Tenho conversado com diferentes pessoas nesses primeiros meses do ano e, coincidentemente, muitas delas estão reclamando da mesma coisa. O problema está nos outros que, a título de lhes dar atenção, estão errando na dosagem, só que pra mais. Como sabemos é a dosagem equilibrada que faz a diferença entre o remédio e o veneno, ainda que cada caso seja um caso.

As situações que ouvi vão de menos infinito a mais infinito, da expectativa do nascimento de uma criança até o luto após a morte de um ente querido.

Um casal anunciou a gravidez de seu primogênito para o círculo mais próximo de parentes e amigos. Receberam os votos de excelente pré-natal e desejos de uma boa hora para o momento da luz. O passar do tempo fez aumentar a ansiedade dos outros e começaram as perguntas sobre o dia exato do parto, se seria normal, as possibilidades de adiantamento e as expectativas e emoções vividas pelos futuros pais. Até que o pai informou a todos que o casal não entraria na ansiedade coletiva e que, quando viesse o primeiro choro, todos seriam devidamente informados pelas mídias disponíveis. Senti que eu também cresci no processo pois minha ansiedade, que já era baixa, ficou baixíssima e tendendo a zero. Imagine quantas pessoas importunariam o casal se nada fosse falado!

Uma situação médica foi o gatilho para o segundo caso. Uma profissional de saúde que se submeteu a um transplante de coração. A ansiedade e a expectativa pelo momento em que surgiria um doador que a tiraria da fila foram grandes e cansativas. Mas ela se cansou mais com a pergunta “cumé que cê tá?” logo depois da cirurgia. Já recuperada e circulando nos ambientes de outrora, muitos que a encontram perguntam toscamente “mas cê tá boa mesmo?” e disparam a falação, ávidos por detalhes da cirurgia e da recuperação.

No último relato que ouvi, uma senhora de 99 anos perdeu o filho mais velho, num processo rápido e doloroso, que durou menos de uma semana. Já no dia seguinte ao sepultamento, passou a receber longas visitas de condolências. Recebeu-as pacientemente, enfrentando os limites físicos da audição. Mas não foi só isso. Quase todos os seus visitantes, tanto da terra natal quanto de Belo Horizonte, queriam saber detalhes do passamento. A senhora começou a se cansar com as repetidas narrativas, que só aguçavam sua dor em pleno luto. Sua única filha, percebendo o processo, resolveu fazer uma gestão mais racional das visitas. Começou a explicar aos visitantes que havia limites, inclusive de duração e horário. Afinal, a mãe se aproxima do centenário de nascimento e haja coração para elaborar a perda!

Se o excesso incomoda e se forma e conteúdo caminham lado a lado, como se comportar diante de situações como as descritas aqui? Você tem enfrentado casos semelhantes ou sou só eu que estou na contramão?

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Curtas e curtinhas

por Luis Borges 7 de abril de 2015   Curtas e curtinhas

Licitações da Petrobras – O Executivo retirou o pedido de urgência da pauta da Câmara dos Deputados para a tramitação do regime especial de licitações da Petrobras, vigente desde 1998. Agora enquanto a Operação Lava Jato da Polícia Federal continua avançando, o tratamento diferenciado que é dado à Petrobras será discutido pela comissão especial que estuda modificações na Lei 8.666, que trata das licitações do setor público. Como não existe prazo para a conclusão dos trabalhos dessa comissão, dá para se imaginar quando será resolvido o que até o momento era urgente. Aliás, onde tudo é urgente nada é urgente e onde tudo é prioritário nada é prioritário, conforme nos ensinam os fundamentos da gestão.

Domésticas – No dia 2 de abril completaram-se 2 anos da promulgação da Proposta de Emenda à Constituição que estabeleceu vários direitos para as empregadas domésticas que até então não eram obrigatórios, entre eles o FGTS. De lá para cá a Câmara dos Deputados e o Senado da República tentam regulamentar a Lei, mas até agora nada, apesar de tantas trombetas durante o anúncio da alteração constitucional.

