O dia 10 de setembro foi o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Todo este mês é dedicado às ações de conscientização e prevenção, visando despertar a atenção das pessoas para todos os alertas trazidos pelo Setembro Amarelo.

Uma das estimativas mais citadas em pesquisas bibliográficas diz que 1 milhão de pessoas se suicidam anualmente no mundo e outros 20 milhões de pessoas cometem tentativas. Apesar dessa magnitude dos números, a abordagem do tema sempre foi considerada um tabu aqui no Brasil. Sua ausência na imprensa é justificada pelo respeito à privacidade das famílias ou para evitar que outras pessoas sejam influenciadas pelo ato. Mas é inegável que a omissão de informações e a ausência de discussão sobre as causas que levam alguém ao suicídio em diferentes faixas etárias contribuem para que o fenômeno continue sendo uma questão de saúde pública e continue estigmatizado.

Felizmente muitas são as pessoas, em diferentes categorias profissionais e organizações humanas, que nunca se conformaram com a omissão e a ocultação dos mais diversos aspectos ligados ao suicídio. Percebo que nos últimos quatro anos aumentaram significativamente as ações planejadas e integradas estrategicamente para romper definitivamente com o obscurantismo que sempre marcou o tema.

Agora que as porteiras estão sendo abertas e existem iniciativas das mais diversas naturezas será natural surgirem mais e mais especialistas no mercado trabalhando no tema, que é multidisciplinar e sistêmico. Nessa hora é essencial conhecer bastante a capacidade dos profissionais que colocarão seus serviços à disposição do mercado, nesses tempos de desemprego aberto e muita busca por melhores condições básicas de sobrevivência pessoal e familiar. Nesse sentido devemos ficar atentos, pois senão daqui a pouco crescerá exponencialmente a quantidade de pessoas se dizem “suicidólogas”, especialistas em determinado método de combate à depressão ou de alta capacidade para detectar sinais de que algo não está indo bem, por exemplo. Infelizmente esse é um alerta que também precisa ser feito.

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por Luis Borges 10 de setembro de 2017   Vale a leitura

Cresce o trabalho informal

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios feita pelo IBGE no trimestre que vai de maio a julho mostrou que a taxa de desocupação caiu para 12,8%. Entretanto coube ao trabalho informal a responsabilidade por praticamente 2/3 das oportunidades criadas. Se a fiscalização das condições em que são realizados os trabalhos contratados através do registro em carteira profissional já deixa muito a desejar, dá para imaginar o que se pode esperar do trabalho informal. O jornalista Leonardo Sakamoto aborda alguns aspectos ligados às condições de trabalho no artigo Com fiscalização capenga, Brasil quer crescer com trabalhadores sem direitos.

“a fiscalização não é apenas uma questão de garantir direitos a quem está vivendo à margem da legislação, mas também aumentar a arrecadação do Estado, uma vez que ela leva ao pagamento de tributos e contribuições sociais e previdenciárias. Em momentos de crise de orçamento, portanto, reduzir o poder arrecadatório é um contrassenso”.

Discurso de ódio

A sociedade que se pensava civilizada, plural e capaz de fazer abstrações em busca de formulações para resolver seus problemas também é capaz de se encistar, polarizar posições e disseminá-las em grupos e redes como a única expressão da verdade, sem menor espaço para a relatividade. Nesse sentido é interessante refletir sobre a abordagem que Luiz Sperry faz sobre o tema em seu artigo Por que o discurso de ódio dá tantos likes?, publicado em seu blog.

“Talvez exista dentro da gente um demônio oculto. Um demônio que deseja nos levar para o abismo, nada menos que o aniquilamento total, que é a nossa própria morte. Porque afinal é só na morte que se encontra a paz absoluta. O resto é perrengue, sofrimento, incertezas e frustrações, enfim, a vida. A esse demônio, a esse lado negro da Força, a psicanálise chama pulsão de morte. Ela está dentro de nós sussurrando: “vem, meteoro!””

