Primeiro a empresa deixou vazar na rádio corredor que seus principais clientes estavam atrasando os pagamentos, porque também não estavam recebendo em dia. Rapidamente cresceu o discurso pela necessária e obrigatória redução de custos, a começar pelo cafezinho, passando por água, energia elétrica e redimensionamento da estrutura organizacional. Depois veio a lista das pessoas que seriam cortadas para garantir a continuidade do negócio em bases menores na nova conjuntura econômica. Daí para a demissão fria, rápida e em massa, acaba sendo apenas mais um ligeiro passo, com o discurso de que os direitos sociais serão assegurados e viabilizados dentro das possibilidades. O que acabo de descrever não está longe da realidade de muita gente que perdeu o trabalho ao longo desses meses de declínio econômico e muita disputa política e partidária.

Uma característica bastante frequente em diversos segmentos da economia que estão demitindo é o desrespeito à condição e à dignidade humana, mesmo presentes na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Uma prática cujo padrão tem ganhado adeptos recomenda que, num ato de traição, o empregado seja retirado do seu local de trabalho mediante algum pretexto, que lhe é passado de maneira bastante incisiva. A sentença pode ser comunicada numa sala específica. Isso para não falar em práticas mais ousadas, quando se conduz os empregados para um cadafalso em espaço fora da empresa e até mesmo na sua própria calçada. O fato é que o empregado sequer tem o direito de retornar ao seu antigo posto para pegar os seus pertences.

Nesse momento fico pensando naqueles que têm a função de fazer a gestão de pessoas ou dos recursos humanos ou qualquer outra denominação que se queira dar. Muitos até se envergonham de seus papéis e se justificam perante os ex-colegas dizendo que são “os ossos do ofício”. Outros simplesmente executam o que precisa ser executado, de novo em nome da sobrevivência, da mesma forma que o cirurgião faz a cirurgia ou o torturador tortura o seu torturado. Fica clara a falta do preparo de muitos para enfrentar situações como essas. Falta gestão estruturada e sobra discurso dizendo que as pessoas são essenciais ao processo de trabalho, mesmo sem nunca saber que perfil foi buscado ou como seu desempenho era avaliado. Isso vale inclusive para o chefe ou gestor imediato do empregado em seu setor de trabalho, que nessas horas terceiriza tudo para “o pessoal do RH”.

Com tanto desrespeito, imagine o clima que reinará no local de trabalho entre os empregados não demitidos! Eles também poderão querer entender por que ficaram, se houve algum critério ou se poderão fazer parte da próxima lista. Nos tempos do modismo da reengenharia, que queria cortar custos de todas as maneiras, também vivia-se algo semelhante em termos de clima organizacional.

Para quem saiu fica a mágoa pela forma desrespeitosa como tudo foi feito, a vontade expressa de reclamar os direitos sociais na Justiça do Trabalho e falar mal da empresa pelos quatro cantos do mundo, no cara a cara e nas redes sociais.

Espero, caro leitor, que você ainda não tenha enfrentado uma situação como essa, mas nenhum de nós está livre de viver o risco de ser tão desrespeitado ou mesmo de se ver obrigado a desrespeitar alguém dessa forma, mesmo não concordando. Ainda estamos longe da excelência, apesar da crença nas pessoas.

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Vale a leitura

por Luis Borges 24 de abril de 2015   Vale a leitura

Uma fábula da modernidade – Se antigamente uma biblioteca era um conjunto de livros organizados num local público ou privado, podemos dizer que hoje ela é considerada como um conjunto de informações e conhecimentos organizados de forma sistemática à disposição dos leitores. Na esfera pública o desafio é sempre encontrar instalações adequadas, equipamentos, pessoas e atualizações para tornar a biblioteca viva e dinâmica. Mas a corrupção também se faz presente na realização desse tipo de empreendimento, geralmente movimentando bons recursos financeiros. O jornalista Elio Gaspari, da Folha de São Paulo, mostra neste artigo um pouco da realidade brasileira no setor.

