Precisou sair de casa

por Luis Borges 22 de junho de 2020   Pensata

Na manhã do sábado, 6 de junho, um professor de biologia do ensino médio na rede privada saiu de casa por volta das 8h, devidamente paramentado com a máscara no rosto e álcool em gel na bolsa. Seu destino prioritário era um laboratório de análises clínicas distante quatro quarteirões de sua casa. O pedido do exame de sangue para verificação da glicemia em jejum, colesterol, triglicérides e os clássicos da tireóide datava do final de janeiro. A correria louca de sempre fez com que tudo fosse sendo adiado. Depois veio o período do Carnaval oficial de Belo Horizonte com sua generosa duração para a alegria dos blocos nas rua. Em seguida veio a pandemia da Covid-19, isolamento social, ensino à distância e o fique em casa. Mas o professor percebeu, em função dos sinais dados pelo organismo, que algo havia se alterado em relação à sua tireóide e que não dava para postergar mais a realização dos exames solicitados no início do ano. Na curta caminhada foi observando alguns pequenos detalhes, ah! sempre os detalhes, que poderiam mostrar como está a disciplina das pessoas para cumprir as regras sanitárias em vigor.

Ao sair de casa contou 7 gatos na primeira esquina e viu o senhor Zé Maneco sem máscara, tomando sol, sentado numa cadeira colocada no passeio. Cumprimentos de bom dia foram trocados.  No quarteirão seguinte um motorista de automóvel de transporte por aplicativo com a máscara no queixo aguardava a chamada para atender o próximo cliente. Enquanto avançava na caminhada passou por ele uma pessoa sem máscara caminhando rapidamente. Chegando ao quarteirão de seu destino o professor viu uma pessoa tomando café o comendo pão encostada num veículo. Em seguida passou na porta da padaria onde só estava o agente de segurança e alguns metros à frente chegou à recepção do laboratório onde ficou em quinto lugar na fila para atendimento. Lá tudo estava funcionando em conformidade com os padrões sanitários.

O professor dispensou o lanchinho oferecido ao final do atendimento e, ao voltar para casa, passou na padaria, onde ficou em quarto lugar na fila formada na calçada, com todos usando máscaras. Enquanto aguardava pacientemente, ainda na calçada, a sua vez para ser atendido chegou um senhor idoso usando máscara, aparentando em torno de 65 anos de idade, que ignorou a fila, foi direto ao balcão, mas sem manter distância de outros clientes, escolheu seus produtos e saiu do local com um copo de café na mão. O agente de segurança justificou às pessoas da fila que é difícil tentar frear aquele perfil de cliente, pois poderia causar muita confusão no local.

O professor deixou a padaria após as compras e foi para casa observando mais detalhes do seu pequeno trajeto. Mais gente já estava circulando pela rua e a maioria usava máscara. Um quarteirão antes de sua casa o professor viu na calçada próximo ao meio fio uma máscara, 5 copos plásticos e um saquinho plástico contendo dejetos de um animal. Finalmente o professor chegou em casa por volta das 9h, cumpriu os padrões de segurança estabelecidos. Agora é aguardar os resultados e marcar uma consulta com o endocrinologista do seu plano de saúde complementar que, aliás, não deu nenhum desconto para seus usuários que nesse caso, ainda não foram tratados como clientes.

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O fim da história

por Luis Borges 20 de junho de 2020   Música na conjuntura

Se a crise que estamos atravessando exige muita criatividade e resiliência nas estratégias de sobrevivência, o que e como fazer durante o isolamento em casa sempre pensando que uma hora essa história terá seu fim? A música pode e deve ser uma importante aliada conforme as especificidades de cada pessoa ao longo de suas atividades durante as 24 horas do dia. Nesse sentido uma opção pode ser ouvir músicas durante a execução de uma determinada tarefa como arrumar a casa, lavar/passar  roupas, cozinhar e cuidar do jardim, da horta ou de plantas dos vasos. Outra possibilidade pode ser a escolha de um determinado momento do dia só para ouvir músicas dos gêneros preferidos durante 60 minutos, por exemplo.

