Curtas e curtinhas

por Luis Borges 15 de julho de 2026   Curtas e curtinhas

Os elementos de terras raras

As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos metálicos essenciais para a tecnologia moderna. Segundo Otto Levi Reis, Engenheiro Metalurgista, Especialista em Gestão Estratégica de Negócios e Diretor de Investimentos da Companhia Siderúrgica Nacional – CSN Mineração, as terras raras representam uma cadeia de valor composta por diferentes etapas.

A primeira é a extração do minério, algo que o Brasil já possui graças às reservas naturais. A segunda é a separação dos elementos que compõem as terras raras, processo que exige tecnologia. Já a terceira etapa é a fabricação de produtos que utilizam esses minerais. O Brasil precisa adquirir tecnologia para separar esses elementos e, principalmente, criar condições para desenvolver uma indústria capaz de fabricar produtos de maior valor agregado. É aí que está a grande oportunidade.

Em vez de apenas exportar matéria prima, poderíamos produzir baterias, componentes eletrônicos e diversos outros produtos de alta tecnologia utilizando recursos que já possuímos. Essa terceira etapa depende diretamente da competitividade do país. Carga tributária, ambiente regulatório e condições para fazer negócios são fatores que influenciam a decisão das empresas sobre onde investir e produzir.

Leia mais neste link.

Alguns números do iFood

Numa entrevista ao programa Mundo Corporativo da rádio CBN, a economista Luana Ozemela, vice-presidente de Impacto e Sustentabilidade do iFood, apresentou alguns dados sobre o porte da empresa e sua plataforma digital. Segundo ela, o iFood atende hoje a 550 mil estabelecimentos comerciais, que possuem 60 milhões de clientes cujas pedidos são atendidos por 600 mil entregadores diariamente. Desses, cerca de 25% não possuem o ensino médio completo.

Ela destacou a preocupação da empresa com a saúde e segurança dos entregadores, busca constante pela direção segura no trânsito, deficiências nas condições viárias das cidades e transparência com seus clientes e fornecedores.

Você já usou os serviços de entrega do iFood? Os prazos foram cumpridos ou ocorreram grandes atrasos? Como você avalia o comportamento dos entregadores no trânsito diante das metas que eles precisam atingir?

A desordem urbana em Belo Horizonte

Seu olhar atento tem percebido a quantas anda a desordem urbana da cidade de Belo Horizonte? Como está a aceitação e cumprimento do Código de Posturas Municipais?

É grande a quantidade de veículos literalmente abandonados em vias públicas por longos períodos, trazendo consequências para a saúde das pessoas, segurança e mobilidade.

As calçadas e vias públicas estão cada vez mais ocupadas por mesas, cadeiras e grades delimitando espaços para bares, botecos e restaurantes em diversos bairros, a começar por Santa Teresa, Lourdes, Santa Amélia e União, por exemplo.

Na Praça Duque de Caxias, no bairro Santa Tereza, é comum a presença de veículos estacionados no meio da praça tombada pelo Patrimônio Histórico, a realização de eventos sem alvará da prefeitura e tudo ficando por isso mesmo, ou seja, sem consequências. Também são frequentes a colocação de sacos de lixo domiciliar em dias e horários não programados para a coleta, além do surgimento inesperado dos bota-fora de qualquer natureza.

O que mais você acrescentaria a esses problemas?

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Vai passar

por Luis Borges 8 de julho de 2026   Música na conjuntura

Em 1984, o cantor e compositor Chico Buarque de Holanda fez, com Francis Hime, a música Vai Passar, que alcançou grande sucesso naquela época. A população brasileira era de 130 milhões de pessoas, o PIB tinha crescido 5,4% e a inflação anual foi de 215,26%. No campo político, a Emenda Constitucional Dante de Oliveira propôs eleições Diretas no país e gerou grande mobilização popular, notadamente do movimento “Diretas Já”, mas foi rejeitada pelo Congresso Nacional.

No ano seguinte, a ditadura militar chegaria ao fim.

A seguir, parte da letra.

