Só incertezas

por Luis Borges 5 de outubro de 2016   Pensata

Se “a vida é um risco”, como diz um antigo ditado popular, o que e como fazer para atenuar as probabilidades de acontecer o pior?

Faço essa pergunta a propósito de um recente acontecimento ligado a uma questão de saúde envolvendo uma pessoa muito querida em meu viver. Penso que isto pode acontecer com qualquer pessoa, mas o impacto para quem está no dia a dia é muito maior, justamente por se tratar de quem participa e vive numa sincera e duradoura relação de amizade. Tudo vai muito além da natural solidariedade humana.

O fato a que me refiro aconteceu na madrugada da segunda-feira 19 de setembro, quando a jovem senhora sentiu-se mal, mas não chamou ou não conseguiu chamar alguém àquela hora. Ainda bem que pouco depois a família percebeu a situação. Buscou-se um rápido atendimento hospitalar, não sem as dificuldades e obstáculos do nosso sistema de saúde. Nesse caso foi mais rápido conseguir um atendimento pelo SUS Fácil do que pelo plano de saúde, com suas barreiras e limites técnicos.

Ao longo daquele dia os familiares e amigos mais próximos foram se inteirando das informações e, é claro, também houve atualizações nas redes sociais. No início daquela tarde o diagnóstico apresentado aos familiares foi do temido Acidente Vascular Cerebral (AVC) Hemorrágico. O prognóstico veio carregado de muitas possibilidades e condicionantes dentro de uma linguagem técnica, o que só fez aumentar as incertezas e angústias diante de um tempo que passou a se escoar lentamente. Expressões como “o cérebro está inchado” ou “é preciso verificar a extensão da lesão” ou ainda “o estado geral tem sua criticidade dentro de uma estabilidade” entre tantas outras passaram a fazer parte do cotidiano.

Decorridos vários dias do acontecimento, persistiam apenas incertezas, enquanto a jovem senhora prosseguia sedada, com o organismo buscando a seu modo absorver o que fosse possível até que chegasse o momento de outras intervenções.

Lá no fundo do coração, continuavam prevalecendo só incertezas apesar do realismo esperançoso, mas como é doído! Ao mesmo tempo, é o que está colocado para todos nós que partilhamos dessa amizade.

Escrevi os parágrafos acima no fim de setembro. Infelizmente, no dia 1 de outubro, Ruth Silva Magela de Ávila veio a óbito, para tristeza de todos nós que a perdemos.

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E agora, prefeitos?

por Luis Borges 3 de outubro de 2016   Pensata

A maioria dos municípios brasileiros já elegeu seus prefeitos. Para alguns, ainda há o segundo turno da disputa, que será definido apenas em 30 de outubro. Com a nova modalidade de eleições, de campanha mais curta e sem o dinheiro outrora doado pelas empresas privadas, cada um se mostrou como pôde e o resultado é o que está aí.

Mas e agora, prefeitos? O que fazer e como fazer para solucionar todos os problemas dos municípios?Faltando três meses para a posse e início do mandato de quatro anos, imagino que os novos prefeitos passaram a conhecer esses problemas pelo menos a partir de julho e que os prefeitos reeleitos já os conhecem de sobra. Muitos também já devem estar dizendo que o município está quebrado, que a crise econômica ajudou a arrecadação a despencar e que os gastos obrigatórios continuam sempre crescentes. É importante lembrar que todos já estão preocupados com o pagamento das dívidas eleitorais, o preenchimento dos cargos de recrutamento amplo, a formação de uma coalisão partidária para a sustentação política na Câmara de Vereadores e, quem sabe, com algum tipo de sistema para gerenciar os negócios do município.

Fonte da imagem: site do TSE

Fonte da imagem: site do TSE

O que esperar dos eleitos? Sinceramente eu esperaria também que o prefeito seja uma liderança de tal porte que a população tenha nele uma referência rumo ao crescimento e desenvolvimento do município, ainda que a estratégia para o momento seja a de sobrevivência. Se o conflito é a essência da política caberá às lideranças, entre elas o prefeito, encontrar as soluções para os problemas existentes ou que forem surgindo. É preciso também que todos estejam atentos para não permitir que a chegada ou continuidade no poder seja apenas encarada como parte de um projeto de poder.

Também é inadmissível permitir a acomodação de um prefeito tendo como desculpa que a crise econômica está muito brava, que o crescimento econômico ainda vai demorar um pouco para voltar ou que tudo depende só da aprovação do teto dos gastos públicos, da Reforma Previdenciária, Trabalhista, Política, Tributária… Não dá para se esquecer que, por piores que sejam algumas propostas apresentadas ao eleitor até a semana passada, terminada a eleição é hora de mostrar como tudo será feito. Se o blefe foi grande ou se o programa no papel aceitou de tudo, ainda dá tempo de trabalhar com planejamento, com recursos finitos e também com simplificação de processos, combate ao desperdício, qualidade, produtividade e avaliação de resultados, por exemplo.