No meu caso tem sido possível revisitar cantores, compositores e intérpretes da Música Popular Brasileira da metade do século passado pra cá. Na semana passada foi a vez de rever a obra do cantor e compositor Gilberto Gil cantando Domingo no parque, Viramundo, Procissão, Aquele abraço, Refazenda, Sítio do pica pau amarelo, Drão, Realce… Terminei ouvindo O fim da história, composição gravada em 1991, quando Fernando Collor era Presidente da República Federativa do Brasil.

Como bem disse o também cantor e compositor Luiz Gonzaga Júnior, o Gonzaguinha (1945 – 1991) em sua música Palavras, “Cantar nunca foi só de alegria, com tempo ruim todo mundo também dá bom dia”. Prosseguir é preciso e cantar faz parte do acalanto que embala nossa trajetória.

O fim da história
Fonte: Letras.mus.br

Não creio que o tempo
Venha comprovar
Nem negar que a História
Possa se acabar

Basta ver que um povo
Derruba um czar
Derruba de novo
Quem pôs no lugar

É como se o livro dos tempos pudesse
Ser lido trás pra frente, frente pra trás
Vem a História, escreve um capítulo
Cujo título pode ser "Nunca Mais"
Vem o tempo e elege outra história, que escreve
Outra parte, que se chama "Nunca É Demais"
"Nunca Mais", "Nunca É Demais", "Nunca Mais"
"Nunca É Demais", e assim por diante, tanto faz
Indiferente se o livro é lido
De trás pra frente ou lido de frente pra trás...
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Penso, logo desisto

por Convidado 17 de junho de 2020   Convidado

*por Sérgio Marchetti

Diante do quadro inédito que estamos testemunhando e vivendo ativamente é muito previsível que tenhamos um número acentuado de pessoas sofrendo de tristeza e depressão. É sabido que a quantidade de suicídios aumentou significativamente no mundo. Mas ainda não para por aí. As pessoas estão mais agressivas e inflamadas. Infelizmente, no Brasil, a guerra pelo poder é maior do que contra a pandemia. Lamentavelmente, as pessoas estão se digladiando nas ruas por interesses que nem são delas. E a impressão que me passam é a de que são zumbis, perdidos pelas avenidas, mas programados para agir.

Confesso que sinto muito medo disso. Já vimos ideologias políticas se transformarem em seitas assassinas e gerarem guerra mundial. Adolf Hitler e Josef Stalin, a exemplo desse condicionamento assassino e macabro, protagonizaram as maiores peças de terror de toda a história.

E hoje? Que fenômeno estaremos vivendo? Por que tantas pessoas estão apresentando reações estranhas? Ora, a carga psicológica da doença causada pela Covid-19 é intensa, constante e ainda crescente. Não precisávamos de sensacionalismo, oportunismo, inverdade, grosseria, desonestidade e drama, além da falta de ética acentuada e praticada exaustivamente por algumas mídias. Mas o que dói é saber que, por trás da informação, há interesses escusos, financeiros, políticos e sociais.

Sabem o que é mais difícil, meus caros leitores? É nos mantermos na neutralidade diante de um quadro caótico. Só para entender, comparando a um trabalho de consultoria empresarial, qualquer pessoa que tome posse na presidência de uma entidade só terá êxito se sua equipe for de sua confiança e estiver remando a favor dos objetivos comuns.  Não é a realidade brasileira. Será ruim para todos. No governo anterior, os ventos lhe foram mais favoráveis. Alerto, entretanto, que não houve nem haverá perfeição em nenhum dirigente. Pelo contrário. Todos tiveram deslizes e até crimes contra nosso patrimônio, nossa economia e nossas vidas – muitas delas perdidas e não contabilizadas, porque não era conveniente aos interesses midiáticos. Um certo ex-ministro já dizia que a gente só mostra o que nos é conveniente…

É difícil ser neutro quando o assunto é esporte, política e religião. Os olhos veem, porém, o cérebro emocional deturpa a visão. Mas daí, usar a pandemia…

