Sabe-se da geografia que o período das chuvas na região Sudeste vai de outubro a março, mas com intensidade maior a partir do início do verão. Os índices pluviométricos desse janeiro, e notadamente da segunda quinzena do mês, estão mostrando um aumento significativo no volume das águas, tanto na forma de pancadões de menor duração quanto por períodos mais longos com menores quantidades formando um somatório também expressivo. Até agora os resultados de tudo isso estão expostos na tragédia vivida diretamente pelas pessoas que moram em Belo Horizonte e sua região metropolitana, bem como na Zona da Mata mineira, no sul do Espírito Santo e no Norte do Rio de Janeiro.

Não há duvidas de que água é vida e de que as chuvas são extremamente necessárias para equilibrar o ciclo. Mas diante de tudo que está acontecendo nesse período com todos os tipos de perdas, a começar pelas vidas humanas, é fácil constatar que a maioria das pessoas se volta quase que naturalmente para combater os efeitos trazidos pelo modo que as chuvas vieram e provavelmente voltarão em outros anos. Até as autoridades e os políticos partidários sobrevoam as regiões atingidas para constatar esses mesmos efeitos, notadamente em anos eleitorais.

É preciso dar grandes passos à frente para solucionar esse problema de maneira mais duradoura a partir do conhecimento das causas que estão no processo que o geraram. Também é importante lembrar que a remoção das poucas causas vitais pode ajudar a resolver uma significativa parte do problema. Diante da enorme quantidade de fatos e dados disponíveis e de muitos resultados indesejáveis que se repetem ano após ano com as diferentes políticas de governo no sistema capitalista – no estado de bem estar social ou no liberalismo econômico – é preciso repensar o modelo de desenvolvimento urbano vigente.

Se conceitualmente sistema é um conjunto de partes interligadas, a gestão das águas deve ser feita por bacias hidrográficas em toda a sua plenitude. A presença maciça das estruturas de concreto armado, o adensamento populacional, o encarceramento dos rios em canais fechados, as cirurgias plásticas feitas nas encostas de montanhas e serras, a impermeabilização do solo através de cimento e asfalto, a deseducada destinação do lixo domiciliar e outros resíduos bem como a brutal concentração de renda que empurra uma expressiva camada da população para moradias na beira de cursos d’água já dão sinais visíveis de que precisam ser repensados.

E o que dizer do aquecimento global e da mudança de clima que alguns ainda tentam negar apesar de todas as evidências científicas? Para quem gosta de alegar que os recursos não são suficientes é só lembrar que é por isso que um modelo de gestão estruturada trabalha com a priorização de necessidades que precisam ser atendidas num determinado horizonte de tempo.

Caminhemos mesmo sabedores de que gestão é o que todos precisam, mas nem todos sabem que precisam, nessa toada realista e esperançosa em meio à dor das perdas.

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Sabe daquela situação que geralmente imaginamos que só acontece com os outros, em que um membro da família sofre um acidente vascular cerebral do tipo hemorrágico? Foi o que aconteceu no dia 2 de janeiro com o senhor Paulito, de 83 anos, aposentado, casado com a senhora Iarinha, de 78 anos, com quem teve 8 filhos. Muitos também são os genros, noras, netos e bisnetos. O fato é que Paulito sentiu-se mal na tarde daquele dia, quando jogava buraco, como fazia todos os dias, com um grupo de amigos e colegas numa espécie de cassino informal de seu bairro numa cidade da região metropolitana de Belo Horizonte. Paulito foi levado para uma unidade de pronto atendimento e posteriormente transferido para um hospital público de grande porte. A hemorragia inundou uma vasta área de seu cérebro e, após 12 dias de internação, seu nome foi estampado num atestado de óbito, clássico documento que registra o fim do curso de vida.

