Vale a leitura

por Luis Borges,  2 de fevereiro de 2015   Vale a leitura

Mitos sobre suicídio e como preveni-lo – Existem levantamentos de dados mostrando que o suicídio é a décima causa de mortes no mundo e vitima 1 milhão de pessoas por ano. Já as tentativas de suicídio chegam a 20 milhões no mesmo período. Ainda assim, o tema é pouco divulgado pela mídia, principalmente no que tange às ocorrências diárias. Porém, a discussão sobre suas causas está crescendo, mas ainda existem muitos mitos sobre o tema e também muitas orientações sobre como enfrentá-lo. É o que mostra este artigo da administradora e dramaturga Camila Appel, publicado em seu blog no jornal Folha de São Paulo.

Não viu quem não quis – Um conhecido ditado, que é muito lembrado em períodos eleitorais, diz que “o feio é perder as eleições”. Sendo assim, tudo passa a valer para justificar o fim almejado. As eleições de outubro passado apresentaram alguns bons exemplos de informações que foram omitidas ou negadas com o intuito de não prejudicar a obtenção dos resultados esperados por alguns candidatos. Assim, não faltava água para o abastecimento público em São Paulo e Minas Gerais, apesar da seca, da queda dos níveis dos reservatórios de água e do racionamento sentido no dia-a-dia pelas pessoas. No plano federal todos os direitos sociais estavam garantidos, a inflação sob controle e nenhum imposto seria aumentado. Agora que tudo já está consumado sob a égide da democracia, ainda que seja a representativa, veio a realidade em nome da adequação e correção de distorções. A falta de transparência embalou doces mentiras e a história se repetiu como farsa. Leia aqui alguns ângulos desta questão abordados pelo filósofo Hélio Schwartsman.

Prazer no consumo – No final do ano passado ouvi uma pessoa verbalizar e enaltecer o prazer e a felicidade que sentia ao fazer compras. Segundo ela, que é de classe média alta, a ida ao Shopping Center pelo menos três vezes por semana atenuava seus problemas e, em alguns momentos, ela chegava até a se esquecer deles, e tudo dava lugar ao prazer. Uma pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito -SPC Brasil – e pelo portal de educação financeira “Meu Bolso Feliz” mostrou que essa pessoa que ouvi não está sozinha. Leia mais aqui.

Para metade dos brasileiros a sensação de prazer é um fator preponderante na hora de tomar a decisão [de compra]. Conforme o levantamento realizado com 620 pessoas das 27 capitais brasileiras, entre as classes A e B, esse percentual é maior e alcança 68%. Ou seja, para sete em cada dez brasileiros dessas classes sociais, o consumo está ligado a sensações prazerosas.

Eleições na Grécia – O engenheiro civil Alexis Tsipras, 40 anos, tornou-se o novo primeiro ministro da Grécia após a vitória do seu partido Syriza, que é de esquerda, nas eleições do dia 25/1. Essencialmente, sua proposta é de ruptura com a austeridade assumida pela Grécia ao negociar com a Comunidade Europeia e o FMI uma saída para a dívida grega, equivalente a 175% de seu PIB. Diante de sua radicalidade até chegar ao poder, já se especula sobre como ele se comportará daqui pra frente nas negociações e buscando ser coerente com as suas posições de esquerda e de seu partido. Leia neste artigo a pergunta do jornalista Paulo Nogueira, do Diário do Centro do Mundo, tentando raciocinar com as possibilidade de Tsipras se posicionar de maneira semelhante a Lula quando Presidente do Brasil ou a Chaves na presidência da Venezuela. Será que ele não poderá inaugurar um estilo próprio, e que poderia se transformar e virar uma referência para outros líderes emergentes no mundo?

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Na entrada do metrô, várias catracas em linha. Mas poucas estão livres para a entrada dos passageiros. Grades ou portas de ferro impedem a passagem na Estação Minas Shopping do metrô de Belo Horizonte.

