A Prefeitura de Belo Horizonte, que se auto intitula “Prefeitura do Povo”, enviou um Projeto de Lei à Câmara de Vereadores do município denominado Operação Urbana Simplificada (OUS), que estimula o adensamento do Centro da cidade e de bairros no seu entorno. Como sempre, a tramitação da proposta teve baixa visibilidade e não demonstrou preocupação alguma com o impacto sobre os moradores dos bairros relacionados no projeto.

O foco está no mercado imobiliário para que “a capital deixe de ser uma roça grande”. Do projeto inicialmente apresentado foi retirado o bairro Concórdia e, na calada da noite, foi colocado um jabuti, incluindo o bairro Santa Tereza, que é uma Área de Diretrizes Especiais – ADE. Simplesmente buscou-se o atropelamento da Lei de Uso e Ocupação do Solo, do Plano Diretor do Município e da Conferência Municipal de Políticas Urbanas – COMPUR num processo teratológico.

No apagar das luzes da votação em segundo turno na Câmara de Vereadores, a Justiça concedeu liminar suspendendo a votação devido ao não cumprimento de diversas etapas necessárias para a discussão do projeto. Pouco mais de uma semana depois, a liminar foi derrubada, a votação em segundo turno foi marcada para a manhã da segunda-feira, 31 de agosto, e o Projeto da Prefeitura foi aprovado pelos vereadores com 32 votos a favor, 5 contrários e uma abstenção. Agora é só aguardar a sanção do Prefeito e a desenvoltura do mercado imobiliário para desfigurar a área do bairro denominada Chapéu de Napoleão, com todos os impactos ambientais, acústicos, eólicos e de mobilidade com a edificação de torres de 15 a 25 andares de concreto armado e vidros.

Num momento como esse e diante da perspectiva de um futuro próximo sombrio, vale a pena observar e analisar como tem funcionado a nossa democracia representativa e como faz falta a democracia participativa.

Vista lateral da Igreja de Santa Tereza e Santa Terezinha. | Foto: Marina Borges

 

Reproduzo abaixo texto da Associação Comunitária do bairro de Santa Tereza, ACBST.

Um arranha-céu em Santa Tereza pode parecer apenas um prédio, uma construção pontual.

Uma exceção na paisagem. Uma mudança entre tantas outras que uma cidade atravessa.

Mas um arranha-céu em Santa Tereza é muito mais que isso: é a licença para o próximo.

Primeiro um, depois outro e outro e outro.
E, aos poucos, a sombra cresce.

Primeiro, sobre as casas. Depois, sobre as ruas, os quintais, as árvores.

Até alcançar aquilo que não se mede: os encontros nas calçadas, a música das esquinas, as fachadas históricas e a história de um dos bairros mais significativos de Belo Horizonte.

O que está em jogo é o precedente para a transformação de um bairro inteiro.

Santa Tereza guarda algo cada vez mais raro em uma cidade grande: uma escala humana, um jeito de viver que aproxima Belo Horizonte do interior, uma paisagem construída ao longo de gerações e uma identidade que não pode ser reconstruída depois que desaparece.

É por isso que precisamos dizer agora, enquanto ainda há tempo:

No Santa Tereza não cabe arranha-céu.
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Curtas e curtinhas

por Luis Borges 26 de agosto de 2026   Curtas e curtinhas

Cooperativismo financeiro

O cooperativismo é um sistema de organização baseado na cooperação, na ajuda mútua e na gestão democrática em que os membros trabalham juntos para alcançar objetivos comuns e melhorar suas condições econômicas e sociais.

As cooperativas financeiras vem ampliando sua participação no sistema brasileiro e registrando um ritmo de crescimento superior ao dos bancos tradicionais. Segundo o Banco Central a carteira de crédito das cooperativas cresceu 13,1% em 2025, enquanto a expansão dos demais bancos e instituições financeiras ficou em 8,5%.

