Argentina e Irã se enfrentam hoje em Belo Horizonte. Não devemos ver confusão no trânsito, já que é sábado e não tem jogo do Brasil. Na terça-feira passada, dia 17/06, teve gente que perdeu o primeiro tempo.

Fila de carros na av. Cristiano Machado, em BH, antes do jogo do Brasil

A caminho de casa

A foto acima, tirada por Sérgio Verteiro, mostra o viaduto Henriqueta Lisboa, na av. Cristiano Machado, por volta das 15h15. Na avenida de BH o trânsito de veículos estava totalmente parado na pista mista, sentido Centro-bairro.

Penso que, obviamente, era grande a ansiedade para chegar em casa, pra não perder nenhum minuto da partida. E, provavelmente, quem estava parado no trânsito não imaginaria que a dois quarteirões dali, pelo lado direito da pista, uma flor de maracujá enfeitava uma rua do bairro União no final do outono, pedindo passagem para o inverno.

Flor de maracujá aberta

A beleza da flor de maracujá, capturada por Sérgio Verteiro

No calor do trânsito também não daria para lembrar que essa flor é associada à Paixão de Cristo. Ou que, em tupi-guarani, maracujá significa “alimento dentro da cuia”. E nem daria para gracejar com o “maracujá de gaveta”, expressão do grau de enrugamento da pele do rosto de alguém.

Mas talvez, por uma dessas coincidências da vida, um motorista ou passageiro estivesse ouvindo em seu rádio a voz de Gal Costa, interpretando a música “Flor de Maracujá”, composta por João Donato e Lysias Enio.

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E agora, José?

por Luis Borges 18 de junho de 2014   Pensata

Muitos dos nossos filhos participaram das manifestações de junho de 2013. A oportunidade foi a Copa das Confederações e o recado foi claro, ainda que marcado em vários momentos pela violência de vândalos, mascarados ou não. No geral, a maioria das pessoas se surpreendeu nos papéis que ocupavam na estrutura social e governamental diante do novo momento. Atônitas, elas levaram um tempo para compreender as causas e os efeitos daquilo tudo, já que, na era da informação e do conhecimento, muitos não haviam percebido nada antes das eclosões. De lá para cá ficou a expectativa traduzida pela expressão “imagine na Copa”, nova oportunidade para a população manifestar suas insatisfações.

No sétimo dia do evento, ficam nítidas as ações e as omissões de quem deveria ter feito reformas, simplificações e melhorias levando em conta os anseios sociais. Um bom exemplo é o reposicionamento estratégico dos órgãos de segurança, cercando as manifestações de rua, que hoje têm baixa adesão se comparada com o ano passado. É claro que a violência contribuiu muito para esse afastamento das pessoas.

Nesse sentido repercutiu intensamente nas mídias e redes sociais a cena do pai, funcionário público, enfrentando seu filho de 16 anos para retirá-lo de uma manifestação onde ele protestava e reivindicava novas condições sociais.

Mas como avançar na construção de uma sociedade mais justa e de paz tirando de cena os nossos filhos, que têm a obrigação de nos superar, sem nenhum grau de confronto?

É sempre bom nos lembrarmos da história recente do nosso país e verificar que muitas das pessoas que hoje ocupam altos e diferentes postos, inclusive na política partidária, militaram e lutaram nos movimentos sociais contra a Ditadura Militar, pela redemocratização, pela anistia, por “Diretas Já! e pelo impeachment de um presidente corrupto. Eu diria que foram emblemáticos anos como 1968, 1977, 1984 e 1992. Se o conflito é a essência da política e o show de todo o artista tem que continuar, é hora de reconhecer 2013 também como emblemático e reconhecer com sabedoria que, se a vida é um risco, gerações sucedem gerações na complexidade de sempre.

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Curtas e curtinhas

por Luis Borges 17 de junho de 2014   Curtas e curtinhas

Mudança – No ano 501 a.C. Heráclito já dizia que nada existe em caráter permanente a não ser a mudança. Hoje, no sexto dia de realização da Copa no Brasil, qual deve ser o percentual daqueles que acreditam no sucesso do evento? Qual é a diferença com o percentual da véspera do início do evento? Mas pra que chorar se também as estrelas mudam de lugar.

20 anos de Real – O plano Real chegou aos 20 anos com uma inflação anualizada bem superior à meta de 4,5%. Uma de suas premissas foi a desindexação da economia, mas a prática de corrigir preços pela inflação dos últimos 12 meses é cada vez mais acentuada. O primeiro a fazer isso é o próprio governo federal, acompanhado pelos governos estaduais, nos preços administrados ou previstos em lei. A lista é grande, a começar pelas telecomunicações, energia elétrica, transportes coletivos, correios, serviços de cartórios, água, esgotos, coleta de lixo…