Alguns fatos e dados marcaram os dias da angustiante espera da família por um desfecho favorável, mesmo diante de prognósticos sombrios. Um fato marcante foi a reação das pessoas do convívio de Paulito ao tomarem conhecimento sobre o que aconteceu com ele, sendo que algumas delas também tentavam encontrar uma explicação para o acontecido. “Como assim foi acontecer isso se ele estava tão bem?”, perguntaram alguns. Na tentativa de encontrar explicações alguns filhos lembraram-se de que o pai tinha dificuldades para tomar diariamente o medicamento para controlar a pressão arterial e muitas vezes ficava até uma semana sem usá-lo. Além disso, também usava medicamentos para combater a disfunção erétil, a ansiedade, os níveis elevados da glicose e do colesterol. Para completar o quadro foi lembrado que ele tomava diariamente uma ou duas doses bem generosas de sua cachaça preferida que era também recomendada aos filhos, ainda que fosse apenas uma “bicadinha” para sentir o gosto.

Outro fato marcante foi a decisão da filha mais nova de Paulito e Iarinha de criar um grupo de WhatsApp para agilizar as comunicações sobre o quadro clínico do pai. O grupo, administrado por ela, foi composto por filhos, genros, noras, netos, amigos, colegas e vizinhos. A primeira mensagem informava que o estado do paciente era grave, mas estável, como determina o protocolo padrão nessas ocasiões. Também foram informados os horários de visitas rápidas ao paciente na UTI do hospital, sendo no máximo duas pessoas à tarde e outras duas à noite, conforme a escala feita pela filha administradora. Só ela e a mãe Iarinha poderiam fazer visitas dia sim, dia não, enquanto os outros muitos interessados colocavam seus nomes numa lista para as outras vagas. A parte familiar do grupo de WhatsApp quase explodiu quando, no sexto dia de internação, a filha administradora interpretou mal uma fala de um médico intensivista da UTI e informou ao grupo a morte cerebral de Paulito. O desespero tomou conta de muitos enquanto outros questionavam a equipe médica sobre a real situação do pai e as perspectivas para as horas seguintes. A morte cerebral foi negada, mas o quadro grave reafirmado. Depois de tudo a filha administradora do grupo de WhatsApp pediu perdão a todos pelo seu erro de interpretação e também um voto de confiança para continuar à frente do processo.

Nos dias seguintes Paulito continuava do mesmo jeito e sem nenhum sinal de qualquer reação minimamente esperançosa. Passou a ter febres mais constantes e a pressão arterial foi ficando mais baixa. Foi aí que Iarinha e seus filhos solicitaram uma reunião com a equipe médica e um dos filhos perguntou de cara quais eram as chances do pai sobreviver, independente de sequelas, numa escala de 1 a 10. A resposta foi imediata informando que a chance seria 1. A reunião praticamente terminou ali e todos entenderam qual seria o desfecho mais provável. Em seguida foi passada a informação para todos os membros do grupo de WhatsApp. E, na alvorada do dia 14 de janeiro, Paulito veio a óbito e todos ficaram sabendo à medida em que acordavam e davam aquela olhada básica em sua rede social. Logo a seguir a movimentação do grupo girou em torno de condolências, perguntas sobre a hora de início do velório e depois sobre o dia e hora do sepultamento que, aliás, acabou sendo no final da manhã do dia seguinte. E não é que, um pouco depois, algumas pessoas começaram a perguntar sobre a missa de sétimo dia?!

Você se lembra de ter vivido alguma situação semelhante a essa, envolvendo parentes e amigos, nas duas primeiras décadas deste século ou realmente isso só acontece com os outros?

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Algumas preocupações de janeiro

por Luis Borges 20 de janeiro de 2020   Pensata

O tempo prossegue caminhando firme para a frente, com muita determinação e sem parar para descansar ou reclamar. Seu medidor mostra que mais da metade do mês de janeiro já foi embora. Foi tudo tão rápido, incrivelmente rápido, que mal dá para lembrar os desejos de “Feliz Ano Novo” com saúde, paz e sonhos realizados. Se muitas eram e ainda são as expectativas, várias até bem maiores que a realidade, o fato é que a cada dia surgem novas preocupações diante do acentuado ritmo de mudanças que acontecem e se sucedem. Isso só faz aumentar a inquietude de nossas mentes visando um melhor posicionamento para responder bem aos desafios que vão surgindo.

