Saúde cognitiva

por Convidado,  15 de outubro de 2026   Convidado

*por Ana Cristina Curi

Você já imaginou aprender estratégias para melhorar a atenção, a concentração, a memória e a organização no dia a dia?

Quando falamos em saúde, é comum pensarmos primeiro no corpo e deixarmos o funcionamento cognitivo em segundo plano. No entanto, habilidades como lembrar informações, manter o foco, planejar tarefas, tomar decisões e aprender algo novo estão presentes em praticamente todas as atividades cotidianas.

E essas funções podem ser estimuladas.

O cérebro possui neuroplasticidade, ou seja, a capacidade de modificar suas conexões e seu funcionamento a partir das experiências, da aprendizagem e dos estímulos recebidos ao longo da vida.

Isso não significa que todo esquecimento possa ser evitado ou que exercícios cognitivos garantam proteção contra o envelhecimento. Significa que podemos cuidar ativamente da saúde cerebral e cognitiva, desenvolvendo estratégias que favoreçam mais autonomia, organização e qualidade de vida.

Imagem ilustrativa / Magnific

Também é importante compreender que memória não funciona isoladamente.

Muitas vezes, aquilo que percebemos como uma “falha de memória” começa antes: quando a atenção não está suficientemente presente no momento em que recebemos uma informação, sua codificação pode ser prejudicada — e, depois, teremos mais dificuldade para recuperá-la.

Por isso, trabalhar a memória também envolve estimular atenção, concentração, organização, estratégias de aprendizagem, flexibilidade cognitiva e hábitos cotidianos.

Foi a partir dessa compreensão que desenvolvemos o Mente em Movimento.

Uma oficina vivencial e prática, na qual você poderá exercitar diferentes habilidades cognitivas, compreender melhor como sua mente funciona e conhecer estratégias que podem ser aplicadas em situações reais do cotidiano.

Ao participar, você poderá:

– estimular memória, atenção, concentração e raciocínio;
– experimentar estratégias para organizar melhor tarefas e informações;
– refletir sobre hábitos que influenciam o desempenho cognitivo;
– desenvolver recursos para lidar com desafios do dia a dia;
– ampliar a percepção sobre suas próprias habilidades e possibilidades.

Não se trata de “testar quem tem boa memória”.

Trata-se de estimular, compreender e desenvolver recursos cognitivos, respeitando a singularidade e o momento de cada pessoa.

A saúde cognitiva merece atenção antes que as dificuldades se tornem limitantes.

Cuide de seu cérebro, fortaleça sua autonomia e descobra novas formas de manter sua Mente em Movimento. Inscreva-se e participe dessa experiência!

📅 Sábado, 24 de outubro
🎟️ Inscrições pelo Sympla

 

*Ana Cristina Curi é Psicóloga, formada pela PUC-MG/1987. Especialista em Terapia Sistêmica e Transpessoal. Membro do Colégio Internacional dos Terapeutas.

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Quando um país perde a esperança

por Convidado,  6 de outubro de 2026   Convidado

* por Sérgio Marchetti

Há dias tão tristes que mais parecem um tornado que passa por nós e carrega a confiança e a esperança de vivermos num país decente.

Desculpem-me, leitores, mas não consigo conviver com mentiras, injustiças e parcialidade de quem deveria defender a imparcialidade e exigir a verdade nas investigações de tantos crimes de corrupção.

Sinceramente, eu nunca imaginei ver nossa Justiça tão desmoralizada.

Acabou o pudor. Tornou-se uma peça teatral melancólica, agressiva e com ares quixotescos. Confesso que esse teatro do absurdo me remeteu, sendo atleticano, a dois jogos entre Flamengo e Atlético Mineiro, em 1980 no Maracanã e 1981, no Serra Dourada, quando as equipes de arbitragem de forma escandalosa, sem esconder sua deplorável missão, definiram os resultados. Não disseram: “perdeu, Mané”. Não chegaram a tanto. Tampouco declararam: “vencemos os atleticanos”. Mas foi deprimente.

Hoje, coisas muito sérias estão acontecendo, e me assusto quando vejo que pessoas honestas procuram fechar os olhos para o quadro imoral que está sendo pintado e optam em negar a verdade.

Sinto um cansaço, um desânimo, não por trabalho. O cansaço mais profundo é o de quem já não sabe se vale a pena acreditar em dias melhores.

Infelizmente a estrela que prometeu luz gerou escuridão. Está opaca, escondida sob uma nuvem obscura.

Reina uma interrogação coletiva. Pessoas, decepcionadas, sabem do perigo de quando a honestidade é interpretada como ingenuidade.

Rui Barbosa, há mais de um século, escreveu uma frase que atravessou o tempo: de tanto ver triunfar a desonra e prosperar a injustiça, chegava a sentir “vergonha de ser honesto”. A frase continua doendo porque toca num ponto essencial: quando os valores se invertem, não é apenas a política ou a economia que adoecem. A esperança coletiva também adoece.

E talvez seja isso que estejamos vendo.

Um país que deseja dias melhores, felizes, mas já não sabe se eles virão.