Alugar ou vender? – Um senhor, mineiro de Belo Horizonte, aposentado, conta com o valor proveniente do aluguel de um apartamento de três quartos no bairro Cidade Nova em sua renda mensal. Há um ano e dois meses o imóvel foi desocupado pelo inquilino que pagava R$ 1.380,00 por mês, já que conseguira financiar a compra de seu próprio imóvel. O senhor tentou realugar o apartamento por R$ 1.600,00 mais taxa de condomínio de R$ 260,00. Após um ano, o apartamento ainda continuava sem inquilino. Diante da receita cessante, o senhor curvou-se à realidade do mercado e baixou o valor do aluguel para R$1.000,00. Passados mais 2 meses finalmente seu apartamento foi alugado e vai lhe render R$ 900,00 líquidos pois a taxa de administração da imobiliária é de R$ 100,00. Ainda que ele tenha que pagar 15% do valor líquido como imposto de renda, também ficará livre da taxa de condomínio e do IPTU. O senhor proprietário declarou que, na próxima vez, preferirá vender o imóvel e aplicar o dinheiro numa caderneta de poupança, o que o livrará da necessidade de tomar um medicamento ansiolítico ou de queimar parte de suas pequenas reservas

Mais rápido – O metrô, ou trem de superfície, de BH teve o intervalo entre suas viagens diminuído nesse período de Copa, pois está havendo capacidade para isso atualmente. Já pensou se a moda pega?

Planejamento de obras – Fazer certo desde a primeira vez é a lição que a BHtrans, a Sudecap e a Administração Regional da Pampulha devem aprender após reconhecerem que quase 8 km da ciclovia da lagoa da Pampulha foram construídos sem dar a devida prioridade às condições de segurança. Agora é contabilizar os prejuízos humanos e materiais, arrumar novos recursos, elaborar um novo projeto, fazer nova obra, esperar a Copa acabar e continuar convivendo com o perigo até que tudo fique pronto da maneira correta.

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orelhão

Orelhões ainda existem. / Foto: Sérgio Verteiro

Você se lembra da última vez em que precisou usar um telefone público instalado num orelhão? Qual foi o grau de dificuldade para encontrar um aparelho em boas condições de uso?

Nos últimos 10 anos, marcados pelo avanço tecnológico e pela universalização do acesso à telefonia celular, o Brasil perdeu um terço dos seus orelhões, segundo reportagem do portal G1. Hoje são 4,3 orelhões para cada grupo de mil habitantes no país, de acordo com a matéria.

O desafio é encontrar um que funcione. Ainda predominam a falta de educação e o desprezo pela preservação de um bem público, que ainda pode ser útil a uma comunidade. Imagine o que fazer para se comunicar após ter o seu dispositivo tecnológico de última geração simplesmente roubado em plena via pública?

orelhão totalmente queimado

Foto: Sérgio Verteiro

A primeira fotografia, que abre este post, é de um orelhão novo, na rua Ceará esquina com Av. Brasil, em Belo Horizonte. Ele estava estragado, foi substituído há cerca de um mês e sabe-se lá quanto tempo levará para ser depredado. Já a fotografia acima mostra um aparelho carbonizado, na rua dos Guajajaras, no Barro Preto. No caso dele, o jeito é esperar para ver quando será trocado. A matéria do G1 aponta que, como o orelhão queimado, 15% dos telefones públicos do país estão em manutenção, fora de funcionamento.

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Vale a leitura

por Luis Borges 15 de junho de 2014   Vale a leitura

Água – O sistema Cantareira, que abastece parte de São Paulo, passa por uma enorme crise. Uma nova preocupação dos especialistas, segundo este texto, é que o verão seja, novamente, seco. Por isso, volta à tona a importância de adotar hábitos racionais de consumo.

Se cada um dos 8,8 milhões de habitantes da região metropolitana de São Paulo, que são abastecidos pelo sistema Cantareira, reduzir em 20 minutos sua utilização diária de água, juntos adiaremos em um dia o esgotamento desse sistema. O cálculo, realizado pelo Instituto Akatu, foi feito para o cenário da vazão média do Cantareira em abril, de 23,9 mil litros por segundo.

FilhosUma tese de doutorado defendida na UFMG analisa o comportamento de casais de alta escolaridade em relação à quantidade de filhos. A pesquisadora chegou a condições interessantes. Além do adiamento da decisão de ter filhos, esses casais também levam em conta a igualdade de gêneros.

Eleições – Entre os brasileiros, 30% não escolheram seu candidato nas eleições de outubro, segundo a pesquisa mais recente do Datafolha. Neste artigo, há uma análise. Segundo o especialista, o eleitor não quer nem PT nem PSDB.

Pequeno Príncipe – Tostão comenta histórias relacionadas a Messi.

Piketty – A Veja Online fez uma entrevista com o economista francês Thomas Piketty. Autor do livro “O Capital no Século XXI”, ele está sendo muito comentado no mundo todo. Entre outras ideias, defende uma adequação na forma de cobrar impostos, para que os mais ricos sejam taxados em alíquotas maiores e mais justas.