Recessão – O Boletim Focus do Banco Central projeta, nesta semana, o PIB negativo de 1,01% e inflação positiva de 8,2% para o ano de 2015. A expressão “estagflação”, do economês “estagnação com inflação”, começa a aparecer com mais frequência nos cenários que vão sendo desenhados para a economia brasileira. É a volta do cipó de aroeira no lombo de quem faltou com a verdade e a transparência, além de se tornar refém da política para resolver a economia.

Imóveis – Algumas construtoras da cidade de São Paulo estão oferecendo descontos que chegam a 50% na venda de imóveis novos. É uma forma de tentar sacudir o mercado queimando gorduras e dando a sensação de movimento na economia estagnada. É também uma tentativa de reduzir custos com impostos e taxas de condomínio, que acabam pesando na manutenção desses estoques. Se o jeito é se reinventar, é oportuno também refletir sobre o que é uma bolha de consumo e um negócio sustentável. Sempre é hora de aprender, inclusive com o fracasso, de preferência dos outros.

Fecundidade em queda – Segundo o IBGE, em 2003 a média de filhos por família no Brasil era de 1,78. Em 2013 o número passou para 1,59. No mesmo período, entre os 20% mais pobres a taxa caiu de 2,55 para 2,15. E, no Nordeste, de 2,73 para 2,01. Apesar dos números falarem por si, ainda existem pessoas afirmando que o programa Bolsa Família incentiva o aumento do número de filhos para fazer jus aos seus benefícios. Só o conhecimento para combater o achismo.

Custo direto – Os salários de Deputados Federais e Senadores foram reajustados em 26,6%, chegando a R$33.763,00 desde 1 de janeiro deste ano. Além disso, a Câmara aumentou os gastos com auxílio moradia, cotas de atividades e verbas de gabinete. Como finalmente o orçamento do ano foi aprovado, a Câmara e o Senado juntos gastarão R$ 9,3 bilhões até 31 de dezembro. Isso significará gastar R$ 25,4 milhões por dia ou R$ 1,058 milhão por hora. Mas também pudera – são 513 Deputados Federais, 81 Senadores e em torno de 18.000 servidores na Câmara e 9.000 no Senado. Bem que esse gasto merece uma análise crítica do seu nível de qualidade, ainda que seja feito em nome da democracia meramente representativa.

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Paixão e fé

por Luis Borges 3 de abril de 2015   Música na conjuntura

Os católicos relembram na Semana Santa a paixão, a morte e a ressurreição de Jesus. A também chamada Semana Maior se inicia no Domingo de Ramos e termina com a ressurreição no Domingo de Páscoa.

Em pleno outono de 2015 no hemisfério Sul, que reflexões podemos fazer e que significados encontrar nesse momento da vida que estamos vivendo?

Que ilações fazer após a leitura do texto de Lucas, capítulo 19, versículos de 35-48?

36 E, indo ele, estendiam no caminho as suas vestes.
37 E, quando já chegava perto da descida do Monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos, regozijando-se, começou a dar louvores a Deus em alta voz, por todas as maravilhas que tinham visto,
38 Dizendo: Bendito o Rei que vem em nome do Senhor; paz no céu, e glória nas alturas.
39 E disseram-lhe de entre a multidão alguns dos fariseus: Mestre, repreende os teus discípulos.
40 E, respondendo ele, disse-lhes: Digo-vos que, se estes se calarem, as próprias pedras clamarão.
41 E, quando ia chegando, vendo a cidade, chorou sobre ela,
42 Dizendo: Ah! se tu conhecesses também, ao menos neste teu dia, o que à tua paz pertence! Mas agora isto está encoberto aos teus olhos.
43 Porque dias virão sobre ti, em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, e te sitiarão, e te estreitarão de todos os lados;
44 E te derrubarão, a ti e aos teus filhos que dentro de ti estiverem, e não deixarão em ti pedra sobre pedra, pois que não conheceste o tempo da tua visitação.
45 E, entrando no templo, começou a expulsar todos os que nele vendiam e compravam,
46 Dizendo-lhes: Está escrito: A minha casa é casa de oração; mas vós fizestes dela covil de salteadores.
47 E todos os dias ensinava no templo; mas os principais dos sacerdotes, e os escribas, e os principais do povo procuravam matá-lo.
48 E não achavam meio de o fazer, porque todo o povo pendia para ele, escutando-o.