Porque felicidade também exige esperança. E a esperança está se esvaindo.

Gonzaguinha dizia que a vida deveria ser melhor — “e será”.

Talvez seja justamente esse “será” que não podemos perder.

Porque, quando uma sociedade deixa de acreditar no amanhã, começa a viver apenas para sobreviver ao hoje.

” (…) Amanhã será outro dia (…) ”

A canção nasceu em outro tempo, diante de outras circunstâncias. Mas certas palavras não envelhecem.

Talvez porque todos os tempos tenham alguma forma de escuridão.

Um país não se destrói apenas quando faltam recursos.

Pode se destruir quando a palavra deixa de valer e a verdade passa a depender de quem a pronuncia. Quando o cidadão honesto começa a se sentir um “idiota”, como escreveu Dostoiévski, em livro com mesmo nome.

É nessa hora que precisamos reagir com exemplos e não com discursos mentirosos e hipócritas.

Porque a reconstrução de um país não começa nas grandes instituições. Começa na educação de uma criança. Na honestidade de um profissional ético.

Provavelmente a esperança seja isso:

Persistir no que é certo e não desistir de fazer o bem. Porque ainda podemos caminhar e cantar uma nova canção de braços dados ou não.

Ainda podemos ensinar e aprender uma nova lição.

E, sobretudo, ainda podemos escolher não nos acostumar com aquilo que nos envergonha.

Gonzaguinha nos lembra que a vida é bonita.

Vandré nos alertou que não devemos simplesmente esperar.

E Rui Barbosa nos deixa uma lição em forma de desabafo que atravessou mais de um século.

Entre a vergonha de ser honesto e a coragem de continuar sendo correto, existe uma escolha, repetida milhões de vezes por pessoas comuns, que é a de devolver ao País aquilo que ele mais precisa recuperar: a decência.

* Sérgio Marchetti é consultor organizacional, palestrante e Educador. International Certification ISOR em Holomentoring, Coaching & Advice (coaching pessoal, carreira, oratória e mentoria). Atuou como Professor de pós-graduação e MBA em instituições como Fundação Getúlio Vargas, Fundação Dom Cabral, Rehagro e Fatec Comércio, entre outras. É pós-graduado em Administração de Recursos Humanos e em Educação Tecnológica. Trinta anos de experiência em trabalhos realizados no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br

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*por Ana Cristina Curi

Setembro Amarelo nos convida falar sobre prevenção ao suicídio. Mas existe uma dimensão sobre a qual ainda falamos pouco: o sofrimento de quem fica.
Depois de uma morte por auto-extermunio não fica apenas a ausência. Ficam perguntas.

“Como eu não percebi?”
“Por que não me contou?”
“Eu poderia ter feito alguma coisa?”

E a mente começa a voltar às últimas conversas, aos silêncios, às mudanças de comportamento, procurando o momento em que tudo poderia ter sido diferente. Há algo especialmente doloroso nesse movimento: olhamos para o passado sabendo o que aconteceu depois. Aquilo que hoje parece um sinal talvez não tivesse o mesmo significado naquele momento.

É assim que, muitas vezes, o “por quê?” se transforma em “e se?”. E junto dele pode surgir a culpa.

Uma parte importante desse luto é conseguir, aos poucos, separar amor de responsabilidade. Podemos amar profundamente alguém e, ainda assim, não alcançar toda a dimensão da dor que essa pessoa vivia.

Amor não nos torna onipotentes.

Também é importante lembrar que uma pessoa é infinitamente maior do que a maneira como morreu. Houve uma vida antes daquele último momento. Houve histórias, vínculos, alegrias, conflitos, sonhos e amor.

Elaborar esse luto não significa esquecer. Talvez signifique conseguir, com o tempo, lembrar novamente da pessoa — e não apenas de sua morte.
Neste Setembro Amarelo, precisamos continuar falando sobre prevenção. Mas precisamos também perguntar:

Quem está cuidando de quem ficou?

Porque continuar vivendo não significa abandonar quem morreu. Significa permitir que aquele vínculo encontre uma nova forma de existir dentro de nós.

Ana Cristina Curi

* Psicóloga, formada pela PUC-MG/1984. Especialista em Terapia Sistêmica e Transpessoal. Membro do Colégio Internacional dos Terapeutas. Conheça seu site.

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*por Sérgio Marchetti

Desde que o mundo é mundo, ouvimos falar de liderança. Grandes nomes, a contar da antiguidade, são aclamados, tornam-se ícones e lendas em nossa história. Mas será que eram líderes ou chefes?

E tem diferença? No meu modo de entender, sim.

Sei que as palavras vão mudando de sentido, a evolução linguística criando novos significados e, assim, geram um novo efeito semântico. Porém, mais do que palavras, cujo sentidos não podem ser desconsiderados, a grande diferença está nas atitudes.

Para entender, vejamos a origem. Liderança, palavra da língua inglesa ( leader ) que, por sua vez, descende do inglês arcaico laedan (guiar ou chefiar) e da raiz germânica laithjan ou laidjan (ir adiante ou conduzir).

