Vale a leitura

por Luis Borges 4 de outubro de 2015   Vale a leitura

Qual a sua vocação?

Descobrir uma vocação, no sentido de se aprender a fazer algo que se gosta, não é uma tarefa simples. É algo ainda mais desafiante quando se tem 17 ou 18 anos e a obrigação de definir a área profissional a seguir. Muitas vezes as informações e o conhecimento sobre a profissão escolhida não são suficientes para uma tomada de decisão segura. Assim sendo, também é comum verificar que muitas pessoas desistem do primeiro curso escolhido ainda no início ou mesmo na metade do caminho. Lusa Silvestre apresenta, neste artigo, uma visão interessante sobre a mudança de rumos e o encontro da vocação.

Não acho que mudar é um ato de coragem, pelo contrário. Corajoso é aquele que permanece andando no trilho mesmo vendo o trem vindo na sua direção. Mudar é um ato de sobrevivência – e basta estar infeliz para isso. Ficar a vida toda naquilo que não se gosta é muito ruim pra saúde. Dá úlceras, coceiras, tarjas pretas. Aos 18 ou aos 80, quem fica parado a onda leva e o hospital acolhe.

Mordomias do Poder Judiciário

A discussão de saídas para a crise que o país vive coloca em questão a redução dos gastos do poder público. Aos poucos muitos fatos e dados estão vindo à tona para mostrar aberrações, mordomias e desperdícios que vão muito além do aceitável. Um caso que ilustra muito bem essa situação é o do lento Poder Judiciário, que só em salários gasta anualmente R$ 61 bilhões, dos quais quase R$4 bilhões só em penduricalhos. Leia este artigo sobre o assunto, publicado no blog Balaio do Kotscho.

Uma casa para cuidados paliativos

Imagino que o envelhecimento ativo e feliz seja o sonho de muita gente, principalmente acompanhado de boa saúde, independência motora e autonomia financeira dentre outras coisas. Mas e se, de repente, vier um acidente vascular cerebral, uma doença de Alzheimer ou um câncer de qualquer natureza? Apesar da pergunta ser assustadora, ela tem lá sua probabilidade de tornar-se uma ocorrência. Numa situação dessas, em que as chances de cura são baixas, como receber os cuidados adequados para a situação e em que local? E indo além – é preciso receber todos os tipos de tratamentos disponíveis para a enfermidade? Neste artigo do blog Morte sem tabu é mostrado um dia numa hospedaria para cuidados paliativos. É uma excelente leitura para ajudar a rever conceitos.

“Cuidados paliativos não é abreviar a vida, não é tirar tratamentos e possibilidades. Trata-se de oferecer um tratamento que seja proporcional ao paciente. Adequado ao seu momento de vida e à sua doença. É difícil, porque a sociedade acabou sendo levada a acreditar que mais é melhor. Mas às vezes, menos é mais. Tem que ter delicadeza na hora de oferecer instrumentos. Senão, pode-se levar à distanasia, que é o prolongamento da vida a qualquer custo, o sofrimento por excesso de tratamentos”.

Dalva também considera importante tirar o foco de que ali só se hospedam pacientes que estão morrendo. “Apesar de recebermos pacientes com diagnóstico de dias ou de semanas de vida, acabamos oferecendo uma sobrevida muito maior, de anos. Os cuidados paliativos podem ser iniciados no diagnóstico da doença e não na sua terminalidade. Oferecemos a possibilidade de reinserção da pessoa na vida social e familiar. Existe uma morte social que a doença traz que pode ser pior do que a morte física, e a gente recupera isso”.

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Pago impostos, logo existo

por Luis Borges 30 de setembro de 2015   Pensata

A crise política e econômica prossegue, recrudesce e a solução criativa visando encontrar uma saída que atenda a todas as partes interessadas ainda não está visível. No caminho, aparecem diversas sugestões para resolver a situação. Quero chamar a atenção aqui para as propostas que só enxergam o aumento de impostos e sempre percebem no crescimento da carga tributária o caminho mais curto para a solução de tudo.