Paciência no condomínio

O dia-a-dia da vida num condomínio residencial, independente do seu porte, continua cada vez mais complexo e exigindo muita paciência diante do comportamento daqueles que pensam que o prédio é só deles. O indivíduo busca resolver o seu lado, sem se preocupar com o impacto que isso pode trazer para o coletivo dos moradores. Como não temos possibilidades de ficar livres dessa modalidade de moradia o jeito é atuar em busca da melhoria contínua da gestão com mais participação dos moradores e aprimoramento das regras de convívio. O advogado Márcio Rachkorsky aborda aspectos do tema em seu artigo Condomínios precisam punir de forma mais severa moradores barulhentos, publicado pela Folha de São Paulo.

“Há muitos anos que o tema barulho é recordista disparado de conflitos e litígios entre vizinhos, mas a situação parece estar chegando num ponto insustentável, e os condomínios precisam encontrar soluções concretas e efetivas, inclusive com punições mais severas aos que transformam a vida dos outros num verdadeiro inferno.”

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Os direitos dos consumidores estão previstos na Lei N º 8.078, de 11 de setembro de 1990, que é conhecida como Código de Proteção e Defesa do Consumidor. Ao completar 27 anos em vigor verifica-se o quanto ainda é difícil cumprir muitos dos requisitos contidos na lei. Ainda existem muitas lacunas entre a intenção e o gesto. É preciso determinação, constância de propósitos e muita resiliência para lutar e fazer cumprir o que é simplesmente um direito em todas as instâncias na relação de consumo de bens e serviços.

Um caso que ilustra bem a situação aconteceu com um casal por volta dos 50 anos que resolveu trocar a geladeira e a máquina de lavar roupas já bastante antigas. Após muitas pesquisas de marcas, modelos, preços, condições de pagamento, data de entrega em casa, instalação e treinamento para operar as máquinas a compra foi fechada em função do benefício e do custo no dia 29 de julho numa loja bem situada no ranking do segmento de eletrodomésticos. Além da compra dos produtos, foi comprado também o serviço de instalação e treinamento para usar os bens.

A entrega foi marcada para o dia 8 de agosto, com a participação simultânea dos entregadores e instaladores. Devido à necessidade de readequação das instalações elétricas da casa, que foi feita anteriormente à era das tomadas de três pinos, o prazo de entrega foi renegociado entre o cliente e o fornecedor para o dia 23 de agosto. Na véspera da data marcada o fornecedor informou ao cliente que a entrega no dia seguinte aconteceria entre as 8h e as 18h, apesar da insistência do cliente para que pelo menos se definisse que as coisas aconteceriam na parte da manhã ou da tarde.

No dia marcado, o caminhão da empresa parou na porta da casa por volta das 14h40 apenas com três carregadores a bordo e sem os instaladores conforme foi combinado. O casal se recusou a receber as mercadoria, mesmo diante dos insistentes apelos dos entregadores para que tudo ficasse na garagem até o dia e hora em que os instaladores pudessem fazer seus serviços. Diante da negativa, o setor de logística e distribuição do fornecedor se viu obrigado a receber os bens de volta, mas reclamando que na semana anterior tiveram o roubo dos eletrodomésticos que estavam em dois de seus caminhões.

Após muitas idas e vindas nas negociações das condições para uma nova data, com muitas lembranças feitas pelo casal sobre os direitos contidos no Código de Defesa do Consumidor e as possibilidades de registrar reclamações nas redes sociais, órgãos de defesa do consumidor e nas rádios, ficou definido que tudo seria entregue no dia 31 de agosto a partir das 13h com a presença dos entregadores e instaladores.

Na data marcada aconteceu tudo semelhante à vez anterior, só que em condições piores. Chegaram à casa três entregadores, novamente desacompanhados dos instaladores, apesar disso ser uma cláusula estabelecida no momento da compra dos bens. Vencido pelo cansaço e pela expectativa da instalação dos novos equipamentos o casal aceitou que os entregadores entrassem com os bens enquanto se aguardava a chegada dos instaladores. Foi aí que tudo piorou, pois os três entregadores tiveram muitas dificuldades para carregar a pesada geladeira dentro da embalagem e clamaram pela presença de mais uma pessoa no grupo. Além disso, não quiseram ou não sabiam desembalar a geladeira, retirar a sua porta e assim entrar na casa com o bem dividido em duas partes. Lá pelas 15h os dois instaladores chegaram ao local, fizeram o desmonte, mas sem ensinar como se fazia o passo a passo e finalmente os entregadores entraram na casa com a geladeira. Às 16h30 tudo estava instalado, mas o treinamento operacional durou 10 minutos e foi apenas uma rápida leitura do passo a passo, do tipo “liga aqui, desliga ali”.