Muitas preocupações ficaram para trás no tempo, mas não tem como ser esquecidas. Uma delas é a pífia recuperação da economia que resulta em 12 milhões de pessoas desempregadas e deixa em evidência o aumento da carestia na alimentação, na saúde, no lazer… Isso ficou evidente com a divulgação dos índices inflacionários do ano passado em que os salários em geral perderam poder de compra. A título de ilustração basta olhar para o novo salário mínimo, que inicialmente ficou abaixo do Índice Nacional de Preços ao Consumidor – INPC, e que acabou sendo corrigido às pressas para ficar minimamente compatível com a Lei que, aliás, não prevê ganhos reais para recompor o poder de compra perdido ao longo do tempo.

E se agora cada um de nós começar a listar as preocupações com os fatos que aconteceram nesses primeiros 20 dias e que podem impactar negativamente o orçamento financeiro do ano? De cara, para quem mora em Belo Horizonte, já existem os decantados gastos com o IPTU, IPVA, quitação de multas de trânsito, material escolar e anuidades escolares aumentadas acima da inflação.

Será que deve ser alta a preocupação com os rumos que tomarão as relações entre Estados Unidos, Irã e Iraque e seu impacto na produção, logística de distribuição e preços do petróleo que sustenta os países do Oriente Médio? Será que teremos que pagar mais caro ainda pela gasolina, óleo diesel e gás de cozinha? Dá para imaginar o automóvel parado em casa 3 dias por semana? Será que o liberalismo econômico vigente vai ter coragem de tabelar esses preços como fez com os juros bancários de 8% para os cheques especiais?

Na minha lista também preocupa a vontade de aumentar a já altíssima carga tributária que sempre passa pela cabeça de governantes e parlamentares. Isso vai desde a energia solar, cujo uso avança pelo país, e pela não correção da tabela do imposto de renda da pessoa física, que está defasada em 104% acumulados nos últimos 24 anos.

Também causa preocupação e desconforto o calor intenso e a medição da temperatura variando de 31ºC a 35ºC, à qual deve-se acrescer algo em torno de 5ºC para incluir a sensação térmica. Não menos preocupantes são as chuvas fortes, rápidas e de alta vazão, trazendo alagamentos, enchentes, deslizamentos de terra, destruição e mortes. Aliás, essa cena se repete todo início de ano e se tornou um problema crônico que nenhum prefeito consegue resolver, entra ano, sai ano. O calor e a chuva também trazem a preocupação e a facilitação para a proliferação de doenças como a dengue, zika vírus e a febre chikungunya.

Mais preocupação vem só de pensar no aumento dos preços dos planos de saúde – sempre bem acima da inflação, medicamentos, transporte coletivo – nas mãos da justiça e a última parte da tarifa do metrô.

Ah! Eu poderia dizer que chega de preocupações, mas é impossível não se preocupar apesar de todo o realismo esperançoso. Basta olhar o orçamento de gastos e verificar que ele exigirá cortes, ainda mais para quem não tem recebíveis do nióbio para negociar.

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Ano novo, vida nova

por Convidado 13 de janeiro de 2020   Convidado

*por Sérgio Marchetti

Cá estamos nós, meu querido leitor, começando uma nova jornada pela vida. Talvez esteja faltando alguém que, em 2019, lia meus escritos e compartilhava minhas ideias. Mas a roda viva não para. Somos nós que paramos, e, um por um, pouco a pouco, vão tendo seus nomes chamados para sair da roda.

Independentemente das perdas e dos ganhos, ouço, há tantos anos, a frase “ano novo, vida nova”, que acredito que tenha se tornado um mantra. A euforia da passagem de ano e a possibilidade de começar tudo outra vez, de fato, contribuem para a renovação da esperança de dias melhores. Mas, infelizmente, as flores para Iemanjá, o jantar de lentilhas e as sementes de romã não são suficientes para alterar o rumo de nossas vidas.

