Faltando apenas 6 meses e 10 dias para as eleições de outubro, verifico o quanto o tempo está passando rápido e o assunto vai entrando mais nas conversas. A incerteza só ajuda a aumentar a ansiedade de quem tem expectativas bem maiores que a realidade. Isso fica cada vez mais visível quando observados e analisados os polos formados na sociedade, com espectros que vão de Extrema Esquerda a Extrema Direita passando pelo Centro e dele também surgindo variações à Esquerda ou à Direita. Tudo isso apesar daqueles que dizem não existir mais essa categorização para os posicionamentos políticos sem, contudo, apresentar alternativas consistentes para abordar a questão.

O fato é que o pragmatismo orienta o foco rumo ao poder ou à manutenção de quem nele está. Nesse momento percebo, por exemplo, 11 pré-candidatos se posicionando para a disputa da Presidência da República, muitos grupos e polos sonhando em ter presença ou aumentar suas bancadas nos parlamentos. O engenheiro Leonel de Moura Brizola afirmava que “quanto maior a frente, menor o programa”. O que já foi proposto genericamente como “programa” pelos postulantes aos cargos tem sido devidamente acompanhado pelo “como” tudo será implementado para a obtenção de resultados positivos? Não basta dizer de maneira ampla num viés à esquerda que é preciso ter um estado de bem estar social, mais igualitário, com políticas sociais compatíveis com o equilíbrio das contas públicas ainda que com menor crescimento econômico. Muito menos num viés à direita falar em maior desigualdade em prol do crescimento econômico, menor carga tributária e com menor oferta de serviços públicos e seguro social. É claro, também, que o polo centrista vai falar em equilíbrio e apelar para a não radicalização da sociedade, tudo isso no regime capitalista hegemonizado pelo capital financeiro enquanto a luta de classes se aguça.

Como e em quem a sociedade votará se neste momento as pesquisas de opinião retratam que 48% dos eleitores não tem simpatia por nenhum partido político e que outros 5% não se manifestaram sobre o assunto? Fico também pensando no interesse dos eleitores pelas eleições. Imagine que a primeira pergunta das pesquisas fosse sobre o interesse do eleitor em comparecer às urnas, mesmo diante da obrigatoriedade do voto. Estimo que poderemos chegar a algo em torno de 50% de não votantes, por meio de votos nulos e brancos bem como das abstenções.

Vamos ver como estarão as coisas daqui a um mês enquanto as nuvens vão se modificando diante das novidades da conjuntura e dos cenários sempre mutantes. Só falta aparecer alguém casuisticamente propondo que as eleições sejam transferidas para 2020 visando à unificação de todos os mandatos com as disputas eleitorais acontecendo de 4 em 4 anos para ajudar no equilíbrio das contas públicas… Será? O impopular Presidente da República voltou a sonhar com a Reforma da Previdência Social a partir de setembro…

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Sabemos da biologia, mais especificamente da zoologia, que a ecdise é basicamente uma troca de pele que acontece na vida de diversos animais, que sempre buscam tirar um melhor proveito nesse processo de metamorfose.

Guardadas as devidas proporções, digamos que algo análogo está acontecendo nesse período de um mês, cuja contagem se iniciou em 7 de março, conhecido como janela partidária. Esse período tem como uma de suas principais características a possibilidade dos parlamentares trocarem de partidos políticos sem correr o risco de perderem o mandato. Afinal de contas o mandato pertence ao partido e, fora dessa data, só com muito conchavo o parlamentar não perde o mandato. Só neste inicio de temporada 17 Deputados Federais já trocaram de partido enquanto outros só o farão no final do período por estarem aguardando qual será a melhor oportunidade de troca. Ainda assim é importante lembrar que desde o início da atual legislatura, em 2015, a Câmara já registrou 189 trocas partidárias envolvendo 135 deputados. Entre eles, um deputado trocou de partido 4 vezes, outros parlamentares trocaram por três ou duas vezes. É tudo muito flexível para melhor se manter.

