Vale a leitura

por Luis Borges 8 de fevereiro de 2015   Vale a leitura

Odete Lara: a bela em busca da paz – A atriz e cantora Odete Lara morreu na quarta, 04/02, aos 85 anos, numa clínica de repouso no Rio de Janeiro. Ela participou de 32 filmes e teve o seu estrelato nas décadas de 60 e 70 do século passado. Sua história de vida foi profundamente marcada pelo suicídio da mãe e do pai. Odete dizia que “a morte é o próximo tabu a ser quebrado na nossa sociedade, depois do sexo”. Leia o texto de Camila Appel, que se inspirou em Odete para começar o blog “Morte sem tabu”, que traz um resumo da trajetória da atriz.

A grande cebola digital – Informação demais, bombardeio de posts e dados do último minuto. O ritmo é frenético. Como anda seu grau de credulidade em relação a tudo que chega a você? O jornalista e professor Leonardo Sakamoto escreveu este texto, no qual narra a checagem que fez de um desses posts que viralizou nas redes sociais. O resultado? Os dados não resistiram. A conclusão dele é que “vivemos a fase da Grande Cebola Digital: descascando, sobra só o vazio”. E no seu caso? Cabe uma ação corretiva diante da sua credulidade no que você lê na internet?

Prevenção contra infarto, AVC… – Na constante busca pela satisfação acabamos passando por muitos momentos de grande insatisfação. Incomodam-nos a seca prolongada, o forte calor, as poucas chuvas, o necessário uso racional da água e da energia. No trabalho, a mansidão do colega e a lerdeza do chefe; no trânsito engarrafamentos, multas e reclamações. Em casa, a sensação de insegurança ao sair ou ao chegar, sempre pensando no desequilíbrio social que a concentração de renda só acentua. Reclamar do governo, denunciar má gestão e corrupção ou clamar por educação e saúde de qualidade quase viram muro de lamentações. Que momentos nos sobram para contemplar coisas belas que resistem e acalantam o nosso ecossistema? Neste artigo, o jornalista Eduardo Costa faz um contraponto a tantos problemas vividos e se permite lembrar dos canarinhos de sua infância em Inácia de Carvalho e de seu reencontro com eles 50 anos depois na cidade de Nova Lima.

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Procurar e observar as pequenas belezas é mais um antídoto. Sem olhar para o alto, ninguém veria o passarinho que escondeu o ninho entre as tubulações./ Foto: Marina Borges

Aproveite a crise – A crise é a mãe de todas as oportunidades. Na crise, crie. O cavalinho passa arreado só uma vez. O sapo pula por necessidade e não por boniteza. Frases como essas são citadas constantemente em períodos de crise, como a econômica e social que estamos vivendo atualmente. Leia neste artigo de Adriana Gomes, mestre em psicologia social e do trabalho, sua visão de como aproveitar a crise e se reposicionar diante dos novos cenários que se desenham. O que não dá é ficar só resmungando e murmurando sem nada fazer.

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Difícil almoçar sem celular

por Luis Borges 5 de fevereiro de 2015   Pensata

Um engenheiro químico, professor universitário aposentado, 58 anos de idade, convidou doze amigos e amigas para um almoço de confraternização de início de ano. O dia escolhido foi o segundo sábado de janeiro e o local, a sua aprazível casa em um condomínio fechado situado na grande Belo Horizonte, lá para os lados da Serra da Moeda.

Todos os convidados, cuja faixa etária varia entre 50 e 60 anos, confirmaram a presença em tempo hábil, conhecedores que são do sistema do amigo anfitrião.

E assim, no dia marcado, os convidados começaram a chegar a partir das 13h e a participar do aperitivo após os cumprimentos da chegada.  Satisfeito com o momento e com a movimentação que crescia, o professor às vezes se mostrava efusivo, mas também percebia que todos chegavam armados com seus celulares, esbanjando tecnologia e muita capacidade de registrar a instantaneidade de tudo.