A palavra chefe vem do francês antigo chef, que significa “cabeça”, e tem origem no latim caput (cabeça).

Ao observarmos a origem das palavras, creio, já temos claras distinções que explicam, teoricamente, as condutas do líder e do chefe. A grande diferença pode ser corroborada quando observamos que o chefe tem poder, independentemente da maneira como chegou lá.

Muitas vezes, nem se exige dele tanto conhecimento. O líder, por sua vez, tem autoridade adquirida pelo conhecimento, o que, consequentemente, gera confiança e respeito em vez de medo.

Outro fator preponderante implica saber que mudanças são iminentes e nos obrigam a adaptar às novas formas de vida. Não posso afirmar que o chefe tenha síndrome de inadaptabilidade, mas talvez possa acreditar que os líderes buscam se adequar ao contexto com menor resistência, e são adeptos a conjugar o verbo inovar. Para explicar liderança, recorro ao exemplo da orquestra. Ela reúne os elementos essenciais a um trabalho de equipe, no qual cada componente conhece o seu papel, executa sua atividade em sintonia e harmonia com o grupo e busca atingir o objetivo coletivo. O maestro, por sua vez, conhece o processo e sabe exatamente o que cada componente tem que entregar. Outra coisa: ele tem, naquele grupo, um substituto preparado para assumir diante de uma eventualidade.

Bem, prezados leitores, meu desafio é justamente fazer com que os dirigentes acreditem nessas e em outras diferenças. Por isso, há mais de vinte anos, venho trabalhando com o curso de formação de líderes. Nele, as adequações são sistemáticas.

No dia 28 de setembro, daremos início a mais uma edição do Programa Executivo de Desenvolvimento de Lideranças de Alta Performance. É um curso que pode ser customizado para empresas de todos os segmentos e cujo conteúdo possibilita o crescimento de quaisquer pessoas que queiram angariar conhecimento, competência e segurança profissional. Mas devo ressaltar que para futuros e atuais coordenadores, gerentes e dirigentes o programa é essencial.

É essencial por quê? “Porque liderança é a capacidade de transformar visão em realidade” (Warren Bennis).

 

 

* Sérgio Marchetti é consultor organizacional, palestrante e Educador. International Certification ISOR em Holomentoring, Coaching & Advice (coaching pessoal, carreira, oratória e mentoria). Atuou como Professor de pós-graduação e MBA em instituições como Fundação Getúlio Vargas, Fundação Dom Cabral, Rehagro e Fatec Comércio, entre outras. É pós-graduado em Administração de Recursos Humanos e em Educação Tecnológica. Trinta anos de experiência em trabalhos realizados no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br

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*por Sérgio Marchetti

Há pouco tempo, fiz uma viagem para a zona rural. Fui de ônibus para matar a saudade da infância. Queria me concentrar e reviver o passado em silêncio, embora tudo estivesse tão mudado.

Mesmo sem demonstrar alguma abertura, minha colega de poltrona queria puxar conversa de todo jeito.

— Batarde! Sou Maria de Jisuis. O senhor não é da nossa zona!
— Não sou daqui. Sou amigo dos Borges. Respondi. Vim visitá-los, eu disse, para cortar a conversa.
— Eis é lá de Raxá. — continuou a tagarela, — maise sofre qui nem nóis, prequê aqui ninguém qué trabaiá. É uma inrolação só. O povo de hoje parece que tem lumbriga.
— As pessoas criaram hábitos novos e a tecnologia tornou tudo mais ágil.
— O sinhore é dotor adevogado?
— Não, senhora.
— Maise fala qui nem um. É home istudado. Aqui nóis é simples. Tem os dia e a noite, as peleja, um cafezim, uma quitanda, uma broinha de fubá. Indeusdiqui nasci, os custume é os mesmo. Di primero, quando nóis ficava perrengue, era os chá que resorvia. As febre ia imbora e nóis sungava di novo. E tinha os baile, as sanfona e os casar mais paxonado que dançava di par junto a noite intera. Tempo bão, dotore, num tinha essas coisa de hoje, nem malidicença, nem as poca vergonha. O tempo passava na carmaria. O silenço, as chuva no lombo, as lubrina, a encerração que caía e adispois o sol. Nasci desse pó e nele vou ser interrada.
Mas, asturdia, tava me alembrando dum causo du cumpadre dum tio meu. Era lavradô, ficava na labuta de sol a sol, infezado e num gostava daqui.