No troca-troca partidário os partidos políticos também fazem as suas metamorfoses tentando aumentar as suas bancadas e margens para negociação daquilo que for do seu interesse. Isso é feito com cara de paisagem das mais lerdas, pois o que não é levado em conta é o programa partidário.

Para a maioria esmagadora dos casos, muda-se com imensa naturalidade do Partido Progressista (PP) para o Partido Popular Socialista (PPS) ou do Partido Comunista do Brasil (PC do B) para o Partido Socialista Brasileiro (PSB). Num piscar de olhos é melhor se reposicionar para as eleições que estão chegando. Vale também deixar de ser partido – PMDB – para voltar a ser um movimento – MDB – ou simplesmente trocar a inexpressiva marca atual, sem mexer no conteúdo, por outra mais chamativa e exortativa do tipo Avante, Podemos… Também pudera, o país hoje tem 35 partidos políticos em funcionamento outros 72 tentando ser aprovados.

Diante da enorme rejeição pela qual estão passando os políticos e seus partidos, o que conta mesmo é se manter no poder, custe o que custar, mesmo diante de da mais recente pesquisa do Ibope mostrando que 48% dos entrevistados não tem simpatia por nenhum partido político e 5% não souberam ou não responderam. Feio mesmo é perder as eleições, a vida no poder, o foro privilegiado, o auxílio moradia, o jatinho da FAB…

Enquanto isso, de metamorfose em metamorfose, as cúpulas partidárias prosseguem fortes e decidindo como caciques os rumos dos partidos, a começar por definir como serão distribuídos os recursos do recém criado Fundo Eleitoral de R$1,7 bilhão e do Fundo Partidário. O sistema político-partidário se reinventa para se manter sendo o mesmo no domínio permanente do poder. Mesmo fazendo uma reforma, um remendo aqui ou ali, cedendo um ou outro anel acolá, mas sem perder as mãos.

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Parece que foi ontem, mas lá se vão quatro anos de postagens ininterruptas aqui no Observação & Análise sendo que a primeira vez aconteceu em 18 de março de 2014. A hora é de agradecer e celebrar – com a equipe de trabalho, convidados, leitores, difusores em outras mídias e alguns patrocinadores – tudo o que já foi feito na esperança de prosseguir observando, analisando e postando na sequência do tempo que não para.

Pessoalmente fico feliz ao me lembrar como tudo começou em 2013, quase que num lampejo bem semelhante ao que descrevem João Nogueira e Paulo César Pinheiro na música “Poder da criação”. O sonho cresceu e o blog virou um propósito, que se transformou em meta um pouco depois. Daí veio a elaboração do plano de ação para se atingir a meta, que exigiu muita transpiração com mais um pouco de inspiração, formulações e reposicionamentos para finalmente começar a operar o que foi planejado.

Entre o lampejo inicial e a primeira postagem passaram-se 10 meses. É por isso que relembro nesta data o primeiro post do blog, mostrando o que “A História registrou” em 18 de março, e também a pensata “A enchente das goiabas”, a primeira de muitas postadas neste espaço e que é um marco significativo na caminhada deste blog.

Continuemos a caminhar.

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Tempo perdido no médico

por Luis Borges 14 de março de 2018   Pensata

Uma jovem cliente de um plano de saúde marcou uma consulta com uma médica especialista em otorrinolaringologia, profissional de quase 4 décadas de experiência. Para a consulta, a jovem escolheu uma unidade própria de seu plano, onde há atendimento para diversas modalidades. A médica atente ali e também em sua clinica particular, mas com horários mais restritos.

A consulta foi marcada para as 11 horas de uma quarta-feira, logo no primeiro horário da especialista. A cliente chegou ao local da consulta com antecedência de 10 minutos e se posicionou em frente ao consultório numa cadeira pouco confortável. Às 11h15, sem notícia da médica, uma pessoa do serviço de limpeza entrou na sala e lá permaneceu durante outros 15 minutos. Alguns minutos depois finalmente chegou a médica que imediatamente chamou uma cliente – que não era a que estava marcada para o primeiro horário.

