O desenvolvimento econômico brasileiro se deu fortemente focado na indústria automobilística e no rodoviarismo. O impacto em nossa cultura nos últimos 60 anos foi inevitável e é inegável. Quem não tem um carro sonha em ter um e quem já tem o cultiva como parte da família. As condições de crédito e o aumento do poder aquisitivo em períodos recentes só fizeram aumentar a frota de novos veículos a circular pelas nossas vias públicas. Ainda que o mercado tenha decaído do ano passado para cá e os combustíveis tenham aumentado de preço, o carro está sempre em evidência.
No artigo “Por que escolhi viver sem carro (e só ganhei com isso)” o jornalista e blogueiro Rafael Sette Câmara conta sua experiência de abandonar o veículo e privilegiar o transporte público. Como você se sentiria ficando um dia, uma semana, um mês ou um ano sem carro? Ou você nem chega a cogitar essa hipótese?
Transporte público por ônibus em Belo Horizonte. / Foto: Sérgio Verteiro
Poupança x inflação
Poupar sempre um pouco do que se ganha é um dos fundamentos da educação financeira. O meio escolhido para guardar esse dinheiro ainda é, para muitos, a caderneta de poupança. As razões são culturais e conhecidas: liquidez, facilidade, modalidade garantida pelo governo. Neste texto o economista Samy Dana relembra que a poupança nem sempre é o melhor investimento, principalmente em épocas de inflação muito alta.
Escolher um novo destino para suas economias pode não ser tão prático como transferir dinheiro para uma conta poupança mensalmente. É algo que requer pesquisa e empenho para conhecer um novo instrumento financeiro. O resultado deste esforço, se reflete no seu bolso. Para buscarmos caminhos mais assertivos na vida, é preciso determinação e disposição para a mudança. No futuro, sua rentabilidade agradecerá.
1992 / 2015
O que aproxima e o que diferencia os processos de impeachment de Fernando Collor e de Dilma Rousseff? O jornalista Clóvis Rossi, que cobriu o assunto em 1992, apresenta suas recordações e suas análises neste depoimento publicado na Folha.
Um dos mais antigos e tradicionais bairros de Belo Horizonte, Santa Tereza tem cerca de 16 mil habitantes, segundo o IBGE.
Feira na Praça Duque de Caxias em dezembro de 2014. / Foto: Marina Borges
Como todo bairro da cidade, também enfrenta problemas. Alguns se tornaram problemas crônicos, já que não foram combatidos assim que surgiram.
Acredito que identificar um problema é metade da sua solução. Por isso, sistematicamente mostramos situações vividas no bairro e na cidade aqui no Observação e Análise. Chegado dezembro, mês de balanços, temos uma boa oportunidade para relembrar situações existentes no bairro. Os problemas elencados aqui não têm ordem de prioridade para ser resolvidos, e foram levantados por mim e também por diversos moradores com quem convivo.
Trânsito
Rua Mármore, via de entrada no bairro. Logo no início, no cruzamento com a Rua Gabro, já temos um gargalo, principalmente nos horários de pico – são muitos veículos querendo entrar no bairro, sair do bairro, pegar outras ruas. Em dia de jogo no Estádio Independência fica quase impossível passar ali, à pé ou de carro. O pedestre que quiser atravessar com segurança, independente da idade, vai precisar de muita paciência. Falta ali uma solução que priorize a segurança de todos, pedestres, ciclistas, motoristas. Seria o caso de usar o padrão que a BHTrans vem aplicando no Centro da cidade?
O tráfego no bairro parece cada vez mais intenso do ponto de vista de quem mora nele. A falta de educação no trânsito, aliada à ausência de fiscalização, contribui para complicar ainda mais as coisas. Um caso foi mostrado neste post, quando uma pessoa desrespeitou as regras de estacionamento perto de esquinas e atrapalhou a vida de todos que circulavam no local. Vale dizer que esse comportamento, infelizmente, não é um caso isolado.