Finalmente, às 14h30, em meio a muita conversa, mensagens enviadas e muitos dispositivos tecnológicos esbanjando suas sonoridades, foi dado o primeiro aviso de que o almoço teria início.

Mesa posta, comida árabe no cardápio, as pessoas foram se acomodando e fotografando tudo, enquanto dois retardatários finalmente também se sentaram.  De repente o anfitrião olhou para a mesa, cujas imagens já estavam nas redes sociais, e percebeu que todos os convidados colocaram seus celulares à mesa, bem ao lado do prato e, em alguns casos, até encostando-se nos talheres.

Indignado e sempre fiel às suas crenças e valores, o anfitrião pediu um instante da atenção de todos e foi direto ao ponto. Pediu que todos retirassem seus celulares da mesa e os colocassem na sala ao lado. Arrematou sua fala pedindo que todos lavassem as mãos antes de retornarem aos seus lugares. Seguiu-se um burburinho de surpresa e o acatamento da solicitação feita.

O almoço aconteceu com razoável ligeireza, alguns sussurros, poucas conversas. Ainda assim alguns participantes se levantaram, até mais de uma vez, para ir à sala ao lado atender seus celulares, que não estavam no modo silencioso. Por volta das 15h30 foi servida a sobremesa, da qual ninguém gosta de abrir mão, e um cafezinho encerrou o evento. Às 16h30 todos já haviam partido, agarrados a seus celulares, agradecendo pelo almoço, sendo que a maioria não fez alusão a um futuro encontro. Apenas três amigos passaram recibo, se desculpando por terem colocado seus celulares à mesa, e prometeram se esforçar para não repetir o ato numa próxima oportunidade.

Fica o convite à reflexão. O que você tem observado sobre o uso de celulares em todas as ocasiões e lugares? Que análise você faz sobre as pessoas, hoje inseparáveis de seus dispositivos tecnológicos, sempre alimentando suas redes e grupos sociais? Você faz parte desse grupo? Ou será que vai sobrar apenas um cutucão no anfitrião, alegando que ele foi muito radical ao não fazer vista grossa para a situação vivida em sua própria casa?

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Me dá um dinheiro aí!

por Luis Borges 4 de fevereiro de 2015   Música na conjuntura

A notícia é dos portais UOL e G1 – o compositor Homero Ferreira morreu, aos 86 anos, na cidade do Rio de Janeiro e foi enterrado ontem no cemitério São João Batista. Ele é o autor da marchinha Me dá um dinheiro aí, feita em parceria com seus irmãos Glauco e Ivan Ferreira. A música fez enorme sucesso no Carnaval de 1960 e continua inesquecível até hoje.

Na atual conjuntura, Me dá um dinheiro aí nos faz lembrar das várias formas e maneiras que o Governo Federal está usando para tomar o nosso dinheiro, já muito combalido pela inflação que lhe retira o poder de compra.

Em nome do ajuste fiscal, da correção das distorções e dos diversos erros na condução da política econômica estamos pagando mais imposto de renda com a tabela sem correção. Mais PIS, Cofins, IOF e fatias de direitos sociais. Salta aos olhos o estrondoso tarifaço da energia elétrica, que recebeu ontem da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) um aumento de até 45% para várias distribuidoras de energia, fora o rateio da CDE (Conta de Desenvolvimento Energético), que ainda vai passar por audiência pública. Também vale lembrar o aumento dos combustíveis, a volta da Cide e o eterno sonho de trazer de volta a CPMF. O que ninguém fala é na redução de gastos e no combate aos desperdícios. O duro é que não temos para quem pedir dinheiro, bebendo ou não.

Já que é assim, o jeito é cantar e pular. O Carnaval se aproxima.

Me Dá Um Dinheiro Aí
Fonte: Letras.mus.br

Ei, você aí
Me dá um dinheiro aí
Me dá um dinheiro aí!

Ei, você aí
Me dá um dinheiro aí
Me dá um dinheiro aí!

