O social no velório

por Luis Borges,  16 de janeiro de 2015   Pensata

Segundo a definição do Dicionário Informal, social é:

aquilo que pressupõe relações, sociabilidade, abarcando relacionamentos, sentimentos, modos de ser, de estar, de agir e de se manifestar. Aplica-se mais às interações humanas significativas para os sujeitos.

Ainda segundo a mesma fonte, velório é:

uma cerimônia fúnebre em que o caixão do falecido é posto em exposição pública para permitir que parentes, amigos e outros interessados possam honrar a memória do defunto antes do sepultamento.

Busquei essas definições após ouvir o depoimento de um amigo, que ficou estarrecido com as cenas que presenciou na última hora de um velório. Ele chegou ao Cemitério Parque por volta das 16h da última terça-feira, acompanhando uma amiga que foi ao local se despedir de um colega de trabalho de 58 anos de idade cuja morte foi causada por infarto agudo do miocárdio. Naquele momento estavam no local aproximadamente 60 pessoas, entre elas a ex-esposa, engenheira civil, e os dois filhos do casal de outrora. A urna estava lacrada atendendo a um desejo do morto, que não queria que seu corpo inerte fosse visto nessa ocasião.

Ao longo do salão e no hall de entrada parentes e amigos conversavam animadamente, dando a sensação de que o morto foi apenas o pretexto para aquele encontro e não para a dolorida homenagem póstuma. Muitos recebiam e outros enviavam mensagens pelo celular e, assim, todos os grupos se mantinham atualizados pelas redes também sociais.

Próximo à porta de entrada, um senhor que dizia ser um dos 14 irmãos do morto, já que seu pai se casara três vezes, falava animadamente de sua fazenda em Lagoa Dourada e enaltecia a falta de chuvas que está facilitando o acesso ao local. Do lado oposto, um pequeno grupo falava do preenchimento de cargos no segundo escalão do Governo de Minas Gerais enquanto, logo depois da entrada, três pessoas discutiam animadamente questões de início de temporada ligadas aos times de futebol de Cruzeiro, Atlético e América.

É claro que enquanto o tempo passava ainda chegavam alguns retardatários e lá fora a turma do tabaco industrializado cuidava do oficio enquanto outros davam um pulo até a lanchonete.

Enquanto a sensação térmica realçava o intenso calor desse início de ano e as animadas conversas prosseguiam, muitos sequer perceberam que a hora final chegou. Alguns se justificariam depois alegando que não houve nenhuma cerimônia religiosa. Explica, mas não justifica, pois os operários do cemitério fizeram boa movimentação ao colocar a urna e as coroas de flores no carrinho fúnebre, que partiu pontualmente na hora marcada rumo ao jazigo.

Quando nada, segundo meu amigo, foi engraçado ver a reação das pessoas ao perceber, com a redução do alarido, que o cortejo já havia partido. Os últimos retardatários deixaram o local no momento em que o grupo da limpeza já começava a trabalhar no local. Um deles disse que o próximo “cliente” chegaria às 18h.

Meu amigo, estarrecido, não acompanhou o cortejo devido a um desconforto nos joelhos e aguardou sua amiga no hall de entrada. Após o seu relato fiquei imaginando como será o ambiente do meu velório e se haverá muita água no rio São Francisco para receber as minhas cinzas na região de Bom Despacho, onde ele cruza a BR-262.

E você já parou para pensar no seu caso? Em função do que você já semeou, será que é possível estimar quantas pessoas comparecerão à sua cerimônia de despedida?

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Ninhos e pássaros

por Luis Borges,  14 de janeiro de 2015   A vida em fotografias

Se o Pequeno Príncipe já dizia que “o essencial é invisível aos olhos” como esperar que os olhos de muitos humanos vejam pássaros, ovos, ninhos e os contemplem?

Ninho escondido próximo a um telhado. / Foto: RMA

Ninho escondido próximo a um telhado. / Todas as fotos desse post são de RMA.

A vida insiste em prosseguir e se reinventar dentro das condições de contorno a que é submetida pelo clima cada vez mais hostil. A indiferença e o individualismo, cristalizados na base do “não é comigo”, são algumas ameaças a serem vencidas.

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A esperança continua na união das demais pessoas que sabiamente lutam pela sustentabilidade da vida, na certeza de que seus sucessores também merecem receber a terra em condições adequadas para que a vida continue triunfando.

