Explode coração

por Convidado 5 de março de 2026   Convidado

* por Sérgio Marchetti

Dia desses, um cliente da mentoria me confidenciou que estava depressivo e que talvez seu atual estado o impedisse de acreditar na solução de tantos problemas que assolam o Brasil.

Fiquei preocupado com sua desesperança, mas disse a ele que a crise de caráter e a corrupção afetam as mentes das pessoas de bem.

Horas depois, refletindo melhor, já solitário em meu canto, me lembrei do conto de Machado de Assis: “O Alienista”. Lá, naquelas ricas páginas, um médico psiquiatra, depois de internar toda a população do lugar, concluiu que o louco era ele; por ser o único que não tinha hábitos e costumes estranhos.

O conto Machadiano me faz pensar que os honestos, aqui nesta terra de Cabral, correm o risco de serem considerados “idiotas” e merecerem o cárcere.

Mas, voltando a mim, recolhendo-me à minha insignificância, consigo entender o que aconteceu com meu cliente e, de sobra, compreendi o que acontece com as pessoas neste momento do mundo, ou melhor me situando, do Brasil.

Não somos loucos. Apenas não conseguimos conviver com o “absurdo” e, considerando a impotência para conter tanta audácia, acabamos adoecendo.

Contextualizando, em 2025 tivemos um aumento expressivo de afastamentos por saúde mental. Foram mais de 546 mil. Nosso país lidera o ranking na América Latina em casos de ansiedade e depressão. Os afastamentos por síndrome de burnout cresceram exponencialmente, atingindo quase 500% entre 2021 e 2024.

imagem ilustrativa gerada com auxílio de inteligência artificial

O Brasil está em coma por falência de órgãos. A população está doente, as mentes confusas, os pensamentos perdidos e a vergonha reprimida por compactuar com tanta ilegalidade. A ética morreu atropelada. A verdade foi suprimida de nosso dicionário. O rei está nu. Mas toda nudez será perdoada.

Não somos cidadãos. Somos vítimas de escolhas equivocadas.

É preciso aceitar os erros. Afinal, errar é humano. Mas é necessário ter humildade e coragem para corrigi-los.

O que é pior, nesse vergonhoso e lamentável contexto, é o fato de sabermos de onde vem tanto desvio de conduta (para usar um eufemismo).

A esperança, mesmo sendo a última que morre, agoniza em berço esplêndido.

Rui Barbosa, com sua cabeça grande de gênio, não conheceu a verdadeira face da “desonestidade lícita” e da justiça sem a venda nos olhos. Teria, hoje, ainda mais vergonha de ser honesto.

Prevalece, no aqui e agora, um estado de estagnação coletiva. Nenhum pensador, de qualquer tempo, compreenderia, filosoficamente, os caminhos tortuosos que homens ditos “inteligentes” escolheram.

Há um requinte de crueldade no ar.

David Hume, Auguste Comte e Schopenhauer, para citar alguns filósofos, defendiam respectivamente a virtude moral, o altruísmo, a moralidade e, o último, a compaixão.

Infelizmente, nada do que vemos no mundo real reflete a ideia de humanização pregada por eles.

Esse cenário incerto e insidioso se repete nas organizações, nas quais os dirigentes – muitos de caráter duvidoso – usam “parceiros” de boa fé para os trabalhos mais difíceis, abusando de sua prestatividade e gratuidade. Porém, quando surgem as melhores oportunidades, os escolhidos, em detrimento dos “parceiros”, são pessoas que têm alguma influência ou podem gerar status aos pobres de espírito que, do alto de suas vaidades e de um hedonismo corrompido, imaginam-se semideuses.

Creio que muitos de vocês, dedicados leitores, já tiveram o desgosto de passar por isso. A verdade é que “muitos são chamados, mas poucos são escolhidos”. (Mateus 22:14).

Essa é a realidade desse teatro mesquinho, sustentado por um jogo de interesses; situação na qual não cabem confiança, gratidão e lealdade.

O sistema cheira mal e gera asco.