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Foto: Sérgio Verteiro

A fotografia acima foi tirada ontem, dia 29/1, por volta das 13h na estação citada. Note que a grade fecha uma entrada de cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida, além de algumas catracas comuns.

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Foto: Sérgio Verteiro

Em outro momento, na noite do dia 23/1, sexta-feira passada, a porta de metal estava fechada, bloqueando catracas e também uma das entradas para cadeirantes. Apenas as passagens para usuários de cartões de transporte estavam funcionando plenamente.

São duas situações semelhantes em curto espaço de tempo, o que nos faz pensar se há defeito e portas sem manutenção ou se é apenas uma diretriz de diminuir a quantidade de catracas para os usuários.

Mobilidade e acessibilidade são palavras que estão sempre na ordem do dia. São termos de profundo impacto no sagrado direito de ir e vir das pessoas. A expectativa que temos é a de encontrar sempre instalações, equipamentos e ambientes amigáveis para todos os que deles necessitam, independente da existência ou não de limites físicos individuais. O pouco caso, o descuido ou a negligência muito nos assustam. Haja paciência e persistência!

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A Via 710 ligará a avenida dos Andradas, na região leste de Belo Horizonte, à avenida Cristiano Machado, na região nordeste. Sua extensão será de 4 km e o término da obras estava previsto, inicialmente, para antes da Copa do Mundo, em 2014. O que não aconteceu.

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Foto: Sérgio Verteiro

Em nome da mobilidade urbana, a obra será ligação direta entre as duas regiões, passando pelos bairros  Instituto Agronômico, Horto, Dom Joaquim e União. Dificuldades na desapropriação de imóveis e remoção de famílias que estão em áreas invadidas são algumas das causas alegadas pela Prefeitura para os atrasos na construção. Segundo uma matéria do Jornal Estado de Minas publicada à época, a licitação da obra foi homologada pela Prefeitura em 29 de julho de 2014. A partir da emissão da ordem de serviços, o empreendimento teria a duração de 18 meses com investimentos de R$ 145 milhões. No site da Prefeitura, explica-se que a diretriz para a criação da via tem mais de 30 anos.

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Foto: Sérgio Verteiro

Nas fotografias deste post estão locais por onde passará a Via 710. Todos no bairro União, próximos ao Minas Shopping.

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Foto: Sérgio Verteiro 

Quem passa ao lado, na av. Cristiano Machado, poderia imaginar esse cenário próximo, a poucos metros da pista de rolamento?

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Curtas e curtinhas

por Luis Borges,  28 de janeiro de 2015   Curtas e curtinhas

Ações da Copasa – Por volta das 14h30 de ontem as ações da Copasa MG ON estavam cotadas a R$ 16,14 na Bolsa de Valores, chegando aos R$17,40 às 17h. Em 29/12/14 a cotação da mesma ação era de R$ 24,86 e, em 2013, ela chegou a valer R$ 44,00. A Copasa chegou à Bolsa de Valores em 2006, lançando suas ações a R$ 17,00. Como se vê, não é só o nível dos reservatórios que está baixo nesse início de ano. Em tempo, você pode acompanhar as mudanças nos reservatórios neste link.

Carnaval de Sabará – A Prefeitura de Sabará cancelou o “chuveirão” do seu carnaval desse ano, evento que há 20 anos refresca os foliões na praça Santa Rita, localizada no centro histórico da cidade. O jeito será torcer para que chova 4 dias sem parar.

Vidas secas – Diante da seca do Sudeste, que tal ler ou reler o livro “Vidas Secas”, escrito por Graciliano Ramos? Lançado em 1938, ele retrata o flagelo da seca no Nordeste, além do coronelismo e da exploração humana.

Educação financeira – Os juros do cheque especial passaram de 200% ao ano em 2014. Os do crédito rotativo do cartão de crédito beiraram os 300%. A educação financeira continua fazendo falta a muita gente indisciplinada e adepta do “consumo, logo existo”.

