Curtas e curtinhas

por Luis Borges 15 de junho de 2026   Curtas e curtinhas

A abstenção eleitoral de quem tem mais de 70 anos

O cientista político Jair Nicolau lançou recentemente pela editora Zahar o livro “O país dividido – Duas décadas de eleições presidenciais no Brasil”, analisando os pleitos entre 2002 e 2022. Ele chama a atenção para a necessidade de se aprofundar os estudos sobre a abstenção eleitoral, já que o voto é obrigatório para quem tem idade entre 18 e 70 anos. Um dado interessante em sua pesquisa é que, mesmo desobrigados de votar, 40% dos eleitores com mais de 70 anos compareceram às urnas no período pesquisado. As estimativas mais recentes do IBGE dão conta de que a população brasileira está em 213,4 milhões de pessoas, das quais 14, 6 milhões tem idade superior a 70 anos – 6,9% do total. Será que os estrategistas dos candidatos nas eleições presidenciais de 2026 estão atentos para a importância dessa faixa de eleitores?

A ampliação dos serviços prestados por farmácias e drogarias

A Associação Brasileira de Farmácias e Drogarias reúne as 29 maiores redes do país, com cerca de 11,5 mil unidades em todos os estados e no Distrito Federal, que respondem por cerca de 53% das dispensações de medicamentos no Brasil. A associação divulgou números interessantes sobre o setor, que mostram como essas empresas estão presentes no cotidiano.

As farmácias brasileiras têm expandido a receita com novos serviços que vão além da venda de remédios. Em 2025, as empresas do setor registraram cerca de 10 milhões de serviços realizados e 6,8 milhões de atendimentos distribuídos em aproximadamente 1.500 cidades. Nos três primeiros meses de 2026 a média foi de 40 mil procedimentos por dia.

Os serviços mais procurados são exames para identificar dengue, Covid-19, doenças respiratórias e tipos sanguíneos. A vacinação teve crescimento de 56% no número de doses aplicadas.

Aumenta o endividamento das famílias paulistanas

Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor feita pela Fecomercio-SP mostrou que o nível de endividamento dos paulistanos voltou a subir em maio e já atinge quase 8 em cada 10 famílias, o maior registrado nos últimos quatro anos. Em abril, a taxa era de 72,9% e chegou a 74,2% em maio, enquanto há um ano, o índice era de 71,2%.

A pesquisa também mostra que, em números absolutos, 3,33 milhões de lares na capital paulista lidam com algum tipo de dívida.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE estimou em 11,904 milhões a população da cidade em 2025.

Direitos autorais em festas juninas

Já estamos em pleno período de festas juninas de 2026, mas há contas pendentes de 2025. É o que afirma o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), responsável por recolher e distribuir os valores de direitos autorais gerados pela execução pública de músicas.

O Ecad divulgou que os “festeiros” do estado de Pernambuco foram os mais inadimplentes, com 20% dos valores não pagos de direitos autorais por execução musical entre os meses de maio e agosto do ano passado. É o estado com maior nível de inadimplência segundo o levantamento, seguido por Bahia, com 17%, e Amazonas, 12%. A soma dos calotes nos três estados chega a R$ 40 milhões.

O Ecad é um órgão civil, sem fins lucrativos e reúne as principais entidades de músicos, compositores e editoras musicais do país. O pagamento deve ser feito ao escritório quando músicas são tocadas em eventos públicos, como shows, festas, estabelecimentos comerciais e transmissões de rádio e televisão.

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Atualmente tem sido tema de conversas entre clientes de planos de saúde a prática crescente da cobrança da primeira consulta por fora do plano em qualquer especialidade. Como isso contraria a regulamentação da Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS, que veda essa prática, também não se fornece recibo ou nota fiscal. Como se vê, não dá para deixar rastro caso haja alguma denúncia à ANS, à operadora do plano, ao Procon ou à Receita Federal.

