Na passarela do tempo

por Luis Borges 19 de dezembro de 2019   Pensata

O tempo caminha indelevelmente para frente e nós com ele, mas sabedores de nossa finitude perante algo que nos parece infinito. Ainda assim, ouvimos com muita frequência reclamações de pessoas dando conta de que falta lhes tempo ou que o tempo passou muito rápido, praticamente sem ser percebido. O fato é que, mesmo diante das diferentes percepções que se tenha, o tempo relativo ao ano de 2019 está chegando à sua marca final, trazendo a alvorada cada vez mais próxima do ano que será marcado como 2020.

Dessa realidade não será possível fugir e, por maior que seja a poesia inerente à vida, esse momento do tempo também nos possibilita fazer uma observação e análise, sem adjetivos, sobre a realidade em que nossas vidas estão sendo vividas. Muitas podem ser as expectativas, mas elas não devem ser maiores que a realidade. Caso contrário, as frustrações causarão mais sofrimento nesse momento em que a sociedade brasileira é marcada pela polarização político ideológica que muitas vezes nos obriga a clamar por civilização, respeito, tolerância nas relações pessoais e sociais. Tudo só piora se prevalecem as fake news em detrimento da verdade e do conhecimento científico, enquanto os problemas crônicos não são resolvidos e a realidade social grita com 12,4 milhões de desempregados que a pequenez da recuperação da economia não ajuda a resolver. Se temos a consciência que somos responsáveis pelas nossas escolhas, ainda que elas nem sempre levem aos resultados esperados, precisamos ter sempre em mente que o importante é não estar vencido e que sempre é possível aprender com os erros para melhor prosseguir rumo ao estado de bem-estar social, bom para todos e com equidade.

Então, diante dos fatos, dados, informações, conhecimentos sobre a realidade que nos cerca nos aspectos políticos, econômicos, sociais, tecnológicos, culturais… é importante prestar atenção no que disse o dramaturgo, romancista e poeta brasileiro Ariano Suassuna em “O auto da compadecida”, uma das obras mais marcantes de sua trajetória:

“O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso”.

Que a sabedoria e a inteligência nos ajudem a compreender que a conjuntura e os cenários que se desenham nos indicam que a estratégia de sobrevivência continua sendo a mais adequada. Caminhemos!

—————

O Observação & Análise fará uma pausa neste fim de ano. Os posts voltam no dia 8 de janeiro. Desejo boas festas a todos os leitores e a agradeço pela companhia neste 2019. Que possamos seguir juntos em 2020.  

  Comentários
 

Tenho insistido com alguma frequência na importância do ato de olhar também para trás nos caminhos percorridos e, claro, sem mágoas, remorsos e arrependimentos, mas buscando aprender com os acertos e erros dos processos vividos, dos resultados alcançados, para melhor prosseguir frente aos desafios permanentes que se colocam. Nesse sentido voltam à minha lembrança acontecimentos do ano de 1969 que estão completando 50 anos neste 2019. Só para ilustrar posso citar a chegada do homem à Lua, o milésimo gol de Pelé, o surgimento da internet nos Estados Unidos com o nome de “Arpanet”e interligando laboratórios de pesquisas, o primeiro ano de vigência do Ato Institucional número 5, o AI-5, que ainda hoje tem seus saudosistas. Do ponto de vista pessoal posso citar a emblemática conclusão do curso ginasial no Colégio Dom Bosco de Araxá (MG) em 9 de dezembro, logo após ter completado 15 anos de idade.

Vale lembrar também que o Brasil tinha em torno de 93,5 milhões de habitantes segundo o IBGE, Araxá tinha em torno de 35,6 mil habitantes, a inflação anual foi de 19,31% e o crescimento anual da economia ficou em 9,74% e deu início ao período do milagre econômico brasileiro que se encerrou em 1973, mas os anos foram de chumbo.