O avanço acompanha o crescimento do número de brasileiros que optam pelo cooperativismo financeiro. Ao final de 2025, as cooperativas de crédito reuniam 21,2 milhões de cooperados no país, crescimento de 10,4% em relação ao ano anterior. O setor também alcançou R$ 1 trilhão em ativos e já está presente fisicamente em 59% dos municípios brasileiros, levando serviços financeiros a regiões onde, em muitos casos, as cooperativas são a única instituição financeira com atendimento presencial.

Casas Bahia e a crise do varejo

O pedido de recuperação judicial das Casas Bahia colocou em grande evidência a crise do comércio varejista. A dívida apontada é de R$17,3 bilhões o que culminou no fechamento de 298 lojas e na demissão de cerca de 1900 empregados, até o momento.

Muitos analistas de mercado atribuíram como causa fundamental do episódio a alta taxa de juros e passaram a propor um ajuste fiscal a ser discutido na campanha eleitoral para ser implementado a partir do próximo ano. Entretanto, outras causas devem ser observadas e analisadas. A primeira é o comércio digital avançando em grande velocidade e dispensando a presença dos clientes em grandes lojas físicas, cheias de estoques. Em muitos casos o frete nem é cobrado. Outra causa pode ser a quantidade de recursos financeiros que as pessoas estão transferindo para as apostas esportivas, nas bets. Ainda tem os atrasos de pagamentos, a alta inadimplência, a falta de educação financeira. No caso das Casas Bahia, vale lembrar a briga entre herdeiros atrapalhando a governança corporativa.

Atração das terras paraguaias

A reforma tributária brasileira sobre bens e serviços segue cumprindo suas etapas de implementação sem se falar na reforma do Imposto de Renda com sua tabela de descontos congelada. Enquanto isso, tem gente sonhando em se transferir para o Paraguai, país com 7,1 milhões de habitantes, em busca de menor carga tributária. A incorporadora Raíces Real Estate afirma ter vendido US$ 13 milhões em imóveis para compradores do Brasil. O setor imobiliário vive um “boom” no Paraguai e representa 12% do PIB do país. A Raíces estima que o número de empresas brasileiras com investimento direto no país, hoje em 300, chegue a 1.000 nos próximos três anos.

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Curtas e curtinhas

por Luis Borges 20 de agosto de 2026   Curtas e curtinhas

Concentração da renda no Brasil

O Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades, ano base 2025, feito pelo Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades mostrou que houve avanços em 71% dos 38 indicadores analisados. Entre eles estão o mercado de trabalho, a renda, o desenvolvimento humano, a segurança alimentar, a educação e a área ambiental. O que não melhora é o histórico problema da concentração da renda. Os dados mostram que a parcela de 1% dos mais ricos (2,1 milhões) tem renda 31,5 vezes superior à dos 50% mais pobres (106,4 milhões). Quem se incomoda com a persistência dessa imensa desigualdade social?

Imagem ilustrativa / Firentis por Pixabay

Novo risco ocupacional

A Electrolux, fabricante de uma ampla linha de eletrodomésticos, eletroportáteis e equipamentos de climatização para uso residencial e com cerca de 7 mil empregados, incluiu os impactos das apostas online em seu programa de prevenção de riscos ocupacionais. A empresa orienta as lideranças sobre como perceber sinais de endividamento e de problemas de saúde mental dos empregados relacionados a apostas. A empresa implantou o programa “Viva Melhor”, oferecendo educação e consultoria financeira além de auxílio psicológico. Sintomas de ansiedade estão entre as principais demandas registradas no programa. Assessoria financeira foi o serviço mais procurado por 94% dos empregados que buscaram a consultoria.

Esta iniciativa ocorreu em meio ao crescimento do mercado de apostas no país. Estudo do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda – Comsefaz, em parceria com o Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento – Cicef, apontou que as famílias brasileiras tiveram uma perda líquida de R$62,5 bilhões com bets em 2025.

No mesmo período, as plataformas movimentaram R$ 350,9 bilhões em transferências via Pix.