O argumento de sempre é que os honorários pagos pelos planos de saúde são baixos diante dos preços cobrados dos clientes particulares. O não fornecimento de recibo pode propiciar um desconto de 15% a 20% do valor cobrado, que varia segundo a especialidade e a experiência do médico. Recebi relatos de valores de primeira consulta entre 600 e 1500 reais.

Existem também os preços cobrados fora do plano para o acompanhamento da gravidez e parto, bem como o fornecimento de lentes importadas para cirurgias de catarata, por exemplo. Dá para negociar os preços desde que o profissional credenciado não queira perder a oportunidade do negócio, no melhor estilo “bom para todos”.

pessoa negra medindo pressão arterial de pessoa branca

Imagem ilustrativa de tratamento de saúde / Freepik

Como fica a ética do profissional numa situação como essas? Que valores regem as relações entre as partes envolvidas no processo? E o Código de Defesa do Consumidor? E ainda existe o conselho de fiscalização do exercício profissional em nome de toda a sociedade.

Também crescem os casos de credenciados dos planos de saúde que avisam aos clientes que deixaram de atender às consultas pelo plano. Ou seja: agora, só particular. Continuam sendo pelo plano as internações hospitalares, as cirurgias – com ou sem complemento de honorários – os exames laboratoriais de análises clínicas, os exames de imagem, a fisioterapia e a psicoterapia.

Segundo a ANS, 52,94 milhões de pessoas possuem planos de saúde de diferentes modelos e limites técnicos, dos quais 14,5% são individuais ou familiares e terão reajuste de 5,11% a partir deste mês. Os outros 85,5% fazem parte de contratos coletivos, cujos aumentos são estabelecidos em livre negociação entre as partes. Até agora, o aumento médio das mensalidades para os planos que já encerraram as negociações ficou em 13,5%.

Como se vê, os profissionais credenciados que não obedecem a regra da ANS, que proíbe a cobrança fora dos planos, acabam se utilizando deles para captar clientes privados.

Os fatos e dados não deixam de existir só porque são ignorados entre todos que participam do sistema de saúde suplementar, mas inegavelmente os clientes sempre perdem.

E você caro leitor, já passou por alguma situação semelhante?

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Isso é cidadania?

por Convidado 1 de junho de 2026   Convidado

*por Sérgio Marchetti

Leitores observadores, vocês se sentem incomodados com o alarmante aumento de moradores de rua? Perdão! Pessoas em situação de rua?

Não há como estacionar um carro na rua, no supermercado, na farmácia, na sorveteria, no restaurante… Pedintes, cobradores do quarteirão, drogados violentos nos abordam.

Sei que já falei sobre isso, mas não me conformo com o avanço do mal. Não é pessimismo. É realidade. Falta respeito ao cidadão e sobra desamor. Se estivéssemos escrevendo literatura de romances, o estilo não seria o realismo, tampouco o romantismo — seria o naturalismo, bem piorado e mais pobre.

Dialogo, formal ou informalmente, com muitas pessoas, e quase todas estão mais tristes e desesperançosas. As queixas, em momentos de mentoria, soam como desabafos e, gradativamente, vêm piorando.

Eu as entendo. Aqueles que deveriam dar exemplo se embrenharam por uma vereda lamacenta e, lamentavelmente, por vergonha ou culpa, algumas pessoas tentam justificar ou fingir indiferença ao que veem. A peneira entrou em desuso. Nem se preocupam em tapar o sol.

Como cantou o poeta, compositor e cantor Vander Lee, na canção “Onde Deus possa me ouvir”:

“(…)Mas, a vida anda louca / As pessoas andam tristes/ Meus amigos são amigos de ninguém (…)”, resume tudo isso. Felizmente, ainda tenho amigos. Porém, a violência exacerbada, a intolerância e, principalmente, a impunidade desequilibram quaisquer sociedades. Para aonde vamos? Eu sugiro que examinemos o cenário doloroso e imaginemos as tendências.