Outro problema comum é a circulação de veículos em velocidade superior à permitida nas ruas do bairro. Também estamos vendo cones reservando vagas para lavação de carro e para estacionamento em frente a estabelecimentos comerciais, o que não é permitido.
Por fim, é preciso lembrar os grandes eventos culturais, como Carnaval de Rua e shows na Praça Duque de Caxias. Os moradores sofrem com veículos parados em portas de garagens e também com os mal-educados que ignoram os banheiros químicos.
Sujeira e abandono
Há pontos no bairro que são conhecidos como locais de sujeira e abandono. É o caso do “cemitério” de veículos nas ruas Tenente Durval e Tenente Vitorino, que já foi mostrado aqui no início deste ano. Como se vê na foto abaixo, da Rua Tenente Durval, há veículos que continuam por lá. Segundo moradores, alguns há mais de 3 anos.
Foto: Sérgio Verteiro
Na Rua Nefelina há um lixão, sempre recebendo todo tipo de contribuição e gerando insegurança para moradores e visitantes.
Foto: Sérgio Verteiro
Barulho excessivo
Também é preciso lembrar de algumas composições ferroviárias, mais longas e barulhentas, rasgam a madrugada dos moradores que estão mais próximos da linha do trem. Vale mencionar também que algumas caixas de som, em volume muito alto, ficam ligadas até altas horas, com som que se propaga ao longe, principalmente de quinta a sábado.
O que fazer?
Se identificar o problema é metade da solução, a segunda metade depende de ação. Resolver estes e outros problemas crônicos do bairro depende da ação e cooperação de todos os envolvidos, para que os problemas possam desaparecer em um determinado horizonte de tempo.
Sabedor de que essas situações não são exclusivas de Santa Tereza – pelo contrário, estão presentes em muitos outros bairros da cidade – reafirmo a minha certeza de que só nos resta encarar e lutar pela sua solução. Mesmo sabendo que os esforços serão desiguais, mas que poderão ser combinados conforme o pique e a vontade de cada um. O que não dá é para negar, ignorar ou dar desculpas diante da realidade em que estamos inseridos e vivemos.
São demais os perigos dessa vida. Muitas vezes eles se tornam invisíveis, mesmo estando muito próximos de nós. É preciso estar sempre alerta. O risco é permanente e deveria ser atenuado pela sua gestão. No entanto, muitas das ações que deveriam ser feitas são deixadas de lado, tanto por nós quanto pelos outros, que deveriam agir no processo de fazer as coisas acontecerem.
Se nem a sorte nem o “quase” ajudarem, o resultado da omissão e da negligência pode resultar em tragédias. Cito três casos para ilustrar.
1) O incêndio da boate Kiss, em Santa Maria (Rio Grande do Sul), deixou 242 mortos e 680 feridos em 27 de janeiro de 2013.
Faltou, por exemplo, um sistema de segurança consistente e efetivo. Além disso, muitas das partes envolvidas – entidades públicas e privadas – não cumpriram suas atribuições legais e obrigatórias.
2) O desabamento do viaduto Batalha dos Guararapes, na região de Venda Nova (Belo Horizonte), em plena Copa do Mundo de Futebol, no dia 3 de julho de 2014.
Foram duas pessoas mortas, 23 feridas, moradores retirados de suas residências em 2 conjuntos habitacionais bem próximos. Houve também diversos culpados tentando “tirar o corpo fora” diante dos erros e nada de ressarcimento dos prejuízos, inclusive financeiros.
Quase um ano e meio depois a movimentação de veículos e pessoas no local tendem a demonstrar que o viaduto nem era necessário. O caso continua tramitando nas esferas administrativas e judiciais, a atribuição de culpa e o pagamento pelos danos ainda engatinham.
3) A ruptura de barragem de rejeitos da Samarco Mineração em Mariana (MG) em 5 de novembro último, que deixou 13 pessoas mortas e 8 desaparecidas.