(”Chega de tentar dissimular e disfarçar e esconder/ o que não dá mais pra ocultar/e eu não posso mais calar(…)”).

E, mesmo com toda a positividade que procuro exercitar, constato, com tristeza, que há algo de muito podre no reino da Dinamarca. Da Dinamarca?

*Sérgio Marchetti é consultor organizacional, palestrante e Educador. International Certification ISOR em Holomentoring, Coaching & Advice (coaching pessoal, carreira, oratória e mentoria). Atuou como Professor de pós-graduação e MBA em instituições como Fundação Getúlio Vargas, Fundação Dom Cabral, Rehagro e Fatec Comércio, entre outras. É pós-graduado em Administração de Recursos Humanos e em Educação Tecnológica. Trinta anos de experiência em trabalhos realizados no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br

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Como sobreviver às mudanças?

por Convidado 13 de fevereiro de 2026   Convidado

*por Sérgio Marchetti1

Quando vejo a crueldade humana ultrapassando todos os limites — feminicídio, latrocínio, estupro — e o poder corrompendo pessoas, tornando-as más e desonestas, confesso que a descrença, às vezes, se impõe.

Nas organizações, o cenário também preocupa: assédio moral, relações agressivas e recordes de afastamentos por adoecimento mental. Esses fatos me desafiam profundamente, especialmente por atuar na Formação de Líderes.

Ainda assim, ao acompanhar estudos sobre liderança contemporânea, governança, gestão de pessoas, novos perfis de líderes e métodos de trabalho, percebo que há esperança. Mais do que isso: sigo alinhado às tendências mais atuais, pois tenho buscado desenvolver conteúdos voltados a uma gestão humanizada, com profissionais valorizados, motivados e genuinamente engajados.

A tecnologia transformou o mundo, a globalização encurtou distâncias e as pessoas passaram a viver de outras formas. Mesmo assim, muitos conceitos essenciais permanecem e seguem sendo alicerces sólidos.

No fim dos anos 1980 e início dos anos 1990, Peter Senge já nos falava da “Organização que Aprende”, sustentada por cinco disciplinas que continuam absolutamente atuais: Domínio Pessoal, Modelos Mentais, Visão Compartilhada, Aprendizagem em Grupo e Pensamento Sistêmico.

E não para por aí. Hersey e Blanchard, James Hunter, Dave Ulrich, Daniel Goleman, entre tantos outros, deixaram contribuições fundamentais. Modelos de liderança do passado seguem sendo a base da eficácia do líder exponencial de hoje.

A roda já foi inventada — e aprimorada inúmeras vezes. Girava nas carroças; hoje, sustenta aeronaves.

A liderança contemporânea, salvo raras exceções, desenvolve e capacita pessoas para que adquiram habilidades e conhecimentos capazes de gerar impacto real na vida pessoal e profissional. Assim, cria-se um ciclo virtuoso, contínuo, de aprendizado e resultados inovadores.

Ambientes assim despertam orgulho, reconhecimento e pertencimento. Tornam-se espaços saudáveis, com energia positiva, leveza nas relações e promoção genuína de bem-estar e felicidade.

E deixo aqui um recado aos líderes que me leem: a maior competência profissional — e também pessoal — é a capacidade de adaptação contínua.

O curso de Formação de Líderes e Gerentes começa no dia 3 de março.

Você está convidado.

Entre em contato.

Sérgio Marchetti

1. Sérgio Marchetti é consultor organizacional, palestrante e Educador. International Certification ISOR em Holomentoring, Coaching & Advice (coaching pessoal, carreira, oratória e mentoria). Atuou como Professor de pós-graduação e MBA em instituições como Fundação Getúlio Vargas, Fundação Dom Cabral, Rehagro e Fatec Comércio, entre outras. É pós-graduado em Administração de Recursos Humanos e em Educação Tecnológica. Trinta anos de experiência em trabalhos realizados no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br

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2026: O ano que pede lucidez!

por Convidado 18 de janeiro de 2026   Convidado

* por Sérgio Marchetti

O ano que se abre diante de nós no Brasil será, sem dúvida, desafiador. Um período marcado por eleições, disputas de narrativas, paixões exaltadas e por uma Copa do Mundo que, ao mesmo tempo em que une, também pode servir como distração. Não é um ano comum. É um tempo que pede lucidez.

