Vale a leitura

por Luis Borges,  21 de fevereiro de 2015   Vale a leitura

Pouca chuva não significa falta de água na torneira – A crise de abastecimento na região Sudeste trouxe à tona a discussão sobre o uso da água pelo agronegócio, pelas indústrias em geral, por mineradoras e residências. Vai ficando claro no avançar das discussões que a gestão das águas deve ser integrada sistemicamente em todo o país, que processos e atitudes precisam ser modificados para melhor, mas sem jogar a culpa só nos consumidores residenciais. Segundo o professor Léo Heller, relator especial da ONU para água e saneamento:

“Estiagem é baixo volume de chuva; escassez é acesso limitado à água. A estiagem não deve se converter em escassez no sistema de abastecimento. [Para isso] é necessário haver planejamento para pensar em medidas que evitem a falta de água”.

Para o professor, a crise vivida no Sudeste foi causada por um planejamento inadequado do sistema, que não levou em conta as variações climáticas. Leia a abordagem de Léo Heller nesta entrevista ao Portal UOL.

A vida das borboletas – Quantas vezes você percebe que esqueceu de alguma coisa? Ter consciência do esquecimento significa que você não está tão esquecido assim. Os mais afoitos pensarão rapidamente na doença de Alzheimer, descrita pelo médico alemão Alois Alzheimer em 1906. Segundo a Associação Brasileira de Alzheimer, a doença é uma enfermidade incurável que se agrava ao longo do tempo, mas pode e deve ser tratada. Ela se apresenta como demência, ou perda de funções cognitivas (memória, orientação, atenção e linguagem), causada pela morte de células cerebrais. A doença atinge 35,6 milhões de pessoa no mundo, das quais 1,2 milhão estão no Brasil, a maior parte deles sem diagnóstico.

O filme “Para sempre Alice” inspirou o jornalista Jairo Marques a escrever sobre o tema e publicar um texto no seu blog Assim como você.

Enquanto habitam a terra, os bichos multicores percorrem rapidamente belezas naturais, encantam olhares, viram inspirações de amores, são alvos de caça, germinam flores e deixam rastros de renovação no Universo. Contudo, borboletas perdem suas histórias no relance de se encantarem consigo mesmas

Inflação corrói ganhos de investimentos – As pessoas que conseguem poupar uma parte de seus recursos vivem bons dilemas ao decidir em quais tipos de investimentos apostarão. A razão é bem simples – nesses anos de crescente inflação anual, temos forte o maior fator para a perda do poder aquisitivo e dos rendimentos reais de qualquer aplicação. É o que alerta o professor Samy Dana neste artigo publicado em seu blog Caro dinheiro. Aprenda com ele e proteja seus investimentos fazendo uma boa gestão do risco. Boa leitura!

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Cuide bem de você também

por Luis Borges,  19 de fevereiro de 2015   Pensata

Tenho a crença de que tudo começa com a gente. Por isso, devemos gerenciar a nossa vida para manter o que merece ser mantido e melhorar o que precisa ser melhorado. A partir daí teremos condições de contribuir, dentro de nossas possibilidades reais, com as pessoas de nossa interação, começando pelos que estão mais próximos. Essa proximidade pode começar pela família, a partir do cônjuge, filhos, pais, avós, tios, sogros, e pelos amigos, que cabem nos dedos de uma ou duas mãos.

Esse critério não exclui nossa solidariedade com outras pessoas, que serão contempladas de formas diferentes. Mas, hoje, o foco é para os casos em que a pessoa se preocupa o tempo todo com os familiares e se esquece de si mesma. As desculpas para justificar a postergação e o não investimento em si mesmo são as mais esfarrapadas. E deixam a sensação de quase imortalidade e de que as coisas só acontecem com os outros.

Na semana passada soube do caso de dois irmãos que cuidavam com dedicação quase exclusiva da mãe nonagenária e de um irmão sexagenário. Não é que um dos irmãos cuidadores, já septuagenário, começou a apresentar alguns sinais de falhas no coração? Após alguma relutância o jeito foi procurar um médico, que sugeriu determinados procedimentos para monitorar o ritmo cardíaco. De repente veio uma crise, a internação hospitalar, o encaminhamento para a unidade de terapia intensiva. Mesmo assim, ele não parava de se preocupar com o estado de saúde da mãe. Quatro dias depois veio o que ninguém esperava ou imaginava para o momento – a mudança de plano espiritual aconteceu.