A lama que desceu da barragem de terra varreu a vida ao longo da calha do Rio Doce até o Oceano Atlântico. Como já se sabe até o plano de contingenciamento para enfrentar situações desse tipo existia apenas no papel e não pôde ser aplicado, porque ninguém o conhecia. Quem deveria fiscalizar todo o sistema minerário local também não o fez.
Prevenir é melhor que remediar
Estou citando tudo isso para convidá-lo a pensar sobre outros casos de perigo, alguns com mais chances de se tornar reais do que outros, que nos rondam apenas em Belo Horizonte e região metropolitana. Prevenir sempre será melhor que remediar. Mas esse ato exige ação e combate à omissão e ao descaso.
Pensei rapidamente sobre o assunto e me lembrei de alguns casos:
Adutora – Imaginemos uma adutora de ferro fundido, com diâmetro de 500mm, transportando água em alta pressão. Essa água é buscada cada vez mais longe. A adutora percorre longos caminhos e, por onde ela passa, nenhuma outra atividade pode acontecer. Não se pode, por exemplo, construir um condomínio habitacional sobre essa adutora. Os tubos, no entanto, nem sempre estão aparentes, podem ser subterrâneos.
Havendo uma ocupação indevida de trechos ao longo do caminho da adutora, se pessoas circulam pelas proximidades, o que pode acontecer se a adutora se romper? Nem sei se haverá tempo para correr ou para ser levado pela água…
Gasoduto – Existe um gasoduto subterrâneo no Anel Rodoviário de Belo Horizonte, passa bem na região do viaduto São Francisco, por exemplo. Mas quem se lembra dele? E se houver um descuido qualquer e, em decorrência dele, um grande vazamento?
Outros riscos – O que pensar da ruptura de uma linha de transmissão de energia elétrica em alta tensão, da queda de um elevador de um edifício ou obra, de uma enchente com alagamento em conhecidas vias da cidade cortadas por córregos canalizados? Riscos existem, devem ser avaliados e, quando for possível, controlados. Se não der pra prevenir, devemos ter planos que orientem a ação para o caso de o pior acontecer. Isso vale para os casos citados nesse texto, em grande parte de responsabilidade do poder público e de entidades privadas. Mas também vale para os riscos presentes em nossas casas.
A memória é curta e tudo cai rapidamente no esquecimento. Por isso, é importante nos lembrarmos dos versos de Geraldo Vandré.
A falação quase que permanente em torno da crise política, econômica, social e ética às vezes nos leva à exaustão. O “trem” está feio. A falta de líderes com a capacidade e a vontade de construir uma saída honrosa para este momento da nação faz com que a gente se sinta sem representação. E nos perguntamos – até onde vai isso tudo? O poder a qualquer custo é o que parece mais interessar a quem o disputa.
Ainda assim, precisamos espairecer. Buscar um pouco de oxigênio e juntar forças para prosseguir lutando, na esperança de que, de alguma forma, dias melhores virão num determinado horizonte de tempo.
Flamboyant na Rua Aquiles Lobo, bairro Floresta (BH) / Foto: Sérgio Verteiro
Xô crise! Xô pessimismo! Xô depressão! Precisamos olhar, descobrir e perceber que ainda existem, sim, muitas coisas belas ao nosso redor.
Flamboyant na Av. Raja Gabaglia, BH. / Foto: Gisele Magela
Um bom exemplo está nas flores dos flamboyants, surgidas nesta primavera, que já caminha para o fim. Nas fotos deste post é possível ver árvores que vivem em diversos pontos da cidade.
Dentro do Cemitério da Paz na Av. Carlos Luz, em BH. / Foto: Sérgio Verteiro
Ainda dá tempo de descobrir algo semelhante bem próximo de você. Basta procurar e querer enxergar.
A venda de medicamentos antidepressivos e estabilizadores de humor no Brasil cresceu 11,2% no período de novembro de 2014 a outubro de 2015 na comparação com igual período anterior. O dado é da IMS Health, consultoria internacional de marketing farmacêutico. Foram 53,3 milhões de caixas de medicamentos vendidas. Se considerarmos que cada caixa contém 30 comprimidos, chegaremos a um total de 1,599 bilhão de unidades. É mais um item que passa do bilhão, num momento em que rombos nos gastos públicos e déficits orçamentários também superam os bilhões.