O que sentir ouvindo ou cantando junto com Milton Nascimento a canção Paixão e fé, escrita por Fernando Brant e Tavinho Moura?

Ainda existe uma oportunidade para aprender e crescer, fazendo as necessárias mudanças de atitudes ensejadas pelo clarear das percepções.

Emoções eu também estou vivendo e buscando caminhos para melhor prosseguir.

Paixão e fé

Já bate o sino, bate na catedral
E o som penetra todos os portais
A igreja está chamando seus fiéis
Para rezar por seu Senhor
Para cantar a ressureição

E sai o povo pelas ruas a cobrir
De areia e flores as pedras do chão
Nas varandas vejo as moças e os lençóis
Enquanto passa a procissão
Louvando as coisas da fé

Velejar, velejei
No mar do Senhor
Lá eu vi a fé e a paixão
Lá eu vi a agonia da barca dos homens

Já bate o sino, bate no coração
E o povo põe de lado a sua dor
Pelas ruas capistranas de toda cor
Esquece a sua paixão
Para viver a do Senhor
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Pecado capital

por Luis Borges 1 de abril de 2015   Música na conjuntura

O combate à corrupção, corruptos e corruptores continua na pauta brasileira enquanto as medidas propostas  para o enfrentamento do problema tramitam no Congresso Nacional com a velocidade que lhe é peculiar. A Operação Lava Jato da Polícia Federal é, sem dúvida, a mais midiática e emblemática. Ela está mostrando a tecnologia sistemicamente usada por pessoas em organizações públicas e privadas. Até o momento já se enxerga perdas de R$10 bilhões que só tendem a aumentar com o avanço das investigações.

Agora a Polícia Federal trouxe para a mídia a sua mais nova operação, a Zelotes, que investiga o Conselho de Administração de Recursos Fiscais (CARF) da Receita Federal, sempre tão zelosa em sua função de arrecadar impostos. Estima-se fraude em torno de R$19 bilhões, dos quais R$5,7 bilhões já são considerados como comprovados. E de bilhão em bilhão de reais, dólares e euros vão pululando as diversas transações que percolam, além da União, os estados, municípios, empresas estatais, empreiteiras de todos os portes e demais tipos de fornecedores. O sistema é assim e funciona assim no grande teatro de operações, onde tudo se passa como normal e dentro da previsibilidade do padrão.

Quem pensa que honestidade é obrigação deve estar se perguntando por que tanta gula na aplicação da Lei de Murici, aquela que diz que “cada um cuida de si”. Mas como catitu fora da manada é papá de onça todo mundo vai se enturmando nos “clubes” do sistema. Podemos também perceber que a gula se associa umbilicalmente com outros pecados capitais, como a avareza, a luxúria e a soberba. Dá até para achar um lugar para a inveja, que também está sempre presente por toda a parte. Ainda assim, tem sido muito discutida uma frase bem popular com a afirmação de que “dinheiro não traz felicidade”. O que você acha desse dito?

A música de hoje é Pecado Capital, do grande cantor e compositor Paulinho da Viola, nos trazendo a oportunidade de cantar, refletir e agir.

Pecado capital
Paulinho da Viola
Fonte: Site oficial

Dinheiro na mão é vendaval
É vendaval
Na vida de um sonhador
De um sonhador
Quanta gente aí se engana
E cai da cama 
Com toda a ilusão que sonhou
E a grandeza se desfaz
Quando a solidão é mais
Alguém já falou

Mas é preciso viver
E viver não é brincadeira não
Quando o jeito é se virar
Cada um trata de si
Irmão desconhece irmão
E aí dinheiro na mão é vendaval
Dinheiro na mão é solução
E solidão
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Vale a leitura

por Luis Borges 30 de março de 2015   Vale a leitura

Fator previdenciário – O ajuste fiscal que o Governo Federal anunciou no final do ano passado mexe e piora algumas disposições do regime geral da Previdência Social. O mês de abril já está chegando e o Congresso Nacional ainda não votou a matéria que é considerada inaceitável pelas centrais sindicais e por associações de aposentados. Enquanto isso, o Fator Previdenciário saiu do foco em função das prioridades do momento. Isso não impede que ele seja melhor conhecido do ponto de vista técnico para que as pessoas compreendam o seu mecanismo de funcionamento. É o que mostra o professor Samy Dana da Fundação Getúlio Vargas no artigo esclarecedor “Qual a melhor forma e momento de se aposentar?” publicado pelo jornal Folha de São Paulo. Ressalvo que, ao final do texto, o valor do teto máximo das aposentadorias pagas pelo INSS se refere ao ano de 2014. Em 2015, ele foi estipulado e R$4.663,75.

