Reforma é uma das palavras mais usadas em nosso cotidiano há um bom tempo e geralmente vem acompanhada de expectativas de melhorias que muitas vezes são maiores do que a realidade permite, apesar de serem embaladas como a panaceia para todos os males. Foi assim que tivemos a reforma trabalhista, vendida como capaz de gerar milhares de novos empregos que ainda não surgiram, e a reforma da previdência social para combater os privilégios, mas sem os militares. Agora chegaram ao Congresso Nacional mais propostas de reformas por emendas constitucionais. Teremos muita discussão e falação para durar no mínimo até o final do próximo ano eleitoral de 2020. Também, é nisso que dá ter eleições de 2 em 2 anos, que uma reforma eleitoral – mais uma reforma – poderia mudar para ser de 4 em 4 anos para todos os cargos eletivos, por exemplo.

A justificativa básica para todas as reformas é que a União, estados e municípios estão quebrados e que é preciso reequilibrar as contas públicas. Mas por que houve essa quebradeira que faz a insolvência bater às portas das instâncias dos entes federados? A observação e análise dos fatos e dados dos últimos 40 anos nos mostra, em diversos cortes e recortes, o fenômeno que levou à quebradeira e todo o processo que o gerou. Como a economia estagnada não permite um crescimento da arrecadação pública suficiente para cobrir as despesas sempre crescentes e como não há condições políticas para se aumentar mais a já enorme carga tributária de maneira explícita só restou cortar na carne e até mesmo no osso através das reformas. Não é difícil saber para quem mais pesará o pagamento do pato das reformas no melhor estilo do liberalismo.

Meu ponto aqui é propor e fazer uma reflexão sobre a qualidade dos gastos públicos diante de tantas necessidades prioritárias e recursos escassos. As premissas que norteiam os gastos públicos poderiam ser definidas a partir das práticas anteriores que não deveriam ser mais aceitáveis em função dos desperdícios gerados, inclusive com privilégios e mordomias. Ainda que seja muito presente a cultura do “farinha pouca, meu pirão primeiro” existem centenas de destinações do dinheiro público que precisam ser cada vez mais questionadas. Independente do que for definido pelas reformas em discussão e outras que virão torna-se insustentável bancar algumas centenas de gastos. A título de ilustração posso citar o fundo eleitoral e o fundo partidário, que consomem por ano algo em torno de R$4 bilhões, diversos tipos de subsídios fiscais que não apresentam resultados em suas contrapartidas, alto índice de gasto com transporte de executivos e parlamentares, a começar pelos jatinhos da FAB, férias de 60 dias anuais para servidores do judiciário, auxilio moradia para deputados federais e estaduais, 14.400 obras paralisadas em todo o país em 2018 segundo o TCU que já consumiram R$70 bilhões e ainda precisam de R$40 bilhões para serem concluídas… Um pequeno esforço de memória ou de pesquisa no Portal da Transparência da União, estados e municípios ainda deixarão mais clareza sobre a qualidade de determinados gastos públicos.

Não adianta falar em direito adquirido se não existe sustentabilidade financeira que o garanta. E como a gestão faz falta!

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Curtas e curtinhas

por Luis Borges 6 de novembro de 2019   Curtas e curtinhas

O nióbio de Araxá e a Lei Kandir

O senador Vital do Rêgo (MDB/AL) é o relator da PEC 42/2019 revogadora da Lei Kandir, que isenta de pagamento do ICMS as exportações do agronegócio e da mineração. Em seu parecer ele propõe que o agronegócio deve permanecer isento do imposto, mas que a mineração volte a pagá-lo como era antes da Lei.