Ainda assim, não critico e nem rejeito as crenças de cada pessoa (“há muito mais entre o céu e a terra do que possa prever nossa vã filosofia”), pois a força da fé tem removido montanhas. Acontecem todos os dias fatos inéditos, surreais e não explicáveis pela ciência. Porém, não estamos livres de problemas e de tragédias. Pandora já abriu a sua caixa e, sem saber o que continha nela, liberou todos os males. Somente a esperança restou. Diante disso, deixemos viva a esperança, que é o que nos segura quando tudo parece perdido.

Faço uma ressalva de que não devemos deixar toda a responsabilidade com os santos e nem mesmo com Deus. Já tem muita gente para Ele olhar. Também não vale delegar ações pessoais a terceiros. Eles não sentem o que você sente. Deixe a preguiça de lado. Mande essa tristeza embora. Tenho certeza de que você tem mais para agradecer do que para reclamar. Então o que está esperando? Pratique a gratidão. Ressignifique seus acontecimentos negativos, perdoe alguém que invade seus pensamentos e se perdoe.

Aí entra a nossa parte. Permita-me, caríssimo leitor, fazer o seguinte questionamento: Quem poderá ajudá-lo? Sabe o que deseja? Você já fez o planejamento individual? Já sabe o que vai mudar? Identificou as consequências? Traçou metas? Definiu quando devem ser alcançadas? Escolheu o método que irá utilizar?

Sei que muitas pessoas não acreditam que a definição de metas poderá ajudá-las. Outras até creem, mas não tomam a iniciativa por mera indolência. E, apesar disso, eu os compreendo, mas também lhes asseguro de que, nos novos tempos, o fracasso de quem não se preparar será iminente. O ser humano tem dificuldade de se planejar para o futuro e precisa de alguém que lhe dê forças. E não é por acaso que a mentoria e o coaching se fortaleceram tanto e passaram a exercer um papel importante na vida das pessoas e das empresas.

Então comece agora, nada de procrastinar. Janeiro é o mês ideal para traçar seus planos de mudança. Pense no que não deu certo, nas conquistas, nas empreitadas em que obteve sucesso. Anote o nome das pessoas que podem lhe ajudar a realizar seus objetivos. Formule planos de ação com prazo determinado. Negocie, renegocie, mas não deixe o desânimo lhe derrubar; ele é apenas um indicador de que você andou muito tempo na direção errada. Retome seus caminhos e se fortaleça com as experiências, pois mesmo tendo colecionado erros, sempre será um aprendizado. Basta não repeti-los. Ocorrerá também a dúvida – ausência de ação e medo de errar. Nesse caso, busque orientação e conselhos com embasamento técnico.

O quadro atual é mais otimista. O Brasil ainda está no CTI, mas já respira sem aparelhos e começa a dar sinais importantes de recuperação. Estamos saindo da escuridão, e acena para nós a possibilidade de dias melhores. Indicadores nos demonstram que haverá mais trabalho e mais oportunidades de vermos brasileiros voltando a ser cidadãos dignos, que possam obter seus recursos com o próprio trabalho e não pela esmola.

Passe a borracha no passado e vamos começar de novo. E, se precisar de um ombro amigo ou de algumas orientações sobre algo que eu saiba um pouquinho, pode contar comigo.

“Começar de novo e contar comigo, vai valer a pena ter amanhecido…”(Ivan Lins)

* Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

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Só no digital não dá

por Luis Borges 8 de janeiro de 2020   Pensata

O Portal G1 publicou, no dia 03 de janeiro, alguns dados que podem nos fazer pensar sobre intenções e gestos envolvendo a movimentação de pessoas em diferentes níveis de relacionamentos pessoais e em organizações humanas de diferentes tipos de atuação.