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Veja, nas fotografias desse post, como a vida prossegue se manifestando, mesmo num pequeno espaço de um município da região metropolitana de Belo Horizonte. Caminhemos persistentes ancorados por nossas crenças fundamentadas, mas sem fundamentalismos.

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Sinal fechado

por Luis Borges,  13 de janeiro de 2015   Música na conjuntura

Usar o telefone celular ao volante, estacionar em local proibido ou avançar o sinal vermelho foram as infrações mais cometidas pelos motoristas de BH em 2014. A informação foi divulgada pelo Batalhão de Trânsito da PM durante entrevista à rádio Itatiaia, na semana passada.

Uma primeira observação sobre as causas evidencia a pressa, considerada inerente aos nossos tempos. A gestão da ansiedade continua sendo um grande desafio perante as crescentes exigências de sucesso pessoal e profissional na competição pela sobrevivência.

As vias públicas são praticamente as mesmas, mas a quantidade de veículos automotores praticamente triplicou nos últimos dez anos. O setor automotivo corresponde a 20% dos negócios da indústria. O veículo próprio cristaliza a individualidade, o culto ao carro de cada um. O transporte coletivo por ônibus, cuja qualidade, preço e atendimento ainda deixam a desejar,  bem como outros frágeis modais, tipo metrô, acabam sempre reforçando a busca por soluções individuais.

A escassez do tempo e a sua má gestão só acentuam a sua falta, enquanto poucos tentam compreender as suas causas. Diante dessa situação lembrei-me da música Sinal fechado, composta por Paulinho da Viola em 1969, e que foi gravada por Chico Buarque – em seu vinil do mesmo nome – no auge da censura dos tempos da Ditadura Militar. Aliás, é desse período o cognome “Julinho da Adelaide”, que Chico usou para driblar com criatividade a turma da censura do Departamento de Policia Federal.

Sinal Fechado
Paulinho da Viola
Fonte: Letras.mus.br

Olá, como vai?
Eu vou indo e você, tudo bem?
Tudo bem eu vou indo correndo
Pegar meu lugar no futuro, e você?
Tudo bem, eu vou indo em busca
De um sono tranquilo, quem sabe...
Quanto tempo... pois é...
Quanto tempo...
Me perdoe a pressa
É a alma dos nossos negócios
Oh! Não tem de quê
Eu também só ando a cem
Quando é que você telefona?
Precisamos nos ver por aí
Pra semana, prometo talvez nos vejamos
Quem sabe?
Quanto tempo... pois é... (pois é... quanto tempo...)
Tanta coisa que eu tinha a dizer
Mas eu sumi na poeira das ruas
Eu também tenho algo a dizer
Mas me foge a lembrança
Por favor, telefone, eu preciso
Beber alguma coisa, rapidamente
Pra semana
O sinal ...
Eu procuro você
Vai abrir...
Por favor, não esqueça,
Adeus...
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Vale a leitura

por Luis Borges,  12 de janeiro de 2015   Vale a leitura

É o choque de civilizações? – O atentado contra a revista Charlie Hebdo, em Paris, que matou 12 pessoas entre elas seu diretor e quatro cartunistas, num país laico, está mexendo com o mundo. A reação foi imediata para condenar o ato dos terroristas islâmicos. A união das pessoas para defender a liberdade em todas as suas dimensões dá a tônica das diversas manifestações. As complexas causas que levam a humanidade a esse antagonismo continuam a desafiar quem busca compreendê-las. Leia neste artigo do jornalista Clóvis Rossi algumas ponderações que podem contribuir para uma melhor compreensão do tema que, é claro, exigirá bastante de quem resolver ir a fundo no seu conhecimento.

Pátria educadora? – A presidente Dilma Rousseff lançou no discurso de posse de seu segundo mandato o lema “Brasil, pátria educadora”. O seu caráter genérico suscitou imediatas perguntas sobre como ele acontecerá na prática. Se a pátria somos nós, como será que os nossos representantes farão a gestão de todo esse processo? Universalizar o acesso à educação é um objetivo definido por Lei, mas é preciso avaliar não apenas o número de pessoas matriculadas, mas também os índices de evasão e a quantidade de pessoas que concluem os cursos. A transparência dos números e a decodificação do efetivo significado do que é educação de qualidade também continuam a desafiar. Leia no artigo da socióloga e educadora Maria Alice Setúbal como ela está se posicionando diante do novo lema.