Inflação e PIB – Os economistas ouvidos pelo Boletim Focus do Banco Central para a pesquisa publicada na última segunda-feira projetaram inflação anual de 6,99% e crescimento do PIB de apenas 0,13%. Os preços administrados pelo Governo Federal, muitos deles passando por “tarifaços”, são a causa maior do repique inflacionário. Sem sinais de crescimento econômico as pessoas e os negócios tenderão a se pautar por estratégias de sobrevivência e manutenção. A conferir

Direitos sociais – Finalmente as centrais sindicais dos trabalhadores começaram a se despertar e a sinalizar para o Governo Federal que são radicalmente contra as propostas governamentais que reduzem os direitos sociais relativos ao seguro-desemprego e à pensão por morte da Previdência Social. O Ministro da Fazenda e o da Secretaria Geral da Presidência bateram cabeça em suas posições divergentes. Aliás, o Ministro da Fazenda praticou o “sincericídio” em Davos, na Suíça, ao criticar o modelo atual do seguro-desemprego. Como na campanha eleitoral a Presidente da República falou que não mexeria nos direitos sociais, ela está diante de uma ótima oportunidade para voltar atrás em suas medidas que almejam economizar R$ 18 bilhões, dos quais R$ 9 bilhões sairiam do seguro-desemprego. Interessante notar que só o aumento salarial dos Ministros do STF, Poder Judiciário, Deputados e Senadores consumirá R$ 4 bilhões anualmente.

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Imagem aérea da Granja do Torto, em Brasília, onde Dilma Rousseff se reuniu, ontem, com seus ministros. | Foto: Ichiro Guerra/ Presidência da República, retirada deste link.

Primeira reunião – A Presidente da República fez, ontem, a primeira reunião com os seus 39 ministros, escalados para o início de seu segundo mandato. Apesar do número “40” ser emblemático, já ecoam propostas para que se crie o Ministério das Águas ou até mesmo o do Saneamento Básico. Esse ministério sairia de uma costela do Ministério das Cidades. Os defensores da ideia lembram que existem Ministérios para Minas e Energia, Transportes, Comunicações, entre outros, que sempre tratam de temas ligados às cidades. A conferir

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No Natal de 2014, visitamos a querida e sempre bem-humorada tia Luci Barreto Borges, em Araxá (MG). Durante o seu clássico café da tarde, acompanhado de pães de queijo, biscoitos de polvilho, café novinho, queijo e boa prosa, conversamos sobre receitas que ela usa em sua arte culinária. De repente, ela tirou do seu arquivo uma edição do Correio de Araxá do dia 03 de setembro de 1961. O jornal registra a história da cidade desde 1957, ininterruptamente.

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Capa do jornal / Foto: Marina Borges

Interessante foi notar a divulgação de um comunicado do Departamento de Águas da Prefeitura Municipal falando da seca do período, da escassez da água, do combate a vazamentos, da necessidade de se fazer economia e do pedido para que se denunciasse quem não estivesse colaborando com as medidas propostas. Naquela época a cidade tinha em torno de 28 mil habitantes, Tia Luci estava com 25 anos e eu com apenas 6 anos e 10 meses.

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Foto: Marina Borges

Hoje, quase 54 anos depois, a história se repete com a intensa seca do Sudeste brasileiro, cujo ciclo se iniciou em 2012, que se acentua pela escassez de água nesse janeiro. Agora a população da cidade está estimada em pouco mais de 101 mil habitantes, que estão sendo chamados pela Copasa, sucessora do Departamento de Águas da época, para reduzir o consumo em 30%. Que lições podemos aprender com mais uma crise da água? Estamos diante de mais uma oportunidade, sabendo que o sapo não pula por boniteza, só por necessidade, mesmo sendo anfíbio.