Outro caso fiquei sabendo ontem e também nos ensina que devemos cuidar mais de nós para termos mais condições de cuidar dos outros. O protagonista foi um sobrinho de 50 anos de idade que cuida legalmente de um tio de 76 anos. Este mora no apartamento de quatro quartos do sobrinho, seu herdeiro que é casado e tem dois filhos. Todos os dias a pressão arterial do tio é aferida e anotada, mas sempre na expectativa de que esteja em 12 por 8. Quando surge um valor de 14 por 9 o sobrinho já começa a ficar preocupado e a pensar no aumento da dosagem de medicamentos. E assim ele segue em suas preocupações ao verificar os índices de indicadores como glicemia, colesterol, ácido úrico, triglicérides…

Ultimamente o sobrinho começou a sentir algumas dores de cabeça, tonteiras e uma sede acima do normal, tanto em dias quentes quanto nos raros chuvosos. Se queixou com a esposa, que foi direta – “vá ao cardiologista”. Depois de relutar, resolveu consultar o especialista. O resultado foi surpreendente. No momento da consulta sua pressão arterial estava em 18 por 12. Um exame de sangue posteriormente mostrou que a glicemia em jejum chegava a 192 mg/dl, quase o dobro do valor máximo tolerado pelo padrão brasileiro. Com esses resultados, o sobrinho despertou para seus próprios problemas, cujas soluções passaram a lhe exigir mudanças de atitudes e disciplina para ficar focado no tratamento necessário. Finalmente o sobrinho concluiu que o tio estava muito melhor que o seu cuidador.

Com esses exemplos, te convido a uma reflexão. Você conhece pessoas assim? E você, está agindo dessa forma? É preciso mudar enquanto há tempo para que as histórias não se repitam.

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Marcha da quarta-feira de cinzas

por Luis Borges,  18 de fevereiro de 2015   Sem categoria

O tempo prossegue em seu curso soberano, mesmo medido nos dezesseis diferentes fusos horários que a Terra tem. Por aqui o Carnaval já acabou, mesmo com a resistência de alguns que imaginavam que a quarta-feira de Cinzas não chegaria tão rapidamente.

Para os que gostam e os que não gostam o fato é que já estamos depois do Carnaval e muitas decisões ficaram para ser tomadas a partir de agora. Se é da nossa cultura dizer que o Brasil começa depois do Carnaval, neste ano o Governo Federal já se antecipou e abriu seu saco de maldades bem antes. Tudo foi feito em nome do ajuste fiscal, mas sem assumir explicitamente a sua própria incompetência que faz parte das causas que geraram o problema. Para nós, cidadãos e consumidores, só resta pagar a conta, também depois do Carnaval, na forma de impostos e contribuições obrigatórias num ambiente de perda de poder aquisitivo devido a inflação.

Mas se ainda assim é preciso cantar, lembrei-me de Vinícius de Moraes e Carlos Lyra que se eternizam na musica Marcha da Quarta-feira de Cinzas. Prosseguiremos cantando mesmo, sabendo que “com tempo ruim, também se dá bom dia”.

 

Marcha da Quarta-feira de Cinzas
Carlos Lyra & Vinicius de Moraes
Fonte: site oficial de Carlos Lyra

Acabou nosso carnaval
Ninguém ouve cantar canções
Ninguém passa mais brincando feliz
E nos corações
Saudades e cinzas foi o que restou

Pelas ruas o que se vê
É uma gente que nem se vê
Que nem se sorri
Se beija e se abraça
E sai caminhando
Dançando e cantando cantigas de amor

E no entanto é preciso cantar
Mais que nunca é preciso cantar
É preciso cantar e alegrar a cidade

A tristeza que a gente tem
Qualquer dia vai se acabar
Todos vão sorrir
Voltou a esperança
É o povo que dança
Contente da vida feliz a cantar

Porque são tantas coisas azuis
E há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar
De que a gente nem sabe

Quem me dera viver pra ver
E brincar outros carnavais
Com a beleza dos velhos carnavais
Que marchas tão lindas
E o povo cantando
Seu canto de paz
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Curtas e curtinhas

por Luis Borges,  11 de fevereiro de 2015   Curtas e curtinhas

Servidores e habitantes – A Câmara dos Deputados terá um orçamento de 5 bilhões de reais em 2015, quando o mesmo for aprovado pelo plenário. O número de servidores ativos e inativos chega a 18.000. Para efeito de comparação, o estado de Minas Gerais possui 642 municípios com população de até 18.000 habitantes, segundo dados do IBGE. Em torno desses limites estão os municípios de Nova Era, Cássia, Lagoa Formosa, Ipaba e Ladainha. Prefeitos, vice-prefeitos, secretários, vereadores e técnicos, administradores e operadores de funções diversas fazem parte do universo de servidores municipais. Haja orçamento e responsabilidade fiscal.