O que é inacreditável acontece: há uma Proposta de Redução da Pena Mínima, de combate a facções criminosas, para réus primários ou que não sejam líderes de facção. Entretanto, o impacto das drogas e do tráfico são os fatores principais e, percentualmente, mais altos na violência. Isso, sem contar que eles tem direito a passar o Natal, dia das mães, dia dos pais com familiares (são muito amorosos). Vários deles não voltam e continuam cometendo crimes. Mas, deixando a implicância de lado: é o trabalho deles — são vítimas da sociedade.

Outro problema estarrecedor, de acordo com o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), é que em 2025, registrou-se o desaparecimento de quase 24 mil crianças e adolescentes (média de 66 por dia). Isso é absurdamente grave. Mas parece não tocar as autoridades. Pois, só em 2026, o número é de 23 mil desaparecidos.

E o feminicídio? O Brasil registrou um recorde histórico de feminicídios em 2025, com 1.470 mulheres assassinadas por questões de gênero; o que representa uma média de quatro mulheres mortas por dia. Os primeiros três meses de 2026 registraram o período mais violento, desde 2015, com 399 mulheres mortas, o que representa um aumento de 7,5%, em relação ao mesmo período de 2025.

Em vez de diminuir penas para bandidos, as autoridades deveriam acabar com a impunidade vergonhosa que reina em nosso País.

* Sérgio Marchetti é consultor organizacional, palestrante e Educador. International Certification ISOR em Holomentoring, Coaching & Advice (coaching pessoal, carreira, oratória e mentoria). Atuou como Professor de pós-graduação e MBA em instituições como Fundação Getúlio Vargas, Fundação Dom Cabral, Rehagro e Fatec Comércio, entre outras. É pós-graduado em Administração de Recursos Humanos e em Educação Tecnológica. Trinta anos de experiência em trabalhos realizados no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br

Sérgio Marchetti

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Curtas e curtinhas

por Luis Borges 25 de maio de 2026   Curtas e curtinhas

Os seguros para carros elétricos

A seguradora Porto Seguro informou que teve um crescimento de 39% no número de veículos elétricos segurados pela empresa e aumento de 80% nas cotações em 2025. No ano passado, foram 40 mil apólices a mais em relação a 2024.

A empresa estima que 26% da frota de elétricos e híbridos do país seja segurada por ela. O dado é baseado no volume de apólices em relação ao total estimado de veículos eletrificados emplacados no Brasil.

São Paulo lidera a contratação desse tipo de seguro, com metade das emissões, seguido por Rio de Janeiro, Distrito Federal e Minas Gerais.

Ainda segundo a empresa, o sinistro mais comum é a colisão, padrão semelhante ao observado em veículos a combustão.

A empresa pensa em lançar produtos específicos para atender ao segmento. Um exemplo um produto que incluiria o carregador elétrico.

Vale lembrar que o mercado de seguros segue aguardando o aprofundamento das regulamentações do setor a cargo da Superintendência de Seguros Privados – SUSEP

O lucro da caixa no 1º trimestre

A Caixa Econômica Federal, que é um banco social, informou no dia 14 de maio que obteve um lucro líquido de R$3,5 bilhões no primeiro trimestre desse ano. A carteira de crédito chegou a R$ 1,4 trilhão, com alta anual de 11,3%. Na comparação com o último trimestre de 2025, a alta foi de 2,3%. Nesse total, a carteira de crédito imobiliário cresceu 13,9% e atingiu R$ 966,2 bilhões.

A inadimplência da carteira de crédito total encerrou o primeiro trimestre em 3,71%. Na comparação anual, o aumento foi de 1,22 ponto percentual. Na trimestral, subiu 0,64 ponto percentual.