Ouvindo a voz do cliente
Praça Tiradentes, em Ouro Preto. / Foto: Marina Borges
O Ministério do Turismo fez uma pesquisa sobre a satisfação de 44 mil turistas que visitaram o Brasil em 2014. Eles foram ouvidos em aeroportos e fronteiras terrestres. A hospitalidade do brasileiro foi o item mais bem avaliado pelos entrevistados, citada por 97,2% deles. Em segundo lugar ficou a gastronomia (94,4%), em terceiro ficou o alojamento (92,4%). Os preços tiveram a pior avaliação e foram citados por apenas 56,4% dos entrevistados. Telefonia e internet também foram mal avaliados.
Os turistas mais presentes foram os argentinos (27,1% do total), seguidos por americanos (10,2%), chilenos (5,2%), paraguaios (4,6%), franceses (4,4%) e alemães (4,1%).
Os americanos foram os que permaneceram pelo tempo mais longo, em média 20 dias, e também os que mais gastaram – R$85,07 por pessoa, por dia.
Os dados da pesquisa trazem bons subsídios para que o Ministério do Turismo melhore continuamente as suas políticas e diretrizes para estimular a vinda dos turistas estrangeiros ao país.
Cenários que ninguém acerta
No dia 05 de janeiro de 2015 o Boletim Focus do Banco Central projetava que, no final deste ano, a inflação medida pelo IPCA seria de 6,56%, o PIB cresceria 0,5%, a taxa básica de juros (Selic) seria 12,5% e o dólar estaria cotado a R$2,80.
No último 23 de novembro, muitos meses de crises econômica, política e de credibilidade depois, o mesmo Boletim Focus está projetando para o mesmo final deste ano uma inflação pelo IPCA de 10,33%, um PIB negativo em 3,15%, uma Selic de 14,25% e dólar cotado a R$3,95.
Sabemos que é muito difícil acertar com exatidão os indicadores projetados para um cenário num determinado período de tempo, mas também não deve ser muito grande a distância entre o projetado e o acontecido. Haja reposicionamento estratégico diante de tantas variações e em tão pouco tempo. É muita incerteza a nos desafiar!
Tragédia também no orçamento
Está em discussão na Comissão Mista do Orçamento no Congresso Nacional a proposta da peça orçamentária da União para 2016, enviada pelo Poder Executivo. Ela propõe que, no próximo ano, sejam gastos R$4,8 milhões na fiscalização das atividades de mineração existentes no país.
No dia 5 de novembro rompeu a barragem de rejeitos da Samarco Mineração em Mariana (MG), que veio confirmar que a fiscalização não era o foco de quem deveria cumprir tal função. Agora todos os implicados estão correndo atrás do resultado da omissão, mas o rabo continua balançando o cachorro num outro processo minerário que está expondo os resultados de tantas mazelas e conveniências.
Se considerarmos um conceito bem simples sobre o que é um sistema, podemos defini-lo como um conjunto de partes interligadas. Mais uma vez, ainda poderemos aprender com as lições trazidas pela tragédia apesar do alto custo desse aprendizado.
Em função das informações já disponíveis, que observações podemos fazer em relação ao sistema de gestão do negócio usado por todas as partes envolvidas e interessadas em seu resultado? Fazendo uma análise crítica fica visível que muitos fundamentos da gestão estão presentes apenas na intenção, mas não são acompanhados da necessária intensidade dos gestos. Neste texto, a proposta é tirar lições desse caso para as demais organizações.