Na sequência começou o prazo de 7 dias para a verificação de defeitos, que se expira neste 7 de setembro. Do dia da compra até hoje já se passaram 41 dias.

Quanta paciência para enfrentar tantas dificuldades, inclusive para ouvir o instalador pedir para ser avaliado com a nota 10, pois a situação na sua empresa não está nada boa para quase todo mundo enquanto o facão entra em ação!

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Curtas e curtinhas

por Luis Borges 3 de setembro de 2017   Curtas e curtinhas

Pouca chuva

Dados do Instituto Nacional de Meteorologia mostram que as chuvas acumuladas em Belo Horizonte, de janeiro a agosto de 2017, foram de apenas 448 mm, menor índice dos últimos 63 anos. A média histórica para o período é de 798mm, sendo que em 2016 foi de 695mm, em 2015 atingiu a média histórica de 798mm e em 2014 chegou a 520mm, menor índice dos últimos anos até aquele momento. Se as previsões apontam para o início da temporada de chuvas a partir de 15 de setembro, que expectativas poderemos ter em relação ao volume, rapidez e duração da temporada? Apesar da água para consumo humano significar algo em torno de 10% do total existente no país, o restante fica para a indústria e o agronegócio, é preciso verificar o que a Agência Reguladora, a Copasa, os sistemas municipais e os próprios consumidores estão fazendo em prol do uso racional da água e do combate permanente ao desperdício. É bom lembrar que as perdas de água se aproximam dos 40% nesses últimos anos, sendo que a principal causa ainda é a quantidade de vazamentos nas redes de distribuição. Que venham a primavera e o verão.

Meta maluca

Um estudante universitário abriu sua conta corrente em uma agência de Belo Horizonte de um dos 7 maiores bancos do país. Ele foi estudar numa cidade universitária do interior e após 4 anos foi à agência local do banco para fechar sua conta. O bancário que o atendeu disse que só encerraria sua conta porque ela era de Belo Horizonte pois, em sua agência, a cada conta fechada uma meta deve ser atingida. Para compensar o fechamento de uma conta, outras dez novas contas devem ser abertas. Uma meta tão maluca quanto essa só traz desânimo para as pessoas pois de antemão já se sabe que elas dificilmente serão atingidas e ainda causarão muito estresse no desespero do dia-a-dia.

Tarifas bancárias em alta

O sócio-diretor de uma pequena empresa levou um susto danado ao verificar o percentual de aumento das tarifas de sua conta corrente num dos grandes bancos do mercado. Em 31 de julho de 2017 a sua cesta de tarifas de pessoa jurídica passou de R$35,00 mensais para R$49,00, o que significou um aumento de 40%. Já a tarifa da manutenção de conta passou de R$30,00 mensais para R$42,00, o que também significou um aumento de 40%. Feitas as contas, as duas tarifas custaram R$780,00 à empresa. Já para os próximos 12 meses a aplicação do aumento de 40% passará para R$1.092,00 o valor que a empresa desembolsará para a manutenção de sua conta.

Nos últimos 12 meses – agosto/16 a julho/17 – o IPCA medido pelo IBGE foi de 3,21% e a sua projeção para os próximos 12 meses é de 4,2%. Portanto os 40% de aumento foram um super tarifaço. E se ninguém reclamar vai ficar por isso mesmo e o banco vai aumentando seus lucros trimestrais enquanto demite funcionários, fecha agências e força a migração das operações de seus clientes para os aplicativos dos celulares. Quanto menos pessoas nas agências, menores serão os custos e os gastos com a segurança privada, por exemplo.