Choque de realidade – Na medida em que as pessoas participam mais ativamente da vida do país, aumentam as cobranças por serviços públicos de qualidade, organização, acesso à informação e transparência. Como será que essas pessoas praticam individualmente e na família o que cobram daqueles que exercem funções públicas? A situação financeira de uma família em dificuldades assusta muitos de seus membros quando a amarga realidade vem à tona num momento de crise. Muitos apenas exclamam o clássico “eu não sabia” como fez o então Presidente da República diante da divulgação da existência do mensalão. Se vier uma morte súbita do gestor ou da gestora da família, como será a continuidade dos negócios, o inventário de bens se tudo mais se parece com uma caixa preta? Esses e outros aspectos correlatos são abordados pela colunista Márcia Dessen no artigo “Choque de realidade”.

Link alternativo

Rodrigo surpreendeu a mulher, Roberta, quando disse que precisa conversar sobre um assunto que manteve em segredo durante meses. Não se tratava de confessar que teve um caso fora do casamento nem que estava apaixonado por outra mulher.

Comunicou a existência de dívidas, assumidas em bancos para bancar o alto padrão de vida que sempre tiveram.

Ele contraiu dívidas contando com a entrada de comissões e bônus generosos, tradicionalmente distribuídos pela empresa em que trabalha. A crise afetou o resultado dos negócios, e a entrada do dinheiro não veio e talvez não venha.

Como se proteger de golpes na internet – A todo instante as pessoas ligadas pela internet podem se ver diante de mensagens de fraudadores, que usam as mais diferentes formas para atingir seu intento. Geralmente fazem solicitações que devem ser atendidas rapidamente, sempre acompanhadas de alguma ameaça que gera pânico momentâneo. É o suficiente para que as pessoas impulsivas e que resolvem tudo aceleradamente, mas sem análise crítica, caiam imediatamente no golpe. Esse artigo publicado pela BBC Brasil dá orientações para não cair nas armadilhas mais corriqueiras da internet. É uma questão de segurança que, portanto merece a nossa atenção e prioridade.

Chefes sem talento – Você já deve ter trabalhado com um chefe que nunca soube liderar e gerenciar pessoas. É o clássico caso de quem nem sempre tem o perfil adequado. Muitas vezes chega à função pelo “puxa-saquismo” e não pelo mérito técnico e simplesmente comanda, escala e determina o que o seu bando ou grupo deve fazer. Formar uma equipe nunca será possível, devido à sua falta de liderança e inteligência emocional para trabalhar com uma visão sistêmica em busca de um melhor resultado. Neste artigo – A vida é muito curta para ter chefes sem talento – está a visão da jornalista Mariliz Pereira Jorge.

Mas eu era certamente mais capaz do que o tal chefe. A maioria das pessoas com quem eu trabalhava nessa empresa, com quem dividia o café ruim e a insatisfação eram mais capazes do que ele.

Me diz, como essas pessoas viram chefes? Como alguém no topo dessa hierarquia não consegue ver que eles são incapazes de gerir uma equipe, que têm competência mediana e zero inteligência emocional, que infernizam seus subordinados por incapacidade de organização, que não conseguem tomar uma decisão sem voltar atrás por insegurança, que não inspiram e não estimulam quem está sob seu chicotinho?

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Depois de um processo de cerca de 20 anos, o bairro de Santa Tereza, em Belo Horizonte, teve seu patrimônio arquitetônico, urbanístico e ambiental tombados pela Prefeitura de BH. A nova fase será um momento decisivo, de implementação do que era sonho agora dentro do marco legal.

