. Baile a noite inteira. “São três dias de folia e brincadeira. Você pra lá e eu pra cá, até quarta-feira”.  E depois o mundo tornava a começar. “Mas quarta-feira tem um ano inteiro é todo assim, por isso quando eu passar batam palmas pra mim…”. E faltar água não é nenhuma novidade. Mas o povo pedia: “tomara que chova três dias sem parar”. O brasileiro sempre foi assim. Riu e ri da própria desgraça. Mas com “chuva, suor e cerveja” resolve seus males.

Alegorias, adereços, harmonia…  Tudo era, literalmente, fantasia e, se surgia uma bela mascarada, havia repertório para abordá-la: “linda pastora, morena da cor de Madalena. Tu não tens pena de mim que vivo tonto com o seu olhar…”, “…Morena que me faz penar a lua cheia que tanto brilha, não brilha tanto quanto o seu olhar”. E a lourinha? “Lourinha dos olhos claros de cristal, desta vez em vez da moreninha serás a rainha do meu carnaval”. Mas estamos no Brasil e “a mulata é a tal… e só dá ela, eie, eie eie, eie eie, eie, na passarela…” .Salve! Braguinha!

Fora dos clubes havia os blocos organizados, e “lá vai meu bloco vai, só desse jeito é que ela sai…”, “…e o sereno vem caindo. Cai, cai sereno devagar, que o meu amor está dormindo...”. E tudo podia naqueles dias. Ainda pode. “Olha o bloco do sujo que não tem fantasia, mas que traz alegria para o povo sambar…”.

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Bloco de rua em BH no carnaval de 2014. / Foto: Marina Borges

E aí, meu caro leitor, sentiu saudades dos antigos Carnavais? Nada de tristeza! “Tristeza, por favor vá embora.. .”, “…Vê, estão voltando as flores. Vê, nessa manhã tão linda. Vê, como é bonita a vida. Vê, há esperança ainda”. Então, o que está esperando? Ponha seu bloco na rua, “bote para quebrar e gemer”. Dê uma chance para sua endorfina.  Ah! Você quer paz? Então usufrua da energia dos dias de folia da maneira que lhe convier.  “Na rua, na chuva, na fazenda, ou numa casinha de sapê…”.

Deixo, como reflexão para os foliões, uma homenagem ao maravilhoso samba enredo da Beija Flor de Nilópolis, em 2003. “Chega de ganhar tão pouco /tô no sufoco: vou desabafar/ pare com essa ganância, pois a tolerância /pode se acabar…”.

Assim seja!

Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui Licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br 

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A vida grita por socorro

por Convidado 26 de janeiro de 2015   Convidado

por Benício Rocha

Se alguém disser que arapuca na esquina diminui a violência, não discuta, pegue barbante, caixa de sapato e, improvisado, corra pra lá!

A vida grita por socorro!

Quase todos os dias lemos ou ouvimos notícias de abusos contra crianças e idosos, de roubos, de assaltos, de assassinatos. E vemos um motoqueiro estendido no chão.

Quase nos acostumamos com a normalidade dessa aberração.

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública tornou público seu Anuário informando que, em 2013, o número de assassinados no Brasil chegou a 53.646 mortes! Só em Minas, 4.458!

O trânsito nacional fez sua parte ao matar mais de 60 mil pessoas, por ano, e deixar 600 mil inválidos!

Resumindo, a violência mata mais de 110 mil brasileiros por ano!

E só 3% dos homicídios acabam com a condenação do assassino, liberto em pouco tempo.

No dia 10.11.14 o jornal “O Estado de São Paulo” contou que 81% dos brasileiros concordam que é fácil desobedecer a lei. E que 57% de nós temos poucos motivos para obedecer a tal de lei.

Num quadro assim, vemos como razoável a informação de que apenas 32% da população acredita no Judiciário, que é o Poder da República mais bem avaliado, seguido pelo Executivo com 31% e o Legislativo com 17%…

E as datas pretéritas das informações não desatualizam a realidade. Infelizmente.

Como o exemplo que vem de cima é péssimo, a realidade embaixo é horripilante!!!

Sonho com o dia em que o cidadão buscará a mudança dessa realidade. E, para isso, acredito na eficácia da Polícia Comunitária e na necessidade de surgimento, motivação, manutenção e crescimento da Rede de Vizinhos (Condomínios, Empresas…) Protegidos.

Somente o envolvimento direto do cidadão mudará nossa realidade nacional.

O mal constrói arapucas contra nós. Mas nossa união pode destruí-las!

Benício Rocha é caratinguense, mineiro da gema, amante da boa prosa, sócio da MGerais Seguros e aprendiz de servo do Senhor.

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