— Dia cumpadre! Falava meu tio prêle.
— O home nem respundia. Fazia de égua.
— Dia! Ripitia meu tio.
— Dia, nada! Vida de cachorro. Ano qui vem eu vô imbora pra cidade.
— Gradeça a Deus por tê a tua terrinha e saúde. Diga, vô pra cidade, si Deus quisé.
— Larga mão de conversa fiada. Num querdito nessas bestage.
— Vai escutano, dotore: num belo dia, o bendito, atrivido que só ele, disse: que se Deus quisé ou numquisé ele vai pra cidade de quarqué jeito.
Meu tio falou: — toma tento, num brinca cum Deus. Ele te castiga.
— Já tá mi castigano — respondeu, adispois de guspi a água que gorgolejava com limão.
— Passado uns dia, a famia deu por farta do temoso. Foi um disispero danado. Meu finado tio — que Deus o tenha em sua glória — resorveu procurá no rio. Pensava que podia ter murrido e ficado amoitado num gaio. Aí, dotore, vem a surpresa. O home tinha virado sapo. Tava em riba duma pedra. Era um baita. Tava cuns zoião moiado de lágrima e incarando meu tio.
— É ocê meso, cumpadre. Si fô, pisca os zóio.
— E o sapo piscô.
— Eu ti falei, seu iscurmungado, qui cum Deus num brinca. Disse pra tu ficá veiaco, seu coió. Gora tá aí e estrovando a vida da famia. Num dianta ficá com esses zóio moiado. Prestensão! Vou trazê seu vigário pra benzê ocê. Vamos pedir para nossenhora concedê uma graça.

— Assim foi, dotore, mas iscuta, iscuta: adispois de meses de reza e cuntricão, Deus, in sua infinita bondade, perdôo o pecadô e ele vortô a ser gente.
— Sério? O sapo virou humano?
— Sim. Eu juro qui vi com esse zóio que a terra há de cumê um dia.
— O homem deve ter virado um santo.
— Nada! O mardito era tinhoso que só ele. E tem um ditado que diz qui pau que nasce torto morre torto. Assim assucedeu. Puruns tempo ele ficô cum receio, calado, meio amuado. Mais adispois vortô a falá bobage. Quando meu tio acariô com ele e lembrô pro infiliz do aconticido, sabe o que ele falô?
— O ano qui vem eu vô pra cidade. Meu tio gritou: — fala se Deus quisé, cumpadre! Oia o rio e o sapo…
— Se Deus quisé, eu vô, si Ele numquisé, ó!, o rio taí.
— Arguns dias dispois, o home sumiu.
— Sabe de uma coisa, dona Maria, por trás dessa história tem uma lição: todo ser tem seus limites. Quando alguém ou alguma coisa ultrapassa os limites do outro, ele se rebela. Foi o que aconteceu.
— Num falei qui o senhor era dotore. É isso meso, sem tirá nem pô.
A condução chegô no meu arraiá. Vamos apiá? Tomá um café cum nóis?
— Vou agradecer pelo convite. Mas o senhor Borges está esperando que eu entregue um trabalho a ele.
— Intão, Deus acompanha o sinhô.
— Amém, Dona Maria!

 

* Sérgio Marchetti é consultor organizacional, palestrante e Educador. International Certification ISOR em Holomentoring, Coaching & Advice (coaching pessoal, carreira, oratória e mentoria). Atuou como Professor de pós-graduação e MBA em instituições como Fundação Getúlio Vargas, Fundação Dom Cabral, Rehagro e Fatec Comércio, entre outras. É pós-graduado em Administração de Recursos Humanos e em Educação Tecnológica. Trinta anos de experiência em trabalhos realizados no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br

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Houve uma vez a ética

por Convidado,  30 de junho de 2026   Convidado

*por Sérgio Marchetti

A história que vou contar é a de uma família do passado. Perdoem-me, caros leitores, mas hoje estou triste e lamentando profundamente algumas mortes.

Citá-las todas não caberia nesta página.

Não. Não vou falar das guerras, das tiranias, das mortes por bronquiolite, dengue e nem de outras doenças, por falta da vacina, de responsabilidade e de humanidade.

Estou triste sim, por saber que a dona Gentileza está fazendo falta.

Vocês, leitores maduros, se lembram quando viajávamos de avião e dona Gentileza nos atendia nos aeroportos? Ela nos cumprimentava com um sorriso sincero, fazia nosso check in, agradecia por sermos clientes e nos desejava uma ótima viagem. Na aeronave, as comissárias (quando ainda eram aeromoças), encaminhavam os passageiros aos seus lugares, sorrindo e demonstrando carinho pelas crianças e idosos. Não! Isso não tem 100 anos. Dona Delicadeza, irmã de dona Gentileza, ainda estava viva. Há três décadas ainda estava trabalhando. Ambas eram simpáticas e educadas. Que saudade!

A família era grande. Eu adorava as ocasiões em que podia vê-las juntas. Tinham irmãos também. Mas todos já faleceram.

Nos restaurantes, o atendimento era feito por elas. Dona Gentileza nos recebia. Dona Paciência, prima de primeiro grau, anotava os pedidos e sugeria calmamente os melhores pratos. As duas morreram praticamente juntas. Fazem falta. Estavam tristes, deprimidas, após a morte do irmão – senhor Respeito. Ele foi assassinado por uma facção, comandada pela dona Intolerância, dita moderna e que achava que o senhor Respeito atrapalhava o progresso do mundo.

De fato, era exigente, sério e não permitia que as boas regras fossem quebradas. Falar palavrão perto dele era uma afronta. E as mulheres, então, eram preservadas de ouvirem palavras de baixo calão. Chegou a ficar enfermo devido à epidemia de pornografia, palavrões, peças teatrais e filmes horrendos.