Nas notas fiscais, lá estão eles...

Nas notas fiscais, lá estão eles…

Porém, ninguém pensa nas condições necessárias para viabilizar o processo que levará aos resultados que serão objeto de taxação pelo Estado. Se a geração das riquezas se reduz e os gastos só aumentam, a equação nunca fechará. Os três poderes da República são constitucionalmente harmônicos e independentes, mas só sabem gastar sem se preocupar com a capacidade da sociedade para gerar os recursos de maneira sustentável. Todos só querem a tal da verba.

E assim vão surgindo mais e mais propostas de impostos como a ressurreição da contribuição sobre movimentações financeiras, a cobrança de royalties sobre a energia eólica e a taxação dos jogos de azar, entre os quais estão o bingo, o jogo do bicho e os carteados dos cassinos. Vale lembrar que os jogos de azar da Caixa tiveram seus preços aumentados no último mês de maio, em alguns casos reajustes de 100%. Outros impostos já foram aumentados e são uma realidade em nome do ajuste fiscal das contas públicas.

A hora é de questionar a qualidade dos gastos, a ruindade da gestão, os altos salários cheios de penduricalhos, principalmente nos poderes judiciário e legislativo, e a ostentação presente nos edifícios públicos, nas viagens aéreas, nas diárias de hotéis, nos gastos com cartão corporativo.

Fica a sensação de que só existimos para pagar impostos, de preferência na data marcada, com ou sem condições para tal.

É bom lembrar que, em muitos casos, os impostos são singelamente chamados de contribuições como a CSLL – Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, COFINS – Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social e CIDE – Contribuição sobre a Intervenção no Domínio Econômico. Esta última já está toda revitalizada, de forma que o pagador de impostos passará a contar com ela também.

A certeza de que pago impostos, logo existo também me faz pensar e me perguntar sobre o limite para suportar algo que já passou dos limites há muito tempo.

Qual é a sua visão sobre esse assunto? Compartilhe nos comentários.

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Vale a leitura

por Luis Borges 28 de setembro de 2015   Vale a leitura

Morte sem dor

Uma afirmativa muito repetida entre nós diz que a morte faz parte da vida. A morte acaba fazendo parte das preocupações das pessoas, ainda que em diferentes graus, até o dia em que se viabilizará. Muitos gostariam de chegar a esse momento de maneira fulminante, com uma parada cardíaca. Outros chegam lá após um determinado período de padecimento, muitas vezes acompanhado de muita dor em alguma parte do corpo. Ter um analgésico disponível e potente para combater essa dor não é algo factível para qualquer um, principalmente para quem vive fora dos países mais desenvolvidos. Como fazer para aliviar uma dor intensa usando, por exemplo, a morfina? É o que aborda o filósofo Hélio Schwartsman no artigo Apartheid da dor.‏

Segundo o Órgão Internacional de Controle de Entorpecentes, ligado à ONU, 5,5 bilhões de terráqueos, cerca de 75% da população mundial, vivem em países com pouco ou nenhum acesso a medicamentos para controle de dores moderadas e severas; 92% de toda a morfina produzida no mundo é consumida por apenas 17% da população global, que habita nações concentradas na América do Norte, Oceania e Europa Ocidental.

Buscando um negócio próprio

Trabalhar num negócio próprio, fazendo aquilo que se gosta com muito amor e sustentabilidade para a própria vida, continua sendo o sonho dourado de muita gente. Como todos sabemos, trilhar esse caminho é algo extremamente desafiante em função das várias variáveis envolvidas simultaneamente, mas é possível. Aprender com o sucesso e o fracasso daqueles que tiveram a ousadia de encarar esse tipo de situação é algo obrigatório para quem acredita que não existe substituto para o conhecimento. Aqui está uma grande oportunidade de aprender com o desenvolvimento pessoal de Alinne Ferreira, contado numa entrevista publicada no site Mudança de Planos.