Ainda assim, excluindo-se o paradigma de jogo de interesses – que por si só já se explica – podemos tentar entender o contexto e obter a verdade, recorrendo  à Grécia, em seu período helênico. Podemos ter, como amparo para argumento, o pensamento de que “nada acontece por acaso” (tem sempre um diabinho soprando em nossos ouvidos), da Escola Estoica, fundada por Zenão (V a.C). Em Sócrates, vislumbramos a busca da Verdade e da Ética que permitiria tornar os homens virtuosos. Eu disse, permitiria. Em Platão, um pouco mais à frente, surge a tese do Mundo das Ideias que continua em busca da verdade e da ascensão do homem para a realidade do bem. Preconizava o conhecimento, a força e a temperança, em síntese, a virtude da justiça.

Tempos mais tarde, outro filósofo de destaque, René Descartes (1596-1650), afirmava que “para conhecer a verdade é preciso, de início, colocarmos todos os nossos conhecimentos em dúvida, questionando tudo…”.

Diante das teses mencionadas, creio que estejam nos faltando, critérios de análise, coerência, verdade, ética, honestidade, visão sistêmica e, em contrapartida, estejam sobrando hipocrisia, desonestidade, corrupção e paixão cega. 

De tanto esperar, “de tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça…”.e me decepcionar, hoje, já não confio na palavra dos homens, tampouco e, sobretudo, em promessas políticas. Apenas em meu juízo de valores, não me conformo com o lucro em detrimento de vidas.

Vocês ainda querem saber por que há tanta depressão? Não é pela pandemia. Ela é a gotinha d’água. Eu lhes asseguro. É por vermos a degradação dos seres humanos, que trocaram a virtude pelo vício da desonestidade, equação que permite dizer que os meios fraudulentos justificam os fins.

Não é bom pensar e, se penso, logo desisto.

* Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

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O isolamento social rigorosamente observado desde o início da pandemia do novo coronavírus em Belo Horizonte levou à exaustão um casal e seus dois filhos. O pai de 40 anos, a mãe de 35, um menino de 8 e uma menina de 6 não se aguentavam mais dentro do apartamento de 98 metros quadrados e resolveram flexibilizar, “chutar o balde” para aliviar um pouco as tensões trazidas pelas incertezas.

A justificativa para se encontrar com outras pessoas depois de tanto tempo de isolamento foi promover uma comemoração dos emblemáticos 40 anos de nascimento de um membro da família na noite do sábado, 16 de maio. Também acabou sendo um passo inicial rumo à sonhada flexibilização do isolamento social, bastante pesado àquela altura dos acontecimentos para quem nunca vivera algo semelhante antes. Foram convidadas apenas 10 pessoas, sendo elas alguns parentes mais próximos do casal como pais, mães, irmãos e irmãs e dois amigos dos tempos de colégio, um arquiteto e uma advogada que, aliás, são casados.
Aos poucos todos chegaram ao apartamento em torno das 20h, horário definido para o início da comemoração. Foram recebidos pelo aniversariante na portaria do edifício devido ao sistema de segurança rígido para identificar facialmente os visitantes. A advogada chegou ofegante e queixando-se do desconforto visual dos óculos embaçados devido ao uso da máscara. E o arquiteto sentiu-se incomodado e inseguro devido ao tempo transcorrido entre a saída do automóvel e a abertura da porta do edifício.

A comemoração durou aproximadamente 3 horas e todos os presentes se livraram de suas máscaras ao se sentarem à mesa de jantar expandida e nos sofás. Depois de muitas conversas, comes e bebes chegou a hora de cantar parabéns para o aniversariante e soprar as velas acesas sobre o bolo, o que foi feito pelas duas crianças. Elas se esforçaram bastante até atingir o objetivo, mas acabaram lançando perdigotos sobre o bolo. Quase todos os presentes não se incomodaram com o ocorrido, a começar pelo aniversariante, e fecharam a comemoração comendo pedaços do bolo e os tradicionais docinhos. Entretanto o arquiteto sentiu-se incomodado com a falta de cuidados com o bolo e educadamente recusou o pedaço que lhe foi oferecido alegando se sentir saciado pelo o que já lhe fora servido. Quando tudo terminou o arquiteto voltou para casa com o propósito de não mais participar de festas de aniversário para não ficar constrangido diante da possibilidade de ter que ingerir algo que ficou aquém dos padrões de higiene. Segundo ele, se as pessoas não ligam para essas coisas, mas ele liga e se incomoda.