Finalmente espero que o prefeito saiba que as coisas fáceis já foram feitas e que para ele só ficaram as difíceis, assim como para todos nós que almejamos viver dignamente e dentro das regras de uma democracia participativa. E nunca poderemos nos esquecer de que a gestão é fundamental para a solução dos problemas, ainda que eles sejam priorizados em função dos recursos existentes, mas com a necessária e obrigatória transparência.

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Nesse início de Primavera a natureza está brindando os moradores e visitantes do bairro de Santa Tereza com roseiras em flor na Praça Duque de Caxias, como você verá nas fotos deste post.

Rosa no canteiro da praça Duque de Caxias. | Foto: Sérgio Verteiro

Rosa no canteiro da praça Duque de Caxias. | Foto: Sérgio Verteiro

Elas são resultado de trabalho e engajamento da comunidade do bairro. O canteiro fica em frente à Igreja de Santa Tereza e Santa Terezinha. A última, como explica esta matéria do portal Santa Tereza Tem, é conhecida como “Santa das rosas”, pois carrega um ramalhete das flores nas mãos. O canteiro foi adotado por Eliza Peixoto e Lívia Ladeira, que plantaram mudas doadas por elas, por outros moradores do bairro e pela igreja. A ação faz parte do projeto “Mãos à Praça”, que você pode conhecer melhor clicando no link no nome do projeto.

Foto: Sérgio Verteiro

Fotos: Sérgio Verteiro

Essas roseiras foram plantadas em dezembro do ano passado e passaram dez meses sob cuidados intensos e vigilância contra vandalismo e depredação. Agora as 33 mudas já começam a mostrar seus agradecimentos.

Foto: Sérgio Verteiro

Foto: Sérgio Verteiro

Esse é um bom exemplo de que só reclamar não basta, é preciso agir. Você já pensou, por exemplo, na possibilidade de aderir ao “Mãos à Praça” ou a outros projetos semelhantes no seu bairro?

A prática continua sendo um dos critérios da verdade, principalmente se queremos cada vez mais reduzir a diferença entre a intenção e o gesto.

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Curtas e curtinhas

por Luis Borges 26 de setembro de 2016   Curtas e curtinhas

R$28 milhões por dia

A arrecadação do Governo Federal continua caindo mês a mês, mas os gastos continuam crescendo. Sem aprovação da PEC que limita os gastos públicos, vale dar uma olhada no que prevê projeto para o Orçamento de 2017. Segundo ele, o Congresso Nacional custará ao contribuinte R$10,2 bilhões, ou seja, aproximadamente R$28 milhões por dia. Isso sem incluir as emendas parlamentares.

Os gastos com salários e encargos sociais representam em torno de 80% do valor orçado. A Câmara dos Deputados, com 513 parlamentares e cerca de 16 mil funcionários efetivos e comissionados, tem orçamento previsto de R$5,9 bilhões e o Senado Federal, com 81 Senadores, está orçado em R$4,3 bilhões.

Em 2016 o gasto previsto é de R$9,4 bilhões ou aproximadamente R$25,75 milhões por dia.

É o gasto com a democracia representativa cujos representantes, basicamente, procuram os seus representados no período eleitoral a cada 4 anos.

Adiada a Reforma Trabalhista

Depois de muitos “balões de ensaio” difundidos pela mídia e muitas reações contrárias às propostas, o Governo Federal perdeu a pressa para fazer a tão falada Reforma Trabalhista. O Ministro do Trabalho informou que tudo ficará para o segundo semestre de 2017 porque as prioridades do momento são o teto para os gastos públicos e a Reforma da Previdência Social.

Será que o Ministro pensa que todo mundo está acreditando nisso, sendo que a Reforma Trabalhista era tida como essencial até semana passada? Está passando da hora de os novos ocupantes do Poder Executivo Federal mostrarem seus resultados, já que estão lá há quase 5 meses.

30 dias úteis 

As operadoras de planos de saúde voltaram a reivindicar junto à Agencia Nacional de Saúde Suplementar  (ANS) um prazo mínimo de até 30 dias úteis para a marcação de consultas médicas. Atualmente esse prazo é de 7 dias úteis para consultas com pediatras, ginecologistas, obstetras, clínicos e cirurgiões gerais e de 14 dias úteis para as demais especialidades. As operadoras queixam-se das multas cobradas pela ANS pelo descumprimento dos prazos, que elas consideram pesadas, e alegam que faltam profissionais no interior do país.

Se hoje já está difícil conseguir uma consulta com mais rapidez, dá para imaginar como tudo vai piorar ainda mais se a ANS aceitar essa proposta.

Obras paralisadas 

Um levantamento feito pelo Instituto Nacional de Recuperação Empresarial mostra que existem 5.200 obras paralisadas no país, das quais 20% são privadas, 30% público-privadas e 50% públicas. Mas segundo a ONG Contas Abertas esse número pode ser bem maior devido à dificuldade de se obter dados mais transparentes.

Entre as causas da paralisação estão a recessão econômica, o déficit das contas públicas (que chegará a R$170 bilhões este ano) e os desdobramentos decorrentes da operação Lava Jato. O Programa de Aceleração do Crescimento não aguentou o tranco.