Faturamento das padarias

O Instituto de Desenvolvimento das Empresas de Alimentação – Ideal informou que no período de janeiro a maio de 2026 o faturamento do setor de panificação e confeitaria no Brasil cresceu 3,24%. O ritmo foi mais moderado no mesmo período dos dois últimos anos, quando o setor cresceu 9,35% em 2025 e 8,80% em 2024. O avanço foi sustentado pela alta de 5,75% no tíquete médio nacional do consumidor, enquanto o fluxo de clientes nas padarias caiu 2,31% no período.

O pão francês mantém participação de 6,88% no faturamento total do setor. As vendas em valor sobiram 7,30%, impulsionadas por avanço de 3,10% em quilos vendidos e alta de 4,20% no preço médio, tendo chegado até R$ 21,73 por quilo.

A participação da produção própria no faturamento das padarias atinge 70,59% em 2026, maior patamar da série histórica: ante 67,91% em 2025 e 68,80% em 2024.

A participação da produção própria no faturamento das padarias atingiu 70,59% nesse período de 2026, maior patamar da série histórica: ante 67,91% em 2025 e 68,80% em 2024.

Com que frequência você compra pão francês numa padaria?

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O necessário voto consciente

por Luis Borges 14 de agosto de 2026   Pensata

A contagem regressiva para o primeiro turno das eleições gerais de 4 de outubro nos indica que faltam apenas 51 dias para o evento. Seria desejável que todos esperassem a data bem informados e conhecedores da ficha dos candidatos – e que elas sejam limpas -, quais são as suas propostas e como farão para resolver os grandes problemas do país, além de mostrar com quem eles andam para conseguir seus intentos.

Inicialmente é preciso fazer uma avaliação sobre o desempenho daqueles candidatos que estão buscando a reeleição. É necessário conhecer o que fizeram, a começar pelo comparecimento ao trabalho para o qual foram eleitos, as propostas apresentadas para a solução de tantos problemas e como se comportaram diante dos grandes temas nacionais e regionais. Não dá para acreditar em quem aparece de quatro em quatro anos só para pedir votos e que troca de partido político como se troca de roupa.

O que saber dos candidatos em geral e sobre o que eles estão propondo para a solução dos problemas que afligem a população? Penso que é importante buscar saber que propostas eles têm para resolver a fome, o desemprego, a moradia digna para todos, a indigna condição das pessoas em situação de rua ou, indo realisticamente ao ponto, moradores de rua, o que está sendo proposto para a segurança pública, a começar pelo combate ao crime organizado em todos os níveis sociais, inclusive a corrupção nos poderes públicos em todas as suas instâncias, mudanças climática. Além disso, o que está sendo proposto para a saúde que é um direito de todos e dever do Estado, bem como para a educação…

A hora é de busca por informações seguras, sempre com as devidas observações e análises críticas sobre as fontes emissoras. É preciso listar o que não dá para aceitar mais, o que não tem amparo na verdade, no conhecimento baseado em fatos e dados. O voto consciente é fundamental para que a nação faça as necessárias transformações políticas, sabendo-se que tudo começa com a gente. Não dá para dizer que eu não sabia. É fundamental valorizar o voto e fortalecer a democracia.

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Gestão é o que todos precisam, mas nem todos ainda sabem que precisam. Essa é uma afirmação que tenho feito sempre que percebo a sua pertinência num determinado contexto. Por isso é que ela cabe nesse momento em que 60% do ano já foi embora, o que nos cobra fazer um balanço da nossa gestão individual visando atingir as metas estabelecidas para serem alcançadas até o final do ano. Será que os planos de ação formulados estão sendo cumpridos e os resultados parciais aparecendo na linha da meta a indicar que o rumo esta certo? Ou será necessário um reposicionamento estratégico em função de mudanças na conjuntura e nos cenários que poderão impactar nas entregas que nos desafiam?