Em contextos assim, somos constantemente convidados a escolher — e, muitas vezes, a fazê-lo no impulso, no medo ou na raiva. Mas decisões que moldam o futuro de um país não podem nascer apenas da emoção do momento. Elas exigem reflexão, responsabilidade e compromisso com o bem coletivo.

Votar não é um gesto automático nem um ato isolado. É um posicionamento ético. É assumir que nossas decisões têm consequências que ultrapassam preferências pessoais, ideologias prontas ou discursos sedutores. Escolher candidatos é indicar caminhos para a educação, a saúde, a economia e a convivência social. É decidir que tipo de país estamos ajudando a construir — não apenas para nós, mas para as próximas gerações.

A Copa do Mundo traz alegria, pertencimento e esperança. Que ela nos lembre da força da coletividade, do trabalho em equipe, do respeito às diferenças e da importância de um projeto comum. Mas que não nos faça esquecer que o futuro do Brasil não se decide em noventa minutos, e sim nas escolhas conscientes feitas ao longo do ano.

Este é um tempo de mais escuta e menos ruído. De mais perguntas e menos certezas absolutas. De sair do automático e assumir, com maturidade, o nosso papel como cidadãos.

O Brasil que desejamos não nasce apenas dos candidatos que elegemos, mas do nível de consciência com que os escolhemos. Que este seja um ano em que a responsabilidade fale mais alto do que a polarização, e a consciência pese mais do que a distração.

*Sérgio Marchetti é consultor organizacional, palestrante e Educador. International Certification ISOR em Holomentoring, Coaching & Advice (coaching pessoal, carreira, oratória e mentoria). Atuou como Professor de pós-graduação e MBA em instituições como Fundação Getúlio Vargas, Fundação Dom Cabral, Rehagro e Fatec Comércio, entre outras. É pós-graduado em Administração de Recursos Humanos e em Educação Tecnológica. Trinta anos de experiência em trabalhos realizados no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br

Sérgio Marchetti

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Liderar é também cuidar

por Convidado 26 de outubro de 2025   Convidado

A força da palavra em tempos de fragilidade emocional

* Por Sérgio Marchetti

Vivemos um tempo em que a mente e o coração pedem pausa. O cansaço não é mais apenas físico — ele mora nas emoções, nas pressões invisíveis e nas exigências silenciosas do dia a dia. É nesse cenário que a liderança revela seu verdadeiro valor: não apenas conduzir equipes, mas cuidar de pessoas.

Mais do que falar, um líder precisa saber ouvir. É na escuta atenta que nascem as conexões sinceras e as respostas que o outro talvez nem soubesse procurar. A boa comunicação é feita de pausas, de empatia, de presença. É quando o líder entende que, por trás de cada meta, existe um ser humano tentando equilibrar vida, medo e esperança.

Liderar, em tempos de adoecimento emocional, é usar a palavra como ponte — nunca como muro. É transformar a fala em abrigo, o gesto em amparo e o silêncio em respeito. A comunicação verdadeira é aquela que não teme o sentir, que acolhe as vulnerabilidades e transforma o ambiente de trabalho em um espaço mais leve e humano.

Por isso, meu atento leitor, quando a liderança escolhe a escuta, a clareza e a compaixão, o trabalho deixa de ser apenas um lugar de entrega e se torna um lugar de pertencimento. Porque, no fim, liderar é lembrar que o essencial não está nos resultados, mas nas relações que construímos enquanto seguimos juntos — aprendendo, sentindo e recomeçando.