O meu sonho – e também o de meus pais – era buscar uma vida melhor a partir da educação, que culminasse com a graduação em cursos de nível superior com maior demanda pelo mercado de trabalho. O propósito era prosseguir os estudos no então curso científico do segundo grau, hoje ensino médio, visando à melhor preparação para inicialmente disputar competitivamente as vagas nas universidades e faculdades isoladas públicas. Também fazia parte cursar o 3ºano focado na preparação para o disputadíssimo vestibular. Obviamente que os 57 colegas que se formaram comigo também tinham sonhos semelhantes em seus horizontes. Passado todo esse tempo, agora já cinquentenário, e apesar de quase nenhum contato direto com a esmagadora maioria deles, tenho hoje informações coletadas em diversas fontes dando conta que 16 desses ginasianos se formaram em cursos de Engenharia, 5 em Odontologia, 4 em Direito, 3 em Medicina e 1 em Educação Física. Também é sabido que 3 alunos da turma A e 2 alunos da turma B já estão em outro plano espiritual.

No meu caso específico e no de meus dois irmãos a estratégia era a aprovação no vestibular de universidades públicas federais com ensino público gratuito e assistência social com alimentação no bandejão, livros disponíveis nas bibliotecas ou para aquisição em condições especiais nas cooperativas, além de assistência médica e odontológica.

Tudo o que fiz me ajudou a chegar ao dia de hoje sempre com o inestimável e fundamental apoio a partir da família e também do meu querer, com muito foco, esforço, determinação e resiliência.

E você, caro leitor, como foi a sua passagem pelo ensino fundamental? Depois dela você seguiu estudando?

  Comentários
 

Onde você vai passar o Natal?

por Luis Borges 20 de novembro de 2019   Pensata

Faltando pouco mais de um mês para o dia do Natal são muitas as pessoas que estão me perguntando onde vou passar a data. Pelo que observo essa pergunta faz parte do cotidiano da maior parte das pessoas que estão por aí circulando no meio familiar, entre amigos ou local de trabalho para ficar apenas em alguns casos.

É fato que planejar é pensar antes mas também é fato que o planejar exige ação. Está mais do que na hora de definir onde passar o Natal, com quem e como tudo acontecerá, inclusive o custo. Ainda mais com a tradição brasileira de que o Natal deve ser passado em família, para que a chegada do Ano Novo possa ser em algum lugar por aí afora atrás da aurora que chegará indelevelmente.

No meu caso já está decidido em família que ficaremos em casa, sem nada muito diferente do que já é o nosso modo de ser e viver numa ocasião como essa.

Caso você também, caro leitor, já tenha definido o local e com quem passará o Natal, que tal pensar um pouco sobre o quanto estas festas tem atendido ou não às suas necessidades e expectativas a cada ano que passa?

Haja agradecimentos, alegrias, fogos, chuvas, promessas, reflexões, intenções de mudanças, pedidos… Tudo fica mais desafiante em função da polarização vivida por boa parte da sociedade, com atitudes muitas vezes desrespeitosas e pouco civilizadas. Atitudes bastante incompatíveis com a espiritualidade e a religiosidade invocadas também por muitos nessa época.

Não nos esqueçamos de que tudo começa com a gente e que cada um de nós, em sua individualidade, tem a capacidade e a possibilidade de conviver com os semelhantes, a começar pelos que estão mais próximos.

Então se for assim e se “o melhor da festa é esperar por ela”, o jeito é viver bem as fases dos preparativos, sabedores dos desafios trazidos pela polarização e pela persistente queda do poder aquisitivo no país.

  Comentários
 

Reforma é uma das palavras mais usadas em nosso cotidiano há um bom tempo e geralmente vem acompanhada de expectativas de melhorias que muitas vezes são maiores do que a realidade permite, apesar de serem embaladas como a panaceia para todos os males. Foi assim que tivemos a reforma trabalhista, vendida como capaz de gerar milhares de novos empregos que ainda não surgiram, e a reforma da previdência social para combater os privilégios, mas sem os militares. Agora chegaram ao Congresso Nacional mais propostas de reformas por emendas constitucionais. Teremos muita discussão e falação para durar no mínimo até o final do próximo ano eleitoral de 2020. Também, é nisso que dá ter eleições de 2 em 2 anos, que uma reforma eleitoral – mais uma reforma – poderia mudar para ser de 4 em 4 anos para todos os cargos eletivos, por exemplo.