É preciso refletir sobre a desigualdade. O que observamos nos países ricos é que a riqueza do topo da pirâmide, ou seja, da parcela de 1% da população, avança três vezes mais rápido que o crescimento do produto interno bruto (PIB). E isso, eventualmente, vai acontecer com os emergentes também. Até onde isso irá? Eu não sei. Não posso ter certeza das taxas de crescimento econômico dos anos que virão. Se os países ricos conseguirem crescer mais de 4% ao ano, por exemplo, a desigualdade tende a se equilibrar. Mas não há evidências de que isso deva ocorrer. Então é melhor termos outro plano caso essa taxa de crescimento não ocorra. 

Humores – Alexandre Schwartsman diz que o mau humor dos consumidores e dos empresários não é causa da baixa na economia. Na verdade, o humor é decorrente dos problemas econômicos. O texto completo está aqui.

Atribuir o crescimento medíocre ao humor empresarial é uma piada de mau gosto, de quem tenta afastar de si a responsabilidade pela visão medieval que tem dominado nossa política econômica nos últimos anos.

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Apesar da Ambev, proprietária da cerveja Brahma, ter feito campanha para antecipar em 24 horas o Dia dos Namorados por causa da abertura da Copa, tudo continua como no calendário de outros anos.

Como todos os dias deveriam ser para celebrar o amor vou dizer que o 12 de junho é um dia mais que especial para essa celebração. O amor é lindo e existe, de preferência com humor, alegria e mútua compreensão na complexa arte de viver em tempos tão velozes.

Dolores Duran, nome artístico de Adiléia Silva da Rocha, que se estivesse entre nós teria completado 84 anos dia 7 de junho, nos presenteou com a linda canção que é “A noite do meu bem”, e que vale a pena ser ouvida nessa data.

Dolores Duran nasceu no Rio de Janeiro em 7 de Junho de 1930, e lá faleceu em 24 de outubro de 1959. Mesmo tendo vivido apenas 29 anos, ela viveu intensamente seus amores e a música. Assim, ela também nos deixou a música “Fim de caso”, onde nos mostra ser quase uma preceptora dos famosos versos de Vinicius de Moraes.

Fim de Caso
Dolores Duran

Eu desconfio que o nosso caso está na hora de acabar
Há um adeus em cada gesto, em cada olhar
Mas nós não temos nem coragem de falar
Nós já tivemos a nossa fase de carinho apaixonado
De fazer versos, de viver sempre abraçados
Naquela base do só vou se você for
Mas, de repente, fomos ficando cada dia mais sozinhos
Embora juntos cada qual tem seu caminho
E já não temos nem vontade de brigar
Tenho pensado, e Deus permita que eu esteja errada
Mas eu estou, eu estou desconfiada
Que o nosso caso está na hora de acabar.

Fonte: Letras.mus.br
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Curtas e curtinhas

por Luis Borges 11 de junho de 2014   Curtas e curtinhas

Copa – As vésperas do inicio da Copa, a Fifa publicou em sua página na internet uma tentativa de colocar os pingos nos “is”. A federação negou que tenha exigido do governo brasileiro uma isenção geral de impostos e tributos para os seus aliados, patrocinadores do evento. O Ministério dos Esportes disse que não é bem assim, e subiu no muro, como sempre. A palavra transparência mais uma vez ficou opaca, já que o Tribunal de Contas da União estima que a liberalidade dessa renuncia fiscal significa deixar de arrecadar R$ 1,1 bilhão.

Um ano depois – Em junho do ano passado as manifestações de rua mostraram claramente a insatisfação das pessoas e as exigências de mudanças em diversos aspectos da vida no país. Passado um ano, quase nada foi feito pelo poder legislativo federal, que passa a sensação de esperar propostas do poder executivo, como ocorre na enorme quantidade de medidas provisórias tratando de temas variados. Agora, com a edição do decreto presidencial que regulamenta a política de participação social em instâncias consultivas do Serviço Público Federal, o Congresso Nacional começou a chiar, alegando perda de atribuições. Eles fizeram como Carolina, que ficou na janela e não viu o tempo passar. O fato é que a democracia representativa continua sendo questionada pelo seu desempenho. E continuam as manifestações e as reivindicações por democracia direta (horizontal), que o decreto presidencial tenta amenizar com a regulamentação da democracia participativa em seu âmbito. Imaginemos como ficaria isso no Poder Judiciário e nas esferas estaduais e municipais.

Multas na telefonia – Praticamente 9 de cada 10 reais de multas aplicadas pela Anatel desde o ano 2000 não foram pagas pelas operadoras de telecomunicações. Quando é o usuário que atrasa o pagamento de qualquer conta devida às operadoras, a tolerância é zero, e o nome do devedor é lançado imediatamente na Serasa e organizações afins. Haja força e persistência para uma luta tão desigual, já que a Anatel é bastante tolerante com as operadoras e ouve burocraticamente as reclamações dos usuários que ousam fazê-las, principalmente quanto à qualidade dos serviços prestados e cancelamentos de contratos.

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