Deteriorando – As expectativas dos analistas quanto aos principais indicadores da economia brasileira em 2015 continuam se deteriorando. Conforme a pesquisa do Boletim Focus desta semana, agora o PIB fechará o ano com crescimento zero, a inflação em 7,15%, bem longe da meta de 4,5%, e a taxa de juros SELIC em 12,50%. Com este cenário, após 40 dias de segundo mandato da Presidente da República, será que alguém arriscaria dizer que ” pior que está não fica”?

Colapso da água – O colapso da água no estado de São Paulo fez com que as ações da Sabesp chegassem ao valor de R$13,30 no último dia 30 de janeiro. Ao compararmos esse valor com a cotação de 30 de dezembro do ano passado, que era de R$ 17,01, veremos que a perda foi de 21,81%. Entretanto, veremos que as mesmas ações valiam R$22,26 em 31/01/2014, o que demostra que a perda em um ano foi de 40,25%. Já as ações da Copasa fecharam a R$15,92 na segunda 09/02, elas que foram lançadas em 2006 valendo R$17,00. A gestão do risco faz parte do dia-a-dia de quem arrisca.

Memória – Ha dois anos a Presidente da República anunciou uma queda de 18,5% nas tarifas de energia elétrica domiciliar. Essa queda forçada foi uma das principais apostas da presidente para reanimar a economia e manter a inflação anual abaixo de 6,5% ao ano. Agora, com os reajustes de janeiro, tudo já foi recuperado pelo tarifaço e a tendência é de aumento, inclusive com o reajuste de mais de 80% na bandeira vermelha após dois meses de vigência. Preços nas alturas, seca prolongada, usinas hidrelétricas a fio d’água, usinas térmicas operando no limite da capacidade e tudo jogado nas costas dos consumidores. Só nos resta o caminho da mudança de hábitos para reduzir o consumo de energia.

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Plenário do Senado durante sessão deliberativa. / Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

Móveis e carros do Senado – A manutenção de peças mobiliárias e estofados do Senado custará R$125 mil aos seus cofres no início deste ano. Já para os deslocamentos dos senadores em Brasília serão gastos R$375 mil em serviços de locação de veículos. Ainda falta colocar na conta os gastos com combustível e motorista. Haja rubricas e licitações para garantir as melhores condições de trabalho para os 81 Senadores da República que representam suas 27 unidades!

Crédito rotativo – O valores usados no crédito rotativo dos cartões de crédito chegaram a R$29,8 bilhões no final de 2014, com taxa de juros de 258% ao ano. Enquanto isso, os créditos do cheque especial chegaram a R$21 bilhões com juros anuais de 200%. A inadimplência no rotativo do cartão chegou a 40% em dezembro passado. Pelo tamanho das cifras dá para a gente imaginar que o dinheiro está faltando, como a educação financeira faz falta e como é brutal a transferência de renda das pessoas para o setor financeiro. É claro que isso é para quem consegue pagar, pois boa parte dos devedores simplesmente quebra e fica recebendo propostas dos credores para renegociar as impagáveis dívidas.

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Problemas repetentes na volta às aulas

por Luis Borges,  10 de fevereiro de 2015   Pensata

Aconteceu numa segunda-feira, dia 5 de fevereiro de 1962. Foi quando comecei meus estudos no Grupo Escolar Pio XII, na cidade eterna de Araxá, que é também a capital secreta do mundo. A escola pertencia à rede pública estadual, o curso primário durava quatro anos e eu ingressei nele com a idade regulamentar de 7 anos. Eu sonhara muito com esse dia, o que só fazia aumentar as minhas expectativas.

A partir daí, comecei a ter minhas percepções sobre a escola. Logo fiquei sabendo que, no meu turno da tarde, existia uma turma que tinha o nome de “1º ano repetente”. Segundo o Dicionário Online de Português, repetente é “aluno(a) que volta a frequentar as aulas e estudar as mesmas matérias que já estudou, especialmente quando reprovado em exame”. Hoje, por razões diferentes, a escola privada e a pública não querem que os alunos se tornem repetentes.