A justificativa básica para todas as reformas é que a União, estados e municípios estão quebrados e que é preciso reequilibrar as contas públicas. Mas por que houve essa quebradeira que faz a insolvência bater às portas das instâncias dos entes federados? A observação e análise dos fatos e dados dos últimos 40 anos nos mostra, em diversos cortes e recortes, o fenômeno que levou à quebradeira e todo o processo que o gerou. Como a economia estagnada não permite um crescimento da arrecadação pública suficiente para cobrir as despesas sempre crescentes e como não há condições políticas para se aumentar mais a já enorme carga tributária de maneira explícita só restou cortar na carne e até mesmo no osso através das reformas. Não é difícil saber para quem mais pesará o pagamento do pato das reformas no melhor estilo do liberalismo.

Meu ponto aqui é propor e fazer uma reflexão sobre a qualidade dos gastos públicos diante de tantas necessidades prioritárias e recursos escassos. As premissas que norteiam os gastos públicos poderiam ser definidas a partir das práticas anteriores que não deveriam ser mais aceitáveis em função dos desperdícios gerados, inclusive com privilégios e mordomias. Ainda que seja muito presente a cultura do “farinha pouca, meu pirão primeiro” existem centenas de destinações do dinheiro público que precisam ser cada vez mais questionadas. Independente do que for definido pelas reformas em discussão e outras que virão torna-se insustentável bancar algumas centenas de gastos. A título de ilustração posso citar o fundo eleitoral e o fundo partidário, que consomem por ano algo em torno de R$4 bilhões, diversos tipos de subsídios fiscais que não apresentam resultados em suas contrapartidas, alto índice de gasto com transporte de executivos e parlamentares, a começar pelos jatinhos da FAB, férias de 60 dias anuais para servidores do judiciário, auxilio moradia para deputados federais e estaduais, 14.400 obras paralisadas em todo o país em 2018 segundo o TCU que já consumiram R$70 bilhões e ainda precisam de R$40 bilhões para serem concluídas… Um pequeno esforço de memória ou de pesquisa no Portal da Transparência da União, estados e municípios ainda deixarão mais clareza sobre a qualidade de determinados gastos públicos.

Não adianta falar em direito adquirido se não existe sustentabilidade financeira que o garanta. E como a gestão faz falta!

  Comentários
 

O baile prossegue

por Luis Borges 3 de novembro de 2019   Pensata

Completei 65 anos de idade no dia 24 de outubro, na primavera, com o calor de verão e escassez de chuvas ajudando a desenhar cenários de racionamento de água para o abastecimento domiciliar em Belo Horizonte e Região Metropolitana. Se essa é uma idade emblemática em nossa cultura, o fato é que um novo ano já começou a ser trilhado num caminhar que exige adequação para usufruir da energia existente. Se um tanto bastante representativo do curso de vida já foi cursado, fica a expectativa sobre o que ainda vem por aí diante da certeza definitiva da finitude que essa passagem pela Terra tem.

Essa data do meu aniversário de nascimento me proporcionou receber manifestações de carinho e apreço de muitas pessoas que fazem parte de meu viver e conviver em diferentes dosagens e maneiras. Nas conversas que fui tendo uma pergunta que surgiu com boa frequência foi sobre a hora em que nasci. Respondi a todos que segundo minha mãe Lazinha Borges foi às 4 horas da manhã na Santa Casa de Misericórdia de Araxá, a capital secreta do mundo. Apesar da aleatoriedade da hora de se nascer pelo parto normal eu insisto em dizer que cheguei cedo, antes da alvorada, para aprender que o critério é o trabalho e conforme meu pai Gaspar Borges, “primeiro a obrigação, depois a devoção”. Quem me conhece sabe como essa crença faz parte do meu viver.