Na minha experiência com processo de desenvolvimento pessoal, percebo que um dos fatores que mais angustia as pessoas é viver uma vida que não é a delas. Outro fator importantíssimo que causa muita frustração é não entregar e não praticar os seus talentos, independente de ser empreendedor ou profissional no mercado tradicional.

[…]

Me preparei durante 4 anos para largar de vez o mundo corporativo. Confesso que foi bem desafiador, pois tive que vencer várias barreiras internas e externas. Mas, acredito que tudo é um processo de amadurecimento e aquisição de coragem.

Uma fábula de improdutividade

A busca pelo maior bem estar possível e com o menor esforço possível mobiliza muita gente. Uma grande parte desse grupo tem a crença de que o melhor lugar para que isso aconteça é o serviço público. É claro que muitos ainda fazem uma estratificação para descobrir onde estão os melhores salários e penduricalhos, independentemente da escolaridade exigida. Nesse sentido as melhores oportunidades ficam por conta do Poder Judiciário e do Legislativo, além de algumas áreas do Poder Executivo ligadas ao Ministério da Fazenda. E assim é possível verificar como estão cheias as salas de aula dos cursinhos preparatórios para os candidatos às vagas dos concursos públicos.

Muitos aprovados e empossados sonham com as possibilidades de uma zona de conforto sem se preocupar muito com as necessidades e expectativas dos cidadãos que demandarão seus serviços. A gestão dos serviços públicos e os níveis de resultados alcançados em meio às diversas greves e reivindicações por melhores carreiras são abordadas por Marcos Mendes, doutor em economia que se identifica como “servidor público bem remunerado”, no artigo Uma fábula de improdutividade.

O erro está nas regras. Mudá-las requer superar as dificuldades das decisões coletivas. Não mudá-las implica continuar com talentos profissionais e dinheiro público mal alocados, empregos improdutivos, potenciais inexplorados, gasto público excessivo, oportunidades perdidas, incentivos errados. Uma fábula de improdutividade.

É claro que isso só se aplica aos outros, não é mesmo?

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Sol de Primavera

por Luis Borges 23 de setembro de 2015   Música na conjuntura

Estamos caminhando para o final de setembro, mês que começou trazendo chuva e preparando a chegada da Primavera, que se deu hoje, 23, às 5h20.

Vamos ver mais flores por aí com a chegada da nova estação. / Foto: Marina Borges

Vamos ver mais flores por aí com a chegada da nova estação. / Foto: Marina Borges

Em sua aurora veio também a renovação da esperança, com muito realismo, em meio às flores de marcante presença na estação que se inicia. O momento que atravessamos no país é marcado por muita insatisfação, mas também pela intolerância e o ódio de alguns. O sol da Primavera pode trazer em sua luz a formulação que nos leve a uma saída digna para a inequação em que nos encontramos.

Se ainda não se vê o fim do túnel, pelo menos já se delineia o que não se quer encontrar lá. E para melhor prosseguir espero que a política seja pelo menos a arte do possível e que surjam mais lideranças verdadeiras para o florescer de um novo tempo, mais respeitoso com a pátria e com os cidadãos.

Que a primavera brasileira seja marcada pela transparência na plenitude da prática democrática e por iniciativas que contribuam efetivamente para a solução de nossos problemas crônicos e com a aprendizagem advinda das lições que os erros nos ensinaram.

A música Sol de Primavera, de Beto Guedes e Ronaldo Bastos, pode ser um bom alento para acalantar nossas buscas nessa conjuntura em que a estratégia é de sobrevivência, a nos exigir muita criatividade e alta resiliência.