Vida simples – A simplicidade é o último degrau da sabedoria, já nos dizia Gibran Khalil Gibran. Mas como chegar lá fazendo parte da sociedade da novidade, da quantidade e da ansiedade pelo consumo, nem que seja para preencher o vazio da alma que não se contenta apenas com o adequado e necessário? Viver uma vida simples no verdadeiro sentido da palavra, além do discurso, é o que propõe Cinthya Rachel neste texto.

Gritos de guerra preconceituosos – Acentuam-se pelo país gritos e insultos preconceituosos envolvendo participantes de competições de diversas naturezas em ambientes também diversos. Um grupo insultando o outro pode ser visto no estádio de futebol, no campo de várzea, no antiquado trote universitário ou em jogos estudantis envolvendo diversos níveis de ensino. Neste artigo do blog Abecedário a autora aborda confrontos cheios de preconceito durante o evento “Economíadas”.

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Curtas e curtinhas

por Luis Borges 23 de abril de 2015   Curtas e curtinhas

Realismo tarifário – O Governo Federal continua voltando atrás nos parâmetros utilizados para a redução das tarifas de energia elétrica em 2012, que caíram de 18% a 30% conforme o segmento consumidor. Agora cogita retirar a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) da tarifa paga pelos grandes consumidores industriais, o que produziria efeitos a partir de 2016. É claro que vai sobrar de novo para o consumidor residencial, que já foi esmagado pelo tarifaço imposto pelo realismo tarifário neste ano. Não há poder aquisitivo que aguente!

Queda de consumo – Dados preliminares divulgados pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica apontam queda de 5% no consumo de energia do mercado cativo na primeira quinzena de abril quando comparada ao mesmo período do ano passado. É mais um sinal de que a projeção de queda do PIB de pelo menos 1% neste ano tem tudo para se confirmar.

Minério de ferro – Enquanto a tonelada do minério de ferro exportado pela Vale está abaixo de USD$60,00 a tonelada, o ferro-nióbio exportado pela Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) está valendo USD$45,00 o kg. Os participantes da Previ, Fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, devem estar bastante preocupados com a queda dos preços do minério de ferro, já que o fundo é o maior investidor individual da Vale. A gestão do risco deve ser permanente, inclusive para aqueles que sonham com o capitalismo sem riscos.

Terceirização – Dados oficiais do México mostram que o país possui 8,32 milhões de pessoas trabalhando como sub-contratados, o que lá é sinônimo de terceirização. Isso equivale a 16% da população economicamente ativa. É bom lembrar que 60% dos trabalhadores do país trabalham na informalidade e que os sindicatos dos trabalhadores ainda lutam para ser respeitados e por leis trabalhistas. O fato é que a terceirização avança no mundo inteiro e sempre na direção da precarização e do aumento dos lucros de quem se utiliza dela em nome da redução forçada dos custos.

Leão – A Receita Federal quer recuperar algo em torno de R$7 bilhões em cima de aproximadamente 280 mil contribuintes que, em sua maioria, inventaram despesas ou deixaram de informar rendimentos na Declaração do Imposto de Renda de 2014. Ela se mostra muito ciosa na sua atribuição de arrecadar os impostos federais, entre eles o Imposto de Renda da Pessoa Física. Pena que coube à Polícia Federal em sua operação Zelotes demonstrar a possibilidade de perda de R$ 19 bilhões por causa de negociações envolvendo conselheiros do CARF (Conselho de Administração de Recursos Fiscais), na mesma Receita.

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Acácia amarela

por Luis Borges 22 de abril de 2015   Música na conjuntura

Este 22 de abril marca o sétimo dia da passagem de Tomaz Luiz Naves para outro plano espiritual. Ele nasceu em Romaria(MG), era advogado, torcia para o América Futebol Clube, tinha 71 anos de idade e era casado com Lucrézia, com quem teve dois filhos, Ricardo e Leonardo.

Eu o conheci há um ano por meio de um amigo em comum e gostei muito de tê-lo conhecido em função dos seus ideais, da sua ação efetiva e da sabedoria demonstrada. Nossos contatos não foram muitos nesse curto espaço de tempo, inclusive em função dos limites físicos que enfrentou nos últimos meses, que acabaram antecipando a sua partida. Como dizia uma das muitas coroas de flores presentes no cenário do velório de seu corpo, ele combateu o bom combate, trabalhou com dignidade, cumpriu sua grande missão e seguiu em paz.