Mesmo doente, gritava contra o rumo das coisas e da disrupção dos padrões.

Em seus delírios, um pouco antes de ser assassinado, dizia que a mãe, dona Honestidade, também morta por alguns malfeitores, aparecia para ele, sempre chorando.

Família grande, meus fervorosos leitores, eles fizeram história.

Quando morreu o senhor Respeito, tudo desandou. E foi o que aconteceu com aquela família. Antes dele, a mãe, senhora Honestidade, por ser íntegra, era chamada de idiota. Ficou louca. Não suportou ver tanta incoerência, conivência social, descaso e impunidade.

Quanto mais falava e demonstrava atos ilícitos dos poderosos, mais inimigos fazia. Foi internada em Barbacena. Nunca se recuperou. Repetia pelos corredores do hospício: cego é quem não quer ver. Mas corrupto é quem vê e aprova os atos ilícitos.

Foi exterminada.

Constato com tristeza, e aos poucos, que os guardiões da sociedade estão partindo. Família é como um cacho de bananas. Quando a primeira fruta despenca, é um sinal de que as outras não tardam a se soltarem.

Na família de dona Honestidade não foi diferente.

Mas tudo começou quando a matriarca da família faleceu. Era a irmã gêmea de dona Honestidade. Porém, era quem decidia os caminhos da família. Chamava-se dona Justiça. Foi assaltada, desconsiderada e morreu totalmente debilitada – depois de sofrer maus-tratos de seus cuidadores. Dona Honestidade, na ocasião, ficou totalmente abalada com a morte da irmã e, mesmo buscando apoio de terceiros, a família se desestruturou totalmente.

Um primo distante, o senhor Bom Senso, procurava mostrar, com fatos, o que não estava certo, mas era rejeitado, assim como a dona Justiça havia sido.

Em reunião de família, a prima, senhora Verdade, e demais parentes, como o senhor Bom Senso, não podiam abrir a boca. A senhora Verdade era repelida e agredida verbalmente. Senhor Bom Senso era derrotado.

Enfim, derrota de uns, vitória de outros – lei do esporte aplicada erroneamente à vida.

E nesse jogo, a vizinha, senhora Mentira, que adora um ambiente sujo para se proliferar, passou a ser a protagonista da peça teatral desastrosa, em cartaz há anos na terra de Cabral.

Dona Mentira, mora com a irmã, dona Hipocrisia e, juntas, enganam os incautos e fazem seguidores.

Enfim, o que nos consola e nos faz acreditar numa vida digna é uma velhinha simpática chamada dona Esperança que diz que não há mal que sempre dure e nem bem que nunca se acabe (o bem já se acabou). Também nos lembrou de uma reflexão atribuída a Abraham Lincoln (alguns dizem que é de Bertolt Brecht): “você pode enganar a uma pessoa por muito tempo; algumas por algum tempo; mas não consegue enganar a todos por todo o tempo”.

Enquanto isso, em algum lugar do passado, repousa solitária e totalmente esquecida a bisavó da família, Dona Ética.

Rezemos por ela.

* Sérgio Marchetti é consultor organizacional, palestrante e Educador. International Certification ISOR em Holomentoring, Coaching & Advice (coaching pessoal, carreira, oratória e mentoria). Atuou como Professor de pós-graduação e MBA em instituições como Fundação Getúlio Vargas, Fundação Dom Cabral, Rehagro e Fatec Comércio, entre outras. É pós-graduado em Administração de Recursos Humanos e em Educação Tecnológica. Trinta anos de experiência em trabalhos realizados no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br

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Isso é cidadania?

por Convidado,  1 de junho de 2026   Convidado

*por Sérgio Marchetti

Leitores observadores, vocês se sentem incomodados com o alarmante aumento de moradores de rua? Perdão! Pessoas em situação de rua?

Não há como estacionar um carro na rua, no supermercado, na farmácia, na sorveteria, no restaurante… Pedintes, cobradores do quarteirão, drogados violentos nos abordam.

Sei que já falei sobre isso, mas não me conformo com o avanço do mal. Não é pessimismo. É realidade. Falta respeito ao cidadão e sobra desamor. Se estivéssemos escrevendo literatura de romances, o estilo não seria o realismo, tampouco o romantismo — seria o naturalismo, bem piorado e mais pobre.

Dialogo, formal ou informalmente, com muitas pessoas, e quase todas estão mais tristes e desesperançosas. As queixas, em momentos de mentoria, soam como desabafos e, gradativamente, vêm piorando.

Eu as entendo. Aqueles que deveriam dar exemplo se embrenharam por uma vereda lamacenta e, lamentavelmente, por vergonha ou culpa, algumas pessoas tentam justificar ou fingir indiferença ao que veem. A peneira entrou em desuso. Nem se preocupam em tapar o sol.

Como cantou o poeta, compositor e cantor Vander Lee, na canção “Onde Deus possa me ouvir”:

“(…)Mas, a vida anda louca / As pessoas andam tristes/ Meus amigos são amigos de ninguém (…)”, resume tudo isso. Felizmente, ainda tenho amigos. Porém, a violência exacerbada, a intolerância e, principalmente, a impunidade desequilibram quaisquer sociedades. Para aonde vamos? Eu sugiro que examinemos o cenário doloroso e imaginemos as tendências.