Não vai dar?
Não vai dar não?
Você vai ver a grande confusão
Que eu vou fazer bebendo até cair
Me dá, me dá, me dá, oi!
Me dá um dinheiro aí!
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Publicamos ontem aqui no Observação & Análise o texto “Acessibilidade difícil em Santa Tereza“, mostrando os galhos cortados de uma árvore que impediam a passagem segura de pedestres em uma calçada da rua Hermílio Alves.

Até a manhã desta terça, os galhos ainda estavam lá. No início da tarde, foram retirados.

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Pela foto, tirada às 18h10 de ontem, deu pra ver que os galhos não mais impediam a calçada, mas um motorista resolveu fazer sua parte para atrapalhar os passantes.

Registramos a nossa satisfação pela retirada dos galhos. Mas é bom lembrar que o serviço deveria ter sido feito de forma completa logo no primeiro dia da sua realização. Ou seja, cortar, limpar, retirar. O fundamento básico da gestão é fazer o certo desde a primeira vez.

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Foto: Sérgio Verteiro

Como você faria para caminhar com segurança no passeio mostrado acima, cheio de galhos de árvore cortados e abandonados em seu piso há pelo menos 7 dias? Essa fotografia foi feita ontem, 2 de fevereiro, na Rua Hermílio Alves, em Santa Tereza.

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Foto: Marina Borges

Qual seria o seu grau de solidariedade com pessoas de diferentes idades que tivessem que andar nesse mesmo local? Você as ajudaria a driblar as dificuldades de acessibilidade no local?

A foto acima foi tirada na manhã de quinta-feira, 29/1, no mesmo local. A rua Hermílio Alves é a principal via de entrada e saída do bairro de Santa Tereza para quem usa a Avenida do Contorno. O trânsito de veículos é volumoso nas duas mãos da pista de rolamento e os passeios para pedestres são estreitos, como se vê, mas fazem parte da história.

Até a tarde desta segunda nada tinha sido feito pela Administração Municipal para resolver o problema. Os galhos cortados da árvore já estavam lá desde o início da semana passada.

Espero que os usuários do local estejam reclamando e insistindo com suas reclamações na Prefeitura. É claro que poderá surgir alguém dizendo que está sendo feita uma adequação das árvores do bairro, com supressão ou poda. Mas a pergunta é simples: qual é o critério para se fazer o processo completo e com a garantia de segurança para todos os envolvidos? Qual seria o tempo máximo necessário para essa operação?

Só falta também surgir alguém dizendo que a ausência de critério é o critério, e que deve ser usado o bom senso. Se refletirmos um pouco mais perceberemos que sempre que houver critério, não será necessário apelar para o bom senso.

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Fotos: Marina Borges e Sérgio Verteiro

Na rua Almandina, paralela à Hermílio Alves, a acessibilidade também está difícil para quem usa o passeio público. Quase na esquina com a rua Bueno Brandão, a única diferença entra a quinta passada e ontem é que foi feito um serviço meia-boca, remendando um pouco do passeio mas deixando torrões de terra vermelha e entulho.

E a gente vai ficando para trás, mesmo pagando o IPTU em dia, que não nos é retribuído com serviços de qualidade.

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Vale a leitura

por Luis Borges 2 de fevereiro de 2015   Vale a leitura

Mitos sobre suicídio e como preveni-lo – Existem levantamentos de dados mostrando que o suicídio é a décima causa de mortes no mundo e vitima 1 milhão de pessoas por ano. Já as tentativas de suicídio chegam a 20 milhões no mesmo período. Ainda assim, o tema é pouco divulgado pela mídia, principalmente no que tange às ocorrências diárias. Porém, a discussão sobre suas causas está crescendo, mas ainda existem muitos mitos sobre o tema e também muitas orientações sobre como enfrentá-lo. É o que mostra este artigo da administradora e dramaturga Camila Appel, publicado em seu blog no jornal Folha de São Paulo.

