Como sobreviver às mudanças?

por Convidado 13 de fevereiro de 2026   Convidado

*por Sérgio Marchetti1

Quando vejo a crueldade humana ultrapassando todos os limites — feminicídio, latrocínio, estupro — e o poder corrompendo pessoas, tornando-as más e desonestas, confesso que a descrença, às vezes, se impõe.

Nas organizações, o cenário também preocupa: assédio moral, relações agressivas e recordes de afastamentos por adoecimento mental. Esses fatos me desafiam profundamente, especialmente por atuar na Formação de Líderes.

Ainda assim, ao acompanhar estudos sobre liderança contemporânea, governança, gestão de pessoas, novos perfis de líderes e métodos de trabalho, percebo que há esperança. Mais do que isso: sigo alinhado às tendências mais atuais, pois tenho buscado desenvolver conteúdos voltados a uma gestão humanizada, com profissionais valorizados, motivados e genuinamente engajados.

A tecnologia transformou o mundo, a globalização encurtou distâncias e as pessoas passaram a viver de outras formas. Mesmo assim, muitos conceitos essenciais permanecem e seguem sendo alicerces sólidos.

No fim dos anos 1980 e início dos anos 1990, Peter Senge já nos falava da “Organização que Aprende”, sustentada por cinco disciplinas que continuam absolutamente atuais: Domínio Pessoal, Modelos Mentais, Visão Compartilhada, Aprendizagem em Grupo e Pensamento Sistêmico.

E não para por aí. Hersey e Blanchard, James Hunter, Dave Ulrich, Daniel Goleman, entre tantos outros, deixaram contribuições fundamentais. Modelos de liderança do passado seguem sendo a base da eficácia do líder exponencial de hoje.

A roda já foi inventada — e aprimorada inúmeras vezes. Girava nas carroças; hoje, sustenta aeronaves.

A liderança contemporânea, salvo raras exceções, desenvolve e capacita pessoas para que adquiram habilidades e conhecimentos capazes de gerar impacto real na vida pessoal e profissional. Assim, cria-se um ciclo virtuoso, contínuo, de aprendizado e resultados inovadores.

Ambientes assim despertam orgulho, reconhecimento e pertencimento. Tornam-se espaços saudáveis, com energia positiva, leveza nas relações e promoção genuína de bem-estar e felicidade.

E deixo aqui um recado aos líderes que me leem: a maior competência profissional — e também pessoal — é a capacidade de adaptação contínua.

O curso de Formação de Líderes e Gerentes começa no dia 3 de março.

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Sérgio Marchetti

1. Sérgio Marchetti é consultor organizacional, palestrante e Educador. International Certification ISOR em Holomentoring, Coaching & Advice (coaching pessoal, carreira, oratória e mentoria). Atuou como Professor de pós-graduação e MBA em instituições como Fundação Getúlio Vargas, Fundação Dom Cabral, Rehagro e Fatec Comércio, entre outras. É pós-graduado em Administração de Recursos Humanos e em Educação Tecnológica. Trinta anos de experiência em trabalhos realizados no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br

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Educação, saúde, segurança e trabalho são alguns dos grandes temas que povoam as cabeças de muitas pessoas com preocupações que chegam a tirar o sono, um dos pilares para a saúde mental. Observando e analisando o ponto da saúde, é importante lembrar inicialmente que a Constituição Brasileira estabelece em seu Artigo 196 que a saúde é um direito de todos e dever do Estado. Mas como se dá isso na prática a partir do Sistema Único de Saúde – SUS que é um referencial para quem tem foco em saúde pública?

Fica claro que o SUS atende a todos conforme a sua capacidade de processo. E isso abriu no mercado um espaço para atuação no setor privado da saúde, regulamentado e fiscalizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS. Mas quem tem poder aquisitivo suficiente para pagar um plano de saúde nas diversas modalidades e limites técnicos para consultas médicas, exames laboratoriais e de imagens para apoio ao diagnóstico, cirurgias, internações hospitalares em apartamentos individuais, no coletivo de uma enfermaria ou numa unidade de terapia intensiva – UTI se houver vaga?