Vai passar
Vai passar
Nessa avenida um samba popular
Cada paralelepípedo da velha cidade
Essa noite vai se arrepiar

Ao lembrar
Que aqui passaram sambas imortais
Que aqui sangraram pelos nossos pés
Que aqui sambaram nossos ancestrais

Num tempo
Página infeliz da nossa história
Passagem desbotada na memória
Das nossas novas gerações

Dormia
A nossa pátria-mãe tão distraída
Sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações

Hoje, passados 42 anos, temos população brasileira em torno de 213 milhoes de pessoas, estimativa de inflação de 5,3% ao final de 2026, crescimento anual do PIB em 1,99%, enquanto estamos a menos de 90 dias do primeiro turno das eleições para Presidente da República, Governadores dos estados, Senadores e Deputados.

O que esperar em relação às grandes e necessárias mudanças no país em prol da população que não faz parte do um por cento mais rico? Será que vamos sair desse longo ciclo de imensa concentração de renda nas mãos de pouquíssimos ou vamos nos conformar repetindo o mantra de que, para ficar rico, só roubando ou jogando?

Como se vê, passado quase meio século persistem cada vez mais sofisticadas as “tenebrosas transações” envolvendo o dinheiro público e os mais diversos segmentos da sociedade em suas organizações.

Qual é a ética nessa sociedade que se diz republicana, no Estado democrático de direito?

Quando vai passar a “Vorcarização” da política e da economia brasileiras exposta pelo escândalo do Banco Master, até agora sem uma CPI no Congresso Nacional? Não nos esqueçamos dos descontos não autorizados nos proventos mensais dos aposentados e pensionistas do INSS e muito menos dos penduricalhos na remuneração dos servidores do alto escalão do Poder Judiciário e do Ministério Público, nem das pessoas que moram nas ruas e dos que literalmente passam fome…

Aqui podemos nos lembrar das rachadinhas, das mordeduras em contratos de prestações de serviços e fornecimento de bens entre o setor público e o privado, a verificação da conformidade entre o especificado e o realizado com absoluta transparência e assim por diante. Quando será que tudo vai passar diante da metástase da corrupção?

Depende também de nós e tambémda nossa ação! Quem se cala, consente!

 

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Houve uma vez a ética

por Convidado 30 de junho de 2026   Convidado

*por Sérgio Marchetti

A história que vou contar é a de uma família do passado. Perdoem-me, caros leitores, mas hoje estou triste e lamentando profundamente algumas mortes.

Citá-las todas não caberia nesta página.

Não. Não vou falar das guerras, das tiranias, das mortes por bronquiolite, dengue e nem de outras doenças, por falta da vacina, de responsabilidade e de humanidade.

Estou triste sim, por saber que a dona Gentileza está fazendo falta.

Vocês, leitores maduros, se lembram quando viajávamos de avião e dona Gentileza nos atendia nos aeroportos? Ela nos cumprimentava com um sorriso sincero, fazia nosso check in, agradecia por sermos clientes e nos desejava uma ótima viagem. Na aeronave, as comissárias (quando ainda eram aeromoças), encaminhavam os passageiros aos seus lugares, sorrindo e demonstrando carinho pelas crianças e idosos. Não! Isso não tem 100 anos. Dona Delicadeza, irmã de dona Gentileza, ainda estava viva. Há três décadas ainda estava trabalhando. Ambas eram simpáticas e educadas. Que saudade!

A família era grande. Eu adorava as ocasiões em que podia vê-las juntas. Tinham irmãos também. Mas todos já faleceram.

Nos restaurantes, o atendimento era feito por elas. Dona Gentileza nos recebia. Dona Paciência, prima de primeiro grau, anotava os pedidos e sugeria calmamente os melhores pratos. As duas morreram praticamente juntas. Fazem falta. Estavam tristes, deprimidas, após a morte do irmão – senhor Respeito. Ele foi assassinado por uma facção, comandada pela dona Intolerância, dita moderna e que achava que o senhor Respeito atrapalhava o progresso do mundo.