Tomaz Naves foi, por duas vezes, Grão Mestre Ad-Vitam da Grande Loja Maçônica de Minas Gerais e sempre defendeu a tese de que o sucesso dos projetos da Maçonaria brasileira deveria partir dos anseios comuns e da atuação integrada das Potências.

Tomo a liberdade de homenagear e reconhecer Tomaz Luiz Naves lembrando a música Acácia amarela de Luiz Gonzaga, O Rei do Baião, e membro de outra Potência Maçônica.

Acácia Amarela
Luiz Gonzaga
Fonte: Letras.mus.br

Ela é tão linda é tão bela
Aquela acácia amarela
Que a minha casa tem
Aquela casa direita
Que é tão justa e perfeita
Onde eu me sinto tão bem

Sou um feliz operário
Onde aumento de salário
Não tem luta nem discórdia
Ali o mal é submerso
E o Grande Arquiteto do Universo
É harmonia, é concórdia
É harmonia, é concórdia.
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Tiradentes

por Luis Borges 21 de abril de 2015   A história registrou

A Inconfidência ou Conjuração Mineira foi um movimento que buscava a independência da Capitania de Minas Gerais, que se tornaria uma república livre da exploração dos colonizadores portugueses. A gota d’água para o avanço do movimento foi a fúria arrecadadora da Coroa Portuguesa, que não se conformava com a exaustão das minas de ouro e atribuía à sonegação e ao contrabando o declínio do recebimento de seus impostos. Na base do Decreto, passou a exigir 100 arrobas de ouro por ano, independente do nível de produção, e determinou que as pessoas se virassem para atingir o que era exigido. Essa foi a maneira encontrada para se fazer o ajuste fiscal da época.

Mas os inconfidentes não contavam com a traição do companheiro Joaquim Silvério dos Reis, que foi premiado com a anistia de impostos que devia em função da delação que fez dos companheiros do movimento. E assim, o alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, foi condenado à morte e executado em 21 de abril de 1789, no Rio de Janeiro, e seu corpo esquartejado foi levado para ser exposto na hoje cidade de Ouro Preto. Embora haja divergências entre historiadores sobre o tamanho da importância de Tiradentes nas lutas do povo brasileiro o fato é que ele é considerado um herói e o dia 21 de abril é um feriado nacional.

Praça Tiradentes, em Ouro Preto, durante solenidade de hoje.

Praça Tiradentes, em Ouro Preto, neste 21/4/2015, quando foi entregue a Medalha da Inconfidência. | Foto: Henrique Chendes / Imprensa MG

A maior comenda concedida pelo governo de Minas Gerais é a Medalha da Inconfidência, que é entregue todos os anos nessa data às pessoas agraciadas desde a sua criação em 1952 pelo então Governador Juscelino Kubitschek. Na cerimônia de hoje uma coroa de flores será depositada no monumento ao mártir da Inconfidência e haverá discursos do Presidente do Supremo Tribunal Federal, orador oficial do evento, do Prefeito de Ouro Preto e do Governador do Estado. A conjuntura marcada pela insatisfação de boa parte da população com os atuais rumos do país é marcada pela promessa de manifestações, como a do grupo “Vem pra janela”, que promete panelaço no local.

Que tal uma reflexão, ainda que sem dor, sobre o tamanho da aprendizagem do povo brasileiro nesses 226 anos que nos separam daquele 21 de abril de 1789? Para embalar essa reflexão pode ser lido o livro Romanceiro da Inconfidência, obra prima de Cecília Meireles, lançado em 1953. A seguir, uma pequena amostra desse livro nos versos do Romance da Denúncia de Joaquim Silvério, grande traidor da Conjuração.

ROMANCE DA DENÚNCIA DE JOAQUIM SILVÉRIO
Cecília Meireles

No Palácio da Cachoeira,
com pena bem aparada,
começa Joaquim Silvério
a redigir sua carta.
De boca já disse tudo
quanto soube e imaginava.