O que é inacreditável acontece: há uma Proposta de Redução da Pena Mínima, de combate a facções criminosas, para réus primários ou que não sejam líderes de facção. Entretanto, o impacto das drogas e do tráfico são os fatores principais e, percentualmente, mais altos na violência. Isso, sem contar que eles tem direito a passar o Natal, dia das mães, dia dos pais com familiares (são muito amorosos). Vários deles não voltam e continuam cometendo crimes. Mas, deixando a implicância de lado: é o trabalho deles — são vítimas da sociedade.

Outro problema estarrecedor, de acordo com o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), é que em 2025, registrou-se o desaparecimento de quase 24 mil crianças e adolescentes (média de 66 por dia). Isso é absurdamente grave. Mas parece não tocar as autoridades. Pois, só em 2026, o número é de 23 mil desaparecidos.

E o feminicídio? O Brasil registrou um recorde histórico de feminicídios em 2025, com 1.470 mulheres assassinadas por questões de gênero; o que representa uma média de quatro mulheres mortas por dia. Os primeiros três meses de 2026 registraram o período mais violento, desde 2015, com 399 mulheres mortas, o que representa um aumento de 7,5%, em relação ao mesmo período de 2025.

Em vez de diminuir penas para bandidos, as autoridades deveriam acabar com a impunidade vergonhosa que reina em nosso País.

* Sérgio Marchetti é consultor organizacional, palestrante e Educador. International Certification ISOR em Holomentoring, Coaching & Advice (coaching pessoal, carreira, oratória e mentoria). Atuou como Professor de pós-graduação e MBA em instituições como Fundação Getúlio Vargas, Fundação Dom Cabral, Rehagro e Fatec Comércio, entre outras. É pós-graduado em Administração de Recursos Humanos e em Educação Tecnológica. Trinta anos de experiência em trabalhos realizados no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br

Sérgio Marchetti

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*por Sérgio Marchetti

Outro dia, leitores de boa memória, escrevi sobre os filmes de faroeste e seus enredos repetitivos. Mas, só para esclarecer, não os comparei com o Brasil. Naqueles filmes, os bandidos sempre acabam sendo presos.

Falando nisso, dia desses, o decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, fez um deboche irônico com o sotaque do ex-Governador de Minas Gerais, Romeu Zema. Para o ministro, Zema falaria um Tétum — dialeto do Timor Leste, difícil de entender.

O problema, entretanto, não é a linguagem, até porque Romeu Zema tem ótima dicção, fala português com clareza, sem barbarismos e, orgulhosamente, com algumas pitadas de mineirês e gerundismos. Talvez Suas Excelências tenham se desacostumado de ouvir verdades e, assim sendo, é natural que estranhem ou não queiram compreender o vocabulário de pessoas sérias. Por isso, data vênia, discordo do ilustre magistrado.

Mas vamos à linguagem. Como em qualquer outro país, a evolução linguística criou novas palavras, eliminou algumas e transformou outras. O que me chama a atenção são as expressões que nascem de um contexto e migram para outro, além das palavras que são repetidas e se tornam vícios de linguagem. E, de tanto ouvi-las, talvez com um pouco de implicância, me sinto incomodado. Quando ouço “virar a chave”, “caiu a ficha”, “viajar na maionese” e outras bobagens compreendo as metáforas. Porém, estão muito banalizadas. Há algum tempo a frase da moda era: “é verdade”. Tudo era verdade. Vocês se lembram, leitores atentos? Sei que estou sendo ranzinza, mas não deveriam ser usadas numa entrevista ou conversa formal. Cá entre nós, viajamos de trem, avião, automóvel, ônibus, motocicleta e até no tapete mágico, mas na maionese, não!

Outra expressão que não gosto é ” fazer do limão a limonada”. Sabem por quê? Porque, no discurso, o efeito semântico induz a algo inusitado, criativo; quando na verdade é facílimo. Quem não sabe que com limão fazemos a limonada está afastado de Deus.
E a palavra, “literalmente”? Virou abuso. Para que me entendam: uma amiga me contou que um conhecido comum havia morrido de rir, literalmente. — Pelo menos morreu alegre — eu disse. — Morrer de rir é maneira de dizer. — Respondeu nervosa. Não consegui ficar calado e retruquei: — mas você disse: literalmente, ou seja, de verdade!

Calma! Crítico leitor. Você está pensando em várias outras pérolas? O repertório é vasto. Temos mais, muito mais: círculo vicioso ou virtuoso, divisor de águas, surreal e outras expressões que, mesmo sendo corretas, estão desgastadas, “andam em boca de Matilde”, como diria um amigo próximo.

