Só resta a outra metade do ano

por Luis Borges 30 de junho de 2019   Pensata

Os primeiros seis meses do ano já se foram, deixando no rastro um legado de incertezas e desconfianças que não nos ajuda a saber com alguma clareza para onde vamos. Mas ainda assim é preciso parar ligeiramente, mesmo que no ar, para avaliarmos nossas percepções em relação às expectativas até então existentes para o semestre que está se findando.

Isso deve ser feito para os mandatos do Presidente da República e dos Governadores dos estados, eleitos em outubro do ano passado, com a certeza de que quanto mais o tempo avança fica mais difícil de encontrar culpados para justificar o não encaminhamento de soluções sustentáveis para resolver os problemas crônicos existentes. Tenho a sensação de que o tempo continua passando indelevelmente, como é da sua natureza, enquanto os eleitos ainda não conseguiram mostrar a que vieram e que planejamento estratégico formularam para nortear seus mandatos. Não basta dizer que foram eleitos pelas urnas, como se isso fosse um passaporte automático para ficarem sentados na cadeira até o último dia do mandato fazendo o que dá na cabeça.

Podemos e devemos estabelecer parâmetros para avaliar e medir o desempenho dos governantes, que devem gerenciar pela liderança e não pelo comando. É claro que todos precisam ter uma capacitada equipe de assessores para trabalhar na formulação consistente de suas propostas, sem revogar a lei da gravidade e com o devido respeito à Constituição do país e dos estados.

Só para ilustrar a importância da avaliação de desempenho para impulsionar a busca da melhoria contínua vou citar aqui uma pesquisa de opinião sobre a atuação Governo Federal feita pelo Ibope para atender uma encomenda da Confederação Nacional da Indústria (CNI) cujos resultados foram divulgados no dia 27 de junho. Por mais que se fale e se questione resultados de pesquisas dessa natureza é forçoso reconhecer que eles trazem parâmetros que podem ajudar a melhor compreender a distância entre o sucesso e o fracasso na visão dos participantes da amostragem feita. Nessa pesquisa, realizada entre os dias 20 e 23 de junho com 2.000 pessoas em 126 municípios, o governo do Presidente da República foi considerado Bom/Ótimo por 32% dos entrevistados, Regular também por 32% e Ruim/Péssimo por outros 32%. A margem de erro é de 2%. A comparação com a pesquisa anterior realizada pelo Ibope em abril mostra uma piora na avaliação, já que o índice de Bom/Ótimo era de 35%, Regular 31% e o de Ruim/Péssimo era de 27%.

A pesquisa também mediu a reação dos entrevistados à maneira de governar do Presidente e mostrou que o percentual de desaprovação cresceu de 40% para 48%, enquanto a aprovação recuou de 51% para 46%. A confiança no Presidente também diminuiu. O percentual dos que confiam nele passou de 51% para 46% e os que não confiam aumentou de 45% para 51%.

Como se vê, a observação e análise desses dados e de outros recortes da pesquisa podem trazer mais informações para quem quer melhor compreender o que está acontecendo no plano federal. O mesmo pode ser feito para os governos estaduais.

Pessoalmente percebo que entre erros, acertos, “bateção” de cabeças, polarização da sociedade, fake news no varejo e no atacado, 13 milhões de desempregados e 4,9 milhões de desalentados, projeção de crescimento do PIB de apenas 0,8% até o momento, reforma da previdência deixando de fora os militares, anúncio de uma barulhenta novidade a cada dia… se a economia não retomar um crescimento sustentável as incerteza e desconfianças prosseguirão cada vez maiores. Até quando será possível aliviar as tensões crescentes do barril de pólvora do país, que é tão desigual e injusto? Os fatos não deixam de existir só porque são ignorados, negados ou justificados por causa de culpados.

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O professor é aquele que ensina ao doutor num processo que começa na mais tenra idade e vai até onde as pessoas conseguem ir na educação continuada. O que todos esperam é que os professores estejam sempre preparados para cumprir a nobre missão de ensinar e aprender na interação com seus alunos. Tudo deve partir das premissas de que não existe substituto para o conhecimento e de que a educação é a base de tudo. A crença é de que devemos partir dos fundamentos para os conceitos, suas aplicações e o atingimento dos resultados esperados. Mas como todos estamos cansados de saber e denunciar, nem tudo são flores para o professor em todos os níveis educacionais. É só parar um pouco e começar a fazer a lista de dificuldades de todos os modos que existem ao longo do caminho.