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Vale a leitura

por Luis Borges,  25 de janeiro de 2015   Vale a leitura

Trabalhar em casa como autônomo – Frequentemente converso com pessoas que se dizem insatisfeitas com o trabalho assalariado, no qual cumprem a clássica jornada diária de 8h às 18h. Esse formato geralmente inclui 2 horas para o almoço, férias anuais e benefícios como plano de saúde, vale refeição/alimentação e participação em resultados. Em determinados casos a insatisfação é resolvida com o abandono da condição de assalariado e a busca do próprio negócio, que as vezes começa de maneira autônoma e feito em casa. Essa mudança de ares traz consigo outros parâmetros e exige muito conhecimento das necessidades do mercado, foco, resiliência e muita vontade de trabalhar sem a amolação de um superior hierárquico. Fazer essa virada é um desafio permanente, mas que é possível de ser vencido, principalmente quando se pensa em satisfação pessoal e se enxerga o faturamento anualmente. Leia neste artigo o relato de Thais Godinho, que há sete meses está trabalhando em casa, como autônoma, onde também vivem seu marido e seu filho de 5 anos. Você que está insatisfeito com a sua condição atual, se sente pronto para dar um salto desses? Ou será que é melhor deixar do jeito que está, para verificar como tudo ficará no final do ano, enquanto sua vida se organiza e a sua visão se clareia?

O hábito faz a crise – No último Vale a Leitura citamos alguns números importantes sobre o uso da água no Brasil. Os 10% destinados ao consumo humano são geridos pelas Companhias Estaduais de Saneamento e pelos Sistemas Municipais de Água e Esgoto, que começam a assumir a escassez do líquido, em mais um período de seca prolongada. Apesar das altas perdas, que chegam em média a 37%, o cenário é de racionamento e de multas para quem gasta água em excesso. Para se conseguir uma redução de 30% no consumo, como propôs a Copasa/MG, será necessário mudar hábitos e atitudes perante os desperdícios. Isso vale para as empresas e órgãos públicos que trabalham no setor e, obviamente, para as pessoas e organizações usuárias dessa água. Leia neste artigo a reflexão da jornalista Paula Cesarino Costa, no qual ela enfatiza que:

“Toda mudança começa ao redor de quem as deseja. Quase ninguém é monge, mas o hábito faz a crise.”

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Riqueza concentrada – A riqueza de 1% da população mundial deve ultrapassar a dos outros 99%, diz a ONG Oxfam Internacional. Segundo seu documento, 80 bilionários do mundo possuem uma riqueza equivalente à de 3,5 bilhões de pessoas, ou seja, a metade da população mundial. O abismo entre pobres e ricos voltou a se acentuar a partir da crise econômica de 2008. Na prática, os super ricos acabam se vendo obrigados a viver enclausurados em suas fortalezas para se sentirem seguros diante da brutal concentração de renda. O que fazer para mudar esse quadro? Segundo o analista econômico José Paulo Kupfer, distribuir melhor esse dinheiro é parte da solução.

Meta na meta – A meta de inflação do Governo Federal já foi abordada aqui no Observação & Análise algumas vezes. Refletimos sobre a “alquimia” dessa meta, sobre os impactos da inflação no cotidiano e lembramos que essa “criatividade” na hora de fixar e acompanhar metas contraria os princípios da gestão. Por isso, indicamos a leitura deste artigo do economista Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central. Ele defende que devemos nos focar na meta de 4,5% no lugar de, enganosamente, pensarmos que o índice de 6,41% da inflação de 2014 foi um resultado aceitável e dentro da meta. Boa leitura!

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Vivemos na era da incerteza, que se caracteriza pelas mudanças permanentes, como que a nos dizer que um pouco de tudo ou de nada pode acontecer a qualquer momento. Nenhuma certeza é definitiva e tudo é relativo em função dos referenciais que temos. Um grande suporte para ajudar no nosso posicionamento perante tantos desafios está no conhecimento, que aparece para nós por diversos meios e formas. Numa sequência bem lógica podemos dizer que a partir de fatos e dados obtemos informações, que, se bem tratadas, virarão conhecimento. É com ele que tomaremos decisões que nortearão nossos posicionamentos e reposicionamentos em função das necessidades e expectativas que nos desafiam.