Sol de Primavera
Fonte: Letras.mus.br

Quando entrar setembro
E a boa nova andar nos campos
Quero ver brotar o perdão
Onde a gente plantou
Juntos outra vez

Já sonhamos juntos
Semeando as canções no vento
Quero ver crescer nossa voz
No que falta sonhar

Já choramos muito
Muitos se perderam no caminho
Mesmo assim não custa inventar
Uma nova canção
Que venha nos trazer
Sol de primavera
Abre as janelas do meu peito
A lição sabemos de cor
Só nos resta aprender

Já choramos muito
Muitos se perderam no caminho
Mesmo assim não custa inventar
Uma nova canção
Que venha nos trazer
Sol de primavera
Abre as janelas do meu peito
A lição sabemos de cor
Só nos resta aprender

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Curtas e curtinhas

por Luis Borges 22 de setembro de 2015   Curtas e curtinhas

Defesa do consumidor

Acesse o texto completo do Código aqui.

Acesse o texto completo do Código aqui.

O dia 11 de setembro marcou os 25 anos de publicação do Código de Defesa do Consumidor. Se muitos foram os avanços desse período, muitos também continuam sendo os desafios. Um deles é o adequado enquadramento do comércio eletrônico. Outro é ampliar a observância do código pelos campeões de reclamações dos consumidores, que se revezam entre cartões de crédito, bancos, planos de saúde e operadoras de telefonia.

Outro aspecto interessante do momento é que algumas empresas têm recorrido à Justiça para cobrar danos morais de consumidores que, segundo elas, fazem reclamações ao mesmo tempo em que denigrem a imagem da empresa ao publicar desabafos na internet. A caminhada é longa e desafiante. Haja paciência e persistência.

Há vagas

Segundo levantamento feito pela empresa Page Personnel, especializada em recrutamento de profissionais técnicos e de suporte à gestão, há profissionais sendo muito demandados para 8 tipos de cargos neste período de baixa da economia:

  1. Executivo de vendas – marketing de performance e mídia digital
  2. Analista de marketing digital
  3. Analista de planejamento financeiro sênior
  4. Coordenador de TI generalista
  5. Técnico de manutenção
  6. Especialista de compras
  7. Secretária júnior
  8. Coordenador/ supervisor de vendas – B2C

De acordo com o levantamento, profissionais que têm atuação voltada a corte de custos, ganho de eficiência ou com atuação generalista são aqueles que têm recolocação mais rápida no mercado.

Mas essa rapidez é meramente relativa, pois mesmo nessas áreas as vagas são poucas e de reposição bastante lenta. Em geral, a reabertura de postos não acompanha os cortes. O “trem” tá feio e quanto pior, pior mesmo.

Prevenção do suicídio

Dia 10 de setembro marcou o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, em meio à campanha “Setembro Amarelo”, lançada pela Associação Internacional de Prevenção do Suicídio em conjunto com a Organização Mundial da Saúde (OMS). A estimativa mais recente da OMS aponta que, no mundo, uma pessoa se mata a cada 40 segundos, taxa que subiu 60% nos últimos 45 anos. Mesmo assim o assunto ainda é pouco discutido e falado, falta vencer muitas barreiras e preconceitos. Vale relembrar um artigo indicado pelo Observação e Análise no início deste ano: Mitos sobre o suicídio e como preveni-lo.

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Vale a leitura

por Luis Borges 21 de setembro de 2015   Vale a leitura

Equipando a casa

O joão-de-barro constrói sua casinha e, para isso, se vira à procura do material que será usado. Não é situação muito diferente daquelas pessoas que, mesmo não tendo um terreno adequado, se viram para encontrar um espaço e nele construir uma moradia, muito mais na raça do que na técnica.

Mesmo diante das precariedades inerentes aos locais onde essas construções se erguem, chamam a atenção de muitos observadores os equipamentos e dispositivos que ali são instalados. Entre eles, encontra-se itens caros e de última geração. Ruy Castro faz suas observações no artigo Minha TV, minha vida.