De fato, era exigente, sério e não permitia que as boas regras fossem quebradas. Falar palavrão perto dele era uma afronta. E as mulheres, então, eram preservadas de ouvirem palavras de baixo calão. Chegou a ficar enfermo devido à epidemia de pornografia, palavrões, peças teatrais e filmes horrendos.

Mesmo doente, gritava contra o rumo das coisas e da disrupção dos padrões.

Em seus delírios, um pouco antes de ser assassinado, dizia que a mãe, dona Honestidade, também morta por alguns malfeitores, aparecia para ele, sempre chorando.

Família grande, meus fervorosos leitores, eles fizeram história.

Quando morreu o senhor Respeito, tudo desandou. E foi o que aconteceu com aquela família. Antes dele, a mãe, senhora Honestidade, por ser íntegra, era chamada de idiota. Ficou louca. Não suportou ver tanta incoerência, conivência social, descaso e impunidade.

Quanto mais falava e demonstrava atos ilícitos dos poderosos, mais inimigos fazia. Foi internada em Barbacena. Nunca se recuperou. Repetia pelos corredores do hospício: cego é quem não quer ver. Mas corrupto é quem vê e aprova os atos ilícitos.

Foi exterminada.

Constato com tristeza, e aos poucos, que os guardiões da sociedade estão partindo. Família é como um cacho de bananas. Quando a primeira fruta despenca, é um sinal de que as outras não tardam a se soltarem.

Na família de dona Honestidade não foi diferente.

Mas tudo começou quando a matriarca da família faleceu. Era a irmã gêmea de dona Honestidade. Porém, era quem decidia os caminhos da família. Chamava-se dona Justiça. Foi assaltada, desconsiderada e morreu totalmente debilitada – depois de sofrer maus-tratos de seus cuidadores. Dona Honestidade, na ocasião, ficou totalmente abalada com a morte da irmã e, mesmo buscando apoio de terceiros, a família se desestruturou totalmente.

Um primo distante, o senhor Bom Senso, procurava mostrar, com fatos, o que não estava certo, mas era rejeitado, assim como a dona Justiça havia sido.

Em reunião de família, a prima, senhora Verdade, e demais parentes, como o senhor Bom Senso, não podiam abrir a boca. A senhora Verdade era repelida e agredida verbalmente. Senhor Bom Senso era derrotado.

Enfim, derrota de uns, vitória de outros – lei do esporte aplicada erroneamente à vida.

E nesse jogo, a vizinha, senhora Mentira, que adora um ambiente sujo para se proliferar, passou a ser a protagonista da peça teatral desastrosa, em cartaz há anos na terra de Cabral.

Dona Mentira, mora com a irmã, dona Hipocrisia e, juntas, enganam os incautos e fazem seguidores.

Enfim, o que nos consola e nos faz acreditar numa vida digna é uma velhinha simpática chamada dona Esperança que diz que não há mal que sempre dure e nem bem que nunca se acabe (o bem já se acabou). Também nos lembrou de uma reflexão atribuída a Abraham Lincoln (alguns dizem que é de Bertolt Brecht): “você pode enganar a uma pessoa por muito tempo; algumas por algum tempo; mas não consegue enganar a todos por todo o tempo”.

Enquanto isso, em algum lugar do passado, repousa solitária e totalmente esquecida a bisavó da família, Dona Ética.

Rezemos por ela.

* Sérgio Marchetti é consultor organizacional, palestrante e Educador. International Certification ISOR em Holomentoring, Coaching & Advice (coaching pessoal, carreira, oratória e mentoria). Atuou como Professor de pós-graduação e MBA em instituições como Fundação Getúlio Vargas, Fundação Dom Cabral, Rehagro e Fatec Comércio, entre outras. É pós-graduado em Administração de Recursos Humanos e em Educação Tecnológica. Trinta anos de experiência em trabalhos realizados no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br

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No início de junho publiquei a pensata “Primeira consulta? Só particular, não atende pelo plano”. Recebi diversos comentários de leitores do texto, que compartilharam comigo as experiências vividas em planos diversos com limites técnicos igualmente diversos. É um material rico, que compartilho a seguir.