 

*Sérgio Marchetti é consultor organizacional, palestrante e Educador. International Certification ISOR em Holomentoring, Coaching & Advice (coaching pessoal, carreira, oratória e mentoria). Atuou como Professor de pós-graduação e MBA em instituições como Fundação Getúlio Vargas, Fundação Dom Cabral, Rehagro e Fatec Comércio, entre outras. É pós-graduado em Administração de Recursos Humanos e em Educação Tecnológica. Trinta anos de experiência em trabalhos realizados no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br

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Sorria, você está sendo amparado

por Convidado 6 de outubro de 2025   Convidado

* Por Sérgio Marchetti

Não sei se vocês sabem, caros leitores (acho que não), que sou membro/consultor do Instituto Movimento pela Felicidade e Bem-Estar. A essência do nosso trabalho é cuidar do bem-estar e da felicidade dos seres humanos (programas como: cidades felizes, organizações felizes, pessoas felizes), estejam eles nas empresas ou em suas casas. E creiam, tudo com base em estudos e comprovações científicas.

Mas não é novidade dizer que doenças psicossomáticas são o mal do século.

Em 2024, no Brasil, houve um número recorde de quase meio milhão de afastamentos, com um aumento de 68% em relação ao ano anterior. Os afastamentos por transtornos de ansiedade e episódios depressivos foram os que mais cresceram em uma década, com um aumento de mais de 400% para o fator ansiedade.

Globalmente mais de 300 milhões de pessoas sofrem com depressão, mais de 260 milhões vivem transtornos de ansiedade e muitos outros milhões sofrem com os dois. O Brasil tem a maior incidência de depressão da América Latina. Entre 2022 e 2024, os afastamentos do trabalho por saúde mental aumentaram em 134%.

O mesmo relatório aponta que pessoas com condições severas de saúde mental morrem em média de 10 a 20 anos mais cedo do que a população em geral, principalmente devido a doenças físicas evitáveis.

Diante desse quadro preocupante, em maio de 2026, entrarão em vigor novas exigências legais da norma regulamentadora Nº1 (NR-1) pelo Ministério do Trabalho e Emprego que tornou a saúde mental uma responsabilidade legal das empresas. O não cumprimento acarretará pesadas multas a quaisquer organizações que não proporcionarem um ambiente saudável a seus servidores. E o que tem a ver a felicidade com doenças psicossomáticas? Talvez a falta da felicidade, sim, tenha ligação direta com tantas doenças mentais.

Não temos uma fórmula mágica para gerar felicidade, mas indicamos caminhos seguros para a obtenção de um estado de espírito mais leve, independentemente dos obstáculos e dos eventuais percalços da vida.

Enfim, estamos trabalhando (palestras, mentorias, consultorias) para proteger organizações de variados prejuízos e ajudando pessoas a se libertarem dos fantasmas que assombram suas vidas.

Sabemos que não estamos livres das adversidades, mas “o problema ocorrido na manhã de um dia não deve prevalecer até a noite, pois nos impedirá de ver o brilho das estrelas”. Então, “levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”.

Venha ser feliz conosco!

*Sérgio Marchetti é consultor organizacional, palestrante e Educador. International Certification ISOR em Holomentoring, Coaching & Advice (coaching pessoal, carreira, oratória e mentoria). Atuou como Professor de pós-graduação e MBA em instituições como Fundação Getúlio Vargas, Fundação Dom Cabral, Rehagro e Fatec Comércio, entre outras. É pós-graduado em Administração de Recursos Humanos e em Educação Tecnológica. Trinta anos de experiência em trabalhos realizados no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br

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O resgate do capital humano

por Convidado 1 de setembro de 2025   Convidado

* Por Sérgio Marchetti

Estamos vivendo o momento das maiores e mais rápidas mudanças de que se tem registro em toda a história do universo. Estamos no meio de uma grande tempestade, e quando vier a bonança muita coisa estará definitiva e irremediavelmente transformada. Mas a tempestade intitulada de mudança não cessará. Viveremos uma duradoura metamorfose que ninguém sabe aonde irá nos levar, nem como seremos depois do dia “D”. As ondas, depois da revolução tecnológica, se multiplicaram de tamanho e além de dimensões gigantescas – verdadeiros Tsunamis – possuem também uma rapidez jamais vista pelos humanos. Os valores, as condutas, os credos, os dogmas – tudo mudou.