Outra abordagem e talvez a mais frequente foi sobre a perspectiva para a continuidade da vida em função das várias variáveis a nos impactar de diversas maneiras e variados graus de risco. Isso estimulou boas conversas à luz de determinadas condições de contorno, sem muitas fantasias, mas com um certo realismo esperançoso no imenso campo das probabilidades. Essencialmente eu disse que espero ter a capacidade de gerenciar para manter o que foi possível construir na trajetória percorrida até o momento, sempre focado e ancorado na família que tenho. Obviamente que, se houver espaços para a melhoria contínua, mesmo que lentamente, ou até mesmo para alguma inovação, tudo poderá ser avaliado de maneira gerenciada seguindo premissas e diretrizes estratégicas que priorizam a manutenção do que se tem e consciente dos riscos inerentes à complexa arte de viver. Também realcei que agradeço por tudo o que foi possível fazer antes de chorar pelo que não deu, mantida a crença no estado de bem-estar social com a paciência, persistência e resiliência que nos testa e desafia a todo instante. Foi aí que alguém perguntou sobre a saúde para prosseguir no baile da vida. Afirmei que minha expectativa é ter condições funcionais adequadas compatíveis com os limites já impostos pela teoria das restrições sem cair na obsessão terapêutica pela cura e muito menos na busca pela plástica juventude eterna.

Então agora é continuar caminhando na esperança de chegar bem ao meu próximo aniversário de nascimento que a cada instante já vai ficando mais próximo. É muita confiança!

  Comentários
 

Uma atitude perante a manutenção

por Luis Borges 29 de outubro de 2019   Pensata

São cada vez mais frequentes nos meios de comunicação as notícias que relatam desabamentos e incêndios em casas, edifícios, museus, hospitais, estádios, casas de diversão… Também são frequentes os relatos sobre veículos automotores parados com algum tipo de defeito em ruas, avenidas, praças, muitas das quais fazem parte de grandes corredores de sistemas viários urbanos, bem como nas rodovias de pistas simples, duplas e até triplas, algumas com acostamentos e pistas marginais enquanto outras nem acostamento possuem. De qualquer maneira o veículo parado devido a algum defeito ou até mesmo pegando fogo é sempre um transtorno para todo mundo que busca e precisa de mobilidade.

Obviamente que essas notícias tem seu prazo de validade na mídia e vão rapidamente sendo substituídas por novos acontecimentos que passam a ser prioritários para a divulgação em função do grau de novidade que trazem.

Quando alguém para tudo para tentar compreender quais são as causas desse tipo de problema cada vez mais repetitivo perceberá através de fatos e dados que uma delas é a falta de manutenção desses ativos. Podemos imaginar também a quantidade de problemas causados pela falta de manutenção nas residências, escolas e pequenas empresas, em vilas e bairros que não aparecem com destaque na mídia, e quando muito apenas viram registros nas estatísticas do Corpo de Bombeiros, SAMU, ou pronto-socorro de algum hospital.

Mas o que e como fazer para ajudar a resolver esse problema crônico no médio e longo prazos? Inicialmente é preciso educar e treinar as pessoas para mostrar a essencialidade da manutenção em todos os sistemas, processos e atividades que envolvem e comprometem a vida humana e dos demais componentes do ecossistema. Torna-se extremamente necessário que todos tenham uma atitude perante a manutenção, cada qual no âmbito da autoridade e responsabilidade que tem em relação ao que precisa estar sempre disponível para o uso e, portanto, cumprir plenamente a sua função. Aqui podemos dizer que se tudo começa com a gente, um bom exemplo pode ser dado pela manutenção da nossa própria saúde, expressa pela manutenção do corpo humano que visa mantê-lo na plenitude de suas condições funcionais. Podemos inclusive lembrar que a manutenção em geral pode ser corretiva, preventiva ou preditiva, mas na nossa cultura ainda há um predomínio da manutenção corretiva, que entra em ação só após a manifestação de falhas, defeitos ou quebras. Isso contrasta com o sempre repetido dito popular que prevenir é melhor que remediar, mas há distância entre o que se diz e o que se pratica.

O que nos resta, caro leitor, é avaliar qual tem sido a nossa atitude perante a manutenção em todos os aspectos em que estamos envolvidos no nosso cotidiano. Será que estamos encarando de frente as soluções que o problema exige ou simplesmente ficamos negando, ignorando ou dando desculpas para fugir dele? Quando o edifício cair, a igreja pegar fogo ou o automóvel quebrar no meio da estrada só será possível constatar as consequências da omissão e da falta de comprometimento com a vida nossa e a dos outros.