O que quero contar aqui se refere a pedras não imaginadas que surgiram no caminho de um professor de um curso de pós-graduação, nível de especialização – sentido amplo, em Gestão Estratégica de Negócios ofertado ao mercado por uma fundação sem fins lucrativos, mas não filantrópica, cuja sede fica na cidade de São Paulo. O fato é que a crise econômica atingiu em cheio o curso, que respondia por 70% do faturamento da fundação, e o número de turmas vendidas por semestre em todo o país, principalmente nas regiões Sul e Sudeste, caiu em torno de 50% nos últimos 2 anos.

O reposicionamento estratégico indicou a necessidade de uma inovação na estrutura curricular para aumentar a qualidade atrativa do produto, que era o mesmo desde o seu lançamento há 9 anos. De cara, foi admitido um novo coordenador para o curso, que exigiu a contratação de um assistente operacional de sua confiança. A primeira medida tomada foi redesenhar o curso em nome da inovação, sem pesquisar o mercado para verificar qual era a necessidade que seria atendida pelo curso “inovado” e de quem era essa necessidade. Ao começar a agir direto pelo “como fazer”, na ansiedade de alcançar resultados rápidos, a primeira medida foi cancelar algumas disciplinas e criar outras denominações que estão na moda, numa mudança muito mais cosmética do que consistente. O assistente do novo coordenador implementou as mudanças como um trator e sem coragem para conversar com os professores que tiveram suas disciplinas extintas, todos lecionando na fundação como pessoas jurídicas. Só afirmou que eles continuariam na lista de fornecedores da fundação caso surgisse alguma necessidade num momento futuro.

Então, sentindo na pele uma espécie de “demissão branca”, o professor que era o melhor avaliado pelos alunos numa série histórica de nove anos quis entender os parâmetros que foram utilizados para justificar as decisões tomadas pela nova coordenação. O assistente operacional tentou justificar dizendo que o professor questionador foi mal avaliado por uma turma, com a nota 8,2 numa escala de 0 a 10. O professor rebateu o assistente perguntando se ele havia lido suas outras 26 avaliações em que suas notas variaram de 9,3 e 9,8 em função da avaliação de quesitos como domínio e conhecimento do assunto, clareza e objetividade na exposição, capacidade de prender a atenção da turma, esclarecimento de dúvidas e cumprimento do programa. Sem argumentos para contestar o melhor professor segundo a avaliação dos alunos só restou ao assistente encerrar a conversa bruscamente, dizendo que as mudanças foram feitas para atender as exigências do mercado e recuperar a fatia perdida pela fundação. Arrematou dizendo que, infelizmente, aconteceu a dança das cadeiras e ele ficou sem espaço na nova configuração e que o passado glorioso não garante nada no presente.

Você já passou por uma situação desrespeitosa como esta em que os que deveriam ser líderes atuam como feitores correndo atrás do atingimento de metas malucas que jamais serão alcançadas?

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Vale a leitura

por Luis Borges 23 de junho de 2019   Vale a leitura

É especialista que não acaba mais!

A todo instante nos deparamos com alguém se dizendo especialista em alguma coisa nos diversos segmentos do mercado. Mas, afinal de contas, que critérios poderiam ser usados para definir o que é um especialista? Uma proposta foi feita por Ronaldo lemos em seu artigo Afinal, o que é ser um especialista?, publicado pela Folha de São Paulo.

“Especialista é todo aquele que investiu ao menos 10 mil horas de prática em um determinado assunto. Por exemplo, essa é a média de tempo a que um violinista de talento reconhecido globalmente se dedica sozinho antes da fama”.

Dinheiro emprestado pode gerar muitas perdas

Tudo está mais difícil nesses cinco anos de pífio crescimento da economia brasileira, e o que é pior, são poucas as perspectivas de melhorias importantes num horizonte de médio prazo. A estratégia continua sendo a de sobrevivência e muitas vezes o que fica mais próximo e visível é pedir a um parente, colega ou amigo um dinheiro emprestado, de preferência sem juros, com prazo de pagamento tão logo aconteça a restituição do Imposto de Renda, por exemplo. Será que esse é o melhor caminho diante de um aperto mais bravo, mesmo colocando em risco as relações pessoais diante de uma inadimplência jamais pensada? Como diz o ditado popular “amigos, amigos, negócios à parte”. Conheça a abordagem sobre o tema feita por Julia Mendonça no artigo Não empreste dinheiro para o melhor amigo, o cunhado e nem mesmo a sua mãepublicado em seu blog.

