A magia das palavras

por Convidado 4 de março de 2021   Convidado

*por Sérgio Marchetti

 “Quem não vê bem uma palavra não pode ver bem uma alma.” ( Fernando Pessoa)

As pessoas que me procuram para participar de cursos e aulas individuais de oratória apresentam sempre um ponto comum, que é informado por eles: o nervosismo.

Para mim, que estou há 25 anos ministrando cursos de oratória, não é nenhuma novidade. O que desconhecem, entretanto, é que há outros problemas que, se solucionados, irão contribuir com a diminuição do nervosismo. São vários, mas, hoje, quero destacar o vocabulário.

Em ocasiões anteriores, cheguei a falar sobre a variação do vocabulário, dependendo de cada ambiente. Na leitura de um texto num tribunal, há, data vênia, a aplicação de palavras técnicas, antigas, eruditas e incompreensíveis para alguns. Num discurso médico, os termos técnicos também podem não ser entendidos por leigos. E assim acontece com cada segmento. A comunicação tem inúmeras línguas que, por sua vez, apresentam linguagens diferentes.

Imagine que a língua portuguesa tenha em torno de 600 mil palavras (Ieda Alves), presuma quantas palavras você utiliza em seu vocabulário. Há uma disparidade enorme entre o que temos à disposição e o que realmente aplicamos. Com isso, chegamos à conclusão de que não precisávamos de tantas palavras, porém, não satisfeitos linguisticamente, ainda criamos vocábulos novos e importamos muitos outros de várias línguas, sobretudo do inglês. O estrangeirismo ou barbarismo acomete todas as línguas.

O que sugiro aos meus alunos é que procurem ampliar seus vocabulários, anotando algumas palavras que ouvem numa palestra ou reunião, mas que não têm o hábito de usar. Outro exercício interessante é ler uma frase já escrita e alterar todas (ou quase todas) as palavras, sem que haja a mínima perda do sentido do texto.

Conhecer as palavras e saber quando usá-las é como aprender etiqueta e saber que cada talher tem sua função. Os vocábulos têm vida própria, são específicos para transmitir uma mensagem com exatidão. Ou seja, obter êxito na semântica.

Quero chamar a atenção, também, para expressões e alguns contextos curiosos. No futebol, por exemplo, um antigo – e já falecido – técnico da nossa seleção descobriu o ponto futuro e, como não ganhou nada, deve ser deixado num ponto do passado. Mas, em outra decepcionante Copa do Mundo, aqui no Brasil (gol da Alemanha, gol da Alemanha, outro gol da Alemanha… Chega!), disseram que faltou atitude. Já falei disso, mas tem mais: agora, jogadores flutuam em campo. Talvez imaginem o ponto futuro e voem. Aí, os comentaristas, praticando o neologismo, inventaram jogadas cirúrgicas e a falta de gols é atribuída a erro na tomada de decisão. Mas não satisfeitos, ainda fazem análises psicológicas e atribuem as derrotas ao estado anímico dos jogadores. A palavra, vinda do latim “anima” ou do grego “psykhé” significa “alma”, e deve exigir um religioso para cuidar daqueles pobres atletas que padecem em sua pesada labuta. Sendo latim ou grego, nossos times estão longe de atingir um patamar que nos faça ter orgulho deles.

Para ser bem sincero, acreditava mais quando os jogadores não flutuavam, apenas corriam nos gramados com os pés firmes no chão, o coração na ponta da chuteira preta e com muita vontade de vencer.

*Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

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Gente humilde

por Luis Borges 1 de março de 2021   Música na conjuntura

O Dia Mundial da Justiça Social ocorreu em 20 de fevereiro e lembra importância de relações mais justas entre o indivíduo e a sociedade. Ainda estamos longe desses ideais de justiça em prol da paz social, principalmente quando constatamos que, segundo o IBGE, os 10% mais ricos ficaram com 43% da renda nacional em 2019. Enquanto conseguirmos manter a capacidade de nos indignarmos diante de tantas desigualdades haverá a esperança de dias melhores numa sociedade bem mais justa. Mas como é duro ver a realidade e não agir por impotência ou autismo social, tanta gente em situação de rua ou nos aglomerados das cidades grandes, médias ou mesmo pequenas. Tudo se agrava mais com a carestia, a fome, o contínuo avanço da pandemia…

Nesse sentido revisitei a música Gente Humilde, composta por Aníbal Augusto Sardinha, o Garoto, em 1945, que foi complementada por Vinícius de Moraes e Chico Buarque de Hollanda no final da década de 60 do século passado. Ela fez sucesso em 1970 ao ser lançada inicialmente pela cantora Ângela Maria em seu disco – LP – Ângela Maria de Todos os Temas, e em seguida pelo cantor Chico Buarque no disco Chico Buarque de Hollanda, vol. 4 . 

Naquele ano o Brasil tinha 95,5 milhões de habitantes e 3,3 milhões de desempregados. Hoje, pouco mais de 50 anos depois, a população é estimada em 212 milhões de habitantes, os desempregados se aproximam de 14 milhões e os desalentados chegam a 5,5 milhões. Enquanto isso, 60 milhões de pessoas aguardam um novo auxílio emergencial “permanente”, a bolsa capital.

Vale a pena conhecer ou ouvir de novo Gente Humilde nesse início de março de 2021.

Gente Humilde
Fonte: Letras.mus.br

Tem certos dias em que eu penso em minha gente
E sinto assim todo o meu peito se apertar
Porque parece que acontece de repente
Como desejo de eu viver sem me notar

Igual a como quando eu passo no subúrbio
Eu muito bem, vindo de trem, de algum lugar
Aí me dá uma inveja dessa gente
Que vai em frente, sem nem ter com quem contar

São casas simples, com cadeiras na calçada
E na fachada escrito em cima que é um lar
Pela varanda, flores tristes e baldias
Como a alegria de não ter onde encostar

E aí me dá uma tristeza no meu peito
Feito um despeito de eu não ter como lutar
E eu que não creio, peço a Deus por minha gente
É gente humilde, que vontade de chorar.
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No dia 15/02, segunda-feira do cancelado Carnaval, diversos meios de comunicação divulgaram a perda de 229 doses da vacina contra a Covid-19 na Policlínica de Igarapé, em Minas Gerais. Segundo as explicações iniciais dadas teria ocorrido uma falha no circuito elétrico, que ocasionou uma pane no sistema de refrigeração do equipamento que armazenava as vacinas no final de semana. As doses das vacinas deveriam ser mantidas numa temperatura que variasse de 2°C a 8°C, mas o equipamento marcava 36°C quando foi aberto na manhã daquela segunda-feira.

Em casos como esse em que a coisa “dá ruim” sempre aparecem os que procuram os culpados pelo acontecido, os que tentam uma justificativa salvadora de todos os envolvidos e até alguns poucos que tentam encontrar as causas do problema. Nesse caso das vacinas, a escassez do bem no momento em que o processo de imunização se inicia a passos lentos faz com que o sentimento de perda pareça ser ainda maior, principalmente diante da faixa etária a quem se destinava.

Ao analisar as causas da pane elétrica a primeira coisa a se fazer seria buscar um histórico, preenchido com fatos e dados, sobre a utilização e manutenção do equipamento. Se não houver tais registros, o jeito é fazer um trabalho quase artesanal e arqueológico pra encontrar o retrospecto do aparelho. É bem provável que a expressão “falta de” comece a surgir. Provavelmente surgirão afirmações como falta de manutenção eletromecânica, falta de recursos financeiros para a substituição de equipamentos com a vida útil vencida, falta de treinamento para os funcionários do setor, falta de energia momentânea na região…