Foto: Sérgio Verteiro

Foto: Sérgio Verteiro

No aspecto urbanístico, algo que já chamava a atenção de quem transita pelo bairro é a crescente quantidade de veículos automotores abandonados em suas vias públicas. Alguns estão no local há mais de um ano. Nem seria preciso lembrar os riscos trazidos por essa situação tanto do ponto de vista da segurança e da integridade física das pessoas quanto também pelos aspectos da saúde em tempos de alguma chuva, dengue, lixo acumulado ou mesmo ambiente para o manejo de substâncias ilícitas.

O Observação & Análise falou desse assunto no ano passado. Vale registrar que o veículo mostrado naquele post foi retirado do local pela Secretaria de Administração Regional Municipal Leste em meados de junho do mesmo ano.

Em Minas Gerais, cidades como Araxá, Contagem, Montes Claros e Varginha possuem leis que tratam da remoção de veículos abandonados em vias públicas. Belo Horizonte teve uma lei do tipo, que está suspensa, pois o atual prefeito do município recorreu ao Supremo Tribunal Federal, que determinou a sua inconstitucionalidade nos termos propostos. Já a lei estadual que determina ao Detran a atribuição de recolher os veículos continua adormecida há quase 43 anos.

Foto: Sérgio Verteiro

Foto: Sérgio Verteiro

Nas fotografias deste post você vê a situação de alguns veículos que estão incorporados à paisagem das ruas Tenente Durval e Tenente Vitorino, nas vizinhanças do quartel da Polícia Militar. O caminhão já está quase fazendo aniversário, marcando o segundo ano de presença imóvel no ambiente agora tombado. Como se vê o desafio é muito maior do que podemos imaginar.

Foto: Sérgio Verteiro

Foto: Sérgio Verteiro

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Um médio empresário de 61 anos tem desabafado com as pessoas de seu convívio mais direto. Ele não aguenta mais receber tantas cobranças por causa do atraso no pagamento da parcela de uma dívida. O banco de uma montadora de veículos é o seu carrasco. A instituição tem sido implacável, por meio de seus terceirizados, na cobrança via telefone fixo, celular e nas mensagens de texto SMS.

O assédio começa a partir do 11º dia de atraso e vem com os diversos sotaques, de diferentes pontos do país. Os telefonemas começam às 7h e se sucedem até por volta das 21h. Ao final desse período, a contabilização mostra 20 chamadas recebidas em cada modalidade telefônica e duas mensagens. Essa abordagem incisiva só acaba dois dias depois do sistema do banco acusar o recebimento da parcela em atraso.

O cliente insiste em mostrar que o atual financiamento é o terceiro que faz pela instituição e que nunca deixou de pagar nada. Ele se aborrece de ver que tem se atrasado mas que seu histórico de bom pagador não está sendo considerado. Pena que ele se esquece que está falando isso para uma central de cobranças, que não foi feita para ouvir seus argumentos e sim para cobrar repetidamente e, se possível, vencer pelo texto padrão ameaçador e pelo cansaço.

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Alguém poderia perguntar por que o médio empresário tem se atrasado. A causa é muito simples – o atraso ou o não pagamento de serviços prestados a órgãos públicos estaduais e da União, notadamente nos últimos 12 meses.

Sabedor de que o sapo pula é por necessidade e não por boniteza, ele resolveu fazer uma análise crítica do foco do seu negócio e do perfil de seus clientes. Seu susto foi muito grande ao perceber que 90% desses clientes estão na mesma cesta ou em cestas bastante semelhantes. Só então se convenceu do quanto foi omisso e negligente na gestão do seu próprio negócio e do risco que está correndo no momento em que seus clientes estão ganhando tempo e adiando o pagamento a seus fornecedores.

É claro que podem dizer que falta orçamento aprovado pelo Poder Legislativo, que falta caixa devido a atrasos no repasse de recursos advindos de outros órgãos ou que tudo será pago num momento próximo. Mas o fato é que o empresário está queimando reservas e financiando seus clientes enquanto eles ganham o tempo que precisam.

Esse é o nosso capitalismo sem riscos, que quando soluça acaba quebrando muitos ovos daqueles que colocam praticamente todos na mesma cesta.