E eis que estamos na volta às aulas deste fevereiro de 2015, reafirmando a minha crença de que a educação é a base de tudo, vinda da família e passando pelos diversos níveis das escolas do sistema educacional brasileiro e internacional. A partir dessa premissa, fiquei refletindo e pensando em ações que poderiam auxiliar na solução dos problemas educacionais que se repetem ano após ano. Posso estar sendo recorrente ao falar nos problemas da educação mas, se eles não forem enfrentados, nunca serão resolvidos.

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O primeiro ponto é fazer uma avaliação do que já foi feito, com seus respectivos resultados, e verificar o que ainda precisa ser melhorado. Nesse sentido sugiro, num segundo ponto, a classificação dos problemas pelo menos em dois níveis – os que dependem só de nós e os que dependem de outras pessoas nas diversas instâncias dos processos interfuncionais. Esses, no mínimo, poderão ser objeto de reivindicações e negociações, mas jamais poderão ser esquecidos ou deixados de lado indefinidamente. Um terceiro ponto pode ser o clareamento do discurso, para focar na definição das características do que é uma escola de qualidade, sabendo-se que quem dá o desafio também deve dar as condições para que ele seja vencido. Aqui vale discutir fundamentos, aplicações e resultados, sempre incentivando a curiosidade, a observação, a análise e a criatividade para a solução de problemas. Um quarto ponto é a profissionalização da atividade do professor e das funções técnico-administrativas, essenciais para a viabilização da escola. Alie-se a isso uma infraestrutura adequada, uma gestão participativa caracterizada pela liderança e não pelo comando, buscando criar um clima organizacional favorável ao crescimento na certeza de que não existe substituto para o conhecimento.

Um quinto e último ponto de minha parte é a reavaliação permanente dos métodos de ensino. Diante da competição com os diversos dispositivos tecnológicos existentes, eles devem ter a capacidade de prender a atenção dos alunos e contribuir na preparação de todos para encarar sem pânico os desafios que a vida coloca para todos nós.

Espero, caro leitor, seu comentário com sua reflexão sobre os pontos propostos e a inclusão de outros que você julgar relevantes. Para saber falar é preciso também saber ouvir.

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Vale a leitura

por Luis Borges,  8 de fevereiro de 2015   Vale a leitura

Odete Lara: a bela em busca da paz – A atriz e cantora Odete Lara morreu na quarta, 04/02, aos 85 anos, numa clínica de repouso no Rio de Janeiro. Ela participou de 32 filmes e teve o seu estrelato nas décadas de 60 e 70 do século passado. Sua história de vida foi profundamente marcada pelo suicídio da mãe e do pai. Odete dizia que “a morte é o próximo tabu a ser quebrado na nossa sociedade, depois do sexo”. Leia o texto de Camila Appel, que se inspirou em Odete para começar o blog “Morte sem tabu”, que traz um resumo da trajetória da atriz.

A grande cebola digital – Informação demais, bombardeio de posts e dados do último minuto. O ritmo é frenético. Como anda seu grau de credulidade em relação a tudo que chega a você? O jornalista e professor Leonardo Sakamoto escreveu este texto, no qual narra a checagem que fez de um desses posts que viralizou nas redes sociais. O resultado? Os dados não resistiram. A conclusão dele é que “vivemos a fase da Grande Cebola Digital: descascando, sobra só o vazio”. E no seu caso? Cabe uma ação corretiva diante da sua credulidade no que você lê na internet?

Prevenção contra infarto, AVC… – Na constante busca pela satisfação acabamos passando por muitos momentos de grande insatisfação. Incomodam-nos a seca prolongada, o forte calor, as poucas chuvas, o necessário uso racional da água e da energia. No trabalho, a mansidão do colega e a lerdeza do chefe; no trânsito engarrafamentos, multas e reclamações. Em casa, a sensação de insegurança ao sair ou ao chegar, sempre pensando no desequilíbrio social que a concentração de renda só acentua. Reclamar do governo, denunciar má gestão e corrupção ou clamar por educação e saúde de qualidade quase viram muro de lamentações. Que momentos nos sobram para contemplar coisas belas que resistem e acalantam o nosso ecossistema? Neste artigo, o jornalista Eduardo Costa faz um contraponto a tantos problemas vividos e se permite lembrar dos canarinhos de sua infância em Inácia de Carvalho e de seu reencontro com eles 50 anos depois na cidade de Nova Lima.