Às 11h38 a primeira pessoa atendida deixou o consultório chamando a jovem paciente a entrar na sala. A médica estava de cabeça baixa, não respondeu ao cumprimento de “bom dia” e já foi perguntando porque ela foi lá e o que estava acontecendo. A jovem não respondeu de pronto e perguntou à médica a razão de tanto atraso para atender quem marcou o primeiro horário.

A inesperada pergunta fez com que a médica levantasse o rosto e olhasse para a cliente pela primeira vez e disparasse o seu rosário de justificativas, entre elas a de que precisou passar em sua própria clínica antes, pois atende lá a partir das 8h30 e que acabou se atrasando. Também disse que atendeu outra pessoa antes por se tratar de uma emergência, aliás, uma justificativa usada com muita frequência por outros profissionais do segmento. A cliente replicou dizendo à medica que, independente das suas justificativas, se sentia totalmente desrespeitada como cliente por não ter sido atendida no horário combinado. E mais, só marcou a consulta naquele local e horário porque começa a trabalhar às 13h na região oposta da cidade e que fazia parte do seu planejamento almoçar com tranquilidade antes de chegar ao trabalho.

A consulta prosseguiu com a informação da cliente sobre uma irritação no nariz que surge “do nada” e que parece ser causada por alergia a alguma coisa. A médica fez observações rápidas, em tom professoral e “despachou” a paciente, sugerindo que marcasse outra consulta para outro procedimento. Quando a paciente saiu da sala eram 11h46. Vale lembrar que a Organização Mundial da Saúde estabelece que uma consulta médica deve ter duração mínima de 15 minutos.

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Depois do Carnaval

por Luis Borges 23 de fevereiro de 2018   Pensata

Já estamos mesmo depois do Carnaval, pois seus últimos movimentos se foram com o fim do desnecessário horário de verão. Ficou registrada a grande e crescente exuberância dessa festa popular, com o povo na rua esbanjando alegria, molejo, musicalidade e também deixando de maneira direta suas mensagens aos políticos partidários e aos poderes constituídos em todas as instâncias do Estado.

Mas, daqui pra a frente, que temas estarão em nossa pauta de anseios e preocupações para o horizonte próximo que, digamos, poderia ser imaginado para os futuros 365 dias? Dos temas bastante evidenciados antes do Carnaval, espero que o imoral auxílio moradia pago a uma super casta de servidores públicos – auxílio este isento de Imposto de Renda e contribuição previdenciária – seja finalmente julgado e derrubado pelo lento e caro Supremo Tribunal Federal. Dá até para imaginar a cara de constrangimento de suas Excelências caso a decisão lhes seja desfavorável e retificadora rumo ao cumprimento do Artigo 37 da Constituição Brasileira que afirma:

“a administração pública direta e indireta de qualquer dos poderes da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência”.

a reforma da Previdência Social, que ainda era urgente antes do Carnaval embora estivesse no telhado pronta para cair, entrou em coma profundo após a decretação da intervenção federal na segurança pública no estado do Rio de Janeiro. Essa intervenção tornou-se mais um suspiro na tentativa do impopular Presidente da República de se agarrar a alguma coisa para não passar o resto do ano contemplando o triunfo do seu próprio fracasso. Ele até deu sorte quando o governador Pezão afirmou que perdeu o controle da segurança pública no Rio de Janeiro. Como quem não controla não gerencia, a oportunidade foi abraçada. Agora só falta fazer o restante, que vai desde a já obtida aprovação pelo Congresso Nacional até a formulação da estratégia para ser operada pelo Exército, que gerencia pelo comando e não pela liderança. Também estarão na pauta os recursos financeiros, materiais e humanos necessários, o clamor por segurança em diversas capitais de estados do Nordeste e do Centro-Oeste, a transformação do atual Ministério da Justiça e da Segurança em duas unidades independentes e uma grande expectativa para os resultados, que poderão ser alcançados em determinado espaço de tempo.