Você passa um bom tempo estudando, fazendo planejamento financeiro, economizando cada centavo para que, um belo dia, algum conhecido venha com aquela frase já manjada: “Estou precisando de uma graninha urgente! Tem como quebrar esse galho para mim? Juro que te pago de volta”. Pronto! Os problemas começaram! A situação é incômoda, pois você fica num dilema: se emprestar, não terá esse dinheiro novamente e, se não emprestar, será considerada a pior pessoa do mundo.

Fiador, caução ou seguro fiança locatícia?

De vez em quando ficamos sabendo de um caso, que acaba se repetindo, em que uma pessoa física avalizou outra no aluguel de um imóvel, por exemplo, e no fim de tudo acabou pagando o pato para não ficar com o nome sujo e evitar a penhora do imóvel garantidor da transação. O constrangimento acaba sendo grande para todos os envolvidos e sabe-se lá como tudo terminará. Outras alternativas para substituir o fiador são a caução ou o seguro fiança locatícia, que também podem não estar ao alcance de quem poderia lançar mão delas. É o que aborda Márcia Dessem em seu artigo Procura-se um fiador, publicado pela Folha de São Paulo.

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O senhor Candinho Rabelo, solteiro, 76 anos, aposentado pelo INSS, voltou a residir em sua cidade natal no interior de Minas há cerca de 2 anos. Ele deixou sua “terrinha”, que hoje tem em torno de 9 mil habitantes, com apenas 20 anos de idade, em busca de melhores condições de vida. Periodicamente voltava lá para visitar toda a família e seus descendentes, no melhor estilo dos mineiros. Com o passar dos tempos quatro dos seus irmãos se casaram e sua irmã mais nova, Dete Rabelo, hoje com 74 anos e solteira, também aposentada pelo INSS, ficou morando com os pais na casa da família e cuidando sempre deles com seu modo intransigente de ser.

Quem primeiro veio a óbito foi a mãe e Dete prosseguiu cuidando do pai, que algum tempo depois também partiu para outro plano. O luto passou e ela continuou morando sozinha na casa da família, onde tudo acontecia conforme o seu querer. Suas manias se acentuaram ao longo de três décadas, nas quais perdeu dois irmãos e viu os sobrinhos crescerem.

Em Belo Horizonte, Candinho seguia no seu baile da vida. Até que perto de completar 74 anos se viu sem emprego e doente. Depois de doze dias de internação, participação efetiva de alguns sobrinhos em sua recuperação e prognóstico de que não poderia mais viver sozinho, só foi possível uma saída. A solução foi voltar para a cidade natal e tentar se reintegrar à família, contando com a irmã, as sobrinhas e um sobrinho.

Passados dois anos morando com a irmã na casa herdada dos pais, agora ele toma uma pequena dose diária de cachaça para bambear os nervos e aguentar o duro convívio marcado pelas manias da “mana”. Candinho Rabelo diz que tem passado por grandes provações, que nos momentos mais conflitantes tem vontade de “voar no pescoço” da irmã, que ele considera louca, e que só vai levando a vida por não ter coragem de se suicidar. Entretanto ele lamenta não ter se preparado para a aposentadoria e a cada dia sente falta dos projetos que não fez para essa fase da vida. Ele chega até a tentar compreender o sistemático e ditatorial jeito de ser da irmã, também idosa como ele, mas o que ele nunca imaginou é que um dia voltariam a morar cotidianamente na mesma casa. E após as raivas de todos os dias acaba por se conformar com o dito popular que diz que “o que não tem remédio, remediado está”.

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Curtas e curtinhas

por Luis Borges 18 de junho de 2019   Curtas e curtinhas

Telemarketing perturbador

Mais uma vez a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que regulamenta e fiscaliza o setor, tenta colocar um freio nas invasivas e abusivas práticas do telemarketing. A Anatel determinou que daqui a 30 dias deve ficar pronta a lista “não perturbe”, contendo os números dos telefones que não querem receber este tipo de ligação. Só mesmo conferindo os resultados efetivos dessa medida após o prazo estabelecido, pois fiscalizar o cumprimento dos direitos do consumidor não tem sido o foco da Anatel, apesar de ser uma das suas missões.

