Nas aulas de geografia que fiz na década de 60 do século passado aprendi que o ano é dividido em quatro estações: verão, outono, inverno e primavera, cada uma com suas características próprias. O verão com chuvas e calor, o outono com as cores de abril, o inverno com frio e a queda das folhas das plantas, a primavera com o reflorescer da natureza, plenitude das flores. E agora, como estamos percebendo a natureza e o clima enquanto caminhamos para o final da década de 20 do século XXI? Esta pergunta vale para o centro da Terra, os seus pólos Norte e Sul, para os oceanos e a atmosfera que os envolve.
Dia após dia nos deparamos com frio, calor, ventanias, chuvas, raios, quedas de árvores, rompimento de fios e cabos, acidentes no trânsito, alagamentos, desmoronamentos de encostas, incêndios de todos os tipos nos campos e nas cidades e assim por diante. Os especialistas do clima demonstraram que o mês de agosto foi o mais quente desde que se iniciaram as medições da temperatura que, aliás, só crescem. Se isso é o que temos – e a cada dia parece que vai ficando pior – o que fazer para frear tamanha ameaça à vida?
Como fazer diante do aquecimento que transforma o planeta em estufa e leva aos eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes? Será que o ponto de não retorno está mais próximo do que imaginamos diante da volúpia atrás de combustíveis fósseis, a começar pela exploração do petróleo no litoral Norte, na foz do Amazonas?
Nesse momento em que o El Niño está em grande evidência, é importante lembrar que ele é um fenômeno natural que acontece quando as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial ficam mais quentes do que o normal por vários meses. Esse aquecimento altera a circulação dos ventos e da atmosfera e acaba influenciando o clima de várias partes do mundo.
Vale lembrar também que seus efeitos se acentuam desequilibradamente. No Brasil, por exemplo, fortes chuvas e ventos no Sul, seca no Norte, Nordeste e parte do Sudeste estão na cena. Dá para imaginar como será o verão, estação que sucederá a primavera?
Infelizmente esse assunto quase não foi abordado na campanha eleitoral deste ano e pelo visto continuaremos constatando a situação piorando e a gente tentando se adaptar ao novo clima em nome da necessária sobrevivência. Ouviremos cada vez mais exclamações do tipo “que calor!”, “que frio!”, “que ventania!”, “que chuva!”, “que falta de água potável!”, “que falta de energia elétrica!”…
Agora estamos na reta final para a realização em novembro da COP 31 sob a liderança de Turquia e Austrália. Entre os principais temas estão o Financiamento Climático e Ilhas do Pacífico, Aceleração da Eletrificação Global e Transição Energética, Agenda de Ação Prática (Cidades Resilientes e Resíduos). A primeira COP foi realizada em Berlim – Alemanha no ano de 1995, atendendo a decisões da Rio 92, também chamada de Eco 92 pela Organização das Nações Unidas. Entretanto, até hoje as metas estabelecidas para a redução do aquecimento global ainda não foram atingidas e os países ricos se recusam a financiar com mais efetividade a implementação das medidas que se fazem necessárias para as mudanças do clima a favor da vida.