Mobilidade urbana

A Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos divulgou no último dia 30 os resultados de sua pesquisa Mobilidade da População Urbana 2017, sendo que a última versão era de 2006. A pesquisa, feita em 35 cidades brasileiras, mostra que a principal preocupação das pessoas entrevistadas é com a violência, seguida pela saúde, desemprego e o transporte público, que aparece apenas em quarto lugar. Nesse quesito, o que mais afasta as pessoas do transporte público é o preço da passagem e a qualidade dos serviços, ligada ao desconforto e à duração das viagens.

A pesquisa deste ano mostra que 50,2% das pessoas se deslocam por transporte individual motorizado e os outros 49,8% no transporte coletivo. Em 2006 esses mesmos índices eram 35% e 65% respectivamente. Também é interessante lembrar que 38,5% da população brasileira vive em 88 cidades com mais de 300 mil habitantes. A NTU defende o subsídio ao combustível para o transporte urbano como forma de baixar as tarifas e reconquistar uma parcela dos passageiros perdidos para o preço alto e o desemprego. A íntegra da pesquisa pode ser vista aqui.

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Nesses tempos de crise que se prolonga à espera de uma solução que não vem diante de tantos interesses de grupos, percebo muitas pessoas dizendo que estão cansadas de quase tudo e que já não aguentam mais ir à luta por algo que vá além da sobrevivência imediata.

A falta de perspectiva parece nos empurrar ainda mais para baixo e acaba ajudando a aumentar a anomia, pois está muito difícil enxergar alguém que possa nos representar assim que se encerra um processo eleitoral. Posso concluir que precisamos é de participar mais efetivamente e não simplesmente terceirizar a ação para algum mero representante, mas falta ânimo para encarar algo do tipo. Se a apatia prevalece ela acaba contaminando os mais diversos aspectos de nossas vidas e todos os assuntos que vão surgindo parecem nos causar muita preguiça e rejeição. Mesmo sendo um crítico da polarização entre ser contra ou a favor de alguma ideia, sugestão ou proposição mais estruturada, fico também pensando nos diversos mecanismos de deliberação passíveis de serem utilizados numa sociedade tão dividida e que cada vez mais busca aliviar suas tensões pelas redes sociais a partir de seus próprios sofás.

Além de ter que dar conta de responder a cada uma e a todas as necessidades do dia a dia – inclusive as de trabalho, saúde, segurança, gestão da sustentabilidade individual e familiar – ainda é preciso uma boa dose de tolerância para aguentar as novidades da hora da política partidária, na economia e na criatividade abusiva daqueles que agem focados apenas em se manter no poder, pois para eles está tudo muito bom. E nessa agonia de cada dia até bambear os nervos, para dar continuidade na busca do que precisa ser feito em prol do viver com dignidade, justiça social e paz não está fácil, devo constatar solenemente que isso é o que temos para hoje e amanhã também. Como jamais será possível desistir ainda busco um pouco de acalanto e me reforço cantarolando versos de Geraldo Vandré na música O Plantador.

“Quanto mais eu ando, mais vejo estrada e se eu não caminho, não sou é nada”.

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É impossível deixar de registrar as flores amarelas dos ipês alegrando, embelezando e contrastando com dias mais frios, muitos ventos, mais secura do ar e focos de incêndio que caracterizam a estação que caminha para o fim. Se as flores amarelas foram precedidas pelas de cor roxa, rosa e branca já é possível imaginar e sonhar com a imensidão de cores que chegarão com a primavera e com as necessárias chuvas.

Foto: Sérgio Verteiro

Espero que você esteja usufruindo dessa manifestação da natureza ao se deslocar pelas ruas da cidade e pelas estradas do estado, sempre contribuindo para ajudar a cuidar da natureza que persiste mesmo sofrendo com tantas agressões dos seres humanos.

Foto: Maria Cristina Borges

As fotografias postadas aqui registram alguns ipês amarelos espalhados por Belo Horizonte que encantaram os seus autores. Quem quiser conhecer mais detalhes sobre os ipês de Belo Horizonte e do bairro de Santa Tereza vai se fartar com este post do portal Santa Tereza Tem.