O ponto aqui é fazer uma avaliação crítica, sem medo dos fatos e dados, sobre as metas pessoais, profissionais e familiares com as quais temos engajamento / comprometimento. Um método consistente a ser usado propõe que sejam respondidas as 5 perguntas básicas listadas a seguir:

• O que foi planejado em função das premissas da virada do ano, portanto há pouco mais de meio ano?
• O que foi executado nesse período de tempo?
• Quais foram os resultados parciais alcançados até o momento?
• O que está pendente no caminho traçado para o avanço da linha da meta?
• Quais são os próximos passos, inclusive levando-se em conta os reposicionamentos estratégicos em função da conjuntura atual e dos cenários que se desenham no horizonte?

É importante avaliar a consistência do que foi planejado e a sua capacidade para operar bem o plano de ação visando atingir as metas, com foco, disciplina, constância de propósitos e verificação da qualidade da gestão naquilo que só depende de você, de suas iniciativas e protagonismos. Só reclamar dos outros e se vitimizar não te levará ao resultado esperado.

É fundamental também ter em mente que nós respondemos pelos processos sobre os quais temos autoridade e que devemos acompanhar as variáveis que não controlamos, mas que nos impactam direta ou indiretamente. Por exemplo, a inflação oficial e setorial, a carga tributária, o aumento de preços administrados pelos governos da União, Estados, Municípios, crescimento da economia, tamanho do mercado de trabalho, a relação entre o real e o dólar…

Caro leitor, será que o resultado do seu balanço de meio do ano é satisfatório ou são muitas as correções na rota para que você consiga atingir suas metas até o final do ano?

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Encerrada a Copa do Mundo de Futebol, vencida pela Espanha, façamos um balanço. A Seleção Brasileira Masculina, sob a gestão da Confederação Brasileira de Futebol, foi eliminada precocemente, nas Oitavas de Final, em jogo contra a seleção da Noruega. Precisamos observar e analisar as causas que levaram essa equipe, que representa o melhor do futebol nacional, a um retumbante fracasso.

A primeira consideração nos remete ao planejamento e gestão estratégica da CBF, com suas crises políticas e disputas de poder, dificuldades crescentes para se reposicionar estrategicamente diante da mudança de cenários e os interesses comerciais prevalecendo sobre critérios técnicos, inclusive na convocação de alguns jogadores.

É interessante observar também como todos os principais envolvidos no processo, aí incluídos mídia e patrocinadores, ficaram presos à busca do hexa campeonato mundial, após seis Copas em que o fracasso triunfou. Vale lembrar como todos ficaram presos ao paradigma de melhor seleção do mundo após os 5 títulos conquistados no passado, entre os anos de 1958 e 2002, num intervalo de 44 anos cheio de hiatos e marqueteiramente chamado de penta. Presos ao paradigma, esqueceram-se que o passado glorioso não garante nada no presente e nem no futuro, se não houver a gestão para manter, melhorar e inovar o que se conquistou com as devidas adequações inerentes.

É fundamental lembrar sempre que, quando a história muda, tudo volta à base zero.

De hoje até a próxima Copa em 2030, o Brasil chegará lá, caso se classifique na fase eliminatória, com 28 anos consecutivos sem títulos e em busca do hexa campeonato outra vez.

Não dá para ignorar, negar ou arrumar desculpas para tentar justificar o acontecido.

Só as Bets foram campeãs.

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Curtas e curtinhas

por Luis Borges 15 de julho de 2026   Curtas e curtinhas

Os elementos de terras raras

As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos metálicos essenciais para a tecnologia moderna. Segundo Otto Levi Reis, Engenheiro Metalurgista, Especialista em Gestão Estratégica de Negócios e Diretor de Investimentos da Companhia Siderúrgica Nacional – CSN Mineração, as terras raras representam uma cadeia de valor composta por diferentes etapas.

A primeira é a extração do minério, algo que o Brasil já possui graças às reservas naturais. A segunda é a separação dos elementos que compõem as terras raras, processo que exige tecnologia. Já a terceira etapa é a fabricação de produtos que utilizam esses minerais. O Brasil precisa adquirir tecnologia para separar esses elementos e, principalmente, criar condições para desenvolver uma indústria capaz de fabricar produtos de maior valor agregado. É aí que está a grande oportunidade.