Não viu quem não quis – Um conhecido ditado, que é muito lembrado em períodos eleitorais, diz que “o feio é perder as eleições”. Sendo assim, tudo passa a valer para justificar o fim almejado. As eleições de outubro passado apresentaram alguns bons exemplos de informações que foram omitidas ou negadas com o intuito de não prejudicar a obtenção dos resultados esperados por alguns candidatos. Assim, não faltava água para o abastecimento público em São Paulo e Minas Gerais, apesar da seca, da queda dos níveis dos reservatórios de água e do racionamento sentido no dia-a-dia pelas pessoas. No plano federal todos os direitos sociais estavam garantidos, a inflação sob controle e nenhum imposto seria aumentado. Agora que tudo já está consumado sob a égide da democracia, ainda que seja a representativa, veio a realidade em nome da adequação e correção de distorções. A falta de transparência embalou doces mentiras e a história se repetiu como farsa. Leia aqui alguns ângulos desta questão abordados pelo filósofo Hélio Schwartsman.

Prazer no consumo – No final do ano passado ouvi uma pessoa verbalizar e enaltecer o prazer e a felicidade que sentia ao fazer compras. Segundo ela, que é de classe média alta, a ida ao Shopping Center pelo menos três vezes por semana atenuava seus problemas e, em alguns momentos, ela chegava até a se esquecer deles, e tudo dava lugar ao prazer. Uma pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito -SPC Brasil – e pelo portal de educação financeira “Meu Bolso Feliz” mostrou que essa pessoa que ouvi não está sozinha. Leia mais aqui.

Para metade dos brasileiros a sensação de prazer é um fator preponderante na hora de tomar a decisão [de compra]. Conforme o levantamento realizado com 620 pessoas das 27 capitais brasileiras, entre as classes A e B, esse percentual é maior e alcança 68%. Ou seja, para sete em cada dez brasileiros dessas classes sociais, o consumo está ligado a sensações prazerosas.

Eleições na Grécia – O engenheiro civil Alexis Tsipras, 40 anos, tornou-se o novo primeiro ministro da Grécia após a vitória do seu partido Syriza, que é de esquerda, nas eleições do dia 25/1. Essencialmente, sua proposta é de ruptura com a austeridade assumida pela Grécia ao negociar com a Comunidade Europeia e o FMI uma saída para a dívida grega, equivalente a 175% de seu PIB. Diante de sua radicalidade até chegar ao poder, já se especula sobre como ele se comportará daqui pra frente nas negociações e buscando ser coerente com as suas posições de esquerda e de seu partido. Leia neste artigo a pergunta do jornalista Paulo Nogueira, do Diário do Centro do Mundo, tentando raciocinar com as possibilidade de Tsipras se posicionar de maneira semelhante a Lula quando Presidente do Brasil ou a Chaves na presidência da Venezuela. Será que ele não poderá inaugurar um estilo próprio, e que poderia se transformar e virar uma referência para outros líderes emergentes no mundo?

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Na entrada do metrô, várias catracas em linha. Mas poucas estão livres para a entrada dos passageiros. Grades ou portas de ferro impedem a passagem na Estação Minas Shopping do metrô de Belo Horizonte.

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Foto: Sérgio Verteiro

A fotografia acima foi tirada ontem, dia 29/1, por volta das 13h na estação citada. Note que a grade fecha uma entrada de cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida, além de algumas catracas comuns.

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Foto: Sérgio Verteiro

Em outro momento, na noite do dia 23/1, sexta-feira passada, a porta de metal estava fechada, bloqueando catracas e também uma das entradas para cadeirantes. Apenas as passagens para usuários de cartões de transporte estavam funcionando plenamente.

São duas situações semelhantes em curto espaço de tempo, o que nos faz pensar se há defeito e portas sem manutenção ou se é apenas uma diretriz de diminuir a quantidade de catracas para os usuários.

Mobilidade e acessibilidade são palavras que estão sempre na ordem do dia. São termos de profundo impacto no sagrado direito de ir e vir das pessoas. A expectativa que temos é a de encontrar sempre instalações, equipamentos e ambientes amigáveis para todos os que deles necessitam, independente da existência ou não de limites físicos individuais. O pouco caso, o descuido ou a negligência muito nos assustam. Haja paciência e persistência!

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