O caso de Mariana evidencia desleixo na preparação e na execução do plano de ação para desastres. Nesta matéria da Folha, por exemplo, mostra-se o “jogo de empurra” entre governo federal e estadual. Afinal, quem aprovou o documento, que não previa uma estratégia para avisar os moradores da região em caso de rompimento da barragem? Na terça, o jornal Estado de Minas afirmou que um plano de ação contratado pela Samarco há anos nunca foi posto em prática, por razões econômicas. A empresa contratada à época diz ter feito um planejamento extenso, prevendo proteção à comunidade e aos funcionários, mas disse que ele não saiu do papel.
Um plano de ação é o caminho usado para se atingir uma meta. Ele mostra o que vai ser feito, como vai ser feito, a qual custo, quem será o responsável pela ação e em que prazo tudo deverá ser feito. Portanto, se não houver esforço e transpiração, o plano será estéril, não permitirá que se chegue ao resultado esperado.
Por que as pessoas que possuem atribuições em função das partes que representam, tais como poder público, investidores, clientes, fornecedores… não cumprem na íntegra os seus papéis? Por que faltam o querer, a vontade de fazer acontecer, a cooperação nos processos de trabalho e o assumir explícito da responsabilidade de cada pessoa e sua respectiva organização?
Creio que falta a presença firme dos líderes e também a cobrança dos resultados das ações ao longo da hierarquia presente na estrutura organizacional. Cada instância deve cumprir de maneira integrada o seu papel e, para isso, é preciso querer, ter vontade política e encarar todos os riscos decorrentes do seu exercício. Os atos e as omissões têm que ter consequências mas, se isso não acontece e predomina a complacência entre as partes, fica claro que ainda estamos longe da excelência que um sistema de gestão integrado pode ajudar a alcançar.
Dilma Rousseff e Fernando Pimentel durante sobrevoo das áreas atingidas pelo rompimento da barragem em Mariana. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
Cumprimento da legislação
Nesse caso específico, fica evidente que a lei que trata da segurança de barragens não foi cumprida em sua plenitude. Também é visível que quem tem a missão de verificar seu cumprimento também teve seus momentos de inércia e negligência. Basta verificar o que fizeram – ou deixaram de fazer – antes da tragédia a própria empresa, os órgãos fiscalizadores de município, estado e União, o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), o Ministério Público entre outros.
As normas e leis fazem parte do ambiente de negócios e devem ser levadas em conta. Ninguém está isento de suas responsabilidades ou das consequências em caso de descumprimento das regras. Todo empreendimento tem uma responsabilidade social e não cabe omissão.
Como prosseguir?
A lição que fica é que ainda faltam disciplina, constância de propósitos e líderes para praticar efetivamente o que sistemas, métodos, normas e leis determinam, apesar dos inúmeros interesses das partes envolvidas que sempre estão em jogo. Os fatos e os dados estão aí sendo escancarados e a nos mostrar que o escondidinho, a omissão e a resistência à transparência vão ficando cada vez mais insustentáveis.
Querer trabalhar com método e saber que as organizações são feitas por pessoas que cumprem papéis ligados aos diversos interessados são necessidades que jamais poderiam ou podem ser ignoradas. Estamos na era do conhecimento e, se o plano proposto para uma ação orientada não for colocado em prática, com certeza ele será estéril, não dará resultados e deixará evidente que foi apenas uma carta de intenções. A prática é um dos critérios da verdade.
O antigo ditado popular diz que “mentira tem perna curta”. Ainda que muitos tentem encompridá-la, “uma hora a casa cai”, para usar outro dito. Enquanto isso não acontece prevalece a criatividade, que muitas vezes é abusiva e despreza nossa inteligência. As desculpas e justificativas chegam a ser hilariantes, muita acabam virando “causo” e folclore.
Este artigo publicado no Uol relembra histórias curiosas para dinheiro de origem suspeita. Uma delas é a de Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, que atribuiu valores em uma conta na Suíça à venda de carne enlatada. Veja um pouco da variedade de argumentos – dinheiro escondido na cueca que veio da venda de verduras, 50 mil reais recebidos para compra de panetones, “prefeita ostentação” que tinha namorado rico…
Sustentar uma história convincente ao longo do tempo é algo desafiante, mas não dá para enganar a todo mundo o tempo todo, ainda que a verdade demore a aparecer.