Medo de perder alguma coisa – Os períodos de férias trazem, como pressuposto, que as pessoas inicialmente deixarão de se submeter aos rígidos horários e às tarefas que cumprem cotidianamente. Muitos planos poderão ser feitos, indo do nada fazer até viajar para o exterior. Mas entre uma coisa e outra inserem-se as redes sociais e a ansiedade para nelas ver ou mostrar as coisas que estão acontecendo, inclusive com os anônimos que nela compartilham seus feitos. E aí haja paciência para fazer a gestão da ansiedade diante de Fomo, Fobo e Foda. Entenda os três termos e o fenômeno lendo o artigo do professor Ronaldo Lemos, publicado pela Folha de São Paulo. Quem sabe ele te ajudará a perder menos em suas férias.

Por que o desemprego continua tão baixo? – Os diversos indicadores que medem a situação do Brasil estão sendo intensamente divulgados nesse inicio de ano. A maioria dos números se mostra ruim. Vão da inflação anual próxima do teto da meta, do crescimento o PIB próximo de zero e das taxas de juros cada vez mais estratosféricas nas diversas modalidades. Entretanto, um indicador continua surpreendendo os analistas. É o da taxa de desemprego, que continuou declinante nos últimos meses. Quais são as causas fundamentais que explicam essa aparente contradição? É a pergunta que responde o professor Naercio Menezes Filho, da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo, nesse artigo. Boa leitura.

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Curtas e curtinhas

por Luis Borges,  8 de janeiro de 2015   Curtas e curtinhas

Recomposição salarial – Os vereadores da cidade de Araxá(MG) aprovaram, em reunião extraordinária na quarta (07/01), um aumento de 11,4% nos salários em seus salários. A partir de agora cada um receberá R$ 8.930,20 para cumprir a obrigatoriedade de uma sessão ordinária às terças. O plenário é composto por 15 vereadores que, até o final do ano passado, recebiam R$ 8.016,34 mensais. Já que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, Deputados Federais e Senadores tiveram seus salários elevados para R$ 33.700,00 por mês, agora o jeito é aguentar o efeito cascata para as demais instâncias e poderes. Já para os trabalhadores do mundo privado resta a livre negociação, na qual quem conseguir os mais de 6% da inflação de 2014 poderá elevar suas mãos para os céus.

Demissões e greves – Redução das alíquotas do IPI, desoneração da folha de pagamento salarial, licença remunerada, férias coletivas e semana curta de trabalho não foram suficientes para a indústria automobilística se manter intacta diante da queda das vendas internas e das exportações. Melhorar a gestão, nem pensar! E reclamar do dólar a R$ 2,70 também não dá, pois essa sempre foi uma reivindicação. O caminho natural começou a ser mostrado, com 800 demissões de trabalhadores da Volkswagen e de 260 na Mercedes Bens em São Bernardo do Campo (SP). O que esperar da CUT, da Força Sindical e das outras centrais nesse momento? Será que a governabilidade continuará na pauta de justificativas para justificar o injustificável? No capitalismo sem riscos, com juros subsidiados, só as margens de de lucro são imexíveis. O restante é que sempre deve sofrer adequações.

Educação básica – A Confederação Nacional da Indústria divulgou os resultados da sua pesquisa “Retratos da Sociedade Brasileira – Educação Básica”. Essencialmente, 85% dos entrevistados disseram que a baixa qualidade da educação prejudica o crescimento econômico. Também avaliam que é preciso melhorar o ensino de Português e Matemática bem como ampliar o número de cursos que equilibrem o ensino médio e a educação profissional. Percebo um aumento significativo na quantidade de pesquisas, levantamentos e estruturação de sistemas de dados de diversas naturezas. O grande desafio continua sendo observar e analisar as informações criticamente, para que elas se transformem em conhecimento que ajude na tomada de decisões. Portanto, o desafio continua passando pela gestão dos dados e pelo combate permanente ao “achismo”.

Treinamento é essencial – A obrigatoriedade do uso do extintor de incêndio do tipo ABC para todos os veículos fabricados antes de 2009, que vigoraria a partir do inicio desse mês, foi adiada por 90 dias. A causa foi a simples falta do equipamento no mercado, que é regido por outra Lei, a da oferta e da procura. Entretanto um grande desafio será o treinamento das pessoas para que aprendam a usar com efetividade o equipamento, mesmo para os motoristas de veículos novos que já saem equipados das fábricas obrigatoriamente desde 2009. Quem não se lembra do kit de primeiros socorros, que um dia foi obrigatório sem prever treinamento para seu uso e que acabou deixando de ser obrigatório após ter sido comercializado como tal? Quem sabe usar o extintor de incêndio do edifício onde reside ou trabalha? Educar e treinar, treinar, treinar faz parte do principio ativo da gestão.