Aqui surge um divisor mostrando que uma coisa é o que depende só de nós e cujo processo dominamos e sobre ele temos autoridade. Outra coisa, e isso é o mais difícil, está naquilo que não controlamos e que dependemos de outros. Nesse caso, nos resta acompanhar o que está acontecendo mas nos impacta em diferentes intensidades.

No Brasil que se diz republicano e plural  existe um discurso em nome da transparência nas relações da sociedade, mas a prática ainda mostra distância entre a intenção e o gesto. A Lei de Acesso à Informação veio em boa hora, mas ainda não é respeitada plenamente e às vezes é driblada pela pouca facilidade existente para se encontrar o que está sendo procurado.  Isso nos dá a sensação de algo que está escondidinho e reduz a confiabilidade da fonte consultada.

Imaginemos como muitos de nós estamos desnorteados nesse longo período de seca e escassez de água. Qual seria  a real situação da água disponível para o abastecimento público em Belo Horizonte e região metropolitana? E nos demais municípios do estado? Somente na quinta 22/01, a Copasa começou a abrir a lata e a mostrar efetivamente os indicadores da real situação do momento. Espero que isso passe a ser uma prática permanente e respeitosa aos direitos de cidadania da população. Isso vale também para os Sistemas Autônomos de Água e Esgotos dos demais municípios.

O benefício da dúvida nos permite perguntar: será que a situação de Belo Horizonte já apresenta alguma semelhança com a de São Paulo?  A expressão, “usar o volume morto da água de um sistema” já está ganhando destaque, mas é preciso dar um norte para todos, inclusive para quem já começou estocar água mineral em casa.

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Toda chuva, hoje, está sendo comemorada. / Foto: Marina Borges

No caso da energia elétrica, como não acreditar em novos apagões diante dos níveis baixíssimos da maior parte dos reservatórios e dos picos de consumo ao longo das tardes no Sudeste? São confiáveis as informações passadas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico?

Como se posicionar em função das projeções dos Institutos de Meteorologia?

O instante exige transparência, clareza e confiabilidade das informações que devem ser disponibilizadas na sua plenitude e comunicadas de maneira simples e compreensível para todos os envolvidos e interessados. Atender às necessidades e expectativas das pessoas significa ter e praticar a qualidade na gestão da informação. E isso não dá para terceirizar ou simplesmente fugir da responsabilidade. Problema é para ser resolvido e os programas apresentados nas recentes eleições devem ser cobrados o tempo todo. Afinal de contas quem herda o cargo, herda também os encargos.

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Curtas e curtinhas

por Luis Borges,  21 de janeiro de 2015   Curtas e curtinhas

Seca prolongada – A Sabesp, empresa de saneamento básico do estado de São Paulo registrou 60,9 milímetros de chuva na bacia do sistema Cantareira no período de 1 a 20 de janeiro. Isso equivale a 22,5% da média histórica para janeiro. Nos meses de outubro, novembro e dezembro do ano passado choveu apenas 60% do que foi registrado em outros anos. A continuar assim, o jeito será reduzir a quantidade de água captada no sistema e, obviamente, racionar o seu consumo. Será que as autoridades vão assumir isso de peito aberto? O mínimo que podemos esperar é que haja transparência nas informações e acesso fácil a elas. Como será que está a real situação das águas em Minas Gerais? 

Ouro Preto – O Serviço Municipal de Água e Esgoto da histórica, turística e universitária Ouro Preto iniciou nesta semana o rodízio no abastecimento de água à sua população. As partes montanhosas serão as mais afetadas diante da distribuição de água dia sim, dia não. A medida foi tomada no momento de grande estiagem e de forte calor, não tendo data para terminar. Tudo vai depender da intensificação do período chuvoso que nem a meteorologia sabe dizer quando será. O município possui cerca de 74.000 habitantes segundo estimativas do IBGE em 2014. Essa população costuma dobrar no período do Carnaval para cujo início oficial faltam apenas 24 dias.