Digamos que o estado de Minas Gerais, após também adequar a legislação mineira à nova lei, estabeleça uma alíquota de 10% para a exportação do nióbio pela CBMM em Araxá. O estado recebe através da Codemig pela sua participação no negócio 25% do lucro anual. Em 2018 a CBMM teve um faturamento de R$7,42 bilhões e lucro líquido de R$2,8 bilhões, dos quais R$700 milhões ficaram com o estado após a dedução do Imposto de Renda e da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido). Se o ICMS fosse cobrado sobre esse faturamento do ano passado, o Estado receberia R$740 milhões. É claro que esse valor faria o lucro líquido cair para R$2,1 bilhões mas, ainda assim, o estado ficaria com R$525 milhões. Somados os dois valores caberia ao estado R$1,265 bilhões ao invés dos R$700 milhões recebidos.

A discussão do novo marco legal do saneamento

A Câmara dos Deputados está tentando, pela terceira vez neste ano, aprovar um novo marco legal para o setor de saneamento. O foco é a privatização da atividade em nome da busca de recursos para novos investimentos. Numa entrevista à Folha de São Paulo o Professor Léo Heller, Relator Especial da ONU para os Direitos Humanos à Água e ao Esgotamento Sanitário, afirmou que:

“a atração de recursos privados como algo extremamente necessário para resolver a crise fiscal soa falaciosa, uma vez que a experiência internacional aponta a limitação de recursos destinados ao aumento dos serviços por parte da iniciativa privada. Em muitos países, o que realmente se registrou foi a busca por recursos nos bancos públicos, ou o uso de recursos arrecadados da tarifa, com a cobrança de um excedente para investimentos”.

O déficit real da previdência em 2018

O Tribunal de Contas da União fez um levantamento intitulado Panorama do Sistema de Previdência Social do Brasil relativo ao ano de 2018. Ele mostra que o governo federal gastou 19 vezes mais para subsidiar o rombo da “aposentadoria” de um militar do que a de um funcionário privado do RGPS – Regime Geral de Previdência Social. Os dados mostram que, em media, foram gastos R$6,45 por aposentado civil do setor privado, R$69,53 com servidores federais civis e R$121,68 com os militares.

Por outro lado a reforma da Previdência a ser promulgada pelo Congresso Nacional tem a expectativa de economizar R$64 bilhões por ano com as mudanças das regras de aposentadoria para o setor privado e de R$16 bilhões com os servidores públicos federais civis. Para os servidores militares ainda está em discussão o Projeto de Lei que reestrutura as carreiras e reforma os parâmetros para a aposentadoria – passagem para a reserva. A expectativa é que se economize R$1 bilhão por ano.

O RGPS abrange 30,28 milhões de aposentados, os servidores federais civis 740,99 mil e os servidores militares 360,38 mil.

É o que temos para hoje depois de tanta falação sobre as desigualdades que seriam corrigidas pela reforma da previdência social.

A reforma administrativa federal em evidência

Enquanto se projeta um pífio crescimento econômico de 0,9% para esse ano, o IBGE mostra que 12,5 milhões de pessoas estão desempregadas e que outros 4,7 milhões estão desalentados, desistiram de procurar trabalho no período pesquisado. O Ministro da Economia afirma que agora sua prioridade é a reforma administrativa do governo federal. Porém o presidente da Câmara dos Deputados diz que sua prioridade é a reforma tributária. Mas qual será o conteúdo básico dessa reforma administrativa? Novos servidores concursados serão contratados pela CLT? As férias anuais serão de 30 dias para todos, inclusive para os magistrados? Como ficará a estabilidade dos servidores? Quem consultar o orçamento do governo federal para 2020 verificará que os gastos com os servidores públicos federais ativos foi estimado em R$336,6 bilhões, que é o segundo maior gasto e perde apenas para os regimes de previdência social.

O salário médio mensal dos servidores civis e militares ativos é de R$12,5 mil enquanto a elite do funcionalismo – composta pelos 5% melhor remunerados – consome 12% do gasto e tem salário médio de R$26 mil. Pelo visto a discussão vai esquentar bastante até se chegar a algum consenso. Será?