A pauta também espera por alguma informação sobre a correção da tabela do Imposto de Renda retido na fonte, cuja defasagem em relação à inflação oficial se acentuou muito nos últimos 20 anos.

Enquanto nada se resolve com mais concretude podemos também manter na pauta as nossas preocupações cotidianas com a manutenção ou obtenção de um trabalho para a sobrevivência, a segurança de cada um associada à sensação de insegurança, o preço da gasolina, do óleo diesel, do etanol e do gás de cozinha, as eleições de outubro, o que está sendo abordado nas redes sociais, a intensidade das manifestações nas ruas…

A quaresma prossegue e a cada dia que passa a Páscoa se aproxima mais. Que passagem nos aguarda?

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O desencanto precoce do professor

por Luis Borges 16 de fevereiro de 2018   Pensata

Um engenheiro civil, especializado em segurança no trabalho, sonhava em se tornar professor da matéria desde os tempos em que era aluno do curso técnico de edificações numa instituição federal de ensino superior. Entre o feijão e o sonho ele acabou optando pelo feijão e começou a trabalhar como técnico de nível médio aos 18 anos e como engenheiro a partir dos 23. Foi assim durante 38 anos, até se aposentar pelo INSS em dezembro de 2015. Após um pequeno tempo no ócio da aposentadoria ele começou a se preparar para buscar o sonho – ser professor de curso técnico de segurança no trabalho, na modalidade pós-médio, onde os alunos cursam durante um ano e meio as matérias técnicas após terem concluído os 3 anos do ensino médio.

Um ano após a aposentadoria lá estava ele entrando em sala de aula, cheio de energia e muito brilho nos olhos para realizar um sonho acalentado por décadas. Não demorou muito tempo para que ficasse intrigado com a apatia da maior parte dos alunos. Ela se manifestava tanto na sala de aula como em atividades extra-classe, do tipo visitas técnicas a empresas e feiras temáticas – geralmente aos sábados já que o curso era noturno numa escola privada.

Mesmo tendo muito conhecimento, experiência e domínio sobre o assunto das três matérias que ministrou, o professor passou o ano de estreia tentando entender as causas da postura de seus alunos. Às vezes imaginava que ele próprio seria uma causa importante, pois poderia não estar conseguindo transmitir bem os conteúdos programáticos estabelecidos. Suas aulas sempre foram preparadas a partir dos fundamentos, conceitos, aplicação para solucionar problemas e resultados alcançados. Por outro lado, pensava também nas condições dos alunos fazendo um curso noturno, após um dia de trabalho diurno para os que estavam empregados ou mesmo nas expectativas de quem continuava sem trabalho. Pensava também como nos dias de hoje um professor deve se reinventar para segurar um aluno em sala de aula, prestando atenção em tudo o que está sendo mostrado usando dispositivos tecnológicos nem sempre tão atualizados. O professor constatou também que os alunos utilizavam dispositivos tecnológicos de ultima geração e era para eles que voltavam a atenção na maior parte do tempo. Acabou por concluir que o celular passou a ser praticamente um apêndice do corpo humano, que na sala de aula era colocado debaixo da carteira para ser monitorado constantemente no processo de receber e enviar mensagens, ainda que tentasse pedir aos alunos que mantivessem seus aparelhos desligados.

Após a metade do ano a evasão de alunos chegou a 30% e o diretor proprietário da escola começou a falar com todos os professores que “não podemos perder mais nenhum aluno”. Aí ficou claro que a diretriz estratégica era apenas uma – a de salvar o negócio. Nessa altura a qualidade do ensino e a aprendizagem ficaram num plano secundário e a duras penas o ano letivo chegou ao fim, com o índice de evasão de alunos inalterado e todos aprovados nas três disciplinas ministradas.

Desencantado o professor desistiu precocemente da sua tão sonhada nobre missão e se demitiu da escola apesar de já estar escalado para dar aulas na turma que começará o curso em março de 2018. Para ele, a sua expectativa foi maior que a realidade e a qualidade atrativa da sala de aula está bem menor que a do mundo lá fora.