O relacionamento também tende a mudar ainda mais. Os homens creem no dinheiro como a única razão para viverem. Todavia, não percebem que estamos vivendo o estresse mais agudo de toda a história. E como entender? Eu pergunto. Como entender que pessoas tão modernas, com seus automóveis elétricos – e inteligentes, ainda vistam a fantasia de um senhor de escravos em lua de mel com o poder? O assédio moral exorbitou. Como compreender que se adaptaram tão bem ao mundo tecnológico das telas planas e terem as mentes tão enquadradas?

Mas temos uma grande notícia, a mudança e os tornados da pós-modernidade trouxeram a semente que está sendo plantada no solo fértil da esperança: o amor será cultivado também no ambiente de trabalho. Amor a quem? Ao próximo, porque estamos carentes de atenção, de fidelidade, de estímulo e pertencimento. O homem descobriu… ou redescobriu? Isto não importa, o que sei é que o homem chegou à feliz conclusão de que o amor impulsiona a felicidade, que é a estratégia para se tornar vencedor. Pessoas amadas, admiradas e felizes têm mais disposição e veem a vida com uma cor mais forte porque é o reflexo delas. Na realidade são felizes e essa é a maior característica que diferencia sucesso de fracasso.

A máquina humana não evoluiu como as máquinas de nosso cotidiano. Somos os mesmos, as crianças, por causa da tecnologia e das atitudes dos adultos, muitas delas não têm mais infância. Então, como serão, como agirão quando adultas? Não precisamos de gente-robô, precisamos de gente-gente que domine a inteligência artificial e não o contrário. E “ainda que falem a língua dos anjos e dos homens, sem amor nada serão”.

O vento que desarrumou tudo exigiu que lutássemos pela sobrevivência porque nas grandes catástrofes a solidariedade renasce. Portanto, acreditemos no valor do ser humano, mesmo sendo o produto mais complicado, mais complexo que foi “inventado”. Ser gente é maravilhoso e, é sendo gente que encontraremos respostas para um mundo de mais qualidade, amor, realização profissional, resultados e, consequentemente, felicidade porque creio, com muita fé, que gente feliz constrói um mundo melhor para se viver.

 

*Sérgio Marchetti é consultor organizacional, palestrante e Educador. International Certification ISOR em Holomentoring, Coaching & Advice (coaching pessoal, carreira, oratória e mentoria). Atuou como Professor de pós-graduação e MBA em instituições como Fundação Getúlio Vargas, Fundação Dom Cabral, Rehagro e Fatec Comércio, entre outras. É pós-graduado em Administração de Recursos Humanos e em Educação Tecnológica. Trinta anos de experiência em trabalhos realizados no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br