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O baile prossegue

por Luis Borges 3 de novembro de 2019   Pensata

Completei 65 anos de idade no dia 24 de outubro, na primavera, com o calor de verão e escassez de chuvas ajudando a desenhar cenários de racionamento de água para o abastecimento domiciliar em Belo Horizonte e Região Metropolitana. Se essa é uma idade emblemática em nossa cultura, o fato é que um novo ano já começou a ser trilhado num caminhar que exige adequação para usufruir da energia existente. Se um tanto bastante representativo do curso de vida já foi cursado, fica a expectativa sobre o que ainda vem por aí diante da certeza definitiva da finitude que essa passagem pela Terra tem.

Essa data do meu aniversário de nascimento me proporcionou receber manifestações de carinho e apreço de muitas pessoas que fazem parte de meu viver e conviver em diferentes dosagens e maneiras. Nas conversas que fui tendo uma pergunta que surgiu com boa frequência foi sobre a hora em que nasci. Respondi a todos que segundo minha mãe Lazinha Borges foi às 4 horas da manhã na Santa Casa de Misericórdia de Araxá, a capital secreta do mundo. Apesar da aleatoriedade da hora de se nascer pelo parto normal eu insisto em dizer que cheguei cedo, antes da alvorada, para aprender que o critério é o trabalho e conforme meu pai Gaspar Borges, “primeiro a obrigação, depois a devoção”. Quem me conhece sabe como essa crença faz parte do meu viver.

Outra abordagem e talvez a mais frequente foi sobre a perspectiva para a continuidade da vida em função das várias variáveis a nos impactar de diversas maneiras e variados graus de risco. Isso estimulou boas conversas à luz de determinadas condições de contorno, sem muitas fantasias, mas com um certo realismo esperançoso no imenso campo das probabilidades. Essencialmente eu disse que espero ter a capacidade de gerenciar para manter o que foi possível construir na trajetória percorrida até o momento, sempre focado e ancorado na família que tenho. Obviamente que, se houver espaços para a melhoria contínua, mesmo que lentamente, ou até mesmo para alguma inovação, tudo poderá ser avaliado de maneira gerenciada seguindo premissas e diretrizes estratégicas que priorizam a manutenção do que se tem e consciente dos riscos inerentes à complexa arte de viver. Também realcei que agradeço por tudo o que foi possível fazer antes de chorar pelo que não deu, mantida a crença no estado de bem-estar social com a paciência, persistência e resiliência que nos testa e desafia a todo instante. Foi aí que alguém perguntou sobre a saúde para prosseguir no baile da vida. Afirmei que minha expectativa é ter condições funcionais adequadas compatíveis com os limites já impostos pela teoria das restrições sem cair na obsessão terapêutica pela cura e muito menos na busca pela plástica juventude eterna.

Então agora é continuar caminhando na esperança de chegar bem ao meu próximo aniversário de nascimento que a cada instante já vai ficando mais próximo. É muita confiança!

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Uma atitude perante a manutenção

por Luis Borges 29 de outubro de 2019   Pensata

São cada vez mais frequentes nos meios de comunicação as notícias que relatam desabamentos e incêndios em casas, edifícios, museus, hospitais, estádios, casas de diversão… Também são frequentes os relatos sobre veículos automotores parados com algum tipo de defeito em ruas, avenidas, praças, muitas das quais fazem parte de grandes corredores de sistemas viários urbanos, bem como nas rodovias de pistas simples, duplas e até triplas, algumas com acostamentos e pistas marginais enquanto outras nem acostamento possuem. De qualquer maneira o veículo parado devido a algum defeito ou até mesmo pegando fogo é sempre um transtorno para todo mundo que busca e precisa de mobilidade.

Obviamente que essas notícias tem seu prazo de validade na mídia e vão rapidamente sendo substituídas por novos acontecimentos que passam a ser prioritários para a divulgação em função do grau de novidade que trazem.