Mas há erros que causam otite: nincho (deve ser quando o emissor é fanhoso). O certo é nicho. A nível de… (em nível ainda passa). Cabeleleiro, cabelereiro (não cortam bem). Vá ao cabeleireiro. Maqueia (vai ficar feia). Escolha quem maquia. Opita (coitado! Não tem opção). Opte por falar certo. Asterístico (não serve como marco). Use o diminutivo de astro: asterisco. Gratuíto (não elimina o pagamento). Para não pagar, tire o acento: gratuito. Rúbrica (não vale). Dê uma rubrica. Célebro (de quem pensa que sabe tudo). Use o cérebro. Seje (com “e” não vai ser). Apenas seja e esteja. Tinha trago (ainda bem que não trouxe). Para não se esquecer, use o teria trazido. Perca total (essa última é quando perde o dicionário). Ainda que seja ruim, prefira a perda e não perca tempo em praticar.

Não fique triste, herrar é umano.

 

* Sérgio Marchetti é consultor organizacional, palestrante e Educador. International Certification ISOR em Holomentoring, Coaching & Advice (coaching pessoal, carreira, oratória e mentoria). Atuou como Professor de pós-graduação e MBA em instituições como Fundação Getúlio Vargas, Fundação Dom Cabral, Rehagro e Fatec Comércio, entre outras. É pós-graduado em Administração de Recursos Humanos e em Educação Tecnológica. Trinta anos de experiência em trabalhos realizados no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br

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Nos tempos do Bang Bang

por Convidado,  8 de abril de 2026   Convidado

*por Sérgio Marchetti

Dia desses assisti a um filme de faroeste. Na verdade, é uma série em sua quarta temporada. Mesmo sendo o western um gênero originário e ambientado no Velho Oeste dos Estados Unidos, o fato do cenário ser em outro país não diminuiu a expectativa de que houvesse mais criatividade. Confesso que a trama não me agradou. Esses tipos de filmes, em expressiva maioria, começam com algum bandido poderoso que mata quem discorda dele, rouba bastante e, com o fruto da desonestidade, se estabelece no poder. Dessa forma domina a cidade, comete injustiças e crimes. Mas, ao final, recebe a merecida e esperada punição.

Nesta película a que me refiro, como nos demais da categoria, a exploração do ouro e de outras riquezas naturais era uma atividade praticada por aventureiros que, vez por outra, conseguiam enriquecer. Os conchavos com os chefes de garimpo e percentual sobre o tráfico eram alguns dos crimes presentes na trama. O cenário era o mesmo de outras produções do gênero, assim como em The Harder They Fall (2021) / Vingança & Castigo, no qual um bandido poderoso é libertado da prisão, reconstrói sua quadrilha, compra terras, muito gado, se elege prefeito, e, por assim dizer, tem o banco e a cidade nas mãos. Nomeia políticos, o delegado e o xerife.

Compra o jornal local, o juiz e até o padre. Todos só agiam em consonância com sua vontade e ordens. E, assim como nas fitas do lendário Wyatt Earp, o uso de armas, pelos cidadãos, fora proibido. Somente o pessoal dele podia usar. E quem não obedecesse seria preso.

Imagem alusiva ao Velho Oeste / vwalakte Freepik

Como podem constatar, caros leitores, nada de novo. Nem me recordo exatamente do título da série. Em minha cabeça misturam nomes como: “A saga do maior ladrão do oeste”, “Eu sou a lei e a ordem”, “O retorno do malfeitor”, ou algo parecido.

No enredo, a exemplo de outros filmes da categoria, o juiz tinha superpoderes: prendia, julgava e condenava de acordo com sua vontade, independentemente das leis. Ele era a lei daquele povoado. A determinação da sentença, via de regra, cumpria uma parcialidade mais transparente do que uma vitrine de shopping e, assim, punia apenas aqueles que não aceitavam sua tirania. Os julgamentos eram realizados pela própria choldra. As sentenças puniam inocentes com total rigor e inocentavam bandidos, tudo, com indescritível cinismo de afirmar que, sendo os paladinos da justiça e guardiões imparciais da verdade, cumpriam a lei e defendiam a equidade de direitos.

A gazeta local, a serviço do poder, noticiava somente o que lhes era conveniente ou manipulavam a notícia. Nas páginas do jornaleco, o prefeito, em sua infinita bondade, dava “vales-compras” para ajudar às famílias que estavam com dificuldades.

Em filme de “mocinhos e bandidos”, não poderia deixar de existir um banco (para ser assaltado), o saloon, as prostitutas, os jogos e cantoras, muito bem pagas pelo clã, puxando o Cancan.

Mas, como toda tirania, ao contrário do que pregavam, a criminalidade crescia, as diligências eram assaltadas frequentemente e os impostos aumentavam continuamente.

Entretanto, o mundo estava tranquilo e em plena normalidade. “Nada de novo no Front” (“All Quiet on the Western Front”).

Para minha surpresa, contra todas as evidências, a série foi defendida pela crítica e parte do público está torcendo pela quinta temporada.

Gosto estranho!!!