Segundo a publicação:

 O WhatsApp informou que, durante as 24 horas que antecederam a meia-noite da véspera de ano novo, foi registrado um número recorde de mensagens enviado por meio do aplicativo em todo o mundo: mais de 100 bilhões durante as 24 horas do dia 31 de dezembro. 

[…]

Apenas no Brasil, os usuários do WhatsApp enviaram mais de 13 bilhões de mensagens no dia 31 de dezembro de 2019.

[…]

Apesar da criptografia de ponta a ponta do WhatsApp, que só permite a leitura da mensagem entre quem envia e quem lê, o aplicativo supõe que um número grande de mensagens enviadas em 31 de dezembro foi de “Feliz Ano Novo” ”.

Meu ponto aqui é fazer um balanço que nos permita refletir sobre o que foi possível fazer concretamente em nossas relações pessoais ou negociais que foram além do digital na fria tentativa de buscar uma aproximação que, já se sabe, continuará distante pela própria natureza do meio utilizado. Por mais que seja afetiva a mensagem, nada substituirá o calor radiante do encontro físico, presencial entre seres humanos.

No meu caso específico considero que consegui ir um pouco além do digital, ainda que limitado por condições funcionais, mas com muito suporte das pessoas mais próximas.

Nesse sentido deixo registrado que passei quatro dias do período de virada do ano na minha terra natal – Araxá, capital secreta do mundo e cidade eterna como Roma. Por incrível que possa parecer, consegui estar pessoalmente em 10 residências de familiares diretos que são também amigos, tias e primas, sem polarizações e intolerâncias, mas com muito respeito, humor, capacidade de ouvir e também de falar. Um momento muito marcante foi o encontro com quatro tias que estão acima dos 80 anos de idade. Como sabemos, idosos querem presença, carinho e atenção. Duas delas moram em suas próprias residências, sendo que uma estava fazendo mingau de milho verde e a outra se preparava para ver a passagem do ramo de uma folia de Reis. As outras duas moram em instituições de longa permanência para idosos, onde o horário de visitas é na parte da tarde e o tempo de permanência é de 4 horas em uma e de 2 horas na outra. Nesse caso, me coloquei no lugar delas e fiquei a imaginar como seria a minha adaptação numa instituição desse tipo quando essa opção também poderá ser uma solução para meu curso de vida a caminho da finitude.

É claro que não dá para negar a vida conectada digitalmente mas não precisamos ficar só nela. Ainda é possível viver e manter a nossa dimensão humana, que também depende do nosso querer e das nossas iniciativas como num simples, caloroso e renovador encontro na virada do ano. Outros encontros virão, no Carnaval ou na Páscoa, por exemplo. Depende de nós.

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Na passarela do tempo

por Luis Borges 19 de dezembro de 2019   Pensata

O tempo caminha indelevelmente para frente e nós com ele, mas sabedores de nossa finitude perante algo que nos parece infinito. Ainda assim, ouvimos com muita frequência reclamações de pessoas dando conta de que falta lhes tempo ou que o tempo passou muito rápido, praticamente sem ser percebido. O fato é que, mesmo diante das diferentes percepções que se tenha, o tempo relativo ao ano de 2019 está chegando à sua marca final, trazendo a alvorada cada vez mais próxima do ano que será marcado como 2020.

Dessa realidade não será possível fugir e, por maior que seja a poesia inerente à vida, esse momento do tempo também nos possibilita fazer uma observação e análise, sem adjetivos, sobre a realidade em que nossas vidas estão sendo vividas. Muitas podem ser as expectativas, mas elas não devem ser maiores que a realidade. Caso contrário, as frustrações causarão mais sofrimento nesse momento em que a sociedade brasileira é marcada pela polarização político ideológica que muitas vezes nos obriga a clamar por civilização, respeito, tolerância nas relações pessoais e sociais. Tudo só piora se prevalecem as fake news em detrimento da verdade e do conhecimento científico, enquanto os problemas crônicos não são resolvidos e a realidade social grita com 12,4 milhões de desempregados que a pequenez da recuperação da economia não ajuda a resolver. Se temos a consciência que somos responsáveis pelas nossas escolhas, ainda que elas nem sempre levem aos resultados esperados, precisamos ter sempre em mente que o importante é não estar vencido e que sempre é possível aprender com os erros para melhor prosseguir rumo ao estado de bem-estar social, bom para todos e com equidade.