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Vale a leitura

por Luis Borges 27 de agosto de 2017   Vale a leitura

Os custos de uma herança

São muitas as pessoas que sonham em receber uma herança diretamente dos pais ou mesmo de avós, tios e padrinhos. Quem também ficará de olho no seu possível ganho será o estado da Federação em que ocorrer o inventário, pois o Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação de Quaisquer Bens ou Direitos – ITCD pode chegar a até 8% do valor dos bens envolvidos. Também existem os custos dos honorários dos advogados que trabalham no inventário, que necessitam ser muito bem negociados. Como as pessoas não gostam de conversar muito sobre a morte, muitas delas acabam sendo surpreendidas pela falta de conhecimento sobre a legislação que envolve a destinação dos bens de quem parte desta vida. Muitas são as possibilidades e decisões que podem ser tomadas ainda em vida e com lucidez, inclusive para reduzir custos nos momentos futuros. É esclarecedora a abordagem de vários aspectos sobre o tema feita por Marcia Dessen em seu artigo Doação pode reduzir custo de inventário publicado pela Folha de S. Paulo.

“A doação em vida pode reduzir os custos do inventário. Quem tem herdeiros necessários precisa deixar claro que a doação feita a eles não é adiantamento da herança e, portanto, não deve ser incluída no inventário. Essa medida reduz as custas do inventário e honorários advocatícios”.

Pragmatismo no trabalho

Em tempos tão difíceis para quem vende ao mercado a sua capacidade de trabalho continua em pauta a permanente discussão sobre fazer o que se ama ou amar o que se faz. Sobreviver, viver e crescer competindo num jogo que às vezes vai muito além das regras estabelecidas acaba sendo um desafio permanente que exige altas doses de resiliência. Gabriela Guimarães e Veridiana Mercatelli apresentam suas percepções sobre o amor ao trabalho no artigo Sabe aquela história de que é preciso amar seu trabalho? É mentira, publicado pelo UOL Comportamento.

“Diversão eu tenho com meus amigos, minha namorada, minha família. Trabalho, para mim, é só uma maneira de pagar minhas contas e bancar meus momentos de lazer. Quando comecei a pensar assim, parei de sofrer tanto por trabalhar com algo de que não gostava.”

Incentivos para os devedores de tributos

Os altos índices de pessoas físicas e jurídicas inadimplentes com os seus tributos tem contribuído para a queda da arrecadação da União, estados e municípios. Como suas despesas continuam crescentes e eles não conseguem reduzir seus custos nem pelo combate ao desperdício, o jeito é lançar promoções com ótimos descontos e longos prazos de pagamentos para os devedores. Isso acaba também estimulando atrasos por parte de quem passa a contar com uma futura condição melhor e pode desestimular quem paga seus tributos rigorosamente em dia. É o que aborda Gesner Oliveira em seu artigo Ser bonzinho demais hoje com quem deve impostos é garantia de calote futuro.

“Se as empresas e pessoas físicas sabem que haverá oportunidade de refinanciamento do pagamento de impostos em termos comerciais de pai para filho, ninguém vai querer pagar. Ser bonzinho demais com quem deve impostos não só significa calotes no futuro como vai acabar com a galinha de ouro e irá ampliar o drama fiscal do país”.

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Desde 2014 que o Brasil está trabalhando com déficits crescentes nas contas públicas sendo que em 2017 a diferença entre o orçado e o realizado chegará a 159 bilhões de reais, valor que também está garantido para 2018. A estimativa mais próxima para uma volta ao superávit primário é o ano de 2021, com singelos 10 bilhões de reais. E por que singelos? Simplesmente porque quando é para gastar todo mundo enche a boca para defender o seus direitos adquiridos, sem se preocupar com a sua sustentabilidade e até mesmo com a sua moralidade.

Isso equivale a se ter apenas a preocupação em gastar, sempre contando também com ovos que as galinhas ainda não botaram. Os órgãos públicos da União, estados e municípios tentam tapar o sol com a peneira, negando em seus atos que a arrecadação pública caiu apesar da exorbitante carga tributária, enquanto deixam imexíveis os grandes e crescentes gastos. Se numa família, empresa e outros tipos de organizações humanas que estejam em crise causada pela perda do trabalho, renda ou encolhimento da economia torna-se obrigatório agir para reequilibrar as contas segundo a nova realidade porque tanta dificuldade do poder público para agir racionalmente? Não dá para prolongar indefinidamente essa busca, apenas esperando que nos próximos meses as coisas se resolvam naturalmente.