46% da população brasileira moram em casas construídas por eles próprios. Não porque sejam pedreiros diletantes, dados a empilhar tijolos e aplicar-lhes massa nos fins de semana, como quem constrói um forno de pizza ou sauna no quintal. Mas porque, da pobreza ao relaxamento oficial, tudo no Brasil favorece a que se levante um barraco no primeiro terreno baldio que se encontre, e não necessariamente na favela.

Casa de joão-de-barro./ Foto: Marina Borges

Casa de joão-de-barro./ Foto: Marina Borges

O caso da construtora Tenda

Esta entrevista com Rodrigo Osmo, diretor-presidente da Tenda Construtora, mostra o caminho percorrido para recolocar a empresa nos eixos, superando problemas e reencontrando a lucratividade. Adquirida pela construtora e incorporadora Gafisa, a Tenda se mostrou uma mina de perder dinheiro. Na frase sincera de Rodrigo:

A história da Tenda é menos uma história de excelência na execução desde o início e muito mais uma história de ser uma empresa grande demais para quebrar.

Vale a leitura para entender como foram encontradas soluções para os problemas. A Tenda foi transformada radicalmente, com uso de novos métodos construtivos e tipos de imóveis.

Corrupção na Ditadura

A corrupção no Brasil ganhou grande visibilidade com as investigações e resultados em função das investigações dos casos mais recentes. A discussão sobre o assunto cresceu bastante e trouxe também mais cobrança de punição para os envolvidos, inclusive com a devolução dos valores surrupiados.

No entanto, existem pessoas pensando que no tempo da Ditadura Militar (1964-1985) não havia corrupção. O advogado José Paulo Cavalcanti, integrante da Comissão Nacional da Verdade, mostra neste artigo que as maracutaias sempre existiram, inclusive naquele período.

No fundo, a corrupção é um desvio da natureza humana praticado indistintamente por civis e militares. Só que, durante a ditadura militar, não se sabia dos submundos do poder porque havia censura. Hoje, felizmente, a liberdade nos permite saber. Essa é a diferença.

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A cultura brasileira está fortemente impregnada pela afirmação de que errar é humano. Ela acaba sendo um lenitivo para as pessoas que admitem ter cometido um erro e que se auto-absolvem quando tocam no assunto. A expressão está se ampliando, e muitos já dizem que errar é humano e permanecer no erro é burrice.

No entanto, persistem muitos casos em que as pessoas não admitem que erram e reafirmam, com muita convicção e arrogância, que estão no caminho certo. Elas não dão o braço a torcer, consciente ou inconscientemente, mas primam pela teimosia aliada a uma boa dose de autismo. Só depois de muito apanhar com o próprio erro é que, às vezes, passam a ensaiar uma forma de admitir que, de repente, algo não saiu conforme o imaginado ou que algum detalhe importante não foi percebido como deveria ter sido. Seja lá como for, o fato é que os erros sempre têm consequências e, em muitos casos, é necessário conviver com os seus resultados ruins.

Você já imaginou outra lógica para abordar o assunto? Podemos partir da premissa de que acertar é humano e que, por isso, é possível e preciso fazer o certo desde a primeira vez. Poderíamos também pensar numa salvaguarda, reforçando que acertar é humano, mas às vezes os humanos erram e até reconhecem isso. Um pouco de humildade ajuda na percepção de limitações e imperfeições.

Tomando como referência o dicionário inFormal, a palavra certo indica exatidão. Entre seus sinônimos são citadas as palavras correto, exato, preciso, verdadeiro e apropriado.