Quando alguém para tudo para tentar compreender quais são as causas desse tipo de problema cada vez mais repetitivo perceberá através de fatos e dados que uma delas é a falta de manutenção desses ativos. Podemos imaginar também a quantidade de problemas causados pela falta de manutenção nas residências, escolas e pequenas empresas, em vilas e bairros que não aparecem com destaque na mídia, e quando muito apenas viram registros nas estatísticas do Corpo de Bombeiros, SAMU, ou pronto-socorro de algum hospital.

Mas o que e como fazer para ajudar a resolver esse problema crônico no médio e longo prazos? Inicialmente é preciso educar e treinar as pessoas para mostrar a essencialidade da manutenção em todos os sistemas, processos e atividades que envolvem e comprometem a vida humana e dos demais componentes do ecossistema. Torna-se extremamente necessário que todos tenham uma atitude perante a manutenção, cada qual no âmbito da autoridade e responsabilidade que tem em relação ao que precisa estar sempre disponível para o uso e, portanto, cumprir plenamente a sua função. Aqui podemos dizer que se tudo começa com a gente, um bom exemplo pode ser dado pela manutenção da nossa própria saúde, expressa pela manutenção do corpo humano que visa mantê-lo na plenitude de suas condições funcionais. Podemos inclusive lembrar que a manutenção em geral pode ser corretiva, preventiva ou preditiva, mas na nossa cultura ainda há um predomínio da manutenção corretiva, que entra em ação só após a manifestação de falhas, defeitos ou quebras. Isso contrasta com o sempre repetido dito popular que prevenir é melhor que remediar, mas há distância entre o que se diz e o que se pratica.

O que nos resta, caro leitor, é avaliar qual tem sido a nossa atitude perante a manutenção em todos os aspectos em que estamos envolvidos no nosso cotidiano. Será que estamos encarando de frente as soluções que o problema exige ou simplesmente ficamos negando, ignorando ou dando desculpas para fugir dele? Quando o edifício cair, a igreja pegar fogo ou o automóvel quebrar no meio da estrada só será possível constatar as consequências da omissão e da falta de comprometimento com a vida nossa e a dos outros.

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Comportamento geral

por Luis Borges 26 de outubro de 2019   Música na conjuntura

Em 1972 o economista, cantor e compositor Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, o Gonzaguinha, fez a música e letra da canção Comportamento Geral. Foi mais uma contribuição da música popular brasileira para combater a ditadura militar advinda do golpe de 1964. A ditadura estava na plenitude de sua força após oito anos de ocupação do poder.

Agora que já se passaram 47 anos de nossa história recente, que tal revisitar essa música à luz da conjuntura e dos cenários que se desenham? Diante dos avanços e retrocessos que caracterizam a sociedade polarizada e uma grande parte da população na anomia por não se sentir representada por nenhum dos polos, fica evidente que não dá para se omitir diante da realidade.

Como será que Gonzaguinha faria a letra dessa musica nesse momento que estamos vivendo? Dá para imaginar?

Comportamento Geral
Fonte: Letras.mus.br

Você deve notar que não tem mais tutu
e dizer que não está preocupado
Você deve lutar pela xepa da feira
e dizer que está recompensado
Você deve estampar sempre um ar de alegria
e dizer: tudo tem melhorado
Você deve rezar pelo bem do patrão
e esquecer que está desempregado

Você merece, você merece
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba, e amanhã, seu Zé
Se acabarem com o teu Carnaval?

Você merece, você merece
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba, e amanhã, seu Zé
Se acabarem com o teu Carnaval?

Você deve aprender a baixar a cabeça
E dizer sempre: "Muito obrigado"
São palavras que ainda te deixam dizer
Por ser homem bem disciplinado
Deve pois só fazer pelo bem da Nação
Tudo aquilo que for ordenado
Pra ganhar um Fuscão no juízo final
E diploma de bem comportado

Você merece, você merece
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba, e amanhã, seu Zé
Se acabarem com o teu Carnaval?