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Mamãe eu quero

por Luis Borges,  7 de janeiro de 2015   Música na conjuntura

Dias atrás uma criança de uns 10 anos de idade deu uma tremenda birra em um shopping center da cidade. Aos berros, pisando duro no chão, ela dizia a seus pais: “eu quero tudo!”. O número de transeuntes parando para ver o “barraco” crescia, enquanto os pais tentavam acabar com a cena e deixar o local rapidamente.

A situação me fez pensar em um paralelo com a presente temporada de posses dos eleitos no pleito de 2014. O mercado dos serviços públicos está em plena negociação. É hora de formar ou ratificar as estruturas organizacionais que, com os respectivos cargos, funções e remunerações, darão suporte ao negócio.

Há muitas variáveis, muitos interesses e desejos estão em jogo. Geralmente contemplam-se alianças eleitorais, militantes, profissionais sem filiação partidária e também há retorno para os que investiram tempo e dinheiro na campanha vitoriosa. Tudo é possível na cultura da Lei de Gérson, da goela larga e do “quero tudo para a minha turma”. Só no executivo federal são 39 ministérios, além de autarquias, fundações e empresas estatais que também se fazem presentes em 26 estados e no Distrito Federal. São milhares de cargos de confiança a serem preenchidos por recrutamento amplo. Mas é preciso lembrar, também, do poder legislativo e de todos os cargos que serão preenchidos nos governos estaduais. Se o bolo é grande, a fome de muitos também é grande.

A 38 dias do Carnaval dá para pegar embalo cantando Mamãe eu quero, uma das mais famosas e perenes marchinhas dos nossos carnavais. Ela foi composta em 1937 por Vicente de Paiva e Jararaca, que também fez a sua primeira gravação. Foi regravada por Silvio Caldas, Pixinguinha e Carmem Miranda, que fez dela um grande sucesso internacional com o nome I want my mama. Confira a seguir a letra e a musica na voz de Carmem Miranda.

Dá para cantar junto?

Mamãe eu quero
Fonte: Vagalume - letra modificada para ficar igual à cantada por Carmen Miranda no vídeo acima

Mamãe eu quero, mamãe eu quero
Mamãe eu quero mamar!
Dá a chupeta, dá a chupeta, ai, dá a chupeta
Dá a chupeta pro bebê não chorar!

Dorme filhinho do meu coração
Pega a mamadeira em vem entrar no meu cordão
Eu tenho uma irmã que é fenomenal
Ela é da bossa e o marido é um boçal

Mamãe eu quero, mamãe eu quero
Mamãe eu quero mamar!
Dá a chupeta, dá a chupeta, ai, dá a chupeta
Dá a chupeta pro bebê não chorar!

Eu olho as pequenas, mas daquele jeito
E tenho muita pena não ser criança de peito
Eu tenho uma irmã que se chama Ana
De piscar o olho já ficou sem a pestana
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Calor e contas

por Luis Borges,  6 de janeiro de 2015   Pensata

Janeiro chegou com temperaturas acima da média de anos anteriores e chuvas bem aquém da série histórica. É praticamente um prolongamento de dezembro, marcado por um grande desconforto térmico, que inclusive atrapalha o sono e faz com que a gente se sinta um mulambo no início da manhã.

Desconforto também veio da situação econômica. Passamos por diversos graus de gastança no fim do ano e as contas do verão já estão anunciadas. Nosso “Feliz Ano Novo” novo foi embalado pela perda de poder aquisitivo diante da inflação bem acima da meta, pelo crescimento do PIB ligeiramente acima de zero e pela certeza de quais ombros vão suportar o ajuste fiscal das contas públicas – os nossos.

Fui tentar fazer uma abstração em relação a essas coisas que ficam buzinando na cabeça da gente me deparei com outras bombas de calor, irradiando gastos e gastos. Com o início do ano veio o reajuste do salário mínimo, que indexa alguns pagamentos e serve de justificativa pra outros aumentos. A tarifa de ônibus foi prontamente reajustada, levando em conta a inflação e outras coisinhas mais.