Lama de Mariana
Nas últimas semanas você certamente recebeu uma série de informações sobre a tragédia decorrente do rompimento de barragem de rejeitos da Samarco Mineração em Bento Rodrigues, distrito de Mariana, MG. Estou certo, também, de que diversos ângulos estão sendo observados por você – social, ambiental, financeiro, legal. Creio que você está fazendo uma análise crítica, para fundamentar seu posicionamento em relação aos atos e omissões que permeiam o caso.
Para complementar essas reflexões, sugiro a leitura deste artigo de Leonardo Sakamoto, que analisa as dificuldades de uma cobertura desse tipo do ponto de vista jornalístico.
Por fora bela viola, por dentro…
Foram seis anos de crise e intervenções da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Recentemente a Unimed Paulistana foi obrigada a entregar a carteira de clientes, deixando mais de 740 mil pessoas na mão. Diversos fatores para a derrocada estão aparecendo. Alguns são, no mínimo, questionáveis, como nessa notícia divulgada pela CBN – “Já em crise, Unimed Paulistana levou cerca de 150 pessoas para safári na África“.
Como se vê, podemos encontrar um pouco de tudo no mundo privado e no mundo público, o que varia é só a dosagem.
As ações judiciais por falta de pagamento de condomínio em SP cresceram 27,9% de janeiro a setembro deste ano, em comparação com o mesmo período de 2014. O levantamento é do Secovi (Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais) de São Paulo. Uma das razões é a queda do poder aquisitivo das famílias. O Secovi lembra que o aumento da inadimplência acontece junto com a elevação das tarifas de energia elétrica, abastecimento de água e coleta de esgotos sanitários, que representam em torno de 30% dos gastos de um condomínio.
Haja fundo de reserva para cobrir tanto rombo…
Wi-fi no restaurante
A pesquisa “Jantares e Dólares”, feita nos Estados Unidos pela consultoria BCG, mostrou que a principal preocupação dos frequentadores de restaurantes é com a limpeza dos estabelecimentos. A segunda maior preocupação é com o frescor dos alimentos. Outra preocupação importante é a conexão com o mundo digital – 18% dos entrevistados desejam ter wi-fi gratuito quando se alimentam.
Pelo visto, a necessidade de estar conectado é bem mais prioritária do que conversar com uma pessoa que esteja ao lado. Lá como cá…
Falta d’água preocupa
A prefeitura da cidade turística de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, anunciou diversas medidas para reduzir o consumo de água nos quatro meses subsequentes, quando a presença de veranistas triplica a população local. Um decreto estabelece que quem for flagrado lavando carro ou calçada será multado em R$440. Já quem retirar água da rede irregularmente deverá ser multado em R$3.080.
No verão passado a emergência hídrica foi decretada em janeiro mas, como se vê, as preocupações e ações para o próximo verão já começaram com a primavera.
Senado sempre comprando
O Senado da República abriga 81 Senadores e demonstra uma grande capacidade de comprar diversos tipos de utensílios para que nada atrapalhe o desempenho dos parlamentares em seu trabalho. Agora foram empenhados R$47,2 mil para a aquisição de utensílios diversos. Serão dispendidos R$21,1 mil para a compra de 1.700 xícaras de porcelana para café, com pires, e capacidade de 50ml. Outros R$7,2 mil serão gastos para comprar 1.100 colheres de café, 450 colheres para chá, 400 colheres de sopa, 300 colheres para suco e 350 garfos de mesa. Já R$6,9 mil serão gastos com 150 jarras em material inoxidável com capacidade para 2 litros, R$5,7 mil com 400 xícaras de chá, também com pires, e R$3,3 mil com pratos para refeições. Fechando a lista, R$3 mil serão usados na compra de 100 açucareiros.
Agora é só trabalhar, melhorar a produtividade e apresentar muitos resultados pois, até o momento, o débito ainda é alto.
Bananeiras dividem espaço com um ponto de ônibus. / Foto: Sérgio Verteiro.