Água mineral – Já tem gente da classe média estocando água mineral e divulgando o ato na sua rede de relacionamentos. Isso me faz lembrar do sumiço da carne de boi e de outros produtos durante o Plano Cruzado do governo Sarney, em 1986. Naquela época o boi gordo foi caçado nos pastos. Será que no pânico atual a classe média vai perfurar poços artesianos em suas propriedades?

Pronatec – O Governo Federal iniciou o ano devendo R$ 800 milhões ao Senai e R$ 700 milhões ao Senac, relativos  à compra de cursos do Pronatec (Programa de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego). Outra dívida do governo se refere à divulgação do índice de evasão de alunos até o último dia do ano passado, sem usar maquiagens conceituais.

Imposto de Renda – O veto presidencial à correção da tabela do Imposto de Renda em 6,5% consolida mais perdas para os assalariados. Só para esse caso o Governo Federal usa a meta de 4,5% de inflação anual. Para quem quiser sentir o tamanho das perdas bastará a lembrança de que a inflação de 1996 a 2014 medida pelo IPCA do IBGE foi de 226,2% e a correção da tabela do Imposto de Renda ficou em singelos 99%. Esperar que o novo Congresso Nacional, onde a base aliada de apoio ao governo é majoritária, derrube o veto é muita ingenuidade. Portanto, vem aí Medida Provisória corrigindo a tabela em 4,5%. Já para Ministros do STF, Poder Judiciário, Senadores e Deputados o aumento salarial foi de 14,3% e prontamente sancionado pela Presidente da República. Nesse caso é dando que se recebe, uma mão lava a outra e as duas enxugam o rosto.

Apagão – A matriz energética brasileira depende excessivamente da geração de energia hidrelétrica. Mais um ano de prolongado período de seca obriga a geração de energia pelas usinas térmicas em sua capacidade total, logo elas que foram projetadas para ser um mero complemento. O apagão ocorrido na segunda feira em 11 estados mostrou mais uma vez as autoridades do setor batendo cabeças e demonstrando pouco compromisso com a transparência. O Ministério das Minas e Energia, o Operador Nacional do Sistema Elétrico, as empresas geradoras, transmissoras e distribuidoras tentam se justificar e fugir de suas responsabilidades, enquanto a Presidente da República pede medidas para que os apagões não se repitam. Que planejamento fazer e que medidas tomar para que chova dez dias sem parar, como outrora nessa mesma época, e para que as pessoas melhorem seu conforto térmico sem precisar de ventilador e ar condicionado? A única garantia que temos nesse momento é o tarifaço de até 50% nas contas mensais.

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O BRT-Move já foi abordado aqui no Observação e Análise em pelo menos três ocasiões. Em uma delas mostramos problemas de desnível e insegurança nas estações de transferência. Em outra ocasião, falamos do ar-condicionado que não funcionava e das portas automáticas que não eram automáticas. Por fim, em 23 de dezembro, mostramos o estado precário da faixa do Move na Avenida Vilarinho.

Nosso olhar atento para registrar as coisas que impactam nossas vidas nos permitiu verificar, nesse quente janeiro, que a avenida Vilarinho está sendo recuperada, conforme mostram as fotografias a seguir. Todas são de Sérgio Verteiro e foram feitas na semana passada. 

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Pela fotografia, é possível ver a separação entre as faixas, evidenciando o asfalto recentemente colocado.

Fazendo uma reflexão sem dor, mas que dói muito, verificamos a intensidade do desperdício dos recursos públicos, sempre escassos diante de tantas necessidades. A pergunta é muito simples e direta. Por que a avenida ficou tão estragada num curto espaço de tempo ? Será que as causas desse problema estão no projeto, na especificação ou aquisição dos materiais utilizados, na construção da pista exclusiva, na auditoria da qualidade para verificar a conformidade com tudo o que foi especificado e suas respectivas normas técnicas?

