E quando a tecnologia não funciona?

por Luis Borges 29 de outubro de 2020   Pensata

O químico industrial Domiciano Barros Filho, 70 anos, aposentado, é cliente de uma operadora de planos de saúde regulamentados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar. Diante dos aumentos de preços anuais em percentuais muito além dos reajustes do valor de sua aposentadoria decidiu mudar de plano para adequar seu orçamento. Dessa forma foi preciso sair de um com ampla cobertura para outro co-participativo, obviamente com o preço menor. No último dia do mês ele fez a operação de cancelamento para que no primeiro dia do mês seguinte entrasse em vigor a nova modalidade. Entretanto, o primeiro boleto bancário a ser pago não chegou em tempo hábil. O jeito foi entrar em contato com a operadora, o que normalmente gera fadiga. Tentou resolver o problema pelo telefone 0800, mas a demora foi tanta que desistiu. Em seguida entrou no site e logo veio a mensagem dizendo que devido à greve dos correios a 2ª via do boleto deveria ser solicitada no próprio site.

Na sequência surgiram algumas surpresas. O sistema informava que Domiciano tinha dois tipos de planos de saúde ativos, embora tenha surgido na tela por ocasião do cancelamento do contrato anterior que “a operação foi realizada com sucesso”. Tudo isso nove dias após a solicitação. Novamente tentou contato telefônico com a operadora e esperou 40 minutos para que se iniciasse o seu atendimento. Após 30 minutos de conversas e diante das evidências objetivas a operadora admitiu que houve uma falha no sistema, pediu desculpas pelo incômodo causado e informou o cancelamento retroativo ao último dia do mês anterior, que seria feito nas 48 horas seguintes.

Outra surpresa veio com a tentativa de emitir a 2ª via do boleto pelo site. A operação não se concluía devido a uma alegada divergência no CPF ou data de nascimento cadastrados. De novo foi necessário um contato pelo telefone, quando foi reconhecido que havia um problema no sistema desde o dia anterior e que estava sendo providenciada a solução. A saída emergencial foi indicar um telefone específico através do qual seria registrado o pedido de emissão de um novo boleto, que finalmente chegou via e-mail. O tempo perdido ficou por conta do desperdiço e a tecnologia tão decantada pela operadora do plano mostrou que estava no modo vagalume apagado.

Outro fato que também causou surpresa ocorreu quando Domiciano se preparava para fazer o derradeiro exame laboratorial antes do cancelamento do plano anterior. O laboratório solicitou que se fizesse o check-in pelo site, mas nada funcionou apesar da tentativa ter sido feita às 9 horas do dia anterior ao exame. O sistema informava que o serviço só poderia ser feito de 7 horas às 17 horas. O check-in estava sendo tentado no intervalo de horas previsto, e após 3 tentativas sem sucesso veio uma voz dizendo “desculpa, sou um robô”. Então Domiciano, “jogou a toalha” e resolveu fazer o check-in no balcão do laboratório, com ou sem fila, meia hora antes do início do exame num domingo.

A sensação que ficou é que a tecnologia é bem vinda, mas desde que funcione o tempo todo. Você já passou por alguma situação semelhante a essa, num banco, operadora de telefonia, cartão de crédito ou em um plano de saúde, por exemplo?

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Estou pensando assim…

por Luis Borges 26 de outubro de 2020   Pensata

Nesse mês de outubro, no dia 24, completei 66 anos de nascimento. Nasci em Araxá, cidade eterna e capital secreta do mundo. Como tem acontecido nos últimos anos são muitas coisas que surgem na minha cabeça e que movimentam o meu outubro.

Tenho um amigo de longa data, que é 99 dias mais idoso que eu, que todo dia fica me lembrando a chegada cada vez mais próxima do dia 24. A reciprocidade acontece no período anterior a 17 de julho, dia do aniversário de nascimento dele.