A principal dificuldade relatada pelos leitores foi a dificuldade de marcar uma consulta para uma data mais próxima. Muitos são os profissionais credenciados que reservam apenas um dia por semana para atender os clientes de planos. Existem outros que atendem apenas meio período – durante duas manhãs ou duas tardes da semana – entre dias úteis de segunda e sexta-feira.

Outra situação limitante se repete nos casos em que consultas são agendadas na primeira semana do mês, dentro da quantidade de horários previstos. Assim que são preenchidos, um novo período de reservas é anunciado para a primeira semana do mês seguinte.

Encontrar um horário na agenda de alguns profissionais de saúde é um desafio. / Imagem Pixabay

Pior é quando a consulta é marcada, mas só para dali a quatro meses. Aí chega uma urgência e o cliente precisa desmarcar e buscar outro profissional, pois não dá para aguardar tanto tempo. Vale lembrar que essas consultas têm a duração média de 15 minutos e não raro o profissional credenciado pelo plano acelera o processo quando a duração se aproxima do fim do tempo.

Diante dessa peleja toda para se conseguir uma consulta ainda existem casos em que o profissional não atende na hora marcada e gera atrasos até de uma hora. Uma leitora tinha uma consulta marcada com uma dermatologista para uma segunda-feira às 7h30, mas a médica só chegou ao consultório às 8h30, quando cinco clientes já estavam na sala de espera.

Um alerta feito por outro leitor foi para os clientes de planos coparticipativos. Muitas operadoras de planos aumentam anualmente, sem transparência, o percentual de coparticipação do cliente sem respeitar o que foi definido na assinatura do contrato. Assim, o percentual de participação numa consulta que no inicio era 15%, agora já chega aos 30%. O mesmo tem acontecido com outros serviços, como exames de análises clínicas, exames de imagens, cirurgias e internações hospitalares. Como estamos cansados de constatar que quem mais padece são os clientes, boa parte se sente impotente diante do desrespeito ao Código de Defesa do Consumidor, inclusive às condições estabelecidas no contrato com a operadora de um plano de saúde.

Outro comentário bem repetido foi sobre a agenda disponível para consulta, mas só particular. Num dos casos comentados surgiu vaga para o final da tarde do mesmo dia. Já para os dias seguintes, sempre existiam horários para livre escolha.

No caso de marcação de retorno da consulta médica, que precisa acontecer em até 30 dias, um cliente comentou que presenciou um médico dando bronca numa atendente por ela não ter marcado o retorno a partir dos 31 dias da consulta inicial. É que marcando no prazo legal de retorno, o médico “perde” a chance de cobrar nova consulta à operadora do plano.

É o que temos para o momento! Agradeço aos leitores por todos os comentários.

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Curtas e curtinhas

por Luis Borges 15 de junho de 2026   Curtas e curtinhas

A abstenção eleitoral de quem tem mais de 70 anos

O cientista político Jair Nicolau lançou recentemente pela editora Zahar o livro “O país dividido – Duas décadas de eleições presidenciais no Brasil”, analisando os pleitos entre 2002 e 2022. Ele chama a atenção para a necessidade de se aprofundar os estudos sobre a abstenção eleitoral, já que o voto é obrigatório para quem tem idade entre 18 e 70 anos. Um dado interessante em sua pesquisa é que, mesmo desobrigados de votar, 40% dos eleitores com mais de 70 anos compareceram às urnas no período pesquisado. As estimativas mais recentes do IBGE dão conta de que a população brasileira está em 213,4 milhões de pessoas, das quais 14, 6 milhões tem idade superior a 70 anos – 6,9% do total. Será que os estrategistas dos candidatos nas eleições presidenciais de 2026 estão atentos para a importância dessa faixa de eleitores?

A ampliação dos serviços prestados por farmácias e drogarias

A Associação Brasileira de Farmácias e Drogarias reúne as 29 maiores redes do país, com cerca de 11,5 mil unidades em todos os estados e no Distrito Federal, que respondem por cerca de 53% das dispensações de medicamentos no Brasil. A associação divulgou números interessantes sobre o setor, que mostram como essas empresas estão presentes no cotidiano.