Em vez de apenas exportar matéria prima, poderíamos produzir baterias, componentes eletrônicos e diversos outros produtos de alta tecnologia utilizando recursos que já possuímos. Essa terceira etapa depende diretamente da competitividade do país. Carga tributária, ambiente regulatório e condições para fazer negócios são fatores que influenciam a decisão das empresas sobre onde investir e produzir.

Leia mais neste link.

Alguns números do iFood

Numa entrevista ao programa Mundo Corporativo da rádio CBN, a economista Luana Ozemela, vice-presidente de Impacto e Sustentabilidade do iFood, apresentou alguns dados sobre o porte da empresa e sua plataforma digital. Segundo ela, o iFood atende hoje a 550 mil estabelecimentos comerciais, que possuem 60 milhões de clientes cujas pedidos são atendidos por 600 mil entregadores diariamente. Desses, cerca de 25% não possuem o ensino médio completo.

Ela destacou a preocupação da empresa com a saúde e segurança dos entregadores, busca constante pela direção segura no trânsito, deficiências nas condições viárias das cidades e transparência com seus clientes e fornecedores.

Você já usou os serviços de entrega do iFood? Os prazos foram cumpridos ou ocorreram grandes atrasos? Como você avalia o comportamento dos entregadores no trânsito diante das metas que eles precisam atingir?

A desordem urbana em Belo Horizonte

Seu olhar atento tem percebido a quantas anda a desordem urbana da cidade de Belo Horizonte? Como está a aceitação e cumprimento do Código de Posturas Municipais?

É grande a quantidade de veículos literalmente abandonados em vias públicas por longos períodos, trazendo consequências para a saúde das pessoas, segurança e mobilidade.

As calçadas e vias públicas estão cada vez mais ocupadas por mesas, cadeiras e grades delimitando espaços para bares, botecos e restaurantes em diversos bairros, a começar por Santa Teresa, Lourdes, Santa Amélia e União, por exemplo.

Na Praça Duque de Caxias, no bairro Santa Tereza, é comum a presença de veículos estacionados no meio da praça tombada pelo Patrimônio Histórico, a realização de eventos sem alvará da prefeitura e tudo ficando por isso mesmo, ou seja, sem consequências. Também são frequentes a colocação de sacos de lixo domiciliar em dias e horários não programados para a coleta, além do surgimento inesperado dos bota-fora de qualquer natureza.

O que mais você acrescentaria a esses problemas?

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Vai passar

por Luis Borges 8 de julho de 2026   Música na conjuntura

Em 1984, o cantor e compositor Chico Buarque de Holanda fez, com Francis Hime, a música Vai Passar, que alcançou grande sucesso naquela época. A população brasileira era de 130 milhões de pessoas, o PIB tinha crescido 5,4% e a inflação anual foi de 215,26%. No campo político, a Emenda Constitucional Dante de Oliveira propôs eleições Diretas no país e gerou grande mobilização popular, notadamente do movimento “Diretas Já”, mas foi rejeitada pelo Congresso Nacional.

No ano seguinte, a ditadura militar chegaria ao fim.

A seguir, parte da letra.

Vai passar
Vai passar
Nessa avenida um samba popular
Cada paralelepípedo da velha cidade
Essa noite vai se arrepiar

Ao lembrar
Que aqui passaram sambas imortais
Que aqui sangraram pelos nossos pés
Que aqui sambaram nossos ancestrais

Num tempo
Página infeliz da nossa história
Passagem desbotada na memória
Das nossas novas gerações

Dormia
A nossa pátria-mãe tão distraída
Sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações

Hoje, passados 42 anos, temos população brasileira em torno de 213 milhoes de pessoas, estimativa de inflação de 5,3% ao final de 2026, crescimento anual do PIB em 1,99%, enquanto estamos a menos de 90 dias do primeiro turno das eleições para Presidente da República, Governadores dos estados, Senadores e Deputados.