Até quando os poderes públicos vão continuar ignorando, negando ou dando desculpas enquanto acumulam déficits e aumentam as dívidas sem se preocupar com suas consequências imediatas e futuras? A dívida publica já passa de 3,357 trilhões de reais e o déficit de 2016 a 2018 já se aproxima de meio trilhão. Reconhecer as causas desse calamitoso desequilíbrio pelo qual passam as contas públicas é tarefa urgente, pois só aumentar tributos não há mais quem aguente. Continua fazendo muita falta a utilização de um sistema de gestão estruturado, com verificação da conformidade do que for especificado pela definição de prioridades para a aplicação dos recursos públicos. Falta foco nas necessidades da população e também combate permanente aos desperdícios de recursos humanos, materiais e financeiros dentre outros. É preciso liderança, transparência, comprometimento, confiança. E também a população constantemente nas ruas colocando em prática, em marcha, o que se cobra em silêncio unitário pelas redes sociais. Se o olho é maior que a boca e não há capacidade de processo para botar tantos ovos, está passando da hora de se cortar mordomias, privilégios, super classes de funcionários públicos, aposentadorias também privilegiadas para muitos de seus agentes, corrupção.

Só para exemplificar eu poderia perguntar quem sentiria falta do auxílio moradia de R$4.377,00 mensais isentos de impostos e comprovação do gasto, da aposentadoria média de 26 mil reais mensais no poder legislativo federal, dos jatinhos da FAB transportando autoridades em carreira solo, da troca de apoio político por emendas parlamentares, do financiamento público para os partidos políticos, do horário eleitoral gratuito no rádio e na TV pago pelo Tesouro Nacional, do fundo público para financiamento das eleições, dos juros subsidiados a longo prazo pelo BNDES…

Como se vê não dá mais para segurar o modelo que vem sendo praticado. A solução passa pela formulação de novas estratégias para uma sociedade cujos limites de paciência não são plenamente conhecidos.

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Se forma e conteúdo caminham lado a lado naquilo que fazemos, é preciso redobrar as atenções para que não haja muito desequilíbrio no ato de operar um processo que levará a um resultado. Nessa era em que convivemos com tanta inovação e muitas incertezas é preciso estar atento para não cair na ostentação e no uso indiscriminado de tantos dispositivos tecnológicos. É muito fácil perder o foco, desviar-se da essência simples do conteúdo da mensagem e se perder no excesso de imagens, na conexão instantânea com a extensa rede sem nenhuma priorização.

Estou dizendo isso para narrar um fato que ocorreu no início de agosto em Belo Horizonte. Uma agência de publicidade foi chamada pelo presidente de uma empresa do setor de transporte de cargas para conversar sobre uma prestação de serviços ligados à marca e à imagem do seu negócio. A reunião foi agendada com a expectativa de que teria uma hora de duração. A agência de publicidade foi representada pelo diretor executivo e por um gerente de projetos, que tinham a missão de ouvir a necessidade do possível cliente para elaborar uma proposta.

A reunião teve início com a fala do presidente da transportadora, apresentando uma breve história do seu negócio. Logo em seguida, passou a expor as suas necessidades e expectativas. Enquanto o diretor executivo da agência ouvia atentamente o que estava sendo falado, seu gerente de projetos conferia as mensagens que chegavam pelo celular e também digitava imediatamente as respostas num dinamismo incrível.

Quando a reunião estava chegando aos 20 minutos de duração, o presidente começou a falar sobre como gostaria de receber a proposta e perguntou em quanto tempo o serviço seria feito caso fechassem o negócio. Nesse instante o gerente perdeu o foco no celular e pediu ao possível cliente que repetisse a última parte de sua fala. O presidente disse que não repetiria nada do que havia falado e que sua postura desatenciosa havia “talhado o seu sangue”. Em seguida solicitou o fim da reunião e das conversações, pois perdera o interesse pelo negócio diante do desinteresse demonstrado pelo gerente de projetos durante aqueles 20 minutos. Arrematou dizendo que, se houvesse algo muito urgente pra ser resolvido pelo celular, era só combinar uma ligeira licença mas nunca ficar de corpo presente porém desligado da reunião.