Sérgio Marchetti

* Sérgio Marchetti é consultor organizacional, palestrante e Educador. International Certification ISOR em Holomentoring, Coaching & Advice (coaching pessoal, carreira, oratória e mentoria). Atuou como Professor de pós-graduação e MBA em instituições como Fundação Getúlio Vargas, Fundação Dom Cabral, Rehagro e Fatec Comércio, entre outras. É pós-graduado em Administração de Recursos Humanos e em Educação Tecnológica. Trinta anos de experiência em trabalhos realizados no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br

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Explode coração

por Convidado,  5 de março de 2026   Convidado

* por Sérgio Marchetti

Dia desses, um cliente da mentoria me confidenciou que estava depressivo e que talvez seu atual estado o impedisse de acreditar na solução de tantos problemas que assolam o Brasil.

Fiquei preocupado com sua desesperança, mas disse a ele que a crise de caráter e a corrupção afetam as mentes das pessoas de bem.

Horas depois, refletindo melhor, já solitário em meu canto, me lembrei do conto de Machado de Assis: “O Alienista”. Lá, naquelas ricas páginas, um médico psiquiatra, depois de internar toda a população do lugar, concluiu que o louco era ele; por ser o único que não tinha hábitos e costumes estranhos.

O conto Machadiano me faz pensar que os honestos, aqui nesta terra de Cabral, correm o risco de serem considerados “idiotas” e merecerem o cárcere.

Mas, voltando a mim, recolhendo-me à minha insignificância, consigo entender o que aconteceu com meu cliente e, de sobra, compreendi o que acontece com as pessoas neste momento do mundo, ou melhor me situando, do Brasil.

Não somos loucos. Apenas não conseguimos conviver com o “absurdo” e, considerando a impotência para conter tanta audácia, acabamos adoecendo.

Contextualizando, em 2025 tivemos um aumento expressivo de afastamentos por saúde mental. Foram mais de 546 mil. Nosso país lidera o ranking na América Latina em casos de ansiedade e depressão. Os afastamentos por síndrome de burnout cresceram exponencialmente, atingindo quase 500% entre 2021 e 2024.

imagem ilustrativa gerada com auxílio de inteligência artificial

O Brasil está em coma por falência de órgãos. A população está doente, as mentes confusas, os pensamentos perdidos e a vergonha reprimida por compactuar com tanta ilegalidade. A ética morreu atropelada. A verdade foi suprimida de nosso dicionário. O rei está nu. Mas toda nudez será perdoada.

Não somos cidadãos. Somos vítimas de escolhas equivocadas.

É preciso aceitar os erros. Afinal, errar é humano. Mas é necessário ter humildade e coragem para corrigi-los.

O que é pior, nesse vergonhoso e lamentável contexto, é o fato de sabermos de onde vem tanto desvio de conduta (para usar um eufemismo).

A esperança, mesmo sendo a última que morre, agoniza em berço esplêndido.

Rui Barbosa, com sua cabeça grande de gênio, não conheceu a verdadeira face da “desonestidade lícita” e da justiça sem a venda nos olhos. Teria, hoje, ainda mais vergonha de ser honesto.

Prevalece, no aqui e agora, um estado de estagnação coletiva. Nenhum pensador, de qualquer tempo, compreenderia, filosoficamente, os caminhos tortuosos que homens ditos “inteligentes” escolheram.

Há um requinte de crueldade no ar.

David Hume, Auguste Comte e Schopenhauer, para citar alguns filósofos, defendiam respectivamente a virtude moral, o altruísmo, a moralidade e, o último, a compaixão.

Infelizmente, nada do que vemos no mundo real reflete a ideia de humanização pregada por eles.

Esse cenário incerto e insidioso se repete nas organizações, nas quais os dirigentes – muitos de caráter duvidoso – usam “parceiros” de boa fé para os trabalhos mais difíceis, abusando de sua prestatividade e gratuidade. Porém, quando surgem as melhores oportunidades, os escolhidos, em detrimento dos “parceiros”, são pessoas que têm alguma influência ou podem gerar status aos pobres de espírito que, do alto de suas vaidades e de um hedonismo corrompido, imaginam-se semideuses.

Creio que muitos de vocês, dedicados leitores, já tiveram o desgosto de passar por isso. A verdade é que “muitos são chamados, mas poucos são escolhidos”. (Mateus 22:14).

Essa é a realidade desse teatro mesquinho, sustentado por um jogo de interesses; situação na qual não cabem confiança, gratidão e lealdade.

O sistema cheira mal e gera asco.

(”Chega de tentar dissimular e disfarçar e esconder/ o que não dá mais pra ocultar/e eu não posso mais calar(…)”).

E, mesmo com toda a positividade que procuro exercitar, constato, com tristeza, que há algo de muito podre no reino da Dinamarca. Da Dinamarca?

*Sérgio Marchetti é consultor organizacional, palestrante e Educador. International Certification ISOR em Holomentoring, Coaching & Advice (coaching pessoal, carreira, oratória e mentoria). Atuou como Professor de pós-graduação e MBA em instituições como Fundação Getúlio Vargas, Fundação Dom Cabral, Rehagro e Fatec Comércio, entre outras. É pós-graduado em Administração de Recursos Humanos e em Educação Tecnológica. Trinta anos de experiência em trabalhos realizados no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br

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