A receita de prestação de serviços totalizou R$ 7,4 bilhões, alta de 12,5% em 12 meses e queda de 1,9% no trimestre. As despesas operacionais (pessoal e administrativas) somaram R$ 11,5 bilhões, alta de 6% (anual) e queda de 9,8% (em relação a dezembro).

O saldo de captações encerrou o primeiro trimestre de 2026 em R$ 2 trilhões. Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, a alta foi de 13,7%. Em relação ao último trimestre do ano passado, o crescimento foi de 6,9%.

É o que temos para o momento, mas é preciso ficar sempre de olho no patrimônio público!

O endividamento das famílias paulistas

O endividamento das famílias paulistas voltou a subir e chegou a 72,9% em abril, o maior registro da FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de São Paulo) em três anos. Ao todo, 3,28 milhões de lares na capital paulista estão com algum tipo de dívida aberta.

O último pico da Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor) ocorreu em setembro de 2025, quando 72,7% dos lares estavam com dívidas. Depois disso, o indicador caiu e voltou a ganhar tração em janeiro, quando chegou a 68,9%.

Para a Federação, a alta reflete a necessidade de as famílias recorrerem ao crédito para cobrir despesas mensais, diante do impacto da inflação de março sobre alimentos e combustíveis – ambos pressionados pela guerra no Oriente Médio.

A entidade observa que a situação só não se agravou em decorrência de um mercado de trabalho ainda aquecido, o que atenua, por ora, a pressão sobre o orçamento familiar.

Todas as faixas de renda que compõem a pesquisa apresentaram avanço no endividamento. Entre as famílias que ganham até dez salários mínimos, a taxa subiu de 74,5% para 76,3% em um mês. Entre os que ganham acima dessa faixa salarial, a alta foi de 61,3% para 63,1%.

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Curtas e curtinhas

por Luis Borges 13 de maio de 2026   Curtas e curtinhas

Demência: do outro lado do diagnóstico

Receber um diagnóstico de demência muda tudo. Mas quem fala sobre o que acontece do outro lado — na casa, na família, no coração de quem cuida?

Nessa palestra, a jornalista Carine Tavares traz a experiência de quem viveu isso de perto e foi buscar nas evidências científicas as respostas que a vida não dava. Uma conversa sobre diagnóstico, protocolo de atendimento e cuidado — com rigor, empatia e história real.

Um momento de conversa e trocas.

  • Palestra gratuita
  • Data: 16 de maio de 2026
  • Horário: Das 9h às 10h30
  • Local: SESC Araxá – Rua Dr. Edmar Cunha, 150 – Santa Terezinha / Araxá/MG

A Jornalista Carine Tavares é autora do livro “Eu sei quem ele é”, no qual conta a história do seu pai, o médico Clóvis Tavares, diagnosticado com demência subcortical isquêmica em 2016, o que iniciou uma peregrinação em busca de informações, especialistas e formas de aproveitar o tempo de lucidez do pai. Na obra, a autora desenha as fases da doença e conta sobre a fragilidade do atendimento e acompanhamento médico ainda pouco humanizados. Daí surgem sugestões para quem cuida de pessoas com demências conseguir navegar pelas dores e respiros trazidos pela condição.

Vendas do formato físico pelo perfil do Instagram @oateliedehistorias. Ebook disponível na Amazon Kindle.

O livro será lançado no dia 16 de maio, às 15h, no Fliaraxá – Festival Literário de Araxá. Será no Teatro CBMM, no Centro Cultural Uniaraxá.

O endividamento das pessoas

Está em vigor o Programa Desenrola Brasil 2.0, do Governo Federal, voltado para pessoas com renda mensal de até cinco salários mínimos, o equivalente a R$ 8.105,00. As negociações para redução e renegociação das dívidas poderão ser realizadas até o final de julho.

Segundo dados do Serasa Experian, as pessoas entre 41 e 60 anos representam 35,5% do total de inadimplentes no país. Em seguida aparecem aqueles com idade entre 26 e 40 anos, com 33,5%; pessoas acima de 60 anos, com 19,8%; e jovens de 18 a 25 anos, que correspondem a 11,2%.