Fernando Frazão / Agência Brasil

Segundo a ANS, existem atualmente no Brasil 53,3 milhões de pessoas com algum tipo de plano de saúde, que vão dos mais limitados até aos mais completos. Aliás, os preços dos planos aumentam todo ano em índices bem superiores à inflação anual medida pelo IPCA do IBGE.

Chamou minha atenção a campanha publicitária de um plano de saúde de grande porte oferecendo algumas vantagens de momento para que ex-clientes voltem a participar de algum de seus planos. Será que é fácil reconquistar um cliente perdido? Mas o fato é que está crescendo no mercado o número de planos de saúde populares que cobram mensalidades na faixa de R$50, com a primeira consulta a R$40 e R$80 a partir da segunda consulta. O negócio é ganhar no volume e não na margem.

Recentemente já no primeiro mês do novo ano, um participante de um plano dessa modalidade popular fez sua primeira consulta com uma psiquiatra após um encaixe em sua agenda. Tudo durou cinco minutos, tempo suficiente para ouvir a queixa do cliente, emitir a receita de um medicamento e marcar o retorno após três meses de uso do remédio. Vale lembrar que a Organização Mundial da Saúde – OMS recomenda que a duração mínima de uma consulta médica deve ser de 15 minutos. Como os fatos não deixam de existir só porque são ignorados, negados ou justificados, até quando os clientes das diversas modalidades de planos de saúde conseguirão pagar suas mensalidades?

Viva o SUS! Destino natural de quem precisa e quer saúde.

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Estamos vivendo os efeitos de eventos climáticos extremos, marcados pela intensidade e rapidez das chuvas e ventos com suas indesejáveis consequências. Se muitas são as causas desse fenômeno e poucas são as ações para recuperar os danos já causados ao clima da Terra em aquecimento crescente, é inevitável perguntar se haverá racionamento de água em Belo Horizonte e região metropolitana.

O período chuvoso começa a caminhar para o fim e brevemente as águas de março fecharão o verão. O nível de alguns reservatórios do sistema de abastecimento está abaixo dos 50%, conforme mostra o site da empresa concessionária dos serviços. Na mídia são cada vez mais frequentes as informações sobre falta de água prolongada em diversos bairros e suas causas são justificadas de maneira genérica, fugindo do que é fundamental na geração do problema.

Questionados sobre os investimentos na manutenção das redes diante de frequentes rupturas e a redução na pressão, o que mostram os cenários do planejamento estratégico? Considerando que os cenários são projeções sobre aquilo que o futuro poderia vir a ser para um negócio, qual é o cenário otimista, o pessimista e o mais provável?

Portanto, o racionamento do uso da água não pode ser descartado em função dos fatos e dados existentes, inclusive na não concretização do sistema de captação do Rio Paraopeba, que foi projetado para aumentar a segurança hídrica no abastecimento da capital e Região Metropolitana.

Imagem alusiva a água criada com auxílio de inteligência artificial

Imagem alusiva a água criada com auxílio de inteligência artificial

Vale lembrar que no último 25 de janeiro chegamos aos sete anos do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho. Além das centenas de mortes e dos impactos ambientais, a enxurrada de rejeitos também levou embora o sistema de captação e tratamento de água construído em seis meses. De lá para cá nada de mais significativo foi feito e não dá para negar que a vazão de até 5 mil litros por segundo projetada poderá fazer falta, pois as mudanças climáticas são inegáveis, as condições pioraram e o que nos resta é uma adaptação a elas.

É importante lembrar que, segundo o dicionário, racionamento é:

  • o ato ou efeito de racionar; distribuição controlada de recursos escassos.
  • Em contextos de crise hídrica ou energética, limitação do fornecimento de água ou energia elétrica.

Assim sendo, lembremos da Lei de Murici dizendo que “cada um cuida de si” e do dito popular anunciando que “farinha pouca, meu pirão primeiro”.

E você, caro leitor, se sente preparado para viver e sobreviver num tempo de racionamento de água, logo a água que é vida?