Sendo assim quais seriam as condições necessárias para se fazer algo certo desde a primeira vez? Eu digo que é preciso ter método e conhecê-lo bem para poder aplicá-lo na solução de um problema em função do seu tamanho e natureza. Portanto é preciso conhecer e reconhecer que o problema existe e que pode ser demonstrado através de fatos e dados. Aqui não pode existir espaço para o achismo e nem para os desejos de que a realidade seja moldada em função de meras necessidades de um projeto de poder, seja ele individual ou de grupos. É preciso ter foco, disciplina e muita transpiração, com alguma inspiração. Assim, da observação dos fenômenos e da análise dos processos virão as informações que se transformarão em conhecimentos, necessários para se encontrar o que é certo desde a primeira vez. E assim a credibilidade e a confiança contribuirão para um ambiente melhor e mais sustentável.

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Curtas e curtinhas

por Luis Borges 16 de setembro de 2015   Curtas e curtinhas

Realismo tarifário

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O tarifaço da energia elétrica gerou um aumento médio em torno de 50% nas contas dos consumidores. Um dos reflexos imediatos apareceu nos índices mensais crescentes de inflação. De uma forma ou de outra, para mais ou para menos, todo mundo foi atingido. Os estados aumentaram o faturamento com o ICMS e a União cresceu a sua parte com PIS e COFINS, mesmo com a redução do consumo residencial e empresarial.

No entanto é interessante notar como a União foi atingida pelo lado do consumo dos órgãos públicos. De janeiro a agosto deste ano a administração pública federal já gastou R$1,3 bilhão com energia elétrica, valor bem superior aos R$869,8 milhões gastos em igual período do ano passado. É importante lembrar que no final de 2012 o Governo Federal anunciou solenemente uma redução média de 20% no valor das contas de energia elétrica.

Materiais de construção

As vendas de materiais de construção caíram 6% em agosto deste ano em relação ao mesmo mês de 2014 de acordo com pesquisa da Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção). De positivo, a pesquisa mostrou que as vendas de cimento cresceram 7% e as de tintas 3% em agosto, o que, para o presidente da associação, aponta que o brasileiro está voltando a reformar e investir em pequenas obras. Ainda bem pois, do ponto de vista técnico, o Brasil já está em recessão econômica.

Contribuições para os sindicatos

Os trabalhadores e empregadores brasileiros são representados por sindicatos, federações, confederações e centrais sindicais. O número de entidades ultrapassa 10 mil e elas já receberam R$3,1 bilhões neste ano, oriundos da contribuição sindical obrigatória. Na prática, esse tipo de representação tornou-se uma verdadeira indústria, na qual muitos dirigentes tentam se eternizar por meio de sucessivos mandatos e apego ao poder. O que nunca se fala é sobre a avaliação do desempenho desses dirigentes.

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Vale a leitura

por Luis Borges 14 de setembro de 2015   Vale a leitura

Medicina vingativa

Muitas pessoas devem se lembrar de consultas médicas que fizeram lá pelos anos 60 ou 70 do século passado. Após a anamnese, muitos médicos apalpavam regiões do corpo que poderiam estar ligadas aos incômodos reclamados pelo paciente. Era para ajudar na elaboração do diagnóstico da situação e, é claro, possibilitar um prognóstico mais assertivo. Meio século depois é inegável o grande avanço tecnológico da medicina em função dos serviços de apoio ao diagnóstico disponíveis. Só que, agora, os médicos em geral só se pronunciam após a realização de inúmeros exames.

No artigo Médicos mal remunerados praticam “medicina vingativa”, a jornalista Cláudia Collucci aborda alguns ângulos da questão, inclusive o papel do paciente nessa engrenagem.

Tudo conspira a favor dessa medicina perversa, a começar pelo atual modelo de remuneração, que premia a doença e não a saúde da pessoa. Que paga mais o especialista do que o generalista, o médico que deveria estar na porta de entrada do sistema de saúde.

Cabeça ou coração

O desemprego está crescendo velozmente, e é óbvio, acaba deixando as pessoas e famílias diante de uma pergunta desafiadora. O que, e como fazer, para prosseguir na vida cheia de gastos e contas a pagar enquanto os recursos financeiros vão se tornando cada vez mais escassos? Neste artigo a autora parte do caso de um casal, que se vê obrigado a vender o patrimônio acumulado para socorrer as despesas diárias, para mostrar a dificuldade de avaliar as opções nessas situações. A autora destaca que não há verdade absoluta, e sim uma escolha levando-se em conta cabeça e coração.