Ai, que o traiçoeiro invejoso
junta às ambições a astúcia.
Vede a pena como enrola
arabescos de volúpia,
entre as palavras sinistras
desta carta de denúncia!

Que letras extravagantes,
com falsos intuitos de arte!
tortos ganchos de malícia,
grandes borrões de vaidade.
Quando a aranha estende a teia
não se encontra asa que escape.

Vede como está contente,
pelos horrores escritos,
esse impostor caloteiro
que em tremendos labirintos
prende os homens indefesos
e beija os pés aos ministros!

As terras de que era dono,
valiam mais que um ducado.
Com presentes e lisonjas,
arrematava contratos.
E delatar um levante
pode dar lucro bem alto! 

Como pavões presunçosos,
Suas letra se perfilam.
Cada recurvo penacho
é um erro de ortografia.
Pena que assim se retorce
deixa a verdade torcida.

(No grande espelho do tempo,
cada vida se retrata:
os heróis, em seus degredos
ou mortos em plena praça;
- os delatores, cobrando
o preço das suas cartas...)
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Vale a leitura

por Luis Borges 20 de abril de 2015   Vale a leitura

Utilização e organização – Os sensos de utilização e organização iniciam o programa japonês 5S, que inclui também a limpeza, a saúde e a autodisciplina. Na sociedade pautada pelo consumo pouco se questiona o apego às coisas e o visível desperdício de bens, espaços e recursos financeiros. Diante de tantos entulhos acumulados, aumenta o apego e a incapacidade de analisar criticamente o que é adequado e útil.O que não serve para nós pode ser disponibilizado para outras pessoas e organizações humanas. É preciso também saber organizar tudo isso nos espaços disponíveis que temos. Leia neste artigo publicado no blog Vida Organizada o que a Thais Godinho sugere para organizar e decorar um imóvel pequeno. É um bom exercício para os sensos de utilização e organização.

Veias abertas – O noticiário da morte do escritor uruguaio Eduardo Galeano no dia 13 de abril realçou o seu livro de maior destaque, As Veias Abertas da América Latina. Ele se soma a outras 39 obras do autor permeadas por jornalismo, ficção, análise política e história. Segundo o jornalista Clóvis Rossi, em artigo publicado na Folha de São Paulo, Galeano não leria mais seu livro publicado em 1971.

Se as veias continuam abertas, o livro deixou de interessar ao próprio autor: “Não seria capaz de lê-lo de novo. Cairia desmaiado”, disse durante visita ao Brasil para a 2ª Bienal do Livro de Brasília. Completou: “Para mim, essa prosa da esquerda tradicional é muito chata. Meu físico não aguentaria”.

Cooperativa de crédito – Nesses tempos de aumento da inflação, perda de poder aquisitivo e desemprego em alta é tarefa desafiadora poupar uma parte do salário. Para quem consegue fazer isso e juntar um certo montante fica a dúvida de onde e em que aplicá-lo. Esse é o tema abordado no artigo de Samy Dana, “Mantenho R$ 180 mil aplicados em cooperativa de crédito?”. A sugestão de Dana é pesquisar, com atenção especial à rentabilidade líquida de cada aplicação e aos riscos.

Cuba, EUA e Che Guevara – Repercute intensamente o movimento de aproximação entre Cuba e Estados Unidos, protagonizado por Raul Castro e Barack Obama. Tudo caminha para o fim do embargo econômico imposto pelos americanos aos cubanos. Fidel Castro, um dos líderes da Revolução de 1959 que levou a ilha ao regime Socialista, acabou consentindo com a movimentação mas, é claro, está fora do poder decisório. Mas o que pensaria disso tudo Ernesto Che Guevara, outro líder da Revolução cubana? A BBC Brasil reuniu quatro depoimentos de especialistas em Cuba e em Che Guevara sobre o assunto. E você, o que acha? Compartilhe nos comentários.

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Pensar em “praça” nos remete a espaços amplos, jardins gramados, arborizados e floridos, espelhos d’água, bancos, pessoas circulando e assim por diante. A gestão do nosso tempo tem nos permitido caminhar por alguma praça? Ou será que estamos passando por elas sem olhar ou observar melhor, estejamos à pé ou dentro de um veículo automotivo?