Você merece, você merece
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba, e amanhã, seu Zé
Se acabarem com o teu Carnaval?

Você merece, você merece
Tudo vai bem, tudo legal

E um Fuscão no juízo final
Você merece, você merece

E diploma de bem comportado
Você merece, você merece

Esqueça que está desempregado
Você merece, você merece

Tudo vai bem, tudo legal.
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De volta a Campinas

por Luis Borges 21 de outubro de 2019   Pensata

Estive na cidade de Campinas (SP) durante o feriado nacional de 12 de outubro, dia de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil. Nesse dia aconteceu mais um encontro de membros da família Magela, cuja base fica na cidade de Araxá (MG). Dessa vez o encontro ocorreu na residência de meu sobrinho Fernando Henrique, o “Difê”, e de sua esposa Dayane. Foi simplesmente memorável para todos que se fizeram presentes.

Por outro lado esse encontro me fez lembrar inevitavelmente alguns detalhes que marcaram a minha primeira ida à cidade no já longínquo janeiro de 1973, portanto há quase 47 anos. A população da cidade era estimada em 400 mil habitantes e de lá para cá simplesmente triplicou. Cheguei a Campinas pela dor, em busca de alguma solução para os problemas que já vinha enfrentando em Uberaba (MG) decorrentes de um glaucoma cortisônico em ambos os olhos, diagnosticado seis meses antes. A pressão intraocular estava muito elevada, totalmente descontrolada em decorrência da ação nada cuidadosa de um médico oftalmologista que nunca se preocupou com os efeitos colaterais do uso de medicamentos contendo corticoides durante um ano e meio. Minha participação no vestibular de medicina em Uberaba, no início de janeiro, ficou bastante comprometida e a ficha de número 15.005 contendo meu prontuário médico simplesmente desapareceu do consultório do profissional que acompanhava meu caso, que se iniciou com uma alergia persistente. Eu era um paciente, que é diferente de cliente, e como tal seguia sem questionamentos todas as prescrições do médico especialista e catedrático da oftalmologia.

Em Campinas, fui atendido no Instituto Penido Burnier, referência no tratamento de doenças nos olhos, onde compareci mensalmente até o mês de julho. No início de agosto passei a residir em Belo Horizonte, com a indicação para que meu caso fosse acompanhado pela equipe do Hospital São Geraldo, especializado no tratamento dos olhos, anexo ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da UFMG.

Ao longo desses quase 47 anos que já se passaram em meu curso de vida voltei a Campinas diversas vezes. Foram atividades profissionais de consultoria em gestão estratégica de negócios, aulas no curso de pós-graduação em gestão de negócios da academia do grupo Accor e em seminários na Universidade de Campinas. Também passei diversas vezes pelo Aeroporto Internacional de Viracopos, dentro da logística, por exemplo, para chegar à cidade de Paulínia (SP) ou voltando em voos diretos de Fortaleza (CE) para fazer conexões rumo a Belo Horizonte.

Desta vez aproveitei a ida à cidade para visitar Castor e Raquel, visando polir uma amizade que nasceu na militância política de esquerda no movimento estudantil universitário na segunda metade da década de 70 do século passado. Como de outras vezes voltei a encontrá-los, o que foi muito bom por ter sido mais uma vez ao vivo e, como sempre, não faltaram reminiscências de tempos que já se passaram. Vale a pena registrar que atualmente o amigo Castor continua firme em seu ativismo político-partidário e é conhecido em seu bairro como “o comunista de chapéu”.

Como dizia meu finado sogro Geraldo (Lalado) Magela de vez em quando é importante dar uma olhada para trás e verificar o quanto já andamos e como fizemos correções no rumo de nossas vidas devido aos desafios que foram surgindo. Assim, segundo ele, renovamos nossas energias e nos fortalecemos para melhor prosseguir rumo ao futuro que chega a cada instante.