  Comentários
 

De volta a Campinas

por Luis Borges 21 de outubro de 2019   Pensata

Estive na cidade de Campinas (SP) durante o feriado nacional de 12 de outubro, dia de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil. Nesse dia aconteceu mais um encontro de membros da família Magela, cuja base fica na cidade de Araxá (MG). Dessa vez o encontro ocorreu na residência de meu sobrinho Fernando Henrique, o “Difê”, e de sua esposa Dayane. Foi simplesmente memorável para todos que se fizeram presentes.

Por outro lado esse encontro me fez lembrar inevitavelmente alguns detalhes que marcaram a minha primeira ida à cidade no já longínquo janeiro de 1973, portanto há quase 47 anos. A população da cidade era estimada em 400 mil habitantes e de lá para cá simplesmente triplicou. Cheguei a Campinas pela dor, em busca de alguma solução para os problemas que já vinha enfrentando em Uberaba (MG) decorrentes de um glaucoma cortisônico em ambos os olhos, diagnosticado seis meses antes. A pressão intraocular estava muito elevada, totalmente descontrolada em decorrência da ação nada cuidadosa de um médico oftalmologista que nunca se preocupou com os efeitos colaterais do uso de medicamentos contendo corticoides durante um ano e meio. Minha participação no vestibular de medicina em Uberaba, no início de janeiro, ficou bastante comprometida e a ficha de número 15.005 contendo meu prontuário médico simplesmente desapareceu do consultório do profissional que acompanhava meu caso, que se iniciou com uma alergia persistente. Eu era um paciente, que é diferente de cliente, e como tal seguia sem questionamentos todas as prescrições do médico especialista e catedrático da oftalmologia.

Em Campinas, fui atendido no Instituto Penido Burnier, referência no tratamento de doenças nos olhos, onde compareci mensalmente até o mês de julho. No início de agosto passei a residir em Belo Horizonte, com a indicação para que meu caso fosse acompanhado pela equipe do Hospital São Geraldo, especializado no tratamento dos olhos, anexo ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da UFMG.

Ao longo desses quase 47 anos que já se passaram em meu curso de vida voltei a Campinas diversas vezes. Foram atividades profissionais de consultoria em gestão estratégica de negócios, aulas no curso de pós-graduação em gestão de negócios da academia do grupo Accor e em seminários na Universidade de Campinas. Também passei diversas vezes pelo Aeroporto Internacional de Viracopos, dentro da logística, por exemplo, para chegar à cidade de Paulínia (SP) ou voltando em voos diretos de Fortaleza (CE) para fazer conexões rumo a Belo Horizonte.

Desta vez aproveitei a ida à cidade para visitar Castor e Raquel, visando polir uma amizade que nasceu na militância política de esquerda no movimento estudantil universitário na segunda metade da década de 70 do século passado. Como de outras vezes voltei a encontrá-los, o que foi muito bom por ter sido mais uma vez ao vivo e, como sempre, não faltaram reminiscências de tempos que já se passaram. Vale a pena registrar que atualmente o amigo Castor continua firme em seu ativismo político-partidário e é conhecido em seu bairro como “o comunista de chapéu”.

Como dizia meu finado sogro Geraldo (Lalado) Magela de vez em quando é importante dar uma olhada para trás e verificar o quanto já andamos e como fizemos correções no rumo de nossas vidas devido aos desafios que foram surgindo. Assim, segundo ele, renovamos nossas energias e nos fortalecemos para melhor prosseguir rumo ao futuro que chega a cada instante.

  Comentários
 

Cuidar dos cuidadores de idosos

por Luis Borges 14 de outubro de 2019   Pensata

O Presidente da República vetou integralmente a lei que regulamentava a profissão de cuidador de idosos, que tramitou desde 2007 em Brasília. O veto foi mantido pelo Congresso Nacional na sessão de 2 de outubro, em plena Semana Nacional do Idoso. O argumento básico do Presidente para justificar o veto foi que os idosos não precisam de profissionais qualificados para cuidar deles. Outro Projeto de Lei sobre a regulamentação da profissão está tramitando na Câmara dos Deputados após já ter sido aprovado pelo Senado. Será que dessa vez a Lei passará pela sanção presidencial sem vetos?