Fotos: Sérgio Verteiro

Fotos: Sérgio Verteiro

Neste post as fotografias mostram a Praça Afonso Arinos e seu entorno. O espaço chamava-se Praça da República quando Belo Horizonte foi fundada e era bem maior do que é hoje. No entanto, ela foi perdendo espaço ao longo do tempo para construções como a da Faculdade de Direito da UFMG e a Secretaria da Receita Federal. Depois teve seu nome mudado para Afonso Arinos com o intuito de homenagear o professor jurista, ensaísta, historiador e membro da Academia Brasileira de Letras. O fato é que hoje ela não lembra em nada a imagem clássica que temos de uma praça. Mas o conjunto de espaços que recebe a denominação de Praça Afonso Arinos se mostra integrado e essencial ao sistema viário do Centro de Belo Horizonte.

Fotos: Sérgio Verteiro

Fotos: Sérgio Verteiro

Interessante notar que as avenidas João Pinheiro e Augusto de Lima se iniciam ali e que o espaço é cortado pela Rua Goiás e pela Avenida Álvares Cabral, que também vira parte da praça no início de seu segundo quarteirão. O espaço tem sido utilizado para manifestações políticas como as das Centrais Sindicais ocorridas na semana passada para protestar contra a ampliação do trabalho terceirizado.

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Fotos: Sérgio Verteiro

Alguns moradores de edifícios do entorno da praça reclamam de sua pouca movimentação à noite e também das cerca de 20 pessoas que estão morando sob marquises de prédios. Enquanto isso, o prédio do antigo Teatro da Praça continua se acabando diante do abandono e o antigo Hotel Del Rey, que foi sede de comitê eleitoral no ano passado, está sendo alugado pela Prefeitura de Belo Horizonte por R$400.000,00 mensais.

Fotos: Sérgio Verteiro

Fotos: Sérgio Verteiro

Você que mora em Belo Horizonte se disporia a descer do veículo automotivo, caminhar por ali e se inteirar de outros detalhes que precisam ser melhor observados para serem percebidos? Aos domingos existe logo abaixo a Feira de Artesanato da Avenida Afonso Pena, que acaba fazendo muita gente circular obrigatoriamente pela praça, a pé ou de veículo automotor.

Fotos: Sérgio Verteiro

Fotos: Sérgio Verteiro

Mas de qualquer maneira não espere flores porque o ambiente é árido e a aridez só se acentua com o concreto, o asfalto, as emissões dos poluentes veiculares e também a poluição sonora. Já a sensação de insegurança não é privilégio da praça, pois está presente em toda a cidade e região metropolitana. Mas se esse espaço não é a sua praça, descubra outro na cidade e faça dele o seu lugar.

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Meta e plano de ação

por Luis Borges 14 de abril de 2015   Gestão em pauta

Se não existe vento favorável para quem não sabe onde ir, como dizia Sêneca, o que fazer e como fazer para encontrar um norte? Esse desafio torna-se ainda maior em tempos de turbulência econômica, política e social como os que estamos vivendo. A entropia é grande e muitas pessoas parecem estar tão birutas quanto os aparelhos que indicam o rumo dos ventos. Se a incerteza prevalece, só nos resta enfrentá-la usando o conhecimento. É hora de aplicarmos o conhecimento gerencial de maneira estruturada e com o suporte do conhecimento geral e do conhecimento técnico específico.

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Quando o Secretário de Estado de Planejamento e Gestão apresentou o diagnóstico da situação do estado de Minas Gerais, ele falou que será feito um plano de ação para enfrentar os problemas percebidos. Mas num sistema de gestão estruturado não existe plano de ação sem meta, nem meta sem plano de ação.