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por Sérgio Marchetti*

Curiosos leitores, nosso avião caiu no deserto de um planeta desconhecido. Nos desintegramos e perdemos nossa bagagem cultural, identidade nacional e a Constituição federal. Quase todos os passageiros se transformaram em zumbis. E, o pior, pensam que o planeta atual é mais evoluído do que nossa antiga terra, que cultivava o amor, a verdade, a família, a honra e a honestidade – hoje relegadas e menosprezadas pelos zumbis que não se satisfazem com pouco, querendo mais poder, mais riqueza individual e mais domínio. Mas a insanidade não para por aí. Pois fazem seguidores, ativistas que, em sua demência, defendem que quem discorda deles deva ser retirado do palco da insensatez no qual assistimos a atos quixotescos. Ocorreu-me à lembrança o Pequeno Príncipe. No romance, um avião também caiu no deserto. Mas, se as lições que surgiram daquele acidente, presentes na obra, foram de iluminação, como “O essencial é invisível aos olhos . Só enxergamos com o coração” – no nosso caso, ao contrário, a queda acentuou ainda mais a velhaquice. É pena que exemplos contidos em uma narrativa plena de suavidade, inocência, profundidade psicológica e filosófica das mais ricas e inteligentes não agrade aos néscios. E as lições, por isso mesmo, não são compreendidas pelos zumbis. Ainda na brilhante obra de Antoine de Saint-Exupéry, vemos que a felicidade não contempla àquele que mais tem, mas a quem valoriza e gosta do que possui. Não é preciso ter um jardim com cinco mil rosas, se você pode encontrar tudo que precisa numa única — constatação do menino, príncipe, no citado livro. Mas a ganância não tem freios. Talvez pudéssemos sugerir a leitura para os zumbis de hoje, mas não traria mudanças. A hipnose coletiva atingiu o alvo –ou seja, as cabeças enfraquecidas — danificou as sinapses e queimou os neurônios responsáveis pela decodificação que identifica diferenças entre mentira e verdade, deixando-os dependentes de informações de terceiros que, para aqueles, sempre serão as verdades. Neste cenário de miopia coletiva, a única certeza clara e estampada é a de que, lamentavelmente, a justiça não está cega, nem a balança calibrada. A despeito de tudo, acredito, cada vez mais, que estamos nesta parte do cosmos para evoluir, e que na evolução humana não caberia tanto ódio quanto vemos sendo praticado. Creio também na afirmação de que ” você se torna eternamente responsável por aqueles que cativa” . Tenham certeza, leitores, que somente o amor, revestido da verdade, poderá nos transformar e garantir uma transcendência em paz.   *Sérgio Marchetti é consultor organizacional, palestrante e Educador. International Certification ISOR em Holomentoring, Coaching & Advice (coaching pessoal, carreira, oratória e mentoria). Atuou como Professor de pós-graduação e MBA em instituições como Fundação Getúlio Vargas, Fundação Dom Cabral, Rehagro e Fatec Comércio, entre outras. É pós-graduado em Administração de Recursos Humanos e em Educação Tecnológica. Trinta anos de experiência em trabalhos realizados no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br

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por Sérgio Marchetti*

Outro dia, entre paredes que guardam mais do que arte — guardam tempo, gestos, silêncios e memórias — fui recebido por Júlio Palma na Casa Palma, no bairro da Serra. Fui não apenas acolhido, mas tocado por uma experiência rara: estar diante da história pulsante de um artista através dos olhos e da voz de seu próprio filho.

Júlio fala de seu pai, Fernando Palma, como quem segura o pincel com reverência. Suas palavras têm peso de afeto e brilho de quem viu nascer, uma a uma, as obras que hoje resistem ao tempo. Ele não apenas contou histórias; ele as reviveu enquanto falava. Em cada gesto, havia o cuidado de quem entende que preservar arte é, antes de tudo, preservar amor.

Entre tantas obras, foram as três últimas que mais me tocaram. Há algo nelas que transborda despedida e permanência ao mesmo tempo — como se o artista, já à beira do silêncio, ainda quisesse deixar suas cores firmes no mundo. Mas o que me arrebatou mesmo foram os manuscritos. Incontáveis páginas, cheias de palavras que talvez nunca tenham sido lidas por outros olhos. Páginas que respiram, que sussurram dúvidas, ideias, desejos — fragmentos de alma em estado bruto.

Naquele espaço, senti a presença do invisível. Inspiração, nostalgia, emoção. Senti que estar ali era como tocar um tempo que não é mais, porém é como se a arte tivesse o poder de manter aceso tudo aquilo que o tempo tenta apagar. E acredito que a arte tenha.

A Casa Palma não é só um lugar. É um coração que continua batendo — feito de tinta, papel, lembrança e gente. Saí de lá carregando mais do que imagens: saí com a certeza de que a arte verdadeira nunca se cala. Ela apenas muda de voz.