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Nunca é demais lembrar que um dos fundamentos da Gestão nos ensina que devemos fazer o certo desde a primeira vez e sempre referenciados pelas melhores práticas no tema em questão. O BRT-Move ainda vai completar um ano de operação, mas nos dá a sensação de que muita coisa foi feita às pressas e na base da tentativa e erro. Remendar e consertar  sai cada vez mais caro para a população, que custeia esses empreendimentos com o pagamento de impostos, além de perder tempo e se sentir tão insegura quanto desconfortável no uso diário desse serviço implantado em nome da mobilidade urbana.

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Vale a leitura

por Luis Borges,  18 de janeiro de 2015   Vale a leitura

A crise da água é problema nosso – A seca no sudeste brasileiro continua se prolongando com firmeza e os índices pluviométricos de dezembro passado e da metade desse janeiro não nos deixam dúvidas. A escassez da água clama por uma gestão que leve em conta a participação de todos os envolvidos na questão, que é vital também para todos. Mais do que nunca é preciso implementar a prática da democracia participativa num país que possui 13% da água doce do mundo. Se o agronegócio consome 50% dessa água e a indústria – aí incluída a mineração – leva 40%, sobram meros 10% para o consumo humano. A sensação é de que os humanos é que pagarão o pato, mesmo sendo os menores consumidores. Quais os critérios serão usados para definir as cotas de sacrifício e como se dará a reeducação dos usuários nesse momento em que as autoridades constituídas começam a admitir o racionamento da água através de procedimentos pouco transparentes? Leia neste artigo o que a arquiteta Raquel Rolnik sugere como solução desse nosso problema.

Imóvel na planta – Segue um artigo importante para quem planeja a compra da casa própria. As orientações do advogado Marcelo Tapai, especialista em direito imobiliário, são para quem vai comprar imóvel na planta. Ele alerta, entre outros itens do contrato, para a “parcela das chaves”, que nem sempre é paga só quando o apartamento fica pronto, por exemplo. Leia e fique esperto.

Proteja-se da inflação – A perda do poder de compra é o pior dano da inflação para os assalariados. O salário corroído é de difícil recomposição. A luta por ela está fragilizada,  devido à baixa mobilização das diversas categorias de trabalhadores e também pela inércia de seus sindicatos e respectivas centrais, notadamente aquelas que apoiam politicamente a base aliada que dá sustentação ao Governo Federal. Nesse cenário, resta a cada um cuidar de si e fazer mais com menos. É interessante ler as sete dicas de Ruth Costas, da BBC Brasil, para que você se proteja melhor da inflação alta naquilo que couber à sua realidade. Bom proveito e atenue suas perdas.

Desobediência – O que fazer diante de pais poliqueixosos de seus filhos, notadamente aqueles que são contra tudo e tudo fazem só para contrariar? Quais são as causas fundamentais desse fenômeno e quais delas dependem mais das firmes atitudes dos pais? Trabalhar com limites e impedir as derivações do foco são desafios permanentes, que exigem constância de propósitos, disciplina e paciência histórica. Leia aqui a análise do psicanalista Contardo Calligaris. (se não conseguir abrir neste link, acesse o site pessoal do colunista e clique em “textos” e depois em “na Folha de S. Paulo”).

A desobediência é um transtorno quando desobedecer se torna mais importante do que o próprio comportamento em nome do qual alguém desobedece.

Alguns leitores comentaram, na semana passada, que tiveram dificuldades para acessar links que direcionavam para o site da Folha. Parte do conteúdo do jornal é restrito para assinantes ou cadastrados no site. Ficaremos mais atentos a isso e, sempre que possível, colocaremos links alternativos aqui no blog. 

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