Conceitualmente, meta é um objetivo que possui valor quantificado e prazo para ser atingido. Já o plano de ação apresenta as medidas estratégicas necessárias e suficientes para que a meta seja atingida. Ele detalha o que vai ser feito, como será feito, em quais prazos e o nome da pessoa que será responsável pela implementação da medida. Além disso também vale lembrar que a meta precisa obrigatoriamente ter um gestor e que a sua gestão deve ser feita pela liderança e não simplesmente pelo comando. O foco no resultado a ser alcançado e que desafia a todos os participantes do processo pode ser acompanhado graficamente pela linha da meta. Ela mostra ao longo do tempo se a gestão está conduzindo rumo ao norte orientador (meta) ou se correções e ajustes devem ser feitos.

Também nunca é demais lembrar que a meta deve ser desafiadora, difícil de ser atingida mas possível de ser alcançada. Quando a meta é maluca, fora da realidade, de cara todos já sabem que ela não será atingida e isso só desmotiva as pessoas.

No caso do diagnóstico estadual citado fica agora o desafio para se acertar no prognóstico e definir as metas estratégicas com os seus desdobramentos pela estrutura organizacional, definição dos responsáveis que serão cobrados pelos resultados e a elaboração dos respectivos planos de ação. A gestão será um movimento desigual e combinado, mas nunca poderá abrir mão da liderança, da ação da cobrança pelos resultados e de sua análise crítica. Se desafios são dados, condições também devem ser dadas e a avaliação do desempenho mostrará quem merece continuar no jogo e quem precisará ser substituído. Tudo isso dinamicamente e em tempo real.

Como se vê, ainda há muito o que se fazer na certeza de que gerenciar é resolver problemas, é atingir metas através de um plano de ação.

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Vale a leitura

por Luis Borges 13 de abril de 2015   Vale a leitura

Espantando moradores de rua – As pessoas que moram nas ruas e as sem teto, que lutam por um espaço nas ocupações, são parte integrante da realidade urbana das regiões metropolitanas e cidades de médio porte do Brasil. Apesar de serem invisíveis para muitos, os problemas existem e causam incômodos em diversas classes sociais. Enquanto as soluções ainda estão longe do que seria adequado, os conflitos vão se acentuando. É emblemático o caso ocorrido na Vila Leopoldina, na cidade de São Paulo, onde os moradores de condomínios de alto nível pagam segurança privada para afastar moradores de rua com os mais variados problemas. Leia nesta reportagem da Folha de São Paulo.

Persistência na educação dos filhos – Cai a taxa de fecundidade no país e aumenta o número de pessoas se perguntando se querem ter filhos ou não. Quem os teve, de maneira planejada ou não, se vê frente ao desafio de educar. Educação vem de casa e não adianta terceirizar para a escola, que tem papel de complementar a formação. Também não existe um manual que leve à padronização dos resultados e, na prática, cada caso é um caso, apesar de tantos fundamentos e conhecimentos disponíveis. A educadora Rosely Sayão mostra, neste artigo, o valor da persistência na educação dos filhos.

Educar é um processo contínuo e isso significa que os resultados das estratégias que usamos com os mais novos podem não ser imediatos ou rápidos. Mas persistir por um tempo é o que irá mostrar se podem funcionar ou não.

A vida é mais do que uma lista de tarefas – Se periodicamente as pessoas não conseguirem um tempo para analisar as suas rotinas, dificilmente perceberão que estão sendo engolidas pela quantidade de tarefas que precisam executar, sendo todas elas urgentes e obrigatórias. O resultado é muito cansaço, muita reclamação e falta de energia para aproveitar melhor os momentos que poderiam ser vividos. Neste artigo o escritor e publicitário Gabriel Garcia de Oro compara a situação das pessoas atarefadas com a de Cinderela, que precisa realizar inúmeras tarefas até a hora de ir ao baile. O autor vai direto ao ponto:

Pois bem, nós não somos muito diferentes dela. Antes de poder ir aos nossos bailes, quer dizer, fazer aquilo que realmente queremos, que nos motiva e quem sabe até pode mudar nossas vidas, estamos submersos em uma quantidade infinita de tarefas: a casa perfeitamente organizada, a máquina de lavar trabalhando, a criança matriculada em quatro atividades extracurriculares; é preciso ser, claro, muito produtivo em nossos empregos, amantes excelentes e criativos com uma vida social rica, ativa e variada… e ter o Facebook atualizado.