É início de ano e o orçamento doméstico está em confecção. Me propus um exercício: partindo da premissa de que a renda do trabalho será presente ao longo do ano, quais contas também serão obrigatórias? Há uma pequena lista. Em janeiro temos o IPTU, o IPVA, a taxa de lixo, uma parcela da escola, o material escolar. Algumas dessas podem ser parceladas. O IPTU em 11 vezes, o IPVA em três, a escola aparece regularmente em doze meses. As contas básicas estão ali – água, energia elétrica, gás, telefonia, internet, plano de saúde, TV a cabo, seguros, condomínio, auxiliar doméstico. Outras variam de acordo com o dono do orçamento – segurança eletrônica, lavador e guardador de carro, faixa azul, tarifas bancárias, juros do crédito rotativo, dízimo, contribuições para entidades assistenciais, anuidades de associações, mensalidades de clubes… a lista é quase interminável.

Ainda que um ou outro desses itens não entre no seu orçamento, imagine as contas decorrentes de outros gastos que são variáveis, indo da alimentação ao medicamento, do combustível à diversão.

Será que estou sendo muito preciosista e detalhista? Ou essa conta não deve ser fechada, mas apenas gerenciada? O cansaço já foi gerado e, quando nada, ele é preocupante. O que fazer?  Como fazer? Ou, simplesmente, deixar a vida passar? Esse pequeno exercício tem o mérito de ajudar a mostrar onde estamos colocando o nosso salário. Que não é renda, mas paga imposto também.

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O que não fazer em 2015

por Luis Borges,  4 de janeiro de 2015   Pensata

Quarto dia do ano, 361 para a próxima virada. Você definiu metas para este ano? Conheço pessoas que planejam tudo tim-tim por tim-tim. E também quem não planeja nada, fica no “deixa a vida me levar”.

Acredito que gestão é o que todos precisam, mas nem todos sabem que precisam. Por isso, minha sugestão é começar o ano com um mínimo de planejamento. Começar pequeno, pensando grande e ganhando velocidade com aceleração controlada. Algumas dessas palavras, inclusive, fazem parte de um mantra indiano que tenta dar força às pessoas, sem assustá-las com a dosagem.

Sugiro que você comece pensando em apenas uma política, ou seja, uma orientação geral, para balizar seu posicionamento. Uma das premissas para essa proposição é a de que conhecer o problema a partir de sua observação e análise pode ser metade de sua solução.

Uma segunda sugestão é que você pense no que não fazer, principalmente se você tiver dificuldades de definir pelo outro lado, o que fazer. Decidindo o que não fazer você já traça um excelente início de caminhada.

No fim de 2014 ouvi várias pessoas, de diversas idades e profissões. Perguntei “na lata” – que atitudes e posicionamentos você não se dispõe a repetir em 2015? Insisti para que citassem apenas uma. A seguir, uma pequena amostra do universo abordado.

 

Valorizar os patrulheiros ideológicos ou os proprietários da verdade ancorados no politicamente correto. Cientista Político, 61 anos

Rolar dívida no cartão de crédito rotativo pagando juros de 15% ao mês. Técnico de Enfermagem, 40 anos

Acreditar que o governo de qualquer partido ou coalizão política vai mudar a nossa realidade. Consultor em Gestão de negócios, 52 anos

Protelar decisões sobre minhas questões pessoais. Professora do Ensino Médio, 55 anos

Continuar trabalhando na minha atual profissão. Contadora, 51 anos

Negar a mão a quem me pedir ajuda. Engenheiro e empresário, 70 anos

Engolir sapo nas relações familiares para evitar trombadas. Taxista, 50 anos

Deixar de cuidar da saúde. Engenheiro Mecânico, 30 anos

Casar novamente após 5 tentativas e igual número de demissões. Taxista, 55 anos

Fazer tempestade em copo d’água, sofrer com coisa pouca. Cuidador de Idosos, 33 anos

Ouvir silenciosamente sentenças médicas sem questioná-las. Paisagista, 42 anos

Pensar que meus problemas começarão a ser solucionados a partir das pessoas da família que me rodeiam. Professora de Geografia, 58 anos

Ter mais de 30 pares de sapato ao longo do ano. Relações Públicas, 31 anos

Deixar que o favoritismo que o chefe tem por um colega de trabalho invada minha alma e me empurre para um medicamento tarja preta. Nutricionista, 26 anos

Me embriagar na festa corporativa, para evitar o vexame que protagonizei ao colocar as mágoas para fora. Analista de TI, 39 anos

Viver na ansiedade para encontrar um trabalho ideal. Assistente Social, 36 anos

Ter medo de meta e de avaliação de desempenho. Advogado, 55 anos

Quero saber: o que você pretende não fazer neste 2015? Compartilhe nos comentários.