E você caro leitor, se fosse um dos convidados teria ido à festa de aniversário e também comeria um pedaço do bolo?

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por Luis Borges 8 de junho de 2020   Vale a leitura

Convivendo com pessoas tóxicas na família

O que fazer e como fazer para conviver com uma pessoa tóxica no seu ambiente familiar já que é da nossa cultura considerar que a família está acima de tudo? Dá até para imaginar o que deve estar acontecendo em muitos ambientes familiares ao longo do isolamento social nesses tempos de pandemia do Covid-19. É muita energia que vai embora enquanto pisamos em ovos para tolerar a canseira em nome da união familiar. Até quando agüentaremos viver com isso, inclusive no grupo de WhatsApp da família? É interessante a abordagem feita por Diego Garcia em seu artigo Família também pode ser tóxica: veja como lidar com esses casos, publicado no blog Viva Bem.

Ter um relacionamento, amigo ou conhecido tóxico é comum, quase todo mundo tem ou já teve. Mas quando essa pessoa é nosso familiar ou parente, nem sempre percebemos sua toxidade. Vale lembrar que nos referimos a comportamentos ou atitudes consideradas tóxicas que determinadas pessoas fazem e que são prejudiciais a outras e não a pessoa em si. Por mais que possa parecer visível, tendemos a tolerar atitudes tóxicas de familiares que, talvez, não toleraríamos de amigos ou pessoas mais próximas. E por quê? Porque historicamente somos ensinados a isso.

Home Office sob quais condições de contorno?

O trabalho profissional feito em casa andava a passos curtos no Brasil e ficou em evidência ao se tornar uma solução para muitos casos durante a pandemia de coronavírus que estamos enfrentando. É voz corrente que ele veio para ficar, mas é preciso se definir com clareza as condições em que será realizado. Afinal de contas trata-se de mais um capítulo envolvendo as relações entre o capital e o trabalho. Leia a abordagem desse tema feita por Pilar Jericó em seu artigo Como sobreviver ao eterno home office, publicado no site do El País.

O primeiro passo é organizar nossa agenda como se estivéssemos no escritório. Temos que revisar quais são as coisas importantes que devemos fazer, mas sem nos esquecer de reservar um tempo para responder e-mails, pensar ou comer tranquilamente. Muitas organizações caem no risco da reunionite digital, ou seja, o excesso de reuniões ou de chamadas telefônicas a qualquer hora e o consequente estresse. “Como não existe a barreira ou a desculpa das viagens ou das reuniões presenciais, supõe-se que todos podem se reunir a qualquer momento, mas não é assim”.

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Atendimento digital

por Luis Borges 3 de junho de 2020   Pensata

No finalzinho da tarde de quinta-feira, 14 de maio, uma senhora de 56 anos de idade, servidora pública em home office fez uma compra por meio digital num supermercado de Belo Horizonte.

 A propaganda do serviço a ser prestado era bastante atraente, pois não seria cobrada taxa de entrega que, aliás, seria feita o mais rápido possível em função dos pedidos existentes na fila. Afinal de contas os tempos são de pandemia, fique em casa, lave as mãos, use máscara…

O primeiro passo para fazer a compra foi o preenchimento da ficha cadastral no site da empresa. Logo em seguida o sistema emitiu uma senha de acesso para que fosse confirmada imediatamente pela cliente.

No início da noite foi digitado o pedido, que deveria ser superior a R$200 para que não se cobrasse a taxa de entrega domiciliar. Essa condição não constava na propaganda feita. Apesar de alguns itens faltantes não foi muito difícil completar o mínimo necessário, pois tudo está caro.

Na sequência foi a vez de definir a forma de pagamento, que poderia ser por cartão de débito em conta bancária ou cartão de crédito. A compradora optou pelo cartão de crédito e, para que a operação se completasse, teve de digitar o código de segurança do próprio cartão para confirmar o pagamento.