Algumas pessoas me perguntaram como seriam as comemorações nesse ano e quais as perspectivas que tenho desenhado para os horizontes da minha vida. As comemorações clássicas, típicas de datas anteriores, deixaram de acontecer devido à pandemia que não acabou e ao protocolo sanitário determinando o distanciamento social. Quanto ao horizonte para o ano que vem acabei por filosofar um pouco com as pessoas que me encontraram pelo telefone. Ao ser perguntado como me sinto nesse momento de mais um ciclo da vida, que começou após os 60 anos, reafirmei a física dizendo que a energia do universo é constante e se manifesta de maneiras diferentes. Assim minha reflexão passa pelas condições funcionais que tenho em meu organismo, elas não são as mesmas de quando eu estava na lira dos 20 anos. Abordei também a minha crença de que a fase em que me encontro exige mais consciência sobre a finitude da vida e que a qualquer momento o nosso espírito deixará o nosso corpo e seguirá seu rumo em direção a outro plano espiritual.

Outra pauta foi sobre com quem contar para prosseguir na caminhada. Reafirmei que sempre contei, conto e contarei com a minha família, que é a base de tudo e de todo meu amor. Também conto com os laços familiares que são cultivados e com amigos que fiz ao longo da trajetória cuja amizade permanece em função do constante polimento.

Também houve abordagens sobre condições dignas de vida, inclusive na fase idosa. A expectativa é de continuar tendo o necessário para viver de maneira simples e com qualidade. Na questão política reafirmei que não me sinto representado por nada do que está aí, mas espero que o país saia da polarização e que voltemos à prevalência de uma sociedade respeitosa e sem ódio.

Por último, o tema que registrei  foi sobre o que fazer enquanto o tempo avança. Acredito que devemos lutar para não cair na condição de poliqueixoso permanente, pois isso pode ser um bom preceptor para a depressão e a melancolia. É importante ter projetos simples, mas constantes, de preferência que nos impeçam de ser “apo-sentados” nos aposentos .  O que posso fazer perante as condições que tenho?

Fiquei feliz com o meu aniversário!

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Vale a leitura

por Luis Borges 17 de outubro de 2020   Vale a leitura

E se você precisar do SUS? 

O Sistema Único de Saúde – SUS – existe há 30 anos e faz parte da garantia constitucional de que “a saúde é um direito de todos e um dever do Estado”. Apesar disso, são crescentes as tentativas de reduzir de diversas maneiras os recursos financeiros destinados ao sistema. É óbvio que a sua gestão deve passar permanentemente pela melhoria contínua de seus processos e pela inovação bem gerenciada.

Leia a abordagem de Roberto Trindade sobre o tema no artigo “Vida longa ao SUS” publicado no blog Viva Bem.

“Apesar de fazer parte de nossas vidas há 30 anos, uma parcela importante dos brasileiros não tem ideia da real abrangência do SUS. É comum ouvir, principalmente nos usuários da saúde suplementar (planos de saúde), a afirmação de que “nunca utilizaram o SUS para nada, nem para tomar vacina”. Ledo engano…”

E se a conexão cair? 

Às vezes, quando menos se espera, podemos nos sentir perdidos, parados no meio do mundo em busca de algo que nos falta para reconectar a um sentido mais amplo da vida. Mas se isso demorar para acontecer, o que e como fazer para sair dessa “areia movediça” ?

Conheça o que diz Sandra Caselato no artigo “O oposto do vício é a conexão”, publicado no ECOA.

“Considero a conexão uma das mais importantes necessidades humanas universais. Desde que nascemos precisamos do contato físico e emocional com outros para sobreviver. Bebês humanos são os mais frágeis dentre todas as espécies, pois precisam de atenção e cuidado por vários anos. Sem este contato e cuidado inicial não sobrevivemos. Conforme crescemos nossa necessidade de conexão não deixa de existir, porém, aprendemos numa sociedade capitalista, materialista e individualista a valorizar mais as coisas do que as relações, as pessoas e a vida. Assim vamos nos sentindo isolados, deprimidos, desconectados…”