Erros de quem abre uma franquia

Uma pessoa foi demitida do seu trabalho e exerceu o seu direito de sacar o FGTS acumulado em 25 anos de trabalho, acrescido da multa de 40%. Uma outra pessoa gostou da qualidade atrativa de um programa de demissão da empresa estatal onde trabalhou durante 32 anos, que lhe rendeu o equivalente a 16 remunerações, além da liberação do FGTS acrescido da multa. O que fazer com esse dinheiro para garantir um bom retorno no curto, médio ou longo prazos?

É claro que, no mínimo, será preciso estudar e, se a decisão for pelo empreendedorismo, fazer um plano de negócio. São muitas as possibilidades e os caminhos a percorrer. Se não houver uma boa gestão tudo já nascerá complicado.

Em seu artigo Principais erros de quem abre uma franquia de alimentos, Samy Dana faz um alerta para quem pensa que a comida necessariamente é o caminho mais curto para o sucesso. Entre os erros mais comuns, estão abrir o negócio sem uma pesquisa aprofundada sobre o franqueador e não calcular bem o retorno do investimento. Boa leitura e bom aprendizado com o erro dos outros.

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Desatenção no trânsito

por Luis Borges 9 de setembro de 2015   Pensata

Era uma sexta-feira do início de agosto, por volta das 20h30, na Av. Antônio Carlos, em Belo Horizonte. O trânsito estava assim:

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Eram muitos problemas – trânsito pesado, motoristas forçando passagem e furando fila, o cansaço, a visão da longa fila de carros na avenida… o que indicava ainda mais necessidade de atenção.

A motorista que estava no meio desse engarrafamento contou que, ao passar pelo viaduto São Francisco, viu um ônibus e um táxi que estavam na pista que daria acesso ao Anel Rodoviário forçando a entrada na faixa da av. Antônio Carlos. O carro da frente soltou o freio, na ânsia de não ser batido. Mas, aparentemente, não prestou atenção na distância do carro que vinha atrás. Resultado – bateu no pára-choque dianteiro da motorista citada. Nem buzinar adiantou.

Num caso desses, como parar, no meio da avenida engarrafada, para ver se houve algum estrago? Como se comunicar com o motorista da frente? O jeito foi seguir até seu destino, esperando que nada tivesse acontecido com o carro.

Essa mesma motorista teve outro dissabor alguns dias depois. Entrando no seu bairro, dirigindo pela rua principal, foi atingida na lateral direita por um motorista que abria a porta, mas se esqueceu de olhar pelo retrovisor antes. Na porta que foi aberta, o estrago foi pequeno, apenas um friso se soltou. No carro atingido, a roda foi amassada, o pára-choque danificado e foi preciso trocar parte da lataria. O carro ficou 8 dias corridos no conserto, coberto pelo seguro.

Centenas de acidentes diários

Essas pequenas desatenções são expressas na estatística da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social. Em 2015, de janeiro a julho, foram registrados 34.977 acidentes de trânsito sem vítimas em Belo Horizonte – 165 por dia. Se incluirmos a Região Metropolitana, o número sobe para 57.923. Isso sem contar os casos que não foram registrados, já que algumas seguradoras não estão pedindo mais o B.O., que passou a ser feito na delegacia online. O que comprova que o trânsito de Belo Horizonte continua cheio de pessoas dirigindo seus veículos desatentamente.

É bom lembrar que “acidente sem vítima” não quer dizer acidente sem transtornos ou consequências. Os envolvidos ficam dias sem o veículo, precisam modificar a rotina e, em muitas vezes, tirar dinheiro do bolso.

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