Após o pequeno caos instalado e a firmeza do presidente só restou aos profissionais da agência deixar o local com a imagem arranhada, sem olhar para trás. Logo eles, que foram à empresa para negociar serviços ligados à marca e à imagem num mercado tão difícil nesses tempos de crise prolongada.

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Curtas e curtinhas

por Luis Borges 21 de agosto de 2017   Curtas e curtinhas

Hidrelétricas

A Cemig entregou ao Ministério do Planejamento uma proposta para continuar com a propriedade de três das quatro usinas hidrelétricas que a União quer leiloar por 11 bilhões de reais, com os quais o Governo Federal conta para combater o rombo nas contas públicas. A Cemig propõe devolver a usina de Volta Grande, avaliada em R$1,3 bilhão, e quer ficar com as de Jaguara, Miranda e São Simão, avaliadas em R$9,7 bilhões. Mas a empresa dispõe de apenas 3,5 bilhões de reais e precisará conseguir os outros 6,2 bi restantes através de empréstimos junto a uma rede de bancos liderados pelo BNDES. Como sempre, surge a necessidade do estatal BNDES entrar na jogada para viabilizar os negócios do capitalismo sem riscos. Ainda falta o julgamento do Supremo Tribunal Federal para definir se a Cemig tem o direito de manter as concessões por mais 20 anos ou se a União terá o direito de fazer o leilão, conforme estabeleceu em 2012. Enquanto isso prossegue as mobilizações em defesa da estatal.

Rescisão

A legislação resultante da Reforma Trabalhista entrará em vigor a partir de 13 de novembro de 2017. Algumas mudanças foram muito contestadas, como a prevalência do negociado sobre o legislado e o fim da contribuição sindical obrigatória, por exemplo. Entre as que repercutiram menos estão o fim da homologação da rescisão do contrato de trabalho para quem trabalhou mais de um ano feita no sindicato dos empregados, que passará a ocorrer na empresa contratante, e o fim da obrigatoriedade do registro do plano de cargos e salários no Ministério do Trabalho e do próprio contrato social. Ou seja, tudo será acertado diretamente entre patrões empregados.

Será que o Governo Federal ainda vai encontrar uma fórmula para recriar a contribuição sindical com outra embalagem?

R$10,00 a menos

O Ministério do Planejamento projetava na Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2018 o valor de R$979,00 para o salário mínimo. Agora em função da queda da inflação revisou sua projeção para 969 reais e, com isso, passou a sonhar com a possibilidade de contar com mais 3 bilhões de reais advindos dessa diferença de R$10,00. Vale lembrar que 22 milhões de aposentados e pensionistas do INSS recebem um salário mínimo mensal.

O que poderá ser feito com esse dinheiro é pergunta que nem deveria ser feita, pois só a proposta de fundo para financiar as eleições de 2018 já teria a prioridade zero e o auxílio moradia de 4.377 reais para o Poder Judiciário e Ministério Público viria logo a seguir. Gastar é bem mais fácil e no máximo é ter um pouco de paciência para aprovar no Congresso Nacional o aumento da meta do déficit das contas públicas.

Seguros de automóveis

A Superintendência de Seguros Privados, autarquia da Administração Pública Indireta Federal brasileira, informou que o mercado de seguros para automóveis cresceu 5,8% no primeiro semestre deste ano quando comparado ao igual período de 2016. Esse crescimento se deve muito mais ao aumento dos valores cobrados pelas seguradoras, devido ao crescimento do roubo de veículos, do que uma maior recuperação do setor automotivo.

Já a Federação Nacional de Seguros Gerais estima que de 65% a 70% das pessoas físicas proprietárias de veículos não possuem seguros desses bens, o que demonstra a existência de uma boa fatia de mercado que ainda pode ser melhor explorado.

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