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“Os fatos não deixam de existir só porque são ignorados”, disse o escritor inglês Aldous Huxley em seu livro “Admirável Mundo Novo”, lançado em 1932.

Meu ponto aqui é focar no modo como lidamos com os fatos e dados no microcosmo do nosso dia a dia. Uma coisa é acompanhar os temas que viralizam no conectado mundo digital, cheio das mais passageiras novidades de cada segundo. Dá para imaginar, por exemplo, o que se passa diariamente no anonimato das pessoas internadas num hospital, numa residência para idosos, num presídio, ou ainda numa ação policial fiscalizando a documentação de um veículo e seu condutor?

Vejamos o que aconteceu numa Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI), num caso ocorrido no dia 1º de janeiro, feriado nacional. Foi numa residência para idosos em Belo Horizonte, com capacidade para atender 20 moradoras. O preço mensal é de seis mil reais, pagos até o quinto dia útil do mês em curso e não cobre gastos com plano de saúde, medicamentos e produtos de higiene.

Por volta das sete horas, a diretora e proprietária da residência recebeu mensagens de três cuidadoras de idosos informando que não teriam como cumprir a escala de trabalho daquele dia. A surpreendida diretora, que tem um alto índice de viração própria (IVP), passou a fazer contatos com cuidadoras diaristas cadastradas para prestar serviços temporários autônomos na residência. Uma delas disse que não sairia de casa naquele feriado por menos de R$400 a diária.

Como se vê nesse caso, a diretora teve que se virar para resolver o problema, inclusive cumprindo a função de uma das cuidadoras naquela emergência. Mas quais são as causas fundamentais desse problema, notadamente nas organizações humanas de micro e pequeno porte? Como você tem conseguido pessoas para prestar serviços de qualquer natureza em sua casa, em funções como empregadas domésticas, faxineira, passadeira de roupa ou jardineiro? Imagine como estão se virando para conseguir mão de obra os bares, restaurantes, padarias, sacolões e sorveterias de pequeno porte. É o que temos para constatar no momento.

Mas o que e como fazer para resolver esse problema? Será que surgirão propostas neste ano eleitoral?

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2026: O ano que pede lucidez!

por Convidado 18 de janeiro de 2026   Convidado

* por Sérgio Marchetti

O ano que se abre diante de nós no Brasil será, sem dúvida, desafiador. Um período marcado por eleições, disputas de narrativas, paixões exaltadas e por uma Copa do Mundo que, ao mesmo tempo em que une, também pode servir como distração. Não é um ano comum. É um tempo que pede lucidez.

Em contextos assim, somos constantemente convidados a escolher — e, muitas vezes, a fazê-lo no impulso, no medo ou na raiva. Mas decisões que moldam o futuro de um país não podem nascer apenas da emoção do momento. Elas exigem reflexão, responsabilidade e compromisso com o bem coletivo.

Votar não é um gesto automático nem um ato isolado. É um posicionamento ético. É assumir que nossas decisões têm consequências que ultrapassam preferências pessoais, ideologias prontas ou discursos sedutores. Escolher candidatos é indicar caminhos para a educação, a saúde, a economia e a convivência social. É decidir que tipo de país estamos ajudando a construir — não apenas para nós, mas para as próximas gerações.

A Copa do Mundo traz alegria, pertencimento e esperança. Que ela nos lembre da força da coletividade, do trabalho em equipe, do respeito às diferenças e da importância de um projeto comum. Mas que não nos faça esquecer que o futuro do Brasil não se decide em noventa minutos, e sim nas escolhas conscientes feitas ao longo do ano.

Este é um tempo de mais escuta e menos ruído. De mais perguntas e menos certezas absolutas. De sair do automático e assumir, com maturidade, o nosso papel como cidadãos.

O Brasil que desejamos não nasce apenas dos candidatos que elegemos, mas do nível de consciência com que os escolhemos. Que este seja um ano em que a responsabilidade fale mais alto do que a polarização, e a consciência pese mais do que a distração.