*Sérgio Marchetti é consultor organizacional, palestrante e Educador. International Certification ISOR em Holomentoring, Coaching & Advice (coaching pessoal, carreira, oratória e mentoria). Atuou como Professor de pós-graduação e MBA em instituições como Fundação Getúlio Vargas, Fundação Dom Cabral, Rehagro e Fatec Comércio, entre outras. É pós-graduado em Administração de Recursos Humanos e em Educação Tecnológica. Trinta anos de experiência em trabalhos realizados no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br

Sérgio Marchetti
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A verdade dos provérbios

por Luis Borges 28 de maio de 2025   Convidado

por Sérgio Marchetti*

Desde criança, além de ter sido questionador, tive admiração por frases ricas e profundas. Entretanto, ao ver que nossa educação pretende mais massificar do que despertar o lado crítico, me deixa desiludido e apreensivo quanto ao futuro das pessoas.

A curiosidade em compreender os jogos de palavras e os porquês da criação de pensamentos me fez mergulhar no mundo especial da literatura. Descobri que existe nos provérbios, ao contrário do que pensam, uma cultura profunda. Diversos escritores se utilizaram deles em suas obras, enriquecendo a narrativa com elementos da cultura oral e transmitindo mensagens de sabedoria popular. Salomão, filho do rei Davi, escreveu por volta de 3 mil provérbios e 1005 cânticos.

Mas foi na altura dos meus dezessete anos que conheci Dom Quixote de la Mancha, de Miguel de Cervantes, e a riqueza dos provérbios e ditos populares que abrilhantaram ainda mais sua obra prima.
Vocês, sábios leitores, já pararam para pensar na frase de Dom Quixote? “Lutar com monstros é algo nobre; pois quem não tentou não pode se queixar de como as coisas são.” Quantas interpretações podemos ter? Quais monstros? Internos ou externos? Lutar? Algo nobre?

Eis as verdades em alguns dos ditos populares: “Diga com quem tu andas e te direi que és”. Uma alusão perfeita de que aqueles que andam com pessoas boas também são bons. O contrário também é verdadeiro: um homem honesto não consegue conviver com um homem desonesto. Um ditador terá a companhia de ditadores, um ladrão irá conviver com ladrões etc.

Vejamos mais alguns provérbios: “É dando que se recebe”. Pensaram besteira? Ele gera interpretações dúbias… “Água mole em pedra dura tanto bate até que fura “, “Uma andorinha só não faz verão”, “De grão em grão a galinha enche o papo”, “Para bom entendedor, meia palavra basta”, “Casa de ferreiro, espeto de pau”, “O que os olhos não veem o coração não sente”, “Papagaio que acompanha João-de- Barro vira ajudante de pedreiro”, “Deus escreve certo por linhas tortas”, “Onde há fumaça, há fogo”.
É importante para o cérebro o ato de pensar, de ler nas entrelinhas e decifrar as mensagens. O embotamento é um crime que se comete contra a saúde mental. Robotizar, oprimir, repetir mentiras até que se tornem verdades nos cérebros dos incautos é uma prática abominável, utilizada por pessoas e sistemas inescrupulosos que desejam dominar a qualquer custo.

Aos leitores, aconselho que leiam autores diferentes, tenham suas próprias opiniões e saibam que “Contra fatos não há argumento”.

Creiam, “Há algo de podre no reino da Dinamarca”.

E não se esqueçam, “Quem avisa, amigo é”.

 

Sérgio Marchetti

*Sérgio Marchetti é consultor organizacional, palestrante e Educador. International Certification ISOR em Holomentoring, Coaching & Advice (coaching pessoal, carreira, oratória e mentoria). Atuou como Professor de pós-graduação e MBA em instituições como Fundação Getúlio Vargas, Fundação Dom Cabral, Rehagro e Fatec Comércio, entre outras. É pós-graduado em Administração de Recursos Humanos e em Educação Tecnológica. Trinta anos de experiência em trabalhos realizados no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br

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O Brasil visto de lado…

por Convidado 6 de maio de 2025   Convidado

por Sérgio Marchetti*

Na época da ditadura militar, Vandré escreveu, como abertura de sua música Terra Plana, os seguintes versos: Meu senhor, minha senhora/ Me pediram pra deixar de lado toda tristeza/ Pra só trazer alegrias e não falar de pobreza/ E mais: prometeram que/ se eu cantasse feliz, agradava com certeza/ Eu, que não posso enganar, misturo tudo o que vivo/ Canto sem competidor, partindo da natureza do lugar onde nasci/Faço versos com clareza, à rima, belo e tristeza/ Não separo dor de amor/Deixo claro que a firmeza do meu canto vem da certeza que tenho/ De que o poder que cresce sobre a pobreza e faz dos fracos riqueza/ É que me fez cantador.