As farmácias brasileiras têm expandido a receita com novos serviços que vão além da venda de remédios. Em 2025, as empresas do setor registraram cerca de 10 milhões de serviços realizados e 6,8 milhões de atendimentos distribuídos em aproximadamente 1.500 cidades. Nos três primeiros meses de 2026 a média foi de 40 mil procedimentos por dia.

Os serviços mais procurados são exames para identificar dengue, Covid-19, doenças respiratórias e tipos sanguíneos. A vacinação teve crescimento de 56% no número de doses aplicadas.

Aumenta o endividamento das famílias paulistanas

Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor feita pela Fecomercio-SP mostrou que o nível de endividamento dos paulistanos voltou a subir em maio e já atinge quase 8 em cada 10 famílias, o maior registrado nos últimos quatro anos. Em abril, a taxa era de 72,9% e chegou a 74,2% em maio, enquanto há um ano, o índice era de 71,2%.

A pesquisa também mostra que, em números absolutos, 3,33 milhões de lares na capital paulista lidam com algum tipo de dívida.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE estimou em 11,904 milhões a população da cidade em 2025.

Direitos autorais em festas juninas

Já estamos em pleno período de festas juninas de 2026, mas há contas pendentes de 2025. É o que afirma o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), responsável por recolher e distribuir os valores de direitos autorais gerados pela execução pública de músicas.

O Ecad divulgou que os “festeiros” do estado de Pernambuco foram os mais inadimplentes, com 20% dos valores não pagos de direitos autorais por execução musical entre os meses de maio e agosto do ano passado. É o estado com maior nível de inadimplência segundo o levantamento, seguido por Bahia, com 17%, e Amazonas, 12%. A soma dos calotes nos três estados chega a R$ 40 milhões.

O Ecad é um órgão civil, sem fins lucrativos e reúne as principais entidades de músicos, compositores e editoras musicais do país. O pagamento deve ser feito ao escritório quando músicas são tocadas em eventos públicos, como shows, festas, estabelecimentos comerciais e transmissões de rádio e televisão.

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Atualmente tem sido tema de conversas entre clientes de planos de saúde a prática crescente da cobrança da primeira consulta por fora do plano em qualquer especialidade. Como isso contraria a regulamentação da Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS, que veda essa prática, também não se fornece recibo ou nota fiscal. Como se vê, não dá para deixar rastro caso haja alguma denúncia à ANS, à operadora do plano, ao Procon ou à Receita Federal.

O argumento de sempre é que os honorários pagos pelos planos de saúde são baixos diante dos preços cobrados dos clientes particulares. O não fornecimento de recibo pode propiciar um desconto de 15% a 20% do valor cobrado, que varia segundo a especialidade e a experiência do médico. Recebi relatos de valores de primeira consulta entre 600 e 1500 reais.

Existem também os preços cobrados fora do plano para o acompanhamento da gravidez e parto, bem como o fornecimento de lentes importadas para cirurgias de catarata, por exemplo. Dá para negociar os preços desde que o profissional credenciado não queira perder a oportunidade do negócio, no melhor estilo “bom para todos”.

pessoa negra medindo pressão arterial de pessoa branca

Imagem ilustrativa de tratamento de saúde / Freepik

Como fica a ética do profissional numa situação como essas? Que valores regem as relações entre as partes envolvidas no processo? E o Código de Defesa do Consumidor? E ainda existe o conselho de fiscalização do exercício profissional em nome de toda a sociedade.

Também crescem os casos de credenciados dos planos de saúde que avisam aos clientes que deixaram de atender às consultas pelo plano. Ou seja: agora, só particular. Continuam sendo pelo plano as internações hospitalares, as cirurgias – com ou sem complemento de honorários – os exames laboratoriais de análises clínicas, os exames de imagem, a fisioterapia e a psicoterapia.

Segundo a ANS, 52,94 milhões de pessoas possuem planos de saúde de diferentes modelos e limites técnicos, dos quais 14,5% são individuais ou familiares e terão reajuste de 5,11% a partir deste mês. Os outros 85,5% fazem parte de contratos coletivos, cujos aumentos são estabelecidos em livre negociação entre as partes. Até agora, o aumento médio das mensalidades para os planos que já encerraram as negociações ficou em 13,5%.