O fato é que a gestão da manutenção ainda é uma grande lacuna a ser preenchida em todos os níveis da sociedade brasileira. Podemos começar pela manutenção do próprio corpo dos seres humanos, de suas moradias, dos locais em que trabalham, estudam ou das vias públicas nas quais transitam ou nos veículos em que se deslocam por terra, água ou ar, isso para citar apenas algumas possibilidades. Classicamente podemos considerar que a manutenção pode ser corretiva, preventiva ou preditiva, mas é grande a prevalência da manutenção corretiva. Se olharmos para os seres humanos veremos que muitos deles só procuram os profissionais da saúde quando algum problema surge nos dentes, no coração, nas glândulas endócrinas, no sistema neurológico, no sistema urológico… Outras vezes só se percebe que a calha do telhado de uma casa está entupida de folhas quando a água da chuva inunda a sala à procura de um caminho para escoar.

Quero realçar a imperiosa necessidade que cada um de nós deve ter perante a manutenção, com prevalência da ação em detrimento da omissão. Essa matéria é longa e podermos voltar a ela outras vezes.

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Faz algum tempo que as expressões “buscar o equilíbrio das contas públicas” e “não podemos aumentar mais a nossa alta carga tributária” aparecem nos aspectos políticos, econômicos e sociais das nossas análises de conjuntura e nas tentativas de desenhar cenários. No caso da carga tributária, vale lembrar que ela aumenta a cada ano em que a tabela do Imposto de Renda Retido na Fonte deixa de ser corrigida. E isso é o que mais ocorreu nos últimos 24 anos, causando um aumento real de 113% na tributação.

Agora, enquanto a pandemia da Covid-19 recrudesce e persiste com seus números exuberantes, a Fundação Getúlio Vargas mostra que atualmente 30% da população está na linha da pobreza e 10% no patamar da miséria. Enquanto a fome grita, 20 projetos tramitam na Câmara dos Deputados propondo um novo auxílio emergencial, com vigência até o final do ano. Apenas 3 deles defendem o valor de R$300 mensais enquanto a maioria chega aos R$600 por mês. Isso é o embrião para uma futura garantia de renda mínima, uma espécie de bolsa capital para atenuar as tensões sociais no tardio capitalismo brasileiro, hoje liderado pelo segmento financeiro.

Lembremos que já estamos no meio do mês de fevereiro – felizmente sem carnaval – e o Congresso Nacional ainda não começou a discussão e negociação que precederá a aprovação do orçamento da União Federal para o ano de 2021. Portanto, ainda dá tempo para o Ministério da Economia mostrar de onde virão os recursos para o auxílio emergencial ao longo do ano. Um bom caminho para encontrar recursos seria fazer uma análise da qualidade dos gastos feitos nos últimos orçamentos e das premissas de arrecadação e despesas utilizadas. A partir daí muitos gastos não resistirão ao primeiro questionamento sobre o que é vital e o que é trivial, quando se defende o uso racional de recursos escassos diante de tantas necessidades básicas. Vale lembrar que onde tudo é prioritário nada é prioritário.

Só para ilustrar olhemos para o tamanho de alguns gastos como os que são feitos para manter os privilégios na remuneração cheia de penduricalhos da casta dos super funcionários públicos dos três poderes, as mordomias presentes nas licitações de compras de itens não essenciais, os aviões da FAB à disposição para transporte individual de autoridades, a manutenção de palácios residenciais e de trabalho, a quantidade de empreendimentos cujas obras estão paralisadas… Basta olhar o que é publicado no Portal da Transparência para melhor conhecer o destino do dinheiro público.

O momento exige muito foco e determinação para combater o desperdício e melhorar a qualidade dos gastos num país tão desigual, onde a população já chega a 212 milhões de pessoas, segundo a mais recente estimativa do IBGE.