O sistema informou que a entrega seria feita na segunda-feira, 18 de maio, entre 13 e 18 horas. O prazo não foi cumprido e, após as 19h, a cliente entrou em contato com o supermercado pelo seu sistema de atendimento ao cliente – SAC. A espera foi longa – 60 minutos –  mas a paciência histórica foi maior ainda. A atendente fez a identificação da cliente pelo número do CPF, ouviu impacientemente a reclamação e, em seguida considerou, que ela não procedia, pois no sistema constava que os produtos comprados seriam retirados na loja de um determinado bairro.  Ironicamente perguntou se ela não tinha visto o comunicado enviado pelo supermercado informando o local de entrega do pedido feito. Após muita discussão sobre o cancelamento da compra e devolução do pagamento feito, o que ocorreria após três dias úteis, a atendente fez uma contraproposta final. O pedido de compra seria entregue no endereço residencial, no dia seguinte, terça-feira, 19 de maio, entre 8h e 13h horas mediante o pagamento de uma  taxa  de  R$20,00. Exausta e já necessitando de alguns produtos que constavam do pedido a cliente aceitou a contraproposta e constatou que mais 60 minutos foram gastos até que se chegasse a uma solução para o problema.

Após tudo isso, novamente a entrega do pedido não ocorreu no intervalo de tempo negociado. O jeito foi reclamar outra vez no SAC. Feita a nova reclamação a atendente fez contato com o motorista do caminhão de entregas que prometeu chegar ao endereço de destino às 16 horas o que acabou acontecendo.

Com tanto desgaste, será que a cliente fará novas compras utilizando-se do meio digital, ou dará um tempo na relação?

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Lá já se foram quase 70 dias de vigência de medidas na cidade de Belo Horizonte que orientam, recomendam e determinam o que deve ser feito para combater a disseminação do novo coronavírus – Covid-19. Não é meu propósito abordar a extensa pauta de variados temas e visões que envolvem a pandemia em curso.  Meu ponto é mostrar alguns poucos aspectos de conversas que tem permeado meu cotidiano na condição de aposentado, que não se recolheu aos aposentos, e que cumpre o isolamento social determinado.

Tenho mantido contatos com algumas pessoas que fazem parte do meu convívio social mais próximo – familiares e amigos, por exemplo – usando os dispositivos tecnológicos adequados e compatíveis com o momento que estamos atravessando. Invariavelmente as conversas se iniciam com as clássicas perguntas “como vai você” ou “como você e sua família estão passando”. É claro que as perguntas têm mão dupla. Tenho falado que estou buscando viver e sobreviver um dia de cada vez, na expectativa realista e esperançosa de que tudo isso vai passar mesmo sabendo que o horizonte ainda não está visível. Tenho realçado que a crise instalada trouxe para nós muitas incertezas, perdas, insegurança e medo num país extremamente desigual e concentrador de renda.

Também nas conversas surgem pontos e contrapontos sobre os procedimentos que precisam ser adotados por quem está em casa, nos meios de transporte coletivo ou em algum local de trabalho considerado essencial. Aí as conversas se intensificam, com as narrativas de experiências sobre uso de máscaras para proteger o nariz e a boca, a higienização de bens e instalações, a lavação das mãos com água e sabão diversas vezes ao longo do dia, o uso do álcool em gel nos ambientes em que falta água e como agem de maneira pouco cuidadosas algumas pessoas em supermercados, padarias e sacolões, por exemplo. Sempre pergunto sobre as cores das máscaras que cada um usa. A cor branca é citada pela maioria e, ao mesmo tempo, todo mundo fala que possui outras máscaras em variadas cores como preto, azul, cinza… Pelo menos duas pessoas já me disseram que escolhem a cor da máscara a ser usada em função do astral e do humor em que se encontram a cada momento do dia.

Para finalizar, vale lembrar que sempre tento especular um pouco sobre as expectativas que cada um tem quanto às mudanças do modo de ser e de viver da humanidade depois que a pandemia passar. Muitos são céticos e dizem que após o medo e o pânico passarem tudo será como antes. A conferir.

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