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Curtas e curtinhas

por Luis Borges 24 de março de 2015   Curtas e curtinhas

Medidas anticorrupção – A Câmara dos Deputados recebeu, na semana passada, um pacote do Poder Executivo contendo 5 medidas para acelerar as regras de combate à corrupção. É uma tentativa de responder mais uma vez à insatisfação que permeia a sociedade e também mostrar que a Presidente da República está cumprindo um ponto programático de sua campanha à reeleição. Quanto tempo será gasto pelo Poder Legislativo na análise e aprovação desse projeto do Executivo que, aliás, é quem mais apresenta e aprova projetos no Congresso Nacional? E ainda fala-se em soberania e independência dos três poderes da República, que devem viver e sobreviver em harmonia permanente. É a democracia representativa funcionando plenamente independente da gravidade, urgência ou tendência em função da pressão dos representados.

Adormecidos ou tramitando – Cerca de 528 propostas de combate à corrupção tramitam no Congresso Nacional, sendo 355 na Câmara dos Deputados e 173 no Senado Federal. A mais antiga delas adormece desde 1995 em alguma gaveta. Lá se vão 20 anos de baixa produtividade, enquanto a corrupção continua sendo, na cultura brasileira, a flor do amendoim, aquela que nasce primeiro na primavera de um empreendimento.

Volume morto – O Grupo de Atuação Especial do Meio Ambiente do Ministério Público do Estado de São Paulo afirma que a captação de água do volume morto do sistema Cantareira traz riscos à saúde da população. A afirmação foi feita com base em estudos realizados pela Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental do estado de São Paulo) mostrando que o volume de cianobactérias cresceu muito em algumas das represas do sistema. Se lá está assim e diante da ainda pouca transparência na governança do país, podemos perguntar também se outros volumes mortos estão sendo ou foram usados em reservatórios da região Sudeste e em quais condições. Fica o benefício da dúvida.

Aumento salarial – O Ministro do Planejamento e Gestão afirmou que não há espaço para conceder um reajuste salarial de 27,3% para os servidores públicos federais. As várias categorias estão se mobilizando e tentando negociações que, se a história se repetir, poderão desembocar em paralisações e greves como forma de luta. O Ministro alega que não há espaço para reajustes porque a sociedade demanda uma redução do gasto público com o funcionalismo. Mas é bom lembrar que o ano de 2015 se iniciou com o aumento salarial para Ministros do STF, Presidente da República e seus Ministros, Senadores e Deputados Federais, além das repercussões em cascata dos Poderes Legislativo e Judiciário. Segundo os versos da obra do compositor e cantor Geraldo Vandré “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. Vamos ver como ficará a história, e em que mãos.

Tributação nos Estados Unidos – Uma pesquisa feita pelo Pew Research Center mostrou que 53% dos norte-americanos entrevistados acreditam pagar a quantidade certa de impostos em função dos serviços públicos recebidos. Que resultado você imagina que uma pesquisa semelhante no Brasil daria em função da nossa carga tributária, que chega a 40% daquilo que produzimos, e dos serviços públicos recebidos?

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Pessoas amolativas

por Luis Borges 22 de março de 2015   Pensata

Está cada vez mais difícil conviver e aguentar pessoas que se acham proprietárias da verdade e agem assim o tempo todo. O pior é que elas estão por toda parte, em todos os tipos de organizações humanas. Começam nas famílias, nas escolas, nas empresas. E se alastram por sindicatos, partidos políticos, Poder Legislativo, Executivo, Judiciário, Ministério Público, ONGs e outras instituições que você poderá se lembrar.

Tudo fica mais “osso duro de roer” porque essas pessoas só sabem falar, mas nunca conseguem ouvir. Elas se sentem tão donas da verdade que quando alguém consegue interromper as falações, elas mudam de assunto ou saem de perto de quem as contesta. Outro problema é a altura da voz e o tom bravo que adotam, muitas vezes para intimidar e acentuar a prevalência do que elas querem impor. Democracia participativa para elas tem mão única – só elas falam, sempre.

Outro aspecto importante é que essas pessoas tornam tudo mais difícil, pois acreditam piamente no que falam. A nós cabe tolerar tudo isso, em função do convívio geopolítico que nós mesmos nos impomos.