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O IBGE divulgou recentemente os dados da PNAD Contínua relativos a 2017, ano marcado pela entrada em vigor de uma lei que ampliou bastante o espectro para a contratação de trabalhos terceirizados e da reforma trabalhista que criou, por exemplo, a prevalência do negociado sobre o legislado e o regime de trabalho intermitente.

Chama a atenção o estrago, feito pela recessão econômica, na quantidade de pessoas trabalhando com a carteira profissional assinada. Em 2014 eram 36,6 milhões e em 2017 passou a ser de 33,3 milhões, ou seja, o desaparecimento de 3,3 milhões de vagas com carteiras assinadas em 3 anos.

A pesquisa mostrou, também, que em 2017 o trabalho informal, seja sem carteira ou por conta própria, superou pela primeira vez o trabalho formal registrado em carteira, conforme determinado pela Consolidação das Leis do Trabalho, criada em 1943.

O último trimestre do ano também mostra que a taxa de desocupação caiu na comparação com o trimestre anterior, obviamente influenciada pelas outras modalidades de trabalho que prescindem da carteira assinada. No fundo, fica evidente que a conjuntura continua sendo de sobrevivência e que 12,3 milhões de pessoas estão simplesmente desempregadas. Isso sem levar em conta aquelas que desistiram de procurar trabalho nos últimos 30 dias e não são consideradas pela metodologia da pesquisa.

O rendimento médio da população fechou 2017 em R$2.154, mostrando crescimento de 1,6% ou R$34 em relação ao ano anterior, índice bem abaixo da inflação do período. Também pudera, pois as remunerações seguem sendo achatadas e se o empregado é demitido ou até mesmo se aposenta, caso seja substituído, geralmente entrará em seu lugar alguém com salário menor.

Aqui vale também observar a metamorfose pela qual passa atualmente a contratação de terceirizados pelas grandes empresas dos segmentos de mineração, metalurgia, telecomunicações, energia, automotivo e infraestrutura, para citar apenas alguns. Geralmente é grande a chance de tudo mudar para pior, principalmente em relação à remuneração e condições de trabalho das pessoas da terceirizada que vencer a concorrência. Parte-se da premissa de que a contratante quer um lucro maximizado para remunerar seus acionistas e que as demais variáveis devem se adequar para viabilizar o negócio. Para também ter algum lucro resta ao terceirizado esfolar e sangrar os seus trabalhadores e fornecedores. E nessa lógica a hierarquia das necessidades humanas preconizadas por Maslow nunca vai além das fisiológicas.

Quando será que metamorfoses como essas chegarão aos serviços públicos do Poder Legislativo, Judiciário, Ministério Público e Tribunais de Contas?

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As vaias fazem parte do risco

por Luis Borges 31 de janeiro de 2018   Pensata

Se a vida é um risco e viver continua cada vez mais perigoso, o mínimo que nos resta é fazer a gestão desse risco em função das variáveis que dependem só de nós e sobre as quais temos autoridade. Assim, pelo menos, reduziremos um pouco os impactos que serão causados pelo imponderável, pelos parâmetros externos determinantes dinamicamente de nossos posicionamentos e reposicionamentos. Ter sucesso na vida pessoal, familiar e profissional é o que todos querem, principalmente quando ele vem acompanhado de aplausos e de reconhecimentos. Estar bem na fotografia também ajuda a liberar as endorfinas que nos estimulam a prosseguir.

Mas, o que e como fazer se no lugar dos aplausos vierem as vaias, os apupos, os xingamentos e os assobios? Primeiramente é importante saber perceber e entender os sinais que estão sendo enviados pelos diversos segmentos em conflito, numa sociedade que nem sempre se pauta por atitudes civilizadas mas que prima pelas polarizações que passam por variações à esquerda, ao centro e à direita. Uma coisa é atuar para construir a hegemonia de uma determinada visão da sociedade organizada dentro das regras de um jogo democrático. Outra bem diferente é querer impor na marra e no abuso das regras outras visões que também querem o poder ou nele se manter.