Do total de inadimplentes, os homens representam 49,4%, enquanto as mulheres somam 50,6%. Além disso, 73% das pessoas endividadas possuem renda de até dois salários mínimos.

Entre os estados com maiores índices de inadimplência estão Amapá, com 65,1% da população inadimplente, o Distrito Federal, com 62,7%, e o Amazonas, com 60,1%.

O lucro dos grandes bancos no primeiro trimestre

Enquanto a água dos rios caminha para o mar, a riqueza gerada pela economia caminha preferencialmente para o setor financeiro. A divulgação do lucro dos maiores bancos em operação no Brasil no primeiro trimestre desse ano dá uma noção do quanto o negócio é bom para os seus acionistas.

O Banco Itaú divulgou lucro de R$12,3 bilhões, o Bradesco, R$6,8 bilhões e o Santander, R$3,8 bilhões. Já o Banco do Brasil deve divulgar seu lucro líquido em 13 de maio, com estimativa entre R$3 bilhões e R$3,6 bilhões. Nessa data, a Caixa Econômica Federal também divulgará o seu lucro líquido, ainda sem estimativa oficial no momento.

Também pudera, enquanto a taxa básica de juros SELIC do Banco Central está em 14,5% ao ano, o saldo rotativo do cartão de crédito cresce até 440% ao ano, o cheque especial até 150% ao ano e o empréstimo consignado com garantia de desconto direto no salário mensalmente cobra, no mínimo, 20% de juros ao ano.

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*por Sérgio Marchetti

Outro dia, leitores de boa memória, escrevi sobre os filmes de faroeste e seus enredos repetitivos. Mas, só para esclarecer, não os comparei com o Brasil. Naqueles filmes, os bandidos sempre acabam sendo presos.

Falando nisso, dia desses, o decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, fez um deboche irônico com o sotaque do ex-Governador de Minas Gerais, Romeu Zema. Para o ministro, Zema falaria um Tétum — dialeto do Timor Leste, difícil de entender.

O problema, entretanto, não é a linguagem, até porque Romeu Zema tem ótima dicção, fala português com clareza, sem barbarismos e, orgulhosamente, com algumas pitadas de mineirês e gerundismos. Talvez Suas Excelências tenham se desacostumado de ouvir verdades e, assim sendo, é natural que estranhem ou não queiram compreender o vocabulário de pessoas sérias. Por isso, data vênia, discordo do ilustre magistrado.

Mas vamos à linguagem. Como em qualquer outro país, a evolução linguística criou novas palavras, eliminou algumas e transformou outras. O que me chama a atenção são as expressões que nascem de um contexto e migram para outro, além das palavras que são repetidas e se tornam vícios de linguagem. E, de tanto ouvi-las, talvez com um pouco de implicância, me sinto incomodado. Quando ouço “virar a chave”, “caiu a ficha”, “viajar na maionese” e outras bobagens compreendo as metáforas. Porém, estão muito banalizadas. Há algum tempo a frase da moda era: “é verdade”. Tudo era verdade. Vocês se lembram, leitores atentos? Sei que estou sendo ranzinza, mas não deveriam ser usadas numa entrevista ou conversa formal. Cá entre nós, viajamos de trem, avião, automóvel, ônibus, motocicleta e até no tapete mágico, mas na maionese, não!

Outra expressão que não gosto é ” fazer do limão a limonada”. Sabem por quê? Porque, no discurso, o efeito semântico induz a algo inusitado, criativo; quando na verdade é facílimo. Quem não sabe que com limão fazemos a limonada está afastado de Deus.
E a palavra, “literalmente”? Virou abuso. Para que me entendam: uma amiga me contou que um conhecido comum havia morrido de rir, literalmente. — Pelo menos morreu alegre — eu disse. — Morrer de rir é maneira de dizer. — Respondeu nervosa. Não consegui ficar calado e retruquei: — mas você disse: literalmente, ou seja, de verdade!