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Vale a leitura

por Luis Borges 24 de setembro de 2016   Vale a leitura

Quando o barato sai caro

Ao fazer suas compras de bens e serviços o cliente deveria olhar a qualidade intrínseca, o preço e o atendimento. Mas quando ele observa apenas o menor preço e deixa de analisar os parâmetros que definem a qualidade, é grande o risco de perder dinheiro. É o que aborda Sophia Camargo no artigo Economizar nem sempre vale a pena; veja 8 exemplos em que o barato sai caro publicado pelo portal UOL. Será que eles também servem para você?

Envelhecimento e longevidade

O envelhecimento da população brasileira tem nos mostrado como a longevidade está aumentando. A expectativa de vida é um dos argumentos mais disseminados para justificar a necessidade de uma reforma da Previdência Social diante da mudança dos parâmetros que mostram o perfil da população idosa (60 anos em diante).  Muito se fala sobre a dor e a delícia e os temores que povoam as mentes das pessoas que caminham rumo a esse momento da vida. Leandro Karnal aborda a questão no texto As corujas invisíveis do crepúsculo publicado pelo Estadão.

“A cor da vida é a cor da morte, assegura sábio ditado. Jovens chatos serão velhos chatos. Um adolescente brilhante tem chance grande de gerar um ancião da mesma cepa. No fundo, gente velha é igual a gente jovem, só que velha… Qual seria, de fato, nosso medo? Provavelmente, o receio dialoga com a questão da perda de relevância e de controle, especialmente sobre o nosso corpo”.

Paraolimpíada ou Paralimpíada?

Apesar do fim dos jogos, vale a leitura do artigo do professor Pasquale de Cipro Neto sobre a polêmica no nome oficial da competição.

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Primavera nos dentes

por Luis Borges 21 de setembro de 2016   Música na conjuntura

A Primavera começa oficialmente nesta quinta-feira, 22 de setembro, às 11 horas e 21 minutos, hora de Brasília. Ela chega precedida por um final de Inverno muito quente em Belo Horizonte, com temperaturas de até 33ºC, além de queimadas abundantes, baixa umidade relativa do ar, ventanias e mínimas gotículas de chuvas.

A Primavera é a estação do ano de que mais gosto, mesmo diante de tantas mudanças climáticas. Tenho a expectativa do rebrotar das plantas e da presença marcante das flores, contribuindo para a melhoria do astral. Por outro lado, é com muito realismo, pragmatismo, esperança e alguma poesia que entro na nova estação, sem ingenuidade perante a luta de classes que também floresce. Os problemas transbordam e a árvore da sabedoria não é a que hegemoniza a floresta.

As primeiras flores já aparecem. | Foto: Maria Cristina Borges

As primeiras flores já aparecem. | Foto: Maria Cristina Borges

Continuam preocupantes os níveis de insatisfação e intolerância de uma sociedade na qual os grupos que disputam o poder não conseguem resolver a crise em que jogaram o país. Longe do maniqueísmo, que só vê os que são “contra” ou “a favor” de determinadas proposições, existem os que não se sentem representados pelo que está aí. Uma boa demonstração disso poderá ser medida nas eleições municipais desta Primavera, diante da estimativa feita por diversos comentaristas políticos de que 35% dos eleitores devem votar nulo, branco ou se abster de comparecer às urnas.

Enquanto as chuvas não chegam e o conformismo segura um grito mais alto das ruas, só nos resta a paciência histórica de quem nunca se sente vencido na busca inteligente das transformações necessárias para que todos possam realmente viver melhor.

Muitas são as músicas brasileiras que abordam ou enaltecem a Primavera. Para este ano sugiro a escuta de Primavera nos dentes, de autoria de João Ricardo e João Apolinário, cantada pelo grupo Secos e Molhados, que contava com Ney Matogrosso nos vocais.

Primavera nos dentes
Fonte: Letras.mus.br

Quem tem consciência para ter coragem
Quem tem a força de saber que existe
E no centro da própria engrenagem
Inventa a contra-mola que resiste

Quem não vacila mesmo derrotado
Quem já perdido nunca desespera
E envolto em tempestade decepado
Entre os dentes segura a primavera
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O por do Sol em Araxá

por Luis Borges 19 de setembro de 2016   A vida em fotografias

Araxá significa na língua indígena “um lugar onde primeiro se avista o Sol”. Além de belos nasceres do astro, também é possível admirar belos poentes na cidade.

Foto: Vanderlei Pereira da Silva

Foto: Vanderlei Pereira da Silva

As fotos deste post são registros dos instantes finais do Sol poente na sexta-feira 09 de setembro em Araxá, quando o Inverno já caminhava para o fim. As imagens foram feitas do terraço de um prédio no centro da cidade.

Foto: Vanderlei Pereira da Silva

Foto: Vanderlei Pereira da Silva

Com qual frequência você consegue dar uma paradinha no ritmo intenso de sua vida para contemplar um pôr do Sol na cidade em que você mora ou visita?

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