É sempre importante aprender com os erros e fracassos, principalmente com os dos outros. Boas lições podem ser tiradas quando se vê um Ministro da mais alta corte da justiça no país, indicado para o cargo vitalício pelo Presidente da República, ser vaiado dentro e fora do Brasil. Até parece que ele gosta de ficar “no olho do furacão”, mas também é notório seu sorriso amarelo e o constrangimento que o corpo denuncia. Também pudera, arrogância pouca é bobagem. Mas segundo o cantor e compositor Billy Blanco em sua música A banca do distinto, “mais alto o coqueiro, maior é o tombo do coco afinal”. Enquanto a história segue seu curso, por que não se tornar tema de marchinha de carnaval?

Deputados, Senadores, Ministros e ex-Ministros, para citar apenas algumas autoridades, também seguem colhendo sinais das insatisfações que tem causado.

Vamos acompanhar os acontecimentos tentando compreender o conjunto de causas que podem levar um processo ao fracasso e com ele trazer as vaias – de maneira bem diferente do que numa partida de futebol.

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Quem cuidaria do tio Zé?

por Luis Borges 25 de janeiro de 2018   Pensata

Uma sobrinha por parte de mãe foi visitar tio Zé, 60 anos de idade, que morava numa pequena casa alugada na região de Venda Nova em Belo Horizonte. O Zé era separado da esposa há muitos anos e não tiveram filhos. A sobrinha, que é enfermeira de nível superior com mestrado, se assustou ao verificar uma piora acentuada no estado clínico do tio, que tinha distrofia muscular. Aliás, essa foi a causa da morte dos dois irmãos do Zé. Restaram-lhe duas irmãs, Mariazinha, 71 anos, três filhas e dois filhos, e Neuzinha, 66 anos e uma filha.

Percebendo a gravidade da situação, a sobrinha enfermeira providenciou a internação do tio num hospital filantrópico, mesmo com as dificuldades e obstáculos cada vez maiores nas coisas ligadas à saúde. De cara, no primeiro dia de internação, Mariazinha perguntou aos membros da família quem cuidaria do tio Zé quando ele deixasse o hospital, mas já respondendo que não seria ela devido à precariedade da sua própria saúde.

Por sua vez, Neuzinha disse quase que imediatamente que também não poderia cuidar do seu querido irmão. Ela justificou sua impossibilidade devido à sua condição física desfavorável em função do peso bem acima do desejável, dos ossos descalcificados, da glicose altamente variável e de suas frequentes alergias respiratórias. Foi nesse clima que tio Zé encerrou seu curso de vida no final do oitavo dia de internação hospitalar.

Se de um lado as preocupações cessaram, já que ninguém precisaria de cuidar mais dele, veio por outro uma surpresa para muitos. Nos preparativos para o velório e sepultamento do tio Zé, sua irmã Neuzinha começou a procurar as sobrinhas e sobrinhos propondo que se fizesse uma “vaquinha” entre eles para cobrir as despesas, pois ela mesma não tinha condições para tal. Foi aí que Mariazinha lembrou a todos que tio Zé havia deixado recursos financeiros suficientes para cobrir todos os gastos após a sua morte. Arrematou dizendo que a conta da caderneta de poupança era conjunta com Neuzinha e que ela pegou o dinheiro emprestado com o irmão após uma necessidade urgente.

Como as pessoas se revelam mais cedo ou mais tarde, uma das sobrinhas se viu obrigada a emprestar seu cartão de crédito à tia para cobrir os gastos, que foram divididos em cinco parcelas que posteriormente serão ressarcidas à credora. Dá até para imaginar o pânico da tia caso não aparecesse alguém para salvá-la desse imbróglio.

Como rolo só chama mais rolo essa mesma irmã do tio Zé começou a discutir, no dia seguinte ao sepultamento, a destinação dos eletrodomésticos, aparelhos eletrônicos e móveis deixados pelo irmão. E já se colocando como a merecedora de tudo devido às suas dificuldades atuais e porque visitava o irmão pelo menos uma vez por mês.