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Procurar e observar as pequenas belezas é mais um antídoto. Sem olhar para o alto, ninguém veria o passarinho que escondeu o ninho entre as tubulações./ Foto: Marina Borges

Aproveite a crise – A crise é a mãe de todas as oportunidades. Na crise, crie. O cavalinho passa arreado só uma vez. O sapo pula por necessidade e não por boniteza. Frases como essas são citadas constantemente em períodos de crise, como a econômica e social que estamos vivendo atualmente. Leia neste artigo de Adriana Gomes, mestre em psicologia social e do trabalho, sua visão de como aproveitar a crise e se reposicionar diante dos novos cenários que se desenham. O que não dá é ficar só resmungando e murmurando sem nada fazer.

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Difícil almoçar sem celular

por Luis Borges,  5 de fevereiro de 2015   Pensata

Um engenheiro químico, professor universitário aposentado, 58 anos de idade, convidou doze amigos e amigas para um almoço de confraternização de início de ano. O dia escolhido foi o segundo sábado de janeiro e o local, a sua aprazível casa em um condomínio fechado situado na grande Belo Horizonte, lá para os lados da Serra da Moeda.

Todos os convidados, cuja faixa etária varia entre 50 e 60 anos, confirmaram a presença em tempo hábil, conhecedores que são do sistema do amigo anfitrião.

E assim, no dia marcado, os convidados começaram a chegar a partir das 13h e a participar do aperitivo após os cumprimentos da chegada.  Satisfeito com o momento e com a movimentação que crescia, o professor às vezes se mostrava efusivo, mas também percebia que todos chegavam armados com seus celulares, esbanjando tecnologia e muita capacidade de registrar a instantaneidade de tudo.

Finalmente, às 14h30, em meio a muita conversa, mensagens enviadas e muitos dispositivos tecnológicos esbanjando suas sonoridades, foi dado o primeiro aviso de que o almoço teria início.

Mesa posta, comida árabe no cardápio, as pessoas foram se acomodando e fotografando tudo, enquanto dois retardatários finalmente também se sentaram.  De repente o anfitrião olhou para a mesa, cujas imagens já estavam nas redes sociais, e percebeu que todos os convidados colocaram seus celulares à mesa, bem ao lado do prato e, em alguns casos, até encostando-se nos talheres.

Indignado e sempre fiel às suas crenças e valores, o anfitrião pediu um instante da atenção de todos e foi direto ao ponto. Pediu que todos retirassem seus celulares da mesa e os colocassem na sala ao lado. Arrematou sua fala pedindo que todos lavassem as mãos antes de retornarem aos seus lugares. Seguiu-se um burburinho de surpresa e o acatamento da solicitação feita.

O almoço aconteceu com razoável ligeireza, alguns sussurros, poucas conversas. Ainda assim alguns participantes se levantaram, até mais de uma vez, para ir à sala ao lado atender seus celulares, que não estavam no modo silencioso. Por volta das 15h30 foi servida a sobremesa, da qual ninguém gosta de abrir mão, e um cafezinho encerrou o evento. Às 16h30 todos já haviam partido, agarrados a seus celulares, agradecendo pelo almoço, sendo que a maioria não fez alusão a um futuro encontro. Apenas três amigos passaram recibo, se desculpando por terem colocado seus celulares à mesa, e prometeram se esforçar para não repetir o ato numa próxima oportunidade.

Fica o convite à reflexão. O que você tem observado sobre o uso de celulares em todas as ocasiões e lugares? Que análise você faz sobre as pessoas, hoje inseparáveis de seus dispositivos tecnológicos, sempre alimentando suas redes e grupos sociais? Você faz parte desse grupo? Ou será que vai sobrar apenas um cutucão no anfitrião, alegando que ele foi muito radical ao não fazer vista grossa para a situação vivida em sua própria casa?

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Me dá um dinheiro aí!

por Luis Borges,  4 de fevereiro de 2015   Música na conjuntura

A notícia é dos portais UOL e G1 – o compositor Homero Ferreira morreu, aos 86 anos, na cidade do Rio de Janeiro e foi enterrado ontem no cemitério São João Batista. Ele é o autor da marchinha Me dá um dinheiro aí, feita em parceria com seus irmãos Glauco e Ivan Ferreira. A música fez enorme sucesso no Carnaval de 1960 e continua inesquecível até hoje.