Foi um desabafo de um artista verdadeiramente patriota! Uma forma de expressar sua indignação com o sistema vigente. Realmente, caros leitores, ainda hoje, muitas coisas nos aborrecem.

E “Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu”

Falta cor e energia neles. São um incentivo ao descrer, ao duvidar da bondade humana, e a ficar estarrecido com o cinismo de tantos vilões. O mundo está se transformando numa arena romana com poder, crueldade, covardia e afronta.

Sabem, quando fazemos uma brincadeira de dizer que estamos todos vendo uma camisa qualquer da cor vermelha, quando na verdade ela é azul? E aí chega uma nova pessoa no recinto e, propositalmente, fazemos a pergunta aos que já estavam presentes: — qual é a cor da camisa? E, para surpresa do que chegou agora, todos respondem que é vermelha. Naquele momento a gente sente que estão menosprezando nossa capacidade mais básica de compreensão.

Eu queria perguntar tantas coisas que não compreendo, mas não posso. Gera conflito, pois podemos ferir o “brio” e sermos mal interpretados por discordar de determinadas atitudes de quem defende a democracia atual.

Resolvi, então, abrandar minha tristeza ouvindo música boa, que só poderia ser antiga.

“Amanhã vai ser outro dia/ Hoje você é quem manda/ Falou, tá falado/ Não tem discussão, não/A minha gente hoje anda falando de lado / E olhando pro chão, viu/ Você que inventou esse estado/ E inventou de inventar/ Toda a escuridão/você que inventou o pecado/ esqueceu-se de inventar/ O perdão/”

Em minha nostalgia, busquei ainda outra música: Alegria, alegria.

“Caminhando contra o vento/ sem lenço sem documento/ no sol de quase dezembro/ eu vou…”

Já esta música, está desatualizada. Não se pode caminhar pelas ruas e parar nas praças do Brasil, sem sermos assaltados, agredidos incomodados e até expulsos pelos novos proprietários.

Mas, de repente, um alento, o jornal da TV e as propagandas políticas nos falam de um Brasil sem fome, de uma democracia com ares à frente de nosso tempo, (talvez por isso ainda não tenha sido compreendida), com recordes de impostos (que maravilha), contenção de gastos, princípios de igualdade em plena recuperação, depois de ter recebido uma administração desastrosamente sem dívidas. E, graças a Deus, não há mais miséria, nem queimadas na Amazônia, e os Yanomamis já não têm óbitos. Não é preciso mais músicas para salvar a floresta. Os cantores e artistas heróis, que com tanto ardor e amor pela pátria, defenderam aquelas matas, já podem se dedicar aos seus trabalhos com o apoio merecido da Lei Rouanet.

Agora, sem inflação, sem desemprego, cesta básica acessível, saúde para todos e com medidas severas que acabaram com a fome, e com a corrupção, conforme anunciado repetidas vezes, estamos mais tranquilos. Tanto é que CGU fechou o departamento de combate à corrupção.

Enfim, nos resta constatar e acreditar que não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe (embora demore).

 

Sérgio Marchetti

*Sérgio Marchetti é consultor organizacional, palestrante e Educador. International Certification ISOR em Holomentoring, Coaching & Advice (coaching pessoal, carreira, oratória e mentoria). Atuou como Professor de pós-graduação e MBA em instituições como Fundação Getúlio Vargas, Fundação Dom Cabral, Rehagro e Fatec Comércio, entre outras. É pós-graduado em Administração de Recursos Humanos e em Educação Tecnológica. Trinta anos de experiência em trabalhos realizados no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br

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