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A argumentação

por Convidado 5 de fevereiro de 2021   Convidado

*por Sérgio Marchetti

“Os limites de minha linguagem significam os limites de meu mundo.” (Wittgenstein)

Posso dizer que houve, nesses últimos vinte anos, a maior expansão da literatura de todos os tempos sobre os diversos e mais variados assuntos. Mas, de forma avassaladora, também cresceu o número de pessoas que discutem temas, sobretudo polêmicos, somente com os ímpetos da paixão, que os impedem de aceitar quaisquer argumentos, ainda que documentados oficialmente.

Em minhas aulas e nas orientações individuais sobre o tema argumentação, meus alunos me indagam sobre como proceder quando argumentos inquestionáveis são desprezados pelos oponentes. Eu respondo que, conforme já diziam os antigos: “contra fatos não há argumentos”. Mas sei que não é o que tem ocorrido na prática, em discussões formais e informais.

Vejam, receptivos leitores, como é difícil a arte de comunicar: três pessoas olham para um indivíduo barbudo e de cabelos longos. Um diz que é Jesus, outro que é um hippie qualquer. E um terceiro, que não tem coragem de arriscar, diz que ambos são ignorantes. Ou seja, critica, mas não soluciona. E isso não é novidade. É sabido que, desde os primórdios, onde houvesse três seres pensantes, fatalmente haveria algum tipo de discordância e, possivelmente, alguém “em cima do muro”.

Na antiga Grécia, nos tempos platônicos, existiram os sofistas que cobravam pelos ensinamentos da argumentação sobre qualquer tema, mesmo que os argumentos não fossem válidos e nem reproduzissem a verdade. Ora, a busca da verdade não é tarefa fácil. E muitos não a querem. Há casos em que, mesmo sob flagrante, o criminoso nega o que todos estão presenciando. Então, como vemos, não foram somente alguns gregos que desenvolveram teses falsas, defendidas pela retórica quase que perfeita. Na realidade, com o advento da democracia, todas as pessoas passaram a ter direito de defender suas ideias e, com isso, a prática da argumentação, falsa ou verdadeira, cresceu bastante desde os tempos de Aristóteles.

Em breves palavras e sem aprofundar no assunto, pois sabemos que o novo leitor se impacienta diante de muitas palavras, podemos dizer que a arte da dialética, tão desprezada nos novos tempos, é a melhor forma de aprender a argumentar. Tal arte tem como pré-requisito não apenas saber falar, mas também saber ouvir, pois se você, meu ansioso leitor, não conseguir ouvir para conhecer pontos de vista diferentes e contrários aos seus, jamais conseguirá ser um bom argumentador. E ainda tem mais um elemento para compor o perfil de quem defende honestamente suas ideias: procure trabalhar com a razão — pois somente ela é conselheira fiel de quem busca a verdade dos fatos.

*Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

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Gestão é o que todos precisam, mas nem todos sabem que precisam. Essa afirmação esteve em grande evidência no Brasil na última década do século passado, quando a gestão pela qualidade deu uma sacudida no método gerencial, no caminho para conduzir bem os negócios.

Passadas quase 3 décadas vai ficando visível que é necessária uma nova sacudida na medida em que diversas premissas da gestão vão sendo deixadas de lado ou são praticadas parcialmente, além de continuar ignoradas pelos céticos daquela época. O método gerencial se baseia no conhecimento científico a partir dos fundamentos, conceitos e técnicas que aplicados levam a resultados – entregas dentro de expectativas estabelecidas pelo plano estratégico.

Nesse sentido saltam aos olhos alguns fatos e dados que mostram a enorme dificuldade para resolver problemas sem o uso de um método consistente, cuja ausência só facilita a prevalência das tentativas e erros com seus altíssimos custos.

O caso do combate à pandemia da Covid-19 traz alguns exemplos do que não fazer. A primeira condição para resolver um problema é admitir que ele existe, e isso pode significar até 50% da sua solução. Essa gestão exige que ela seja feita pela liderança e não pelo comando, e de maneira integrada num processo participativo. Não há espaço para o achismo e o “mandonismo” no melhor estilo do “manda quem pode, obedece quem tem juízo”. Isso vale para todos os níveis de uma organização humana, seja ela pública ou privada, sempre tendo como base o conhecimento e o método com muito foco, determinação, disciplina e constância de propósitos.