Enquanto isso a função de cuidador de idoso continua sendo apenas uma ocupação prevista no Código Brasileiro de Ocupações, podendo ser exercida por quem estiver disposto ou necessitando de trabalho independente de qualquer formação. A diferença entre uma ocupação e uma profissão regulamentada é que a profissão exige o cumprimento de determinados requisitos para ser exercida. No caso dos cuidadores de idosos a regulamentação da profissão pode passar a exigir, entre outras coisas, ensino fundamental completo, aprovação em curso de qualificação para formação profissional específica com carga mínima de 180 horas e definição de atribuições profissionais inerentes. Também é importante lembrar que a ocupação de cuidador de idoso é uma função exercida em 90% dos casos por mulheres. Segundo dados do IBGE esta é a atividade que mais cresceu no Brasil nos últimos 10 anos ao dar um salto de 550% no número de vagas abertas.

É muito comum ouvir pessoas falando que para ser cuidador de idoso o pré-requisito é ter amor e paciência ao lidar com as pessoas, mas sabemos que não é só isso, pois a formação profissional devidamente qualificada é fundamental. Também é necessário fazer um contrato de trabalho entre o cuidador e seu cliente ou responsável legal por meio da carteira de trabalho, microempreendedor individual (MEI) ou pessoa jurídica que atua no segmento para a segurança de todos os envolvidos. A pior condição ainda predominante é o trabalho informal não documentado, que traz a precarização da relação de trabalho e insegurança jurídica, além da falta de cobertura previdenciária para o cuidador agora e no futuro.

Mas por que é estratégico cuidar da cuidadora e do cuidador de idosos? Basta verificar no nosso cotidiano quem está disposto, quer e pode cuidar de um familiar como pai, mãe, avô, avó, tio ou tia, por exemplo. É por isso mesmo que o cuidador torna-se essencial em seu trabalho profissional, porém precisa ter as condições necessárias e suficientes para conseguir vencer o desafio que é cuidar de pessoas com diferentes graus de restrições em suas condições funcionais. Em síntese, precisamos lembrar sempre que o cuidador precisa ser cuidado para que ele possa, profissional ou voluntariamente, cuidar dos outros.

E você, caro leitor, o que tem para contar sobre os cuidados que dedica às pessoas idosas que fazem parte do seu cotidiano na vida familiar e no universo de suas amizades? Vale também pensar no trabalho voluntário que algumas pessoas prestam a organizações da sociedade civil de natureza filantrópica que atuam em Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI). Será que você se engajaria nessa modalidade de atuação social?

  Comentários
 

O tempo não para e prossegue passando de maneira indelével. Por isso mesmo completou-se mais um ciclo que trouxe à tona o Dia Internacional da Pessoa Idosa, comemorado em primeiro de outubro.

Embora eu continue pensando e tentando agir como se todo dia devesse também ser da pessoa idosa na pauta da sociedade, o fato é que existem vários tipos de posturas em relação ao tema, tanto no que tange à preocupação e ao planejamento para se chegar lá quanto à postura oposta, bastante descompromissada.

Cada postura tem as suas justificativas para as escolhas feitas seguindo uma visão do curso de vida de cada pessoa que poderá se tornar idosa sob determinadas condições de contorno. Mas “a gente vai contra a corrente até não poder resistir/ Na volta do barco é que sente o quanto deixou de cumprir”, inclusive por não perceber todas as variáveis do jogo de xadrez que se joga. Digo isso em função da cena vista e percebida em detalhes por quem estava na padaria Samarone por volta das 7 horas do domingo, 29 de setembro, num bairro da ainda existente classe média na zona leste de Belo Horizonte.

No balcão da padaria dois idosos tomavam café enquanto outros três faziam seus pedidos em diferentes níveis de detalhes e tons de ansiedade. Todos estavam sozinhos, moram nas redondezas, vão à padaria diariamente e estão na faixa etária de 65 a 75 anos. Ao especificar os pedidos quase simultaneamente um deles pediu um pão francês sem o miolo, mas com manteiga de leite, outro quis do mesmo pão, mas com queijo, enquanto o terceiro realçou que seu pão seria com muita manteiga de leite. O café variou da xícara de cafezinho puro ou pingado de leite até a média de café com leite.