O que esperar em relação às grandes e necessárias mudanças no país em prol da população que não faz parte do um por cento mais rico? Será que vamos sair desse longo ciclo de imensa concentração de renda nas mãos de pouquíssimos ou vamos nos conformar repetindo o mantra de que, para ficar rico, só roubando ou jogando?

Como se vê, passado quase meio século persistem cada vez mais sofisticadas as “tenebrosas transações” envolvendo o dinheiro público e os mais diversos segmentos da sociedade em suas organizações.

Qual é a ética nessa sociedade que se diz republicana, no Estado democrático de direito?

Quando vai passar a “Vorcarização” da política e da economia brasileiras exposta pelo escândalo do Banco Master, até agora sem uma CPI no Congresso Nacional? Não nos esqueçamos dos descontos não autorizados nos proventos mensais dos aposentados e pensionistas do INSS e muito menos dos penduricalhos na remuneração dos servidores do alto escalão do Poder Judiciário e do Ministério Público, nem das pessoas que moram nas ruas e dos que literalmente passam fome…

Aqui podemos nos lembrar das rachadinhas, das mordeduras em contratos de prestações de serviços e fornecimento de bens entre o setor público e o privado, a verificação da conformidade entre o especificado e o realizado com absoluta transparência e assim por diante. Quando será que tudo vai passar diante da metástase da corrupção?

Depende também de nós e tambémda nossa ação! Quem se cala, consente!

 

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No início de junho publiquei a pensata “Primeira consulta? Só particular, não atende pelo plano”. Recebi diversos comentários de leitores do texto, que compartilharam comigo as experiências vividas em planos diversos com limites técnicos igualmente diversos. É um material rico, que compartilho a seguir.

A principal dificuldade relatada pelos leitores foi a dificuldade de marcar uma consulta para uma data mais próxima. Muitos são os profissionais credenciados que reservam apenas um dia por semana para atender os clientes de planos. Existem outros que atendem apenas meio período – durante duas manhãs ou duas tardes da semana – entre dias úteis de segunda e sexta-feira.

Outra situação limitante se repete nos casos em que consultas são agendadas na primeira semana do mês, dentro da quantidade de horários previstos. Assim que são preenchidos, um novo período de reservas é anunciado para a primeira semana do mês seguinte.

Encontrar um horário na agenda de alguns profissionais de saúde é um desafio. / Imagem Pixabay

Pior é quando a consulta é marcada, mas só para dali a quatro meses. Aí chega uma urgência e o cliente precisa desmarcar e buscar outro profissional, pois não dá para aguardar tanto tempo. Vale lembrar que essas consultas têm a duração média de 15 minutos e não raro o profissional credenciado pelo plano acelera o processo quando a duração se aproxima do fim do tempo.

Diante dessa peleja toda para se conseguir uma consulta ainda existem casos em que o profissional não atende na hora marcada e gera atrasos até de uma hora. Uma leitora tinha uma consulta marcada com uma dermatologista para uma segunda-feira às 7h30, mas a médica só chegou ao consultório às 8h30, quando cinco clientes já estavam na sala de espera.

Um alerta feito por outro leitor foi para os clientes de planos coparticipativos. Muitas operadoras de planos aumentam anualmente, sem transparência, o percentual de coparticipação do cliente sem respeitar o que foi definido na assinatura do contrato. Assim, o percentual de participação numa consulta que no inicio era 15%, agora já chega aos 30%. O mesmo tem acontecido com outros serviços, como exames de análises clínicas, exames de imagens, cirurgias e internações hospitalares. Como estamos cansados de constatar que quem mais padece são os clientes, boa parte se sente impotente diante do desrespeito ao Código de Defesa do Consumidor, inclusive às condições estabelecidas no contrato com a operadora de um plano de saúde.

Outro comentário bem repetido foi sobre a agenda disponível para consulta, mas só particular. Num dos casos comentados surgiu vaga para o final da tarde do mesmo dia. Já para os dias seguintes, sempre existiam horários para livre escolha.