Festas juninas

Enquanto as festas juninas estão acontecendo pelo país afora está chegando o feriado de Corpus Christi na próxima quinta-feira, que pode virar uma boa emenda. Quem deve estar adorando tudo isso são os parlamentares, principalmente deputados e senadores, que precisam estar em suas bases no dia de São João, 24 de junho. Afinal de contas teremos eleições municipais no segundo semestre do ano que vem e isso interessa a todos. O parlamento tem seu ritmo e também a cultura de não trabalhar nas semanas que tem algum feriado. A tão decantada renovação ocorrida nas últimas eleições foi muito mais de nomes do que de posturas e atitudes no cotidiano da vida parlamentar.

Greve contra a Reforma da Previdência

Os metroviários de Belo Horizonte aderiram à greve geral contra a Reforma da Previdência Social no dia 14/06 e não acataram a determinação da Justiça do Trabalho para que houvesse uma escala de atendimento mínimo no início da manhã e final da tarde. É interessante observar, que mesmo com a ampla divulgação da adesão dos metroviários à greve em diversas mídias, muitos foram os usuários que se dirigiram às estações do metrô e se disseram surpresos com os portões fechados, alegando desconhecimento do fato. Será que informação demais é contra informação ou está faltando foco às pessoas naquilo que realmente conta para as suas vidas?

Preços dos planos de saúde

Um levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostrou que o preço dos planos de saúde subiram 382% em 18 anos, mais que o dobro da inflação do setor no período. O aumento ficou muito acima da inflação oficial medida pelo IPCA do IBGE, que foi de 208%, e também mais que o dobro da inflação específica do setor de saúde, que ficou em 180%.

Apesar da Agência Nacional de Saúde Suplementar considerar tecnicamente inadequadas as comparações feitas entre o índice de reajuste dos planos de saúde individuais e índices de preços ao consumidor, o fato é que ninguém melhor que o consumidor desses mesmos planos para dizer o quanto pesam em seu bolso esses aumentos astronômicos, principalmente quando comparados com a perda de seu poder aquisitivo no mesmo período e cujas causas são por demais conhecidas no capitalismo brasileiro. É o que temos.

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O papel do assessor

por Luis Borges 15 de junho de 2019   Gestão em pauta

O ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, 8 anos de mandato advindos de duas eleições, fez conferência em São Paulo no dia 30 de maio. Entre os diversos temas abordados, quero destacar aqui como ele concebe o papel da função assessoria nas organizações humanas. Segundo ele:

“Minhas melhores decisões eram quando tinha gente discordando de mim. Para ser um bom líder, você não precisa saber todas as respostas. Basta fazer as perguntas certas. Ter pessoas melhores que você no time. Servir e empoderar os outros”.

Aqui no Brasil que imagens temos de boa parte das pessoas que ocupam essas funções trabalhando com temas amplos e abertos, temáticos ou específicos? Uma imagem bem difundida é a de que o assessor é bem remunerado, tem privilégios, fala muito, é cheio de ideias nem sempre factíveis, mas apresenta poucas coisas estruturadas, consistentes. Isso acabou reforçando muito a ideia de baixa produtividade, que levou muitos deles a serem designados nos ambientes das organizações pelas alcunhas de “aspone” e “asmene” que só querem comer, beber e dormir, se dar bem. Isso se agrava quando o assessor é alguém que já ocupou altos cargos da direção das organizações humanas, às vezes foi ministro ou secretário no poder executivo, parlamentar, diretor de empresa estatal… É claro que casos como esses também são muito encontrados no mundo privado, talvez só em escala menor ou porque a transparência não é obrigatória. Percebo atualmente como choram, reclamam e se vitimizam algumas pessoas que trabalham na função “assessoria”, clamando por mais espaço, aceitação de suas contribuições, reconhecimento e provavelmente sonhando em voltar a ocupar cargos em que serão tomadores de decisão.