Apesar de cada caso exigir uma estratégia, não é incomum ver essas pessoas não aguentarem contrapontos. Elas se posicionam como frágeis vítimas e chegam a ir às lágrimas. No fundo, se não houver um determinado nível de enfrentamento, essas pessoas continuarão a nos chatear, a nos importunar e nos incomodar insistentemente, durante muito tempo.

Se por acaso você se considerar uma pessoa amolativa, fineza não vestir a carapuça. Isso é, no máximo, uma mera coincidência e não necessariamente uma intenção do autor. Quando nada já valerá uma reflexão sem dor, inclusive com o benefício da dúvida.

Gostaria de ouvir sua experiência sobre esse assunto. Em quais ambientes você encontra as pessoas amolativas com maior frequência? Como você lida com elas? Deixe seu relato nos comentários.

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O recado das ruas – As manifestações nas ruas, as feitas em casa e as das redes sociais estão trazendo diversas mensagens para aqueles que estão no poder, ao o qual chegaram pelas vias da democracia representativa. A insatisfação é grande e as reivindicações são muitas. Mas o que é necessário fazer, o que é possível e o que é impensável nesse momento? Neste artigo o filósofo Hélio Schwartsman manifesta seu receio em relação ao impeachment da presidente, apesar dos gritos de muitos grupos e pessoas.

Eu próprio estaria apoiando o “impeachment” ou implorando pela renúncia da mandatária, caso ela tivesse insistido em trilhar a rota que nos levou ao desastre econômico. Entretanto, como já apontei aqui, Dilma tem uma virtude: ela vai até a beira do abismo, mas não salta. A presidente viu o estrago nas contas públicas e optou pelo ajuste fiscal, tendo recrutado um técnico competente para efetuá-lo. Agora é preciso dar tempo para as medidas recessivas realizarem sua mágica. Teremos pelo menos um par de anos difíceis.

Dólar em alta – A desvalorização do real em relação ao dólar veio para ficar e deve ser uma solução para a crise econômica. Essa é a percepção do economista Bráulio Borges, da LCA Consultores, em artigo publicado pela Folha de São Paulo esta semana. Segundo o economista, a cotação da moeda norte americana cresceu em torno de 35% quando comparamos seus níveis de hoje com os de janeiro de 2014. Nesse mesmo período a valorização do Euro em relação ao mesmo Real ficou em torno de 5%. O cenário econômico aponta para um aumento das exportações e uma redução no incentivo ao consumo interno que demonstra sinais de esgotamento.

Diversos modos da corrupção – A Operação Lava Jato da Polícia Federal completou 1 ano de investigações sobre a corrupção na Petrobrás. A ponta do iceberg que está sendo mostrada revela que essa tecnologia permeia pessoas e organizações humanas no mundo público e privado. Ela está tão arraigada na nossa cultura que se faz presente em diversas atitudes do nosso micromundo cotidiano. Esse é o aspecto abordado pelo jornalista Eduardo Costa neste artigo, no qual afirma que a crise é de caráter e a corrupção está no DNA.

esqueçamos as fraquezas humanas para lembrar que um país novo a gente cria ao economizar água, energia elétrica, não pegar um “jabá” por fora, não furtar TV a cabo, não explorar a empregada doméstica, não sonegar impostos, não majorar preços indecentemente, não dar dinheiro ao vereador para construir onde não pode, não parar na fila dupla, não arranjar emprego para a nora e os genros no fórum, não pedir mais auxilio moradia, livro, mudança e outros que só aumentam salários já incompatíveis com a fome de muitos.

Suco detox – O que para comer e o que para beber, senhor e senhora? O discurso e a catequese para instigar as pessoas que estão em busca de uma alimentação saudável e equilibrada permeiam o cotidiano de muita gente. O mercado usa as mais diversas mídias para apresentar soluções aos que querem manter a saúde para ter longevidade com qualidade. Agora está em evidência o suco detox que, segundo artigo da Folha de São Paulo, não serve nem para desintoxicar nem para substituir a comida. Como tudo é relativo e cada caso é um caso, tire suas conclusões lendo o artigo. 

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