*Sérgio Marchetti é consultor organizacional, palestrante e Educador. International Certification ISOR em Holomentoring, Coaching & Advice (coaching pessoal, carreira, oratória e mentoria). Atuou como Professor de pós-graduação e MBA em instituições como Fundação Getúlio Vargas, Fundação Dom Cabral, Rehagro e Fatec Comércio, entre outras. É pós-graduado em Administração de Recursos Humanos e em Educação Tecnológica. Trinta anos de experiência em trabalhos realizados no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br

Sérgio Marchetti

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Um registro escrito no dia 30 de dezembro de 2025

O ano está acabando e já nos impulsiona para melhor começar o ano novo que já se avista. Faz parte do método pelo qual conduzimos a gestão da nossa vida a observação e análise dos fenômenos e processos que colocaram todas as coisas em movimento no ano que se passou.

É preciso olhar para trás, sem paralisia, e fazer uma retrospectiva dos fatos mais impactantes que aconteceram e de expectativas que não viraram realidade. É momento de verificar os rumos que as coisas tomaram em função das várias variáveis que afetam as condições de contorno de cada uma das dimensões presentes nos processos do dia a dia. É mais uma oportunidade para se verificar o que foi planejado, o que foi executado, os resultados alcançados, o que ficou pendente e os próximos passos.

Por outro lado, é preciso olhar para a frente diante de novas expectativas de preferência num equilibrado realismo esperançoso. Sempre vale lembrar que, se a expectativa for maior do que a realidade, o sofrimento prevalecerá. É necessário definir propósitos, objetivos e metas desafiadoras, mas não malucas, para o ano que já vai se iniciar com os respectivos planos de ação contendo as medidas estratégicas e suficientes para se alcançá-las. De novo, será preciso colocar o gerenciamento em movimento com os devidos reposicionamentos estratégicos sempre que necessários dentro do dinamismo da conjuntura.

Ilustração gerada por Inteligência Artificial

Ilustração gerada por Inteligência Artificial / Substack Images

Como dizem Milton Nascimento, Fernando Brant e Márcio Borges na música “O que foi feito Devera”:

“Se muito vale o já feito, mais vale o que será.

E o que foi feito é preciso conhecer para melhor prosseguir.

Falo assim sem tristeza, falo por acreditar

que é cobrando o que fomos que nós iremos crescer”.

Que não haja distância entre a intenção e o gesto!

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A cada ano que vai passando, principalmente neste século, percebo que tudo aconteceu e passou rapidamente. Chegado dezembro, noto que muita coisa ficou para depois ou simplesmente não foi possível de ser feita. No mundo cristão o tempo do advento já passou pelo terceiro domingo e logo chegaremos ao Natal, que a cada instante se aproxima mais.

Se o advento é tempo de preparação, o que está sendo possível fazer até o Natal? Ou é apenas uma intenção desacompanhada de qualquer tipo de gesto? Tudo continuará sendo como antes? Efetivamente, será que admitiremos dar algum espaço para as necessárias mudanças, principalmente sabendo que tudo começa com a gente? Que tal começar com as coisas que só dependem de nós mesmos?

Imagem gerada com auxílio de inteligência artificial em alusão ao Natal.

Sugiro pensarmos um pouco sobre o nosso posicionamento nesse mundo extremamente conectado digitalmente, sentindo falta de humanidade, percebendo a ampliação da solidão e do sofrimento mental.

Faço um pequeno desafio à sua memória: e se nos lembrarmos rapidamente sobre a quantidade de pessoas que visitamos em suas residências, pelo menos uma vez, ao longo do ano que está acabando? E quantas te visitaram no mesmo período?

De imediato, posso dizer que visitei 40 pessoas amigas e recebi a visita de 25, sendo que os encontros tiveram uma duração média de 3 horas. Ah! Quanta energia boa fluiu nesses encontros presenciais!

Neste final de caminho rumo ao Natal, pense nisso e tenha iniciativas para que encontros aconteçam nessa grande arte que é a vida. Quem sabe poderá haver reciprocidade do outro? Ainda é possível renascer!

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