Uma das causas geradoras dessa situação é o esquecimento ou desconhecimento do que seja o papel da função assessoria e do assessor. O Dicionário Online de Português define que “assessoria” é:

grupo de indivíduos especializados, instituição, empresa ou departamento que assessora, que presta auxílio a pessoas físicas ou jurídicas. Órgão ou grupo de pessoas responsáveis por assessorar, por oferecer um serviço especializado a um chefe. Empresa, instituição ou entidade especializada que pesquisa e fornece dados ou informações sobre um assunto determinado.

Por outro lado “assessor” é:

Aquele que auxilia, exercendo atividades e/ou cargos com o intuito de ajudar alguém em suas tarefas ou funções, ou substituindo esta pessoa quando ela estiver impedida de exercer seu ofício. Aquele que, sendo especialista em determinado assunto, ajuda uma pessoa, baseando-se na área de seu conhecimento.

Portanto fica claro que o assessor contribui com o seu trabalho para a tomada de decisão de quem conta com os seus serviços. Obviamente que tudo deve ser feito com método, consistência, proposições claras, sem contudo querer só falar em propostas e coisas agradáveis aos ouvidos do tomador de decisões.

Infelizmente não há espaço para o “puxa-saquismo” e para o temor do confronto entre abordagens consistentes que ajudarão na formulação de soluções criativas para os problemas que surgem na gestão de qualquer negócio. Tenho a certeza de que hoje ainda estamos longe da excelência nesta questão, mas deve-se lutar sempre pela melhoria contínua da compreensão dos papéis exercidos pelos participantes desses processos.

Encerrando, quero te, perguntar, caro leitor sobre como tem sido a sua experiência ao trabalhar com a função assessoria, tanto no papel de cliente como no de fornecedor. Aguardo suas contribuições nos comentários do blog.

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Caos iminente

por Convidado 11 de junho de 2019   Convidado

* por Sérgio Marchetti

É voz corrente, quase unanimidade, dizendo que está faltando gentileza no mundo. Talvez a explicação mereça estudo mais profundo para entendermos o porquê de testemunhar atitudes de tantas pessoas grosseiras, mal-educadas, arrogantes que apostam todas as suas fichas no poder que, muitas vezes, foi adquirido por apadrinhamento ou por vias nada convencionais. Lamentavelmente falta mais do que conduta gentil – faltam respeito, educação e honestidade.

Também nas organizações o relacionamento é ruim e a confiança anda em baixa. Porém, em minha humilde visão, o que presumo é que grande parte do nosso passado tenha sido assim. Antes, o que definia o poder era a força física e a hierarquia dos grandes reinos – que também se valiam da força para roubar os mais fracos. Depois, a humanidade se educou e alcançou melhoria expressiva. Mas não durou muito.

Vocês devem estar pensando: mas tanta coisa mudou. Sim, os valores mudaram muito, mas as pessoas continuam se valendo da posição que alcançaram e sentindo o “gosto” de dar ordem – eu mando e você obedece – independentemente de saberem menos do que o outro sobre determinado assunto. O que prevalece é o poder e não a autoridade. Mas felizmente todos sabemos que jabuti não sobe em árvore.

Dessa forma, os feitores pós-modernos defendem, na teoria, o trabalho em equipe e proferem palavras falsas de sentimento de time. Isso mesmo. O que se esquecem é de que as atitudes devem ser fieis ao discurso, pelo simples fato de que as pessoas percebem mais a força das ações do que das palavras.

O filósofo iluminista, Denis Diderot, afirmou que “a prosperidade descobre os vícios, e a adversidade, as virtudes”. Entretanto, em meio a tantos problemas, não estamos conseguindo ver nada muito virtuoso. E “de tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”.

Ora, meus persistentes leitores, sabemos por diversas pesquisas e variadas fontes que a doença do século já é a depressão e que será ainda mais intensa nos próximos anos. Pudera! O que assistimos é o enfrentamento de pessoas, de mulheres contra homens e vice-versa, onde predomina o jogo de interesses que os tornam demasiadamente incoerentes e agindo contra si.

O que pode salvar o mundo é a união e não a ruptura. O que faz um casal feliz é a soma das diferenças, a intercessão e não a competição. O que faz uma nação ser forte é um trabalho com foco e um povo convergente. Mas há forças veladas e oportunistas que desejam o caos, pois agem na surdina, na confusão e na escuridão.

É tão triste constatar que a insensatez humana chega ao ponto de as pessoas se sentirem mais felizes com a derrota dos rivais do que com a sua própria vitória.

* Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

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