Geração 68, de vitoriosa a derrotada – O jornalista Ricardo Kotscho  voltou à Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, onde ingressou como aluno da primeira turma de jornalismo em 1967, quando o curso foi criado. Ele ficou assustado com a passividade dos alunos de hoje e fez a inevitável comparação com as efervescentes turmas de sua época, que combateram a Ditadura Militar com o movimento estudantil de 1968. O artigo foi publicado no seu blog, Balaio do Kotscho.

Nos debates de que participei quando era aluno, os palestrantes passavam o maior sufoco. Eram contestados a todo momento. Desta vez, porém, depois de uma hora de conversa, me dei conta de que só Heródoto e eu falamos, sem ninguém nos interromper para discordar de nada. Até comentei isso para dar uma provocada na turma, que ficou só olhando para a minha cara como se eu fosse um extraterrestre.

Com o entusiasmo de sempre, Heródoto falava das maravilhas das novas tecnologias e eu da minha paixão pela reportagem, relembramos fatos históricos, arriscamos previsões sobre o futuro da profissão. Quando chegou a vez das perguntas, ninguém tocou nas profundas crises que o país está vivendo em todas as áreas. Na verdade, nem eram perguntas, mas apenas comentários sobre teorias da comunicação e mercado de trabalho, algo bem limitado ao que costumam discutir em sala de aula. É como se não estivessem preocupados com o que acontece fora das fronteiras da universidade.

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Me deixe em paz

por Luis Borges 9 de abril de 2015   Música na conjuntura

Os fatos e dados não podem ser negados, ignorados ou justificados com desculpas que agridem a inteligência humana. Eles geram informações, que poderão ser transformadas em conhecimento que, por sua vez, contribui para a tomada de decisões que impactam os rumos das pessoas nas sociedades humanas.

Escrito dessa forma tudo parece simples e linear, mas as variáveis são complexas e tornam-se complicadas em função dos diversos posicionamentos individuais e de grupos.

Decorridos quase seis meses das eleições presidenciais de outubro/14, é inegável a insatisfação de uma parte das pessoas com os rumos do país. A crise econômica só acentua essa insatisfação traduzida pela perda de poder aquisitivo em função da alta inflacionária ou pelo desemprego que ronda à porta de muitos de nós. O ajuste fiscal que está sendo proposto vem com premissas salvadoras da pátria, para consertar o que nunca antes foi admitido. Mas a verdade faltou, e continua faltando.

O jogo continua sendo mal jogado pelos representantes do povo, eleitos pela singela democracia representativa. O presidencialismo de coalizão, mas que na prática é de cooperação, ainda não permitiu a solução política para o problema econômico. Mas também, pudera, quanto maior a quantidade de aliados maiores são os interesses que precisam ser contemplados e menor é o programa que os uniu para a ocupação do poder.

Se muitas são as necessidades e faltam o pão, a segurança, o trabalho, a verdade, a democracia participativa, sobram anseios por justiça e paz. Se a verdade também está na rua e no povo, não é demais lembrar que 37,2 milhões de pessoas se abstiveram de comparecer às urnas no segundo turno ou votaram nulo/branco. Isso num universo em torno de 143 milhões de eleitores, dos quais 54,5 milhões reelegeram a presidente e 51 milhões votaram em seu concorrente. Pela regra do jogo quem ganhou, levou, e não existe terceiro turno.

Mas nada existe em caráter permanente a não ser a mudança, já dizia Heráclito no ano 501 a.C. Ainda que se queira paz e não se possa negar que a luta de classes exista, é preciso que aqueles que se dizem republicanos tenham atitudes também republicanas. Não dá para enganar a todo mundo o tempo todo.

A insatisfação de muitos pode ser embalada pelos versos da música Me deixe em paz, de Aírton Amorim e Monsueto, cantada por Linda Batista.

Me Deixe Em Paz
Fonte: Letras.mus.br

Se você não me queria,
Não devia me procurar,
Não devia me iludir,
Nem deixar eu me apaixonar!
(bis)

Evitar a dor
É impossível.
Evitar esse amor
É muito mais!
Você arruinou a minha vida!
Agora, vai, mulher!
Me deixe em paz!
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