Na atual conjuntura, Me dá um dinheiro aí nos faz lembrar das várias formas e maneiras que o Governo Federal está usando para tomar o nosso dinheiro, já muito combalido pela inflação que lhe retira o poder de compra.

Em nome do ajuste fiscal, da correção das distorções e dos diversos erros na condução da política econômica estamos pagando mais imposto de renda com a tabela sem correção. Mais PIS, Cofins, IOF e fatias de direitos sociais. Salta aos olhos o estrondoso tarifaço da energia elétrica, que recebeu ontem da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) um aumento de até 45% para várias distribuidoras de energia, fora o rateio da CDE (Conta de Desenvolvimento Energético), que ainda vai passar por audiência pública. Também vale lembrar o aumento dos combustíveis, a volta da Cide e o eterno sonho de trazer de volta a CPMF. O que ninguém fala é na redução de gastos e no combate aos desperdícios. O duro é que não temos para quem pedir dinheiro, bebendo ou não.

Já que é assim, o jeito é cantar e pular. O Carnaval se aproxima.

Me Dá Um Dinheiro Aí
Fonte: Letras.mus.br

Ei, você aí
Me dá um dinheiro aí
Me dá um dinheiro aí!

Ei, você aí
Me dá um dinheiro aí
Me dá um dinheiro aí!

Não vai dar?
Não vai dar não?
Você vai ver a grande confusão
Que eu vou fazer bebendo até cair
Me dá, me dá, me dá, oi!
Me dá um dinheiro aí!
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Publicamos ontem aqui no Observação & Análise o texto “Acessibilidade difícil em Santa Tereza“, mostrando os galhos cortados de uma árvore que impediam a passagem segura de pedestres em uma calçada da rua Hermílio Alves.

Até a manhã desta terça, os galhos ainda estavam lá. No início da tarde, foram retirados.

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Pela foto, tirada às 18h10 de ontem, deu pra ver que os galhos não mais impediam a calçada, mas um motorista resolveu fazer sua parte para atrapalhar os passantes.

Registramos a nossa satisfação pela retirada dos galhos. Mas é bom lembrar que o serviço deveria ter sido feito de forma completa logo no primeiro dia da sua realização. Ou seja, cortar, limpar, retirar. O fundamento básico da gestão é fazer o certo desde a primeira vez.

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Foto: Sérgio Verteiro

Como você faria para caminhar com segurança no passeio mostrado acima, cheio de galhos de árvore cortados e abandonados em seu piso há pelo menos 7 dias? Essa fotografia foi feita ontem, 2 de fevereiro, na Rua Hermílio Alves, em Santa Tereza.

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Foto: Marina Borges

Qual seria o seu grau de solidariedade com pessoas de diferentes idades que tivessem que andar nesse mesmo local? Você as ajudaria a driblar as dificuldades de acessibilidade no local?

A foto acima foi tirada na manhã de quinta-feira, 29/1, no mesmo local. A rua Hermílio Alves é a principal via de entrada e saída do bairro de Santa Tereza para quem usa a Avenida do Contorno. O trânsito de veículos é volumoso nas duas mãos da pista de rolamento e os passeios para pedestres são estreitos, como se vê, mas fazem parte da história.

Até a tarde desta segunda nada tinha sido feito pela Administração Municipal para resolver o problema. Os galhos cortados da árvore já estavam lá desde o início da semana passada.

Espero que os usuários do local estejam reclamando e insistindo com suas reclamações na Prefeitura. É claro que poderá surgir alguém dizendo que está sendo feita uma adequação das árvores do bairro, com supressão ou poda. Mas a pergunta é simples: qual é o critério para se fazer o processo completo e com a garantia de segurança para todos os envolvidos? Qual seria o tempo máximo necessário para essa operação?

Só falta também surgir alguém dizendo que a ausência de critério é o critério, e que deve ser usado o bom senso. Se refletirmos um pouco mais perceberemos que sempre que houver critério, não será necessário apelar para o bom senso.

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Fotos: Marina Borges e Sérgio Verteiro

Na rua Almandina, paralela à Hermílio Alves, a acessibilidade também está difícil para quem usa o passeio público. Quase na esquina com a rua Bueno Brandão, a única diferença entra a quinta passada e ontem é que foi feito um serviço meia-boca, remendando um pouco do passeio mas deixando torrões de terra vermelha e entulho.

E a gente vai ficando para trás, mesmo pagando o IPTU em dia, que não nos é retribuído com serviços de qualidade.

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