O colapso da saúde pública vivido pela cidade de Manaus, capital do estado do Amazonas, nos mostra as consequências danosas da não observância de fundamentos básicos da gestão. Nesse caso se esqueceram que “quem não controla não gerencia”, embora gerenciar não seja só controlar. Aqui também vale lembrar que “quem não mede não gerencia” e isso é fundamental para o controle de qualquer processo. Nesses tempos que vivemos não dá para dizer que “eu não sabia” e ainda tentar construir narrativas para defender o indefensável. Os atos tem suas consequências.

No caso específico da vacina para a imunização contra a Covid-19 são visíveis as lacunas na gestão da cadeia de suprimentos, que é globalizada e exige inteligência estratégica nas relações diplomáticas e comerciais que permeiam os negócios. Não dá para colocar todos os ovos na mesma cesta, pois isso caminha na contramão das estratégia.

Como se vê ainda estamos longe da excelência na gestão. Está na hora de uma nova sacudida no conhecimento gerencial, mas enfatizando que sua aplicação deve ser permanente e em consonância com a melhoria contínua. O desafio continua!

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Há quase dois anos postei neste blog uma pensata sobre as dificuldades no convívio entre dois irmãos idosos, com mais de 70 anos de idade, que se viram obrigados a voltar a morar juntos na casa que foi dos pais.

De lá para cá as coisas só pioraram para eles e as relações pessoais foram se esgarçando. Um fato bem marcante que justifica essa atualização cultural foi a decisão da irmã Dete Rabelo em mudar seu fuso horário para reduzir o tempo de convívio com o irmão Candinho Rabelo. Isso começou a acontecer no ano passado, a partir do início da pandemia da Covid-19. Ela passou rapidamente a acordar cada vez mais tarde e já faz algum tempo que só sai do quarto de dormir depois do meio-dia. Com isso o irmão Candinho, que se levanta por volta das 7 horas e não pode mexer nas coisas da cozinha, passou a tomar o café da manha numa padaria próxima da casa.

Dete Rabelo inicia o seu lento ritual preparativo para o primeiro café do dia, que acaba ocorrendo lá pelas 13 horas, bem como lavar e guardar as vasilhas após tudo acontecer. Enquanto isso o irmão Candinho chega em casa para tirar uma soneca após voltar do almoço, que passou a ser feito na casa de uma irmã viúva de 80 anos que mora num quarteirão próximo. Vale lembrar que o café que sobra fica destinado para o final da tarde de Candinho. Ele coincide com o horário em que sua irmã Dete faz as compras dos diversos insumos gastos na casa.

Assim todos os afazeres da casa foram mudados ao longo do dia em função do novo fuso horário imposto. O que é a primeira e única grande refeição do dia, o almoço, passou a acontecer em torno das 19:30, o que poderia ser equivalente a um jantar para seu irmão, mas ele não tem o habito de jantar, apenas faz um lanche leve a noite acompanhado por chá ou suco de frutas. Lá pelas 23h já é seu momento de dormir, enquanto sua irmã começa a colocar roupas na máquina de lavar, que serão passadas na noite seguinte. Por volta de uma hora da madrugada Dete começa a limpeza de todos os cômodos da casa, menos o quarto de Candinho, que dorme usando protetores auriculares. Por volta das 4 horas da manhã, ela vai tomar banho, depois fazer orações que incluem o terço católico para finalmente se deitar em sua arrumadíssima cama. Pouco depois, o sono chega junto com os sinais da aurora.

Como se vê, os irmãos idosos continuam não se aguentando e reduzindo ao máximo as possibilidades de convívio, enquanto o irmão se comporta como súdito da irmã que reina e governa autocraticamente como uma rainha. Parece ate ficção, mas é tão real!

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