No caso de marcação de retorno da consulta médica, que precisa acontecer em até 30 dias, um cliente comentou que presenciou um médico dando bronca numa atendente por ela não ter marcado o retorno a partir dos 31 dias da consulta inicial. É que marcando no prazo legal de retorno, o médico “perde” a chance de cobrar nova consulta à operadora do plano.

É o que temos para o momento! Agradeço aos leitores por todos os comentários.

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Curtas e curtinhas

por Luis Borges 15 de junho de 2026   Curtas e curtinhas

A abstenção eleitoral de quem tem mais de 70 anos

O cientista político Jair Nicolau lançou recentemente pela editora Zahar o livro “O país dividido – Duas décadas de eleições presidenciais no Brasil”, analisando os pleitos entre 2002 e 2022. Ele chama a atenção para a necessidade de se aprofundar os estudos sobre a abstenção eleitoral, já que o voto é obrigatório para quem tem idade entre 18 e 70 anos. Um dado interessante em sua pesquisa é que, mesmo desobrigados de votar, 40% dos eleitores com mais de 70 anos compareceram às urnas no período pesquisado. As estimativas mais recentes do IBGE dão conta de que a população brasileira está em 213,4 milhões de pessoas, das quais 14, 6 milhões tem idade superior a 70 anos – 6,9% do total. Será que os estrategistas dos candidatos nas eleições presidenciais de 2026 estão atentos para a importância dessa faixa de eleitores?

A ampliação dos serviços prestados por farmácias e drogarias

A Associação Brasileira de Farmácias e Drogarias reúne as 29 maiores redes do país, com cerca de 11,5 mil unidades em todos os estados e no Distrito Federal, que respondem por cerca de 53% das dispensações de medicamentos no Brasil. A associação divulgou números interessantes sobre o setor, que mostram como essas empresas estão presentes no cotidiano.

As farmácias brasileiras têm expandido a receita com novos serviços que vão além da venda de remédios. Em 2025, as empresas do setor registraram cerca de 10 milhões de serviços realizados e 6,8 milhões de atendimentos distribuídos em aproximadamente 1.500 cidades. Nos três primeiros meses de 2026 a média foi de 40 mil procedimentos por dia.

Os serviços mais procurados são exames para identificar dengue, Covid-19, doenças respiratórias e tipos sanguíneos. A vacinação teve crescimento de 56% no número de doses aplicadas.

Aumenta o endividamento das famílias paulistanas

Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor feita pela Fecomercio-SP mostrou que o nível de endividamento dos paulistanos voltou a subir em maio e já atinge quase 8 em cada 10 famílias, o maior registrado nos últimos quatro anos. Em abril, a taxa era de 72,9% e chegou a 74,2% em maio, enquanto há um ano, o índice era de 71,2%.

A pesquisa também mostra que, em números absolutos, 3,33 milhões de lares na capital paulista lidam com algum tipo de dívida.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE estimou em 11,904 milhões a população da cidade em 2025.

Direitos autorais em festas juninas

Já estamos em pleno período de festas juninas de 2026, mas há contas pendentes de 2025. É o que afirma o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), responsável por recolher e distribuir os valores de direitos autorais gerados pela execução pública de músicas.

O Ecad divulgou que os “festeiros” do estado de Pernambuco foram os mais inadimplentes, com 20% dos valores não pagos de direitos autorais por execução musical entre os meses de maio e agosto do ano passado. É o estado com maior nível de inadimplência segundo o levantamento, seguido por Bahia, com 17%, e Amazonas, 12%. A soma dos calotes nos três estados chega a R$ 40 milhões.

O Ecad é um órgão civil, sem fins lucrativos e reúne as principais entidades de músicos, compositores e editoras musicais do país. O pagamento deve ser feito ao escritório quando músicas são tocadas em eventos públicos, como shows, festas, estabelecimentos comerciais e transmissões de rádio e televisão.

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