Calma! Crítico leitor. Você está pensando em várias outras pérolas? O repertório é vasto. Temos mais, muito mais: círculo vicioso ou virtuoso, divisor de águas, surreal e outras expressões que, mesmo sendo corretas, estão desgastadas, “andam em boca de Matilde”, como diria um amigo próximo.

Mas há erros que causam otite: nincho (deve ser quando o emissor é fanhoso). O certo é nicho. A nível de… (em nível ainda passa). Cabeleleiro, cabelereiro (não cortam bem). Vá ao cabeleireiro. Maqueia (vai ficar feia). Escolha quem maquia. Opita (coitado! Não tem opção). Opte por falar certo. Asterístico (não serve como marco). Use o diminutivo de astro: asterisco. Gratuíto (não elimina o pagamento). Para não pagar, tire o acento: gratuito. Rúbrica (não vale). Dê uma rubrica. Célebro (de quem pensa que sabe tudo). Use o cérebro. Seje (com “e” não vai ser). Apenas seja e esteja. Tinha trago (ainda bem que não trouxe). Para não se esquecer, use o teria trazido. Perca total (essa última é quando perde o dicionário). Ainda que seja ruim, prefira a perda e não perca tempo em praticar.

Não fique triste, herrar é umano.

 

* Sérgio Marchetti é consultor organizacional, palestrante e Educador. International Certification ISOR em Holomentoring, Coaching & Advice (coaching pessoal, carreira, oratória e mentoria). Atuou como Professor de pós-graduação e MBA em instituições como Fundação Getúlio Vargas, Fundação Dom Cabral, Rehagro e Fatec Comércio, entre outras. É pós-graduado em Administração de Recursos Humanos e em Educação Tecnológica. Trinta anos de experiência em trabalhos realizados no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br

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Segundo o psicólogo americano Abraham Maslow (1908-1970), em sua hierarquização das necessidades humanas, a sobrevivência e a segurança são fundamentais, sendo que a moradia faz parte do quesito segurança. Olhando especificamente para a moradia, podemos dizer que o Brasil possui atualmente um déficit habitacional em torno de 6 milhões de unidades de diferentes portes. Resolver esse problema tem sido um desafio permanente, a começar pela necessidade de uma política habitacional claramente definida, inclusive com o montante de recursos financeiros a serem alocados.

Considerando as moradias existentes em diferentes portes e localizações, necessidades de manutenção e condições de segurança, fica evidente a busca das pessoas por algum nível de segurança mais estruturado. Um exemplo é a busca de moradias em condomínios residenciais horizontais fechados, ainda que boa parte deles não cumpram leis municipais específicas. Geralmente fazem controle de acesso das pessoas e veículos em portarias, mas como fazem parte de um determinado bairro não podem impedir o acesso de pessoas que transitam pelo local.

Nesse momento um fato que nos faz pensar está postado na rede social de um condomínio residencial horizontal de um bairro num município da região metropolitana de Belo Horizonte. O local possui 502 lotes que medem de mil a dois mil metros quadrados. Nele é cobrado uma taxa de condomínio de R$1250,00 mensais, mas metade dos condôminos discordam dessa cobrança, não fazem o pagamento e usufruem dos serviços prestados, que são bancados financeiramente pela metade dos proprietários pagantes.

A causa da agitação se deve ao fato de um proprietário ter se mudado do condomínio e alugado diretamente seu imóvel a um inquilino, do qual cobra a taxa mensal de condomínio e simplesmente embolsa o valor. Não repassa nada ao condomínio. Além disso, está livre da taxa de administração que seria cobrada pela imobiliária e combinou com o inquilino que nada será declarado pelas partes no imposto de renda da pessoa física.

Como se vê, há solução para tudo, além de muitos adeptos da “Lei de Murici”.

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