Então, diante dos fatos, dados, informações, conhecimentos sobre a realidade que nos cerca nos aspectos políticos, econômicos, sociais, tecnológicos, culturais… é importante prestar atenção no que disse o dramaturgo, romancista e poeta brasileiro Ariano Suassuna em “O auto da compadecida”, uma das obras mais marcantes de sua trajetória:

“O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso”.

Que a sabedoria e a inteligência nos ajudem a compreender que a conjuntura e os cenários que se desenham nos indicam que a estratégia de sobrevivência continua sendo a mais adequada. Caminhemos!

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O Observação & Análise fará uma pausa neste fim de ano. Os posts voltam no dia 8 de janeiro. Desejo boas festas a todos os leitores e a agradeço pela companhia neste 2019. Que possamos seguir juntos em 2020.  

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Vale a leitura

por Luis Borges 16 de dezembro de 2019   Vale a leitura

Até quando os amigos permanecem?

“Amigo é coisa para se guardar debaixo de sete chaves, dentro do coração”, canta Milton Nascimento em Canção da América, música de sua autoria e de Fernando Brant.

Mas o quê e como fazer para que as amizades e os amigos permaneçam em nossas vidas? É o que aborda Silvia C. Carpallo em seu artigo Amigos ativos e passivos: o que os distingue e como cultivar cada amizade, publicado no jornal El País.

O tempo de maior qualidade, o de compartilhar experiências e vivências, deve ser destinado às amizades ativas. “É preciso, com uma certa regularidade, manter um contato real, ficar para tomar um café, comer ou ir ao cinema”. Ou seja, nesses casos, não há problema em ter um amigo dessa categoria nas redes sociais e perguntar-lhe “como vai” pelo WhatsApp, mas também é preciso cuidar dessa amizade na vida real. “Se não cultivarmos e mantivermos uma relação de amizade [ativa], ela passará a ser de conhecido [amizade passiva]”.

Quantas horas de trabalho você precisa para pagar cada gasto?

Não está nada fácil manter o poder aquisitivo nesses tempos tão desfavoráveis para quem vende a sua força de trabalho independente do quanto se aufere. É importante saber quanto custa em horas trabalhadas tudo aquilo que se compra, principalmente no impulso e na euforia. É visível a falta que a educação financeira faz, principalmente quando o dinheiro acaba antes do mês ou as cobranças das dívidas atrasadas se intensificam. Como enfrentar situações com essas características? É o que mostra Julia Mendonça em seu artigo Aprender a fazer esta conta vai mudar sua visão de compras por impulso, publicado no portal UOL.

Uma forma muito prática de visualizar o impacto que uma compra pode ter no seu orçamento e ao mesmo tempo evitar gastos desnecessários é transformar os preços em horas trabalhadas. É um conceito bem simples, mas que vai mudar totalmente a maneira de você enxergar seu salário.

Você fala e ninguém ouve

Não sei se isso já aconteceu com você, mas é comum vivermos situações em determinados tipos de reuniões que enquanto uma pessoa fala a maior parte dos presentes não presta atenção e ainda se distraem no celular. O que fazer para prender a atenção dos ouvintes? É interessante o que sugere Reinaldo Polito em seu artigo Você consegue segurar a atenção das pessoas durante a reunião? publicado no portal Uol.

Não tenhamos ilusões. As pessoas só se concentram em uma apresentação se perceberem que terão certa vantagem. Logo no início da exposição, informe que sua mensagem proporcionará certa vantagem pessoal ou profissional. Antes de expor suas ideias analise bem o que os ouvintes ganharão com sua proposta e mostre a eles quais serão esses ganhos.

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