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O que foi feito deverá

por Luis Borges,  31 de dezembro de 2014   Música na conjuntura

Estamos nos últimos momentos do último dia do ano. Só nos resta dar adeus. O tempo segue, passando. Não é permitido nenhum passo atrás, nem pra tomar impulso.

A euforia da virada, o papel picado caindo dos edifícios e o balanço final, consolidando os balancetes do caminho, se misturam aos brindes, aos abraços, à alegria e aos desejos de paz e felicidade.

Para embalar nossas reflexões e inflexões e acalentar nossos sonhos, que poderão até virar metas para o próximo ano, sugiro que você ouça a música O que foi feito deverá, de Milton Nascimento e Fernando Brant. Clicando no vídeo abaixo, você ouve a interpretação da saudosa Elis Regina, em dueto com Milton Nascimento. Eles emendam a música O que foi feito de Vera, parceria de Milton com Márcio Borges. 

Temos que olhar para fora e para frente, sem esquecer do que já conquistamos. E que consigamos sempre aprender com as falhas, que não nos deixam alcançar tudo o que planejamos.

O Que Foi Feito Devera
Milton Nascimento / Fernando Brant
Fonte: Site Oficial Milton Nascimento

O que foi feito amigo 
De tudo que a gente sonhou 
O que foi feito da vida 
O que foi feito do amor 
Quisera encontrar 
Aquele verso menino 
Que escrevi há tantos anos atrás 

Falo assim sem saudade 
Falo assim por saber 
Se muito vale o já feito 
Mais vale o que será 
E o que foi feito 
É preciso conhecer 
Para melhor prosseguir 

Falo assim sem tristeza 
Falo por acreditar 
Que é cobrando o que fomos 
Que nós iremos crescer 
Outros outubros virão 
Outras manhãs plenas de sol e de luz 

O Que Foi Feito de Vera
Milton Nascimento e Márcio Borges 

Alertem todos alarmas 
Que o homem que eu era voltou 
A tribo toda reunida 
Ração dividida ao sol 
De nossa Vera Cruz 
Quando o descanso era luta pelo pão 
E aventura sem par 

Quando o cansaço era rio 
E rio qualquer dava pé 
E a cabeça rodava 
Num gira-girar de amor 
E até mesmo a fé 
Não era cega nem nada 
Era só nuvem no céu e raiz 

Hoje essa vida só cabe 
Na palma da minha paixão 
De Vera nunca se acabe 
Abelha fazendo o seu mel 
No campo que criei 
Nem vá dormir como pedra 
E esquecer o que foi feito de nós 
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Curtas e curtinhas

por Luis Borges,  30 de dezembro de 2014   Curtas e curtinhas

Rotatividade no trabalho – O DIEESE (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos) informou que 55% dos trabalhadores ficaram menos de um ano no mesmo emprego em 2013. Esse indicador era de 55,2% em 2012 e de 42% em 2003. Essa percepção foi uma das motivadoras das medidas de restrição à concessão do seguro desemprego e consequente redução de gastos do Governo Federal. Os dados também mostram que os segmentos de maior rotatividade são os de call center, agricultura e construção civil.

Aluguel residencial – Segundo dados divulgados recentemente pelo IBGE  25% das famílias brasileiras gastam até 30% de sua renda com aluguel. Em 2004, o percentual de famílias nessa situação era de 24,6%. Como se vê a moradia própria ainda é um sonho na vida de muita gente.

Inativos – A Síntese dos Indicadores Sociais do IBGE mostrou um expressivo crescimento do percentual de pessoas inativas no país. Basicamente essas são as pessoas que não trabalham nem procuram emprego. O índice chegou a 30,6% . Em números absolutos, isso significa 51,1 milhões de pessoas com idade superior a 16 anos e em condições de trabalhar.

Concentração de renda – Apesar dos programas governamentais de transferência de renda e do aumento real do valor do salário mínimo, a concentração de renda ainda continua muito acentuada. Segundo os dados indicados pelo IBGE 10% das pessoas concentram 41,7% da renda do país. Uma distribuição de renda mais justa continua sendo um sonho permanente no horizonte.

Elefantes brancos – Foi de R$ 4,4 bilhões o total de investimentos feitos em seis estádios para a Copa do Mundo de futebol cujos estados não terão times na Série A do Campeonato Brasileiro em 2015. Nessa condição estão as arenas Pantanal (Mato Grosso), Mané Garrincha (Distrito Federal), Dunas (Rio Grande do Norte), Fonte Nova (Bahia), Amazônia (Amazonas) e Castelão (Ceará).

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