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Vale a leitura

por Luis Borges 18 de outubro de 2019   Vale a leitura

Estás muito cansado?

Uma frase que ouvimos ou mesmo falamos com muita frequência é “estou muito cansado e já não aguento mais”. Uma pergunta simples pode nos ajudar a começar a entender o fenômeno que gera esse cansaço se tentarmos responder quais são as causas que estão na sua gênese. Com certeza uma delas estará ligada ao nosso modo de vida positivista, que desafia sempre a nossa capacidade de atingir metas cada vez mais desafiadoras. É interessante a abordagem feita sobre o tema por Cesar Gaglione em seu artigo Por que vivemos na sociedade do cansaço, segundo este filósofo.

“A sociedade do século 21 não é mais a sociedade disciplinar, mas uma sociedade do desempenho. Também seus habitantes não se chamam mais ‘sujeitos da obediência’. São empresários de si mesmos. (…) No lugar de proibição, mandamento ou lei, entram projeto, iniciativa e motivação. A sociedade disciplinar ainda está dominada pelo não. Sua negatividade gera loucos e delinquentes. A sociedade do desempenho, ao contrário, produz depressivos e fracassados”.

É preciso aumentar a confiabilidade dos dados

As pessoas que deixaram o achismo de lado hoje conduzem seus negócios usando um sistema de gestão, estruturado a partir fatos e dados para gerar informações, que podem se transformar em conhecimento para ser utilizado na tomada de decisões. Uma grande questão que permeia tudo isso é a qualidade dos dados desde o início do processo de captação e apuração até a sistematização final dos conteúdos formulados para o pleno uso. Mas qual é a confiabilidade que se pode ter num sistema dessa natureza em função das várias variáveis a que está submetido?  Observe a abordagem de Cristina De Luca em seu artigo O maior fator de risco das empresas na era digital? A qualidade dos dados, postado em seu Blog Porta 23.

A falta de confiança nos dados paralisa as organizações, impedindo-as de tomar decisões e embarcar em projetos estratégicos. A única maneira de quebrar essa inércia é construir confiança. As organizações precisam ter um melhor entendimento de seus dados e sistemas, desenvolver uma estratégia de dados abrangente e identificar ganhos rápidos para criar confiança em dados e novos processos.

 

Gastos nos serviços públicos exigem mais qualidade

O Congresso Nacional prevê um déficit público de R$124 bilhões para 2020 conforme consta na Lei de Diretrizes Orçamentárias. A recuperação da economia prosseguirá de maneira bem tímida, o que manterá em destaque o desemprego e o subemprego no país, enquanto os gastos vegetativos dos serviços públicos continuarão crescendo muito além da capacidade de arrecadação, principalmente devido à não aceitação pela população de aumento explícito da carga tributária vigente. Observar e analisar as causas fundamentais de tantos déficits e quebradeiras envolvendo a União, estados e municípios pode ajudar a colocar em evidência que muitos gastos são excessivos e outros desnecessários no que tange à mordomias, privilégios e penduricalhos, principalmente nos poderes Judiciário e Legislativo. O discurso mais fácil é propor reformas que são faladas há décadas, como a da previdência social, a tributária e a política. Nesse reformismo todo vai ficando visível que o serviço público também precisa de uma reforma. Alguns aspectos dessa questão são mostrados por José Paulo Kupfer em seu artigo Com ou sem teto de gastos, chegou a hora de reformar o serviço público, publicado pelo Portal Uol.

São 12 milhões de funcionários públicos nas três esferas federativas, o equivalente a 20% da força de trabalho formal, mas a maior pressão não vem do número de servidores, que tem se estabilizado, quando não diminuído em algumas áreas. Vem dos volumes crescentes de salários e benefícios. Da massa salarial total da economia, a fatia dos servidores públicos corresponde a nada menos de 30%.

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