A rua Dores do Indaiá, no bairro de Santa Tereza, guarda uma surpresa para os mais observadores. Um dos pontos de ônibus da rua é marcado não só pela placa indicativa, mas também pelas três bonitas bananeiras que compartilham o espaço.
Foto: Sérgio Verteiro
Elas ficam no meio do quarteirão da rua, logo antes da esquina com a Rua Paraisópolis. Na foto acima, é possível perceber que um cacho de bananas está em crescimento. Na primeira foto do post, uma placa escondidinha diz “Favor não jogar lixo no canteiro”.
Árvores em Belo Horizonte
Estima-se hoje que BH tenha 485 mil árvores, das quais 8 mil seriam ipês. Um inventário das árvores da cidade está sendo feito há alguns anos e, no final do mês passado, o Secretário do Meio Ambiente disse que a primeira etapa será concluída em fevereiro de 2016, abrangendo 300 mil árvores. O levantamento foi feito nas vias públicas e na parte da frente de terrenos que possuem árvores visíveis quando olhadas da calçada. Não fazem parte do inventário as árvores dos 75 parques municipais nem dos fundos dos terrenos. Outro contrato está sendo negociado para a segunda etapa para conclusão dos trabalhos.
Foto: Sérgio Verteiro
Voltando às bananeiras de Santa Tereza, será que o inventário vai informar a quantidade de árvores frutíferas espalhadas pela cidade?
E fica a sugestão: que tal observar melhor as árvores da cidade e seus detalhes, a começar pela nossa rua e pelas demais vias públicas de nosso bairro?
Falta de planejamento e gestão são causas importantes da crise hídrica brasileira. Apesar de todas as dificuldades dos governos estaduais para assumir que o problema existia já em 2014, ou mesmo antes, fato é que no início deste ano não deu mais para esconder. Muitos meses depois, já próximos do novo período chuvoso, há transparência sobre a real situação do seu estado?
Em Minas, aguarda-se para 20 de dezembro a entrega da obra que ampliará a capacidade do sistema Rio Manso. Com ela, promete-se que estará assegurado o abastecimento de água para as próximas décadas. Neste texto do Balaio do Kotscho, leia mais sobre o racionamento que já afeta 1/3 dos paulistanos.
Paisagem vista da janela do trem entre Belo Horizonte e João Monlevade. / Foto: Marina Borges
Fazendo em casa
Preparar sua alimentação em casa, usando receitas próprias ou de outras fontes traz, imagino eu, um misto de lazer, satisfação e prazer para quem gosta de cozinhar. Indo na mesma linha, acho que deve ser muito legal montar um móvel a partir de pedaços de madeira, usando procedimentos bem orientativos. O mesmo para instalar eletroeletrônicos ou desenhar e costurar a própria roupa. Possibilidades desse tipo são mostradas pelo artigo O efeito Ikea está por trás do sucesso do Masterchef, publicado no blog Caro dinheiro.
seja um móvel que você precisa montar, um brinquedo novo para seus filhos ou uma receita nova, lembre-se: quanto maior o seu envolvimento no processo, maior o carinho por aquele item. Criar algo do qual você possa se orgulhar e inspirar admiração nos outros são valores na nossa sociedade —ainda que estejamos falando de um prato de macarrão.
Conheça seus custos
Ainda que a inflação e os juros estivessem bem baixos ou que o emprego fosse pleno e o poder aquisitivo alto, ninguém deveria deixar de conhecer e gerenciar seus custos, tanto individuais quanto familiares. Essa indisciplina aliada à falta de educação financeira mascara muitas realidades e dificulta a mudança de muitas pessoas para uma situação melhor e pautada pelo consumo consciente. O gasto mensal para manter um automóvel ainda passa despercebido para muitos que possuem esse bem. Um exemplo didático dessa situação é mostrado neste artigo do blog O mundo em movimento – carro dá despesa de 1.185 reais por mês. Será que esse caso serve de alerta só para os outros?