Mas qual é o preço que idosos e não idosos pagam pelo café da manhã na padaria Samarone? A xícara de café puro ou pingado custa R$1,40, o pão com ou sem miolo e manteiga de leite R$1,80, a média de café com leite R$ 2,50, o pão com queijo tipo mozarela R$ 5,45 e o misto-quente também R$ 5,45. Como se vê a modalidade mais simples composta por uma xícara de café e pão com manteiga fica em R$ 3,20 e ao final de 30 dias chega a 96 reais. Por outro lado a modalidade composta por uma xícara de café e pão com queijo tipo mozarela fica em R$6,85 e em 30 dias chega a R$205,50. Se imaginarmos outros gastos que os idosos têm com alimentação, saúde, moradia, lazer… fica evidente que a fase idosa da vida traz para todos um desafio que deveria ser pensado o mais cedo possível, apesar de todas as dificuldades e pedras que existem pelo caminho. Segundo o IBGE a população de idosos do Brasil, aqueles com idade superior a 60 anos, já está em torno dos 30 milhões pessoas.

Caro leitor você já faz parte desse contingente de idosos ou está caminhando firme para ingressar nele? Você já se sente preparado para enfrentar o café da manhã na padaria de seu bairro todos os dias, inclusive com a devida sustentabilidade financeira? É o que temos para hoje com o devido realismo esperançoso.

  Comentários
 

Caminhando para o fim do ano

por Luis Borges 30 de setembro de 2019   Pensata

Você já deve ter ouvido diversas vezes em tom de exclamação que “o tempo não para” ou “o ano está voando, passando rápido demais”. O mínimo que se pode esperar é que as pessoas consigam fazer uma melhor gestão de seu próprio tempo, que conheçam o básico de um método de gestão e o coloquem em prática no dia-a-dia. De repente quem planejou o próprio ano em curso pode e deve encontrar um tempo na agenda para avaliar o que foi planejado, o que foi executado, quais os resultados alcançados, as pendências existentes e os próximos passos com os devidos reposicionamentos. Afinal de contas já estamos na primavera, cujas características se manifestaram bem antes do fim do inverno que bateu recorde de altas temperaturas, baixa umidade relativa do ar e queimadas de diversas dimensões.

O que ainda resta ou é possível fazer nesses últimos três meses do ano em que  teremos pela frente a festa da padroeira nacional, o dia dos nossos finados, a lembrança da Proclamação da República – nem tão republicana assim, a festa de Natal e a virada do ano. Nesse sentido vale a pena focar no planejamento e execução de ações relativas ao indivíduo, à família, ao trabalho profissional e à inserção na sociedade. É obvio que são muitas as variáveis e as dimensões envolvidas em função das especificidades e contextos vividos, de modo que cada caso é um caso.

Entretanto, de qualquer maneira, se muitas são as necessidades diante de recursos nem tão abundantes assim, inclusive financeiros, torna-se essencial estabelecer as prioridades a serem atendidas em função das restrições existentes. Pelo visto surgirão muitas coisas que serão transferidas para o planejamento de 2020, que também precisa começar a ser pensado. Partindo pelo lado individual e familiar, a título de exemplo, seria importante relembrar o que é preciso fazer ainda esse ano no que tange às condições de saúde em relação a indicadores acompanhados por médicos, dentistas, nutrólogos, fisioterapeutas…

Outro exemplo a ser usado para ilustrar o que estou propondo é verificar o que ainda pode ser feito nesse ano em relação à meta hipotética, digamos, de visitar 10 amigos ou famílias amigas até a virada do ano, mas sem deixar tudo para o último dia. De repente fico imaginando que uma provável avaliação do resultado dessa meta pode ter mostrado que até agora só três foram visitados. É claro que não valem o bom dia, boa tarde e boa noite do WhatsaApp.

Caminhando para o último exemplo ilustrativo sugiro uma análise do orçamento familiar anual para verificar a distância que existe até o momento entre o que foi orçado e o que foi gasto, para enxergar o que realmente está acontecendo. Será possível terminar o ano sem aumentar o endividamento ou simplesmente quebrado?

Essa é uma possibilidade que temos para testar a nossa capacidade de intervir nos processos do dia-a-dia de nossas vidas, nos implicando neles como parte essencial de seu desenrolar. Tudo começa com a gente e depende também de nós. Tomemos os cuidados necessários para agir, pois o tempo não vai parar.

  Comentários