Após a celebração da missa de 7º dia do passamento, Neuzinha soube que todos concordaram com o seu pleito, mas solicitaram que ela rescindisse imediatamente o contrato de aluguel da casa onde ele morava, pois a aposentadoria do tio Zé deixou de existir. E foi cada uma das irmãs para o seu lado, mas Mariazinha saiu falando para suas filhas e filhos que todos deveriam ficar alertas pois Neuzinha poderia reaparecer a qualquer momento trazendo outros problemas para todos resolverem.

Você se lembra de ter vivido ou tomado conhecimento de uma situação semelhante a essa no âmbito de parentes, amigos ou colegas de trabalho?

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Sou um realista esperançoso e é por isso mesmo que esta pensata tem como título “Só falta um ano para 2019 começar”. Essa esperança me ajuda a não cair na apatia, no descrédito e no pessimismo, todos altamente contagiosos. Continuo pensando e difundindo nos espaços e meios onde atuo que as coisas fáceis já foram feitas e que para nós só ficaram as difíceis e desafiantes.

Atravessaremos o ano de 2018 enfrentando o aguçamento da luta de classes e todos os efeitos dela decorrentes em função da enorme concentração de renda, desemprego, subemprego e precarização das condições de trabalho bem como 25% da população se situando abaixo da linha da pobreza segundo o IBGE. De cara, o Governo Federal voltará com as catilinárias da Reforma da Previdência Social, sem detalhar de forma transparente os dados sobre o déficit do Regime Próprio da União, estados e municípios e jogando todas as mazelas em cima do INSS. Continuarão os acenos para o mercado, mas o ajuste das contas públicas ainda está longe de alcançar os supersalários dos três poderes com todos os penduricalhos que ultrapassam o teto constitucional.

Será necessária uma altíssima dose de resiliência e inteligência estratégica para enfrentar o período eleitoral, em que vários matizes ideológicos se enfrentarão e posteriormente se aglutinarão em dois pólos no segundo turno das eleições para Presidente da República e governadores de estados. Se o feio é perder a eleição todos farão de tudo para se manter no poder, para a ele retornar ou chegar lá pela primeira vez.

Mas fico também pensando em que nível de civilização, ética e transparência tudo acontecerá diante de uma disputa final entre dois pólos com fortes tendências à prevalência de muitos confrontos, inclusive físicos, impulsionados pela intolerância, raiva e ódio. Pelo poder e pela crença que cada lado tem, que sua ideologia é que deve hegemonizar a sociedade, dá para se imaginar como será a “guerra civil” na internet e nas suas redes sociais bem como no contato e confronto direto entre as pessoas físicas e jurídicas.

Diante de tudo que será difundido acredito que o cidadão que preza a verdade e trabalha com fatos e dados reais deve sempre questionar, primeiramente, se o que está chegando até ele não é uma notícia falsa e também a credibilidade da fonte emissora, se houver. Obviamente que muito se falará sobre uma retomada da economia brasileira mostrada através de números em situação de despioria, mas sem explicitar que esse alento se deve à comparação com os dados de uma base mais fraca resultante da recessão econômica de 2015 e 2016. A política partidária continuará contaminando o desempenho da economia e o aspecto social prosseguirá pagando o pato conforme mostram os orçamentos públicos aprovados para 2018. Mas também pudera, queda de arrecadação de tributos, aumento cada vez maior dos gastos e baixos níveis de investimentos públicos me levam a dizer que tomara que o ano passe logo com todos os enfrentamentos que virão pelo caminho na expectativa de que surjam das urnas soluções com popularidade acima de 6%.

E já que o voto é obrigatório, ou seja, um dever e não um direito, também poderemos esperar muitas abstenções, votos nulos e brancos. Na verdade é preciso levar em conta um terceiro pólo, o da anomia, o daqueles que não se sentem representados por nada que está aí.

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