Como se vê, os profissionais credenciados que não obedecem a regra da ANS, que proíbe a cobrança fora dos planos, acabam se utilizando deles para captar clientes privados.

Os fatos e dados não deixam de existir só porque são ignorados entre todos que participam do sistema de saúde suplementar, mas inegavelmente os clientes sempre perdem.

E você caro leitor, já passou por alguma situação semelhante?

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Isso é cidadania?

por Convidado 1 de junho de 2026   Convidado

*por Sérgio Marchetti

Leitores observadores, vocês se sentem incomodados com o alarmante aumento de moradores de rua? Perdão! Pessoas em situação de rua?

Não há como estacionar um carro na rua, no supermercado, na farmácia, na sorveteria, no restaurante… Pedintes, cobradores do quarteirão, drogados violentos nos abordam.

Sei que já falei sobre isso, mas não me conformo com o avanço do mal. Não é pessimismo. É realidade. Falta respeito ao cidadão e sobra desamor. Se estivéssemos escrevendo literatura de romances, o estilo não seria o realismo, tampouco o romantismo — seria o naturalismo, bem piorado e mais pobre.

Dialogo, formal ou informalmente, com muitas pessoas, e quase todas estão mais tristes e desesperançosas. As queixas, em momentos de mentoria, soam como desabafos e, gradativamente, vêm piorando.

Eu as entendo. Aqueles que deveriam dar exemplo se embrenharam por uma vereda lamacenta e, lamentavelmente, por vergonha ou culpa, algumas pessoas tentam justificar ou fingir indiferença ao que veem. A peneira entrou em desuso. Nem se preocupam em tapar o sol.

Como cantou o poeta, compositor e cantor Vander Lee, na canção “Onde Deus possa me ouvir”:

“(…)Mas, a vida anda louca / As pessoas andam tristes/ Meus amigos são amigos de ninguém (…)”, resume tudo isso. Felizmente, ainda tenho amigos. Porém, a violência exacerbada, a intolerância e, principalmente, a impunidade desequilibram quaisquer sociedades. Para aonde vamos? Eu sugiro que examinemos o cenário doloroso e imaginemos as tendências.

O que é inacreditável acontece: há uma Proposta de Redução da Pena Mínima, de combate a facções criminosas, para réus primários ou que não sejam líderes de facção. Entretanto, o impacto das drogas e do tráfico são os fatores principais e, percentualmente, mais altos na violência. Isso, sem contar que eles tem direito a passar o Natal, dia das mães, dia dos pais com familiares (são muito amorosos). Vários deles não voltam e continuam cometendo crimes. Mas, deixando a implicância de lado: é o trabalho deles — são vítimas da sociedade.

Outro problema estarrecedor, de acordo com o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), é que em 2025, registrou-se o desaparecimento de quase 24 mil crianças e adolescentes (média de 66 por dia). Isso é absurdamente grave. Mas parece não tocar as autoridades. Pois, só em 2026, o número é de 23 mil desaparecidos.

E o feminicídio? O Brasil registrou um recorde histórico de feminicídios em 2025, com 1.470 mulheres assassinadas por questões de gênero; o que representa uma média de quatro mulheres mortas por dia. Os primeiros três meses de 2026 registraram o período mais violento, desde 2015, com 399 mulheres mortas, o que representa um aumento de 7,5%, em relação ao mesmo período de 2025.

Em vez de diminuir penas para bandidos, as autoridades deveriam acabar com a impunidade vergonhosa que reina em nosso País.

* Sérgio Marchetti é consultor organizacional, palestrante e Educador. International Certification ISOR em Holomentoring, Coaching & Advice (coaching pessoal, carreira, oratória e mentoria). Atuou como Professor de pós-graduação e MBA em instituições como Fundação Getúlio Vargas, Fundação Dom Cabral, Rehagro e Fatec Comércio, entre outras. É pós-graduado em Administração de Recursos Humanos e em Educação Tecnológica. Trinta anos de experiência em trabalhos realizados no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br

Sérgio Marchetti

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