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Contextualização e processo

por Convidado 15 de outubro de 2020   Convidado

*por Sérgio Marchetti

Há muitos anos, participei de um curso de consultoria que mudou a minha vida. Nele, aprendi que não se analisa um fato sem considerar o contexto. Tudo depende do contexto que envolve ambiente, situação, tempo, local, pessoas e uma série de fatores. Um criminoso pode não ser condenado se analisarmos profundamente o processo que o levou a cometer um crime. Ou seja, a vida é processual. Não é por acaso que os japoneses criaram a qualidade total. E, total, quer dizer visão de todo o processo. Também no mesmo curso recebi uma lição que me fez administrar com justiça e margem de erro reduzida qualquer processo. A lição trazia a sigla GOIA. Foi lançada num filme cujo nome era “Efeito Goia”. Resumidamente dizia: Gerencie Onde Incidentes Acontecem.

Os ensinamentos do curso foram tão valiosos que obtive autorização da presidência da empresa na qual trabalhava para conhecer, ao vivo, a realidade de suas filiais. E, assim, desta maneira, passei a viajar e, lhes asseguro que, durante quase três anos, pude compreender e resolver problemas que, estando distante, jamais teria tido o “timing” para buscar soluções, tampouco faria descobertas e obteria insights se não presenciasse os fatos lá bem no local. Sim, meus estimulantes leitores, como podem perceber, o segredo do sucesso estava na palavra presencial. E sabem por qual razão? Porque não há como ter empatia sem sentir na pele o que está acontecendo. E tudo, utilizando-se da estratégia de ver, ouvir e sentir, mas dentro do habitat dos outros profissionais. Talvez muitos de vocês se lembrem que, num programa noturno de domingo, uma emissora corroborava com esta ideia e demonstrava a importância de se estar no local. Normalmente, era um dirigente que, secretamente, se fazia passar por um empregado novo e com isso poderia vivenciar a realidade de cada lugar e, sobretudo, conhecer, literalmente, quem eram seus empregados. As descobertas foram magníficas.

Em todos os meus trabalhos, sejam eles de comunicação, gestão, planejamento estratégico, carreira, oratória (timidez, fluência, postura, conteúdo, pitch, etc) e outros, inequivocamente, utilizo o contexto para entender o porquê de cada fato. Reputo a isso a razão de meus acertos. Por isso, com os devidos e necessários cuidados, atendo presencialmente e treino pessoas que carecem de se apresentar ao vivo ou através de lives e podcasts. Os resultados em encontros presenciais são bem mais produtivos, eficazes e, obviamente, mais rápidos.

Sei que estão pensando que no “novo normal” (detesto o termo) todos os aprendizados dos quais estou relatando serão inócuos. E que, no mundo virtual, o que vale é dominar a tecnologia. Mas e se pudéssemos trabalhar com um pouco de presencial somado ao virtual? O ser humano necessita de conversar, de argumentar, de convencer, de ser ouvido, de fazer parte, de ser parte, de ser importante e útil e, sucintamente falando, precisa de existir. Ver Paris na tela de um computador ou pela televisão não é igual a estar lá e sentir o cheiro do lugar, o frio ou o calor. Caso assim fosse, ninguém precisaria viajar tanto. E a cada dia viajamos mais.

Mestre Gonzaguinha disse:

“Um homem também chora/ Menina morena/ Também deseja colo/ Palavras amenas/ Precisa de carinho/ Precisa de ternura/ Precisa de um abraço/ Da própria candura…” 

Compactuo com a mensagem da música. Homens e mulheres precisam da presença de gente, pois somos vida, energia que só circula presencialmente.

Quem não gosta de um aconchego? De estar ao vivo com alguém que é importante para você?

“…Querendo um sorriso sincero, um abraço/ E toda essa minha vontade/ que bom poder estar contigo de novo/ roçando teu corpo e beijando você…” (Dominguinhos e Nando Cordel)

“Temos que ir à procura das pessoas, porque podem ter fome de pão ou de amizade.” (Santa Tereza de Calcutá).

* Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

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Um ano se passou e chegamos ao 1º de outubro, Dia Mundial da Pessoa Idosa. A novidade em relação ao ano passado é que dessa vez temos a pandemia da Covid-19 e os idosos são considerados membros de grupo de risco para a infecção. Tudo fica mais ameaçador se houver doenças pré-existentes, principalmente as descontroladas. A lista delas é falada “de cor e salteado” pelos mais informados – ou pelos os mais preocupados…

Mas que balanço podemos fazer sobre as melhorias e as “piorias” das condições de vida para as pessoas idosas após esse um ano que se passou? De cara podemos dizer que o número de idosos brasileiros está em mais de 28 milhões segundo o IBGE e a Organização Mundial de Saúde.

A reforma da previdência cravou em 65 anos a idade mínima para a aposentadoria de homens e 62 para mulheres. Enquanto isso, a lei brasileira define o idoso como uma pessoa com idade superior a 60 anos e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada tem estudos propondo a reforma do marco inicial da idade do idoso, que passaria a ser a partir dos 65 anos. Os argumentos básicos são o aumento da expectativa de vida da população e um alívio nos gastos com a Previdência Social. Haja reformas sem crescimento econômico e muitos desperdícios nos gastos públicos!

Também é importante lembrar que o poder aquisitivo no país caiu na faixa entre 17% para os mais ricos e 28% para os mais pobres (a maioria), ou seja, os idosos fazem parte desse bolo.

A inflação medida pelo IPCA do IBGE nesses últimos 12 meses (outubro/19 – setembro/20) ficou em 3,04% enquanto pelo IGP-M da FGV ficou em 19,4% (usado para reajustar aluguéis). A inflação específica para idosos é quase sempre maior que a oficial. Agora os aposentados, idosos ou não, podem fazer empréstimos bancários consignados comprometendo até 40% do valor do salário e por no máximo 84 meses (sete anos). A Caixa Econômica Federal está cobrando juros mensais de 1,5% para quem tem relacionamento com a instituição e 1,6% para quem não tem. Anualmente essas taxas significam juros em torno de 20%. O que não é novidade é o fato dos idosos fazerem empréstimos consignados para ajudar irmãos, filhos, noras, netos e amigos. Entretanto muitos não recebem do credor conforme o combinado, em diversos casos sem receber a menor satisfação, mas ficando com o sufoco financeiro e as relações pessoais abaladas por tentar receber o valor emprestado em confiança.

Agora fico pensando que “novidades” os idosos poderão esperar até o seu próximo dia no ano que vem. Quem sabe se até lá surgirão propostas como a criação do mês do idoso, tipo Outubro Branco, e a idade mínima para ser considerado idoso passe para 70 anos. Criatividade não falta!

Abordei aqui alguns novos problemas que surgiram no caminho dos idosos nesse período mais recente e que se somam a inúmeros outros problemas crônicos não solucionados. Não consigo entender como, ainda assim, aparecem pessoas e instituições dizendo que esta é “a melhor idade”. Sou esperançoso mas profundamente realista.

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Simplesmente sumiu

por Luis Borges 5 de outubro de 2020   Pensata

Sabe aquelas pessoas, amigas de longa data, que de repente somem e não dão sinais de que alguma coisa diferente pode estar acontecendo? Isso aconteceu comigo. Na segunda quinzena de agosto, quando começou a surgir em meu radar seguidas vezes a imagem de uma amiga com quem converso pelo telefone, menos pelo fixo e mais pelo celular, em diferentes momentos, comecei a ficar intrigado. Diante da inquietante preocupação e entre uma atividade e outra que acabam levando o dia embora, telefonei para a amiga que, após dizer “alô”, ouviu de mim a clássica réplica “você sumiu, o que está acontecendo?”. A tréplica foi imediata: “peguei Covid-19 e passei um perrengue danado!”.

Apesar de seguir todas as orientações sanitárias e só ir às ruas para fazer o que é estritamente necessário, ela começou a sentir dores no corpo e desconforto respiratório… No terceiro dia em que as coisas só pioravam chamou o marido e foram a um hospital credenciado pelo seu plano de saúde co-participativo.

Lá chegando teve a paciência histórica de passar por todos os protocolos até ouvir a sentença de que deveria ficar internada. Foi constatada uma hipóxia silenciosa (sem sinais aparentes) – redução das taxas de oxigênio no ar, no sangue arterial ou nos tecidos – ou seja, a sua saturação de oxigênio estava em 87% quando o mínimo admitido é de 90% e existem especialistas que preconizam 95%.

O fato é que minha amiga ficou internada 3 dias e teve alta após permanecer com a saturação de oxigênio em 92% durante 24 horas, obviamente sem usar o respirador.

Ela cumpriu a quarentena isolada num dos quartos do apartamento no edifício em que mora. Interessante é que num determinado momento sua filha se cansou da comida fornecida por um restaurante e começou a produzir algumas refeições em casa para variar um pouco o sabor.

Tudo foi muito desafiante, inclusive ver o tempo passar rumo ao futuro, mas a resiliência prevaleceu no melhor estilo do “enverga, mas não quebra”.

Mas uma coisa importante que a amiga fez foi informar à sindica e aos zeladores do prédio de 20 andares a sua condição momentânea. Aliás, ela ficou sabendo dias antes da internação hospitalar de um caso de escândalo, “um barraco”, causado por uma pessoa de um outro prédio ao tomar o elevador no 6º andar e se deparar com um morador devidamente protegido e que estava curado da infecção. A cena foi constrangedora, segundo o relato de quem recebeu o ataque.

Que decisão você tomaria se estivesse no lugar da minha amiga?

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Algum recado?

por Luis Borges 2 de outubro de 2020   Música na conjuntura

O cantor e compositor Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, o Gonzaguinha, se estivesse entre nós, teria completado 75 anos de idade no dia 22 de setembro, chegada da primavera no hemisfério Sul. Ele nasceu no Rio de Janeiro em 1945 e faleceu num acidente automobilístico na rodovia PR-280 no município de Marmeleiro, no Paraná, em 29 de abril de 1991, aos 45 anos. Em 1978 ele compôs e cantou a música “Recado”, mesmo nome de seu disco lançado naquele ano, onde mais uma vez ele se posicionou claramente em relação ao seu jeito de ser, seus propósitos e seu aguerrimento em plena vigência da ditadura militar, sempre combatida por ele.

Agora, 42 anos depois, que releitura podemos fazer dessa música? Será que ela nos inspira também a deixar uma mensagem, um aviso, um alerta diante das complexas variáveis que estamos enfrentando na política, na economia, nas condições sociais, culturais, tecnológicas, ambientais e legais que permeiam nossas estratégias de sobrevivência em condições tão adversas?

Já estamos passando pela campanha eleitoral para as eleições municipais que elegerão prefeitos e vereadores em 15 de novembro. Serão muitos ou apenas alguns os recados que serão dados através das urnas? Será que ainda vale o dito popular de que “Quem avisa amigo é”?

Recado 
Fonte: Letras.mus.br

Se me der um beijo eu gosto 
Se me der um tapa eu brigo 
Se me der um grito não calo 
Se mandar calar mais eu falo 
Mas se me der a mão 
Claro, aperto 
Se for franco 
Direto e aberto 
Tô contigo amigo e não abro 
Vamos ver o diabo de perto 
Mas preste bem atenção, seu moço 
Não engulo a fruta e o caroço 
Minha vida é tutano, é osso 
Liberdade virou prisão 
Se é amor deu e recebeu 
Se é suor só o meu e o teu 
Verbo eu, pra mim já morreu 
Quem mandava em mim nem nasceu 

É viver e aprender 
Vá viver e entender, malandro 
Vai compreender 
Vá tratar de viver 
Viver e aprender 
Vá viver e entender, malandro 
Vai compreender 
Vá tratar de viver 

E se tentar me tolher é igual 
Ao fulano de tal que taí 
Se é pra ir vamos juntos 
Se não é já não tô nem aqui.
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